Observatório da Imprensa

LIVROS
§ A Arte do Motor, de Paul Virilio (EstaçãoLiberdade, S.P., 1996,134 pp.).
Sexto livro editado no Brasil de autoria do arquiteto, urbanistae filósofo francês (o primeiro foi lançadoem 1984). Mas só agora Virilio tornou-se o guru, ou antiguruda mídia. Sua crítica ao jornalismo-entretenimento,massificador e totalitário, vai além dos aspectosprofissionais e éticos do atual media-criticismporque coloca-o num complexo de tendências anti-humanistase antidemocráticas. Não é apenas um livrosobre imprensa mas um ensaio sobre o mundo "informacional",excitado e doente, tão distante da preconizada Era do Conhecimento.A.D.
§ Virando as Páginas, Revendo as Mulheres (RevistasFemininas e Relações Homem-Mulher, 1945-1964), deCarla Bassanezi (Civilização Brasileira, Rio deJaneiro, 1996, 500 pp.).
Uma incursão no "maravilhoso mundo das revistas"para nelas buscar o perfil da mulher brasileira do após-guerra,mães e avós da mulher contemporânea. Jornaldas Moças, Querida, Capricho, GrandeHotel, Revista do Rádio, O Cruzeiro e Cláudiasão esquadrinhadas e avaliadas por uma historiadora sensívelque busca o sentido das coisas e foge do pseudo-cientificismoque impregna malignamente as ciências sociais. Inclui umajusta homenagem a Carmen da Silva, psicóloga e escritora,uma das precursoras do feminismo moderno no Brasil. A.D.
§ The Economist, Style Guide (1ª edição,Penguin Books, Londres, 1986; 3º edição HamishHamilton, Londres, 1993, 141 pp.).
O guia de estilo e normas de redação criado paraos redatores do melhor semanário internacional estásendo distribuído como brinde aos seus assinantes (inclusivebrasileiros). Depois da onda de manuais de redaçãoque nossos grandes jornais converteram em best-sellerspara se autopromover e da qual nada resultou em matériade excelência jornalística, esta é uma ótimaoportunidade para conhecer um exemplo oposto. Junto com os conceitosque regem o jornalismo de qualidade de origem anglo-saxônica.Simples e despretensioso, elegante e bem-humorado, é umapreciosa ferramenta de trabalho para aperfeiçoar os textosda revista. Não impõe e não decreta coisaalguma, apenas convoca os redatores a cultivar o idioma para queas idéias expressas na revista sejam transmitidas aos leitoresem melhor estilo. A.D.
§ "Acho que todas as reportagens deveriam ser escritascomo escrevi Noticia de un secuestro" (Buenos Aires,Editorial Sudamericana, 1996). Boa técnica empregou GabrielGarcía Márquez nessa "tarefa outonal"que consistiu sobretudo em captar o sofrimento dos reféns.O ritmo é vivo quando conta os seqüestros, arrastadoquando o cativeiro se prolonga, vertiginoso quando se aproximao desenlace. A linguagem é simples, mas a apuraçãoé rigorosa e as explicações, claras. "AColômbia não tomou consciência de sua importânciano tráfico mundial de drogas enquanto os narcotraficantesnão irromperam na alta política do país pelaporta de trás", adverte, sem ilusões quantoa reações da opinião pública, que,"com as primeiras bombas, pedia prisão para os narcoterroristas,com as seguintes pedia a extradição, mas na quartabomba começava a pedir que fossem indultados". Informaçõesadicionais sobre o livro e seu contexto, colhidas na Internet,podem ser solicitadas via e-mail ao autor desta nota. M.M.


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