Observatório da Imprensa

 
Por que só a TV?
Caro Eugênio,
gostei bastante de suas considerações a respeito dos direitos do telespectador.
Concordo com tal iniciativa, mas, me parece, não precisamos desse canal somente no que tange à TV e sim para todos os meios de comunicação de maior expressão.
Você coloca que a mídia impressa, rádio e internet estariam, a princípio, melhor resolvidos nessa questão. Se tomarmos por base os mesmos nove tópicos de sugestão que você oferece para o tema da TV, veremos que os problemas persistem na maioria das mídias. Acredito que na mídia impressa isso é um pouco aliviado pelo volume de opções, cabendo até o argumento de que quem não quer esses direitos também tem suas opções.
Mas lembre do Rádio. Qual a diferença dos argumentos negativos que você levanta para a TV ? Quantas emissoras que atendiam satisfatoriamente o seu público e já foram abortadas sem consulta ? A quem reclamar ? Como se organizar ?
A impressão que eu tenho, e é ótimo esse início de conversa, é que hoje precisamos levantar os "direitos do consumidor dos veículos de comunicação". Talvez, dentro desse "guarda chuva" pudéssemos abrigar núcleos dos meios de comunicação e até dos veículos mais expressivos ou mais problemáticos.
Como você vê esse caso ?
Espero contribuir para a discussão e que outros se manifestem.
Abraços e obrigado por abrir a opinião.
Geraldo Leite

Comunicação e política
O OBSERVATÓRIO faz brilhantemente um "jornal dos jornais", a crítica interna da imprensa, mas sinto falta de matérias complementares que ultrapassem essa ótica e examinem tanto as mudanças no processo produtivo - digamos, a imprensa como negócio - como as formas pelas quais ela influencia a sociedade e o processo político do Brasil.
Fico escandalizado com o fato de que meus colegas da ciência política produzem mil estudos sobre partidos e eleições, mas nenhum sobre o orçamento - sobre as implicações políticas da distribuição dos recursos governamentais - e, no caso que nos interessa, sobre o modo pelo qual o processo político tem se modificado sob o impacto da televisão (tenho a impressão de que o Brasil e os Estados Unidos são as duas sociedades de massa em que a televisão tem mais peso no processo político; as européias possuem outros mecanismos de defesa, provavelmente).
A relação entre "comunicação e política" é uma terra de ninguém: os cientistas políticos não a consideram um tema nobre e a produção intelectual da ECA (Escola de Comunicação e Artes da USP) e similares é academicamente inqualificável.
Gildo Marçal Brandão, de Pittsburg, Estados Unidos

O erudito pelo não dito
O que esperar dos "balanços culturais" dos cadernos, ditos, culturais? Tratam a cultura apenas em seu momento de produto, ou mercadoria; cobrem só se houver ganchos de consumo; têm pavor da reflexão e ainda enfatizam apenas o evento (que passa) contra o processo (que enreda e relaciona o fato). Como se a cultura fosse só o consumo de arte. E erudição um acúmulo arrogante de conhecimento. Fica o erudito pelo não dito.
TT Catalão, Brasília


Retrospectiva simplista
No artigo "salada improvisada", queria parabenizar o articulista pela clareza da exposição diante da complexidade e conseqüência desses "mix modernosos". Só gostaria de acrescentar e sugerir que se desse uma olhadela no jornalismo da Globo. Principalmente no que se refere à clássica Retrospectiva tão adequada à televisão, uma coletânea de imagens sensacionais e sensacionalistas. Acontece que nos últimos anos a retrospectiva deu lugar a um texto simplista, perdido entre a análise e a apresentação dos fatos, culminante no final de 96 com um exercício de tecnologia a serviço da vaidade de meia dúzia de "Bozós". Computadores, cenários virtuais e a notícia, a vedete do programa, acabou vilipendiada. Acho que o programa merecia uma crítica mais acurada. Quando a notícia vira show, já é um perigo. Quando jornalistas se transformam em artistas, alguma coisa vai mal... muito mal!
Claudio Odri

Não é só no fim do ano
Fim de ano: deslumbramento e acomodação... Será que só no fim de ano mesmo os jornalistas estão acomodados? Assistir os noticiários na televisão hoje em dia é bobagem, veremos as mesmas notícias de ontem, antes de ontem, da semana passada, do ano passado... Assalto a banco, balas perdidas no Rio de Janeiro, engarrafamento em São Paulo, tragédias em hospitais públicos, tudo bem mastigadinho, mais banal, impossível!
Há pouco tempo, com a tragédia do avião da TAM, a Veja publicou um artigo que dizia que a TV transformou o acidente em show, entretenimento. Ora, não apenas a TV, o jornalismo como um todo hoje em dia está cada vez mais entretenimento, show. Compromisso com a sociedade? "Neca de pitibiriba", diriam meus conterrâneos paraibanos.
As reportagens são as mesmas todo final de ano: recordes de vendas, dicas para enfeites e presentes etc e tal... Criatividade? "Neca..." Reportagens literárias? "Neca..." Apenas números e mais números que, pelo menos aqui no Nordeste, não batem com a realidade. Recorde de vendas no comércio... Só encontramos gente devendo até as calças.
Talvez os jornalistas tenham se rendido aos donos de jornais e agora, simplesmente, obedecem às pautas sem nem argumentar, sem opinar, sem fugir a ela. Estamos como cavalos, selados e cavalgados com uma bitola, com o agravante de que temos mãos para arrancar a bitola.... Estamos acomodados demais com nossos empregos mal-remunerados para discutir.
Tatiana Learth

Apunhalados de frente
Se falar a verdade machuca, certos políticos acabaram de ser apunhalados, porém pela frente e de peito aberto. Espero que a imprensa mantenha seu papel de alertar o povo para óbvias, porem nem sempre claras, atitudes dos por nós eleitos.
Paulo Gaba, empresário

Livros sobre media watch
Gostaria de ver na "seção" de Livros títulos sobre media watch. Sei que são raríssimos os disponíveis por aqui, mas já é possível, via Internet, comprar livros em livrarias de outros países e recebê-los em casa. Tenho adquirido alguns, nos últimos meses, mas muitas vezes não tenho como avaliá-los pela descrição feita no site. Suponho que vocês tenham algum tipo de contato com outras organizações de estudos sobre jornalismo e que esse link permita conhecer lançamentos sobre aspectos diversos da nossa profissão que não são divulgados, por razões óbvias (não são produtos lançados aqui). Fica a sugestão, até porque, nessa primeira visita, gostei muito do que pude olhar.
Ibsen Spartacus Petrópolis, diretor editorial da Nova Cultural/Círculo do Livro.

Resposta: Caro Ibsen. Obrigado pela colaboração que publicamos no número 12 do O.I. e por sua carta. Certamente queremos oferecer a informação mais qualificada, mas por enquanto estamos esbarrando na falta de recursos (financeiros e, conseqüentemente, humanos). Nossos contatos ainda são incipientes. Mas você nos ajuda muito se mandar pequenas resenhas sobre livros que tenha lido. (Os Observadores.)

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