ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 396 - 9/2/2010
  Jornal de Debates
Início > Índice Geral > Jornal de Debates + A | - A
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
 

NOTAS DE UM LEITOR
Revista decreta a morte dos jornais

Por Luiz Weis em 29/8/2006

Quatro meses depois de publicar um alentado informe especial sobre o jornalismo na internet, o semanário britânico The Economist volta à mídia esta semana com a matéria de capa de três páginas compactas "Quem matou o jornal?" e um editorial cujo título repete a pergunta da chamada.

A revista deixa claro de saída, portanto, que o jornal morreu. "É só uma questão de tempo", prevê o editorial, para que os diários "comecem a fechar em grande número". Impossível não lembrar de Mark Twain. Quando o escritor americano leu que tinha falecido, comentou que a notícia era "ligeiramente exagerada".

Mas como o papel aceita tudo, vamos em frente. A Economist traz os principais indicadores dos padecimentos da tradicional mídia impressa diária – leitores, receitas publicitárias, jornalistas empregados e matérias exclusivas em queda, preferência esmagadora do público jovem pela internet, interesse crescente dos anunciantes pelas edições online dos periódicos e – o que seria o tiro de misericórdia – a proliferação explosiva de jornais gratuitos para serem lidos nos metrôs e ônibus.

A tiragem somada dos metros, como são chamados, é da ordem de 28 milhões de exemplares, informa a reportagem – o equivalente, na Europa, a 16% de toda a circulação diária. Até o Le Monde vai lançar um. Para fazer um metro para 100 mil leitores bastam em média 20 jornalistas – nove vezes menos do que para fazer um equivalente pago.

Claro: este último não só traz "n" vezes mais notícias, como se trata de notícias que requerem muito mais apuração e informações que lhe dêem contexto.

A revista cita o sueco Pelle Törnberg, que inventou o gênero, em 1995. "O maior inimigo dos jornais pagos é o tempo", diz ele.

É uma verdade superficial – e a matéria da Economist é mais uma a não ir além da superfície no diagnóstico da crise dada como terminal do jornalismo diário.

Audiências em queda

O texto constata o desencontro entre o que a maioria dos leitores quer e aquilo a que os jornais convencionais dão mais importância. O editor do Zero Hora, de Porto Alegre, Marcelo Rech, conta que o jornal pesquisa diariamente a opinião de 120 leitores. O recado é claro. "Eles geralmente querem mais suplementos como os que temos sobre culinária e moradia", diz o editor, "e menos Hezbollah e terremotos".

Isso bate com os resultados de sondagens em muitos países. "As pessoas gostam de matérias curtas e notícias que lhes sejam relevantes, como relatos locais, esportes, entretenimento, tempo e tráfego", nota a Economist. E cada vez mais recebem isso da internet.

A expressão-chave, que abre todo um campo de indagação, inexplorado pela matéria, é "notícias que lhes sejam relevantes".

Por que "relatos locais, esportes, entretenimento, tempo e tráfego" e não, também ou mais ainda, o Hezbollah do exemplo de Marcelo Rech?

Porque, desde a última década, vem aumentando muito o número de assuntos em relação aos quais uma parcela cada vez maior de pessoas – jovens adultos, especialmente – se pergunta: "E eu com isso?"

A tendência parece irrefutável. Os motivos é que são elas. Uma hipótese a levar em conta é a de que se vive um período de declínio do interesse pela esfera pública e de aumento intenso de interesse pela vida particular.

Isso pode, ou não, ter relação com o "fim da história" do precipitado Francis Fukuyama. Os conflitos ideológicos que marcaram o século 20 e a Guerra Fria bem ou mal como que obrigavam um número de pessoas proporcionalmente maior do que hoje, nos mesmos países, a se informar sobre o proverbial "o que vai pelo mundo".

Política, governo, relações internacionais, economia – que ainda encabeçam a hierarquia do noticiário e das pensatas do jornalão típico – não eram assim de se dar as costas. Mesmo com o advento da televisão, o jornal tradicional continuou a ser a ponte por excelência entre o grande mundo e o pequeno mundo.

E a mesma hierarquia foi adotada pelos telejornais de começo da noite das grandes redes americanas. E não há de ter sido por razões diferentes daquelas que afetaram o jornalismo diário impresso que a sua audiência caiu acentuadamente. Idem para a queda de audiência da emissora que nasceu para dar notícias 24 horas por dia – a CNN.

A propósito, comparem-se as pautas dos "Evening News" da ABC, CBS e NBC de 20 anos atrás com as de hoje. É a supremacia do que antigamente se chamava fait-divers, do paroquial e do "lado humano". Mesmo a economia é cada vez menos economia e cada vez mais finanças pessoais.

Expressão "grega"

A "década do eu", como os americanos falavam dos anos 1990, caminha para ser duas, ou mais. Ela é veneno para o jornalismo como encarnação do espaço público e do debate público – as províncias naturais do jornal diário.

"Eu", o filho que deixou de fazer o que o seu pai e o pai de seu pai faziam religiosamente – ler jornal para saber das coisas do mundo – quer saber, sem muito palavrório, como ganhar mais dinheiro, como se cuidar, como se divertir, como desfrutar. Assim, no intransitivo. "As pessoas querem que o seu jornal lhes diga como enriquecer e o que podem fazer esta noite", resume a Economist, na mosca.

Isso não significa que as gerações que as precederam quisessem ser pobres, doentes, puritanos e frugais. Mas tinham mais tempo – e nisso o sueco do metro citado pela Economist está certo – para se inteirar também, lendo jornal, das questões que transcendiam o seu cotidiano.

Os jornais não teriam se desenvolvido como se desenvolveram, e as suas páginas nobres não se ocupariam do que se ocupam, se os seus leitores jovens adultos de 1906, digamos, fossem os de 2006.

Os primeiros – e isso tem tudo a ver com o encolhimento do espaço público, logo da centralidade do jornalismo diário nos hábitos de zilhões de pessoas – viviam em sociedades e em economias de mercado. Os de hoje vivem em sociedades de mercado que tendem para o absolutismo. Nestas, o dinheiro – não a política – faz a mediação entre o público (apequenado) e o particular (agigantado).

Seria de espantar se nesse ambiente as pessoas se acotovelassem nas bancas para comprar esses mesmos jornais que ainda se consideram, incomparavelmente mais do que prestadores de serviços para o bem-estar dos leitores e do seu círculo familiar e de relações – que é o que estes procuram acima de qualquer outra coisa –, o Quarto Poder.

O significado da própria expressão, pode se apostar, deve ser grego para muitos dos que têm "mais a fazer" do que sujar as mãos com a tinta dos diários.

Ainda vivos

A Economist acredita que a perda relativa de importância do jornal impresso, na sua função essencial de "obrigar os governos a responder por seus atos no tribunal da opinião pública", pode ser compensada pela explosiva expansão dos conteúdos disponíveis na internet – embora admita que "os resultados do e-jornalismo sejam reconhecidamente limitados".

Um dos motivos talvez esteja na própria forma de interação do leitor com a informação na net. "As pessoas olham menos páginas online do que na versão impressa", observa a revista. E, de acordo com Gavin O’Reilly, citado como presidente da Associação Mundial de Jornais, "leitores online usam os sites dos jornais de maneira aleatória e fragmentada".

A saída que a Economist antevê parte da premissa de que "alguns jornais que investem no tipo de matérias investigativas que freqüentemente mais beneficiam a sociedade estão em boas condições para sobreviver, desde que os seus donos sejam competentes em ajustá-los às circunstâncias cambiantes".

Ou seja: alguns dos jornais mortos continuarão vivos.

[Texto fechado às 9h00 de 29/8]

Comentários (17)
Comentar
Compartilhe
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade e a pluralidade de idéias e de pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Mensagens que não atendam a essas normas serão deletadas – e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.

ATENÇÃO: Será necessário validar a publicação do seu comentário clicando no link enviado em seguida ao endereço de e-mail que você informou. Só as mensagens autorizadas serão publicadas. Este procedimento será feito apenas uma vez para cada endereço de e-mail utilizado.
         
Nome :   Sobrenome :
E-mail:   Profissão:
Cidade:   Estado:
Comentário:


para o limite de 1400.
 
The CAPTCHA image
Clique aqui para ouvir o
texto soletrado(mp3)
Digite no campo abaixo o texto
que você vê na imagem ao lado.

 
Ronaldo Honda , Fátima do Sul-MS - Estudande
Enviado em 11/9/2006 às 14:04:13
Este artigo é muito interessante, e acredito que um dia, num futuro meio distante, isso possa acontecer (o fim dos jornais impressos). As pessoas de hj, muitas delas tem acesso à internet, porém compram jornais, pois podem ser lidos em qualquer lugar. Os jornais nem sempre tem tudo que interessa aos leitores, mas sim, aquilo que convém à imprensa mostrar... na internet não é muito diferente... acho q a morte dos jornais ta meio longe ainda.
Dalila Cividini , Dourados-MS - Estudante
Enviado em 11/9/2006 às 13:22:23
Bom concordo com o texto pq hoje em dia o público procura a notícia na hora o que os jornais não podem oferecer, ou muitas pessoas só compram os jornais pra ver uma determinada notícia muitas vezes nem compram pegam "emprestado" de alguém para ler o q lhe interessa.. sendo assim creio q um dia os jornais poderão sim ter seu fim..
Nelson Nolasco , Rio de Janeiro-RJ - Professor
Enviado em 7/9/2006 às 11:28:33
Não consigo acreditar que um texto digitado para ser lido em um site seja menos informativo de o que um texto impresso. Eu tenho 27 anos e estou entre os jovns adultos que quase nunca compram jornal, embora meu pai tenha este hábito. Se houvesse um site pago com noticias relevantes eu assinaria o tal site, entretanto, a imprensa caiu em um maniqueísmo irritante. Por exemplo nestas eleições nao há debate nem programa de governo e nenhum jornalão tem cobrado isso dos candidatos. Ou se é pró Lula ou anti-Lula. Ou se é pró-Israel ou pró-Hezbollah, raramente vejo uma analise de que os dois lados tem os seus pontos de vista a serem defendidos e tambem suas culpas. Além do mais me irrita a ideia de que os jornais sao formadores de opiniao. Parece que a imprensa é uma tutora da mente dos infantis leitores. Pelo menos na internet, é muito facil discordar de um blog e enviar um email ao seu dono; criticar um blogueiro é algo possivel. Já os grandes editores se sentem deuses no Olimpo, que os mortais leitores sao incapazes de perceber que existem interesses envolvidos na hora de deidir o que vai e o que nao vai ser impresso. Bem viva a internet, e morram os que se sentem donos da verdade e das interpretações desta mesma verdade.
Marco Costa Costa , São Caetano do Sul-SP - T.P.A.
Enviado em 5/9/2006 às 10:42:49
A notícia seja ela qual for visa informar o leitor de algo que ocorre no universo da natureza e, mostrar que este ou aquele leitor é bem informado sobre vários assuntos. Uma situação que me intriga e que me trás uma certa inquietação é saber o que a notícia muda de fato à história da humanidade. Senhor jornalista, tirando o bem informado, diga-me outro e/ou outros benefícios.
Augusto César Mourão e Lima , Rio de Janeiro-RJ - Consultor de Marketing
Enviado em 2/9/2006 às 12:39:10
Até tu, Ancelmo? Ancelmo Gois deu continuidade ao festival de besteiras mal intencionadas já inaugurado pela jornalista Lydia Medeiros, comentada ainda hoje por mim. Sob o título "Mierda es la...", o Ancelmo publica nota recheada de termos chulos. Um mandato incomoda muita gente, mas dois mandatos incomodam muito mais. Augusto César
Augusto César Mourão e LIma , Rio de Janeiro-RJ - Consultor de Marketing
Enviado em 2/9/2006 às 12:15:06
Meu caro Dines, sempre que posso assisto ao OI na TVE e acesso a página no Último Segundo. Concordo inteiramente com a sua análise sobre a matéria publicada no The Economist. Realmente a notícia é "ligeiramente exagerada". Lí, outro dia comentário seu ou do Luiz Weis sobre uma jornalista que estrevistara o Antonio Carlos Magalhães e publicara matéria vista como exemplo de mau jornalismo. Hoje, no Globo, matéria assinada por Lydia Medeiros sob o título "Livro revela Bastidores do Planalto", comentando o livro "Viagens com o Presidente - Dois repórteres no encalço de Lula do Planalto ao exterior (Record), de autoria dos repórteres Leonencio Nossa, do jornal "O Estado de S. Paulo", e do repórter Eduardo Scolese, da "Folha de S. Paulo". Me parece que uma das maneiras de se matar o jornal é a imprensa continuar a se permitir este tipo de matéria, mal intencionada, tendenciosa, eivada de insinuações e de grosserias. É bem possível e até provável que o presidente, assim como a maioria das pessoas que eu conheço, usem de palavrões na intimidade do seu dia a dia. Reunir frases que não podem ser comprovadas exceto pelos dois autores num livro e conseguir espaço de duas matérias sobre assunto escatológico num jornal do porte do Globo, causa espécie. Sinto muito por ter tomado o seu tempo ou o dos seus leitores, mas estou deveras indignado com a parcialidade da mídia. Saudações. Augusto César
Vera Borda , Rio de Janeiro-RJ - professora
Enviado em 2/9/2006 às 11:31:41
Falo por mim: para me informar hoje leio "notícias" pelo site da Reuters, que é curto, objetivo, não opina ao descrever os "fatos", não tenta me impingir uma opinião disfarçada em "dado" da realidade. Além disso, acesso os sites de jornais internacionais. Não compro, não leio e não assino jornal brasileiro algum. Assino uma revista semanal, que me parece bem escrita (parece bobagem, mas o "texto" dos grandes jornais caiu muito de qualidade nos últimos tempos, ofende a minha vista), com reportagens razoavelmente aprofundadas, e é só. No mais, frequento alguns blogs escolhidos a dedo, porque entre outras qualidades, são bem escritos. Eu também gostaria de ler um jornal brasileiro que traga análises de mais fôlego, assinadas sempre pelo autor (para saber quem é o responsável pela análise), grandes reportagens investigativas (no bom sentido da palavra, não no sentido "denunciador" do termo) semanais, que me forneçam os pontos de vista para refletir e não que se proponham a "formar" minha opinião, ou a dizer o que devo pensar e concluir. Não há nenhum jornal desse tipo no Brasil atualmente. Todos parecem "rezar pela mesma cartilha" (têm o mesmo discurso e a mesma ideologia do conservadorismo neoliberal da hora), nenhum expõe honesta e francamente sua preferência político-eleitoral neste momento, todos se dizem isentos e imparciais, alguns tentam apresentar o "outro lado", mas igualmente filtrado pela ótica homogênea e homogeneizadora dos demais. Nenhum pede desculpas aos leitores por ter insultado a quem não devia, por ter caluniado, por ter mentido, por forjar um título que é desmentido nas entrelinhas dos últimos parágrafos, o que é absolutamente irritante. Isto é, nenhum jornalão atual tem para mim credibilidade alguma.
Jose de Almeida Bsipo , Itabaiana-SE - Radislista e publicitario
Enviado em 30/8/2006 às 19:57:08
NADA A VER; TUDO A VER. Cheiro de desacato à Lei eleitoral por camuflagem em Itabaiana/SE agora à noite. O promoter Fabiano Oliveira, candidato a vice-governador na chapa do atual governador João Alves (candidato à reeleição) arranjou um jeitinho de fazer um "showmício": Traz hoje à noite a banda baiana Araketu de grande projeção em Sergipe e em todo o Nordeste para "gravar um show" em Itabaiana. "É algo assim como se apresentar em Copacabana, no Rio de Janeiro e depois vender o show." Fabiano também é o promotor desde o início, da micareta conhecida como Pré-caju, na capital sergipana. No cardápio, panfleteiros e os próprios candidatos no meio do povão e, obviamente sendo saudados pelos músicos. É bom lembrar que o candidato cabeça de chapa é governador, logo, a maior autoridade do Estado. Não há de passar em branco a sua presença. Veja mais aqui: http://home.itnet.com.br/
Mariene Lima dos Santos , Salavdor-BA - Estudante de jornalismo
Enviado em 30/8/2006 às 14:21:41
Gostei do texto, concordo com vc, alguns estão mortos outras ainda resistem em viver, sobrevivem, não adianta eles terão que ser contaminados pelo vírus da hipocrisia. sem falar naqueles que cobrem a área de segurança nos jornais, não admitem, mais falta mais investigação, alias a desculpa é a falta de tempo para aentregar a matéria pronta. valeu pelo texto!
Fernanda Leal , Porto Alegre-RS - estudante
Enviado em 30/8/2006 às 12:35:30
É incrível, achei que esta era apocalíptica já tinha passado... mas nesse caso, me parece que o título é bastante sensacionalista, pois o texto vai "esfriando" ao longo dos parágrafos chegando, ao final a contradizer a manchete. Quer dizer, os jornais teriam morrido ou não?
Marcio Guedes , Rio de Janeiro-RJ - Engenheiro
Enviado em 30/8/2006 às 11:13:59
Não considero a previsão exagerada! Por que se tem que pagar pelo o que não nos interresa ler? Por que os jornais não oferecem assinaturas personificadas, nas quais se poderia escolher o que realmente se pretende ler?
Edward Wilson Martins , São José dos Campos-SP - Empresário
Enviado em 30/8/2006 às 10:37:47

Primeiro, quero mais uma vez rasgar elogios ao Dines, porque está à frente de seu tempo, o primeiro a ver mudanças que realmente importam e capaz de análises que efetivamente lançam luz nos acontecimentos de nosso tempo. Sou editor de conteúdo na internet e posso afirmar que nela se consagrou o pleno direito à liberdade de expressão que se pretende existir nas democracias participativas. Isso é definitivo e os obscurantistas, que estão profundamente incomodados com essa liberdade, não conseguem aceitar o exercício seu pleno exercício, principalmente pelo cidadão comum.

Pô, o que eu estou fazendo aqui e agora, escrevendo essas surradas linhas, é simplesmente isso!!! E o Brasil, que viveu um profundo e negro período de censura, que a história contada hoje nem consegue contar com competência como tudo aconteceu e a dimensão do que ocorreu, está como não poderia deixar de ser, em festa com o exercício da liberdade de expressão, desta vez plena, geral e irrestrita MESMOOO! Toda liberdade precisa de como se expressar, de um “veículo”, isso é escancarado com o que ocorre hoje com o “ir e vir” das pessoas, que é um direito que elas não conseguem exercer plenamente e muitas vezes (a maioria) nem minimamente, porque depende do vil metal, do dinheiro mesmo. O cidadão pobre tem que programar sua locomoção, porque se não puder andar a pé (porque é muito distante) ou mesmo de bicicleta, ele não tem como pagar o ônibus, que custa muito caro, há um cartel em todo o Brasil e a passagem, chamada de tarifa, custa em média R$ 1,70 a R$ 2,00 por decisão desses senhores do direito de locomoção dos brasileiros. Então, pergunto: onde está o direito de ir e vir?

É uma piada, ele não existe. Para o exercício da liberdade de expressão é preciso também o veículo. E a Internet é o veículo. Não só para as pessoas comuns, qualquer cidadão, mas grupos, entidades, pessoas jurídicas, privadas ou públicas, etc, etc, etc. Talvez o “Economist” esteja visualizando esse mundo imenso que é a Internet, que de tão grande não é possível nem mesmo quem convive com ela diariamente ter uma dimensão aprofundada para se fazer “estatísticas” e “análises”. Por isso que a matéria do Dines é um “furo” espetacular. Não cabe desprezar o que o “Economist” está dizendo, a análise é profundamente pertinente. Algumas coisas posso testemunhar aqui, para análise dos colegas leitores internautas: muitos dos jornais impressos, principalmente os das cidades médias e grandes, continuam com os mesmos vícios de décadas atrás, e agora se autocensuram através da pressão econômica, da subserviência aos ricos e poderosos, dos “mensalões” públicos e privados e a grande massa de leitores, a maioria formadora de opinião, percebe essas coisas e os jornais ficam desacreditados.

Bem, daí é fácil concluir: se já não estavam muito dispostos a ler jornais, ficam menos ainda e se têm um veículo alternativo (a Internet), é nele que irão buscar opinião. E fundamento o meu raciocínio com o seguinte argumento: em qual jornal impresso eu encontraria esse genial artigo do Dines???? Mas não acho que os jornais impressos irão desaparecer. Afinal, não aconteceu isso com o rádio, que todo mundo dizia a mesma coisa, quando apareceu a televisão. Eles (os jornais impressos) terão o seu espaço. Qual será o tamanho deles só o futuro poderá dizer. E pelo andar da carruagem, o futuro está bem próximo e não será daqui a décadas ou séculos adiante...!

Edson Wander , Goiânia-GO - Jornalista
Enviado em 30/8/2006 às 10:06:55
É a portatibilidade. Que os jornalões terão outra cara em 2043 como sugerem os escribas do The Economist, acho ponto pacífico. Daí a dizer que eles serão extintos por completo, só acho plausível no dia em que conseguirmos levar a e-leitura ao trono dos banheiros...
Calypso Escobar , Rio de Janeiro-RJ - artes
Enviado em 30/8/2006 às 05:46:30
Num futuro acredito na morte do jornal impresso,mas num longo futuro...a tecnologia corre nesse campo e é de se esperar que carreguemos,em fórma de estética pasta o jornal net,em fórma de online e sem receitas gastronômicas,surgimento de figuras VIPs.modelos e panacéia em disfunção,há realmente nos impressos folhas em quantidade inespressivas,vai depender do inteligente reduto dos próprios donos. Por hora aprecio a internet e o que mais atinjo no impresso é decorrência do que já tomei conhecimento.O esquema é introduzir,sàbiamente,o correto do "pai"morto.
Sara Reis Reis , Vitória da Conquista-BA - Jornalista
Enviado em 29/8/2006 às 22:00:05
O jornalismo online ainda depende muito das outras mídias, portanto, ele deve se apoiar ainda por um bom tempo no velho impresso. Afinal, ninguém adivinha que o jornal que ele conhece foi parar na internet. Além disso, numa cidade do interior como a minha, as pessoas que mais lêem jornais são as mais idosas e muitas destas estão longe de se adaptarem às novas tecnologias.
Jose de Almeida Bispo , Itabaiana-SE - Radialista e publicitário
Enviado em 29/8/2006 às 15:55:00

"We can try to understand the New York Times effect on man." (Barry & Maurice Gibb in Stayin alive) A mensagem é clara: os compositores populares australianos nela imprimiram o que significa ter conceito; ter respeitabilidade. Houve um tempo em que crianças eram educadas ouvindo histórias de reis, rainhas, princesas, duques e toda a sorte de nobreza que eram justos e perfeitos – como se diz por aí – e que num determinado tempo descobriram o rei nu. E toda a sua corte. Os jornais como jornais que se tornaram empresas estão acabando. A TV também. Em seu lugar a internet. Os jornais como o foram até o aparecimento do media-business, estes nunca acabarão. É como no caso dos livros. A "nobreza" midiática, portanto, está nua.

Todavia, se os jornais estivessem por acabar a Opus Dei não estaria a neles investir tão alto. E os membros da Ordem podem ser sectários; podem estar imbuídos do espírito do renascimento da Grande Ibéria; podem até ter tomado o Vaticano num momento em que muitos prediziam estar a religião à beira da morte. Aqui eles já provaram o contrário. E vão provar também no caso dos jornais. Obviamente que a patuléia vai continuar a querer ver campeonatos de brincadeiras idiotas na TV. Que vejam. Vai querer ver receitas de emagrecimento, de remédio pra isso ou aquilo... Que vejam. Mas a opinião, especialmente aquela que possa gerar a idéias... “que tenha efeito nos homens,” essa estará em breve tão cercada quanto as idéias pré-iluministas. E essa opinião ou mesmo sua idéia não será buscada em sítios eletrônicos qualquer ou em debates no rádio ou TV. De uma coisa o ser pensante jamais se absterá: ele sempre buscará referenciais. O jornal como trincheira de fuzilamento político, moral ou ético, bem como de fazedor de milionários é que acabou. Basta ver a canalhice feita pelos jornalões nacionais pra derrubar o PT em detrimento dos tucanos e seus resultados práticos.

Luciana Covolan , Bauru-SP - do lar
Enviado em 29/8/2006 às 13:33:30
Diziam que o cinema desapareceria com a novidade da televisão, mas graças a Deus o cinema está aí, nem sempre melhor, mas vivo! O que realmente é bom sobrevive às tempestades.
Compartilhe este texto
Blig Blig BlinkList BlinkList BlogBlogs BlogBlogs BlogLines BlogLines Delicious del.icio.us
Digg Digg Furl Furl Google Bookmarks Google Bookmarks Linkk Linkk Magnolia ma.gnolia
netscape Netscape netvibes Netvibes newsvine Newsvine reddit reddit Stumble Upon Stumble Upon
Technorati Technorati Twitter Twitter Windows Vista Windows Vista Yahoo! MyWeb Yahoo! MyWeb Facebook
Outros artigos desta Seção
THE ECONOMIST, PT E PATRONATO
Frente ampla contra
os jornais de qualidade

Alberto Dines
29/8/2006
NOTAS DE UM LEITOR
Revista decreta a
morte dos jornais

Luiz Weis
29/8/2006
COLUNISMO POLÍTICO
O que é e o que
não é relevante

Venício A. de Lima
29/8/2006
Diretor dá o tom e
Folha bate mais forte

Luiz Antonio Magalhães
29/8/2006
ISRAEL vs. HEZBOLLAH
Jornalismo de dois
pesos e duas medidas

Mário Augusto Jakobskind
29/8/2006
O horror à manipulação
na cobertura

Rodrigo Oliveira Fonseca
29/8/2006
PRESIDENCIÁVEIS NO JN
Lula, o ego
Lúcio Flávio Pinto
29/8/2006
THE ECONOMIST
Quem matou o jornal?
1/9/2006
PLANOS PARA O FUTURO
Cuidado: governo fala em democratizar mídia
Alberto Dines
2/9/2006
DIOGO MAINARDI
iG repele ataques de colunista de Veja
Caio Túlio Costa
3/9/2006

Últimos 5 artigos de
Luiz Weis
NOTAS DE UM LEITOR
Sucessão de Bush a pleno vapor na web
13/3/2007
NOTAS DE UM LEITOR
O sigilo da fonte em julgamento
6/3/2007
NOTAS DE UM LEITOR
Café com um presidente “absolutamente à vontade”
27/2/2007
NOTAS DE UM LEITOR
O carro do senador e a pimenta no título
20/2/2007
GUIDO MANTEGA, REFÉM
O ministro e o amigo do ministro
20/2/2007
Mais artigos de
Luiz Weis >>