ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 406 - 9/2/2010
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CASO EMIR SADER
O fantasma da censura

Por Deonísio da Silva em 7/11/2006

Não exageremos o caso Emir Sader. Ninguém foi proibido de dizer ou de escrever coisa alguma. O professor escreveu algo sobre o senador Jorge Bornhausen. Inconformado, este recorreu ao Judiciário, que lhe deu razão, condenando Emir Sader em primeira instância.

O condenado pode agora recorrer. Melhor fora que nada disso tivesse acontecido. Que o articulista medisse melhor suas palavras no calor da hora e que o senador fosse mais tolerante. Mas na refrega todos exageraram.

O Judiciário tem seu foro próprio para julgar tais demandas, mas não substitui a História. Deveras incompreensível foi o juiz dizer na mesma sentença que Emir Sader ofendeu também os eleitores catarinenses que elegeram o senador. Lê-se na sentença do juiz Rodrigo César Müller Valente, da 11ª. Vara Criminal de São Paulo:

"Ao adjetivar um Senador da República de ‘racista’, esqueceu-se o réu de todos os honrados cidadãos catarinenses que através do exercício democrático do voto o elegeram como legítimo representante em nossa República Federativa. Trata-se, pois, de conduta gravíssima, que de modo algum haveria de passar despercebida, principalmente porque partiu de alguém que, como profissional vinculado a uma universidade pública, jamais poderia se valer de um meio de comunicação de grande alcance na universidade em que atua para divulgar ilícito penal."

Se assim é, como ficam os que criticam Paulo Maluf, um dos deputados federais mais votados, de recente passagem pelos cárceres por corrupção? Como se vê, quando entramos no terreno pantanoso da política não é apenas a sentença da História que difere do Judiciário. Também a das urnas oferece suas discrepâncias.

Tudo passará

Defendi duas teses sobre o tema da censura. A de mestrado, na UFRGS, em Porto Alegre (1981), e a de doutoramento, na USP (1989). Foram publicadas em três livros: O Caso Rubem Fonseca (São Paulo, Alfa-Ômega, 1983); Nos Bastidores da Censura (São Paulo, Estação Liberdade, 1989) e Rubem Fonseca: proibido e consagrado (Rio, Relume-Dumará, 1997), recentemente reeditado. E um dos ensaios recebeu o X Prêmio Abril de Jornalismo, em 1985.

Lembro das grandes dificuldades que tive para convencer a banca da USP de que a censura era norma na civilização ocidental e não execrável exceção de períodos autoritários. James Joyce foi proibido nos EUA em pleno século 20 e somente veio a ser liberado depois de rumoroso caso judicial. E o Judiciário francês tinha levado aos tribunais ninguém menos do que Gustave Flaubert. Pareceu pouco a dois dos examinadores, mas felizmente uma banca de doutoramento é composta de cinco doutores.

Já estava com a tese quase pronta quando aconteceram duas coisas que me fizeram rever o que estava escrevendo.

A primeira: em 1985, no alvorecer do governo Tancredo Neves/José Sarney, o ministro da Justiça, Fernando Lyra, liberou em célebre evento no Teatro Casa Grande, no Rio, tudo o que estava proibido, menos o que estava sub judice – como o caso emblemático de censura a escritores, a proibição de Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca. Depois daquele ato memorável, fui jantar ali por perto, na companhia, entre outros, de Cristóvam Buarque, Rubem Fonseca e Thea Fonseca.

A segunda: dali a pouco tempo o mesmo governo proibia a exibição do filme Je Vous Salue Marie, de Jean-Luc Godard, na esteira de reinterpretações da vida de Jesus, como já fizera Pier Paolo Pasolini com o Evangelho de Mateus.

A Igreja Católica, tão eficaz nas lutas da redemocratização, como igualmente eficaz tinha sido para ajudar a derrubar o governo democrático de João Goulart, surpreendia a muitos, fazendo intensas pressões para que o governo José Sarney proibisse o filme de Godard. E o presidente sucumbiu, igualando-se, neste particular, aos ditadores que sucedia, que haviam proibido até o Último Tango em Paris! Quem diria, mas já houve tempo em que os brasileiros iam ao Uruguai para ver esse filme de Bertolucci!

Não conheço a censura apenas em teoria e por havê-la estudado na universidade. Quando publiquei meu primeiro conto, na imprensa, em 1974, fui condenado a dois anos de prisão pela ditadura militar, pena que cumpri sob sursis. A sentença saiu em 1975.

Em 1976, meu livro de estréia era premiado pelo MEC, como melhor livro publicado no ano. (O prêmio de conjunto da obra saiu para Alceu Amoroso Lima; o melhor livro inédito, para Moacyr Scliar; o melhor livro de ensaios, para Regina Zilberman: lá fomos todos a Brasília receber os prêmios e foi de Alceu Amoroso Lima o discurso mais contundente). Mas um de meus contos continuava proibido. Eu era premiado pelo MEC e me apresentava ao Judiciário comprovando com os textos que escrevia que "não continuava a delinqüir". Por isso, coragem, Emir Sader: tudo passará! São outros os tempos!

Ordem jurídica

Já o presidente Lula e vários de seus ministros – ainda que não seu governo como um todo (vide o caso Larry Rohter, recentíssimo), nem o PT como um todo, como mostram as recentes ameaças e agressões a jornalistas – vêm suportando com estóica paciência todas as revelações de escândalos, alguns dos quais dependendo ainda dos ritos dos processos judiciários, que costumam ser demorados, sobretudo por causa de um dos pilares em que se sustentam os julgamentos: a demora na produção de provas. De todo modo, não se pode concordar com quem chama pejorativamente os petistas de "petralhas", pois é erro de julgamento generalizar.

Nenhum partido é muito diferente de outro, este foi o erro do PT: apresentar-se como acima de todos os outros. Mas erram os que tratam o PT, de tantas memoráveis lutas pela redemocratização, como valhacouto de uns poucos criminosos. O que é necessário é que a maioria de seus membros se pronuncie livremente sobre os crimes já comprovados.

Esperemos que o governo Lula não imite o de José Sarney, pois hoje não é segredo para ninguém que o ex-presidente aluga as orelhas do atual com alguma freqüência, dando e recebendo conselhos. Pois a História mostra que os processos censórios começam com ninharias às quais não se dá a devida importância. Depois o fogo se alastra e nem aqueles que o deflagraram conseguem apagá-lo, pois o incêndio sai de controle. Não há incêndio controlado em censura. Aceso o pavio, tudo pode acontecer.

Mas o que aconteceu foi uma coisa normal, dentro da ordem jurídica: o senador Jorge Bornahausen processou o professor Emir Sader, doutor em ciência política, e obteve a condenação em primeira instância. Aguardemos os desdobramentos. Isso, de todo modo, não é censura. É apenas o seu fantasma. Não passa de uma assombração.

Comentários (35)
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Ana Paula , Rio de Janeiro-RJ - pesquisadora
Enviado em 24/12/2006 às 13:29:39
Que história ridícula. Coitadinho do senador. Teve de deixar suas funções em Brasília para processar um sociólogo que não sabe escrever. Ninguém quer processar Diogo Mainardi et caeterva por que suas palavras já perderam o sentido. Homem de um assunto só, ou melhor dois o outro é defender os EEUU, ninguém tem mais paciência nem de ler ou ver. Já o Emir Sader tem uma visão de mundo e uma estratégia. Uma agressão dele tem mais peso. Pena é o mico que o Pais paga de ter de sair catando assinatura para uma palhaçada de processo desta natureza. Imagino o que os signatários não devem ter pensado. "-Nossa que Horror! O Brasil está neste nível? Processar um professor por um aritigo destes? O jeito é assinar para dar uma força para o país. QUe pobreza intelectual."
Felipe  Pena , Rio de Janeiro-RJ - jornalista
Enviado em 13/11/2006 às 17:44:54
Sempre preciso, meu caro Deonísio! São os ventos da Faculdade de Letras? É um prazer a leitura de seu texto.
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 11/11/2006 às 09:14:54
Quanto mais se pesquisa o assunto, mais me espanta a hipocrisia. Paulo Henrique Amorim. Mino Carta Assim como Franklin Martins estão processando Diogo Mainardi. Será que foram por acusações deste nível tão baixo do professor Emir Sader? Ou por oposição real a liberdade de expressão? Não causa admiração portanto o ataque que o Carta Capital faz a organização RSF ou a Globo criando um factóide sobre a divulgação das fotos desviando na hora o assunto principal! De onde veio o dinheiro e que alta autoridade do PT autorizou e deu a garantia para arrecadar a expressiva cifra?
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 10/11/2006 às 15:46:41
O jornalista e escritor Luiz Fernando Veríssimo, como escreveu na sua coluna de ontem, 09, no Estadão, se manifestou incrédulo quando à sentença , ao Emir Sader , pelo que este disse sobre o senador Bornhausen. Contrariado, Veríssimo chegou a assinar um manifesto em favor de Sader dizendo que se trata de um julgamento absurdo. Na realidade, para que fique bem claro, Veríssimo só defende pessoas que pensam como ele. No RS, todos aqueles que foram processados pelo governo petista, como está posto no livro – A Vanguarda do Atraso – não receberam, por parte de Veríssimo uma única linha ou manifesto em favor da liberdade de expressão. Vejam: são todos, seus colegas e vivem no RS. Pode? O silêncio de Veríssimo na ocasião e a sua gritaria agora, em defesa do Sader, mostra bem o que ele pensa. Assim como o Carta Capital que combate os RSF e defende o tratamento dado aos jornalistas cubanos!
Marco Costa Costa , São Caetano do Sul-SP - T.P.A.
Enviado em 8/11/2006 às 19:18:35
No caso do jornalista Emir Sader, vale dizer que, a imprensa que não esteja comprometida com a mafia da política, sugeri uma participação ativa da imprensa democrática, a fim de fustigar o Governo Federal no sentido de reverter esta punição injusta. Se não ocorrer esta união, só no falatório a vítima deste terrorismo burguês, não será absolvido justamente, e tudo vai continuar igual.
Magno Ulisses Almeida e Silva , Santo André-SP - Agente Ambiental
Enviado em 8/11/2006 às 12:27:02
"...pois hoje não é segredo para ninguém que o ex-presidente aluga as orelhas do atual com alguma freqüência, dando e recebendo conselhos..." tadinho do presidente , ele é um coitadinho a mercê das opiniões dos outros, sujeitinho influenciável, hein ???Nunca é responsável por nada , não é Sr. Deonísio, quando não é o seu partido, é o seu governo o culpado, nunca o grande líder...ele nada vê, nada faz, nada sabe...vá catar batatas !!!!!
Márcio Pereira , São José-SC - trabalhador
Enviado em 8/11/2006 às 09:22:21
Ridículo mesmo foi o parecer do juiz, atribuindo a "ofensa" ao senador como extensiva ao povo catarinense...como catarinense nunca me senti tão ofendido!
Edward Wilson Martins , São José dos Campos-SP - empresário
Enviado em 8/11/2006 às 01:03:33
O caso Emir Sader é lamentável, pois a punição é penal e o Juiz apenas cumpriu a lei e a jurisprudência existente. Há muito tempo questões de honra deveriam ser tratadas em processos cíveis, punindo-se os culpados com indenização. Mas não se sabe o que é pior: condenar a prestar serviços comunitários ou a pagar polpudas quantias ao queixoso...! Mas o certo é que se criou no Brasil um terrível festival de ações por crimes contra a honra e se qualquer internauta tiver a curiosidade de comprovar, basta entrar em sites de tribunais e buscar pelas palavras "injúria", "difamação e "calúnia" e irar aparecer centenas de julgados. Então, não adianta chiar: a intolerância está entre nós, cidadãos, a censura está entre nós, que a praticamos porque somos intolerantes. Juízes são programados para sentenciar o que está na lei e na jurisprudência. E têm que cumpri-la. No mais, é ter cuidado ao escrever porque o Código Penal Brasileiro (de 1.911), velhinho, velhinho, continua vivo.
Claudio Adas , São Paulo-SP - Tradutor
Enviado em 8/11/2006 às 00:17:10
Concordo com o internauta Ricardo Martini. Emir Sader deveria ser punido por sua mediocridade e pelo gritante desrespeito ao léxico, à sintaxe e à semântica da língua portuguesa. O texto em questão é pobre, mal escrito e certamente cairia no esquecimento não fosse o tema tão candente. Felizmente ele tornou-se o centro das atenções, e digo felizmente pois assim escancara-se o nível da produção de certos assim chamados intelectuais.
Rosa Sart , Rio de Janeiro-RJ - Professora
Enviado em 7/11/2006 às 23:30:57
Por partes. Concordo que não se pode generalizar, mas tenho observado que a palavra "raça" é usada corriqueiramente no falar português do Brasil. Acaba se tornando vício. Com a questão do racismo em relevância, parece que tudo que se fala hoje tem conotação "racista". Pode ser que sim, mas não se percebe. Entretanto, no caso Emir Sader, foge a essa conotação porque se trata de um senador francamente de "direita" e um brilhante professor de "esquerda". Como professor de ciência política e jornalista, Sader percebeu a conotação "racista", o que poderia passar despercebido por outra pessoa. Na minha opinião, que não vale nada porque não sou jurista, teria aconselhado ao pretenso caluniador, o senador, portanto, que se dirigisse ao juizado de pequenas causas. Talvez lá tivesse ocorrido entendimento. No entanto, ainda não consegui entender tamanha aberração em país onde se convive com tantas mazelas sociais, o ser humano se apequenar diante de palavras inconvenientemente colocadas.
ana maria garcia , nova parnamirim-RN - aposentada
Enviado em 7/11/2006 às 23:30:17
Pense numa decepção! Espero, espero, espero o OI se manifestar sobre a condenação de Emir Sader e quando aparece é uma peça rara dessas! Realmente, para vocês, liberdade de imprensa tem cor, raça, ideologia ou seja, a de vocês.Isso tudinho foi só para o articulista se jactar do que já fez ou simplesmente é o requiém da liberdade de imprensa e de cátedra? Aliás, ainda não entendi o que tem a ver o jornalista com o professor. Ele escreveu para os alunos?
Leão Machado , São Paulo-SP - Engenheiro
Enviado em 7/11/2006 às 23:20:38
O que irrita é que quando esses políticos falam suas costumeiras asneirices, podem valer-se do Foro Privilegiado, que do jeito que está é uma excrescência. Muitos candidatam-se apenas por essa razão.
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 7/11/2006 às 22:13:12
Eu estava vindo para casa escutando que no último “grenal” os colorados depredaram o ônibus dos gremistas. No jogo anterior os gremistas depredaram o estádio do internacional. Até agora nenhum torcedor foi pego para ser responsabilizado. O dia que pegarem será que vale a desculpa de que é livre a manifestação garantida pela Constituição ou que não pegaram em outras ocasiões?
Luis Neubern , São Paulo-SP - Administração de Empresas
Enviado em 7/11/2006 às 21:48:17
Algumas citações de Emir Sader ao Senador : senador racista, pessoas mais repulsivas da burguesia brasileira,adepto das ditaduras militares, ódio ao povo brasileiro,repulsivo, proveniente de uma região do Brasil em que setores das classes dominantes se consideram de uma raça superior, fascistas, se lambuza com a crise atual, mente suja,será banido pelo opróbrio, mostra conivência com a miséria, pessoa abjeta, Bom, se isto não constitui ofensa e difamação não sei o que significam estas palavras.
árley fábio de matos andrade , salvador-BA - administrador
Enviado em 7/11/2006 às 21:25:30
Caros jornalistas debatores: Interessante o caso de Emir Sáder. Ele no direito de se defender de uma coluna do senador Bonhaousen foi punido por sua liberdade de expressão nos mesmos termos em que muitos da imprensa queixam .É justo ou injusto para os casos diversos? será também para os semelhantes? O cidadão em seu direito de expressão não pode criticar alguma matéria , mesmo de coluna assinada por alguém. A mídia de uma maneira geral deve ser depurada em qualidade através das organizações sociais em conjunto e representadas, pois são os cidadãos leitores , telespectadores ativos que devem compor mais democraticamente e de modo objetivo tudo o que se relaciona à mídia em geral. Alguns donos de imprensa falam em democracia demagogicamente, mas não instalam ombudsman em suas redações seja: rede globo , bandeirantes, revistas , jornais etc. Muito menos valorizam a democracia dos cidadãos seus telespecctadores e leitores.
Ricardo Martini , são paulo-SP - designer
Enviado em 7/11/2006 às 21:17:30
Emir Sader deveria ter sido punido com a perda do cargo de professor não por seu raivoso artigo contra o senador, mas por seu uso indigente da língua portuguesa em artigos assinados. E não só em termos gramaticais: os raciocínios [ ] do professor são fielmente reproduzidos em seus escritos. Quem lê Sader não se espanta com o processo movido contra ele. Há anos o professor usa o espaço que tem nos meios de comunicação para atacar seus desafetos - e, muitas vezes, entra no terreno da calúnia e da injúria. Talvez o professor Sader tenha abusado contra o senador Bornhausen por estar mal-acostumado com a falta de respostas do professor Cardoso, seu alvo preferido - aliás, os ataques de Sader a FHC revelam bem mais do que diferenças ideológicas...possivelmente, são produto de algum ressentimento (ou inveja?) que só pode ser curado com anos de terapia.
maria de fatima barreto michels , LAGUNA-SC - professora
Enviado em 7/11/2006 às 21:14:15
Conheço o valor intelectual (e algumas obras) de homens como Deonísio da Silva e Emir Sader. Ambos enriquecem o pensar desta nação. Sim , uma nação precisa ser diariamente pensada. O texto de Deonísio é muito bom. Parei há bom tempo de ler Mainardi. Leio as vezes Pompeu de Toledo. Gosto muito de ler o Boff. Hoje li Jabor. No domingo li Danuza, preferiria mesmo era ouvir Nara ao vivo, aquela majestade... Bom, o melhor deste artigo de Deonísio, que pra meu orgulho é catarinense, está aqui: "Esperemos que o governo Lula não imite o de José Sarney, pois hoje não é segredo para ninguém que o ex-presidente aluga as orelhas do atual com alguma freqüência, dando e recebendo conselhos. Pois a História mostra que os processos censórios começam com ninharias às quais não se dá a devida importância. Depois o fogo se alastra e nem aqueles que o deflagraram conseguem apagá-lo, pois o incêndio sai de controle. Não há incêndio controlado em censura. Aceso o pavio, tudo pode acontecer." Há braços!
Renato Godinho , Joinville-SC - Fiscal municipal
Enviado em 7/11/2006 às 19:57:45
Me sinto a pessoa mais mal informada do mundo, não sei se os advogados do PT são todos uns incompetentes, se o partido é tão bonzinho e gosta tanto das ofensas de Diogo Mainardi e Arnaldo Jabor, por exemplo, muito mais sérias do que as feitas pelo professor Emir à Jorge Bornahusen, que nunca processaram os injuriadores, caluniadores e difamadores, ou processam e não conseguem a condenação. Não sei ao certo o que acontece, só sei que os senhores da direita, "volta e meia"conseguem condenações de articulistas por crimes de opinião, desafio o Dr. Deonísio a lembrar de um caso em que a esquerda tenha tido sucesso na mesma situação em nosso pais.
Odracir Silva , Sao Paulo-SP - n.c. (horas vagas, pesquisador)
Enviado em 7/11/2006 às 19:51:04
Eu acho q foi um bom artigo. O autor tenta se manter neutro, quase fica se nao fosse as 2 ultimas sentencas. Um outro porem, foi a critica em relacao ao juiz. A relacao eleitor/politico vale. o Paulo Maluf conseguiu a vaga de dep. federal, e acho q haa o reflexo entre o politico e o eleitor. Nao q os eleitores sejam ladroes, mas haa uma expectativa dos eleitores do "rouba, mas faz". Vejo a mesma relacao entre os eleitores petistas elegendo o Genoino, Palloci, Joao Paulo, Palloci.
manoel r. penna penna , Cachoeiro de itAPEMIRIM-ES - aposentado
Enviado em 7/11/2006 às 19:27:40
A respeito do que vem ocorrendo com grande colunista e professor Emir Sader, injustamente condenado, e que por este motivo diversos intelectuais fizeram um abaixo-assinado em sua defesa. Gostaria de saber se um verdadeiro defensor da imprensa livre, o Sr. Alberto Diners já assinou referido documento, pois suas últimas crônicas o obrigam a agir dessa forma. Me desculpem se já o fez. Se ainda não o fez, devera fazê-lo, pois quem defende até jornalistas da Veja, não poderá deixar de defender um cronista de verdade.-.
Armando Prado , S.P.-SP - Professor
Enviado em 7/11/2006 às 18:10:07
Pois é, dois pesos e duas medidas. Quando os atacados são o presidente da república ou algum petista, estamos diante do "sagrado" direito de crítica e liberdade de expressão. Quando alguém da elite "branca e bronca" é criticada estamos diante de abusos ou ameaças à democracia. Esse senador, conhecido como "alemão", no seu partido fez o vaticínio com sinal contrário, pois a "raça que está desaparecendo" é o seu partido, o pefelê que hoje se resume, praticamente, ao D.F. governado pelo violador do placar eletrônico do Congresso, lembram-se? Finalmente, a imprensa em média, precisa parar com esse "não me toques", como tem feito ultimamente os "coitadinhos" da veja, assim mesmo pequenininho.
Nádia Chacra , São Paulo-SP - Docente
Enviado em 7/11/2006 às 17:51:42
Não é possível que um juiz em seu perfeito "juizo" possa sentenciar o professor dessa forma. Isso é manobra política clara. O judiciário está se politizando e entrando na campanha eleitoral. Se isso não for censura o que será então. Sr. Deonísio, qualificar de normal a atitude do senador e do juiz é, no mínimo, nos subestimar.
bernardo magalhaes , vitoria-ES - estudante
Enviado em 7/11/2006 às 17:32:36
Concordo com vc quando fala que o sader exagerou, sua atitude foi criticavel e condenavel.Porem se fossemos julgar todos os colunistas com igual rigor. Mainardi ja teria sido enforcado, alguem aqui ja leu o que ele escreve sobre a esquerda? Uma coisa eu posso te garantir se fosse o mainardi condenado pelo jose dirceu por exemplo, daria manchete e editorias raivosos contra o pt e a esqueda.
ronaldo silva , ribeirão das neves-MG - bancário aposentado
Enviado em 7/11/2006 às 17:20:27
FAço minhas as palavras dos Srs. Eduardo Guimarães e Fabio Oliveira. Sr. Deonísio contra fatos não há argumentos.Ao fazerem seus comentários neste meio de comunicação tão democrático e já ameaçado voces, colunistas, agora, tem o retorno on-line da insatisfação dos leitores. Não somos mais vacas de presépio.Repudiamos comentários completamente irreais iguais os vossos. Elianes e mainardis(minúsculol mesmo) podem escrever o que quizerem que é liberdade de expressão. Nós, da sociedade brasileira, podemos retrucar, também, porque estamos escolados e cansados de sermos equiparados aos Homers Simpsons da vida. Voce só tem Deus no nome, mas é [ ]. Qaundo é que voces vão reconhecer os nossos 59 milhões de votos? Vá assombrar porcos, como dizia minha querida avó.
Paulo Mora , Rio de Janeiro-RJ - Médico
Enviado em 7/11/2006 às 17:08:45
E o que fazer com os jornalistas (?) e parlamentares que adjetivaram o Presidente da República de bêbado, ladrão e mentiroso, dentre outras qualificações ? Ah, isso pode, afinal é a "liberdade" de imprensa.
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - médico
Enviado em 7/11/2006 às 17:08:24
Todos os exemplos mencionados não se comparam com a atitude de ofensa pessoal praticada pelo professor. Não foi o uso de opinião mas o uso de ofensa pessoal e rasteira. Creio também que não via dar em nada pois a turma do deixa disto vai deixar as coisas impunes, como costuma ocorrer no nosso país. Não se trata de uma assombração, mas um remédio que o PT e seus governos no Rio Grande do Sul tem usado contra opiniões que lhe desagradem. José Dirceu, com o mesmo direito, tem processado todo mundo que quer. Infelizmente não existe um “observador” disto ao nível atual no Brasil para contabilizar as baixas. Não diminui a condenação pegar uma parte do pronunciamento do juiz para tentar minimizar a mesma. Leia-se os autos para poder julgar em todo. Quanto a Maluf, com a palavra não a mídia mas a justiça? Poderemos esperar que ela venha a cumprir o seu papel algum dia?
Miro  Lopes , Rio de Janeiro-RJ - Repórter
Enviado em 7/11/2006 às 17:03:42
Como é a primeira vez que leio um artigo seu, atraindo pelo caso Emir Sader, peço licença para manifestar minha opinião sobre a afirmativa de que é "erro de julgamento generalizar". Sempre que lia e ouvia coisa semelhante, atribuia aos "políticamente corretos" ( a quem normalmente servia a carapuça) terem inventado o chavão. Considerando que toda a regra têm exceção, generalizar pode ser deselegante, portanto nunca incorrerá em ser erro. No caso do ilustre escritor e jornalista, credito a um cuidado elegante em respeito aos petistas o que o merecem e a seus leitores.
Bernardo Costa , rj-RJ - estudante
Enviado em 7/11/2006 às 16:17:03
Bom, se o autor acha que foi feito justiça no caso do prof Emir Sader, só posso fazer crer que existe alguma aberração na justiça brasileira que deixa soltas figuras tão ou mais criminosas, tipificadas diga-se de passagem pelo mesmo crime senão por outros mais, como Diogo Mainardi ou Reinaldo Azevedo.
Renato Silva , Rio de Janeiro-RJ - funcionario publico
Enviado em 7/11/2006 às 15:59:07
Ótimo texto, tendo só esquecido de falar o que motivou o professor Emir Sader a considerar o senador um racista. O tal senador disse que íamos "nos ver livres dessa raça por 30 anos", referindo-se ao PT, o que, se não é racismo, é algo tão odioso quanto. Então, o que não deveria ter ocorrido, em primeiro lugar, é a declaração infeliz do senador. E a justificação do juiz na sentença é risível, beirando o nonsense. Que tem a ver os eleitores do senador com o assunto? No máximo poderia-se dizer que o professor se equivocou a interpretar a frase como racista, mas a frase existiu e a interpretação é livre a todos.
Ronaldo Tavares , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 7/11/2006 às 15:26:25
O Juiz exagerou quando decretou a perda do cargo, mas o "professor" realmente insultou os catarinenses, pois em seu artigo dizia que "Repulsivo, não por ser loiro, proveniente de uma região do Brasil em que setores das classes dominantes se consideram de uma raça superior, mas por ser racista e odiar o povo brasileiro"
Rodrigo Silva , Salvador-BA - Estudante
Enviado em 7/11/2006 às 15:10:05
Concordo no geral com você, Deonísio, só em algumas minúcias discordo. A principal: não acho que Bornhausen deva ter qualquer tolerância com o texto que Emir Sader escreveu. Pode-se até achar exagerada a pena imposta a Sader, mas a condenação é óbvia e justa. Quem ler o texto do sociólogo verá que o autor não tem outro propósito senão injuriar Bornhausen. Não precisa ser advogado para perceber que a condenação será evidente. Resta a Sader recorrer e tentar mitigar a pena a ele imposta. Agora, é bom que se atente que isso não é um atentado a livre expressão. A justiça não está caçando o direito de Sader expressar o que bem entender. Que o faça, mas que se lembre que seu direito não atropela os direitos dos outros. No mais, sobre a ofensa aos catarinenses, creio que o juiz se referiu ao trecho do texto de Sader em que ele diz que Bornhausen vem de uma região do país onde as pessoas se sentem superiores às outras. É isso.
André Moura , S Paulo-SP - publicitário
Enviado em 7/11/2006 às 14:07:58
Seria bom que o autor do texto postasse trechos também do texto que resultou na condenação, não apenas da sentença. Aliás, será que ele ao menos leu o q o Professor Doutor Emir Sader escreveu? O que está sendo defendido nesse texto é a impunidade a quem se dirige a outros assim: “senador racista”; “[uma das] pessoas mais repulsivas da burguesia brasileira”; “adepto das ditaduras militares”; “[portador de] ódio ao povo brasileiro”; “repulsivo”, “proveniente de uma região do Brasil em que setores das classes dominantes se consideram de uma raça superior”, “[vive em meio a] fascistas”; [Bornhausen refere-se] ao povo [como] negros, pobres, sujos, brutos”; [é alguém que] se lambuza com a crise atual”; [dono de uma] mente suja”; [Bornhausen será] banido pelo opróbrio”; [mostra] conivência com a miséria”; [Bornhausen é] uma pessoa abjeta”; [pertence ao grupo que sempre governou o Brasil] roubando, explorando, assassinando trabalhadores”.
Edu lima , bh-MG - dr
Enviado em 7/11/2006 às 14:07:48
Falou, falou e nada em defesa do Emir. Se no lugar do Bornhausen, fosse alguem do PT a processar e obter a condenação de alguem, tenho certeza que toda a imprensa estaria defendendo o reu e da mesma forma, martelando o PT. Como o processo partiu de alguem do PSDB, o Bornhausen (e ele? não vai ser preso?) fica o dito pelo não dito. E tome paulada na imprensa direitista. ET. Jogando conversa fora. Eu tenho um amigo que sempre parece estar com aquela cara de segunda feira. Eu pergunto: Você bebe? Não! Então você está desperdiçando a cara.
Fábio de Oliveira Ribeiro , Osasco-SP - advogado
Enviado em 7/11/2006 às 13:17:24
Não concordo com você por três razões. 1) A jurisprudência dominante em relação aos crimes contra a honra quando a vítima é um político é contrária a tese adotada pela sentença. Em razão de ser um homem público, portanto, exposto ao julgamento do público (para o bem ou para o mal) o político deve aceitar naturalmente as críticas. Além disto, é regiamente pago pelo contribuinte e goza de aposentadorias gratificantes, de maneira que não pode se equiparar um cidadão comum para calar seus oponentes. 2) Quem iniciou o debate público foi o senador, que ofendeu todos oe petistas. Ofendeu, portanto, o próprio Emir Sader, que com mérito ou não, tem o direito de ser petista e de reagir à agressão do senador. 3) Chamar alguém de racista não pode ser considerado crime de racismo. O racismo é uma ideologia que pressupõe a superioridade de uma raça sobre outra. E o Emir Sader não fez qualquer referência à inferioridade da raça do senador, nem defendeu o extermínio da mesma.
Eduardo  Guimarães , São Paulo-SP - comerciante
Enviado em 7/11/2006 às 12:56:55
Quando vejo a choradeira da imprensa por estar sendo criticada, confronto esses queixumes com o processo que Bornhausen moveu contra Emir Sader e comparo tudo isso com a conduta de Lula diante dos insultos que vem sofrendo pela imprensa, vejo minha admiração por ele aumentar exponencialmente. Seria bom se esses jornalistas se dessem o trabalho de ler, por exemplo, o que já disse Diogo Mainardi sobre Lula. Se o presidente quisesse, poderia mover dezenas de processos contra ele e deixá-lo de tanga. Afinal, se invocam a condição de senador de Bornhausen para alegarem que Sader desrespeitou os votos que o elegeram, que dizer dos 53 milhões de votos que Lula recebeu em 2002 e dos 58 milhões que recebeu em 2006? Estariam os que o insultam desrespeitando esses votos também? Ou será que só os votos da direita merecem respeito? Lula se mostra preparadíssimo. Não se vale de suas possibilidades de esmagar críticos como autoritário senador e como a imprensa, que fica histérica ao ser criticada.
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Deonísio da Silva

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