ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 414 - 2/1/2007
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FORMAÇÃO DO JORNALISTA
O diploma e as platitudes

Por Wirismar Ramos em 30/12/2006

Decepcionado. Foi assim que me senti depois de ler uma série de absurdos escritas por um estudante de Comunicação Social da Universidade Federal de Roraima (UFRR) no site Fonte Brasil, a respeito da questão da exigência ou não de diploma universitário para exercer a profissão de jornalista.

Esse estudante já exerce a profissão há muito tempo e somente agora está se formando jornalista. Nada contra, afinal, eu também procurei a UFRR nove anos depois de iniciar a minha carreira, na Rádio Ponta Negra, em Santarém (PA) e somente oito anos depois é que consegui o meu diploma.

A luta continua

O que me causa estranheza é o fato de um jornalista por direito (e daqui a alguns meses, de fato) defender a não-exigência do diploma para o exercício da profissão. Ora, que alguns estudantes escrevem mal e alguns professores do curso deveriam estar noutra profissão, isso todo mundo sabe. Aliás, qual é o curso que não tem seu "calcanhar de Aquiles"? Mas, daí a defender os irregulares...

Se é assim, o que faz o dito jornalista no curso de Comunicação Social da UFRR? Sinceramente não entendi, já que o diploma não significa nada para ele. É por causa de opiniões medíocres desse tipo que a nossa categoria está empestada de maus profissionais. Qualquer "zé ruela" acha que pode ser jornalista e começar a escrever, produzir ou falar os absurdos com os quais nos deparamos no dia-a-dia.

A questão ainda não está decidida, mas a luta continua no Supremo Tribunal Federal. Todo esse imbróglio começou quando a juíza-substituta Carla Rister, em 2001, não tendo nada mais importante para fazer, decidiu extinguir a exigência do diploma de curso superior em Jornalismo na obtenção do registro profissional para exercício da profissão de jornalista.

Ao Supremo

Não se trata de protecionismo, como disse o colega. Pelo contrário, é uma questão de justiça. Não podemos deixar que a nossa categoria seja ainda mais corrompida do que já está, com pessoas escrevendo e emitindo suas opiniões sem critério. Claro que, para ser jornalista é preciso, antes de tudo, ter vocação. Mas a formação acadêmica oferece base teórica e as técnicas necessárias para a construção de um texto limpo, ético, sem vícios, sejam eles de linguagem ou de caráter.

Dizer que o diploma de curso superior em Jornalismo não é importante para o exercício da profissão de jornalista é prestar um desserviço à educação do país, quando milhares de jovens estão há anos na universidade na batalha para concluir o seu curso de Comunicação Social, seja em faculdades particulares ou universidades públicas.

Respeito a opinião do colega, mas também defendo a tese de que, se não tenho respaldo para emitir opinião sobre determinado assunto que não domino, prefiro ficar quieto e, neste caso, esperar que o Supremo finalmente decida a questão.

Comentários (3)
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Sergio  Capozzielli , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 5/1/2007 às 15:26:42
Defendo aqui a opinião do Wirismar assim como já fiz aqui nesse mesmo site em 2001. Sou, acima de tudo, a favor de um jornalismo de qualidade que priorize os bons profissionais e aberto a novos formatos e tendências. Porém, esquecer-se dos milhares de profissionais que saem das universidades todos os anos é, no mínimo, uma crueldade. Deixem que o mercado de trabalho selecione os melhores ou os que se adequem melhor às suas regras.
Benedita S. Monteiro monteiro , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 3/1/2007 às 23:05:13
É isso mesmo, Marcelo.É preciso cuidado com o que se quer deixar público.Estou na profissão há mais de 30 anos e não conheço nenhum "Zé Ruela" que tenha progredido, com ou sem diploma. É preciso afastar essa discriminação que não deveria fazer parte de verdadeiros jornalistas. Quem é bom fica e tem emprego.Vai que daqui a pouco o STJ julgue procedente a reivindicação daqueles que ganham para escrever, mas não têm diploma? Serão, então, jornalistas ou continuarão contagiosos? Desconheço não-diplomados que repudiem a necessidade do curso;apenas estão na lida há tempo suficiente para serem reconhecidos.Nada mais. E se estão trabalhando devem ter competência. E de mais a mais, a opinião do estudante da UFRR, motivo do artigo, deve ser respeitada.Começa assim. Com opinião. E a visão dele sobre o assunto não deve ser desprezada. E não me fale em "categoria mais corrompida", senhor Ramos. Se existe uma categoria mais afetada e soberba que a nossa, desconheço.Isso, sim, é ser e estar corrompida. É possível que o tempo trate de ensinar-nos um pouco de humildade. Quem sabe? Pode ser improvável, mas ...
Marcelo Soares , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 31/12/2006 às 14:15:05
Devagar com o andor. Uma coisa é defender uma posição, qualquer uma, com argumentos ruins. Isso é tristemente comum no Brasil e particularmente nesse esgrima de cegos que é a polêmica da obrigatoriedade do diploma. Outra coisa é a legitimidade para defender um determinado argumento. Pessoalmente, acho que um sujeito diplomado que defende a não-obrigatoriedade do diploma está na posição mais legítima possível, porque não tem nada a perder com qualquer resultado a que eventualmente chegue a questão. Parece-me que um sujeito assim argumenta de raciocínio próprio, não por interesses ou corporativismo (a questão, aí, fica sendo a qualidade dos argumentos). Infelizmente, neste debate, muitas vezes o pessoal acha que o que vale é quem grita mais alto. Às vezes quem defende a obrigatoriedade parece sugerir que não-obrigatoriedade seria igual a banimento. E ainda bem que não é.
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