ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 431 - 9/2/2010
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DIA MUNDIAL DA LIBERDADE DE IMPRENSA
Nunca foi tão perigoso ser jornalista

Por Koichiro Matsuura em 3/5/2007

Mensagem do diretor-geral da UNESCO por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, 3 de maio de 2007

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa [3 de maio] é uma ocasião para lembrar o mundo sobre a importância de proteger o direito humano fundamental de expressão, imortalizado no Artigo 19 da Declaração Universal de Direitos Humanos ["Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão."]. Como a violência contra profissionais da mídia consiste em uma das maiores ameaças à liberdade de expressão, decidi dedicar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa de 2007 ao tema da segurança dos jornalistas.

Durante a última década, nós testemunhamos uma intensificação dramática na violência contra jornalistas, profissionais da mídia e trabalhadores de veículos de comunicação. Em muitos países do mundo, profissionais da mídia são perseguidos, atacados, detidos e até assassinados. De acordo com organizações profissionais, 2006 foi o ano mais sangrento já registrado, com 150 mortes na mídia. Centenas de trabalhadores da mídia foram presos, ameaçados ou atacados por causa de seu trabalho. Ser um jornalista nunca foi tão perigoso.

Sabemos que zonas de conflito – e pós-conflito – são ambientes especialmente arriscados para jornalistas. O pior exemplo é o Iraque, onde 69 profissionais da mídia foram mortos no ano passado. Mais de 170 profissionais da mídia, a grande maioria jornalistas locais, foram mortos no país desde o início do conflito em abril de 2003. Nunca, na história dos registros, houve tal escala de mortes de jornalistas.

Cultura da impunidade

Aqueles que arriscam as suas vidas para fornecer informações confiáveis e independentes merecem nossa admiração, respeito e apoio. Eles entendem melhor do que qualquer um que a mídia contribui significativamente para processos de responsabilização, reconstrução e reconciliação. Definitivamente, o aumento da violência contra jornalistas é um verdadeiro trágico testemunho da importância da mídia para as democracias modernas.

A segurança dos jornalistas é uma questão que afeta a todos nós. Cada agressão contra um jornalista é um ataque a nossas liberdades fundamentais. Liberdade de imprensa e liberdade de expressão não podem ser desfrutadas sem segurança básica.

No Dia Mundial de Liberdade de Imprensa, precisamos prometer fortalecer nossos esforços para assegurar a segurança do jornalista. Eu convoco, em especial todas as autoridades públicas e governamentais, para dar fim à cultura da impunidade que cerca a violência contra jornalistas. Os governos devem exercer sua responsabilidade de garantir que os crimes contra profissionais da imprensa sejam investigados e produzam processos na Justiça.

Relação íntima

Hoje também é uma ocasião para reconhecer o progresso atingido na proteção da liberdade de imprensa. A UNESCO comemora a resolução recente das Nações Unidas, condenando ataques a jornalistas em situações de conflito. Essa resolução representa uma vitória para a campanha contra a impunidade, e para aqueles comprometidos em proteger a independência e os direitos dos trabalhadores da mídia. Precisamos aproveitar esse momento para criar uma cultura de segurança dentro da mídia.

Enquanto celebramos o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa devemos refletir sobre maneiras de propagar valores que respeitem o papel vital da mídia na promoção da paz, da democracia e do desenvolvimento sustentável. Devemos celebrar os profissionais da mídia que perderam as suas vidas, e honrar aqueles que nos trazem informações apesar dos perigos e riscos. Acima de tudo, devemos compreender a relação íntima entre garantir a segurança dos jornalistas e a realização de nossas próprias liberdades.

A nossa habilidade de agir como cidadãos informados do mundo depende de uma mídia que possa trabalhar livremente e de maneira segura.

Comentários (16)
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Andrés  La Marca , Mogi das Cruzes-SP - Estudante de Jornalismo
Enviado em 7/5/2007 às 12:04:25
Ola, sou Andrés La Marca, estudante de jornalismo na UMC em Mogi das Cruzes. Concordo com minha amiga Juliane Maia, acima comentando sobre o tema - alias, grande jornalista, vai longe! - Percebe-se que o jornalismo, desde os tempos de arautos e passando pela imprensa de Gutemberg´, Alemanhã nazista e o estado autoritário brasileiro pós 1964, tem grande influencia nos acontecimentos historicos no Brasil e no mundo. Quando, historicamente, o jornalista não atendeu e não atende aos quesitos impostos pela ditadura comércial e politica mascarada de nossos dias, corremos serios perigos. Assim foi nos "anos de chumbo" entre 1968 e 1978, com a instauração da censura nos principais meios de comunicação, mesmo aqueles que ajudaram, como braço forte, a implantação da chamada "revolução" de 64 e que posteriormente se mostrou sua feição cadáverica e repressoria. O Golpe, e repressão, as torturas. Temos de continuas na luta em busca de justiça e do direito da informação da sociedade. Sociedade esta que vive sob grande influência submetida pelos ditadores liberalistas que "sustentam" a midia brasileira e instaura a repressão ideologica, maqueada, a toda população.
Luiz Henrique  Scavone Ferrari , Itatiba-SP - Assessor Administrativo Secretaria Educação
Enviado em 4/5/2007 às 11:09:48
A mensagem do Prof. Koichiro Matsuura, veiculada ontem neste espaço midiático eletrônico, a respeito da violência voltada aos jornalistas foi pontual e oportuna. Gostaríamos entretanto de humildemente retocar as palavras desse tão conceituado Diretor da UNESCO. Se faço este parêntese em seu discurso é menos por tentar completá-lo (o que seria muita presunção) e tampouco são termos com o intuítos díspares do conteúdo da mensagem. O que me tira o chão neste momento e como cronista amador é uma outra face da violência contra o jornalismo e seus direitos de liberdade e expressão: falo do descaso, do cinismo e das faltas de postura e ética com que as pessoas e entidades nos respondem, em nosso cotidiano de observação e análise, muitas vezes amordaçando a imprensa da forma mais mórbida que pode haver (mas que não poderia haver, em verdade). Firmo minha análise, ao indignar-me com o número de vezes que as colocações de conceituados colunistas, críticos consagrados e articulistas de renome, formulam verdadeiras "teses e doutrinas" e, o atingido (homem ou corporação) dá de ombros, numa atitude desdenhosa e repugnante. Esses momentos, que abundam em nossos dias, deixam realmente um gosto amargo de fel em nossos lábios. Portanto fica aqui meu "lamento" e se, confirmarem que a vergonha tem sido uma virtude em desuso, desafio meus companheiros de luta: - Redobremos nossos ataques.
Marco Costa Costa , São Caetano do Sul-SP - T.P.A.
Enviado em 4/5/2007 às 08:09:12
Caro Clovis, a imprensa grita e esperneia porque o prezado Lulla não atende adequadamente a dondoca da imprensa. Mas, determinar regras esdrúxulas para os comentarista de plantão, isso ela faz com a maior presteza. Impõe que o leitor escreva somente aquilo que lhe interessa, bem como de preferência gosta de ser bajulada, especialmente este site. Aquele que não abre para que as pessoas possam expor suas idéias com clareza, não pode exigir liberdade de imprensa e de expressão somente para os apaniguados das redações.
clovis ferreira frias , Araraquara-SP - Advogado
Enviado em 4/5/2007 às 01:16:23

É muito estranho falar-se, neste espaço, em liberdade de expressão, quando leio no texto que antecede o envio deste comentário, uma pleiade de proibições. Que não serão publicados xingamentos, ofensas, incitação ao crime, à intolerância, blá, blá, blá. É claro que caberá a um todo poderoso redator ou coisa que o equivale, decidir o que é xingamento ou elogio, incitação ou comentário sério. Conclusão: "olha a censura aí gente", mal disfarçada em direito que a imprensa tem de nos proteger de nós mesmos, já que nós, leitores eletrônicos que queremos opinar, nem sabemos como lavar a própria cara. É certo, desta forma, que precisamos de alguém que tutele nossas opiniões e nos impeça de agirmos contra a "liberdade de expressão". Ora, senhores, tenham dó, né? Liberdade de expressão, para quem, se os senhores são os primeiros a marcar gol contra!

Nota do OI: Prezado leitor, censura é outra coisa. Aqui há regras de convivência: mantenha a civilidade que estará tudo ok.

Lúcia  Nunes , São Sebastião do Caí-RS - Jornalista
Enviado em 4/5/2007 às 00:42:20
Caros César e Modesto, lamento que nossa realidade, enquanto País seja a pior possível há mais de quatro décadas. Nasci em 1960, portanto, vivi da infância à juventude o período ditatorial. Entrei no curso de Jornalismo aos 20 anos, depois de dois anos de Arquitetura, e pasmem, por puro idealismo! À época, devido à carreira de meu pai, de antemão eu já tinha emprego garantido! Decorrência natural do "boom" da construção civil. Não me arrependi. Trabalhei para pagar meu curso de jornalismo, tanto que me formei aos 30 anos. Ao casar faltavam-me apenas três semestres. Prestem atenção: levei mais quatro anos para completar o curso. Que realidade... Isto é que é idealismo, hein! Meu marido, o professor aí abaixo (casamos em 85 e continei assinando o nome de meu "clâ"...). As duas áreas atraem perseguições. A cidade mencionada acima é a de meu nascimento, idem para ele... Depois de conquistar vaga na UFRGS, largou-a para trabalhar e casamos. Pediu demissão do serviço público em 96, para ser... professor. Outro idealista! Será? Concluirá seu doutorado em breve. "Fide et"... A propósito, é real, no meu caso, o artigo do diretor-geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, pelo Dia Mundial da Liberdade de Imprensa -3.5.2007. Em set.2006, um telefonema irritado pediu por "lucian" (negado), mudos, inúmeros "enganos" (até para meus pais), "campanas". Depois, nada! Leiam http://crwa.zip.net.
Juliane  Barbosa Maia , mogi das cruzes-SP - est de jornalismo
Enviado em 4/5/2007 às 00:03:43
olá sou Juliane est. de jornalismo sei que é uma profissão um tanto perigosa, pois evidenciar uma verdade, incomoda mta gente!! e esse é exatamente o nosso papel, transmitir informações, para as pessoas se sentam informadas do que acontesse ao seu redor!! é mto importante, as pessoas lembrarem que assim como as necessidades básicas, que são praticamente vitais para a sobrevivencia, precisamos todos de informações, para nos mantermos vivos, porém essas informações precisam ser de caráter verídico! em qualquer lugar que frequentamos, existe a necessidades de uma boa informação!! como isso, podemos sim considerar, importantissimo, o papel do jornalista na sociedade como um todo, e tentarmos contribuir a com a segurança de todos!! para assim preservar a continuidade da informação sem "medo", e por conseguencia, obtermos informações confiáveis!
Marco Costa Costa , São Caetano do Sul-SP - T.P.A.
Enviado em 3/5/2007 às 20:22:48
Caro Professor, não leve este país a sério. O cidadão que escreveu uma palavra que não existe não é culpa dele, mas sim do sistema que criou um circulo vicioso. As escolas que existem são deficientes na infra-estrutura, falta professores, quando tem são pouco informados sobre o assunto em que se formou, bem como são mal remunerados, não tem estímulos para outros cursos. Quanto aos alunos, são de formação deformada já vinda dos pais, não aprendem nada, porque não ensinam nada, quando vão encarar o mundo não sabem fazer nada, porque não aprenderam, nada. Portanto, o estudante abaixo é o que menos tem culpa neste circulo vicioso. Para o senhor, um forte Abraço virtual!!!!!!!!!!!
Arturo Fatturi , canoas-RS - PROFESSOR
Enviado em 3/5/2007 às 19:28:40
Tendenscionismo é uma palavra que não existe, futuro advogado! Meu Deus , é por isto que nos concursos para juiz ou procurador sobram vagas. Estudante de Direito? Data venia, é um criminoso gramatical.
Arturo Fatturi , CANOAS-RS - PROFESSOR
Enviado em 3/5/2007 às 19:25:31
Caro César Modesto, conte com minha solidariedade. Sou professor e minha esposa é Jornalista. Portanto sei o que ela sofre, sofreu e poderá sofrer. O mesmo para o seu caso. Contudo, minha geração já passou. Nós perdemos nossos sonhos e ideais por trocados e posições seguras. Espero que você e sua geração tenha mais virtudes. Numa época queríamos liberdade para a imprensa: hoje continuamos desejando o mesmo. A imprensa no Brasil é manipulada pela publicidade, pelos espaços vendidos nos jornais e nas TVś . Certos jornais do Interior do país são balcões de negócio. Mas tudo isto em nada compromete a necessidade da profissão. O jornalismo livre ainda é uma maneira de medir a democracia de um país. Nosso país está doente: nossa democracia foi assaltada! As pessoas ainda não se deram conta que sem jornalismo não há democracia. Por isto a imprensa é denegrida, enxovalhada e os jornalistas são comparados a urubus. Não é bem assim! Tem muitas pessoas interessadas em que a imprensa seja vista desta forma. É lamentável que jornalistas sejam assassinados e perseguidos. Isto mostra que nosso mundo ainda não alcançou a liberdade. Lembremos Samir Kassir e a Politkovskaia: dois hérois!
Denis Rafael Costa da Silva , Fortaleza-CE - Estudante de Direito
Enviado em 3/5/2007 às 15:00:18
Viva a mentira, o tendecionismo, viva, viva! ( Só falta acreditarmos no limbo)
Matheus Reino , Brasília -DF - Estudante de Jornalismo
Enviado em 3/5/2007 às 14:27:54
Os tempos são novos e os motivos para a falta de liberdade de imprensa também. Foi-se o tempo que o governo era a única e exclusiva força de coerção para os profissionais da comunicação. Atualmente essa poderosa força se concentra nas mãos dos donos dos meios de comunicação que, muitas vezes, limitam e até impedem a boa atuação dos jornalistas. A liberdade de imprensa ainda continua comprometida só que por outros "governos"
jose silva , são paulo-SP - analista
Enviado em 3/5/2007 às 14:25:58
Esta liberdade que os jornalistas tanto reivindicam é tolhida pela própria mídia, digo donos da mídia. Isto sim, é violência. É triste saber que pessoas morrem e morrerão para melhor nos informar, e é mais triste ainda saber que morreram e morrerão em vão, pois, os donos da mídia selecionam - de acordo interesses de corporações, governos, paises..-, o que, e como será publicado. A internet que era uma área para liberdade de opinião e expressão, já não é mais, arrumaram um meio de achar e identificar um internauta, e, você pode ser procurado e morto por exercer a sua liberdade. Quando a se expressa uma opinião a midia estará de um lado ou de outro, em qualquer conflito, não tem como... pensemos no oriente médio, em que lado estão os poderosos?
José Ramos de Almeida , Campo Grande-MS - jornalista
Enviado em 3/5/2007 às 12:32:04
A liberdade de imprensa num regime comunista é absolutamente inexistdente. No mundo capitalista, ela é proporcional aos interesses econômicos do meio de comunicação. E o jornalista é apenas o "pedreiro" numa construção. Profissional, sim, mas totalmente dependente do emprego que lhe pode ser tirado se discordar da "linha" do editor-chefe, preposto do dono. Então, liberdade de imprensa é uma via de mão única que favorece a empresa de mídia, cujo único objetivo é faturar e, nesse afã, não perder o apoio financeiro de seus anunciantes. Se o anunciante for o governo, então, adeus liberdade de imprensa e ponto final.
Marco Costa Costa , São Caetano do Sul-SP - T.P.A.
Enviado em 3/5/2007 às 12:08:24
Seria muito bom se todos tivessem a famosa liberdade de opinião e de expressão como a nossa querida imprensa tem e, tem de sobra. Costuma chorar sem motivo, cujo chorão mor é o senhor Dines, o qual é useiro e vezeiro em dizer que o sistema não aceita a liberdade que tanto a imprensa diz que o Sr, Lulla evita contato com escribas.
CESAR MODESTO , Belem-PA - estudante de jornalismo
Enviado em 3/5/2007 às 11:51:55
Sinto-me muito triste ao ter de "aceitar" que além do problema do diploma, os salários insignificates diante da importância do serviço que, futuramente, prestarei, ainda exista o desrespeito perante a nossa principal ferramenta na busca da(s) verdade(s), aliada à ética e o moral de cada jornalista: a liberdade. Como estudante de jornalismo, percebo-me acuado. Apenas mais dentro da massa. Não vivi o período em que o jornalismo era idealista. Cresci num país onde o jornalismo se tornou profissão como outra qualquer, cheia de burocracia em que os "donos da mídia" ditam as regras do mercado. Não temos liberdade. Raros são os espaços em que pode-se manifestar um desabafo como esse; porém é sofrível saber que pouquíssimas pessoas lerão estas linhas. Mas apesar de tudo, mesmo jovem e inexperiente, acredito que o futuro da comunicação dependerá da minha geração, de jovens como eu. E quero fazer parte disso.
Dante Caleffi , Rio de Janeiro-RJ - publicitário
Enviado em 3/5/2007 às 10:59:23
Um outro título da matéria,poderia ser:"Nunca foi tão rentável ser jornalista". Exemplos caboclos não faltam.A última campanha eleitoral,foi pródiga.Uma histeria venal percorreu as redações da grande imprensa.Aqueles que não se submeteram ao clima vigente, foram "deslocados" ou simplesmente demitidos.Contudo, a síndrome do terceiro turno ,permeia algumas editorias: espreitam úteis oportunidades...
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