ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 454 - 9/10/2007
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DUAS CARAS
A gaiola se abre. E a audiência voa

Por Nelson Hoineff em 9/10/2007

A entrevista de Aguinaldo Silva para a Folha de S. Paulo de quinta-feira ("O 2 Caras desaba; autor culpa DVD e Orkut", 4/10/2007) sintetiza o que todos sabem, mas as emissoras de televisão fingem que não existe: a era da massificação acabou.

A novela das 8 está fazendo 35 pontos, o que não acontecia há dez anos. Mas não está sozinha. O Fantástico estacionou em pouco mais de 20 pontos. Nos bons tempos chegava a cravar 65. O Casseta e Planeta não passa dos 25. E o próprio Jornal Nacional está amargando a casa dos 30. A Record e o SBT disputam o segundo lugar com médias mensais entre os 6 e 7 pontos, como lembra a reportagem de capa da Veja com data de capa de 10 de outubro.

O público não está migrando para outras redes. Está caminhando na direção de outras mídias. "Agora até as criancinhas estão viciadas em Orkut", diz Aguinaldo. Não só em Orkut e não só as criancinhas. As pessoas estão desligando seus aparelhos de televisão e ligando seus computadores. Cerca de 36% dos televisores brasileiros estão desligados em pleno horário nobre. Isso nunca havia acontecido. O índice vai cair muito na medida em que o brasileiro tenha acesso à internet em banda larga. E os televisores que estiverem ligados estarão cada vez menos construindo o imenso bloco dos cidadãos que precisam ser parte da audiência massiva para fazer parte da sociedade.

Televisão pelo celular

A Telefônica, a BrT, a Oi, todas as teles, enfim, estão lançando suas grades de IPTV, ainda timidamente, mas que em pouco tempo darão acesso à programação de TV a todos que tiverem uma linha telefônica. O tempo em que 80% da sociedade brasileira estava consumindo a mesma informação ao mesmo tempo é parte da história. Não voltará jamais. As crianças que estão nascendo agora demorarão para acreditar que isso um dia aconteceu.

A personalização do consumo midiático é um fato extraordinário num país que tem a televisão aberta mais abrangente do mundo. (Nos EUA, as três grandes redes abertas navegam hoje em torno dos 7% para cada uma.) As transmissões digitais vão potencializar esse quadro. Por isso as emissoras temem tanto qualquer passo que possa impactar o modelo de negócios estabelecido há mais de 50 anos.

Mas o impacto é inevitável. A grande batalha será travada nas transmissões para receptores móveis e portáteis. As transmissões começam oficialmente em 2 de dezembro, mas desde maio a Globo e a Band vêm colocando o sinal digital no ar. Ele pode ser captado hoje por qualquer um que disponha de um receptor digital portátil. Ele é do tamanho de um celular. Não pode ser encontrado ainda nas Casas Bahia, mas está disponível em qualquer esquina do Japão. A partir de 2008 será, sim, o celular. A partir de então, o horário nobre (que concentra mais de 80% da receita das emissoras) não será mais o período em que o cidadão está em casa, mas todos os períodos em que ele estiver ocioso, seja no trânsito ou no intervalo para o lanche. No Japão, 40% da audiência televisiva já se dá pelo celular ou por qualquer outro tipo de receptor portátil. O japonês, em grande medida, já prefere ver televisão pelo seu aparelho de bolso, mesmo quando está em casa.

Procurando sua turma

Não é simplesmente uma tendência local. Ganha um doce quem encontrar um garoto de 15 anos que veja hoje televisão seqüencialmente. Que se sente com a família diante de um aparelho, como induziam os anúncios de revistas dos anos 50.

O consumo se individualizou e vai se individualizar mais e mais, fazendo com que a curva assintótica, conhecida como cauda longa, se estenda ao infinito. Mas as emissoras não perceberam isso – ou não querem acreditar no que estão vendo. Ficam espantadas quando o garoto não está vendo Paraíso Tropical. Acham que Duas Caras vai resolver o problema. Mas esse problema não mais será resolvido.

Até porque a fuga da audiência não é o problema, mas a solução, como erroneamente dizia Darcy Ribeiro sobre as favelas. A exacerbação da televisão generalista foi lida no Brasil como a necessidade de se tratar o espectador como débil mental. De tanto fazer isso, as emissoras passaram a acreditar que o espectador era mesmo um idiota. Compuseram para ele um cardápio oligofrênico que expressa muito mais o que os realizadores são capazes de fazer do que aquilo que o povo é capaz de entender.

A expansão da oferta do produto audiovisual está simplesmente fazendo com que a verdade venha à tona. O jovem, que tem acesso a inúmeras fontes de informação, sobretudo mas não apenas pela web, olha para a sua televisão e tudo aquilo lhe parece uma idiotice. Bota o seu fone de ouvido e vai procurar a sua turma.

Virando as costas

Não há um único argumento no mundo para sugerir que ele esteja errado. Durante muito tempo a sociedade brasileira via a sua televisão e não sabia o que poderia existir do lado de fora da gaiola. O que as novas mídias fizeram foi abrir a porta da gaiola. Levará menos de uma geração para que o modelo de programação desenvolvido pelas emissoras vá parar num museu antropológico.

Disso não escapa, é claro, a qualidade da informação jornalística. Antes mesmo que a informação objetiva apareça, o tratamento dado a quem vai consumi-la é bizarro. Que credibilidade pode ter quem se dirige a nós como idiotas?

O entorpecimento promovido pela própria televisão – que faz com que o espectador, devidamente lobotomizado, pareça não perceber como está sendo tratado, pretenda não saber qual é o passado da fonte da informação "isenta" que lhe está sendo passada – está tendo a sua resposta no comportamento das novas audiências, para as quais a gaiola está aberta e que se espantam, sim, vendo no televisor dos seus pais uma dramaturgia incrivelmente primária, um cardápio de atrações que parecem saídas de um circo de horrores, uma informação com sabor de hipocrisia que parece saída de um mundo construído sabe-se lá por quem.

Esse novo espectador está virando as costas a tudo isso. A informação que está procurando fala da sua tribo, dos seus anseios, da sua atitude, da sua visão do mundo, que certamente não é a visão filtrada pelos que estão comprometidos com a possibilidade de emburrecê-lo.

O problema não está no Duas Caras, mas no que essa novela – e toda a programação que gira em sua volta – representa. Ontem, quem não via essa programação não fazia parte do mundo. Hoje, é justamente o contrário.

Comentários (37)
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Edson  Gonçalves , São Paulo-SP - Func. Pub.
Enviado em 16/10/2007 às 07:50:42
Proponho um exercicio de imaginação. Pegando carona no parágrafo da matéria acima de que a programação televisiva pode também vir a eclodir de aparelhos celulares suponha-se que em algum momento tal programação também passe a ser transmitida pela internet. Pergunta: a audiência dessa programação através de aparelhos de computador seria significativa aqui no Brasil? A despeito do enorme sucesso do Orkut no Brasil (na verdade um demérito para os usuários tupiquiniquins - confiram os sites de pérolas de orkut que pipocam na internet) gostaria que não. O usuário de computador é mais iterativo. É notório o caso do audiente de TV que apenas a mantêm ligada sem dar atenção ao conteúdo simplesmente para ter um "soundtrack" de diálogo em casa enquanto comem a mesa ou a dona de casa passa a roupa, o pai descansa no sofá e o filho empurra seu carrinho de brinquedo na sala.
Juliano Ratier , francisco beltrao-PR - universitario
Enviado em 15/10/2007 às 21:01:25
Artigo muito bom! Nao podemos politizar este assunto que deve ser bem explicado para a sociedade, no momento a novela ainda comeca a ser explicada e entendida pelo publico, por isso a sua audiencia ainda nao e satisfatoria, normalmente o(a) escritor modifica os assuntos pra aumentar a audiencia, agora quanto a conteudos, cenas de sexo e prostitutas dao audiencia no Brasil, fazer o que? Porque nao ha criticas quanto a Record e suas copias de outros programas ( principalmente da Globo) e que dao audiencia, mudancas de horario tecnicas sempre trabalhando de olho na audiencia instantanea, chega a ser ridiculo dar atencao a este jogo de poder e dinheiro entre as emissoras que fazem de tudo pra ser top no pais, e top em termos de dinheiro e patrocinadores e o povo fica sem aquela qualidade que procura, talvez esteja encontrando na internet( discussoes e acesso a tudo com qualidade) aquilo que nao encontra na tv publica. Digitei do computador da faculdade e este esta com defeito no teclado(acentuacao e outros), desculpas a todos.
Maísa Caldeira , Belo Horizonte-MG - Estudante de Jornalismo
Enviado em 15/10/2007 às 18:38:54
Me identifico com "o jovem" citado, que bota seu fone de ouvido e vai procurar sua turma! E também espero ansiosa o dia em que e-papers e e-tvs estiverem disponíveis no Brasil! A discussão pertinente, entretanto, não é "em qual formato" vamos consumir mídia, mas que tipo de mídia vamos consumir! A preocupação deve ser direcionada para a qualidade do conteúdo oferecido! Em jornalismo, por exemplo, temos cada vez mais espaços de consumo de notícias rápidas e superficiais, em detrimento da análise. Se essa geração fast-food continuar a crescer desta forma, vamos ter um empobrecimento cultural que vai levar o Brasil para mais longe ainda da soberania desejada!
Mauricio Dias , São Vicente-SP - Engenheiro
Enviado em 15/10/2007 às 12:39:35
Conocordo parcialmente. A novela em questão está bem fora do gosto popular. Dramalhões mexicanos antigos não mais atingem o grande público brasileiro. Culpar a modernidade é fechar os olhos ao principal, esta novela É RUIM !!!
Hélcio  Lunes , São Paulo-SP - Administrador
Enviado em 15/10/2007 às 12:11:59
Morro de rir com a satisfação com que "os inimigos da Globo", a cada fim de novela, a cada percalço de programação (naturais em qualquer ramo de negócio) decretam o fim do modêlo por ela implantado, com sucesso por decadas. Bastou uma semana para a audiência do produto "novela das 8" embicar para cima e passar a ter o Ibope tradicional entre 40 e 45 %! A inveja mata!
Marcelo cAVALCANTI , São José dos Campos-SP - jornalista
Enviado em 14/10/2007 às 20:33:13
Como se compara a perda de audiência da Tv brasileira com o aumento de audiência dos filmes de Hollywood? Acho que os americanos souberam distribuir melhor seu jornalismo/filmes/seriados. O mesmo filme em DVD pode ser baixado pelo site da Apple, com preços compatíveis, o público pode pagar uma música ou filme baixado pelo iTunes. No Brasil a distribuição é sub-desenvolvida, os preços são altíssimos, impostos demais levam a pirataria. Fora Gilberto Gil, fora Hélio Costa! TCU neles! Lula tem um modelo de governo velhaco!
Marcelo Ramos , São Paulo-SP - Publicitario
Enviado em 13/10/2007 às 22:24:10
Ótimo artigo do Nelson. Mas eu gostaria de acrescentar um fator não contemplado: somando-se aos fatores já expostos, há também a baixa qualidade e a baixaria. A baixa qualidade de uma novela, advém do que os especialistas chamam de busca de segurança. Esses especialistas dizem que o público médio quer se sentir seguro sabendo com antecedência o que vai acontecer. Assim, eliminou-se o não saber o que vai acontecer, eliminou-se a expectativa, todos já sabem o que vai acontecer no capítulo do dia, então, vão fazer outra coisa. Dentro de baixaria, eu classifico o que os jornais chamam de cenas "picantes" e de cenas "polêmicas". Estes artifícios são usados para impactar a audiência mas deixaram de ser artifícios e se tornaram regra. Hoje, sites e jornais, em geral do mesmo grupo de comunicação, criam enquetes para "testar" hipóteses, por exemplo, criar expectativa para beijo gay na TV, cenas de sexo cada vez mais "picantes" em horários onde ainda há crianças na sala. Programas de redes menores foram multados e/ou cancelados, em razão do excesso de baixaria. E viva as novas tecnologias.
Regina Braga , Rio-RJ - Aposentada
Enviado em 13/10/2007 às 22:08:24
Parabéns. Análise perfeita. Acabou a escravidão.
João Maria  Fernandes , Ibiporã-PR - Professor
Enviado em 13/10/2007 às 20:48:46
ALELUIAAAA........ Esse texto vem de encontro a minha expectativa. O povo não é idiota como pensam os detentores da midia novelística. Sempre a mesma coisa com uma leve roupagem diferente. A mesma baboseira. O Telejornal Nacional, UFAA, já não é tão nacional assim. Meus Deus! Quando pegam alguma "notícia" que julgam, segundo não sei que critérios, importante, só mostram aquilo. Sempre gostei de assistir aos telejornais, mas, ultimamente, não tenho mais estômago. Querem brincar com minha inteligência...... muito bom... vou parar por aqui...
Danilo Rodrigues , São Paulo-SP - estudante
Enviado em 13/10/2007 às 13:09:17
E agora ? Como explicar a escalada de audiência da novela das 8 ? Os últimos capítulos alcançaram índices semelhantes aos da novela anterior.
Guilhermina Picanço , Rio de Janeiro-RJ - Estudante
Enviado em 13/10/2007 às 12:18:10
Adorei a matéria! Muito boa mesmo! Mas acredito que mesmo entre as novas mídias que dão oportunidade de novos entretenimento e informação, já surge uma certa massificação... e poucas pessoas sabem ter cautela com o que vêem na internet, por exemplo. A minha pergunta é: será que daqui a algum tempo, quando essas outras mídias tiverem uma abrangência maior não sofreremos o mesmo que processo que sofreram nossos avós, nossos pais com a televisão?
Alessandro Manzoni , Rio de Janeiro-RJ - Eng.
Enviado em 12/10/2007 às 21:06:28
Brilhante texto, uma centelha de lucidez no turbilhao de lixo que nos invade e massifica dia a dia pela televisao. Espero que o cenario previsto pelo Sr. Nelson Hoineff nao tarde em ocorrer e intensificar-se. O povo brasileiro merece libertar-se dos grilhoes da informacao massificada e editada que nos acorrentam a tanto tempo. COM CERTEZA, O MELHOR TEXTO QUE LI NA INTERNET NOS ULTIMOS TEMPOS.
Carlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 12/10/2007 às 13:34:29
Que vento fresco sopra deste artigo. Desde de meus 18 percebo a idiotia incômoda imposta por nossa televisão. Mesmo hoje, o espectro da inteligência televisionada vai do tosco ao ideologicamente limitado. É muito pouco. A vastidão da internet, perto deste quadro, parece o Oceano Atlântico desafiando um aquário. E fica evidente porque não há inteligência em nossas redes : ela está migrando para a web. À toque de caixa.
Fátima Lemos , Capão da Canoa-RS - pedagoga
Enviado em 12/10/2007 às 13:22:26
A s novelas das oito, estão repetindo muito os personagens,já sabemos quem é , como vai entrar e sair dos conflitos. Já temos em país transbordando de problemas ficar assistindo novela que é o retrato do país por gentileza me POUPEM . ADORO, todos os artista Global mas por favor tragam mais sabedoria ao povo.
Mateus  Silva Sartori , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 12/10/2007 às 10:29:04
Foi um dos poucos comentários distoantes do original. Achei interessante, por que fugiu a regra do velho e batido discurso que diz que a REcord vai liderar a audiência e que a globo está caindo desde que a Record estrou uma "nova" programação. E pipocam indíces de audiencia em sites notavelmente comprometidos com emissoras de televisão, e análises quase apocalípticas sobre o futuro da rede globo. A revista veja, para muitos setores que se dizem a favor da democratização da informação, era a vilã. Agora que ela disse que a globo vem perdendo audiência, ela virou a mocinha de muitos que se dizem alternativos. É verdade que a globo vem perdendo audiência. Mas, isso é desde o final da decada de 80, quando o controle remoto chegou ao Brasil. Coma entrada das novas tecnologias, essa tendência se agravou. E atualmente isso está mais agudo, como você próprio diz. Mentira dizer, que a Record oferece uma programação de qualidade, com desenhos animados e pegadinhas de quinta e ainda cópias das novelas da Globo. E também o povo não aguenta tanta novela. São muitas. Mentira também, os que acham que com a Record na liderança a coisa vai mudar. Ela resolveu ser a globo tarde demais e está se beneficiando pela desorganização do SBT. Acho que acoisa tende a ficar mais divida. E cada vez mais a televisão, não vai ser acompanhia de muitos nas horas vagas. Com tantas mídias disponíveis
Célio Mendes , Vitória-ES - Bancario
Enviado em 11/10/2007 às 18:38:53
Nelson, O artigo é bom, mas acho que é muito otimista, não creio que a fragmentação da audiência vá acontecer tão rápido, esse problema de audiência da novela provavelmente se deve a trama não estar agradando o publico, imagino que a maturação destas novas mídias ainda vá demorar mais um pouco, mas sem duvida a tendência é essa mesmo, para o publico resta torcer para a rápida difusão e barateamento das novas tecnologias.
Eduardo Filipe dutra , Rio de janeiro-RJ - Artista
Enviado em 11/10/2007 às 17:12:05
Sensacional, Nelsinho... Eu mesmo não tenho mais o aparelho de TV fazem 3 anos! Beijos nas meninas, saudades!
Rogério Ferro , SP-SP - estudante
Enviado em 11/10/2007 às 15:05:14
Quanta lucidez. Parabéns! Ótimo texto, ótima análise.
Marco Antônio Leite , SCS-SP - STT
Enviado em 10/10/2007 às 20:19:09
Senhor Eduardo, quem não entendeu o comentário foi vossa senhoria, haja vista não mostrar porque estou no século passado. No entanto, quem esta no século retrasado é você, pois a sua escassa observação não diz absolutamente nada. Será que durante há aula do conjunto de palavras de português, você conseguirá escrever uma redação com umas três ou quatro linhas, a fim de que eu possa entender? Abraços socialista... Em Tempo: Caso você sinta prazer em ler, procure mais abaixo o porque das minhas colocações no comentário anterior.
Eduardo Goulart , Niteroi-RJ - estudante
Enviado em 10/10/2007 às 18:37:48
Marco Antonio...abraços socialistas...ahahahah...você provavelmente não deve ter entendido nada do artigo, pois vive no século passado.
Julio Winck , Florianópolis-SC - Designer gráfico
Enviado em 10/10/2007 às 18:03:12
Não creio que as novas mídias possam "iluminar" as cabeças "pensantes" dos brasileiros. Basta conferir a quantidade de lixo rolando na internet (e os sites pornográficos são os campeões de audiência, inclusive nos EUA). A cultura geral do brasileiro só melhorará quando ele reduzir drasticamente o número de horas reservado à televisão e, claro, a internet também, e passar a ler mais, mas não tablóides inúteis, falo de livros de qualidade, de papel impresso, só esse "vício" tão comum nos países desenvolvidos poderá melhor toda a sociedade brasileira. Ter computadores de última geração é só consumir "estrume digital" é como trocar "seis por meia dúzia". Termino aqui e volto a ler um ótimo livro, de "papel impresso".
Rogério Barreto Brasiliense , Santos-SP - vendedor
Enviado em 10/10/2007 às 14:19:43
Não tenho vergonha de admitir que outrora fui um noveleiro, existiram ótimas e pessimas novelas, com ótimos atores atuando. Hoje fujo delas, são ruins, seus enredos são repetitivos, principalmente as da Globo. A recém encerrada Paraíso Tropical, deu boa audiência. Certamente a audiência de Duas Caras é ruim, porque ela é simplesmente ruim.
Marco Antônio  Leite , SCS-SP - TSS
Enviado em 10/10/2007 às 10:42:46
Locução ou afetado da própria língua portuguesa, demostra total ausência de conhecimento do uso correto da língua portuguesa. Não devemos ter duas caras, uma com sorriso nos lábios e a outra carrancuda. A cara real é a mesma que vemos no espelho da vida, para que não possamos confundir alho com orvalho. Caro mancebo, dificuldade em escrever no português correto todos nós temos, porém o que não podemos consentir é o exagero na dose do uso de palavras chulas, gírias, aportuguesar certas unidades constituídas por grafemas ou nomes próprios entre outros vícios que usamos sem ao menos consultar o nosso papai da ciência alfabeticamente das palavras, e com os respectivos significados, ou seja, aquele que mostra a palavra(de rei) corretamente e seu significado. Abraços socialista...
Sérgio Troncoso , Santos-SP - Industriário
Enviado em 10/10/2007 às 10:33:00
Embora comemoremos as várias alternativas de consumo midiático que se oferecem com as novas tecnologias,tambem não esqueçamos que os monopólios não estão parados.Em minha cidade a Net (Globo),comprou toda a concorrencia de tv a cabo,está sózinha mandando no pedaço.Ainda não tenho certeza se no final de tantas alternativas de produtos audiovisuais,tantas alternativas de tudo (Ó que ótimo),no final tudo vai ficar como sempre foi,ou seja 1 ou 2 comprando tudo e mandando em tudo.Alguem ja viu êsse filme?
Carla Coimbra , Anápolis-GO - professora
Enviado em 10/10/2007 às 09:53:40
Nasci nos anos 60 e levei uns 30 anos para poder despertar da Matrix.Hoje lamento o tempo que perdi engrossado os índices de audiência de emissoras que manipulam e levam os espectadores à alienação.Impondo costumes que atendem a interesses escusos.
Teresa Silva , Nova Friburgo-RJ - Bibliotecária
Enviado em 10/10/2007 às 09:50:23
É mesmo, coisas como audiência de 90% e o país parando para assistir ao último capítulo da novela fazem parte de um passado que não volta mais. Só falta constatar se isso é bom ou ruim, ou seja, se mudou apenas o meio mas a ignorância da população continua a mesma: se antes ficavam entorpecidos na frente da TV, agora ficam na frente do computador, do MP4 e afins. Quanto à novela, deviam tirar a pressão de cima do autor. Imagino o que ele deve estar passando.
Natália Vieira , São Paulo-SP - Estudante de jornalismo
Enviado em 10/10/2007 às 00:48:57
Só quero fazer um pequeno e talvez inútil comentário, me parece que as pessoas agora estão pensando como o visionário Raul Seixas: "eu nao preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz!"
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 9/10/2007 às 22:51:39
O QUE SIGNIFICA "DUAS CARAS"?!
Felipe Faria , Rio de Janeiro-RJ - estudante
Enviado em 9/10/2007 às 19:21:52
[ ] Marco Antonio, eu traduzo os nomes para a lingua portuguesa, esta que você tanto agride, Chaves, Carlos Marques, Jorge Moita, ....
Euclides Rodrigues de Moraes , João Pessoa-PB - Bancário
Enviado em 9/10/2007 às 18:59:21
Entendo que esse distanciamento não ocorre apenas com a TV, mas com a imprensa como um todo, ou será que não teria reflexo a reeleição do Lula independente do posicionamento da mídia e de seus formadores de opinião? O Rei está nu! Agora é que o refluxo da maré começou. Por que alguém em sã consciência, assistiria a Globo e que tais ou leria a Folha ou a Veja e sua co-irmãs? Para ser informado com mentiras? Não, abandona-se e quem pode busca outras fontes. Chegou a hora do basta! Quero ver quem vai sobreviver sem apoio da maioria da população?!
Marco Antônio Leite , SCS-SP - TSS
Enviado em 9/10/2007 às 16:46:22
Senhorio Farias, não se escreve Chaves, mas sim Chávez! Alguma duvida? Continua confuso no seu diminuto comentário, tens aprendido o que na escola. Na escola da vida quase nada, já na escola oficial tenho minhas duvidas. Iniciei uma campanha para aglutinar o maior número de pessoas, a fim de pleitear com os políticos para que às concessões dos meios de comunicação fique sobre sua responsabilidade? Uma boa idéia, não é?
Marco Antônio Leite , SCS-SP - TSS
Enviado em 9/10/2007 às 16:04:41
Os meios de comunicação, mais especificamente o rádio e a TV, são genitores do embrutecimento dos filhos. A TV é o pai que só diz asneiras e sofismas para manter o filho na ignorância intelectual, objetivando usá-lo como bucha de canhão. Quanto ao rádio, é a mãe solteira que vive doutrinando através de programas pouco instrutivos o seu filho desinformado de tudo e todos os problemas que ocorrem ao seu redor. Todavia, caso isso seja verdade, isto significa que a massa esta melhorando o seu discernimento quanto as bobagens que o sistema nos infringe no cotidiano.
Henry Fulfaro , Sorocaba-SP - professor
Enviado em 9/10/2007 às 15:55:42
Como não entendo nada do assunto imaginei que o insucesso da novela estivesse ligado a um fenômeno da natureza humana, resumido na frase antológica de Joãozinho Trinta: “Quem gosta de pobreza é intelectual; pobre gosta mesmo é de luxo e de riqueza”. Embora a trama apresente personagens ricos e pobres, o contraste social é muito grande, é real demais. A própria apresentação da novela, exibindo barracos paupérrimos, imagens feias e desoladoras de uma favela evidentemente deprime quem procura diversão... Agrava a situação o fato de que, com um pouco mais de dinheiro no bolso, o vulgo definitivamente não está a fim de refletir acerca das grandes questões sociais, tipo a péssima distribuição de renda, falta de moradia, de saúde, de cidadania, etc. Ademais, o que está na moda não são as comunidades vivendo e crescendo em paz como propõe o performático Antena; mas a favela fervilhando, botando violência pelo ladrão. Nessas, não tem graça a polícia ameaçar desalojar os invasores de uma área pertencente a uma construtora falida, e no final das contas voltar atrás, contemporizando as coisas com o líder Antena. O bom, para o público altamente politizado que assiste à novela, seria um comandante Nascimento qualquer assumir a ação policial e trucidar logo uma dúzia de vagabundos e desordeiros, daqueles que a esquerda chama de “sem-teto”. Estou certo de que assim a audiência iria bombar!
Lau Mendes , P.Alegre-RS - SST
Enviado em 9/10/2007 às 13:06:30
"vendo no televisor dos seus pais uma dramaturgia incrivelmente primária, um cardápio de atrações que parecem saídas de um circo de horrores, uma informação com sabor de hipocrisia que parece saída de um mundo construído sabe-se lá por quem". Mesmo que a matéria não fosse objetiva e de fidelidade "palpável"no dia-a-dia,acredito,da maioria dos freqüentadores do OI,só à parte do parágrafo entre aspas (aqui) já valeria a edição do OI da semana.
Felipe Faria , Rio de Janeiro-RJ - estudante
Enviado em 9/10/2007 às 12:53:08
muito bom...daqui a pouco tanto faz se um Chaves da vida acabar com um canal de TV....outros 25 aparecerão fora da alçada de sua censura. Se politicos perderem o poder de dar concessões e retirar concessões, todos nós só temos a ganhar com isto.
Menjol Almeida , São Paulo-SP - Analista Cobrança
Enviado em 9/10/2007 às 12:45:03
Pois é sr. Nelson, imagine só o dia em que toda essa gente descobrir o sensacional mundo dos livros...
Francisco Leido Júnior , Natal-RN - Tecnólogo
Enviado em 9/10/2007 às 12:35:11
Ótimo texto. Não dá pra fugir da realidade. De uns tempos para cá venho falando sobre isso com alguns colegas: como trabalho numa empresa com internet liberada, leio todas as notícias que me interessam direto no computador. Telejornais? Nem sei mais o que é isso. Novelas, programas de variedades? Prefiro ver um bom filme no DVD, ouvir música no PC, jogar videogame ou simplesmente fazer companhia aos amigos e à família. Imaginem agora quando chegar o dia em que a internet esteja massificada e a população brasileira tenha mais recursos a sua disposição: TV será relegada ao último plano. É bom as grandes emissoras irem se acostumando.
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Nelson Hoineff

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