ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 465 - 9/2/2010
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ENTRETENIMENTO NA TV
A nobre função de matar o tédio

Por Gabriel Priolli em 25/12/2007

"Nós estamos no negócio de matar o tédio", já dizia o apresentador de TV Howard Beale em 1976, em apoplético discurso no filme Rede de Intrigas (Network). O "profeta louco das ondas eletromagnéticas", criado pelo roteirista Paddy Chayefsky e o diretor Sidney Lumet para o que é, ainda hoje, a mais aguda crítica já feita à televisão, suas práticas e seus valores, resumia nessa frase objetiva e franca a missão principal do veículo que fizera dele uma celebridade.

É oportuno recordar a frase nesta época de festas em que as pessoas transbordam de afeto, reúnem amigos e familiares, buscam sofregamente o convívio com o próximo, mas não dispensam o televisor ligado junto à árvore de natal. Um breve olhar para a cena natalina – brasileira ou de outros países, não muito distintos nesse aspecto – é suficiente para demonstrar o quanto a televisão é importante como meio de entretenimento e como são equivocados os discursos que tentam desqualificar essa função em favor de um maior volume – indiscutivelmente necessário – de informação e de educação na tela.

Canal para bebês

A televisão é, sim, um negócio para matar o tédio, antes e acima de qualquer outra coisa que possa fazer pelos humanos. Ela preenche o tempo livre com maior eficiência e menor custo do que outras formas de diversão, o que é a razão da sua universalidade. Qualquer um, pequeno ou grande, pobre ou rico, inteligente ou burro, tem sempre à mão aquele botão redentor do aparelho de TV, para com um simples toque relaxar das tensões diárias, proteger-se da brutalidade circundante e deixar flutuar a imaginação. Ainda mais os solitários, que preenchem suas carências afetivas com os seres e os temas da tela, e que teriam natais sombrios, angustiantes, não fosse aquela luz amiga a cintilar diante de seus olhos.

Seja por interesse mercadológico, nas emissoras comerciais, seja por espírito público, nas educativo-culturais, a televisão se propõe a subsidiar os humanos de afeto e companhia em todos os momentos da vida. Literalmente do começo ao fim dela, como demonstram dois projetos que provocaram curiosidade e polêmica neste ano. Aqui, no Observatório, a colega Leneide Duarte-Plon comentou, no início deste mês, a celeuma causada na França pela introdução de uma emissora voltada aos bebês [ver "Cientistas franceses pedem moratória para canal"). Um pouco antes, em novembro, pipocou planeta afora a notícia de uma emissora lançada na Alemanha para se dedicar exclusivamente à morte e ao luto.

A TV para bebês intitula-se BabyFirst TV e é mais uma oferenda norte-americana aos deuses do consumo. Está no ar 24 horas por dia em 28 países, com um público estimado de 13 milhões de telespectadores, na faixa de 6 meses a 3 anos de idade. Surgiu da constatação de que muitos pais compram DVDs com programas voltados aos bebês, pagando até 20 euros por exemplar, o que configura um polpudo mercado. A emissora oferece 50 programas em sua grade, com conteúdos que pretendem estimular nos bebês o desenvolvimento da linguagem e o conhecimento da matemática, além das "destrezas sensoriais e do jogo criativo".

Fazer companhia e divertir

Os produtores norte-americanos garantem contar com a assessoria de pedagogos e psicólogos infantis, mas os colegas franceses desses profissionais, segundo Leneide, caíram de cacete na emissora, argumentando que na primeira infância a criança precisa mobilizar o corpo e a mente com brinquedos, e não prostrar-se diante da tela da TV. Seja como for, aí está reiterado o fato de que a televisão almeja acompanhar as pessoas desde o início de suas vidas, oferecendo a elas companhia agradável e incondicional a qualquer hora.

Agora e na hora de nossa morte, propõe a Etos TV alemã, "o canal do luto". Vitrine do mercado funerário de seu país, que reúne mais de 3.000 empresas, a emissora aborda sem assombro um tema difícil, convicta de que ele é mais um entre tantos que interessam às pessoas, sobretudo quando enfrentam a morte de parentes e conhecidos, ou a perspectiva da própria partida. É o que mostra sua insólita programação? "Cemitérios como lugares de memória cultural, porque o futuro necessita de origens." Obituários pessoais, "porque a memória conecta as gerações". Além de informações práticas sobre o que fazer diante de um óbito e dicas "de prevenção" porque, afinal, salvo os suicidas, ninguém quer despedir-se da vida antes da hora.

Entre os dois extremos da existência, a televisão procura entreter e confortar os humanos de todas as formas possíveis. Para a infância, já são muitos os canais, repletos de desenhos animados, seriados e shows. Para a adolescência, canais de música pop ou de videogames, como os dois que se defrontam na TV paga brasileira, a MTV e a Play TV. Para a vida adulta, quando os interesses se particularizam e a identidade se define de forma mais complexa, uma infinidade de canais segmentados por conteúdo, sexo, faixa etária, nível cultural. E todo esse amplo leque de opções identificado por um denominador comum: o desejo de fazer companhia e divertir. De matar o tédio.

Discurso confuso

A função de entretenimento da TV, por tudo isso, deveria merecer mais consideração. Mesmo, ou sobretudo, quando os programas têm forma e conteúdo que escapam ao padrão de gosto da elite. Uma boa atração televisiva não precisa ter, necessariamente, aspectos informativos e educacionais; pode perfeitamente oferecer apenas diversão ligeira, descompromissada. "Baixaria" não é o oposto de televisão inteligente; é a degeneração da televisão popular, dos produtos concebidos para as preferências culturais e o nível de cognição da grande massa telespectadora. É totalmente possível uma televisão popular de qualidade, sem baixarias e também sem maiores ambições intelectuais. É possível apenas entreter, sem querer mais do que isso, com ética, respeito e responsabilidade.

O discurso bem pensante a respeito disso, entretanto, é confuso. Quando aborda a TV de entretenimento, costuma jogar no mesmo saco programas razoáveis e grandes porcarias, rotulando tudo de baixaria. Shows de auditório, game shows, telenovelas, musicais sertanejos e programas humorísticos padecem desse preconceito, do qual estão isentos, por definição, os programas de debate, os telejornais, os documentários, os musicais de MPB e as minisséries de inspiração literária – todos avaliados, a priori, como programas sérios e úteis, mesmo que ocultem a mais sórdida baixaria, na forma de manipulação de dados, distorção, parcialidade, omissão, partidarismo etc.

Esforço e utilidade

Essa falsa oposição entre uma televisão de qualidade, identificada somente pelo caráter educativo-cultural, e uma televisão de baixo nível, assim considerada por privilegiar o entretenimento, transborda do pensamento crítico para o juízo comum dos telespectadores. E se expressa num discurso freqüentemente culpado, em que a pessoa clama por mais cultura e educação na TV, mas reconhece que não assiste às atrações que atendem ao clamor. É a culpa pelo entretenimento, culpa por assistir TV apenas para se divertir, passar o tempo, esfriar a cabeça ou pegar no sono.

Outra decorrência dessa percepção geral de que a boa televisão é apenas a que informa e educa – e à qual não se assiste porque, infelizmente, ela exige pensar e pensar dá trabalho, é chato... – está na conceituação da TV pública. Muita gente, incluindo especialistas, acredita que não cabe a ela oferecer entretenimento. Apenas "fazer a cabeça", estimular o raciocínio, prover informações. Essa visão só facilita que as emissoras comerciais descumpram seus deveres para com a educação e a informação e impede que as emissoras públicas definam melhor o seu enfoque do entretenimento. Não há, por exemplo, programas humorísticos na TV pública brasileira. Foram raríssimas as suas tentativas nesse sentido, ao longo da história. E por quê? Fazer rir não é coisa séria, talvez das mais sérias que existem, pela função profilática do humor?

A televisão de entretenimento é legítima. Não há nada errado em divertir o telespectador. Não é obrigatório instruí-lo e informá-lo quando se procura diverti-lo, embora seja conveniente que isso ocorra. Convém que nos lembremos disso nestes dias de festas em que as pessoas buscam estar juntas para celebrar a vida e se divertir. A TV procura fazer isso todos os dias do ano, todas as horas do dia, para todos os públicos, por toda a existência das pessoas. Errando ou acertando, merece reconhecimento pelo seu esforço e pela utilidade do serviço que presta.

Comentários (15)
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Liber  Matteucci , Lisboa-IN - Jornalista/Publicitário
Enviado em 28/7/2008 às 08:57:00
Esse artigo fala da televisão como se ela fosse um sujeito e não um objeto: "a televisão se propõe a...", "a televisão almeja...", "a TV procura fazer ...". Fala da televisão que entretém e mal toca no assunto da publicidade que massacra (nos canais privados como nos públicos). Será entretenimento ver um filme que é interrompido a cada dez minutos por vinte minutos de comerciais? Na época do Natal, em que o artigo acima foi escrito, o massacre é ainda maior. O Dias Gomes dizia que "a TV não é um mal em si, o mal está no uso que se faz dela". E parece claro que esse uso é condicionado por interesses que não são os da maioria dos telespectadores. Não digo que a TV seja um objeto do diabo. Só queria lembrar que não é também um sujeito bonzinho preocupado em matar o nosso tédio. A TV para bebês, citada no artigo, é um absurdo evidente, e fico surpreso que alguém precise ouvir especialistas franceses para se escandalizar com a idéia. Mas a TV para adultos, dado o uso que se faz dela, não é melhor, não relaxa das tensões diárias nem protege ninguém da brutalidade circundante (ao contrário, traz a violência para dentro de casa). Quando muito, a TV "almeja" vender chocolate para um público cada vez mais carente (e não só de afeto).
Fernando Schweitzer de Oliveira , Florianópolis-SC - Desempregado ( Eu e mais 10 milhões )
Enviado em 28/12/2007 às 06:12:24
Bom, sempre dormi de teve ligada! Acho que faz parte da natureza moderna. Passa-se na rua, teves no lugar de arvores. O problema da TV aberta é que as pessoas consomem status e não qualidade! Só admiram o O Pao de Açúcar( Rede Globo) E outras belezas de tamanho menor e melhor qualidades são desprestigiadas!
José Rubens de Araújo Jr , Goiânia-GO - advogado
Enviado em 27/12/2007 às 08:35:37
A televisão nunca matou o tédio, ela é o próprio tédio, infundindo nas pessoas uma visão de mundo preconcebida por um capitalismo selvagem, sem escrúpulos. Quem dera se as pessoas voltassem suas atenções à literatura, à leitura de jornais, revistas e obras literárias, pois estes meios tanto podem trazer entretenimento de boa qualidade e cultura crítica, sem jamais cair no tédio. É ridículo esse debate sobre a importância da TV, pois ela em si não tem importância nenhuma, uma vez que humanidade viveu e se desenvolveu até recentemente sem ela. As pessoas deveriam jogar fora seus aparelhos de TV e encher suas salas de livros, pois foi com eles que chegamos à TV, e será com eles que iremos ultrapassar a TV.
Joelson Giordani , Teresina-PI - Jornalista
Enviado em 27/12/2007 às 01:21:00
Acho pertinente a preocupção em defender os vários estilos do fazer televisão. Ainda assim considerto urgente a análise e o controle do conteúdo das televisões que são antes de tudo concessões públicas. Por seu caráter universal, merece cuidados principalmente nos programas de entretenimento que parecem despretenciosos e podem ser nocivos, transmitindo idéias que firam o interesse da coletividade.
Marco Antônio Leite , SCS-SP - TST
Enviado em 26/12/2007 às 19:21:30
A programação televisiva visa manter o grande público na imbecilidade da alienação, a qual faz com que enxerguemos o mundo de forma ingênua, constituído de coisas independentes umas das outras, e indiferentes à consciência independente e desinteresse que serão negadas pelo conhecimento filosófico. Portanto, esse lixo que é derramado no interior de nossas mentes, acaba provocando uma deformação mental irreparável e de conseqüências irreversíveis.
Edmilson Fidelis , BH - MG-MG - Analista de Sistemas
Enviado em 26/12/2007 às 17:39:35
Caro Bruno, Continuo, por sorte minha, assistindo ao "Alto Falante" aqui em BH. Se ele saiu de cena aí em SP não acredito que tenha sido por dedicar-se ao rock. Creio que o problema era dar maior enfase a músicos e músicas que não fazem parte da grade principal das grandes gravadoras e de quebra das rádios comerciais. Era um alento a mesmice das TVs. Houve um domingo em que eu estava zapeando a TV aberta e tive a "sorte" de ver Zezé de Camargo e Luciano em TODOS os canais na mesma hora. É dose! Como diria Dolabela, a enciclopédia: Gostas do delirio baby? Isto não é entretenimento ou diversão. É massificação. Não questiono a qualidade dos artistas citados, gosto é coisa pessoal. mas acredito que uma super-exposição também é prejudicial e a sede de IBOPE turva qualquer senso um pouco mais critico. Quanto aos programas de debate, enterevistas e afins, sem comentários. São péssimos. Quando não cortam o entrevistado em meio a uma resposta(afinal TV é assim mesmo) tentam de todas as formas fazer com que digam o que querem que seja ouvido. Exceção para o Roda Viva. Será coincidência dois excelentes programas serem de TVs públicas?
NIL LIN , SP BRASIL-SP - COMERCIARIO
Enviado em 26/12/2007 às 17:10:14
Como demos bicudos são cegos e acreditam em tudo que aparece nas TVs e jornais. Ô povinho (ELITE) sem noção das coisas! Sem quase ninguém falar já consideram que as vendas vão aumentar e o preço cair. Essa elite realmente não tem sabedoria nenhuma. Já sei: por ser um país de maravilhas, acham que indo às escolas já crescem senhores da sociedade, capazes de administrar domésticas e zeladores... Este é o senhorio que temos no Brasil?Mães deste Brasil, cuidem de suas crianças. Não as deixem largadas nos becos e esquinas, aos interesses dos espertos. Deixem-nas nas escolas ou em casa, pois a rua é lugar de muitos vagabundos e aproveitadores. Sabemos que é muito difícil dar um mínimo de atenção e cuidados, quando o trabalho dá pouco retorno monetário, mas a diferença entre criança e cria está exatamente nisto: DEIXAR LARGADO X GUARDAR JUNTO. Muitos animais acolhem suas crias debaixo de suas asas, dentro de seu corpo, grudado em seu peito, agarrado em suas costas... Mãe brasileira!
Filipe Fonseca , Rio de Janeiro-RJ - Funcionário Público
Enviado em 26/12/2007 às 15:16:29
Desculpe, mas não consigo enxergar nada de válido nessa defesa escancarada do modelo de TV do "menor denominador comum". Na contra-mão da realidade, o artigo afirma que a TV faria parte até da ceia de Natal (nunca ouvi falar de gente ligando TV durante a reunião de Natal), e ainda "reconhece o esforço" da TV em "matar o tédio"! Talvez seja só eu, mas tenho a minha disposição em torno de 60 canais, e dificilmente consigo achar algo minimamente interessante. A TV consegue é matar de tédio, com seus programas horrorosos, sua falsidade gritante, sua estupidez meticulosamente planejada e incentivada. De onde o autor tirou a idéia de que "os programas de debate, os telejornais, os documentários, os musicais de MPB e as minisséries de inspiração literária" não são lixo, eu jamais saberei. São lixo, depósitos de lixo cultural. "Musicais" com playback? Debate com "Serginho" Groisman? Minissérie novelesca? Tudo lixo. Ao que me parece, tudo o que entra na TV deve, necessariamente, ser idiotizado, "simples", ou simplesmente não entra. Sinceramente, a TV só faz me entediar, acho que menos de 1% da programação realmente me interessa. É pedir muito que os programas de TV sejam INTELIGENTES? Os Simpsons, por exemplo, matam o tédio com críticas inteligentes e perspicazes sobre a sociedade. A estupidez pura e simples não me diverte, e, imagino, não diverte ninguém. No máximo "distrai".
valmir Perez , Campinas-SP - lighting designer
Enviado em 26/12/2007 às 14:52:08
Prezado Gabriel, seu texto trás de volta a discussão sobre qual o melhor conteúdo para as TVs abertas no Brasil. Concordo que a TV tenha "também" a função de entreter, mas a própria palavra é maliciosa. Quem entretém desvia a atenção de algo para algo. O que suscita muito suspeita é de que "algo" para que "algo" as TVs estão levando as mentes de milhões de pessoas do país. Podemos penguntar também se as TVs abertas deixariam de ter um relacionamento incestuoso com os outros poderes (político, econômico, etc.) e, em determinados momentos da história não faria o papel de transmissora de determinados pensamentos ou ideologias. Essa sim, a meu ver, a discussão que deveria ser feita por todos nós. À propósito, o senhor já assistiu algum programa nessas TVs abertas sobre esse assunto? Talvez nas TVs públicas. Um grande perigo que se coloca quando pensamos no poder da informação e entretenimento é o que podemos chamar de “censura da omissão”. Ou seja, mostra-se apenas algum lado de determinado fato ou estado de coisas e não o leque inteiro. Música erudita também é entretenimento e, porque então, não assistimos esse tipo de programação em bons horários nas TVs abertas? Fica então a pergunta: a quem interessa entreter e de que forma entreter? Não sou ingênuo o bastante para acreditar que esses caras são todos muito bem intencionados, muito menos honestos.
arnaldo boccato , campinas-SP - jornalista e publicitário
Enviado em 26/12/2007 às 13:51:48
Sobre a importância do riso, sugiro a (re)leitura de O Nome da Rosa, de Umberto Eco. Sobre o entretenimento, para rir ou para chorar, o drama das tvs abertas é serem abertas. Para a manutenção do negócio assumem o compromisso de buscar altas audiências junto a todos os públicos, a loucura da pretensa universalidade, com um resultado que nem sempre funciona, ao menos para a qualidade do produto. Sobre a tv pública brasileira, está aí a oportunidade de reverter o ranço de só ser crítica e séria e informativa e educativa. Tomara que o leque de freqüências permitido pelo sistema digital abra espaço para isso e para outras alternativas segmentadas no ramo da tv pública brasileira, antes que ela se torne mais um clone de seu próprio passado - exceção à criatividade e arrojo históricos da TV Cultura com uma programação "cerebral" que desse algo mais que traço de audiência, um casamento difícil. A fórmula que a nova tv pública brasileira precisaria derrubar é a do cabidão de emprego partidarizado ou não que gera soporíferos via satélite - e isso inclui as tvs legislativas, judiciárias e assemelhadas. Sem o compromisso com a audiência e com a desculpa de "atender a segmentos que nunca teriam vez..." o resultado, no conteúdo, forma e qualidade, é risível. Vamos lá, confessem, quem conseguiu sintonizar a TVE por mais que três minutos nos últimos anos?
Fábio de Oliveira Ribeiro , Osasco-SP - advogado
Enviado em 26/12/2007 às 13:37:24
Discordo. Quando maior a capacidade de uma TV de PROVOCAR tédio, maior seu potencial econômico. Como humanos estamos perfeitamente adaptados ao tédio. Mesmo a guerra, que é dominada pelo imprevisto, é cheia de tédio entre uma batalha e outra. Se a TV quiser afastar o tédio de nossas vidas terá pouco lucro. Mas se substituir o tédio tradicional das nossas vidas por outro moderninho, politicamente inofensivo e produzido em alta definição, sua lucratividade será estupenda. Não é a toa que a rede Globo, campeã brasileira da monotonia (todas suas novelas são rigososamente "romanticas", a renovação dos atores é quase inexistente...), vai muito bem obrigado.
Evandro de Morais , Belo Horizonte-MG - Bombeiro
Enviado em 25/12/2007 às 23:37:28
O Brasil poderia até ser um país melhor se aqui não existisse uma tal de Rede Globo... já as outras emissoras, comentários são dispensados; a programação fala por si só. Quanto à TV a Cabo, pra quem acha vale a pena pagar para ter mais do mesmo, é uma ótima opção.
Manfredo Jorge , Rio de Janeiro-RJ - aposentado
Enviado em 25/12/2007 às 09:14:18
Bem que a Tv poderia divertir o público,sem impingir essa programação de péssima qualidade.Ah!Ia esquecendo:ainda bem que existe o controle remoto.
Bruno Cruz , São Paulo-SP - Estudante de Comunicação
Enviado em 25/12/2007 às 03:59:31
Também acho que um programa pode ter a função da "simples" diversão, do entretenimento sem, necessariamente, cair na baixaria. O "Alto Falante", por exemplo, que era produzido por uma emissora mineira e retransmitido aqui em São Paulo pela TV Cultura foi deixado de lado, e creio que o fato de ele tratar de Rock tenha ajudado muito. Se fosse sobre MPB ou músicas típicas certamente não teria acabado.
Ricardo Camargo , Porto Alegre-RS - advogado
Enviado em 24/12/2007 às 11:26:00
Sr. Gabriel Priolli, ponho-me de acordo com o texto. PArece que virou dogma o estabelecimento da sinonímia entre qualidade televisiva e a condção de campeão de audiência, de fazer plenas concessões ao gosto do público, que não precisa saber que existe coisa melhor do que os produtos que são oferecidos a título de entretenimento. Será que é necessário que o povo seja bombardeado todos os dias por cenas de pornografia, de violência, de desrespeito na família, como se vê nos traileres das novelas e mesmo em alguns programas acessíveis em horário em que as crianças estejam acordadas? As pessoas também não aprendem coisas más na TV? Quando eu falo em aprender coisas más, estou a referir-me aos exemplos constantes de violência explícita, de pornografia, de desrespeito familiar, tudo, enfim, ao contrário dos valores referidos no artigo 221 da Constituição Federal. E, quanto a isto, a receita de sucesso da maior parte das emissoras, lastimavelmente, vem-se baseando nisto: confundir entretenimento com o desrecalque das tendências voltadas à satisfação plena dos desejos, ainda que com a destruição - pouco importa, no caso, se virtual ou física - do Outro, visto sempre como oponente, obstáculo, como o oposto, enfim, ao que nesta época do ano se pretende cultivar.
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Gabriel Priolli

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