ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 473 - 9/2/2010
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PLURALIDADE & DIVERSIDADE
O futuro da TV pública é agora

Por Alberto Dines em 19/2/2008

A Rede Pública de Televisão está avançando. E não apenas através do funcionamento regular da TV Brasil. A aparente disposição da TV Cultura de participar de parcerias e co-produções com outras emissoras (inclusive a TV Brasil) vai criar as condições para uma network alternativa, plural, diversificada e livre de sujeições aos interesses partidários.

Não menos importante é o esforço do relator da Medida Provisória que criou a TV Brasil, deputado Walter Pinheiro (PT-BA), em estabelecer fontes de recursos permanentes capazes de garantir uma separação entre o governo federal e a rede de TV que ele criou.

Os setores mais radicais da oposição aliados aos fundamentalistas da livre iniciativa não perceberam que vão perder o bonde. Tal como o governador do Paraná, Roberto Requião, que deseja uma TV Educativa para exercitar o seu mandonismo, certos grupos de petistas, tucanos e democratas esquecem que quando chegarem ao poder em seus estados necessitarão do apoio de uma rede pública de televisão com credibilidade e, sobretudo, com o suporte de uma audiência nacional de qualidade apta a neutralizar o poder do baronato e do tubaronato da mídia regional.

Dias contados

Uma rede pública criada por um determinado governo não é necessariamente propriedade deste governo. Todos se beneficiam. O processo de autonomização é inevitável e irreversível e a participação do relator Walter Pinheiro é prova disso. A rede pública de TV que deve resultar da sua relatoria será com toda a certeza muito mais avançada e muito mais participava do que a versão original. Ao contrário do que diz o ditado, as emendas são sempre melhores do que os sonetos [ver aqui o parecer apresentado pelo deputado].

Uma vez disponibilizado, visível, um bem ou serviço público torna-se cada vez mais público, mais compartilhado. Quando foi criado, este Observatório da Imprensa obedecia a um determinado desenho e velocidade. Hoje, doze anos depois, empurrado pelas circunstâncias por ele próprio criadas, ganhou novas dimensões e escopo.

As novas tecnologias da informação estão liquidando as reservas de mercado, é bom ter isso em conta, porque são naturalmente públicas, necessariamente compartilháveis. E, se por um lado a digitalização da TV está sendo usada parcialmente em nosso país, a TV Pública via internet oferece um potencial de expansão ilimitado, a um custo infinitamente menor.

O voluntarismo televisivo tem os seus dias contados. A socialização da televisão tem o futuro pela frente.

Comentários (22)
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Alexandre Weiss , Jaragua do Sul-SC - Pensador
Enviado em 13/3/2008 às 06:13:27
Parabéns pela criação da Tv Pública, um avanço para que televisão não caia na mão do Baronato Midiático do Brasil, agora descobri porque o Brasil não anda para frente, os poderosos amparados por [ ] com comentários abaixo que querem ser manipulados como robozinho pelos Barões da Midía, enquanto tivermos [ ] abaixo nunca seremos cidadões de primeiro mundo.
dalmo  oliveira , guarulhos-SP - comerciante
Enviado em 27/2/2008 às 00:40:39
Dines - O Estadao e a Folha tem toda razao em criticar a nova TV do governo. Precisamos diminuir o grande paquiderme estatal, nao aumenta-lo. O governo federal precisa mesmo e diminuir os gastos, fazer as reformas, baixar os juros e impostos. Em resumo, os brasileiros mais exclarecidos estao fartos de ver o Brasil caminhar devagar, com o freio de mao puxado. --- Estamos muito decepcionados de ver tanto desemprego, impunidade, desperdiçio e corrupção !
Paulo  Sousa , Balneário Camboriú-SC - jornalista
Enviado em 21/2/2008 às 15:57:51
Li e não acreditei. Este texto deve ter uma só explicação: Dines adoeceu - ou coisa parecida - e um militante tomou o seu lugar. Defender o cabidão de empregos?? E ainda mais com essa lenga-lenga de "fundamentalistas da livre iniciativa"!!!! Deve ter na cabeceira "As veias abertas da américa latina". Sugiro o Manual do Perfeito Idiota Latino Americano. É por isto que este Grotão está assim: porque as pessoas só vêem solução no governo, enquanto que os governos só fazem atrapalhar. Quanto menos governo, muito melhor! Se governo resolvesse problema a América Latrina não estava deste jeito. Pelamordedeus, a gente não consegue sair da década de 60!! Se bobearmos, Cuba vai sair antes da gente.
Fabio  Martins , Ribeirão Preto-IN - filosofia
Enviado em 21/2/2008 às 11:01:48
Sr. Dines. Por sua estrutura como pessoa e também jornalista, com seu magistério inerente aos deveres de ofício, congratulo-me. Eu, entre os milhões de anos deste planeta e de seus ocupantes, cada vez mais sinto a brevidade dos meus 78 anos. E o quanto a gente tem para aprender. Suas reflexões sobre televisão pública, no caso, brasileira merecem todo respeito. Dentre várias conotações derivadas de suas afirmações, destaco uma, que deve ser também um dos fios condutores para discussões, projetos e soluções de tema e fato com tamanho alcance para todos nós - Está contida em um pequeno e simples trecho de Aristoteles no capitulo Relações da Prudência com a Ciência Politica, em seu Tratado da Alma: ... aos ambiciosos que tomam tantos cuidados de si mesmos, Jupiter os condena.Portanto, é áurea toda a atitude isenta, para que saibamos realizar o milagre dessa entidade pública e inédita, efetivamente consagrada ao Bem Comum das gentes brasileiras.
Miro Junior , Sao Paulo-SP - Analista
Enviado em 21/2/2008 às 09:11:25
O Nassif fazendo uma autópsia na Veja e o Dines escolhe este assunto morno, é por isto que o Oi cada dia se parece mais uma edição do Gramma Cubano. Coragem Dines!
Luiz Zenda , B. Horizonte-MG - aposentado
Enviado em 20/2/2008 às 14:55:30
Quem melhor definiu a "TV Pública" foi o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR): “A contratação sem concurso vai até o fim do governo Lula. É a TV do cabidão, a TV da boquinha”. “Daqui a pouco, será a TV do bilhão. Foi criado um tributo para financiar o que consideram prioridade. Se amanhã o governo achar que é pouco, manda uma MP aumentando a tabela. Isso vai acabar no Supremo”, reclamou Paulo Bornhausen (DEM-SC).
Menjol Almeida , São Paulo-SC - Cobrador
Enviado em 20/2/2008 às 11:52:07
Agora sim, nada como a verdade!
Edmilson Carvalho , Rio de Janeiro-RJ - Advogado
Enviado em 20/2/2008 às 11:47:31
Dines, espero que a oposição não crie obstáculos à aprovação desse projeto no Senado. Talvez assim possamos vir a ter uma rede brasileira de tv pública que possa fazer uma cobertura realmente imparcial dos fatos, apresentando também uma programação de bom nível cultural e intelectual, sem sujeitar-se a interesses políticos e/ou comerciais. Gostaria de aproveitar o espaço para dizer que não achei interessante o caráter de louvação à imprensa dado na tv ao observatório de 19/02. Como disse Weber Abramo, nessa questão dos cartões discute-se nada (0,004% do orçamento federal), enquanto coisas mais graves acontecem em outros entes. Também não soou bem a utilização, no programa, do termo "farra dos cartões" (um exagero da mídia, face os casos pontuais de irregularidades comprovadas). A cobertura desinformativa da mídia até agora não divulgou em momento algum que também os gastos originados de saques "cash", embora não disponibilizados no Portal da Transparência, têm que ser objeto de prestações de contas, que são auditadas (por amostragem, como é o correto para gastos miúdos) pela CGU e pelo TCU. Na forma em que se tem apresentado os fatos, fica parecendo que qualquer servidor que porte esse cartão pode ir a um caixa eletr., sacar o dindin e fazer com ele o que bem entender, o que não é verdade, como sabe qualquer um que possua um mínimo de conhecimento de administração pública.
Moacyr Catani Jr. , São Paulo-SP - ---
Enviado em 20/2/2008 às 10:55:13
Sr. Bispo, Eu sou da Terra - pelo menos era assim que chamávamos antigamente. E o sr, de onde é? Não entendi a "indignação" a respeito do meu comentário sobre a TV Cultura. Se não for pedir muito, gostaria que o senhor apresentasse outros argumentos que não "o senhor é mesmo de que planeta? Je-sus". Que tipo de argumentação é esta? A TV Cultura é modelo pra todas as outras tvs públicas deste país e o estado de SP não tem nenhum tipo de ingerência dentro dela. A qualidade da programação é, em minha modesta opinião, superior a todas as outras tvs, sejam públicas ou privadas. Muito da minha formação eu devo a TV Cultura, por isso "vivo" esta qualidade, não apenas ouço falar.
Jose de Almeida Bispo , Itabaiana-SE - Publicitário e radialista
Enviado em 20/2/2008 às 01:32:55
Sr Catani, sobre a Fundação padre Anchieta... o senhor é mesmo de que planeta??? Je-sus! Dines, finalmente volto a concordar contigo em alguma coisa. A propósito, andei prestando atenção aos repertórios musicais atuais e é impressionante. Quase nada de novo. Teria acabado o talento renovado; ou as emissoras e gravadoras não têm mais interesse em investir em artistas ou peças novas que serão logo copiadas pelos piratas? Num cenário desse, há lugar para a empresa altamente lucrativa da indústria cultural que conhecemos no seculo XX? E a divulgação de nossa cultura será feita gratuitament por empresas de comunicação sem o devido retorno?
Menjol Almeida , São Paulo-SP - Cobrador
Enviado em 19/2/2008 às 22:08:24

Se o Dines pode escolher os temas de seu agrado, por que eu não posso? Se ele pode ser um observador tão seletivo, por que eu não posso ser um comentarista igualmente seletivo? Sempre sugiro que o Dines faça algum comentário sobre este ou aquele assunto, vocês poderiam simplesmente colocar uma "Nota do OI" assim: caro leitor, o Dines nunca lê os seus comentários, puxe o carro e vá embora... metrô linha 743...

Nota do OI: Então lá vai, a pedidos: caro leitor, o Dines nunca lê os seus comentários, puxe o carro e vá embora... metrô linha 743... (L.E.)

Moacyr Catani Jr. , São Paulo-SP - ---
Enviado em 19/2/2008 às 19:52:45
Dines, uma TV pública não precisa ser estatal. A meu ver, não só não precisa como não deveria. O financiamento desta TV poderia se dar por outros meios, que não dinheiro público e o gerenciamento desta empresa - porque antes de tudo é uma empresa - deveria seguir padrões de qualidade e excelência que, definitivamente, não existem no serviço público. Veja a TV Cultura. Não é vinculada ao estado de SP e não tem todo o seu custo provido pelo dinheiro público. Ela vende programas gravados, licencia marcas, vende espaço publicitário, tem um canal na TV paga. Ou seja, existem mecanismos para garantir uma TV de qualidade, pública e sem ser estatal. Aliás, esta TV Pública que está aí não tem nada de pública. Ela representa uma corrente de pensamento apenas; é oligárquica. Não existe a famigerada pluralidade e muito menos o debate franco de idéias. Existe a "catequese" do pensamento da Esquerda e o "combate" à Direita. A maioria acha isso quase óbvio de tão "justo", mas numa TV pública, plural e democrática todas as correntes de pensamento deveriam ter o mesmo espaço. Ou não? Acaso quem é de direita tem que se esconder de vergonha? É proibido ser de direita no Brasil?
ailton filho , natal-RN - publicitário
Enviado em 19/2/2008 às 18:15:46
Apesar de morar atualmente no nordeste, nasci no Paraná e me criei por lá até os 17 anos, ainda tenho família lá. Carpi na roça, no interior e estudei na capital. Sei da importância do trabalho que o Requião vem realizando não só para os agricultores do PR, mas do todo Brasil, quando barra a entrada dos trânsgênicos e deixa as gigantes multinacionais babando de raiva. Nunca gostei do Requião, como não gosto de nenhum político da atual cena nacional.. (talvez eu abra uma excessão para o Cristóvão Buarque, que me parece sério). Retornando, acredito que ele vem tentando se defender com as atitudes que toma. Mais, num país como o nosso, onde o boca-a-boca é a melhor propaganda, ponto pra ele tb que deixa de pagar aos donos da mídia.
Rodrigo Gonçalves , Minas Novas-MG - Agrônomo
Enviado em 19/2/2008 às 17:05:24
Falam sobre Requião; mas não comentam também a perseguição feita a ele pelos tablóides e a imprensa plutocrata em geral, construindo factóides como o caso de Paranapanema da Globo, a Míriam Leitão falando que o Paraná perde mais toneladas de grãos de soja (por serem transgênicas) do que o que se produz no mundo todo; os serviçais das empresas de pedágios que querem ser as verdadeiras governantes do estado. Esse é o problema, o cerne: nossa imprensa, que é afirmativamente Plutocrata e Demófoba, e age desonestamente em prol destes valores. Tem que se fazer valer a democratização da comunicação.
J. DUALIBI , Rio de Janeiro-RJ - Aposentado
Enviado em 19/2/2008 às 16:50:47
Espero e estou torcendo muito para que REALMENTE a nova TV BRASIL venha de FATO combater todos os tipos e formas de RACISMO e PRECONCEITO, principalmente contra a população NEGRA e a nossa Cultura para inclusão no conexto social através da nossa Cultura. A verdadeira Cultura brasileira é NEGADA e RENEGADA em todos os canais de TV, do nosso BRASIL. A CULTURA brasileira sem a Cultura NEGRA é... MEIA CULTURA. "Á VIOLÊNCIA, TAMBÉM SE COMBATE COM CULTURA"
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 19/2/2008 às 16:40:56
"tanta coisa para se fazer neste, como por exemplo melhorar as condicoes das santa casa de misericordia de todo o pais, estao criando mais um cabide de emprego": Muitissimo bem lembrado! BH tem um hospital muito pobrezinho aonde a gente ve os pobres do interior que vieram se tratar de doencas graves e que muitas vezes sao terminais; eles nao teem um tostao no bolso, muitos nao teem nem sapatos nem roupas, os parentes estao longe e eles ficam la sozinhos dia e noite sem ter ninguem, a sos com seus cobertores! De vez em quando eu e minha irma planejamos ser voluntarios de qualquer coisa... LA. Naquele hospital de BH, embora estejamos muito longe de la --patetico. Nao eh o caso de falta de dinheiro no Brasil, Ezequiel. Nunca foi. Eh falta de saber aonde ele esta. O Brasil tem dinheiro saindo pelas orelhas. O dinheiro tinha que estar la, seja pra televisao publica, seja para os hospitais, seja pra educacao. E nao esta.
eziquiel pereira , sao paulo-SP - autonomo
Enviado em 19/2/2008 às 15:46:57
tanta coisa para se fazer neste, como por exemplo melhorar as condicoes das santa casa de misericordia de todo o pais, estao criando mais um cabide de emprego. E na ilha da fantasia tem aqueles que acham que isso é ótimo. Acorda povo brasileiro.
Dirk Henning , Joinville-SC - Designer
Enviado em 19/2/2008 às 14:45:17
Muito difícil convencer alguém da utilidade de um meio de comunicação estatal. Politizar á opinião de quem é contra este desperdício de dinheiro público, confirma a politização dos objetivos. Dever-se-ia sim popularizar as concessões de rádio e TV, de modo a divulgar conteúdo mais pulverizado, hoje restrito a internet. Será que dentro em breve, os telespectadores da TV Aberta encontrarão programação que não seja política, futebol, novela e cultos? Ser pública ou privada não garante qualidade nem diversidade, somente a real concorrência a proporciona. Como a abertura das concessões parecem não fazer parte da agenda de nossos legisladores, a concorrência se dará com outra formas de comunicação. Ou seja, a TV pública já nasceu em uma época em que a própria TV está se debatendo para não morrer tão cedo. Podemos voltar debater dentro de 10 anos...
ailton filho , natal-RN - publicitario
Enviado em 19/2/2008 às 14:01:01
Muito bom artigo Dines. Ainda é sonho, mas, "pense numa TV.." como dizem por aqui, onde você escolhe o que quer ver na hora que quiser ver. Programação também não vai faltar, cada um com uma câmera por mais fulera que seja podendo gerar conteúdo. Eita, parece até propaganda... Mas eu gostaria de ver nossos barões competirem contra isso.
MenjolAlmeida , São Paulo-SP - Cobrador
Enviado em 19/2/2008 às 12:56:50

Dines, mas e a tapioca do Serra? E por falar nisso, tenho a honra de comunicar que votei em você, caro Dines, no festival do Tartufo nativo.

Nota do OI: Curiosa a obsessão deste leitor com Alberto Dines. Há tempos freqüenta o Observatório e nunca se utiliza deste espaço democrático para debater as idéias do articulista, só lhe apraz espicaçá-lo. Um bom médico talvez consiga explicar essa neura. (Luiz Egypto)

Javan de oliveira kendrick Kendrick , Maringá-PR - ferreiro
Enviado em 19/2/2008 às 12:51:24
Até no Japão , uma grande democracia tem a tv Pública , a Nhk. Aqui não querem democracia, não querem a tv que mostre as realizações dos governos. Querem fazer como sempre fizera, ajudar a criar miseráveis, sem terra, sem tudo, como fizeram ao apoiar o regime militar e posterior, isso com um custo abusivo e corrupto. Não querem dividir o lucro absurdo, querem continuar impondo sua política fracassada que fez de noso país um país de uma única rede de tv monopolizadora, impositiva de polítivcas de pivilégios a elite corupta , exclusora, cumplice, etccccccccccccccccccc.
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 19/2/2008 às 11:51:42
"Tal como o governador do Paraná, Roberto Requião, que deseja uma TV Educativa para exercitar o seu mandonismo": nao, pra ter algum tipo, qualquer tipo de protecao contra ataques coordenados da media paranaense. Mesmo assim ela vai terminar como esta, com uma mao na frente e outra atraz e sem dinheiro publico.
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