ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 475 - 9/2/2010
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STF & CÉLULAS-TRONCO
A complexidade da ciência e as limitações do tribunal

Por Ulisses Capozzoli em 5/3/2008

Exatos 200 anos depois da chegada da corte portuguesa ao Brasil – quando começamos a publicar jornais, livros e desenvolver pesquisa científica – o desafio por trás do julgamento que começa quarta-feira (5/3) em Brasília, envolvendo a Lei de Biossegurança, é uma espécie de avaliação da maturidade intelectual que conquistamos – ou não – ao longo desse período.

O resultado do julgamento que o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) fará do artigo 5º da Lei de Biossegurança (nº. 11.105/05) deverá ser conhecido ainda esta semana, Ou eventualmente adiado para data indefinida – dependendo de expedientes formais como o pedido de vista do processo – e poderá ser entendido como uma espécie de gradação numa bússola teórica. Ela indicará o ponto em que estamos no contexto da moderna sociedade do conhecimento.

Os 11 ministros que compõem o STF – apesar da pompa e circunstância com que se fazem notar – estarão desempenhando um papel além de suas capacidades intelectuais. E isso, mais uma vez – por improvável que possa parecer – tem raízes históricas que remetem ao passado, anterior à chegada da corte do príncipe regente D. João.

Quando a coroa portuguesa ainda vetava a publicação de jornais, livros e a realização de pesquisa científica no Brasil, por motivos estratégicos, os filhos da gente de posse – que não era muita – seguia para Coimbra para estudar Direito. E, para o bem e o mal, contribuíram para fazer do Brasil uma cultura discursiva. O comportamento do próprio STF, em outros momentos, é evidência dessa contingência histórica.

Os ministros do STF, por várias razões, são homens de outra época.

Foram, como outros da geração a que pertencem, intelectualmente formados num ambiente pouco arejado pela cultura científica. E agora devem tomar uma decisão que envolve profunda visão de ciência.

Dias melhores

Este é um paradoxo da época em que vivemos e sobre o que os jornais não escreveram uma única linha nas últimas semanas.

Mas os ministros não estarão isolados nessa posição difícil de traduzir as potencialidades do presente para materializar um futuro menos miserável – intelectual e materialmente – que o passado histórico. Ao menos para a grande massa de gente.

A imprensa também estará em julgamento quanto a sua capacidade de sensibilizar ou não a sociedade para uma perspectiva da ciência, inclusive os magistrados, que freqüentemente se dizem refratários a essa influência – algo impossível, na medida em que são criaturas sociais e, nesta condição, participam de uma cultura onde a mídia deixa suas marcas.

Mesmo a ciência corre o risco de ser derrotada, dependendo da decisão dos magistrados. Neste caso a ciência está representada no corpo de seus pesquisadores que nestes dois séculos de investigação, para falar apenas do Brasil, amenizaram o sofrimento humano de existir em meio a tanta ameaça à vida.

Aqui é praticamente impossível não falar de Oswaldo Cruz – e a revolta da vacina – de Carlos Chagas, de Adolpho Lutz, de Vital Brazil, de Euriclydes de Jesus Zerbini e de muitos outros, apenas entre os mortos.

Se o artigo 5º da Lei de Biossegurança for rejeitado, de muitas maneiras a continuidade do trabalho desses homens, determinados a amenizar a sorte de seus contemporâneos e das gerações futuras, estará comprometida. Não terá – por eventual falta de discernimento intelectual por parte da corte suprema – tido continuidade.

Poderíamos acrescentar José Bonifácio de Andrada e Silva, que não foi médico, mas sábio e enxergou no futuro dias melhores que na época em que viveu. Reconhecido no exterior, José Bonifácio foi expatriado do Brasil. Como Mario Schenberg, impedido de ensinar seus alunos por ser maior que o espaço em que quiseram confiná-lo.

Exceção na regra

Se o STF acatar a inconstitucionalidade do artigo 5º da Lei de Biossegurança, como pretendeu o ex-procurador geral da República, Cláudio Fonteles, estaremos todos mergulhados no que o astrônomo e divulgador de ciência Carl Sagan enxergou em sua última obra, num "mundo assombrado pelos demônios". E a ciência não será vista sequer "como uma vela no escuro", como acrescentou seu editor brasileiro.

Em compensação, se o STF repelir a pretensão de Fonteles e assegurar a integridade da Lei de Biossegurança, só estaremos um pouco mais aliviados. Porque o desafio pela frente não será simples, tanto em termos de política científica, aplicação prática para as possibilidades das células-tronco e, especialmente, reflexão sobre o papel da ciência enquanto promessa de felicidade, para tomar de empréstimo a expressão de Stendhal.

Se o plenário do STF optar pelo futuro, em lugar de um retorno impossível ao passado, nada terá terminado ou começado do início. Apenas um ciclo de desafios não terá sido paralisado pelo obscurantismo mais comprometido com a memória que com a inteligência.

Para falar francamente – e isto os jornais deixaram claro nos últimos dias – o embate em torno da Lei de Biossegurança é na essência, por desconfortável e anacrônico que possa parecer, um enfrentamento entre ciência e religião.

Não que ciência e religião sejam necessariamente antagônicos – hipótese que muitos não suportam ouvir. Mas Dalai Lama, líder religioso, é um exemplo disso. A neurogênese – produção de novos neurônios, as células nervosas do cérebro – por ação de exercícios e meditação foi, por exemplo, um tema científico que ele se preocupou em incorporar aos seus conceitos tradicionais.

Talvez o Dalai Lama seja a exceção na regra do obscurantismo que unifica as religiões. Ainda assim, basta uma exceção para que uma regra não seja absoluta.

Quem estiver interessado na interação do Dalai Lama com as descobertas da ciência pode tirar prova disso no livro Diálogos com cientistas e sábios, a busca da unidade – que no Brasil foi editado pela Cultrix.

Aqui, uma lei que foi aprovada pelo Congresso e tem apoio de mais de 90% da população enfrenta oposição da Igreja Católica. Isso demonstra apenas a evolução da sociedade e a involução da igreja.

Abertura indispensável

Perda de tempo se engalfinhar em discussões sem sentido com padres, bispos e eventualmente o papa sobre a necessidade de permissão para pesquisas indispensáveis com células-tronco. Esse é um tema de ciência, não de religião. Especialmente as células embrionárias, que podem tomar diferentes formas e permitir a regeneração de órgãos que vão de um músculo, como o coração, a uma célula nervosa, no cérebro.

A Igreja Católica se opôs, por anos a fio, aos estudos de anatomia, sob a alegação de que o corpo era território do sagrado e não deveria ser profanado. Gente minimamente informada sabe avaliar o custo desse pensamento, anacrônico já no passado medieval.

A Igreja Católica, à época da proclamação da República, alardeou que, em relação ao casamento, Deus estava "sendo substituído por um escrivão de polícia".

A Igreja Católica tem, sistemática e irresponsavelmente, se recusado a aceitar o uso de camisinhas como forma de prevenir a Aids, sob o argumento de que os jovens devem preservar a sexualidade para a reprodução. Ao mesmo tempo, desembolsa milhões de dólares mundo afora para silenciar e indenizar vítimas de violência sexual cometida por padres e bispos.

A Igreja Católica – numa discussão que vem da Antiguidade Grega – sustenta, sem nenhuma base empírica, porque se aventura num território que não pertence a ela, que a vida começa na concepção.

De onde tirou esse conceito nebuloso?

Talvez da mesma cartola com que assegurou, por séculos e séculos, que a Terra era o centro do Universo e em torno dela girava o Sol.

O assunto de quando a vida se inicia é extremamente complexo e não tem como ser abordado por dogmas. Afinal, o que é a vida? Mais de meio século depois da publicação do clássico de Erwin Schrödinger – O que é vida? – ainda não sabemos o que a vida é. E se desconhecemos a natureza da vida não temos como fixar exatamente quando ela começa.

Posição lúcida e abrangente até agora tem a geneticista Lygia Pereira, do Instituto de Biociência da USP, para quem o emprego de células-tronco, numa avaliação feita há algum tempo, é algo "suportável". Com isso ela não nega a complexidade que a discussão abriga. Mas, ao mesmo tempo, não abre mão da abertura indispensável à investigação científica.

Homens do passado

Da brigada religiosa contra a Lei de Biossegurança participam homens de prestígio, como o advogado tributarista Ives Gandra Martins, ligado ao ultra conservador Opus Dei. Gente incauta pode se impressionar com essas adesões, mas um retorno à história revela as inconsistências.

Clavius, o famoso matemático encarregado por Gregório XIII da reforma do calendário, reagiu de forma surpreendente às imagens do telescópio de Galileu. Sustentou que Galileu tinha "ilusão de óptica" ao revelar que a Lua tem acidentes que a tornam tão irregular quanto a Terra.

Para Clavius, em malabarismo argumentativo, uma matéria translúcida cobria a Lua e a deixava tão esférica quanto uma bola cósmica de bilhar. Clavius foi bom matemático, mas também foi um dos que deixou que a memória se apossasse da inteligência.

Certamente não é nenhuma façanha intelectual sustentar que o papel das células-tronco embrionárias na reconstituição de órgãos é parte da medicina do futuro. Mas, em muitos casos, pode amenizar de imediato a dura sorte de milhões de pessoas – portadores de deficiências ou vítimas de doenças como Alzheimer, Parkinson e esclerose lateral amiotrófica – se as pesquisas não forem vetadas, como pretende a postura conservadora.

As células-tronco embrionárias – eventualmente até as adultas, ou ambas, mas isso só a continuidade das pesquisas pode demonstrar – são um estágio posterior à era dos transplantes, a substituição mecânica de órgãos danificados, no longo caminho – e sem perda da humanidade – para nos tornarmos os filhos mais jovens de Matusalém.

Possivelmente homens que estarão julgando a Lei de Biossegurança – e ou os defensores de uma ordem arcaica – não tenham se dado conta disso, ou confundam essa perspectiva com cenários de ficção.

Justamente por isso é que são homens do passado. Cegos para as cenas do futuro.

 

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Comentários (89)
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Carlos Alberto  Nascimento Rocha , Salvador-BA - Contador
Enviado em 14/3/2008 às 19:56:00
Texto emotivo do articulista deixa de observar ou debater alguns aspectos científicos contrários preferindo expor seus preconceitos contra quem tem opinião oposta: É certeza que as celulas embrionárias viram qualquer tipo de célula? Falso, não há nenhuma prova, nem pela aqueles que tem pesquisas avançadas. Sabe-se que as células adultas servem para alguns casos e não para todos. Quais os outros interesses na questão? Retornar as pesquisas de Hitler para criar uma raça ideal? Criar um novo mercado com venda fetos e embriões? legalizar o aborto? Inicio da legalização da pena de morte? A discussão vai muito mais além do que se pensa. A propósito se a Igreja católica tivesse lido o livroa bíblico de Oséias/Isaias não me lembro bem, saberia que antes de Galileu álguem já dizia que a terra era redonda e estava segura por Deus ao invés de manter o pensamento de Aristoteles.
Thiago  Penha , São José do Rio Preto-SP - Estudante de Direito
Enviado em 11/3/2008 às 09:35:49
Inacreditável que publicações sérias como a presente se deixem levar apenas pela emoção de condições adversas para os doentes. Realmente é uma situação que causa consternação, porém não devemos nos esquecer que o STF tem a função de proteger nossa Carta Magna, e a mesma traz em suas primeiras linhas o direito a vida como de suma importância.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 10/3/2008 às 13:29:19
Acompanhei alguns debates neste fim de semana sobre o assunto e a conclusão a que se chega é o seguinte: a igreja não faz a menor idéia do que se trata. Está a demandar sobre o assunto por é sua mania ser do contra em relação à ciência. E os cordeirinhos, para não ir para o inferno, seguem o pastor.
Ismalia Trancoso , Brasília-DF - estudante
Enviado em 9/3/2008 às 15:46:42
Que besteira. A decisão do STF não tem nada de científico. É apenas jurídico. Ou acha que algum ministro do Supremo tem competência para discutir ciência?
Ricardo Pierri , Santos-SP - advogado
Enviado em 9/3/2008 às 15:13:51
O mérito da questão posta ao STF não é política: a validade da pesquisa, sua moralidade ou sua ética, mas legal. Os aspectos morais, éticos e mesmo a valor da pesquisa para a sociedade não importam, pois já foram discuidas e decididas no âmbito apropriado: o do legislativo. Não é simplesmente uma questão de pesar o que o Papa ou o Bandarra querem, mas de verificar se a pesquisa é compatível nosso sistema jurídico, mais especificamente com a Constituição. Mas essa não é uma questão trivial, pois passa pela determinação do momento em que o direito à vida começa a incidir. É uma decisão extremamente difícil, um "everest" jurídico. É claro que ao simplificar a questão, reduzindo-a ao aspecto da moralidade versus benefícios da pesquisa, religião versus ciência, cada um toma partido de acordo com suas crenças pessoais. Mas o STF não pode fazer isso, e se o fizer, estará negando sua própria função e instituindo uma crise de proporções - se me perdoam a brincadeira - bíblica. É bom q eles pensem bem antes de decidir o que provavelmente será a decisão mais importante que o STF já tomou nas últimas décadas, em termos jurídicos. Se pensando muito eles já fazem besteira, imagina se decidissem a toque de caixa?
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 9/3/2008 às 08:38:54
Os nossos ilustres sábios operadores do direito, os católicos pelo direito de proibir, estão com dificuldade de decidir, em nome dos menos sábios, se devem permitir os Galileus atuais continuarem as suas pesquisas pois podem estar a desvendar as coisas de Deus. Um flagrante paralelo do passado de que a lei inspirada pelo cristianismo proibia a pesquisa em cadáveres e nas afirmações de Pedro de que sexo devia ser usado apenas para reprodução, senão levaria ao inferno!
Felipe Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 8/3/2008 às 16:54:36
a pesquisa científica não é sempre comprometida com resultados práticos, as informações que disponho vem de meu cunhado, neuro-cirurgião especialista em trauma de coluna vertebral, autoridade brasileira no assunto.
Leonor Fontes , Rio de Janeiro-RJ - Secretária
Enviado em 8/3/2008 às 12:06:10
Felipe Faria, me desculpe, mas quem é você para afirmar isso? Poderia me citar por favor alguma descoberta ou experiência científica que alguém tivesse 100% de certeza de que fosse mdar certo? SE achassem que não daria resultado, nem se começaria a pesquisar não é mesmo?
Ivo A. Auerbach , Palhoça-SC - -x-
Enviado em 7/3/2008 às 23:27:13
Quando é que a igreja vai deixar de meter o “bedelho” nos assuntos que não lhe dizem respeito? Está mais do que na hora de darmos um basta nessa intromissão indevida! Se os cientistas seguissem as regras estabelecidas pela igreja através da história, ainda estaríamos na “idade da pedra”; foi graças à rebeldia e curiosidade nata de alguns “homo sapiens” que, hoje podemos usufruir de todo esse conhecimento acumulado através dos tempos. Portanto, senhores religiosos, vão cuidar de seus “rebanhos” e deixem a ciência em paz.
Fabio Passos , Curitiba-PR - Engenheiro
Enviado em 7/3/2008 às 23:15:49
Ética é questão para o macaquinho pelado. Contos fantasiosos do sobrenatural não são boa base para tomada de decisão. Evidente que as pesquisas e uso das células-tronco embrionárias devem ser mantidas.
Felipe Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 7/3/2008 às 22:14:49
Os resultados vão demorar, com CTE ou não embrionárias. Os cadeirantes estão sendo iludidos com falsas promessas. Não custa lembrar que em outras partes do mundo essas pesquisas já estão sendo realizadas há muito tempo, e se fossem a panaceia que alegam, já teríamos notícia dos resultados. O problema é que, uma vez obtido o sucesso, estaríamos aptos a fabricar Frankesteins. A decisão não poode ficar na mão de biólogos e de médicos ávidos por aventuras no corpo humano.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 7/3/2008 às 16:57:19
As pessoas que pedem plebiscito, obviamente, tem também seus interesses neste caso, pois seguem o raciocínio (?) do Ministro Direito: protelação e protelação até que se esqueçam o processo. Enquanto está "quente" na mídia e na opinião pública, há o risco de a ignara massa religiosa ter seus preceitos derrubados, ou afrontados. Quanto à manifestação do norueguês, acerca de uma suposta "valoriazação" das pesquisas, isso é de uma tamanha estultícia à inteligência, que não cabe comentários. Não há que se perder tempo com isto.
Paulo Valadão , Brasília-DF - Técnico Ambiental
Enviado em 7/3/2008 às 16:13:33
Plebiscito? Infelizmente a plebe é ignara sim. Plebiscito nesse caso não seria democracia, mas sim democratismo. Quem sabe não faríamos um plebiscito para decidir se a Terra é redonda ou se ela realmente gira em torno do sol? E antes que digam bobagens que é por medo do resultado, segundo pesquisas, 75% da população é favorável à pesquisa com embriões.
Arno Esquivel , Belo Horizonte-MG - Professor
Enviado em 7/3/2008 às 13:24:15
Concordo plenamente com o arqueólogo Roberto, que colocou dois pingos nos ís: primeiro, o lado obscuro desta discussão tem por nome bufunfa; segundo, se é tão polêmico o imbroglio, por que não o plebiscito? No primeiro caso, o problema não está apenas no montante dos recursos disponíveis, mas na absoluta necessidade de resultados imediatos desta biotecnologia para justificar e, principalmente, garantir novos e maiores investimentos (bem, o que pode resultar dessa “corrida’ pode não ter nada a ver com os argumentos “científicos’ tão maquiados de ponderação dos cientistas favoráveis à manipulação das CTE, manifestados agora). O segundo problema é mais cáustico às ideologias de esgoto e, neste caso, um plebiscito seria o esconjuro dos vendilhões do templo, algo quase tão incandescente na epiderme dessa turba quanto a simbologia do crucifixo presente na sala do STF.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 7/3/2008 às 13:14:24
É verdade, seu Felipe Faria, nós temos urgência. Converse com um cadeirante, com alguém que sofra de esclerose múltipla e veja nos seus olhos o tamanho de sua urgência. Obviamente que as pessoas que ficam confortavelmente em suas poltronas vendo TV a cabo não sabem o quanto ronca a barriga. Agora, "angariar verbas para seu próprio proveito", é hilário. Na sua concepção, toda esta celeuma se resume a meia dúzia de cientistas querendo comprar uma ferrarizinha? Tenha dó! Demonstra o quanto o sr. desconhece do assunto. Não tem problema, a ciência não é vingativa.
Roberto Ribeiro , Aracaju-SE - Arqueólogo
Enviado em 7/3/2008 às 11:26:11
Poucos órgãos de imprensa, eu não vi nenhum, exceto a TVE, levantou a questão econômica e os interesses envolvidos. Não me parece que tudo isso seja apenas por ciência ou religião. Há caroço nesse angu e talvez dos dois lados. Eu pergunto novamente: porque numa questão dessas, que causa tamanho clamor público, que mexe tanto com nossa cultura e nossas concepções, não se convoca um plebiscito? A plebe é ignara? Indigna?
Ricardo Pierri , Santos-SP - advogado
Enviado em 7/3/2008 às 11:03:48
Carlos, a questão é evidentemente jurídica ou não estaria no STF, que não trata de ética científica nem de moralidade. E a questão é constitucional. Não entendo sua surpresa. A decisão não deve ser tomada pq os cientistas acham que deve, nem pq a religião diz o contrário, mas sim em razão do que diz a constituição. A opinião dos cientistas e dos religiosos já foi levada em consideração qdo a lei foi editada (ou seja, politicamente), e não cabe ao STF analisá-las ou tomar decisões baseados nelas, pois essa é a função do legislativo, mas apenas e tão somente verificar se a lei é constitucional ou não. Como já coloquei, não confio no SF para tomar decisões puramente jurídicas, pois muitos dos ministros acreditam ser o tribunal político, mas a esperança é a última que morre.
Ricardo Pierri , Santos-SP - advogado
Enviado em 7/3/2008 às 10:54:19
Xará, entendo sua posição. Eu só queria dar uma idéia da qualidade - ou falta dela - das decisões do STF. Vc tem toda a razão, tudo pode acontecer. Eu estou apostando em uma decisão favorável à pesquisa, mas não unânime, mas admito não ter nenhuma razão lógica para isso - é apenas sentimento. O bom mesmo é que o caso está provocando uma discussão diferente do habitual. Aliás, é bom que se diga, que existe hj uma técnica para transformar células epiteliais em células tronco plenipotentes, e o uso das embrionárias será mais para validar a qualidade dessas células "artificiais", reduzindo consideravelmente o uso daquelas, o que pode ser mais um argumento a favor da pesquisa. O próprio "criador" da Dolly chegou a afirmar que diante desse fato, a clonagem está obsoleta (a informação está na revista scientific american Brasil do mês passado)
Charles  Schaefer , Blumenau-SC - Engº Civil
Enviado em 7/3/2008 às 10:37:46
Como pode alguém dizer que não se trata de questão "Ciêntífica" ou "Religiosa" mas sim de uma questão "Jurídica" a aprovação das pesquisas de célula tronco embrionária??? Existe neste debate profissonais que trabalham no meio jurídico "a favor dessas pesquisas, ou seja, a favor das questões "Ciêntíficas". SE é uma questão "jurídica", então eu sou a favor da Constituição, da LEI!!!
Felipe Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 7/3/2008 às 10:35:32
Sr. Alexandre biólogo, seus argumentos reforçam a tese de que a ciência deve estar subordinada à moral e à ética. O problema dos que "fedem a laboratório" (palavras suas) tam a causa de sua urgência não o afã de salvar a humanidade, mas a necessidade, muitas vezes legítima, outras vezes não, de angariar verbas para seu próprio proveito. Salvadores da humanidade devem ser colocados de quarentena até que sua sanidade mental e a honestidade de seus propósitos fiquem claros, sem pressa. Afinal, a histeria, no seu caso confessa, não é boa conselheira. (Só imagine se todos os remédios já inventados estivessem sendo vendidos. De cada cem pesquisas, uma dá certo. O resto produz medicações poderosas, mas que só fazem mal a saude) Cientistas devem trabalhar sob constante vigilância da sociedade.
Carlos Alberto Mascarenhas , Curitiba-PR - Engenheiro de Produção
Enviado em 7/3/2008 às 10:31:30
Será mesmo Charles Schaefer? Já dizia Montesquieu: "Nenhum reino conheceu tantas guerras civis quanto o reino de Cristo". Veja o caso da "catolicíssima" América Latina: mergulhada em guerras, criminalidade e corrupção. Felizmente pessoas como você são minoria e não tem poder de decisão sobre pesquisas científicas. Quanto aos tais "refreios conservadores" isso não passa de coisa de recalcado. "O maior desastre da humanidade foi o seqüestro da moralidade pela religião", nos ensinou Arthur C. Clarke.
Charles  Schaefer , Blumenau-SC - Engº Civil
Enviado em 7/3/2008 às 09:42:29
Maravilhosas são as palavras de Valdemir COLLA de JOINVILLE-SC. Assino embaixo. A autorização da pesquiza de células tronco embrionárias é passo para a aprovação da regularização do aborto tbém. Assim como a medicina "é incondicional a favor da vida", assim são tbém os princípios cristãos. Sendo que em países cristãos é que existe uma melhor qualidade de vida, pois mantém refreios conservadores e limites até onde o homem pode chegar com as suas mirabolantes idéias. Assim obtém crédito para preservar as gerações futuras. Não queremos a nossa sociedade repletas de pessoas mutantes que foram fruto de experiências irresponsáveis dos cientistas, porque desejam ampliar os anos de vida do ser humano, e trazer prejuizo para a população, sem ao menos levantar um planejamento do que isto pode ocorrer futuramente.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 7/3/2008 às 09:23:04
Sr. Ricardo Pierri, o assunto suscita tomadas de posição e no afã de discutí-las nos vemos banhados por adrenalina, não dando tempo para observar o número de comentários ainda por baixar. O Observatório da Imprensa poderia resolver isso baixando em tempo real o que é disposto e depois, como se faz na maioria dos blogs por aí, deletar aquilo que não procede. O tempo perdido entre a leitura dos textos e a supressão de termos "não polidos" possibilita tais situações.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 7/3/2008 às 09:06:01
Sr. estudante Felipe Faria, o histérico aqui afirma que as pesquisas científicas não são garantia de sucesso, em momento algum. Quem conhece os procedimentos científicos, a elaboraçao de artigos, os príncípios da legislação e da bioética sabe o quanto há necessidade de testar,a todo momento, a falibilidade dos processos científicos. Quem fede a laboratório sabe que não se está oferecendo o "santo graal" para os cadeirantes, mas dispondo-lhes uma oportunidade, uma esperança, que poderá ser solapada pela investidura religiosa torpe e vil nesta matéria. A mesma ciência que o sr. não conhece é aquela que, ao mesmo tempo que inventou a bomba atômica, possibilita que a radioatividade ali disponível bombardei células cancerosas. O que seriam dos cardíacos se alguém não se dispusesse a elaborar os transplantes de coração, tão veementemente discutido à época e hoje uma banalidade? Sou histérico sim, na medida em que percebo que opiniões como a sua são capazes de limitar a esperança para alguns necessitados. Vá conhecer para que sirva um tubo de ensaio primeiro e depois venha nos brindar com seu conhecimento.
José Macedo Lopes , São Paulo-SP - Biólogo
Enviado em 7/3/2008 às 08:05:53
Sr. Waldemir Colla, o sr, é cientista e corretor de seguros nas horas vagas? Com que autoridade o Sr. afirma tais bobagens?
Ricardo Camargo , Porto Alegre-RS - advogado
Enviado em 7/3/2008 às 07:51:01
Caro Dr. Pierri, mais não fiz que contextualizar o resultado do julgamento da ação direta proposta contra a EC 41 na jurisprudência do STF acerca dos temas que foram debatidos, sem tomar posição quanto a ser bom ou mau o resultado do julgamento sob o ponto de vista ético. O apego do STF aos precedentes por ele firmados na definição do sentido da Constituição Federal é que explica, por exemplo, as decisões que o Min. Moreira Alves, ex-PGR do Governo Medici, proferiu em favor do Governo petista do RS em sede de ação direta de inconstitucionalidade em mais de sessenta casos. No caso das células-tronco, está a se formar um "leading case" - é a primeira vez que a Corte se pronuncia sobre o tema e, pois, tudo, rigorosamente tudo, pode acontecer -.
Ricardo Pierri , Santos-SP - advogado
Enviado em 6/3/2008 às 21:36:45
Alexandre, desculpe por me apressar. Escrevi o último comentário sem ter lido seu comentário posterior. O formato desse espaço de comentários, removendo da vista os comentários anteriores, atrapalha muito. Isso sem contar a minha pressa. hehehehe
Ricardo Pierri , Santos-SP - advogado
Enviado em 6/3/2008 às 21:34:50
Alexandre, se é isso q o sr. considera "fundamentalismo religioso", onde foi em meu texto que defendi a manobra? Ou a mencionei, ao menos? Não entendo a razão de sua revolta e de suas acusações em relação a mim. Parece-me gratuita, principalmente em face de minhas críticas ao SFT, minha falta de confiança naquele Tribunal e a minha opção por esperar q algo aconteça para só então, conhecendo os fatos, analisá-los.
Felipe Faria , Rio de Janeiro-RJ - estudante
Enviado em 6/3/2008 às 19:33:36
Cumpre-me avisar aos mais histéricos que a pesquisa com células-tronco, se promissora, ainda não anunciou, ou deu prazo, para os cairantes sairem deambulando. Há expectativas demais, e como se sabe, pode dar tudo errado. Meu cunhado é neurocirurgião especialista no ramo, uma autoridade brasileira em doenças da coluna vertebral.
Valdemir  COLLA , JOINVILLE-SC - corretor de Seguros
Enviado em 6/3/2008 às 16:05:33
Eis o que diz este artigo do senhor Rodolfo Acatauassu Nunes (Professor do Departamento de Cirurgia Geral da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ Mestre e Doutor em Cirurgia Geral – Setor Torácico – UFRJ) A Medicina e Incondicional Defensora da Vida. Matar um embrião elimina uma nova vida humana justamente aproveitando-se de seu período de maior fragilidade. Este e o ponto central. As outras discussões serão sempre secundárias na medida em que todos os outros direitos, inclusive o de propor mudanças na legislação, dependem daquele mais fundamental. que é o direito à vida. Por isso sabiamente a nossa Constituição o privilegia. A defesa da vida terá sempre a Medicina como uma incondicional aliada. Esta posição é tão forte que o médico ao formar-se faz um juramento de defender a vida humana desde a concepção. Por toda a sua vida, observar este preceito será uma exigência, já que o Código de Ética Médica não tem complacência com aqueles que usam da Medicina para a tortura ou a eliminação do ser humano. O aborto do embrião, por outro lado, é a absoluta negação da essência da prática médica. Não poderá, por exemplo, entrar um médico em uma sala de operações para uma delicada correção intra-uterina de uma meningomielocele fetal, lançando mão dos últimos avanços tecnológicos para conseguir, sem dano para a mãe e para o feto, uma diminuição de possibilidade
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 6/3/2008 às 15:11:53
Desculpe-me, Sr. Ricardo Pierri, no momento da minha resposta não havia lido essa sua 2a. intervenção e acredito agora ter obtido seu posicionamento.
Luiz Puton , Caxias do Sul-RS - Técnico
Enviado em 6/3/2008 às 14:18:21
No seu livro "uma ética para o novo milênio", O Dalai Lama diz que "o homem não precisa de religião para ter espiritualidade e se não tiver, basta que seja uma pessoa boa". Apenas por 14 reais.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 6/3/2008 às 14:11:39
Pois é, Sr. Ricardo Pierri, se não é fundamentalismo jurídico um juiz pedir vistas a um processo, como se dele não anteriormente conhecesse, e deixar milhares de cadeirantes que poderiam (poderiam!) ter suas mazelas resolvidas, ou ao menos, encaminhadas, e se disto o sr. não entende, eu, de minha parte recomendo aos meus colegas: continuem as pesquisas e deixem tais postulantes e postulados à merce do obscurantismo. Eu, que prezo pela vida, pela minha formação, dou uma banana para estes "preceitos jurídicos". O Brasil está marcando passo pela atitude hipócrita e pelo primitivismo de meia dúzia de papa-hóstias e de um juiz que não tem coragem de peitar tais [ ] religiosas.
Ricardo Pierri , Santos-SP - advogado
Enviado em 6/3/2008 às 12:58:31
Caro Xará, em relação à EC 41/03, tive a oportunidade de acompanhar o julgamento, e vi pelo menos três argumentos distintos para justificar a decisão. O q o sr.mencionou (q para mim é absurdo, em razão do poder constituinte ser derivado, e não originário) e dois ainda mais absurdos: um dos ministros distinguiu entre dois tipos de direitos adquiridos - os "comuns" e os "de ordem constitucional" -, uma distinção que a constituição não faz. Assim, criaram uma nova regra e estabeleceram q as emendas podem afetar os primeiros mas não os segundos, ao contrário do que prescreve a constituição; e outro justificou a decisão argumentando, em essência, q ele achava q os servidores ativos e inativos ganhavam demais - puro arbítrio. Tendo em vista q servidores inativos tiveram suas pensões reduzidas - muitos a menos da metade -, apesar de terem contribuído com o INSS pelo valor total de seus salários por décadas - contribuições essas q não foram ressarcidas -, e ainda se viram origadas a contribuir novamente, o q o STF fez foi legitimar o q só pode ser chamado de roubo. Essas pessoas foram tratadas como criminosos apesar de suas pensões serem perfeitamente legais e legítimas. E o SFT torceu a lei para legitimar esse abuso. E como funcionário público é sempre o "vilão" de todas as histórias, dançaram feio.
Ricardo Pierri , Santos-SP - advogado
Enviado em 6/3/2008 às 12:25:56
Caro Alexandre, não entendi a sua objeção sobre o q escrevi. "Fundamentalismo jurídico"? Em relação ao seu conceito de leis, lamento, mas está equivocado. As leis existem para regular as relações sociais, e não apenas as demandas. Isso inclui garantir a ordem em grupos específicos, se é q entendi corretamente o q o sr. quis dizer com isso. Outrossim, como eu disse, sou a favor da pesquisa. Apenas entendo que a questão não é de ética científica ou de moral religiosa. Certamente o sr. não está propondo que se deixe a lei de lado por haver um consenso científico, ou em face dos benefícios. Se houver empecilho jurídico, que se mude a lei. Quebrá-la não é uma opção (apesar do STF já ter feito isso). A ciência não é fundamentalista. Alguns indivíduos o são - aqueles que tomam a ciência como verdade absoluta e aqueles que alegam ser científica a afirmação de q Deus não existe. Certamente o sr. compreende a diferença, e entende q a ciência não pode atestar a existência ou não de Deus, certo? Finalmente, me reservo o direito de analisar se a decisão do STF é certa ou errada depois q ela for proferida e eu puder ler as razões. Caso a lei seja ignorada em favor do argumento científico, ou a ela seja dada uma interpretação religiosa, o retrocesso existirá. O problema não está no resultado, mas em como se chega a ele.
Felipe faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 6/3/2008 às 11:59:49
A ciência é uma ferramenta muito importante, tanto no que traz de benefícios como no que traz de prejuizos para a humanidade. Sempre convém lembrar o esteriótipo do cientista louco ou do político louco que escraviza cientistas "mais ou menos alienados". Assim, ela deverá ser sempre subordinada à ética e a moral. Não custa lembrar que o dominio desta tecnologia poderá no futuro dar lugar a bancos de órgãos pré-fabricados, isto é uma pessoa cria um clone de si mesma que fica vegetando a espera da oportunidade de servir de estepe em caso de falha parcial do original. Hipótese bem tenebrosa, pois os mais abastados poderiam criar viveiros semi-humanos com este propósito.
Rodolfo Bludo , São Paulo-SP - Consultor
Enviado em 6/3/2008 às 09:53:19
Concordo com a Maria das Graças. Muito bom e importantissímo este tipo de debate. Mas ouso discordar de Marcelo H. quando ele diz estar tudo bem para todos, eu acho que ele deveria considerar os sentimentos das pessoas envolvidas no embate.
Ricardo Camargo , Porto Alegre-RS - advogado
Enviado em 6/3/2008 às 09:38:51
Dr. Pierri, concordo com a sua exposição, embora o exemplo de que se tenha servido não me pareça, com o devido respeito, muito feliz. A decisão do STF no caso da EC 41/03 não fora inédita, pois já em 1985 o Pleno daquele Tribunal, examinando matéria referente a vantagens da magistrtura dissera que a garantia constitucional do direito adquirido tinha força contra leis infraconstitucionais mas não contra emendas à Constituição (relator o Min. Moreira Alves). Ainda mais se considerarmos que a imunidade à exação previdenciária para aposentados e pensionistas nascera da EC 20/98. Não critico o STF quando ele aplica, rigorosamente, a tese que ele definiu no "leading case", Creio que as críticas que se podem fazer são postas no momento em que ele estabelece o "leading case", como o foi, por exemplo, no julgamento em que se entendeu que precisava de lei complementar para dizer o que significava a palavra "doze" no § 3º do art. 192 da CF, extirpado pela EC 40/03 ou quando se entendeu que o legislador ordinário poderia equiparar ao depositário devedor que não o fosse, para lhe possibilitar a prisão, contornando a proibição de prisão por dívidas, no caso de alienação fiduciária. De qualquer sorte, a CF é o que o STF diz que ela é, porque só ele pode dar interpretação com caráter normativo (cf. o capítulo 8º da Teoria pura, de Kelsen).
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 6/3/2008 às 08:18:59
Sr. advogado Ricardo, o sr. atesta e "pune" os fundamentalismos na religião e na ciência (ainda que neste último freqüentemente a sua falibilidade é testada), mas defende ardorosamente o fundamentalismo jurídico. Não entendi. As leis, ao que me consta, são regras ditadas para regulamentar as demandas numa sociedade, e não para garantir a ordem a um grupo específico. Apenas os católicos, baseados em seu fundamentalismo, postam-se contrários a esta iniciativa da sociedade, portanto, não podem decidir os passos dados pela humanidade no sentido a possibilitar-lhe conforto. Aliás, apenas aqueles que nunca freqüentaram um laboratório ou estudaram os procedimentos científicos opinam que a ciência é fundamentalista. E se o fizeram não entenderam nada. Se a justiça tomar uma decisão no sentido de rever a Lei de Biossegurança estará encaminhando um retrocesso a toda uma sociedade, o que, acredito eu, não é o papel dos legisladores.
Ricardo Pierri , Santos-SP - advogado
Enviado em 6/3/2008 às 02:03:54
Sou a favor da pesquisa com células troncos, mas reconheço que a questão não é científica ou religiosa, mas jurídica. Não importa se a ciência é maravilhosa, ou a religião, divina. Pra mim, o que importa nesse assunto é a constituição - a mesma que foi violada pelo mesmo STF ao julgar a EC 41/03, admitindo uma inconstitucionalidade inédita em nossa história. Por esse motivo, não tenho muitas esperanças que o STF aja corretamente. Quanto ao aspecto do início da vida, me parece que os que admitem que ela se dá na concepção se baseiam no fato do ovo ser uma célula com DNA distinto do da mãe e, portanto, um ser diferente dela. Neste caso, argumento o seguinte: imagine um coração transplantado, por exemplo. É ele um ser diferente da pessoa na qual ele foi inserido? Ou faz parte dela? A resposta, a meu ver, é simples: por não ser um ser completo, mas apenas uma parte, não podemos considerá-lo como uma vida diferente. Assim, a questão passa a ser quando um ser vivo completo se forma. Considerando que "ser humano" é um subconjunto de "ser vivo completo", a questão pode ser ainda mais complexa. Outros argumentos podem optar pela viabilidade como critério, ou mesmo o próprio nascimento, a independência fisiológica da mãe. O argumento do DNA me parece ser lógica circular para justificar a conclusão religiosa mas, independemente disso, é o pior de todos.
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 6/3/2008 às 01:25:55
Ninguem acha nada de mais que em menos de 6 semanas apareceram na media casos de DOIS juizes, um do supremo, outra da juiza que condenou Gloria Reis, admitindo que chegaram aa sua decisao antes de lerem os respectivos processos? Isso eh normal no Brasil, neh?
maria das graças ribeiro , guarulhos-SP - professor
Enviado em 5/3/2008 às 23:22:16
a explicação sobre as células tronco e sobre o magistrado como fala o texto dando uma aula de historia ; é muito importante para quem ler, mas por favor , não coloque religião como impecilho, defender a vida é um dever de qq cidadão. um erro não justifica outro,portanto expõe suas idéias sem criticar e sem manipular, assim será verdadeiro.
Ricardo Camargo , Porto Alegre-RS - advogado
Enviado em 5/3/2008 às 22:12:08
Indo ao sítio do STF, pude constatar que, realmente, se o debate na Corte fosse envolver aspectos religiosos, estariam os Mins. Carlos Ayres de Britto e Carlos Menezes Direito disputando a respeito de quem é melhor católico (ambos o são). E o Min. Carlos Ayres Britto votou pela constitucionalidade da previsão normativa concernente à pesquisa em células-tronco, no que foi acompanhado pela Min. Ellen. O Min. Celso de Mello, praticamente, adiantou seu entendimento no sentido da constitucionaldiade do dispositivo impugnado. O voto já está disponível no sítio do STF, e lá ,com efeito, não se vê a questão sob o enfoque "abaixo a religião, viva a ciência" ou vice-versa.
gutemberg souza Morais morais , belo horizonte-MG - empresário
Enviado em 5/3/2008 às 22:08:47
Antes de tudo e prescisolevar em conta que tais embriões não estão conectados a uma placenta,muito menos ligados a um útero materno´.Então como considerados vivos como alegam os contrários a tal lei? como disse Jesus:"conhecereis a verdade e ela vos libertará"
Otávio Santos , Sobral-CE - Psicólogo
Enviado em 5/3/2008 às 21:40:58
Por outro lado. O que não podemos fazer? Do que se não é capaz? Só não é possível viver para sempre...mas quanto ao resto...??? Tudo que temos, usamos, comemos, brincamos, onde nos abrigamos ou trabalhamos hoje em dia, guarda elação ou orígem com algum conhecimento científico adquirido pelo ser humano. Inclusive o computador e a internet que os incautos usam para renegá-la. Que paradoxo.
Ricardo Camargo , Porto Alegre-RS - advogado
Enviado em 5/3/2008 às 21:10:27
Ao engenheiro Marcelo Thompson: imparcial não quer dizer desprovido de posições sobre qualquer dos temas. O que eu disse foi que o parÂmetro para a decisão é a Constituição. Ou seja, o STF não julga, nem pode julgar, se a lei é boa ou não é, se está de acordo com a religião ou a ciência: ele define o sentido da Constituição, dentre os vários sentidos possíveis, e, a partir de tal definição, declara a constitucionalidade ou inconstitucionalidade. Sujeito, inclusive, a erros, mas com o poder de, juridicamente, "errar por último", como os próprios Ministros costumam dizer.
Pedro Meira , Fortaleza-CE - Funcionário Público
Enviado em 5/3/2008 às 20:52:02
Talvez as religiões, todas elas, tenham ao menos o mérito de reconhecer as limitações do gênero humano, que o ser humano não pode tudo, porque não tem capacidade para tanto.
Pedro Meira , Fortaleza-CE - Funcionário Público
Enviado em 5/3/2008 às 20:48:03
O que estragou mesmo o artigo do Capozzoli, mais do que o maniqueísmo, foi essa história de "novos filhos de Matusalém", o que levou o assunto para o delírio. Nenhum cientista sério acredita em uma vida terrena imortal, ou de duração arquissecular. Isso parece fantasia de jornalistas, como o Diogo Mainardi, que se arrogou o direito de viver para sempre. Francamente, viver para sempre junto com gente como Diogo Mainardi não vale a pena.
Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - Jornalista
Enviado em 5/3/2008 às 20:38:50
E a vista foi pedida; o problema, adiado. É ruim nossa gradação na bússola teórica. Estamos mal no contexto da moderna sociedade do conhecimento. Um amigo meu, ao saber do adiamento, pensou em ingressar com mandado de segurança requerendo o implante imediato de todos os embriões. "Eles têm direito à vida digna e em sua plenitude".
Arno Esquivel , Belo Horizonte-MG - Professor
Enviado em 5/3/2008 às 20:29:11
(Yamedhim é o meu sufi, para as metáforas contra as idioletices praticadas aqui no OI) Yamedhim é o sufi das alterosas, sempre rodeado pelos seus discípulos. Certa feita, passando por um mercado, eles viram um homem gritando contra a religião e o Islã. Incontidos, os discípulos do sufi o agarraram e o trouxeram à presença do sufi para que fosse castigado. Entretanto, o sufi mandou que o soltassem. Assim que se viu livre, o homem enfurnou-se e sumiu no meio da multidão. Um discípulo interpelou o sufi: - Por que o mandastes soltar, mullah, se o ímpio blasfemava contra Allah? Ao que o sufi respondeu: - Se ele não acredita em Allah, por que vós deveríeis acreditar no que ele diz?
Lucas Artur , Paiva-MG - Estagiario
Enviado em 5/3/2008 às 20:24:12
O que fica evidente é o quanto as pessoas estão interessadas, no assunto ja que este assunto pode levar as ciências de saúde, à sua maior evolução de todos os tempos. Se a magnitude dessa pesquisa é considerada tão importante, não vejo razão para uma instituição, como a Igreja Católica queira intervir por pura tradição ditatória, talvez eles não pensem que estas pesquisas podem vir à salvar a vida de um futuro PAPA.
christian camilo , campinas-SP - musico
Enviado em 5/3/2008 às 20:21:35
que artigo lindo!! bom.. é só isso que tenho para comentar.
Jean Paul Luckas , São Paulo-SP - Professor
Enviado em 5/3/2008 às 20:01:47
Como sempre excelente Ulisses Capozzoli. Temos que ser mais firmes e combativos contra quem comete esse verdadeiro crime que é tentar impedir o avanço científico. É patético ver figuras escudadas em religião fazendo a defesa pública do atraso e da ignorância. Mas a história mostrou, felizmente, que sempre foram derrotados pela verdade.
nilton bergamini , bauru-SP - micro-empresário
Enviado em 5/3/2008 às 18:44:52
Parabens pelo artigo, Ulisses. Quanto ao fervoroso católico, campeão em comentários repetitivos, tenho algo a contradizer: É muito interessante quando o santíssimo papa (que atualmente não serve de nada e na verdade nunca prestou para nada a não ser para fazer politicagem e arrecadar fundos para a máfia católica) defende seu ponto de vista praticamente obrigando e metendo o bedelho em uma nação. É um absurdo representantes religiosos sequer pronunciarem comentários sobre o estado. Afinal de contas o estado não obriga os católicos a usarem camisinha, não obriga os religiosos a serem cobaias de células tronco. Ou seja eles adoram meter o nariz alienado onde não são chamados quando deveriam tirar os padres e bispos devassos para melhorar alguma coisa no mundo.
Ronaldo Rubens Martins , Lorena-SP - Estudante estagiário
Enviado em 5/3/2008 às 18:28:12
Não vou comentar,não da para entender o texto ao lado melhorem!!!!!!! somente na segunda tentativa.
Pedro Meira , Fortaleza-CE - Funcionário Público
Enviado em 5/3/2008 às 17:03:03
Complementando uma frase truncada: Hitler, Stalin e Leopoldo II mataram MAIS em um tempo relativamente curto, do que a inquisição, nos sécs. em que agiu no mundo todo. Qto. às atrocidades nazistas, não são culpa exclusiva de nenhuma religião: foram cometidas por católicos, protestantes e ateus. E também houve católicos, protestantes e ateus que a elas se opuseram.
Pedro Meira , Fortaleza-CE - Funcionário Público
Enviado em 5/3/2008 às 16:06:00
Qto. à eugenia, bem sei que não foi inventada pelos nazistas, mas sim na Inglaterra por Francis Galton, no séc. XIX. Foi praticada nos EUA, na França, na Suécia, na Suíça, e em outros países, antes, durante e depois da II Guerra Mundial, com esterilizações forçadas de "doentes" e "indesejáveis". No que se refere a atrocidades, é óbvio que Stalin, Hitler e o rei Leopoldo II no Congo mataram em um tempo relativamente curto do que a inquisição em séculos inteiros. Não vou questionar a crueldade da inquisição, mas achar que os lagers nazi-stalinistas eram melhores, aí já é absurdo. Só o preconceito leva a pensar o contrário, como também ser benevolente com a Coréia do Norte, uma imensa prisão com uma economia falida e um povo faminto, tiranizado por seu ditador. Não seria capaz de achar que a SS ou a Smersh era melhor só porque não usava batina. Por fim, é bom lembrar que as atrocidades nazistas foram praticadas por gente saída do catolicismo, do protestantismo e do ateísmo, estatísticas mostram que o ateísmo na SS chegava a 70%. E houve católicos, protestantes e ateus que se opuseram ao nazismo.
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 5/3/2008 às 15:58:42
"Não é à toa que certos "cientistas" já pensam em trtomar as experiências do Dr. Joseph Megele": concordo, a culpa eh do Ulisses, mas voce pode nos informar quen sao esses "cientistas", com nomes e paises, por favor? Eh que eu nao li o jornal hoje.
Fernando Almeida , C. Lange-SP - Professor
Enviado em 5/3/2008 às 15:48:28
Parece que para o articulista Ulisses Capozzoli, quem não concorda com ele, é obscuro! Só ele sabe das coisas! Que Bagunça? Ele sofisma feio em não separar "células-tronco embrionárias" das demais "células-tronco" que a natureza nos dotou! Não é à toa que certos "cientistas" já pensam em trtomar as experiências do Dr. Joseph Megele. E que argumento é esse a respeito de Clavius, Idade Média? Estamos no século XXI e sujeitos a cometer erros maiores do que esses citados! Só faltou ele culpar o Padre Anchieta pelas enchentes de São Paulo!
Pedro Meira , Fortaleza-CE - Funcionário Público
Enviado em 5/3/2008 às 15:44:08
Eu entendo que um espermatozóide não é um ser humano. é uma célula reprodutora com 23 cromossomos, metade do necessário para formar um ser humano. Entendo que a vida humana começa no momento da concepção, pois caso contrário teríamos um "homo-sapiens" não humano, o que seria uma coisa estranha.
Pedro Meira , Fortaleza-CE - Funcionário Público
Enviado em 5/3/2008 às 15:38:56
Os tratamentos também podem ser feitos com células tronco adultas. Elas podem ser induzidas a mutações para esse fim. Até hoje, não tem sido alcançados resultatos satisfatórios com células embrionárias, o que há é uma expectativa nesse sentido, que pode se concretizar ou não.
Marcelo Thompson , Niterói-RJ - Engenheiro
Enviado em 5/3/2008 às 15:34:23
Legalmente, a grande questão é a origem da vida, pois a CF garante o seu direito. Porém, este momento é nebuloso, como Ulisses destacou. Espero que realmente não vetem a pesquisa já nesse estágio. PS: nosso colega advogado (do primeiro post) pensa que os ministros do supremo são imparciais... bem, somos todos humanos e todos carregamos nossas convicções e crenças. Não é porque estamos em uma sala diferente ou com uma indumentária específica que deixamos isso de lado.
Dariel Rabello , Rio de Janeiro-RJ - Analista de Sistemas
Enviado em 5/3/2008 às 15:11:38
Não é necessário ser um cientista para imaginar os benefícios que a pesquisa em biotecnologia pode trazer para a humanidade, basta ter um pouco de bom-senso. Em última instância acho que este não é um embate entre ciência e religião, é sim um embate entre sabedoria e ignorância, inteligência e burrice.
Roberto Ribeiro , Aracaju-SE - Arqueólogo
Enviado em 5/3/2008 às 14:36:56
O cerne da questão é a questão jurídica e política. Nem podemos ficar presos a um conceito positivista de ciência: "A deusa Ciência acima de tudo", e nem com os dogmas religiosos. Afinal, não existe diferença entre um fundamentalista científico e um fundamentalista religioso. Quero dizer tb que o Islã aprova o aborto e a pesquisa com células tronco. Isso é conseqüência de eles considerarem o indivíduo como dono do seu corpo. Daí a infibulação. Se a mulher pode abortar, pode também ser mutilada para se tornar mais "limpa e aceitável" para o homem. Aceita tb a castração pelos mesmos motivos, etc. A autora cita a Revolta da Vacina. Ora, sabemos todos que a vacinação foi trazida para o Brasil em 1804, exatamente 100 anos antes da célebre revolta contra Oswaldo Cruz em 1904. O que aconteceu então? Que os políticos e os cientistas não quiseram ouvir a população e "em nome da ciência e da vida" obrigaram todos aqueles "bugres ignorantes" a se vacinarem. E hoje eu vejo o mesmo acontecer com esse assunto e com o aborto. Eu gostaria que fosse convocado um plebiscito para que o povo desse sua opinião sobre algo tão importante. "Ah, mas o povo é ignorante, tem de ser guiado por nós sábios teólogos, cientistas, juristas"... Em todos os paises civilizados se fazem plebiscitos sobre estas questões que transcendem a ciência e a religião, que afetam o sentimento nacional.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 5/3/2008 às 14:21:36
Na verdade, essa lenga-lenga é uma religiosidade torpe, vã, vilã, nefasta, daqueles que estão a fazer beatices tolas para aparecer. Aquilo que está ali nos tubos não é um ser humano, uma pessoa, e tem as mesmas características dos espermatozóides que os adolescentes lançam no vaso sanitário. Me apontem qual mulher implantaria em seu útero um daqueles embriões. Basófia! Coisa de gente que não tem o que fazer e demandar sobre as decisões do Estado. Há uma legião de seres humanos que querem um pouco mais de conforto, de diminuição de seu sofrimento, se tornarem produtivos, se tornar gente, e meia dúzia de papa-hóstias estão a querer limitar-lhes os movimentos por uma religiosidade anacrônica e medieval. Quando precisarem da ciência eu não vou rir destes, mas terei pena.
Otávio Santos , Sobral-CE - Psicólogo
Enviado em 5/3/2008 às 14:03:13
Independente da opinião religiosa sobre o início da vida, ou do resultado desfavorável às pesquisas com células tronco no Brasil. Se os resultados forem válidos, surtirem resultados e começarem a ser aplicados corriquiramente na cura de muitas doenças crônicas, os governos e os religiosos acabam cedendo à novas explicações também políticas e religiosas para justificar o fato. Quem seria hipócrita de imaginar que não curaria um pai ou uma mãe se tivesse oportunidade utilizando este método se tivesse chance. Quem egoisticamente negaria a uma criança o cessar de um sofrimento, seja lá por que método for. As pesquisas continuarão aqui e sempre. E se forem válidadas varrerão todas as opiniões.
Rogério Maestri , Porto Alegre-RS - Engenheiro Civil
Enviado em 5/3/2008 às 13:50:47
Caro Sr. Pedro Meira Se o Sr. não entendeu a ironia quando falo de humanismo no caso de Hitler e Stalin, sinto muito, não foi possível colocar uma nota de rodapé indicando que era uma ironia. Quanto a idéias de eugenia gostaria que o Sr. soubesse que a origem dessas atitudes pseudocientíficas não vem da Alemanha mas sim de outros países europeus e para informação do Sr. digo que várias instituições católicas alemãs durante a década de trinta contribuíram para o assassinato de pessoas com retardo mental sério que viviam em suas instituições. Para deixar bem claro, sem usar ironias, qualquer pessoa de bom senso escolheria viver numa Coréia do Norte do que num país onde o poder temporal da Igreja pudesse ser exercido com toda a plenitude que era exercido no passado. Quanto a lavagem cerebral acho que o Sr. esqueceu que quem a inventou, não podemos esquecer dos séculos de perseguição que sofreram os Cristãos Novos por possuírem alguns resquício de comportamento Judeu na sua prática de vida diária. É de conhecimento público que vários Cristãos Novos foram admoestados pela Inquisição por “práticas judaicas” como tomar banho seguido, ou seja o sujeito além ter que abdicar publicamente de sua religião tinha que mudar a sua mente e seus hábitos e, por mais absurdo que pareça, tinha que ficar porco!
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 5/3/2008 às 13:44:38
Pronto! Caiu na esparrela da guerra fria. "Quem não estiver contente que vá viver na Coréia do Norte". Argumento tolo, tosco e sem conteúdo. É até descontextualizado. Bom, achar que a Genética se restringe à eugenia é de uma pobreza intelectual, que não vale a pena contestar. Não há como! Achar que o "iluminismo stalinista" é bom ou ruim, é um discussão infértil. Não é por aí. Eu esperava mais do Sr. Meira, sinceramente, até quando ele discute a relevância do espermatozóide. Mas assim como aquele meu amigo, ele não lembra mais das aulas de Biologia lá do 1o. grau. Uma pena! Agora, o que me preocupa, de verdade, é a declaração da médica, Maria Natalia. Não precisa dizer que a ciência é falível, pois todos os envolvidos com ciência sabem disso. Um médico, que dedica seus anos de estudo e formação intelectual a "salvar vidas", não saber o que fazer com a vida que ganha é muito triste.
Pedro Meira , Fortaleza-CE - Funcionário Público
Enviado em 5/3/2008 às 12:52:58
Gostei do comentário da Dra. Maria Natália. Que houve alguns cientistas que fizeram mal à humanidade é um fato óbvio. A história terrível da eugenia, não no III Reich, é uma evidência disso. Quem quiser se informar sobre o assunto leia "A Guerra Contra os Fracos", de Edwin Black. É simplismo atribuir as atrocidades da eugenia, na Alemanha, nos EUA, na Suécia, a "sadismo. Todos aqueles médicos, e também as autoridades e parlamentos que provaram esterilizações forçadas eram sádicos? Então a eugenia foi uma tremenda loucura coletiva. Sobre o "humanismo" stalinista-nazista, nem valeria a pena discutir tal assunto, mas recomendo a leitura de "Arquipélago Gulag", de A. Solzjenitsin. E quem quiser viver na pele o "humanismo" stalinista ainda tem a chance de ir para a Coréia do Norte, e se candidatar a uma lavagem cerebral.
Marcos Nascimento , -SP - Analista de Sistemas
Enviado em 5/3/2008 às 12:42:57
Um papa que pede perdão pelos pecados cometidos pela Igreja Católica contra outras religiões não é conservador, é vanguardeiro, avançadíssimo, porque, na realidade, pediu perdão não apenas pela tenebrosa Inquisição, mas também por quase dois milênios de violências contra aqueles que preferiram caminhos diferentes do cristianismo. Do artigo "KAROL JOSEF WOJTYLA (1920-2005) - Momento solene. Só um", por Alberto Dines
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 5/3/2008 às 12:35:42
(Ceus! Ficou parecendo que eu estavainsultando a senhora abaixo!!!!!)
Marcos Nascimento , Campinas-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 5/3/2008 às 12:35:28
“E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem sejam cegos.” João 9:39
Pedro Meira , Fortaleza-CE - Funcionário Público
Enviado em 5/3/2008 às 12:15:01
Não quis dizer que o autor se autodefinisse mestre nas áreas que citei, mas que ele, assim como muitos profissionais da mídia, escreve de um jeito tal que seus leitores têm a impressão de estar diante de um ser onisciente, que tem a última palavra em todas as áreas de conhecimento. A gente se sente assim diante, p. ex., de um Renato Machado. Qdo. a gente o vê na TV fica imaginando se não existe algum assunto de que ele não entenda, ou sobre o qual não possa estar enganado.
Rogério Maestri , Porto Alegre-RS - Engenheiro Civil
Enviado em 5/3/2008 às 12:06:04
Caro Sr. Pedro Meira Pior do que teólogos improvisados são religiosos que querem induzir suas posições dogmáticas a população como um todo. Referindo-se as campanhas de saúde pública que pretendem incentivar o uso da camisinha ao incentivo da prostituição, me parece que quem ultrapassa o limite do razoável é o senhor. O senhor deve achar correto que a Igreja como instituição procure interferir no livre arbítrio de cada um. Se o senhor tente passar seus princípios morais aos seus filhos que o faça, entretanto dispenso por completo qualquer interferência da Igreja e de seus membros militantes de coisas que a mim competem. Existe bibliografia extensa que mostra todos os CRIMES que a Igreja cometeu quando tinha poderes temporais. Hitler, Stalin e outros eram verdadeiros humanistas quando comparados com crimes cometidos em nome da religião. Acho que o senhor deveria orar por todos e principalmente pelos religiosos que oficialmente mandaram torturar e matar em nome da religião.
Rogério Maestri , Porto Alegre-RS - Engenheiro Civil
Enviado em 5/3/2008 às 11:53:29
Maria Natália Acho que o teu comentário tem um vício de origem, não sei de onde tiraste que “grandes e competentes cientistas” alemães durante a segunda guerra participaram de crimes de guerra. Estes crimes, que talvez estejas te referindo, foram executados por mentes distorcidas de sádicos que portavam algum diploma de nível superior e divertiam-se fazendo uma pseudociência nos prisioneiros dos campos de extermínio. É muito fácil afirmar sem nenhuma base que cientistas famosos eram cúmplices dos crimes de guerra, gostaria que tu desse o nome de alguns desses cientistas. Por outro lado podemos facilmente identificar nomes e atos de grandes dignitários da Igreja Católica que em nome da religião perpetuaram crimes hediondos. A famigerada Inquisição, sucedida hoje pela Congregação da Doutrina e da Fé (que o atual papa era o coordenador), através de instruções explícitas de Papas e outros prelados, instituiu normas para a tortura de suspeitas. Até determinações que chegam ao nível do ridículo foram elaboradas, lembro que a pedofilia de jovens rapazes com os padres era considerada crime passível de execução, execução dos rapazes é claro, pois como eles que eram agentes do Satanás e tentavam os religiosos deveriam ser queimados, os pobres padres que sucumbiam a tentação deveriam rezar e se penitenciar, mas não eram passíveis de excução. Esta é a Igreja que quer impor ética hoje!
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 5/3/2008 às 11:46:27
"Nem o nobre jornalista, que tem a certeza da "limitação intelectual" dos juizes do Supremo. Aliás onde o Sr. adquiriu tal competência para tal juízo?": cara [ ], ate as pulgas e piolhos de cachorros sem dono ja sabem das limitacoes "intelectuais" dos juizes brasileiros, e elas sao todas politicas e elitistas! Alias, ai temos um juiz que acha o que eh apropriado PRIMEIRO, e depois vai procurar o suporte legal pra seu pre-julgamento. Esta nos jornais.
ailton filho , natal-RN - publicitário
Enviado em 5/3/2008 às 11:41:08
Não dá pra entender, como, na ano de 2008, com informação correndo por todo lado, algumas pessoas ainda preferem o escuro da caverna. Parabéns ao Ulisses Capozzoli, belo artigo.
Rogério Maestri , Porto Alegre-RS - Eng. Civil
Enviado em 5/3/2008 às 11:28:54
Caros Ulisses. Estou acompanhando a discussão travada no Supremo sobre o uso de Células Tronco, e no momento não tenho opinião formada sobre o mesmo mas acho que ocorre no Brasil de hoje em dia algo bem mais grave do que a conseqüência da decisão do STF, o que se passa é a falência da República como instituição, explico melhor. Já na primeira constituição republicana separamos o Estado da Igreja e na mesma definimos as funções de cada poder, hoje em dia deixamos que as Igrejas interfiram no estado, subvertemos a função de cada poder, legislando o executivo e o judiciário, e dando atribuições executivas ao legislativo como as emendas ao orçamento. Antes de discutir qualquer coisa devemos verificar se o fórum é adequado, se este não o for temos um vício de origem e qualquer coisa daí decorrente está errada. Na minha humilde concepção acho que deveríamos voltar aos preceitos básicos e a partir dos mesmos evoluirmos na discussão dos assuntos. Não é o STF que tem o direito de definir quando começa ou quando termina uma vida, mas como estamos vivendo numa sociedade de bacharéis ninguém contesta isto.
João Alfredo  Lopes , Santa Maria-RS - Funcionário Público
Enviado em 5/3/2008 às 11:15:38
Interessantíssimo artigo. Acredito que estamos vivenciando mais uma faceta das mudanças a que nossa sociedade está sujeita e, como tal, pautada por conflitos (éticos, sociais, religiosos, científicos, etc...). Nem os religiosos conservadores nem os cientistas estão com a razão, pois esta sempre dependerá de um ponto de vista específico e não geral. Não se pode delimitar cientificamente o que é vida, nem tampouco dogmatizar cegamente como a igreja. Fazemos parte de um mundo em mutação constante e devemos nos posicionar a respeito pois faz parte de nosso presente. A ciência já falhou sim, mas os fatos comprovam que a igreja católica foi mais prejudicial do que nunca, enquanto se ocupava de outros ramos, como a ciência. Fôssemos um país de maioria xintoísta e as discussões seriam outras. Não podemos ficar mais uma vez a mercê de países de 1º mundo no tocante aos benefícios potenciais deste ramo da ciência.
maria natalia lebedev martinez moreira , belo horizonte-MG - médica
Enviado em 5/3/2008 às 11:01:58
Na Alemanha da Segunda Guerra estavam grandes e competentes cientistas que se guiaram pela "ciência", colocando as considerações do Direito, da Ética, da Filosofia de lado. E claramente muitos de tais cientistas não eram facinoras nazistas e sim cientistas. Posteriormente com o julgamento das ações desses cientistas no tribunal de Nuremberg , dos quais participaram juizes, chegou-se a conclusão entre outras que a Ciência não detem a ultima palavra em tudo. O que é lógico, racional. A Bioética nasceu pouco depois para aprofundar tais questões. O paradigma cientifico com sua promessa de salvação eterna caiu com a s duas grandes guerras. Não que a Ciência não seja importante. Não há duvida que a longevidade do ser humano prova isso . Apesar que não sabemos muito bem o que fazer com esses anos a mais que ganhamos. Homens e mulheres em grande percentagem tem se preocupado em manterem aparência fisica jovem De fato,sem rugas mas parecendo ETs graças a" Ciência". Não vejo porque juizes e mesmo o resto da Sociedade que não é cientista, não possa discutir sobre a manipulação de material genético humano em laboratório. Não a discussão "cientifica" mas ético- filosófica. Nenhuma area do conhecimento humano detem a última palavra em tudo. Nem o nobre jornalista, que tem a certeza da "limitação intelectual" dos juizes do Supremo. Aliás onde o Sr. adquiriu tal competência para tal juízo?
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 5/3/2008 às 11:00:11
"o autor da matéria, esse autoproclamado teólogo, biólogo e humanista (impressionante mesmo como essa gente que escreve na mídia se acha sábia)": em qual texto o autoproclamado autoproclama essa autoproclamacao? Longe de mim dizer que voce esta inventando, Pedro, mas envie nos o numero do paragrafo e da sentenca da qual voce esta falando porque eu nao sou sabido tampouco e nao achei na "materia" nenhuma das 3 palavras que voce diz que o "autoproclamado" se chama. Nenhuma das 3.
Pedro Meira , Fortaleza-CE - Funcionário Público
Enviado em 5/3/2008 às 09:59:24
A propósito, porque ninguém fala na possibilidade, perfeitamente possível em matéria de ciência, de que as células embrionárias nunca produzam as maravilhas que delas se esperam? Não é porque os cientistas querem que elas necessariamente se produzirão. De qualquer forma, não desejo fazer uso delas. Não tenho o apetite desses articulistas e cientistas de viver para sempre. Para que isso? Não acho que a vida possa ser um fim em si mesmo. Meu egocentrismo não vai a esse ponto. Viver eternamente, a custa de transplantes de células embrionárias para quê? Para ver o BBB, assistir a destruição da natureza que os cientistas só vêem qdo. lhes interessa (vide Bjorn Lomborg), para testemunhar o declínio da cultura, o imperialismo doido ianque, e as dinastias Bush e Clinton se revezarem no poder? Melhor morrer algum dia, seja do jeito que for, e se ver livre desse mundo desgraçado, onde só tem valor o dinheiro, ao qual tudo deve ser sacrificado, inclusive a vida, a liberdade e a dignidade das pessoas. Se os pais dos "papa-hóstias" de quem o biólogo falou não puderem pagar as maravilhosas células, vão lhes receitar uma eutanásia.
Pedro Meira , Fortaleza-CE - Funcionário Público
Enviado em 5/3/2008 às 09:48:03
O biólogo sabe muito que um espermatozóide não é o mesmo que um zigoto. O embrião humano, no momento em que é gerado não é um Homo Sapiens? Deve então ser considerado humano. Se não, ele seria o que? Estas distinções que querem estabelecer por causa de interesses pragmáticos são mais arbitrárias do que a idéia da vida humana a partir da concepção. Como a idéia que fixa a vida humana a partir da formação do sistema nervoso. O que é o embrião antes disso?
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 5/3/2008 às 09:19:44
Sr. Pedro Meira, o sr. sabe o que é uma masturbação? Obviamente que sabe. Todo adolescente normal sabe o que é isso. Mente aquele que diz que nunca praticou, que nunca teve fantasias e "brincou" com seu corpo. Meninos e meninas de todos os tipos, classes sociais e de diversas culturas praticam isso. Pois bem! Sabia que aquelas células, os espermatazóides, lançadas após a ejaculação deste ato praticado pelos meninos, têm vida? E muita vida, por sinal. Vamos então condenar todos os adolescentes do mundo por cometer assassinatos, não é mesmo?
Pedro Meira , Fortaleza-CE - Funcionário Público
Enviado em 5/3/2008 às 08:26:53
Incrível o número de teólogos improvisados que povoa a mídia, todos pretendendo determinar o que a Igreja Católica é obrigada a pensar a respeito de sexo ou de outros assuntos. Não querem entender que a religião não é um exercício de "desligamento do mundo", como gostaria muita gente. Os cristãos não podem ser obrigados a pensar que está tudo bem em cometer adultério ou se prostituir, desde que usando camisinha. O certo é não trair o conjuge nem praticar o sexo irresponsável, não o que a propaganda oficial faz, mandando as mães encherem as bolsas das filhas de preservativos, ou incentivando bricantes de carnaval que nem se conhecem a transarem só porque estão de preservativo na mão. A propósito, o autor da matéria, esse autoproclamado teólogo, biólogo e humanista (impressionante mesmo como essa gente que escreve na mídia se acha sábia) não disse quando acha (já que a opinião dele é lei) quando a vida começa. Se não começa na concepção, o que a gente é antes do prazo que os "iluminados" fixam como início da vida humana? A gente começa como bicho e vira gente depois? É um fato extraordinário! Francamente, acho isso um absurdo. Seria bom lembrar, ao lado das sempre tão apregoadas perversidades das religiões, as falhas e limitações da ciência tão boazinha (os "brights" vêem a ciência como um Deus infalível e controlável). Falem sobre a eugenia, Lissenko e a lobotomia.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 5/3/2008 às 08:14:25
A minha bronca não é com a concepção que os teólogos tem a respeito da vida, com os ditames científicos e com as conseqüências disto tudo. Incomoda-me é a inserção de pensamentos anacrônicos e obscurantistas, ignorantes, num ambiente que não é o seu. Ressalto que parece a conversa do rabo abanando o cachorro. Se os religiosos de todos os matizes quiserem opinar (e só isso cabe a eles, uma opinião!), têm todo o direito, inclusive assegurado nas constituições pelo mundo afora. O que não podem é demandar sobre uma área que não é a sua. Não vejo em nenhum teólogo até agora competência científica para decidir sobre tais posições. Aliás, nem os juizes que se arvoram conhecedores da lei têm capacidade técnica para decidir. Deixem para quem entende dizer o que é bom para a humanidade. Dia destes perguntei para um conhecido, que é cristão e contrário a estas pesquisas, se ele sabia o que era uma mitose. Óbvio que não sabia o que era, pois não se lembrava das aulas de biologia na adolescência. Tenho certeza absoluta que muitos destes "papadores de hóstia" que se indignam com as "invenções" humanas correrão ao primeiro centro de pesquisa pedindo ajuda para um pai, uma mãe ou um filho doente que sofre de uma esclerose lateral, ou um doença degenerativa qualquer. Nessa hora eu não quero rir!
eliardo teles , Londres-IN - doutorando em direito e antropologia
Enviado em 5/3/2008 às 08:12:29
Artigo interessante. Realmente, o STF não tem nem aptidão nem vocação científicas para julgar o caso a partir desse ponto de vista. Ocorre que o julgamento vai ser jurídico, e para isso espera-se que os ministros sejam qualificados. Seria interessante também se questionar sobre algumas pressuposições sociológicas brasileiras que aparecem no artigo (felizmente, sem causar maiores estragos) como a de que existe uma cultura jurídica ultrapassada, herança de Portugal e do ambiente arcaico de Coimbra. Essa idéia, que passa como verdade absoluta no mundo acadêmico brasileiro, não se sustenta sobre nenhum paradigma sociológico disponível. Não houve até hoje demonstração de seqüência causal, lógica ou significativa que apoiasse o raciocínio sociológico de continuidade no tempo e no espaço entre Coimbra, séculos XVIII e XIX, e o STF, século XXI.
Elieu Sobral , Juiz de Fora-MG - bancário aposentado
Enviado em 5/3/2008 às 07:49:34
A matéria me relembrou da história da caverna de Platão. Quem estava certo? Os que viam o mundo pela sombra que era projetada na caverna, representantes do conservadorismo, ou aquele que ousou dar alguns passos para fora, para o mundo? O Mauricio de Souza, numa revista há alguns anos, fez uma estorinha com o mote. A religião não pode governar o Estado.
Ricardo Camargo , Porto Alegre-RS - advogado
Enviado em 5/3/2008 às 07:49:01
O eventual pronunciamento de uma inconstitucionalidade não se faz em razão de ser cientificamente admissível ou não tal ou qual procedimento, mas sim tendo por parâmetro a Constituição, e nada mais do que isto. Por outro lado, a realização de audiência pública neste caso - a primeira, por sinal, na história do STF -, visou, justamente, a ouvida dos experts a respeito da existência ou não do comprometimento dos valores constitucionais em debate, no caso, a vida e a dignidade da pessoa humana. O STF não tomará partido entre a ciência e a religião simplesmente porque estes parâmetros, em si mesmos, são extrajurídicos e não são tomados em consideração para o efeito do julgamento de ação dirata.
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