ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 480 - 9/2/2010
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CASO ISABELLA NARDONI
E se não foi ele?

Por Daniel Thame em 8/4/2008

Alexandre Nardoni é um homem acabado.

Desde que foi acusado de ter jogado sua filha, Isabella Nardoni, de 5 anos, do 6º andar de um prédio num bairro de classe média em São Paulo, Alexandre recebeu o veredicto definitivo de "culpado". A madrasta, Ana Carolina, igualmente acusada pela morte da menina, vive situação idêntica.

Ambos alegam inocência, mas o circo armado pela mídia em torno do caso, com a inestimável contribuição da polícia, fez com que Alexandre e Ana Carolina fossem lançados à fogueira da inquisição. As redes de televisão e emissoras de rádio fazem plantões na porta da delegacia e na entrada do prédio onde aconteceu a tragédia. Os jornais estampam manchetes retumbantes. Vizinhos, que não querem se identificar, dão declarações que incriminam ainda mais o casal.

Pelo menos até agora, não se produziu uma mísera prova concreta contra o pai e a madrasta de Isabella.

E precisa?

Numa carta emocionada, Alexandre reafirma a sua inocência e a da companheira e diz que "o sofrimento é muito grande, os culpados serão encontrados" e que "a menina era minha princesa, quando me dei conta do que havia ocorrido, meu mundo acabou".

E mais: "Não faria isso com ninguém, muito menos com minha filha. Amo Isabella incondicionalmente e prometi a ela, em frente ao seu caixão, que, enquanto vivo, não sossego enquanto não encontrar esse monstro. Tiraram a vida da minha princesa de uma maneira trágica e não me permitem sentir falta dela, pois me condenam por algo que não fiz."

Se Alexandre matou mesmo a filha e ainda conseguiu produzir uma peça de tamanho cinismo, trata-se de um facínora animalesco, que deve ser exemplarmente punido.

A inquisição midiática

Mas, e se não foi ele? Esta é a pergunta tentadora.

Trata-se de um crime bárbaro, brutal, que além de uma menina morta brutalmente pode estar produzindo outras vítimas, assassinadas em vida. É inacreditável como, em nome da sociedade-espetáculo, parte da mídia subverte a lógica de que até prova em contrário, todos são inocentes. Não hesita em condenar pessoas ainda na condição de suspeitas.

O célebre caso da Escola de Base, em São Paulo, é uma lição solenemente ignorada. O que são algumas vidas quando se luta pela maior audiência, pela maior tiragem?

O respeitável (?) público quer sangue? Então, que se atire carne humana aos leões.

Admita-se a hipótese, diante de tantas evidências (que ainda não se converteram em prova, repita-se) de que Alexandre e/ou Ana Carolina sejam culpados pela morte de Isabella.

Ambos estão com prisão preventiva decretada e até agora são os principais (ou melhor, os únicos) suspeitos. Ainda assim, nada elimina os excessos que foram e estão sendo cometidos para manter as labaredas acesas e prolongar ao máximo a superexposição da tragédia.

Alexandre termina sua carta com a frase "a verdade sempre prevalecerá".

Quando ela prevalecer, saberemos se essa é a história de um pai falsamente amoroso que escondia um monstro dentro de si.

Ou a história, tantas vezes repetida, de inocentes da santa inquisição midiática em que, quando a verdade aparece, só existem as cinzas das reputações e vidas lançadas ao vento.

Comentários (19)
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Vinícius Moraes , Rio de janeiro-RJ - Estudante
Enviado em 28/5/2008 às 13:32:16
Aqueles que se surpreenderam e "não acreditam" que um pai faria isso à filha, saibam que não há nada de fantástico ou fenomenal nisso. O homem é capaz disso e muito mais. Este caso não é mais triste ou mais importante que muitos outros que acontecem todos os dias, se este caso "não deve ser esquecido", digamos também que nenhum crime e homicídio devem ser esquecidos. Quem me dera que a justiça e perícia fossem sempre eficientes como foram no caso nardoni. Isabela pode ser um símbolo, mas por trás do símbolo existe um sentido muito maior. Nunca esqueçamos disso.
karen roselei amaral lescano lescano , Palmeira das missões-RS - funcionária estadual
Enviado em 7/5/2008 às 23:26:09
a criança estava com eles passando o fim de semana, houve agressão contra a criança, ela aparece atirada num jardim do prédio a perícia não conseguiu dectar a terceira pessoa além do mais na reconstituição do crime o tempo para caso houvesse a terceira pessoa seria muito curto francamente nos meus quarentas anos de vida essas pessoas são [ ] imagino o que essa pobre mãe da menina isabela está passando que deus lhe de força e esperança eles podem até fungir da justiça dos homens porque ela é suja mas da justiça divina não, por que eles são ricos ainda estão ganhando regalias, a polícia e muitas pessoas deveriam estar lá na hora para proteger isabela das agressões que a pobrezinha passou até seu ultimo suspiro.
celso  faria , são roque-SP - operario
Enviado em 5/5/2008 às 11:19:49
Eu acredito que foram eles que mataram a menina.Mas nem por isso saio julgando,ou atirando pedras.Deus que conforte o coração de cada um que estiver envolvido neste caso.Principalmente da mãe da Isabela.Que Deus abençoe a todos.
Rita  Cassia , Salvador-BA - Assistente Social
Enviado em 23/4/2008 às 14:09:40
Não existe a mínima chance desse casal ser inocente, uma vez que, duarnte todo o sábado até a hora em que ocorreu o fato da morte da menina Izabella, a criança estava em poder do pai e da madastra, descartando-se toda e qualquer hipótese de uma terceira pessoa adulta estar entre eles, nem parente nem estranhos, inclusive até a hora em que a criança entra em casa nos braços do pai, desfalecida ou não, estava nos braços do pai. Portanto, não existe a hipótese de que, no espaço de tempo de aproximadamente 12 minutos, uma pessoa estrangular, asfixiar, rasgar tela de proteção, localizando acessórios como faca e tesoura, guardar os acessórios novamente, e jogar uma criança por uma janela, sem que a criança, sendo tão esperta, esbouçasse se quer um grito de socorro. Com certeza, que, os gritos ouvidos pela vizinhança sairam do desespero do irmão, vendo o próprio pai subir na cama para jogar a irmã pela janela, e quem sabe até assistiu a madastra desesperada sacudindo a menina pelo pescoço na tentativa de despertá-la. A mídia mostrou o relato de uma moradora, que dizia ter ouvido os gritos de uma criança gritar para, para, para pai, sumindo, como se a criança estivesse distanciando, provavelmente, porque o irmão estava vendo o proprio pai jogar a irmã pela janela. Na entrevista ao fantástico, a madastra relatou que um dos filhos os rejeitou quando eles voltaram da prisão. Que horror
Albany Morais , Olinda-PE - Servidor Publico
Enviado em 21/4/2008 às 14:27:04
Prezados Amigos, O caso tem tido uma grande repercussao na midia nacional, pois se trata de pessoas da classe media alta, e a partir disso podemos dimensionar o que sera este caso, pois no dia a dia da violencia nacional ocorrem casos tao mais gritantes quanto este mas por envolver pessoas pobres caem na vala comum. Por outro lado, um casal pobre nao teria o mesmo espaco de defesa, mesmo assim nao estao conseguindo uma linha de defesa que diga que eles nao sao culpados pela morte da menina, apesar de toda a assistencia juridica que estao tendo, dentro e fora da familia, Entao amigos, nao sera a midia responsavel pela condenacao do casal, e assim, a incapacidade do casal de irem contra as diversas evidencias de suas culpas. Albany Morais da Silva Servidor do CEFET-PE Obs. O meu editor de texto nao faz correcoes em portugues.
Tatiany Muniz , Linhares-ES - Estudante
Enviado em 19/4/2008 às 05:11:49
O que aconteceu com a Isabella foi e está sendo muito triste. Se não havia 3º pessoa no local do crime tudo indica ao pai e a madrasta terem feito isso. Pessoas assim não tem coração, não sentem amor ao próximo principalmente para com a filha. Espero que encontrem o verdadeiro assassino.
Mateus Andrade , Porto Alegre-RS - .
Enviado em 17/4/2008 às 00:54:44
Isso vai acabar como qualquer outro escândalo que a mídia adora explorar: a justiça tentando mostrar serviço e a imprensa faz o povo acreditar até no papai noel. Depois de alguns dias e sem muito hibope, a história cai em esquecimento. Deus abençoe essa criança e perdoe essa [ ] de oportunistas.
Valdir Baptista , Bauru-SP - Representante Coml
Enviado em 16/4/2008 às 11:39:07
Quem é pai e já passou por situação complicadas que envolve a vida do seu filho sabe, meu filho recentemente teve uma convulção no supermercado e minha primeira reação foi ligar para minha esposa e desconhecidos que estavam a volta ligaram para o resgate, quando pequeno internado em um hospital a infermeira deixou mal encaixado o oxigenio que levava para ele respirar, não possibilitando sua respiração, quando falei para a enfermeira a 1ª coisa que me disse é que eu (pai) desconectei sabendo que aquilo dependia da vida do meu filho, parece que tudo que vejo são declarações de pessoas que assistiriam seu filho morrendo e se preocupariam com hora pensam 1000 x antes de falar, como no popular sangue de barata, enquanto isso o possivel monstro a solta e possiveis provas sendo apagadas, fica claro que hoje o objetivo das pessoas é simplesmente destruirem as outras, nas empresas, na politica, as pessoas corretas estão sempre sendo atacadas muitas vezes até pelo seus familiares, outra verdade é que vivemos num pais sem justiça e a sede em mostrar isso ao povo é grande, quantos estão sendo assassinados pela corrupção pela omissão de governos, pela burocracia e o povo com mente dominada pela impresa sensacionalista não fazem a mesma pressão. Para esse caso executemos a pena de morte para acabar de vez com a sede de cruficicar alguem.
Bruna  Mozer , Campinas-SP - estudante d e jornalismo
Enviado em 12/4/2008 às 12:22:32
Sim, infelizmente esta é a imprensa sensacionalista, transformando a notícia em espetáculo. O fato, porém é que a Justiça brasileira é tão falha e parece que apenas quado a mídia não dá trégua é que se trabalha arduamente para o desfecho de um caso. O "caso Isabella" confirma isso. A prisão do pai e da madrasta, me pareceu mais uma resposta à fúria da sociedade. Então me pergunto: quanto infanticídios ococrrem por dia no Brasil? Crianças vítima do tráfico, das drogas e dessa sociedade capitalista e desuma e "bonito por natureza".
Rogério Barreto Brasiliense , Santos-SP - vendedor
Enviado em 11/4/2008 às 22:34:31
Faltou o articulista acrescentar um personagem a este "show da notícia": um promotor tagarela.
Noedja Kelly , Recife-PE - aluna
Enviado em 11/4/2008 às 21:32:59
O verdadeiro problema é que a imprensa está utilizando de sensacionalismo para manipular o público.Quantas versões da história já não surgiram?Basta ter senso crítico para perceber que a imprensa acusa quem o público quer e até a própria justiça decretou a prisão preventiva como se fosse uma resposta para a sociedade.Todos nós de alguma forma estamos julgando,só que ninguém lembra que não é bom ser julgado é muito fácil difamar alguém não somos nós que seremos apontados pelo resto de nossas vidas nem tão pouco perdemos uma filha.Se ele estiver fingindo o único prejudicado será ele mesmo,o problema é que a sociedade adotou essa história como sua e tá esquecendo que cada um tem uma vida pra ser tomada conta.O que todos querem é ver uma vítima e um vilão mais esquecem que vivemos na realidade e não na novela e que depois o vilão não tem chances de virar mocinho.
rosimere araujo , rio de janeiro-RJ - vendedora
Enviado em 11/4/2008 às 20:51:07
é um caso muito delicado. me recuso acreditar que um pai faça isso com sua filha. e nesse caso não acredito. não sei porque, não acredito... não quero acreditar. quero pensar que o ser humano ainda tenha coração, que o sentimento entre pais e filhos ainda seja um amor incondicional...
paulo simões , fortaleza-CE - arquiteto
Enviado em 11/4/2008 às 15:52:56
A opinião de um leitor dessa coluna é bem elucidativa. Primeiramente, demonstra uma ironia e humor descabido. A dor e a repulsa que esse caso vem causando principalmente aos familiares envolvidos, merece mais do que um "fantasminha camarada". Seja mais original da próxima vez. Em seguida coloca-se como ser proibido de pensar: Se não aos mortais, a quem sobra o direito de questionar. Aos mortos? Prefiro, enquanto mortal questionar. E questiono. Não sei se quem matou a infeliz criança foi o pai, a madastra ou qualquer outra pessoa. Só sei que o crime foi bárbaro, hediondo e espero que quem o causou, mesmo que seja o "fantasminha camarada" seja julgado com a lisura que o caso merece. Finalmente, é de uma estranhesa muito grande afirmar simplesmente que "as autoridades debitarão na sua lista de equívocos". Com certeza o ninguém gostaria de estar no lugar dos pais da criança numa hora dessas.
Marco Antônio Leite , SCS-SP - TST
Enviado em 11/4/2008 às 10:54:19
Se não foi ele, com certeza foi o fantasminha camarada. Ou não? Ora senhor se tudo esta encaminhando para a dupla sinistra, nós pobres mortais vamos questionar o que. E se não foi o pai, as autoridades debitarão na lista de seus equívocos. Espero que não aja censura?
claudio aguiar , Jacarei-SP - bancario
Enviado em 10/4/2008 às 14:27:53
Já não basta a notícia por si só ser monstruosa e demonstra até onde a nossa inteligência( "que nos faz impedernidos e cruéis") nos leva. A cobertura da midia no caso Isabela é terrível, gostaria que se noticiasse as coisas boas que uma criança nos proporciona e é vergonhoso ocupar todos os noticiárias com esse brutal assassinato. Sr. Alberto Dimes já não passou da hora dos noticiários se tornarem objetivos e informar realmente, com clareza o que acontece no Brasil e no mundo.
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 10/4/2008 às 10:56:48
Francesco e Salvatore Pappalardi, os dois meninos que desapareceram no dia 5 de junho de 2006 e foram encontrados no fundo de um poço em uma casa abandonada, foram enterrados hoje em Gravina, no sul da Itália, informou o Corriere della Sera. Na saída da missa que precedeu o enterro, o pai dos meninos, Filippo Pappalardi, abraçou os dois caixões. A mãe das crianças, Rosa Carlucci, chegou á igreja junto com a filha Filomena. Em seu discurso, o bispo de Gravina, Mario Paciello, foi bastante duro. "Todos nós somos responsáveis por essa tragédia, não podemos esquecer disso. Convoco todas as instituições para que atentem à responsabilidade que temos de cuidar das nossas crianças." Salvatore e Francesco Pappalardi, que tinham 11 e 13 anos respectivamente, desapareceram em junho de 2006. A busca pelos dois comoveu o país e o papa Bento XVI chegou a afirmar que acompanhava "o assunto com preocupação". O pai dos meninos, que estava separado da mãe, chegou a ser considerado suspeito pelas mortes e foi preso, sendo inocentado depois de alguns meses.
Eduardo Neves , Belo Horizonte-MG - Administrador
Enviado em 10/4/2008 às 09:49:30
É incrível como o caso “Isabella” está sendo tratado pela imprensa. Do meu ponto de vista está resvalando a um reality show, é tanto assim, que na empresa onde trabalho os funcionários só faltam organizar um bolão de apostas. Todo dia eles chegam disputando opiniões a respeito de novas notícias dadas nos jornais, a cada minuto alguém acessa algum site para ver como andam as investigações, e os julgamentos são ferozes, todos se acham donos da verdade, ninguém analisa com cautela a informação dada, mas sim aproveita dela para garantir sua opinião como a mais válida(estou ganhando). Aqui o julgamento já está feito, o caso está resolvido, cada um já tem seu condenado favorito; a questão agora é convencer os demais. Até a semana passada era assim com os campeonatos de futebol, hoje nem sabem como andam seu clube.
Tulhex Rangel , Juazeiro-BA - Adm.
Enviado em 10/4/2008 às 09:28:54
Se é pra especular, o que a mãe de Isabella estava fazendo perto do local do crime? Por quê ela foi uma das primeiras pessoas a chegar no local? Por quê ela tem demonstrado mais frieza que o próprio Alexandre? Não teria sido a própria mãe que se vingou das declarações da filha que disse estar muito feliz com o pai? Viu como é fácil achar um culpado? É só plantar a notícia que quiser e pronto!
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 8/4/2008 às 14:16:36
Acho que os culpados dos fatos são as autoridades públicas e judiciais que estão alimentando as versões e fornecendo desinformações constantemente. Até absurdamente prendendo o pai e a madrasta e ao mesmo tempo alegando que não estão acusando ninguém. Imagine-se a que ponto então chegariam se estivessem! Certamente a polícia está demonstrando enorme incapacidade prendendo quem pode passar apenas de mais duas vítimas. Prender primeiro para investigar depois!
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