ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 484 - 9/2/2010
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JORNALISMO & DIPLOMA
Democracia é isso?

Por Vanderson Freizer em 6/5/2008

A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) não permite que os sindicatos estaduais de jornalistas aceitem os profissionais que tenham registro precário. A orientação da federação é de que apenas jornalistas com curso superior possam ser sindicalizados, o que é perfeitamente aceitável, já que o órgão serve para atender a uma classe de profissionais.

O que me chamou a atenção foi outra atitude da Fenaj, orientando empresas de mídia e comunicação a não contratarem jornalistas que tenham registro precário e ainda dizer que os precários são uma "ameaça" aos jornalistas de nível superior. Esta atitude, a meu ver, já atinge os jornalistas que trabalham com registro precário e, por um motivo ou outro, não cursaram faculdade.

Os dirigentes da Federação Nacional dos Jornalistas estão preocupados com o que, já que para eles os jornalistas formados estão muito além dos "falsos" profissionais? O que incomoda a Fenaj? Será que os direitos de concorrer a uma vaga são diferentes para um e outro? Uma pessoa que escreve todos os dias não pode ser chamada de autor? E quem divulga informações não é digno de ser chamado de jornalista? Que matéria exclusiva um jornalista domina? Temos especializações que nos fazem uns melhores que os outros?

Todos por igual

Onde está a democracia no jornalismo brasileiro? Para que serve a liminar da juíza Carla Rister que instituiu o jornalista precário? Não tenho o direito de escrever em jornais ou revistas unicamente porque não posso pagar um curso superior? E onde ficam minhas qualidades profissionais quando quero concorrer a uma vaga de trabalho? Os direitos são iguais para todos? Ainda existe censura no jornalismo? Não há preconceito nesta profissão?

Temos que começar a tratar todos por igual porque muitos jornalistas com curso superior não fazem o que um jornalista precário faz. Cada órgão deve defender o direito de sua categoria, mas nunca impedir o direito que todos temos de concorrer a uma vaga de trabalho.

Comentários (6)
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Claudemir Antonio Lastori , Descalvado-SP - jornalista e professor
Enviado em 19/6/2008 às 16:56:03
Sou professor por formação (Letras) e jornalista de carreira . Já estava no sangue quando eu comecei, com meus 20 anos. Escrevo faz 15 anos e sempre fiz bem. Tanto que cheguei a ser assessor de Imprensa e de Governo de uma prefeitura e colaborei com vários jornais. Ajudei recém-formados em Jornalismo que sequer sabiam ir para as ruas e cobrir uma pauta; outros tinham redações pendengas . De modo que, apesar de o diploma ser importante para uma profissão, na de Jornalismo há muitos bons jornalistas não diplomados. Esses não podem ser sacados do mercado e, pior, da profissão, como quer a Fenaj. Caso haja a regulamentação da profissão, então os precários têm que ter seus direitos garantidos. Até porque muitos que entraram na faculdade e cursaram quatro anos de Jornalismo nem eram vivos quando alguns dos precários já escreviam - e continuam escrevendo. Obrigado.
silvio tavares , são pauloi-SP - médico
Enviado em 13/5/2008 às 10:54:23
Gostaria de saber se o Sr. Arnaldo Jabor é formado em jornalismo. Pelo que sei, não é. Muitos escrevem bem e podem pelejar na área, como sempre aconteceu. Pode parecer antipático, mas o jornalista nasce feito; o resto é suor em cima da folha de papel ou da telinha do computador. No país do carnaval tem lei prá tudo, mas quem sabe escrever bem, se comunicar, passa por cima dessas exigências burocráticas que não levam ninguém a lugar algum. Joranlismo está no sangue do sujeito, muito além da compreensão...
João José  Negrão , Sorocaba-SP - Jornalista/Professor
Enviado em 9/5/2008 às 20:41:15
É preciso superar, neste debate, as generalizacões simplificadoras (há bons jornalistas precários e maus jornalistas diplomados) e tautológicas. Superar também os exemplos individuais, sempre sacados da manga quando interessa: com certeza, todos nós conhecemos exemplos de uns e de outros. A questão é se, como a maioria das profissões, a de jornalista deve ou não ter uma regulamentação. E não alimentemos ilusões: aos empresários, interessa uma profissão desregulamentada, sem piso salarial, sem jornada estabelecida, sem qualificação. O diploma é uma conquista da categoria, que nos posiciona em determinada situação no mercado de trabalho. Abrir mão dele é um equívoco que não devemos cometer.
Jeferson  de Andrade , Belo Horizonte -MG - ESCRITOR
Enviado em 8/5/2008 às 14:56:51
Vanderson tem razão. Comecei a escrever com 14 anos, aos 16 meu nome fazia parte do expediente do jornal A Voz da Cidade em Paraguaçu, sul de Minas, como redator ao lado do Diretor. Ano: 1965. E de lá para cá, além de 11 livros publicados, sou jornalista colaborador de vários jornais. E agora vem quem tem diploma ou Fenaj contestar quase 45 anos de vida em jornal? Não é só falta de respeito, é também mediocridade de quem não sabe o que fala. Escrevi, dos 11 livros publicados, Um jornal assassinado, a última batalha do Correio da Manhã. Este livro é adotado em várias falculdades para ensinar quem quer aprender o que é jornalismo. Ah, sim, tive a colaboração do lendário Joel Silveira, repórter, para escrever o livro. Ele nunca teve diploma de "jornalista".
Teresinha Gomes , Lauro de Freitas-BA - Odontologa
Enviado em 7/5/2008 às 00:19:24
Diploma realmente é algo burocrático. Mas é um mau necessário. Eu prefiro, um excelente profissional. Que um diplomado, péssimo profissional. Infelizmente o que mais temos é péssimos profissionais.
Luciana  Sousa , Brasília-DF - Jornalista
Enviado em 6/5/2008 às 17:34:07
Concordo integralmente com a atitude da Fenaj. Essa discussão sobre diploma ou não pra jornalista é antiga. Mas, como ralei pra me formar, a começar por vencer concorrência de 47 candidatos/vaga, sou totalmente a favor de decisões e ações que visem a preservar o mercado de trabalho para os diplomados. No programa "Comitê de Imprensa", da TV Câmara, o célebre jornalista José Hamilton Ribeiro defendeu o uso do diploma na profissão dele, a de jornalista. Portanto...
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