ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 485 - 9/2/2010
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OBSERVAÇÃO DO LEITOR
Censura no Programa do Jô

Por Eduardo Miranda em 13/5/2008

No dia 30 de abril, o humorista e apresentador Jô Soares entrevistou a deputada Jandira Feghali em seu talk show. Jô a inquiriu a respeito de um projeto de lei que visa a produção e difusão das culturas regionais nas TVs, tanto nos canais abertos quanto em canais comunitários. O projeto, bastante louvável só pela atitude, recebeu de Jô a denominação de "medida autoritária", já que para ele a difusão da cultura regional nas TVs abertas ocorre naturalmente. É difícil entender o modo como ele chegou a essa conclusão já que os fatos comprovam o contrário, mas sigamos. A atitude do platéia foi surpreendente: aplaudiram a atitude de Jandira quando esta falou da importância dessa difusão, deixando Jô em situação constrangedora. No dia seguinte, entrei no site do programa, no portal globo.com, para rever a entrevista. A entrevista não estava lá, ainda que seja praxe do programa colocar todas as entrevistas do programa no portal. Inclusive, estavam disponíveis todas as entrevistas daquele dia. Mandei um e-mail para o programa do Jô, mas a resposta foi evasiva. Até hoje não recebi qualquer outro e-mail que me explicasse o ocorrido. A entrevista continua indisponível. Fica difícil que a emissora sustente seu discurso contra a censura quando a mesma comete justamente o erro que aponta nos outros.

***

Gostaria de saber se o jornal Expresso do Rio de Janeiro está de forma legal no mercado. O português escrito nesse veículo de comunicação é terrível. Eu, como professora de geografia, fico assustada e acho que tira toda a credibilidade dos profissionais da área de jornalismo que lutaram tanto para ter seu espaço na sociedade brasileira e lutam até hoje. (Aline Bezerra, professora, Rio de Janeiro, RJ)

***

Prezado Dines, congratulo-me consigo pelo sucesso do programa. No afã de sugerir um tópico para a programação, listo algumas considerações acerca da TV aberta no Brasil, assunto este que entendo ter sido pouco comentado: 1ª) "sumiço de programas": a programação é alterada sem aviso prévio (desrespeito ao público); 2ª) filmes e outros programas são excessivamente repetidos; quanto aos primeiros, por que não são exibidos filmes de grandes diretores? 3ª) reserva de mercado: as grandes empresas de TV estrangeiras não obtêm concessões para operar neste país; bancos, indústrias e empresas telefônicas de outros países aqui estão; 4ª) ideologia evangélica: excesso de horas de programação para um público específico, sem agregar cultura nem educação; para a doutrinação, bastam os templos... 5ª) programas musicais com muita conversa e pouca música; 6ª) novelas e filmes com violência explícita (sangue, membros decepados, tortura); enquanto isto, as cenas de nudez são censuradas; ou se censura tudo ou não se censura nada; 7ª) falta de documentários focalizando assuntos históricos importantes ou esclarecendo fatos pouco estudados pela história oficial. O assunto em questão será melhor debatido se contar com a presença de representantes das emissoras, autoridades governamentais da área e estudiosos da TV em geral. Grato! (Luiz Ricardo Mattos, bancário aposentado, São Paulo, SP)

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A imprensa é fundamental para o pais pois sem ela não saberemos de nada. Seremos como cegos ou analfabetos ou dementes resta a ética prevalecer e a verdade aparecer. Um abraço. (Deusdete Ramos, sommelier, Rio de Janeiro, RJ)

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A propósito de uma enquete no site do Observatório, que discorria sobre a importância da crítica da mídia para a consolidação da democracia e que respondi, na enquete, sim, que é importante a crítica da mídia. Contudo, gostaria de fazer uma ressava. Ao fazer aniversário de dez anos, o Observatório deveria fazer uma auto-avaliação, e dizer que, tão importante quanto a crítica da mídia, é a crítica da crítica. Devemos avaliar se nós entendemos os papéis que o jornalismo, como um todo, tem tomado. Talvez, hipótese minha, a velha Teoria do Espelho, a de que o jornalismo reflete a realidade, é absurda para os padrões atuais. Enfim, o jornalismo talvez seja, também, uma forma de ficção, como diz o professor Silvio Mieli. Talvez fosse a hora de avaliarmos o jornalismo e propormos um novo modelo, com novos paradigmas, para não ficarmos impregnados no velho dicurso de ética e comprimisso com a verdade, que parece cópia dos discursos da grande mídia. Afora isso, congratulo o Observatório pelo aniversário ressaltando que, talvez, fosse a hora de discutir o próprio e o jornalismo. Abraços. (Luiz Henrique Mendes, estudante de jornalismo, Embu-Guaçu, SP)

***

Ler o Observatório da Imprensa é ler o Brasil conjunto, "em partes o todo" ou "o todo em partes". Considero o Observatório da Imprensa o palco vivo das discussões da mídia brasileira, que tem suas falhas, assim como qualquer instituição. O poder de debate do Observatório é tão forte, tão coerente, que a mídia tem melhorado muito com a presença do OI, este filtro democrático da mídia brasileira e responsável, a meu ver, por uma mídia investigativa, séria, e, o que é melhor, em constante aprimoramento. Participar do Observatório da Imprensa é ser um pedacinho do espírito livre e democrático que permeia a alma do brasileiro. Os 10 anos do Observatório da Imprensa nos dão a certeza plena de que neste tempo o Brasil, na suas páginas, sempre foi tratado com um país sério, que dá certo, um país onde a democracia é o imperativo e "motor primeiro" para o cotidiano do povo brasileiro.

A Mídia

Mundo maravilhoso
Formadora de opinião
Fonte de informação
Porta voz do povo

O seu erro é perdoado
Por que não teve intenção ?
Força viva da nação
Um fato interpretado

Liberdade de expressão
Da heterogenia social
A paisagem integral
Do mundo em evolução

Do povo soberano
O Estado de direito
Prefiro o defeito
A mordaça do tirano

Alimento da liberdade
Força da democracia
Tem poder e magia
É liga da sociedade

Mídia, povo e estado
Integração e harmonia
Luz de sintonia
A Beleza do separado
A junção do untado
Luz da democracia !

(Luiz Domingos de Luna, professor, Aurora, Ceará)

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Pedro Meira , Fortaleza-CE - Funcionário Público
Enviado em 14/5/2008 às 09:29:42
O leitor Ricardo Mattos tem razão em muito do que diz. A TV brasileira entrou numa decadência impressionante a partir dos anos 90. A Bandeirantes, p. ex, .que há alguns anos exibia filmes de grandes diretores (Fassbinder, Kurosawa, Bertollucci e um grande etc.) , foi baixando de nível até virar a TV do Gilberto Barros. De modo geral, a qualidade da programação decaiu em todos os canais, uma busca frenética de audiência pela via do popularesco e do apelativo. Bons filmes quase nunca são exibidos, a não ser, vez por outra, em horários impraticáveis, como na madrugada de segunda, para que ninguém assista. Não seria possível criar uma faixa no horário nobre, uma vez por semana, ou mesmo por mês, para exibir um filme de qualidade, em vez das pancadarias, tiroteios e baixarias habituais?
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