ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 491 - 24/6/2008
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JAPÃO-BRASIL, 100 ANOS
A imigração sob um novo olhar

Por Matinas Suzuki Jr. em 24/6/2008

Os dilemas apresentados pelas imigrações – e por seus eventuais desdobramentos racistas – não param de desafiar o mundo globalizado.

A novíssima política para a imigração ilegal na Europa, o desenvolvimento das rotas migratórias Sul-Sul, os debates sobre as quotas e o sobre o direito à diferença e à identidade cultural (a "mixofobia"), são questionamentos que o "homem que não para de se mover" suscita.

No Brasil da "democracia racial" e do "homem cordial", onde tudo se acomoda, celebra-se um dos casos retumbantes de "integração" racial por ocasião do centenário da imigração japonesa. Um locutor de rádio chegou a dizer que "quando o japonês acaba em uma escola de samba temos aí um exemplo acabado de assimilação total à vida brasileira".

O texto que se segue, publicado no suplemento dominical "Mais!", da Folha de S.Paulo (20/4/2008), procurou divulgar – para o público fora do mundo acadêmico – a revisão histórica que hoje se faz na universidade, revisão que mostra que a história da imigração japonesa está longe de ser um processo unilateral de "integração" à vida brasileira.

Mais ainda: trata-se de um percurso marcado por conflitos, por discriminações e por violências.

O historiador Fabio Koifman, após a leitura do artigo no "Mais!", me fez observações importantes sobre o Estado Novo, observações que ajudam a entender a complexidade e contradições da questão da imigração – nas análises sobre o racismo, a simplificação é um risco constante.

A pesquisa que o Datafolha realizou com japoneses e descendentes da cidade de São Paulo, em fevereiro, mostra que alguns valores importantes para a preservação da identidade, como casamentos e conhecimento da língua, são ainda fortemente cultivados pela comunidade nikkei.

Um em cada três japoneses ou descendentes declarou ao Datafolha que sente alguma forma de discriminação por parte dos brasileiros, uma proporção alta a desafiar o mito harmonioso da "integração" (a professora Sidinalva dos Santos Wawzyniak, do Paraná, prefere chamá-la de "estratégia de sobrevivência": o imigrante torna-se um "homem traduzido", alguém que não é mais de fora, mas também não é integralmente local).

***

Rompendo o silêncio

Tema esquecido pela historiografia brasileira, discriminação social e institucional contra japoneses foi defendida por grandes nomes do pensamento nacional, como o sociólogo Oliveira Vianna

Durante a Assembléia Nacional Constituinte de 1946, no Palácio Tiradentes, no Rio capital da República, o então senador pelo Distrito Federal Luiz Carlos Prestes fechou questão a favor da emenda 3.165, de autoria do médico, empresário ligado à extração do sal e deputado carioca Miguel Couto Filho, do PSD.

Prestes liderava a bancada comunista de 14 deputados (ela teve 15 por três meses, com a interinidade de um suplente) composta por, entre outros, Jorge Amado, eleito pelos paulistas, Carlos Marighela, pelos baianos, João Amazonas, o mais votado do país, escolha de 18.379 eleitores do Rio, e o sindicalista Claudino Silva, único constituinte negro, também eleito pelo Rio.

A emenda 3.165 dizia: "É proibida a entrada no país de imigrantes japoneses de qualquer idade e de qualquer procedência".

O deputado carioca do PSD retomava, doze anos depois, o espírito de várias emendas propostas à Constituição de 1934 – sendo que uma delas ficou conhecida com o nome de seu pai, Miguel Couto, médico, educador, presidente da Academia Nacional de Medicina e membro da Academia Brasileira de Letras.

O retórico Miguel Couto, pai, eleito pelo Partido Economista do Distrito Federal, era a maior expressão da "bancada médica", que contava com sessenta membros, incluindo a paulista Carlota Pereira de Queiroz, a primeira mulher ("e que médica!", bradou Couto da tribuna) brasileira na Câmara.

A maioria da bancada defendia, com teses "científicas" que vinham do darwinismo social e da eugenia racial, surgidos na Europa na segunda metade do século 19, a necessidade do "branqueamento" da população brasileira.

Médicos como o destacado sanitarista Artur Neiva, eleito pelo Partido Social Democrático da Bahia (foi interventor naquele Estado em 1931), e Antonio Xavier de Oliveira, eleito pela Liga Eleitoral Católica do Ceará, encheram boa parte dos 22 volumes dos anais da Constituinte com ataques aos degenerados "aborígenes nipões".

Ainda que no corpo final da Constituição de 34 o espírito "niponófobo" resultasse abrandado, a emenda teve aprovação acachapante: 171 votos contra 26. O texto estabelecia quotas (2% do total de ingressantes no país nos últimos 50 anos) sem fazer menção a raça ou nacionalidade e proibia a concentração populacional de imigrantes.

Insolúvel como enxofre

Uma dúzia de anos depois, em 27 de agosto de 1946, o ex-vice-presidente da República, senador pelo PDS mineiro e presidente da Constituinte, Fernando Mello Viana, colocou em votação a emenda de Couto Filho (que viria a ser, em 1953, o primeiro ministro da Saúde, em cargo criado por Getúlio Vargas, e, entre 1955 e 58, governador do Rio). O deputado Prado Kelly, da UDN do Rio, achava que ela "amesquinharia a nossa obra" e propôs que fosse deslocada para as disposições transitórias.

Na hora do voto, 99 constituintes favoráveis à proibição da imigração de japoneses ficaram sentados; os que eram contra a emenda levantaram-se, e também eram em número de 99. Mello Viana, o voto de Minerva, foi contra – e a Constituição de 1946 não se amesquinhou.

Um dos ideólogos do antiniponismo era Francisco José de Oliveira Vianna, autor de Populações Meridionais do Brasil (1918), considerado um clássico do pensamento nacional. Além desta obra, Oliveira Vianna é notoriamente reconhecido pela autoria de frases como "os 200 milhões de hindus não valem o pequeno punhado de ingleses que os dominam" e "o japonês é como enxofre: insolúvel".

Quando, no raiar do século 20, começaram as especulações em torno de uma possível imigração japonesa, o diplomata, primeiro biógrafo de D. João 6º e encarregado de negócios da inaugural missão diplomática brasileira no Japão, Manuel de Oliveira Lima, deu parecer contra o projeto. Em 1901, ele escreveu ao Ministério das Relações Exteriores alertando sobre o perigo de o brasileiro se misturar com "raças inferiores".

Na sua edição de 5 de dezembro de 1908, a revista carioca O Malho, editava uma página de charges criticando a imigração de japoneses. Em uma das legendas, lia-se: "O governo de São Paulo é teimoso. Após o insucesso da primeira imigração japonesa contratou 3.000 amarelos. Teima pois, em dotar o Brasil com uma raça diametralmente oposta à nossa".

Os japoneses passaram a sofrer uma discriminação múltipla: à visão de uma raça inferior vieram a se somar os temores com relação ao expansionismo militarista do império nipônico (após as vitórias nas guerras contra a China, em 1895 e Rússia, 1905) e o ressentimento pela sensação de que o imigrante japonês resistia a se integrar – era "inassimilável", um "quisto", conforme o vocabulário do momento.

Os "súditos do Eixo"

As idéias racistas, a paranóia derivada da ameaça do "perigo amarelo" (a expressão é atribuída ao kaiser Guilherme 2º, da Alemanha, quando incitou os russos a guerrearem contra o Japão; mas ela ganhou força na crise da imigração japonesa nos EUA. De lá, teria vindo para o Brasil) passam a tomar forma de ação ao se articular com as forças repressivas.

Com o acirramento dos sentimentos nacionalistas a partir do Estado Novo, em 1937, e com a entrada do Japão na Segunda Guerra ao atacar Pearl Harbor, em dezembro de 1941, o preconceito antinipônico deixa de atuar apenas no campo das idéias. Uma série de medidas contra os "súditos do Eixo" – alemães, italianos e japoneses – foram tomadas, e algumas delas foram particularmente doloridas para a comunidade nikkei no Brasil.

Mais de duzentas escolas de japonês foram fechadas. A língua japonesa foi proibida de ser falada em público; para a maioria dos nipônicos no país, esta era a única forma de se comunicar.

A publicação dos jornais em japonês ficou muito cara (passou a ser obrigatória a edição bilíngüe, japonês-português) e eles deixaram de circular. Em 1939, uma pesquisa da Estrada de Ferro Noroeste, de São Paulo, mostrava que 87,7% dos japoneses assinavam jornais na sua língua materna, um índice altíssimo para os padrões do setor no Brasil.

Os bens das empresas nipônicas foram confiscados. Japoneses não podiam viajar sem salvo conduto. Aparelhos de rádios pertencentes às famílias eram apreendidos – para que não se ouvisse transmissões em ondas curtas do Japão. Os "súditos do imperador" estavam proibidos de dirigir veículos de sua propriedade, mesmo os comerciais – os choferes tinham que ser designados por uma autoridade policial brasileira.

Sem que houvesse indícios de que organizações político-militares ligadas às armas imperiais do Japão estavam atuando no país (como foi o caso de núcleos do Partido Nazista entre os imigrantes alemães), civis japoneses e muitos de seus descendentes nascidos no Brasil foram tratados como prisioneiros de guerra.

Em 1942, a colônia japonesa que serviu para o cultivo da pimenta em Tomé-Açu, no Pará, foi transformada em campo de concentração (expressão da época), embora nenhuma atividade contra a "segurança nacional" por parte de seus membros tivesse sido detectada.

De Washington, o embaixador brasileiro Carlos Martins Pereira e Souto, incentivava o Brasil a adotar, a exemplo dos EUA, os "campos de internamento": áreas de confinamento para as quais foram levados, sem respaldo jurídico, mais de 120 mil nisseis (muitos já cidadãos americanos). Eles viveram nesses "campos prisão" até o final da guerra, em condições humanas precárias.

A delação – como diz Tzvetan Todorov, a delação no estado totalitário é um modo de colocar "o terror a disposição de todos" – contra os japoneses tornava-se popular. "Desavenças de vizinhos, dívidas não pagas e até brigas de crianças eram motivos para que os japoneses fossem delatados anonimamente às autoridades", conta Fernando Morais em Corações Sujos.

A suspeita não tinha limites: em dezembro de 1942, o jornalista Hideo Onaga e um grupo de jovens foram presos em um piquenique na represa Eldorado, distrito de Santo André (SP), por que havia uma desconfiança de que eles estivessem construindo um submarino (!), conforme relatou à historiadora Marcia Yumi Takeuchi. Marchinhas de carnaval ironizavam Hiroíto e a "terra do Micado".

Os pintores japoneses do grupo Seibi (Tomoo Handa e Yoshiya Takaoka, entre outros), que se reuniam para pintar na rua e no campo, foram obrigados a entrar em reclusão e atuar clandestinamente, o que não ocorreu com o grupo Santa Helena, por exemplo, composto em sua maioria por italianos.

Cômodos no porão

Em 10 de julho de 1943, sem aviso prévio, cerca de 10 mil "súditos do Eixo" (90% eram japoneses) foram obrigados a abandonar Santos em poucas horas, deixando todos os seus bens para trás. Em 3 de maio de 1944, o delegado-chefe do serviço de salvo-condutos, José Antonio de Oliveira, nega pedido de Miya Tekeuti, que estava em São Paulo e queria voltar a residir na Baixada Santista para ficar perto dos sete filhos, o menor deles com 12 anos.

A ladeira Conde de Sarzedas, no centro de São Paulo, foi um marco para os japoneses. O aluguel dos cômodos no porão dos sobrados era uma bagatela e grupos de japoneses passaram a morar nesses quartos, a partir de 1912. Ela passa a ser conhecida como a Rua dos Japoneses, iniciando a história da Liberdade como o bairro nipônico – nasciam ali os primeiros restaurantes japoneses da capital paulista.

Em 2 de fevereiro de 1942, os já numerosos nikkeis da Conde de Sarzedas e da Rua dos Estudantes são acordados durante a noite por agentes do Dops; foram avisados que teriam de abandonar a área em 12 horas. A cena se repetiria na véspera do 7 de setembro, desta vez com os japoneses tendo dez dias para se mudarem definitivamente da região.

Em 25 de maio de 1945, a mais famosa dupla do jornalismo brasileiro, composta pelo repórter Davi Nasser e pelo fotógrafo Jean Manzon, publica, em O Cruzeiro, uma matéria-ilustração inspirada em algo parecido feito pela americana Time, com o objetivo de ensinar os brasileiros a distinguirem um japonês de um chinês.

O japonês, segundo Nasser, entre outras coisas, é "de aspecto repulsivo, míope, insignificante".

Nas palavras do historiador Roney Cytrynowicz, em seu livro sobre o impacto da Segunda Guerra no dia-a-dia do paulistano (Guerra sem Guerra), "a opressão contra os imigrantes japoneses, diferente do que ocorreu com italianos e alemães em São Paulo, deixa claro que o Estado Novo moveu contra eles – a pretexto de acusação de sabotagem – uma campanha racista em larga escala".

Com o fim da guerra, os japoneses ganharam mais estigmas: os de fanáticos e terroristas. Eles estavam ligados às ações da organização Shindô-Renmei, uma tentativa desesperada de preservar o espírito nipônico e a veneração ao imperador japonês em terras estrangeiras, em criar uma pátria para despatriados. Seus membros jamais aceitaram "suportar o insuportável", não atendendo às históricas palavras de Hiroito ao comunicar aos súditos, por rádios e alto-falantes, a rendição japonesa.

Em um dos casos históricos mais curiosos de tentativa radical e desesperada de preservação de um passado em terra estrangeira, os membros da Shindô-Renmei (31.380 nisseis, segundo a polícia paulista, eram suspeito de pertencer à organização; em 1946, o Dops fichou 376 deles) e a maioria da comunidade japonesa no Brasil se recusavam a aceitar que o Japão havia perdido a guerra. A organização matou 23 e feriu 147 nipônicos, acusando de serem "derrotistas" aqueles que aceitavam a derrota do império do sol nascente.

Linchamento

Por causa do assassinato do caminhoneiro Pascoal de Oliveira, o Nego, pelo também caminhoneiro japonês Kababe Massame, após uma discussão, em 31 de julho de 1946, a população de Osvaldo Cruz (SP), que já estava à flor da pele com dois atentados da Shindô-Renmei na cidade, saiu às ruas e invadiu casas dispostas a maltratar "impiedosamente", na palavra do historiador local José Alvarenga, qualquer japonês que encontrassem pela frente.

O linchamento dos japoneses só foi totalmente controlado com a intervenção de um destacamento do Exército, vindo de Tupã, chamado pelo médico Oswaldo Nunes, um herói daquele dia totalmente atípico na história de Oswaldo Cruz e das cidades brasileiras.

Com o final da Segunda Guerra, o eclipse do Estado Novo e o desmantelamento da Shindô-Renmei, inicia-se um ciclo de emudecimento, de ambos os lados, sobre as quatro décadas de intolerância vividas pelos japoneses. Do lado local, foi sedimentando-se no mundo das letras, a idéia do país como um "paraíso racial". Do lado dos imigrantes, as segundas e terceiras gerações de filhos de japoneses se concentraram, a partir da década de 1950, na construção da sua ascensão social. A história foi sendo esquecida, junto com o idioma e os hábitos culturais de seus pais e avós.

Como diz a historiadora Priscila Nucci, da Unicamp, no seu trabalho Os intelectuais diante do racismo antinipônico no Brasil: textos e silêncios, até os estudos sobre a imigração japonesa passaram a se focar nas questões ligadas à "assimilação, integração e aculturação", deixando um vácuo, um "silenciamento ou minimização das discussões sobre o racismo contra os japoneses no Brasil".

Comentários (39)
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Danilo Hatori , Curitiba-PR - Estudante
Enviado em 2/7/2008 às 10:17:46
Só para lembrar que os imigrantes japoneses e seus descendentes não contribuíram apenas na agricultura brasileira. Olhando apenas para o meu Estado (que não é o local que concentra o maior número de japoneses), de cara posso lembrar do trabalho do desenhista e colunista Cláudio Seto, do arquiteto Key Imaguire Jr., fundador da primeira gibiteca do Brasil, e do fotógrafo Haruo Ohara, conhecido por registrar momentos do norte paranaense.
Tiago de Jesus , SP-SP - analista de sistemas
Enviado em 30/6/2008 às 19:51:41
... deixem-me perguntar o que ninguém perguntou ainda: Matinas Suzuki, por onde você andava?
Antonio  Bittar , Maringá-PR - ator
Enviado em 30/6/2008 às 15:48:40
Bem, se vocês pararem um pouco para ler o que está escrito em cada um dos comentários, irão perceber que nem mesmo um grupo pequenino consegue se entender. Como entender uma cultura (ou brasileiros de outros estados ou mesmo de cidades!) se misturando com a outra? É preciso abrir a mente para isso, mas não com um machado.
Rogério Ferraz Alencar , Fortaleza-CE - ATRFB
Enviado em 30/6/2008 às 09:45:11
Qual foi a generalização que eu fiz, Alberto Cabre?
Alberto Cabre , São Francisco do Sul-SC - Radialista
Enviado em 30/6/2008 às 08:28:10
A pior coisa que existe que é a generalização, Sr. Rogério. Seria o mesmo que afirmar que todos os fiscais da receita são corruptos.
Rogério Ferraz Alencar , Fortaleza-CE - ATRFB
Enviado em 28/6/2008 às 14:44:08
Pois é, Matinas Suzuki...em 1991 me mudei para Joinville-SC, depois de passar em concurso para a Receita Federal. Na mesma época, um japonês de São Paulo também foi para lá. Trabalhávamos em São Francisco do Sul. E ele sempre falava contra nordestinos. Dizia que deveriam proibir nordestinos de irem para São Paulo...
Thiago Conceição , Campinas-SP - Programador
Enviado em 28/6/2008 às 13:42:43
Rogério, aproveitando o seu comentário e mudando um pouco o assunto. Se não há comida no supermercado, água saindo da torneira e eletricidade a maioria dos brasileiros morreria ou matariam uns aos outros em desespero. Todos somos dependentes das facilidades modernas, pelo menos aqueles que vivem em áreas urbanas como sardinhas em uma lata, até o ponto que não temos escolha senão trabalhar para pagar essas contas, pois não conseguiríamos viver de outro jeito. É tanta liberdade quanto aquela que um viciado em drogas tem em não tomar a sua dose diária. Ser livre é assistir novela, conversar na internet e comer fast-food? Será? Não estou dizendo que viver pelado na selva seja melhor, e muito menos que alguma dessas idéias opressivas das viúvas do muro de Berlim seja a solução, mas estou apenas salientando que escravos todos somos, de uma forma diferente, mas ainda escravos. Talvez todos nós, inclusive você, deveríamos aprender sobre o que é ser livre. A sua definição de escravidão é muito restrita a um único tipo que era muito comum no passado da humanidade e que foi praticada por todas as raças em todos os lugares.
Nikolai Streisky , Londrina-PR - estudante
Enviado em 28/6/2008 às 10:46:24
Caro Marco Antônio Leite, sua visão do imigrante é limitada e regional... Onde o senhor mora? São Paulo, por isso o senhor citou alemães, italianos, negros, etc... Mas e quanto aos eslavos? esses tb não devem ter sido muito importantes? Eles vieram majoritariamente ao Paraná e um pouco para os outros estados do sul... A cultura japonesa é muito influente, além dos imigrantes terem trazido várias espécies novas, trouxeram técnicas de cultivo que foram assimiladas por nós brasileiros... Não acho apropriado dizer que o negro ou o alemão foram mais importantes na formação do Brasil do que outras etnias... Poucos sabem mas houve um grande fluxo migratório japonês para o norte do Brasil, no Pará, sendo mais exato...
Rogério Barreto Brasiliense , Santos-SP - Vendedor
Enviado em 27/6/2008 às 22:04:03
Prezado Alexandre Carlos Aguiar. Não há como comparar os tristes e chocantes fatos narrados no artigo com os trezentos anos de escravidão que houve no Brasil. Quando o Kassato Maru partiu de Kobe, seus passageiros embarcaram por livre e espontânea vontade. Já os africanos que vieram nos navios negreiros atravessaram o Atlântico como carga. As condições de trabalho dos imigrantes eram duras, a dos escravos degradantes: marcados a ferro como gado, sofriam açoites impiedosos. As moradias destinadas aos imigrantes eram precárias, mas infinitamente melhores que uma senzala. Não se tem notícia de famílias de imigrantes que tenham sido separadas pela venda de um de seus integrantes a outro proprietário. Com o passar dos anos os imigrantes passaram a ser proprietários de terras, os ex-escravos não tiveram este direito. Por fim, para que você copnheça um pouco mais sobre o período da escravidão no Brasil, sugiro a leitura do ótimo livro "O trato dos viventes" de Luís Felipe de Alencastro, assim como os poetas Castro Alves e João da Cruz e Souza, conhecido como o poeta do Desterro, o maior nome do Simbolismo brasileiro e a consulta a um bom dicionário para que você entenda o que é ser livre e o que é ser escravo.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 27/6/2008 às 18:50:30
Este site é useiro e vezeiro em censurar palavras que não estão de acordo, as quais estão embutidas em comentários de seus colaboradores. A imprensa tem que ser censurada isto porque ela não é dona da verdade e, não deve ser imune a sua liberdade de expressão. Visto que, democracia pressupõe uma participação de todos, não somente de uma seita chamado meios de comunicação. O Poder Judiciário tem que usar suas prerrogativas e colocar a imprensa no seu devido lugar.
Thiago Conceição , Campinas-SP - Programador
Enviado em 27/6/2008 às 18:05:58
Socialismo é opressão, Marcelo. Não importa quais sejam as suas intenções, o resultado final todos nós já conhecemos através da história.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 27/6/2008 às 16:14:48
Coloca a culpa pelos males que o capitalismo impõe ao povo nos socialistas.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 27/6/2008 às 15:53:49
Caro Aguiar, não perca seu precioso tempo, como também seu intelecto. Esse cara não merece nossa atenção, se trata de um impiedoso anti-socialista?
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 27/6/2008 às 14:38:29
Ainda bem, Thiago, que você tanto entende das minhas besteiras, que acaba escrevendo as suas. Não fique triste, é a vida.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 27/6/2008 às 14:29:15
Os verdadeiros representantes do ÓDIO são pessoas como você que inescrupulosamente coloca a culpa pelos males que o capitalismo impõe ao povo nos socialistas. Mude esse discurso esfarrapado e caquético, o qual é improdutivo e nocivo para o bom desenvolvimento do povo brasileiro. Você [ ], cujo sistema capitalista não lhe dá a mínima, para piorar o discrimina no quesito social, pois você é um duro, ou seja, de pouco dinheiro para competir com a elite dominante. Sai dessa programação em desuso e cafona?
Thiago Conceição , Campinas-SP - Programador
Enviado em 27/6/2008 às 11:59:39
Alexandre Aguiar, você se enrolou demais e acabou falando besteira. Os maiores propagadores de dicotomia, ideologia "nós vs eles", criação de uma "elite" imaginária versus o povo e a mentalidade de vítima é justamente a esquerda. Em todas as políticas propostas pelo atual governo e apoiada por muitos há o componente de ódio e divisão. Observe cada discurso dos lideres latino-americanos e verá que tudo sempre gira em torno de "pessoas más" culpadas por todos os males do povo, e que algum ditador bolivariano ou pai dos pobres resolverá o problema "democratizando" tudo. A culpa não é da imprensa, embora parte dela participe desse jogo e faça divulgação destas mentiras, como podemos ver aqui no OI mesmo. Essa situação interessa aos políticos corruptos de sempre. Em segundo lugar precisamos de indivíduos poderosos, e não tirar o poder do indivíduo e colocá-lo neste ente abstrato chamado "sociedade", que é "representada" por poíticos canalhas e ONGs corruptas. Onde que há interesse em permitir poder, e por conseguinte responsabilidade, ao indivíduo neste país? Será que as leis draconianas sobre armas, mesmo depois do plebiscito do desarmamento, impedindo o direito do cidadão se defender, lhe dá uma dica do nosso status de gado para os governos? Você não pode nada, aqui está a sua "raça", este é o seu "inimigo" e isso é que permitimos você pensar, esse é o resumo dessas políticas.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 27/6/2008 às 07:35:06
Corroboro imensamente a opinião do jornalista Arnaldo Boccato. A grande questão em nossa sociedade, a ocidental, é essa dicotomização das situações com as quais nos deparamos. Ah, se não for para os pobres é para os ricos, se não for pra branco é pra negro, se não é PT é PSDB, e assim vamos. Ah, mas isso enriquece os debates. Mentira, apenas acirra os ânimos, até porque o debate, andando desta forma, é pobre em conteúdo. Ocorre que esta postura de arquibancada interessa à mídia. O contraponto é uma perspectiva midiática, está na raiz de suas possibilidades. Uma de suas premissas é "ouvir os dois lados", o que permite entendermos que tais posturas são incentivadas por esse segmento social. Quando não há dicotomia a mídia sente-se perdida, pois não há como difundir paradigmas e paradoxos. Somos animais gregários, vivemos em sociedade. Uma sociedade organizada, consciente de seus direitos e deveres, deve caminhar na síntese de suas diferenças, procurando o ponto consensual que a una em busca de objetivos próprios. E não fabricar bandeiras de cores diferentes para incentivar os pares.
arnaldo boccato , campinas-SP - jornalista e publicitário
Enviado em 26/6/2008 às 14:35:03
Vamos explicar: são dois mitos. O primeiro, da igualdade racial no Brasil que tem racismo mas faz de conta que não tem. O segundo, que o sistema de cotas resolve tudo - a imprensa cansou de expor esse "racismo por decreto", ainda que - repito - os legisladores nunca tenham pretendido fazer nada nesse sentido, mas esse tiro saiu mais ou menos pela culatra. Muito mais que cotas raciais na educação ou no mercado de trabalho - na prática, os dois grandes alvos da legislação - o país precisava e precisa de "cotas de condição social". O assistencialismo dos Bolsa isso ou aquilo foi um bom passo. Ótimo, mas é paliativo de curto prazo, porque tem muitos Ruggieros, Fernandez, Schmidts e Shimizus por aí também sem acesso às melhores alternativas educacionais por falta de dinheiro. É uma dívida social, antes de ser uma dívida racial - tem um forte componente racial, sim. E não é por falta de ver essas informações na imprensa, é absoluta falta de vontade de quem está no poder em saldar essa dívida secular, de verdade, sem maquiagem eleitoral. Nos EUA da afirmação racial e cotas há negros rastejando no porão da escala social (com problemas sérios de desemprego, habitação e saúde) e também há um Obama candiadto à presidência.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 25/6/2008 às 20:00:42
Caro Matuoka, saiba que a história nunca é escrita como ela aconteceu de fato. Quando se escreve algo sobre uma pessoa ou uma nação só coloca no papel o lado bom, omitindo a parte podre dessa história. Senhor ou jovem, conheço diversos estudantes e jovens já formados numa faculdade que não conseguem escrever um bilhete de cinco linhas, quanto mais entender o que a história diz o que ocorreu no período das transformações feitas por uma colônia, seja ela qual for. Portanto, ser formado não ganha jogo, muito menos da embasamento para mensurar o conhecimento de alguém?Abraços...
Thiago Conceição , Campinas-SP - Programador
Enviado em 25/6/2008 às 18:26:52
Arnaldo Bocatto, o problema da sua revolta contra a "igualdade racial" é que ela promove a mentalidade de vítima. Contar a história "inteirinha" passa a ser somente justificar problemas atuais e políticas raciais que favorecem este ou aquele apenas pelo seu DNA. Parece-me que você deseja consertar um engano com outro engano. Dois erros fazem um acerto? É bom que textos assim sejam publicados para que os [ ] quotistas caiam na real e vejam que não foram os únicos injustiçados e enquanto alguns sacudiram a poeira e seguiram em frente eles preferem rastejar por benefícios e choramingar feito uma vítima (o que é um comportamente desprezível e de gente fraca). Podemos todos ser vencedores, basta querermos. Repetirei mais uma vez o que já disse em vários comentários, liberdade e responsabilidade andam juntas. Uma não existe sem a outra. Para ser livre é necessário ser responsável por si próprio e por suas ações, para ser responsável é necessário ser livre. Quando o governo promove uma ideologia onde a responsabilidade não está com o indíviduo, mas nas mãos do Estado seja através de quotas ou outra forma, e culpa-se uma "elite" imaginária por todos os males quem ganha com isso? Muita gente pode ganhar, menos o cidadão além de ter sofrido agora também é um escravo da mentalidade de vítima e será doutrinado na idéia de que é impotente e precisa da ajuda dos outros.
Jackson Matuoka , Jaciara-Mt - estudante
Enviado em 25/6/2008 às 17:57:02
Amigo Marco, reconheço que a verdadeira história pode estar distorcida, não só quanto aos nipônicos, mas também quanto aos italianos, portugueses, alemães, etc. Agora dizer que os japoneses só vieram ao Brasil pra plantar hortaliças e em nada contribuiram para o desesvolvimento do país... Ah, isso eu não admito! Você afirma a todo instante que a realidade é a que você supõe e a história real é a que você diz... Caro amigo, eu sou estudante ainda, porém tenho vasta noção em história, não muita noção, porém tenho instrução o suficiente pra dizer que você não é, nem fez e tão pouco pode responder pelos fatos como se você fosse a História própriamente dita.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 25/6/2008 às 16:23:05
Caro Matuoka, não estou desmerecendo a vossa colônia, apenas estou expressando aquilo que sabemos sobre a contribuição de seus ancestrais. Falar a verdade não desmerece quem quer que seja apenas a contribuição japonesa não é melhor e nem pior que as outras etnias. Ademais, a elite brasileira é quem diz que vossa gente é o máximo, tenta a todo custo nos impingir informações que não condiz com a realidade do cotidiano. Abraços.
arnaldo boccato , campinas-SP - jornalista e publicitário
Enviado em 25/6/2008 às 16:19:48
(parte I)(este abre a série que se completa com os dois logo abaixo) O artigo do Matinas Suzuki expõe o que todo mundo está cansado de saber, só que do ponto de vista nipônico. A formação da população brasileira passou, sim, por pequenas e grandes barbaridades, um tanto de xenofobia, racismo, ganância e ignorância. Desde 1500 o Brasil se formou com degredados portugueses (criminosos de verdade), judeus forçados a virarem cristãos novos, bandidos oficiais disfarçados de bandeirantes caçando índios, a elite corrupta a mando de el-rei e o clero (sem disfarces) explorando índios e os negros escravizados. A imigração patrocinada pelo Império “acolheu” italianos, alemães e outros a partir do séc. XIX porque as guerras e a fome na Europa criaram mão de obra barata a ser exportada, até mais em conta para o dono de terra que o negro escravizado, seja no dinheiro, seja no ônus político. Quantos relatos não sobram por aí de imigrantes europeus mantidos sob o regime da caderneta, do capitão-de-mato transformado em capataz ou homem de confiança e da senzala que virou “alojamento”? Até a década de 60 racismo era ensinado na escola pública (o então Ginásio, equivalente ao atual período da 5ª à 8ª séries), com livros de geografia da época mencionando mestiços como “de natureza indolente” entre outras características fortemente racistas, conservadoras e elitistas. E o autor...(segue)
Jackson  Matuoka , Jaciara-Mt - estudante
Enviado em 25/6/2008 às 16:10:55
Esse Marco Antônio é uma figura! Sou descendentes de japoneses (sansei pra ser mais exato ) e nem por isso desmereço as outras etnias que imigriram para o Brasil quanto ao desenvolvimento cultural e econômico do Brasil. É certo que os japoneses formam a colônia mais recente no país ( míseros 100 anos, que ironia! ), mas também e certo que a sabedoria e paciência dos nipônicos contribui ( e ainda contribui ) muito para o desenvolvimento, entre outros motivos, da miscigenada nação brasileira.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 25/6/2008 às 16:10:44
Caro Aguiar, você tem razão, pelo menos mostrou que conhece aquilo que o japonês tem dado de contribuição para o desenvolvimento do país. Parabéns...
arnaldo boccato , campinas-SP - jornalista e publicitário
Enviado em 25/6/2008 às 14:49:12
(continua) A imprensa – aqui ou em qualquer lugar do mundo – tem duas mãos: de um lado, mostra posições e senso comum da sociedade, do outro, pode criar ou reforçar essas posições, muitas vezes sem fazer qualquer juízo de valor sobre o que publica. Aqui já foi pior. O racismo do livro escolar ou o anúncio classificado pedindo doméstica “branca” eram mais ou menos aceitos por boa parte da sociedade brasileira, por tabela, nossa imprensa. Discutir isso hoje em dia na imprensa é avanço na direção da consolidação da cidadania e de contar a história não só dos “vencedores”. É questão de contar inteirinha a história dos brasileiros que fizeram e fazem o país: portugueses, judeus, índios, negros, italianos, japoneses... Em 200 anos, a imprensa brasileira, bem ou mal, virou testemunha e ajudou (ajuda) a fazer essa história. Para mim, o artigo do Matinas é tão importante quanto o cerimonial oficial. Sem tê-lo publicado, ficaríamos só com o cerimonial. Já o Lucas Ferraz (e quem não viu) pode assistir “Bem-Vindos ao Paraíso” (1990) de Alan Parker, que foi indicado a Palma de Ouro em Cannes pela melhor direção, mostrando um campo de concentração nos EUA na II Guerra Mundial (foram montados vários, na Califórnia, Arkansas, Texas e outros estados). Nada do filme foi lembrado pelos rançosos acadêmicos de Academia de Hollywood, é claro.
arnaldo boccato , campinas-SP - jornalista e publicitário
Enviado em 25/6/2008 às 14:36:30
(continua) E o autor – salvo engano meu – era Aroldo de Azevedo, referência na geografia brasileira, junto com Aziz ab’ Saber. A professora reforçava com algo como: “café com leite é preguiçoso, italiano e alemão é gente boa, japonês se isola”. Soava estranho: o que é que eu, descendente de italianos, portugueses e brasileiros, tinha de diferente numa classe com negros, vários mulatos e até um nissei de nome Luigi? Dez anos depois soube que isso gerou o solitário protesto de um pai mulato, seguido de humilhante comentário em classe e perseguição por parte da mestra – que nunca foi punida. Quanto à contribuição japonesa para o desenvolvimento brasileiro, difícil imaginar dezenas de produtos agrícolas consumidos hoje sem o dedo nipônico – e o cérebro e a dedicação –, sem falar na atuação dos descendentes nas mais diversas áreas. Negar ou minimizar isso é praticar xenofobia no atacado e propalar igualdade racial no varejo, mesmo quando apenas uma insinuação disso escapa em algum artigo ou comentário. Isso é o bastante e já é demais, tanto quanto o racismo às avessas das cotas – e a gente tem certeza que nenhum legislador jamais quis algo assim ao propor, votar e regulamentar esse processo. É uma discussão que deve seguir por mais algumas gerações, até acabar com esse complexo burro de igualdade racial que assola a sociedade brasileira. (segue II)
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 25/6/2008 às 12:46:31
Pepino e tomate? Ô, Marco Antonio. "Menas", como diria a minha avó. Por favor! Segue a lista de hortaliças: pepino, tomate, pimentão, cebola, couve, quiabo, agrião, acelga, rúcula, soja e mais aqueles temperinhos famosos. Frutas: laranja, abacaxi, uva, maçã, kiwi. Além de aprimoramento genético nas culturas de café, feijão, milho e, olha só, arroz, com trabalhos assimilados pela EMBRAPA, inclusive. A participação japonesa no melhoramento das técnicas de agricultura no Brasil foi fundamental para termos a produção de hoje, com recordes sobre recordes na tal balança comercial do agronegócio. Concordo com você sobre a questão do trabalho escravo das diversas etnias que contribuiram para a formação do povo brasileiro. Mas desmerecer assim a participação do japonês, com todo este astigmatismo, em nosso país é... bom, não vou usar o termo.
Roberto Ribeiro , Aracaju-SE - Arqueólogo
Enviado em 25/6/2008 às 12:35:13
O que nos faz igual no Brasil é a perseguição. Sou neto de portugueses e não se pode dizer que nunca tenha sofrido discriminação por isso. Qualquer um pode lembrar do estereótipo do português de padaria, ou do colonizador português pintado como bronco e estúpido. "O Brasil não deu certo por ser colonizado por portugueses", ouvi isso a vida toda. "Os portugueses foram tão burros que não ficaram com o ouro do Brasil e o passaram aos ingleses", não é assim. Nenhum grupo étnico no Brasil deixou de ser descriminado e aviltado, não temos WASPs. As ditaduras foram duras para todos igualmente, exceto para seus afilhados, que não eram distinguidos pela cor da pele, haja a vista que a ditadura militar teve pelo menos um ministro de origem japonesa e vários de origem alemã, judia, árabe. No Brasil, todos somos opimidos e todos somos opressores. O negro conta piada de português, o português despreza o nordestino, o nordestino tem preconceito contra o japonês, o japonês planta pimenta na terra do índio, mas também o português aprende judô, o japonês come rabada, o índio casa com a negra. Nada é tão simples.
Lotar Kaestner , curitiba-PR - jornalista
Enviado em 25/6/2008 às 11:56:12
Grande parte dos políticos do Congresso brasileiro da época eram latifundiários, criadores de gado, veterinários, médicos, grilheiros, [ ], corruptos...e por isso se fala das pessoas, dos imigrantes, como de bois, vacas, cabras. Se cruza uma raça com a outra, se proibe seus costumes e sentimentos tal como se cria cavalos...para ter escravos fortes, mão de obra barata, etc...O Brasil naquela época, uma autêntica república de banana com golpes de Estado, doenças infecciosas... será que hoje já mudou muito? Somos ainda uma sociedade primitiva, porque as coisas são em geral impostas de cima para baixo, como se faz numa fazenda com os bois. De nada adianta misturar os corpos se não se misturarem as almas. Mas não à força, com violência. Mas como num casamento...onde se casam sentimentos mutuos. O máximo que se viu foi o bispo crente [ ] que usou milhões do Estado brasileiro para espertamente se apoderar da mente dos coitados descendentes de escravos...e vai se eleger prefeito do Rio de Janeiro"...a cidade da Música". E vamos misturando a massa do caldeirão da bruxa...Vamos todos votar no abnegado bispo das almas ....que quer mais dinheiro....para deixar sua marca....
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 25/6/2008 às 11:20:42
Caro Braga, sua visão estrábica com relação à vinda de nipônicos e fincar bandeira aqui nesta terra de ninguém foi em função da guerra, pura fuga. Pois quem mais contribui com a evolução do Brasil em várias áreas foram os Italianos, Portugueses, Negros que foram usados como mão escrava entre outras raças. O japonês apenas plantou pepino e tomate, portanto sua contribuição foi e é muito pequena no que concerne ao desenvolvimento do país. Vale dizer, tenho uma boa saúde visual, não sou como alguém que tem a visão opaca e estrábica, isto porque não enxerga o pouco que o asiático fez e faz pelo Brasil. Abraços...
Marcio  Araujo de Almeida Braga , Florianópolis-SC - Instrutor
Enviado em 25/6/2008 às 10:29:38
Caro Marco Antônio Leite, Parece correto dizer que a elite brasileira tenta agradar a elite japonesa pensando apenas em negócios. Mas você está completamente errado quando insinua que os japoneses não colaboraram para o desenvolvimento do Brasil. Eles colaboraram sim e muito, com seu trabalho dedicado, com suas idéias e com seus bons costumes. Abra o olho meu amigo.
Juca Crispim , São Paulo-SP - Estagiário
Enviado em 24/6/2008 às 22:07:19
Ainda bem que quando a gente vai pro Japão as coisas são muito diferentes, né?...
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 24/6/2008 às 19:23:31
Bem disse a designer Eliana Takemoto aí abaixo. "vivemos integrados". Que essa frase sirva para aqueles que desejam reviver, nas propostas cotistas racistas de agora, as atrocidades e malquereres estúpidos perpetrados por quem se achava o dono da verdade no passado, sejam eles senhores de escravos, latifundiários, empresários exploradores, ou nazistas disfarçados. Devemos incentivar a integração e não levantar as cinzas para reavivar o fogo. Nenhum erro será reparado, jamais, com a inserção atual, seja para negros, índios ou mesmo japoneses. Aliás, é com o erro que se deve aprender a não cometê-lo novamente. Os japoneses estão nos dando, aos brasileiros, um exemplo de perseverança e de retomada dos objetivos, não obstante as perversidades cometidas contra eles. Claro, dirão alguns apressadinhos, mas eles não vieram como escravos. Porém, pelos relatos acima, sofreram tanto quanto. E alguém viu algum movimento pedindo cotas raciais para japoneses nas universidades? E, antes que confundam meu discurso, não sou da elite, estou a bilhões de anos luz de pertencer à burguesia e minha pele não é clarinha.
RUNDFUNK hörer , Ponta Grossa-PR - professor
Enviado em 24/6/2008 às 16:07:09
Susuki San, sinto muito mas, apesar de toda esta sua exposição, nada podemos fazer, pois NÃO SOMOS RACISTAS. O seu "colega" Kamel o disse. E o que não está no espectro glbal, como se sabe, não está no mundo. Quem é mais racista? O puliça de Santos ou o mencionado jornagunço?
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 24/6/2008 às 15:49:11
Quem esta homenageando a colônia japonesa é a elite brasileira. Elite que a todo custa tenta incutir nas mentes despreparadas que os japoneses contribuíram com o desenvolvimento do país, ledo engano ou puro puxa-saquismo. O objetivo da elite é bajular o governo japonês, a fim de angariar favores no que concerne vender os produtos brasileiros a preço de banana para os asiáticos. O italiano, alemão, negro, branco, brasileiro, nordestino, nortistas e similares contribuíram e contribuem com o desenvolvimento desta nação de ninguém.
Júlio Cesar Meira , Uberlândia-MG - Historiador
Enviado em 24/6/2008 às 15:04:26
Bem diz Hobsbawm que "historiador é aquele que insiste em lembrar o que as outras pessoas gostariam de esquecer". Numa época festiva, de comemorações pelos "heróis" imigrantes japoneses, é mais fácil fazer tábula rasa do passado e fingir que a imigração japonesa (ou outra qualquer desde o final do século XIX) tenha ocorrido em clima cordial e festivo.
Lucas  Ferraz , brasilia -DF - desenhista
Enviado em 24/6/2008 às 14:22:22
Campo de concentração nos EUA? Como ninguém nunca falou disso? Achava que esse "privilégio" era dos alemães. Aliás, todos os filmes, artigos e reportagens sobre essa época tratam apenas das atrocidades nazistas ( o que é bom manter viva) mas aos vencedores, o esquecimento de suas barbáries.
Eliana Takemoto , São Paulo-SP - designer
Enviado em 24/6/2008 às 14:08:40
Gostei muito deste artigo. Há fatos e histórias com as quais me identifico, pois cresci ouvindo de meus pais (que nasceram durante a 2ª Guerra) muitas das passagens descritas no texto. Faço apenas uma ressalva quanto a mágoa inserida nestas linhas. Óbvio que não podemos esquecer a história, mas acredito que devemos manter o foco no presente e daqui para adiante. Convivência nenhuma jamais será perfeita, mas certamente poderá melhorar, como de fato já melhorou! Vivemos muito mais integrados que há cem anos atrás, e muito mais felizes também - não troco o Brasil por nenhum outro país!
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