ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 494 - 9/2/2010
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CINEMA & FANTASIA
O banho de água fria de Indiana Jones

Por Wemerson Augusto em 15/7/2008

Artigo publicado originalmente na revista impressa de julho do Portal H2FOZ

As cataratas do Iguaçu até aparecem bem no filme, durante 2 minutos e 30 segundos, mas ao lado da Amazônia. A estréia de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Estados Unidos, 2008) deu um banho de água fria em muita gente de Foz do Iguaçu. A cidade aguardava com ansiedade as cenas das cataratas do Iguaçu no filme mas, para tristeza de muitos espectadores, o diretor Steven Spielberg provou que é mesmo um mago das câmeras.

Os iguaçuenses já sabiam que Harrison Ford não estivera no município para as filmagens no Parque Nacional do Iguaçu, em 2007. A expectativa era saber como a computação gráfica iria colocar os personagens no longa-metragem.

Assinado por David Koepp, George Lucas e Jeff Nathanson, o roteiro mostrou as cataratas de forma tão rápida que deixou muita gente confusa. Num trecho da trama, os personagens saem da Amazônia com a caveira de cristal e caem com o carro na Garganta do Diabo.

Estrutura do narcotráfico

O que chamou a atenção do público da região foi a ausência de qualquer menção ou crédito às cataratas do Iguaçu. Outra peculiaridade levantada pelos críticos foi a proximidade da Amazônia e das cataratas do Iguaçu como se fossem a mesma coisa.

Os personagens, após caírem da maior queda das cataratas, de uma altura média de 80 metros, e saírem ilesos, vão abrigar-se em baixo de uma caverna. Lá são postos para correr por homens selvagens.

No mundo da ficção pode tudo? O longa é mais um dos enlatados norte-americanos? O filme usa o roteiro para sedimentar estereótipos? Guardadas as proporções, a película transmite uma visão errônea da região, como ocorreu em Miami Vice (Estados Unidos, 2006)?

Para ajudar a entender essas questões, o H2FOZ entrevistou dois cinéfilos iguaçuenses, a advogada Ana Augusta e o jornalista Andersom Calil. Eles analisam Indiana Jones e Miami Vice, que teve imagens encenadas na região. Dirigido por Michael Mann, o filme demonstra uma estrutura do narcotráfico na América do Sul. Entre as cidades inclusas no roteiro estão Ciudad del Este e Foz do Iguaçu.

15 segundos de fama

Sobre o Reino da Caveira de Cristal, Ana dispara: "Foi incoerente. É improvável que eles não tenham acesso às informações corretas. Não sei por que fazem isso. Até parece que a caverna de onde saem os homens selvagens fica aqui. É aquela coisa batida deles, o Brasil é a Amazônia. E tem só selvagens."

Segundo Calil, a trama é mais um produto do discurso político norte-americano de superioridade em relação a outras nações. "A Amazônia ao lado das cataratas? É uma demonstração que eles não conhecem nosso país, ou se fazem de desentendidos. Eles pensam que aqui só tem índios. É uma demonstração do etnocentrismo", declarou.

Outros títulos da telona cometeram gafes ao retratar a região. Esse é o caso dos filmes Mr. Magoo (1997) e 007 Contra o Foguete da Morte (1979). Nessas obras, os diretores utilizaram as cataratas fazendo ligações com outras localidades, que em determinados casos ficam bem distantes da tríplice fronteira.

Em Mr. Magoo, o personagem Mr. Quincy Magoo passeia em questão de minutos pela floresta amazônica, praia de Copacabana e as cataratas do Iguaçu. Já em 007, o filme mostra Bond numa fuga de lancha pelo Amazonas em direção às cataratas. Seria o caso de analisar se a região precisa aparecer na telona a qualquer custo. O que sobra desses malfadados 15 segundos de fama?

Filmes na tríplice fronteira

Um dos melhores filmes a explorar a região foi A Missão. Lançado em 1986, ele trouxe no enredo a saga dos jesuítas na fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, ocorrida no século 17. A produção foi dirigida por Rolland Joffé e venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1986, na categoria melhor filme.

Produções nas três fronteiras:

2008 – OSS117 (Operação Rio) em estúdio

2006 – Miami Vice

2005 – Gaijin 2 - Ama-me Como Sou

2003 – A Saga

1997 – Mr. Magoo

1986 – A Missão

1979 – 007 Contra o Foguete da Morte

Comentários (7)
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Antônio Lucas Cunha , Belo Horizonte-MG - Analista Desenvolvedor
Enviado em 27/7/2009 às 13:39:28
Acho que vocês estao discutindo uma coisa que não tem o que discutir. Claro que o Steven Spielberg sabe que o Iguaju é longe da Amazônia, isso é filme e o bom dos filmes é isso poder juntar dois mundos em um so. Mas vocês como todo bom Brasileiro adora reclamar de tudo e critica tudo que acontece, sendo essa coisa boa ou ruim. O importante é reclamar ne? Se eles nao fazem nada aqui no brasil vocês reclamam se eles fazem vocês reclamam. Filme é assim mesmo, tudo magico capaz de juntar o sul com o norte em menos de 1 segundo.
Carolina Simao , Curitiba-PR - Relaçoes Puclicas
Enviado em 20/7/2008 às 22:36:19
F. Fonseca criatividade é diferente de show de mal gosto. Cinema pode tudo? Pelo menos, como paranaense vejo isso de uma forma diferente. Ao usar as cataratas, os produtores disvirtuaram o patrimonio da natureza. Ligaram a mesma, a cenarios fantasiosos, desconexos e esctrotos. Isso pode? Pode! Poderia ser melhor? Sem dúvida!Procede a critica a producao? Sim. Atraso é pensar que isso é um jogo de criatividade sem males.
Filipe Fonseca , Niterói-RJ - Funcionário Público
Enviado em 20/7/2008 às 21:20:45
Caro Adelar Pinto, é prática mais do que corriqueira, no cinema, a utilização de cenários relativamente distantes para compor o mundo em que se passa o filme. No filme em questão, as cataratas do Iguaçu foram utilizadas para retratar a fictícia "Garganta do Diabo", assim como a Nova Zelândia retratou a "Terra Média" de Tolkien. No contexto do roteiro de Indiana Jones, a "Garganta do Diabo" não fica em Foz do Iguaçu, mas na Amazônia. O recurso de se utilizar um cenário para retratar outro é comum demais para ser ignorado de boa fé. Os exemplos são infindáveis. Portanto, a crítica provinciana contida no artigo só pode ser feita com largas doses de ignorância e má-fé. Não entendi o seu comentário sobre meu desconhecimento das cidades brasileiras, nem sobre meu senso crítico. Se for possível, gostaria que demonstrasse onde exatamente, no meu comentário, é possível identificar esses problemas.
Adelar  Plinio , Campinas-SP - jornalista
Enviado em 20/7/2008 às 19:38:15
Caro Filipe Fonseca, que o filme é péssimo não temos dúvida. Agora você achar natural e dizer :"Haja ignorância, haja má-fé!", desculpe, mas é ignorancia de sua parte. Você demonstra entender das cidades brasileiras como de roteiro de cinema. Outra coisa, defender a palhaçada feita como recurso de criativa, é não ter senso crítico, muito menos bom senso.
Filipe Fonseca , Niterói-RJ - Funcionário Público
Enviado em 20/7/2008 às 00:33:11
No filme (que é péssimo), a "Garganta do Diabo" fica na própria floresta. A continuidade no cinema de cenários descontínuos no mundo real não tem nada de "etnocentrismo" ou preconceito ou implicância com o Brasil ou Foz do Iguaçu. É prática regular no cinema, necessária, criativa. Haja ignorância, haja má-fé!
Paulo Pontes , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 17/7/2008 às 23:50:56
Wemerson, o importante são os heróis criados. A ideologia dominante se apoderou das técnicas psicanalíticas, assim como a propaganda, para consguir internalizar os parâmetros de desejo aos consumidores.
Plinio Hamses , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 16/7/2008 às 18:02:13
Não só os gringos fazem essas cagadas. Tem muita produção brasileira que comete o mesmo erro. Mas a reflexão é muito pertinente.
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Wemerson Augusto

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