ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 497 - 9/2/2010
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LEITURAS DO GLOBO
Jornalismo de mentirinha, publicidade de verdade

Por Alberto Dines em 5/8/2008

No último domingo de julho (27) foi a capa promocional adotada pelo Estado de S.Paulo, entregue aos publicitários encarregados de vender os carros Nissan. Na primeira segunda-feira de agosto (4) foi a edição de O Globo, na qual mais uma vez derrubam-se as barreiras que separam o jornalismo da publicidade.

Desta vez, a causa não é mercantil. O anunciante (Eletrobrás), armado de ótimas intenções (a defesa do meio-ambiente e o desenvolvimento sustentável), liquidou as frágeis divisórias que ainda separam o serviço público (jornalismo) do comércio (anúncios). De forma engenhosa e enganosa converte-se uma ação com a aparência inocente, cívica, politicamente correta, num acintoso atentado contra a incolumidade da informação jornalística.

Foram três páginas inteiras (págs. 5, 11 e 19) montadas com matérias já publicadas recentemente no Globo e todas as características de matéria apurada, oriundas da Redação. Inclusive com os selos utilizados habitualmente pelo jornal ("Política Ambiental", "Defesa do Consumidor" e "Impunidade é Verde"). O carimbo "Publicidade" não está no alto, destacado, mas confunde-se com outros dizeres.

E para mostrar que esta mixórdia é mesmo anúncio – apesar de todos os indícios de matéria jornalística, inclusive com o nome de repórteres – acrescentaram-se em cima dos textos imagens desenhadas de copas de árvores.

Na última inserção, os mágicos da Eletrobrás associados aos mágicos do Departamento de Markenting [sic] do Globo revelam que a Eletrobrás está plantando 600 mil mudas de árvores no entorno das suas usinas.

Acabou a palhaçada jornalístico-ambiental? Não: ela continua num panfleto chamado "Razão Social" (usado geralmente para abrigar o que no jargão se chama de picaretagem), carregado de anúncios (Firjan, Petrobrás, CNI-SESI, Instituto Ethos e Coca-Cola), entremeados de matérias de origem dúbia (como a entrevista do presidente da Light).

Exibição de esquizofrenia

Quanto custou esse carnaval aos contribuintes? A folia da montadora Nissan no Estadão foi paga por uma empresa privada que resolveu torrar os seus lucros no Brasil à custa da complacência da imprensa com a degradação da sua imagem. Problema da Nissan.

Mas o delírio exibido pelo Globo foi pago por uma estatal. Aquelas três páginas inteiras mais o exótico apêndice devem ter custado 10 vezes mais do que as 600 mil mudas plantadas no entorno das usinas.

O Tribunal de Contas da União aprovou (ou aprovará) essa aventura marquenteira? A Corregedoria, Ouvidoria ou Ombudsman da Eletrobrás concorda com esse desperdício de recursos?

Com apenas um anúncio – anúncio propriamente dito – de uma única página pode-se oferecer à sociedade uma mensagem clara, direta, legítima e muito mais eficaz. Sem aviltar o interesse público.

Essa parceria Eletrobrás-Globo e os penduricalhos complementares são uma exibição da galopante esquizofrenia que assola a sociedade brasileira: proclama-se a necessidade de preservar o meio ambiente e não se titubeia em degradar o que a República tem de mais precioso – o seu escasso estoque de decência.

Tropa de elite

A jogada do Departamento de Markenting [sic] é genial. Genial e diabólica. Sob o pretexto de defender a humanidade, faz tábula rasa das diferenças que outrora existiam entre comércio e civismo. Pura pirataria, como diria o bigodudo Nietzsche.

Esses casos são graves porque não são casuais, fazem parte de uma estratégia corporativa. A ANJ (Associação Nacional de Jornais) recomenda com insistência aos associados a utilização agressiva de novos recursos publicitários para enfrentar as vantagens das revistas em matéria de impressão colorida e papéis especiais. Isso não significa apenas a adoção por parte dos diários de novos formatos de anúncios – mesmo que a custa da destruição de velhos hábitos de leitura. Significa também a adoção de simbioses tanto na forma como no teor das mensagens veiculadas pela mídia impressa.

Às redações dos grandes jornais brasileiros foram anexados os departamentos de Projetos Especiais (ou de Markenting), uma tropa de elite regiamente paga, com a dupla missão: fazer do jornalismo, publicidade e da publicidade, jornalismo.

Antigamente gritava-se em francês "Vive la diference!". Hoje berra-se em bom português: "Viva o sincretismo!".

Evidentemente voltaremos ao assunto.

 

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Comentários (26)
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Adalberto  Marcondes , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 27/8/2008 às 10:42:38
Caro Dines, esta é a segunda vez que escrevo sobre este artig. Por algum motivo a primeira não foi publicada. Quero dizer que você está fastando boa munição com o algo errado. O caderno Razão Social do Golobo, editado pela competente Amélia Gonzales, é um tipode jornalismo diferente. É um jornalismo que exalta melhores práticas empresariais, aquelas necessárias para a mudança de paradigmas de produção e consumo necessárias para a criação de uma sociedade mais sustentável. Entre seus colaboradores está o jornalista Luciano Martins Costa que vem reiteradamente escrevendo sobre este tipo de jornalismo. O ataque ao caderno foi despropositado e deselegante, uma surpresa que tenha vindo de você. Nos últimos anos muitas mídias tem trabalhado para mostrar à sociedade que pode existir um outro modelo de economia, mais comprometida com o respeito ambiental e com a responsabilidade social. São publicações em internet e em papel que estão saindo de nichos para ganhar o grande público. Quando isso acontece em um grande jornal, o que deveria ser motivo de comemoração torna-se objeto de ataque? Espero que você reavalie sua posição, afinal, seu olhar sobre a mídia é muito importante. Um equívoco como esse pode influenciar muita gente. Cordialmente, Adalberto Marcondes - Envolverde - www.envolverde.com.br
Eric Moreira Rodrigues , Vitória-ES - Gerente de Resp. Social
Enviado em 16/8/2008 às 11:17:49
Dines, acho oportuno ter alguém ainda capaz de se indignar com algumas coisas, como você. Acompanho o seu trabalho e acho que você está no caminho certo. Como gerente da área de responsabilidade social, devo te dizer que esta área ainda engatinha nas empresas, que, salvo exceções, o fazem por obrigação (reputação, índice de bolsas, etc). Agora uma falha tua: o Razão Social do jornal o Globo tem funcionado como um ponto de confluência entre empresas (na verdade, algumas pessoas de algumas empresas) que tentam trocar melhores práticas. É uma área difícil, que depende de metodologias ainda ineficazes para medir os impactos positivos e tecnologia que permita juntar isso tudo sistemicamente. Através do Razão, cheguei ao centro de pesquisa da Petrobrás no Rio, à Fundação Itaú, à ArcewlorMittal e agora vou buscar contato com a Votorantim, todas com gerentes dispostos a fazer mais que RS, mas Comprometimento Social. Não conheço os responsáveis do Globo que fazem aquele suplemento, mas é por ele que os que pensam construtivamente como eu estão se encontrando. Fiquei angustiado quando vi alguém como você falar de forma tão agressiva e emocional de um veículo que está cumprindo tão bem o seu papel. A publicidade é realmente uma droga e o dinheiro que suponho ser a raiz de tudo, também. Porém, há exceções dentro e fora das empresas. O jornalismo pode ajudar e o Razão faz isso. Abr, Eric.
Cláudia  Rios , Vila Velha-ES - Analista de Sistemas
Enviado em 15/8/2008 às 17:18:22
Alberto, sou fã de seu programa e de algumas de suas críticas. Mas achei por demais indelicada a que você fez ao Razão Social. Venho acompanhando o trabalho daquele veículo e acho que você deveria reconsiderar o que escreveu. Concordo que a publicidade anda infiltrada nas redações. Mas ainda há exceções. E o caderno Razão Social, na minha opinião, é uma delas. Sobre a publicidade, veja que até aqui neste site ela aparece. O relatório anual de uma grande empresa está ali no topo desta página, com todos os opcionais de marketing. Inclusive fotos de jovens de projetos sociais, no padrão do inconsciente coletivo. As empresas devem mostrar o que tem feito de bom, sendo que o jornaslismo também deve dar espaço - se isso for verdadeiro. Claro que tudo deve ser apurado, visitado, etc. Assim, como sua fã, achei que deveria te dar este bem intencionado toque. Com carinho, Cláudia.
Pedro Pereira P , Palmas-TO - Estudante
Enviado em 8/8/2008 às 23:15:25
Em breves olhadas li: Ford Fundation, Embraer, Odebrecth, locadora maremoto,e a dona da casa IG que convenhamos , tem muito produto pra vender. é só passar o mouse e ........uma miriade de produtos estarão na sua mão. Quem diria!!!! Odebrecth esta mesma que cresceu sob as benesses do governo militar tão combatido e combalido ultimamente. O beijo é a véspera do escarro...... apedreja esta mão vil que te afaga Revire no túmulo Agusto dos anjos...
Fabio Passos , Curitiba-PR - Engenheiro
Enviado em 7/8/2008 às 23:25:42
Promover o consumo de objetos inanimados fingindo fazer jornalismo... boa Dines. Tem de demonstrar isso. Agora... impressionante mesmo é promover os negócios da Máfia por publicidade. Vejam o que diz Nassif sobre Humberto Braz-quadrilha (revista?) veja: "É de Humberto Braz a autorização final para a veiculação de 12 páginas de publicidade na revista Veja, seis em cada uma das duas edições contendo os ataques de Mainardi..." O artigo que demonstra a ligação do lobby mafioso com a quadrilha (revista?) veja é este: http://luis.nassif.googlepages.com/vejaeoorganograma
Fabio Passos , Curitiba-PR - Engenheiro
Enviado em 7/8/2008 às 23:20:42
Reclames disfarçados de notícia... realmente muito ruim. Imagine quando descobrirem que Humberto Braz, braço direito de Daniel Dantas, que está preso por tentativa de suborno a um delegado da PF, era quem abria as torneirinhas dos anuncios na mídia-corporativa... isto quando, por mera coincidência, as "reportagens" saiam de acordo com os interesses de Dantas. Exemplo? Mainardi e a quadrilha (revista?) veja... http://luis.nassif.googlepages.com/vejaeoorganograma
Arlindo  Papal , Uba-MG - professor
Enviado em 7/8/2008 às 14:28:34
Só para escalrecer: Toscani não é publicitário. É fotografo apenas. Escreveu o livro aproveitando a fama que a publicidade lhe concedeu. Aproveito para sugerir uma leitura mais séria: "Cidadões e Consumidres" do Antropologo Nestor Canclini.
ROBERTO L. MENDONÇA LACOURT DE MENDONÇA , CURITIBA-PR - BANCÁRIO APOSENTADO
Enviado em 7/8/2008 às 13:31:07
Tenho uma sugestão para todos os leitores do Obervatório da Imprensa - comprem o livro "A publicidade é um cadáver que nos sorri", escrito ´por Oliviero Toscani, aquele publicitário que fez a difusão e a valorização da imagem internacional da Benetton. Ele nos demonstra que somos todos imbecilizados por estas agências de propagandas que nos mostram apenas pessoas saudáveis, felizes, alegres e mulheres de bunda grande vendendo os melhores produtos do mundo . Compreendemos que as empresas de comunicação dependem dos orçamentos milionários das agências de propaganda para sobreviverem e que nos transformaram em CONSUMIDORES e não em CIDADÃOS.
Luiz  Ramos , Salvador-BA - Advogado
Enviado em 7/8/2008 às 13:21:45
Realmente, caro Alberto Dines, é uma lástima!
Mauro  Miranda , Brusque-SC - Jornalista
Enviado em 7/8/2008 às 07:23:19
Sensacional lucidez, Alberto Dines! Eis aí mais um claro exemplo da "liberdade de imprensa". Esse conceito continua limitado aos interesses comerciais dos proprietários de veículos de comunicação. E, ao que tudo indica, o cliente continua, para esses senhores, tendo sempre razão. O jornalismo? Às favas! O que interessa é o retumbante resultado financeiros advindo dessa maracutaia com recursos públicos.
Paulo Guerra , São Paulo-SP - Comerciante
Enviado em 6/8/2008 às 23:35:16
Alberto Dines, e a Veja? O que ela representa nesse discurso? Não vai me dizer que ela melhorou sua performance jornalística não é mesmo? Parece que o pessoal aqui do OI tem medo dessa revistinha...
Marcelo Ramos , São Paulo-SP - Publicitario
Enviado em 6/8/2008 às 21:59:45
Engraçado, presenciei essa prática há aproximadamente 15 anos. Na época, em Brasília, um sujeito editava um jornalzinho. Era eu que montava o jornal e criava os anúncios. Aí o sujeito ia entrevistar um empresário. Fazia uma matéria elogiosa do empresário e da empresa dele e o cara pagava um anúncio. Era uma espéciede "venda casada". É assim que os jornais pequenos sobrevivvem... mas agora, os grandes(?), por causa da perda gigantesca de credibilidade, perderam também muitos leitores, e estão tendo que apelar para uma prática de "jornalzinho do interior", essa coisa de borrar os limites incômodos entre jornalismo e comércio. Aliás, já repito isso aqui há algum tempo: a política e a imprensa no Brasil, são como a política e a imprensa em uma cidade do interior do Brasil... da década de 1920, ou menos.
jose armando  resende , brasilia-DF - func. publico
Enviado em 6/8/2008 às 19:48:27
Você já leu o "Jornal da Comunidade" de Brasília? Ele é distribuído gratuitamente a mais de 300.000 exemplares. Mas não se trata de um jormal, trata-se de um panfleto publicitário em favor do atual vice-governador do DF, Paulo Otávio e de sua empresa de construção civil que está há anos enfeiando o projeto urbanístico da cidade. Trata-se também de um panfleto político a favor da gestão do atual governador, Arruda (aquele que antes de ser cassado pelo CN renunciou ao mandato), fartamente financiado por anúncios de empresas do GDF. Que imprensa é essa? Que governo é esse? Que país é este?
Arlindo  `Papal , Uba-MG - Professor
Enviado em 6/8/2008 às 17:31:02
Outro aspecto a ser considerado, quando a pseudo noticia X a pseudo publicidade. Qualquer cidadão, consumidor ou não que se sentir prejudicado ou provocado por uma mensagem publicitária, pode recorrer ao IDEC, Procon etc. Tem até o CONAR, orgão criado pelos prórprios publicitários para coibir praticas desleais. Agora quando o cidadão ou empresa é vitima de uma noticia com terceiras intenções. deve recorrer a quem? Você pode dizer que ele pode recorrer a justiça comum, como se isso não lhe custasse nada.
Arlindo  Papal , Uba-MG - Professor
Enviado em 6/8/2008 às 17:20:23
Caro Dimes. Quanta raiva e preconceito. Vai me dizer que não exietem jornalistas ocultando fatos ou relevanto outros para favorecer uma ou outra marca? E o caso do leite da Parmalat que dizem, tinha soda cáutica. Quando nada se provou. Qual foi o espaço dado para dizer que a marca era inocente? Curioso é que a noticia da soda no leite, foi às vesperas da empresa lançar suas ADP. Por que não se fala disto também.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 6/8/2008 às 15:10:34
Recentemente ouvi no rádio a declaração de um "consultor empresarial de mídia" vangloriando-se de ter derrubado as paredes do jornal ao qual deu "consultoria" que separavam a Redação e o departamento Comercial. Ora, todos sabemos que qualquer jornal (inclusive os jornalecões) precisam de receita publicitária. Aliás, o único lugar que se deve veicular propaganda e obter êxito com ela é nos veículos de comunicação social. Nada mais legítimo e natural, portanto. O que o leitorado não aceita mais é a promiscuidade do jornalismo ( ou da Imprensa ) com a publicidade. Publicidade, sim. Mas não misturado a jornalismo.
José de Souza Castro , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 6/8/2008 às 12:01:26
Finalmente, alguém de responsabilidade protesta contra esse absurdo que se observa em nossa imprensa há algum tempo. Eu já vinha falando sobre isso, mas, naturalmente, o que dizia não era ouvido por ninguém. Vivi isso na pele nos dois últimos jornais em que fui responsável por uma editoria. O departamento comercial (ou de marketing, uma nova praga) passou a mandar nas redações, sem qualquer conhecimento de jornalismo ou respeito algum à ética. Bravo, Dines! Espero que não seja uma voz isolada. Não temos mais sindicatos de jornalistas para valer, a Fenaj é uma piada, não se pode contar com eles nesse movimento. Todos parecem dominados pelos assessores de imprensa, que têm muito mais a ver com os interesses das empresas e dos governos que lhes dão emprego do que com o interesse público. Esses gastos fabulosos para divulgar aquilo que era apenas uma obrigação da Eletrobrás fazer - o cuidar do meio ambiente que ela ajuda a destruir com suas barragens - devem ter como objetivo esconder muitas outras coisas que deveriam, elas sim, estarem expostas pela imprensa à luz do sol - que dizem ser um bom desinfetante.
Ney José  Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 6/8/2008 às 09:29:18
Parafraseando Elio Gaspari (Folha, página A9 de 30/07/2008): "É melhor simplificar: publicidade é publicidade, o jornalismo é jornalismo e o serviço de imprensa é da Imprensa". O abuso não é só do Estado e do Globo. Embora a Folha seja favorável à Lei Cidade Limpa (de São Paulo) e embora seja proibido colar cartazes nas bancas de jornais a Folha desrespeita as duas normas. Todo fim de semana está colado nas paredes externas das bancas de jornais de São Paulo muitos cartazes folháticos-auto-publicitários. Depois da chuva aquela pasta celulósica entope os bueiros da esquina e impede os leitores o acesso à banca para adquirir o maior (imenso) jornal (ou publicornal) deste país. Observação: Não se trata de sincretismo. Trata-se de promiscuidade!. Assim como os veículos de comunicação social dependem das receitas de anúncios publicitários a publicidade também depende dos espaços (do conteúdo, da credibilidade, da qualidade, da tiragem, da logística) dos veículos de comunicação social para veicular as propagandas. Se essa interdependência é explícita, por que há a promiscuidade. Por que há a ingerência. Por que há a sustentação da Imprensa pela publicidade?. Se a publicidade pode ingerenciar a Imprensa ( e a Imprensa aceita essa ingerência) por que a Imprensa não pode ingerenciar igualmente a publicidade ( a publicidade não aceitaria essa submissão?).
Roberto Penteado , Brasilia-DF - Jornalista
Enviado em 6/8/2008 às 09:09:15
Grande Dines. Não devemos confundir forma com intenção. A Eletrobrás acertou em plantar as árvores e merece elogios. Aliás todo o setor elétrico brasileiro deveria ser campeão do meio ambiente, da conservação, preservação e manejo de bacias hidrográficas pois trabalha com água e seu maior interesse é aumentar a produção de água. Nossas usinas só estarão garantidas se o meio ambiente estiver 100%. A Eletrobrás errou feio em contratar matéria paga para divulgar o feito. Abraço
de Hollanda Cordeiro Eliezer , Recife-PE - Médico
Enviado em 6/8/2008 às 06:56:35
Ilustrissimo Dines, Seu artigo é ótimo, não é possivel se fazer jornalismo quando se depende da publicidade, notadamente oriunda do erário público.O jornalista, na medida do possivel, deve ser independente dos poderes econômicos. É por esta razão que certos jornalistas, como Edwin Plenel, antigo redator-chefe do jornal Le Monde, criam blogs na Internete. Plenel disse qua a criação de seu MediaPart[http://www.regards-media.fr/actualite/mediapart-la-naissance-dun-media-libre/] foi a única maneira que encontrou para preservar sua liberdade jornalística. Dines, agora uma ressalva : você arranhou o francês. De fato, não se diz « vive la diference », mas « vive la différence ». Seu leitor e admirador, Eliezer de Hollanda Cordeiro
Nídia Martins , Brasília-DF - Jornalista
Enviado em 5/8/2008 às 22:44:06
Aproveito também para protestar contra outros gastos do governo em publicidade. Aqui em Brasília, costumam gastar com outdoors. Ou gigantescos, pendurados nos prédios dos ministérios, ou tipo placas de chão, espalhados pela Esplanada. No caso dos de chão, são inadequados, porque quem passa pela Esplanada está de carro e se tentar ler as letrinhas pode causar um acidente. No caso dos gigantescos, fazem os prédios, parte do patrimônio arquitetônico, parecem grandes varais. A novidade fica por conta da Petrobras, que plantou totens digitais no Eixo Monumental para exibir a contagem regressiva para a data de seu aniversário, cortando a vista do horizonte aberto que é a marca registrada do local. Ou seja, atentam contra o erário, contra o patrimônio e sequer têm o objetivo de levar qualquer informação ao cidadão.
Nídia Martins , Brasília-DF - Jornalista
Enviado em 5/8/2008 às 22:22:30
Caro Dines, Há 13 anos, implantei a editoria de Projetos Especiais de Marketing no jornal ValeParaibano, em São José dos Campos. Porém, o quadro de então era muitíssimo diferente. Era o auge do sindicalismo e pairava nas redações um ressentimento em relação a setores como a Indústria, por exemplo, sempre mostrada como vilã. Publicava-se apenas o lado negro, a morte do trabalhador numa explosão, mas jamais um período recorde sem acidentes ou a geração de novos postos de trabalho. A nova editoria teve por objetivo aproximar estes setores do jornal; dar-lhes voz, sem tirar a independência crítica exercida nos cadernos principais. O problema é que ocorreu uma inversão de valores. A exemplo de outras boas idéias, como as ONGs, esta também foi corrompida pela ganância. Além dos lucros, o "especial" de hoje pode ser feito por recém-formados que saem aos borbotões das fábricas de diplomas, até porque muitos textos já vêm prontos do cliente. Mais imoral ainda é o patrocínio de estatais, que têm por cultura gastar fácil o que vem fácil, imaginando, talvez, que estariam "inspirando” a boa vontade dessas empresas, caso um dia venham a precisar delas. Mas o costume não se restringe aos projetos de jornais, convenhamos. Imagine quantas bocas alimentaria a fortuna gasta com os “acompanhamentos” do Fome Zero!
Liber Matteucci , Lisboa-IN - Jornalista/Publicitário (confuso, né?)
Enviado em 5/8/2008 às 20:54:20
A promiscuidade entre o jornalismo e a publicidade não é de hoje nem é um fato isolado. Orgia do mesmo teor acontece na linguagem dos próprios jornalistas, quando usam de forma indistinta as palavras cidadão e consumidor, como se o único exercício possível da cidadania fosse fazer compras e ponto final. Outra idéia que se confunde é a de espaço público, enrolada com a folia dos shoopping-centers, porque deixamos de usufruir a nossa liberdade ao sol, nas praças e jardins, para tomar banho de loja no interior de uma propriedade privada, onde ninguém sabe se consume ou se é consumido. A maioria das pessoas também tem dificuldade para distinguir entre a globalização do G-8 e aquela do Forum Social Mundial. E até eu, confesso, ando atrapalhado com os "socialistas" aqui em Portugal, porque o governo muda as leis laborais para facilitar a vida das empresas, usurpando direitos históricos dos trabalhadores. Que socialismo é esse, mais parecido com um capitalismo deslavado? Lembra a capa do Estadão mas não passa de outro anúncio da Nissan.
Carlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 5/8/2008 às 19:31:07
Isso não é aventura publicitária. É cala-boca. O departamento de jornalismo começa a pegar no pé do Governo com "dossiês" (leia-se "chantagens"), e alguém decide matar dois coelhos com uma cajadada : justificar o massacre florestal que uma usina vai causar e comprar um "pega leve" de um grande inimigo. Nada de novo no reino dePindorama.
José Orair  Silva , Belo Horizonte - MG-MG - Bancário
Enviado em 5/8/2008 às 14:18:34
É surpreendente constatar o ar de surpresa e decepção do veterano jornalista com a queda das últimas máscaras da grande imprensa brasileira...Ora, os supostos muros intransponíveis entre os departamentos comerciais e as redações dos grandes jornais só existiam mesmo na imaginação saudosa de alguns poucos veteranos jornalistas...
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 5/8/2008 às 12:56:22
Num passado não muito longínquo os milicos diziam que este era um país que vai para frente. Hoje com o general de terno e gravata ele diz que este é um Brasil de todos. Porém não diz quem é esses todos, se é a pequena elite do dinheiro ou os governantes do momento, quem sabe ambos. Muito dinheiro público é gasto simplesmente para sofismar por feitos que esse governo fez mal feito e, encher a burra dos poucos privilegiados de dinheiro de nossos impostos. Se os governantes fazem algo que traga melhoras na vida do cidadão não faz mais que obrigação, pois o dinheiro gasto com obras em geral sai do bolso do proletariado. Portanto, não se faz necessário alardear que foi feito isso, aquilo ou aquilo outro porque estamos sentindo na pele o pouco que esta sendo feito. Fora as propagandas enganosas, custosas e sofistas?
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