ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 500 - 9/2/2010
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LIVRE-ARBÍTRIO É ISSO
Adeus Quarto Poder, agora você é indústria

Por Alberto Dines em 26/8/2008

Um "criativo" da velha McCann Erikson carioca inventou, no início dos anos 1940, um slogan para o Repórter Esso, logo incorporado ao repertório de metáforas cotidianas: "testemunha ocular da História". Ao longo de quase sete décadas ninguém percebeu a redundância: toda testemunha é ocular (as de oitiva, geralmente suspeitas). Apesar do pleonasmo, a expressão colou. Mais do que isso: não apenas o Repórter Esso, mas todos os jornalistas foram convertidos em testemunhas oculares da História.

Nos dias 18 e 10 de agosto, em São Paulo, testemunhamos um momento crucial na história do jornalismo pátrio quando, por vontade própria, o seu segmento mais poderoso resolveu praticar um haraquiri coletivo – deixou de ser serviço público para converter-se em indústria. E, como indústria, admitir sua inevitável e recorrente obsolescência.

A metamorfose se deu no 7º Congresso Brasileiro de Jornais, quando o patronato, convocado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), tirou a imprensa da nobre condição de Quarto Poder, revogou uma simbologia há mais de dois séculos entranhada no âmago das democracias representativas e apresentou-se como Indústria Jornalística.

Conteúdo e função

Livre-arbítrio é isso. Eliminando eventuais sentidos pejorativos (relativos a astúcia e ardil), a palavra indústria aplica-se ao conjunto de pessoas, processos e maquinário envolvido no fabrico de determinado produto. Tudo bem: indústrias geralmente associam-se à noção de progresso, produzem lucros, lucros movimentam a economia, distribuem riquezas, promovem o bem-estar material.

O Quarto (ou Quinto ou Sexto) Poder é outra coisa, situa-se na esfera pública, é a matriz da cidadania, do civismo e da participação política. O Quarto Poder era o poder que fazia do indivíduo uma força coletiva.

Convém lembrar que a internet americana, apesar da sua pujança, não conseguiu nem jamais conseguirá tirar um presidente da Casa Branca como aconteceu com Richard Nixon. A prova está em George W. Bush, que ganhou a primeira eleição no tapetão e no segundo mandato está levando a maior superpotência para o brejo.

Quando a imprensa era instituição, jornais também deveriam ser lucrativos, mas nos intervalos entre balancetes e balanços havia um compromisso com o interesse público.

A metamorfose ocorreu nestas bandas dentro do período dedicado à comemoração dos 200 anos da imprensa brasileira (13 de maio – 10 de setembro), como se a nova indústria quisesse livrar-se formalmente da condição anterior.

O primeiro periódico a circular livremente no Brasil dizia na primeira sentença do seu primeiro texto que "o primeiro dever do homem em sociedade é ser útil aos membros dela" (Correio Braziliense, nº 1, pág.3, 1º de junho de 1808).

Exatos 200 anos depois, não contente em obliterar a data para apagá-la da memória nacional, a nova indústria jornalística muda a sua própria natureza. Sua preocupação passa a ser meramente tecnológica. Gerou uma formidável ferramenta – a internet – e agora se submete a ela, mesmo reconhecendo suas limitações. A web era um meio, agora converteu-se num fim, algumas coisas perderam-se no meio do caminho – conteúdo e função – mas ninguém está interessado nelas.

Matérias escondidas

A pauta do 7º Congresso Brasileiro de Jornais foi rigorosamente não-jornalística e intensamente internetística, digital. Basta ver as matérias publicadas nos dias seguintes pelos três jornalões responsáveis pelo convescote.

1º dia, edições de 19/8

** O Estado de S.Paulo (pág. B-14): "Congresso traça cenário positivo para a indústria de jornais; empresários e executivos dizem que, mesmo passando por mudanças radicais [isto é, internet], jornais continuarão a crescer"

** Folha de S.Paulo (pág. A-10): "Ministro vê crescimento robusto de jornais; Miguel Jorge diz que `grandes títulos na internet são os mesmos dos impressos no Brasil´"

** O Globo (pág. 24): "Jornais defendem uma nova Lei de Imprensa; associação propõe regulação mínima com mecanismos de direito de resposta e fixação de indenizações" [os concorrentes também levantaram a questão da Lei de Imprensa em matérias secundárias]

2º dia, edições de 20/8

** Estado de S.Paulo (pág. B-15): "Classe média dá impulso a jornais; presidente de associação de mídia diz que jornais têm cinco anos para se adaptarem à era digital"

** Folha de S.Paulo (pág. A-10): "Leitores associam jornais a confiabilidade, diz pesquisa"

** O Globo (pág. 25): "ANJ: desafio é conquistar fidelidade do novo leitor; segundo presidente de associação, jornais têm de aproveitar expansão da classe média e levar conteúdo para a internet"

Estas foram as matérias principais, escolhidas a dedo pelos editores para "vender" os conceitos que marcarão a nova indústria. Textos mais importantes, porém relacionados com o statu-quo ante, não tiveram igual destaque:

** "Especialistas divergem sobre a interação entre jornal e internet" (Folha, 20/8, pág. A-10)

** "O jornal é a âncora do mundo, diz a pesquisadora" (Estadão, 20/8, pág. B-15)

** "Informação de qualidade é uma coisa rara" (idem)

** "Pesquisa aponta credibilidade do jornal; para entrevistados por Ipsos Marplan, impresso é `âncora do mundo´" (O Globo, 20/8, pág. 25)

Matérias "leves"

No fim de semana seguinte ao Congresso (23 e 24/8), os jornalões apareceram com "pesquisas" realizadas por diversas assessorias de comunicação para mostrar a importância do meio jornal para os multiplicadores de opinião.

Este frenesi histérico-badalativo para promover a nova indústria revela, antes de tudo, um total desnorteamento dos seus dirigentes no tocante ao futuro: o que é que se pretende até 2020, ou melhor, qual o sentido da convocação para "Re-Construir o jornal para a Era Digital"?

Algo foi destruído? Ou algo precisará ser destruído para que em cima dos escombros seja erigido um novo medium?

A grande verdade é que a ANJ está novamente diante de uma crise de identidade, a terceira desde a sua criação.

Início dos anos 1980, regime militar exaurido, a nova geração de empresários-jornalistas que tornou possível a criação de uma entidade patronal concluiu que não havia mais lugar para o jornalismo pré-1964.

As redações são expurgadas da velha-guarda "romântica", inicia-se um delírio novidadeiro acompanhado pela cruzada para acabar com a obrigatoriedade do diploma e assim abrir as portas dos jornais à "modernidade". Ícone do período foi o USA Today, paradigma do jornalismo sintético, híbrido de jornal com TV (a propósito: que fim levou o USA Today?).

Dez anos depois, início dos 1990, Fernando Collor de Mello escorraçado, os estrategistas da ANJ acharam que o vácuo de poder deixado pelos militares precisava ser preenchido por uma imprensa poderosa, infalível, arrogante. Ferramenta escolhida: o denuncismo. Derrubar presidentes era o sonho de qualquer estagiário, sobretudo quando era do PT. A palavra de ordem era aumentar a circulação a qualquer preço. O marketing virou panacéia. Convocaram-se os consultores de Navarra para inventar maneiras de atrair jovens e mulheres que, segundo eles, só conseguiriam pegar num jornal se tivesse muito infográfico (uma imagem vale 10 mil palavras – lembram?), muita matéria "leve", pouco noticiário internacional, muitas páginas de medicina e comportamento.

Vítima do progresso

Os jornais se converteram em meros envelopes de fascículos, as tiragens dobraram, era preciso comprar novos equipamentos gráficos, ninguém se preocupou com o fato de que os jornais tornavam-se descartáveis, simples veículos para distribuir as séries colecionáveis.

Passada outra década, novo surto suicida: diante da expansão da internet, jornais assumem previamente que desta vez não conseguirão enfrentar as novas tecnologias (como acontecera no século passado, com o advento do rádio e da televisão). Não se contentam em usar as formidáveis ferramentas digitais para qualificar o seu conteúdo, querem usá-las para o seu sepultamento.

A imprensa está utilizando o seu potencial messiânico e o poder de pavimentar as profecias para anunciar a própria destruição. Desiste de seu papel de provocador de avanços para conformar-se como vítima de um imponderável e precário progresso.

Livre-arbítrio é isso.

 

Leia também

A universalização do "informe publicitário" – A.D.

Jornais, o passado e o futuro – A.D

Comentários (32)
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Marcelo Ramos , São Paulo-SP - Publicitario
Enviado em 31/8/2008 às 09:30:52
Monica, eu creio que a internet talvez nunca venha a ter esse poder que o jornal impresso já teve, de derrubar um presidente. Primeiro, porque não se atribui à internet a concretude, apenas a virtualidade. O ser humano, queiramos ou não, ainda está preso à história recente dos últimos 600 anos, da criação da prensa, de manusear e ler textos em papel. É por isso que a internet ainda não é concreta, para muitas pessoas. Quanto ao fato de ser uma indústria de informação, surge naturalmente um paradoxo: essa indústria reportaria fatos que iriam contra ou ameaçariam sua existência? Destaco que é exatamente essa a crise que a imprensa atravessa hoje: credibilidade, uma categoria que atinge qualquer empresa. Seu nome tá sujo na praça? Vai perder e continua perdendo leitores. Aí voltamos à questão inicial. Hoje, se se publicasse que Collor roubou x milhões, ninguém dmais daria crédito ao Globo, e ele não seria derrubado. Isso também porque esse jornal abusou de publicar manchetes que não correspondiam à verdade, apenas à interesses.
Luiz Edmundo Germano Alvarenga , Rio de Janeiro-RJ - Advogado
Enviado em 30/8/2008 às 13:36:19
É o livre arbitrio para o mal! As pesoas que antes nós chamavamos de "jornalistas" agora são indutriários. A credibilidade perdida por opção é uma das coisas mais ultrajantes que se pode imaginar em pessoas de bem! A suposição, doravante, é que todos os que escrevem para essa indústria são conivente!
Monica Alves , Rio de Janeiro-RJ - estudante
Enviado em 30/8/2008 às 09:42:01
Creio que a muito tempo o jornalismo brasileiro deixou de ser quarto poder para ser o veiculo de poder do primeiro, segundo ou terceiro. Vide a materia sobre a bancada evangelica e os meios de comunicaçao ( mercado que inexoravelmente deveria pertencer a jornalistas). Nao vejo nada de errado em encararse como industria, mas enquanto posicionamento uma industria pode tomar varias opcioes como estrategia de sobrevivencia ou de crescimento. Apostar em internet um meio de credibilidade duvidosa e nao controlavel pelo jornalismo me parece uma estrategia bastante perigosa. Internet ainda nao foi capaz de derrubar presidentes, mas creio que sera capaz de muitas coisas. É um fenomeno independente, participativo e com conteúdos diversos. Para mim é como abandonar o posicionamento de um produto confiável e especializado para juntarse ao ambiente navegavel de incerrtezas, amadorismo (qualquer um é o jornalista), tentando virar comoditie, buscando o publico insanamente. Quando para mim seu conteúdo é que deveria atrair seu agora cliente ( em geral os clientes sao seres exigentes. Aproveito, finalmente para parabenizalo pelo resumo das estrategias do jornalismo nas ultimas decadas. Um abraço. Monica
Julio  Valerio Neto , Poços de Caldas-MG - produtor de tV
Enviado em 30/8/2008 às 02:47:16
Dines, por coincidencia ou sincronicidade hoje estava assistindo "O Grande Ditador" de Charles Chaplin e num trecho do filme Chaplin é confundido com o ditador e faz seu famoso discurso. Ligando as pontas do discurso de Chaplin contra o fascimo, o autoritarismo com a busca do lucro pelos jornaloes, acima de qualquer compromisso ético nesse atual momento me surgiu a questaõ : Estamos vivendo um novo fascismo? Será que a estrutura capitalista terminou por abarcar os ultimos limites da sensatez? O grande capital comprou as almas e as consciencias? Tempos sombrios.
Luciano Prado , Fortaleza-CE - advogado
Enviado em 29/8/2008 às 22:09:07
Não tenho tido mais paciência para ler os artigos do Dines. Me perdoe Dines, mas vou aproveitar apenas o título: "Adeus Quarto Poder, agora você é indústria". O Dines descobriu tarde. Com anos de bagagem e de experiência descobriu que a imprensa agora é uma indústria com interesses bem definidos. Pior é constatar que, daqui a pouco, o Dines vai vir com um outro artigo para comemorar a nova era da imprensa brasileira. Vai até soltar foguetes. Aguardem.
José Anderon SANDES , Fortaleza-CE - jornalista
Enviado em 29/8/2008 às 15:57:18
As questões que apontam para o futuro do jornal são complexas e, muitas deles, paradoxais. Jornal indústria? Patrões e jornalistas, têm lógicas diferentes. O primeiro, o lucro. Extensão do poder através do seu jornal. O segundo, quando ético, a utopia. Sei que o homem não sobrevive sem informação. Informação de qualidade, tanto do ponto de vista da apuração quanto da escrita, da construção do texto. A lógica da informação correta, sem contaminação de quem quer que seja, é o objetivo do bom profissional. O jornalismo no suporte papel só sobreviverá caso siga caminhos já apontados por diversos teóricos e jornalistas de batente. Nestes 200 anos de imprensa num país autoritário, o aprendizado não foi fácil. Nem para patrões, nem para jornalistas. Por isso, o passado jogará luz no presente. E pode salvar o jornalismo do barbarismo da Internet.
Fernando Pascoal , Brasília-DF - Jornalista
Enviado em 29/8/2008 às 13:44:34
Demorou, hein, Dines!!!
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 28/8/2008 às 15:59:00
A imprensa não está preocupada com o fato do companheiro industriário Lula ter cooptado "industriariamente" a indústria jornalística deste país. Assim como Lula criticava "o modelo exportador" deste país, nunca antes neste país se exportou tanto. Assim é a imprensa. Não importa se o governo é lulático ou esquerdático. Enquanto o estadista industriário diz "vamos exportar, vamos exportar" o industrial jornalista diz "vamos faturar, vamos faturar". Nenhum deles dizem ou praticam: "Vamos nos civilizar, vamos nos desenvolver".
maria natalia lebedev martinez moreira , belo horizonte-MG - médica
Enviado em 28/8/2008 às 15:41:04
A internet virou a eleição da Espanha em dois dias.
ubirajara sousa , slz-MA - psicólogo
Enviado em 28/8/2008 às 15:16:37
Senhor Dines, com todo respeito, será que o senhor acredita que a Imprensa que participou da derrubada do Collor (eu disse participou) não tinha interesses econômicos motivando-a? O poder da Imprensa estava no baixo nível de crítica exercitada e exercida pelos leitores-ouvintes-telespectadores da mídia. E a motivação maior da imprensa foi e será sempre o lucro constante. Hoje, senhor Dines, nós não lemos mais jornais como antigamente.
Fábio de Oliveira Ribeiro , Osasco-SP - advogado
Enviado em 28/8/2008 às 14:09:46
Em sua obra COMUNIDADES IMAGINADAS Benedict Anderson afirma que "O que tornou possível imaginar as novas comunidades, num sentido positivo, foi uma interação mais ou menos casual, porém explosiva, entre um modo de produção e de relações de procução (o capitalismo), uma tecnologia de comunicação (a imprensa) e a fatalidade da diversidade lingüistica humana." Como se vê, Beneditc defendeu a tese de que foi a reprodução industrial de textos (inclusive os jornalisticos) que possibilitou a criação das modernas nacionalidades (dos nocivos nacionalismos, também - é preciso sempre ressaltar esta mácula do jornalismo). Se admitirmos que Benedict está certo, somos levados a indagar qual é o destino de uma comunidade imaginada (de uma nacionalidade) depois que a mesma foi criada e se perpetuou através da continua reprodução mecânica de textos. A quem pertence a "comunidade imaginada": ao Estado (solução comunista), à sociedade (solução democrática); aos donos da indústria que reproduz os textos (solução nazifascista)? No âmago do seu texto, Dines, há uma pergunta perturbadora que os donos das industrias jornalisticas nunca vão responder, quer porque não tem interesse quer porque tem vergonha ou medo das conseqüencias da resposta.
Leônidas Silva , Portugal-IN - Jornalista
Enviado em 28/8/2008 às 12:29:54
Jornalista que não sabe que exise testemunha de segunda mão... é jornalista?
Fernando Santos de Aquino , Cariacica-ES - professor
Enviado em 28/8/2008 às 10:53:46
Prezado Dines Antes da Internet, a TV já exercitava esse modelo de compactação de informações em quantidades já consideráveis. A Indústria Cultural, esse conceito moderno, mas não tanto, está aí para transformar tudo em mercadoria, a ser "consumida alegremente" por nós de forma tão instantânea quanto destituída de crítica. O contraponto que você faz, ao ironizar o pleonasmo no início do artigo, revela-o como memória viva de um jornalismo que, sem saudosismo ou adulação, é algo do qual muitos poderiam se orgulhar. Independência e compromisso para combater o "fast thinking" jornalístico, do qual fala Bourdieu, são importantes para nos lembrar que o interesse social ainda deve ser perseguido em quaisquer das atividades humanas.
Marcelo Ramos , São Paulo-SP - Publicitario
Enviado em 28/8/2008 às 10:16:47
De fato, precisamos levantar uma discussão sobre a relação do governo Lula com a imprensa. Muitas barreiras (da imprensa) cairam por terra durante o governo Lula. Foi a primeira vez que se acusou (sem provas) um presidente de crime, foi a primeira vez que senadores foram para a tribuna xingar o presidente. Foi também a primeira vez que escândalos fabricados dentro das redações ganharam as ruas. E foram exatamente esses escândalos fabricados que desgastaram toda a imprensa, na medida em que os fatos alegados pelos jornais não acompanharam suas edições. Foi também no governo Lula, que a Veja viajou para a irrealidade, com manchetes de dólares em garrafas de whiski, e outras manchetes surreais. No governo Lula se estabeleceu claramente uma linha distintitva entre o que pensam jornalistas e donos de jornais. Também ficou claro (durante o governo Lula) que a ANJ não reflete o que pensam os jornalistas mas o que pensam os donos dos jornais. Assim, apoio esse estímulo à discussão feito pelo Helio Junnari.
helio junnari , santos-SP - terapeuta
Enviado em 27/8/2008 às 23:26:25
Excelso.mestre,nobel de jornalismo alberto dines.Falou e disse.É preciso levantar uma discussão sobre o governo lula e a imprensa.Ele derrotou a imprensa.A imprensa no governo lula foi tímida, não conseguiu mobilizar a nação para o que está acontecendo.Faça uma pesquesa e pergunte quem é Barak Obama, ninguém saberá responder.Vivemos na ditadura da imagem,todo discurso é em cima da imagem.Não precisa ser professor de SEMIÓTICA para perceber isso. Nossos cardeais do jornalismo viraram alunos de caixa de supermercado.Valeu.
Vladimir Braga , São Paulo-SP - Escrevedor
Enviado em 27/8/2008 às 22:40:08
A imprensa é mercado sim! Quem tem veículo de comunicação quer ganhar dinheiro sim! De onde vem a grana? Das vendas do produto e do espaço para anúncio. Por que alguém compra um jornal ou revista? Principalmente, porque gosta de determinado veículo. Se este veiculo mudar o foco, talvez perca alguns anunciantes e leitores, mas ganhe outros. ) resto é bobagem. Ah, e este artigo quer fazer graça e começa falando bobagem, até porque testemunha não necessariamente precisa ser "ocular". Pode ser cega, mas para dado fato, o sentido da audição ser suficiente para testemunhar um crime de ameaça, por exemplo. Blague do Braga
Marcelo Ramos , São Paulo-SP - Publicitario
Enviado em 27/8/2008 às 22:22:44
É, Ricardo Pierri, o Dines só percebeu agora que os grupos de comunicação visam o lucro. Menos mal, ne? Já pensou se tivéssemos que esperar o século XXII? E essa percepção extraordinária (do Dines) só aconteceu porque a ANJ assim se apresentou, em público, para dizer, com toda a pompa e circunstância. Mas é melhor aproveitar para acabar com outra das ilusões do mr. Dines: a indústria jornalística não vai abdicar de seu poder. Ela apenas está buscando outros nichos de poder. E a manipulação de sua matéria-prima é apenas um dos meios para criar novas opções de poder, nada que seja novo para esses tarimbados donos de jornais. Prezado sr. Gilson Pereira, o Thiago acha que os donos dos jornais estão favorecendo a esquerda, escondendo descalabros. Essa mera afirmação já é suficiente para mostrar que a relação dele com a realidade é complicada.
Ricardo Pierri , Santos-SP - advogado
Enviado em 27/8/2008 às 19:26:42
Mas é muita bobagem para um artigo só, Dines. Que vc acredite piamente que o lucro distribua renda, desculpa-se por vc ser cego pela propaganda e ideologia. Que vc encontre uma forma de vomitar seu ódio do PT num artiguete desses, é esperado, pois sabemos de seus sentimentos. Mas que vc "chore" a perda de um "poder" anti-democrático que só existiu nos últimos 100 anos em seus sonhos e não tenha percebido que a imprensa passou a ser indústria antes de vc nascer, já é demais! Pior que isso é desejar ver uma indústria, um conjunto de grupos econômicos privados um poder que só pode ser definido como anti-democrático, pois baseado em poder econômico e não em outorga de mandato pelo povo ou em uma imprensa democrática. Chora não, meu caro. Quanto antes a sociedade vir a imprensa como ela efetivamente é, como NEGÓCIO e LUCRO (que NÃO distribui renda pois, por definição, é a concentração da mesma), ligadas a interesses políticos e econômicos - sem mencionar os ideológicos, que produzem e sustentam gente como vc -, melhor! Muito melhor do que conferir e respeitar um absurdo "poder" que depende única e exclusivamente do tamanho das contas bancárias. Finalmente, a máscara cai. Comemoremos, pois o engodo acabou! E regulemos, como se regula qualquer outra atividade econômica que possa causar dano em nome do lucro.
Carlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 27/8/2008 às 18:46:12
"O primeiro dever do homem em sociedade é ser útil aos membros dela". Mas é claro! Ò cidadão assalariado, desculpe a franqueza, mas quem mandou não ser maçom ?
Gilson Henrique Filho , Anápolis-GO - professor
Enviado em 27/8/2008 às 17:50:15
Acho estranho esse Tiago Conceição dizer que a imprensa é de esquerda. Tudo que acontece de ruim pra ele é culpa da esquerda. Acho que ele apanhou de algum comunista pra ter um comportamento tão esquisito e sem nexo. [ ]. Quando eu vejo coisas assim eu lembro do general Silvio Frota, que via comunistas em todo lugar, até debaixo da cama. É o caso desse dito programador.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 27/8/2008 às 17:46:03
No programa televisivo de 26/08/2008 do Observatório da Imprensa Alberto Dines tentou um elogio ao ombudsman (representante do leitorado) da Folha (de S. Paulo) Carlos Eduardo Lins da Silva, o qual se assemelha a um otavioman (representante do otavio). O tal ombudsman teria criticado a Folha (de S. Paulo) na edição de 24/08/2008 pelo "excesso de anúncios". Mas, o ombudsman reproduz submissamente o clichê: "É ela [a publicidade] que garante as condições para o veículo [de comunicação social] ser independente [sic] e de boa qualidade [mais do que sic!]. O ombudsman indagou a Redação sobre o "excesso" de publicidade. Eis a resposta: "cabe [à Redação] apenas vetar extremos [sic] que desfigurem a imagem (repito, a "imagem") editorial do jornal". Antes da industrialização e da promiscuidade da marquetingagem com a editorialagem a Redação tinha autonomia para vetar "excesso de anúncios". Agora tem só para "extremos". Daqui há pouco terá só para a extrema-unção. Da Redação. E o diversionismo ombudsmático-folhático continua: Painel do (não) Leitor; Erramos e Publicidade. Como uma "indústria" do porte da Folha não consegue resolver essas miudezinhas folhatiquinhas?.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 27/8/2008 às 16:56:37
Carlos Heitor Cony se vangloria de ter xingado Castello Branco de [ ] mas, o Observatório da Imprensa -por elegância- prefere não reproduzir literalmente. Xingou, e depois ganhou uma pensão de R$24.500,00 mensais, vitaliciamente. Essa chicanice faz parte da "indústria indenizatória jornalística". Zuenir Ventura envergonhou-se e abriu mão da indenização ou da pensão. O mesmo não fizeram os pasquinadeiros Ziraldo e Jaguar. Portanto, o achaque chicaneiro não é só contra a "indústria jornalística", mas, também dos "industriários" jornalísticos contra os Erários. E vamos faturar. Vamos faturar.
Márcio Luiz  Hipólito , São Paulo-SP - Engenheiro
Enviado em 27/8/2008 às 10:27:23
Prezado Dines O reconhecimento do "quarto poder" como indústria se deu muito antes de ago/2008. A Internet sabe dessa "novidade" há tempos quase imemoriais... De qualquer maneira parabéns pelo reconhecimento, embora tardio, sempre benvindo. Abraço Márcio Luiz
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 27/8/2008 às 03:14:42
"Adeus Quarto Poder, agora você é indústria": nao tou nem rindo, Dines! Como a media, eu tambem ja sei ser bonitinho e ordinario desde que apareci. De mim ela nao precisa...
Jorge Cortás Sader Filho , Niterói-RJ - advogado/escritor
Enviado em 27/8/2008 às 01:02:34
Parece que esta discussão entre a supremacia da internet e a imprensa escrita não termina. Como todos opinam, julgo-me no direito de falar também. A grande vantagem da internet é a divulgação quase que imediata de notícia. Basta algum fato interessar, está na net. Pouco tempo depois, na imprensa tradicional. Geralmente, e é fácil verificar isso, a notícia da internet é meio "crua", só vai ser digerida após outra informação, geralmente escrita. Os grandes jornais do mundo hoje também tem o seu online. É a necessidade, e com o passar do tempo, tanto a informação digital, como a velha imprensa escrita, vão sofrer grandes progressos. Posso estar enganado, mas é o que eu penso, pois todas as atividades humanas estão em desenvolvimento. Positivo ou negativo, infelizmente.
Pedro Pereira pereira , palmas-TO - ESTUDANTE
Enviado em 26/8/2008 às 19:07:08
O problema não está no jovens jornalistas que vêm a profissão de acordo com seu tempo e sim dos antigos que se recusam a entender que as coisas mudam pelo homem e para o homem . Isso é o que se chama de reacionário pela esquerda.Embora entenda que reacionário seja o que não aceite as mesmices das coisas, mas o termo já foi cunhado definitivamente de forma anomala.
Thiago Conceição , Campinas-SP - Programador
Enviado em 26/8/2008 às 17:13:11
O termo "industry" também é usado na língua inglesa para agrupar um grupo de companhias de um determinado setor, por exemplo: automobile industry; steel industry. Provavelmente eles usaram a palavra "indústria" como se fosse no inglês, entenda-se, um grupo de empresas cujo setor é o jornalístico. Mas mesmo assim você não perdeu a chance de atacar essa imprensa que tem sido uma mãe para com os esquerdistas e o Lula. Ouviste falar do Foro de São Paulo? Nem eu. Pois é, a impresa faz um trabalho ótimo em ocultar os trambiques da esquerda.
Ito Sivério  Guedes , GURUPI-TO - ACADÊMICO DE JORNALISMO
Enviado em 26/8/2008 às 16:31:53
Excelente artigo Dines. Mas o pior de tudo é que a maioria dos jovens que ingressam num curso superior de Jornalismo vão em busca do sonho de escrever naquele grande jornal impresso, que se dedica em defender a transparência do sistema e que esteja ao lado do interesse social. Sonho que se distância cada vez mais da realidade e que mostra que só restará à esses jovens apaixonados ficarem se deliciando com àqueles, os velhos jornais de vanguarda. Mas como diz o ditado: A esperança é a última que morre!!!
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 26/8/2008 às 15:44:16
Hélio Fernandes editor do Tribuna da Imprensa era independente (na ditadura) porque a publicidade "sustentava a liberdade de imprensa?. É preciso dinheiro para ter independência (política)?. Por falar em ditadura Carlos Heitor Cony ex-diretor da Manchete (que faliu, não obstante a publicidade, e, principalmente aos financiamentos do Banco do Brasil -que não foram pagos-) xingou Castello Branco de gorila [ ], mas, depois, pediu e ganhou uma indenização "retroativa" e uma pensão vitalícia e imortal, vulgo Bolsa Ditadura. Embora seja conselheiro editorial e "opinista" e ilustrado cronista da Folha de S. Paulo, altamente remunerado por meio de sua "PJ". Hélio Fernandes recebeu quanto de indenização e recebe quanto de pensão?. E Antônio Callado recebeu quanto de indenização e de pensão?. A pecúnia não tem relação com a independência. Nem na imprensa!.
Marcylene Capper , Rio de Janeiro-RJ - Jornalista, professora
Enviado em 26/8/2008 às 14:39:53
Sua matéria me fez lembrar de recente vendedor de jornal pelo telefone. Oferecia de tudo. DVD, viagens e outros prêmios para conseguir que eu renovasse a assinatura. E eu perguntava: mas o Jornal vem junto? É isso. Precisamos fortalecer o debate sobre essa questão.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 26/8/2008 às 12:56:39
Existe a testemunha ocular, aquela que vê o acidente, o assalto ou outra situação qualquer. Existe também a testemunha circunstancial, ou seja, aquela que não vê o acidente em si, mas observou a existência de sangue, fratura ou outra lesão qualquer. Portanto, testemunha também é aquela que ficou sabendo do fato e foi ao local e se certificou do ocorrido?
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 26/8/2008 às 11:36:50
A tal imprensa (queria tanto escrever com i maiúsculo) não é mais o quarto poder. O quarto poder agora é a publicidade. Até o crime está acima do poder da imprensa., Não se sabe a colocação da imprensa no poder. Talvez (ou certamente), ela nem é mais poder. Não é nem mais instituição. Agora é moda (comodamente moda) afirmar, inclusive por figurões e figuronas da imprensa, que só a publicidade é quem dá "independência" à imprensa. Como se independência não fosse algo moral e sim algo material. Ora, por que quando a imprensa tinha o equivalente a aproximadamente 10 vezes o volume de publicidade (e de classificados) ela não tinha lucro?. Se teve, onde está?. Aliás, não há nada de errado a imprensa ter lucro. O erro está em submeter-se, para obter o lucro. Por falar em "balanço", o Grupo Estado publicou em 2008 suas demonstrações contábeis e sua situação empresarial, em caderno específico anexado a uma edição, Divulgado publicamente, inclusive aos seus leitores. Por que as demais empresas jornalísticas ainda preferem a omissão de seus "balanços" e de sua situação empresarial?. Se os diretores de Redação ou diretores Editoriais ou diretores de Conteúdo se transformarem em marquetingueiros-comercializadores, então não haverá mais a necessidade do intelectual. Haverá somente a necessidade do empresário. Embora ambos sejam necessários.
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