ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 506 - 9/2/2010
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EDITORIAL & COMERCIAL
Jornais optam pelo suicídio

Por Alberto Dines em 13/10/2008

Comentário para o programa radiofônico do OI, 13/10/2008

É inédito: os três jornalões chegaram no domingo (12/10) às mãos dos seus leitores com capas iguais. Iguais e falsas. Não exibiam fatos ou noticias, mas uma gigantesca promoção.

Na realidade, o Estado de S. Paulo, a Folha de S. Paulo e O Globo mostravam sem qualquer pudor uma publicidade ostensiva, matéria paga, no espaço mais nobre da edição. O fato relevante foi a comemoração dos 200 anos da fundação do Banco do Brasil.

Numa avaliação ainda mais relevante constata-se que na imprensa de hoje tudo está a venda. Inclusive o seu compromisso de diferenciar os concorrentes. Nada demais, considerando que a imprensa virou indústria e o Banco do Brasil sempre foi uma instituição financeira que aposta no marketing e na expansão dos seus negócios.

Acontece que a imprensa brasileira também comemorou os seus 200 anos no período maio-setembro deste ano, mas estes mesmos jornalões que badalam a festa do Banco do Brasil recusaram-se a comemorar condignamente a efeméride. Enrustiram a sua festa.

À escolha

Os dois aniversários têm a mesma origem, integram o mesmo episódio histórico (a chegada da corte lisboeta ao Rio de Janeiro). Mas o leitor só teve acesso à metade dele; a outra metade (que diz respeito à própria imprensa) foi embargada por que não havia entidade disposta a desembolsar alguns trocados e transformá-la em letra de forma.

Este jogo tem vários nomes, você escolhe o mais adequado: pode ser desrespeito ao público, descaso pela história, pode ser manipulação ou pode ser venalidade. Também pode ser a confirmação de que nosso jornalismo impresso optou pelo suicídio.

Comentários (12)
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enio  modesto , Passos-MG - Jornalista
Enviado em 14/10/2008 às 15:02:31
Eu acho uma bobagem essas datas comemorativas, mas concordo com o Dines em relação a essa capacidade cada vez mais maior dos veículos de imprensa venderem espaços nobres, como a capa, para a publicidade. Nada contra o investimento de bancos ou qualquer empresa na comemoração de datas, pois considero que eles têm todo o direito e deste lançam mão sempre que for conveniente, mas questiono o exagero na venda de espaços, como acontece também na TV em que assistimos dois minutos de Domingo Espetacular, da Record, contra mais de cinco minutos de comercial. Já a comemoração dos 200 da imprensa brasileira, não temos muito a comemorar, justamente pelos fatos citados acima e criticados pelo Alberto Dines.
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 14/10/2008 às 09:21:29
"pior de tudo é a imprensa (ou impren$a?) vender-se aos Estados Unidos... todas as "matérias" são favoráceis ao império. Todos os massacres daquele país ou não são noticiados ou são minimizados...": todo mundo espiao. Todo mundo agente externo. Vide reportagens brasileiras sobre o que acabou de acontecer na Bolivia. Sao literalmente milhares de espioes.
Marcelo Conti , São Paulo-SP - Bibliotecário
Enviado em 14/10/2008 às 07:34:39
O pior de tudo é a imprensa (ou impren$a?) vender-se aos Estados Unidos... todas as "matérias" são favoráceis ao império. Todos os massacres daquele país ou não são noticiados ou são minimizados...
Ana  Bednarski , Florianopolis-SC - nenhuma
Enviado em 13/10/2008 às 23:15:23
Acho que a matéria comete dois erros: A- Chamar os três de jornais B- Ao chamar de jornais, achar que deveriam ter comemorado os 200 anos de imprensa. Sinceramente não vejo nada de imprensa neles.
Thomaz Magalhães , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 13/10/2008 às 22:35:01
Pera lá, quem badalou os 200 anos foi o banco e não os jornalões. Foi o banco que bancou a peça publicitária, a sobrecapa. Poderia ter ficado nas terceira, quarta-capas, nas páginas duplas. Suicídio, para mim, só se for do banco, gastando muito em propaganda. Os jornais estão faturando. Eu achei muito boa a idéia da "peça" dos 200 anos do tal banco vir por fora do Estadão e da Folha. Ficou mais fácil jorgar fora. Acho que os classificados também deveriam vir por fora, para facilitar. Quanto a criticar os jornais porque não comemoraram os 200 anos de imprensa, quem compraria nas bancas um jornal com essa chamada de capa? duzentos anos de Banco? Então tá. Duzentos anos de Imprensa? Tá bom. Nem este Observatório fez matéria a respeito. Reclamou que os demais não fizeram. Mas não fez. No que fez muito bem, poque o tema é um porre.
Luiz Garcia , São Paulo-SP - Securitário
Enviado em 13/10/2008 às 22:31:55
Janio, não é que o Dines tenha descoberto agora, que a imprensa brasileira seja vendida. É que ele, vez ou outra, tem que tentar convencer alguém sobre alguma preocupação que tenha com o assunto.
Luiz Garcia , São Paulo-SP - Securitário
Enviado em 13/10/2008 às 21:55:37
Novidade alguma neste artigo! O mesmo ocorreu quando houve indícios que ligavam os tucanos ao mensalão do Marcos Valério. Os cães continuam apenas latindo, mas às vezes, nem isso o fazem.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 13/10/2008 às 20:23:33
Aquelas páginas quadrúplas de publicidade "enrolando" os jornais poderiam estar muito bem (anexadas) como informe publicitário. Que , aliás, é o que convém "eticamente" a todos. Veículo, agência, anunciante e leitorado. Agora, além dos jornais "embrulharem" o leitorado, eles próprios (os jornais) são "embrulhados". Enquanto o "comercial" imiscuir-se no editorial a "mídia" pode ter certeza de que perdeu a moral. E também o moral.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 13/10/2008 às 20:11:26
Não é da obrigação de publicitário (ou da publicidade) contar ou relatar a história de Hipólito da Costa. É da obrigação e do dever do jornalismo. Da imprensa. Por que não contou ou relatou?. Por que não quis contar ou relatar?. Até mesmo a história da imprensa ficará a cargo da publicidade?.
janio ieso janio , brasilia-DF - func pub
Enviado em 13/10/2008 às 19:22:10
Caramba Dines, EUREKA, Agora que voce descobriu que a midia brasileira é vendida. De fato voce é um grande detetive.
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 13/10/2008 às 11:22:07
"Este jogo tem vários nomes, você escolhe o mais adequado:" neoliberalismo. Eh so esfregar na cara dos campeoes mundiais de assassinatos pela policia todos aqueles bilioes e bilioes que o Brasil tem e que ninguem ve. Facinho.
dante caleffi , rio de janeiro-RJ - publicitário
Enviado em 13/10/2008 às 10:39:48
A imprensa ateou fogo às vestes , quando se partidarizou,tornou-se e formou-se o que se conhece nos meio bloguistico,como ,PIG. Publicidade,afinal, essa ,pelo menos, é caixa 1. Bom lembrar, que a imprensa no Brasil,rodada na Inglaterra,manteve-se às expensas do tesouro particular de D.João VI. Hipólito José da Costa,não resistiu ao jabá imperial, e conteve-se nas suas críticas ao império colonial.Essa sim,é uma boa história para deliciar ingênuos leitores e nefelibatas.
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