ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 510 - 4/11/2008
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OBAMA PRESIDENTE
Dilemas recorrentes do jornalismo

Por Alberto Dines em 7/11/2008

Sobre comentário para o programa radiofônico do OI, 7/11/2008

Na quarta-feira (5/11), depois da emocionante eleição nos EUA, ficou novamente evidente o binômio que preside a imprensa diária: atualidade + qualidade da informação. De nada adianta oferecer textos bem escritos, bem apurados, desligados da atualidade. O corolário também é válido: pouco ou nada servirá uma notícia de última hora sem um lastro mínimo de informações. No entanto, todos os veículos impressos são limitados por horários rígidos – se não sã impressos até uma determinada hora correm o risco de não chegar às mãos dos leitores.

No Brasil sabia-se de antemão que os resultados finais no Colégio Eleitoral americano seriam conhecidos de madrugada. Como de hábito, os grandes jornais organizaram-se de modo a oferecer resultados parciais em edições sucessivas, deixando o resultado final para o maior número possível de leitores.

A "corrida" aparentemente foi ganha pelo Estado de S. Paulo, que conseguiu chegar aos assinantes e às bancas com a notícia do triunfo de Barack Obama. Mesmo o Globo (impresso no Rio) chegou a São Paulo com a vitória de Obama obtida com base nas pesquisas. A Folha de S.Paulo, com mais chances graças à tiragem maior, contentou-se em oferecer aos leitores uma manchete inconclusa sobre a maciça presença de eleitores. A manchete histórica ficou para o dia seguinte, quinta-feira (6).

O Valor Econômico, o mais completo no seu segmento, conscientemente abriu mão de concorrer com os gigantes: não publicou uma linha sequer sobre as eleições. Na realidade inseriu um comentário de duas linhas assinado por Fidel Castro (pág. A-15). Preferiu não publicar notícia alguma a oferecer uma informação incompleta.

O exemplo do Christian Science Monitor

A estratégia de Valor nos remete ao centenário jornal americano Christian Science Monitor, que acaba de anunciar o fim da sua edição impressa [ver, neste OI, "Jornal centenário quer sobreviver online"]. Trata-se de um dos melhores jornais dos EUA, com visual primoroso, denso, bem escrito, com elevado padrão cultural e nenhum compromisso com a atualidade, tanto assim que era distribuído aos assinantes pelo correio. Desafiou ostensivamente o binômio vital: qualidade e atualidade.

O Christian Science Monitor merece ser examinado com mais atenção e menos pressa. Foi fundado por Mary Baker Eddy, a criadora da "Ciência Cristã", em 1879, combinação de crença religiosa, auto-ajuda e medicina. Violentamente atacada pelo New York World de propriedade do ícone da imprensa Joseph Pulitzer, Baker Eddy resolveu fundar o seu próprio jornal. Por meio dele daria seqüência às doutrinas da cura pelo espírito sobre as quais escrevia ininterruptamente.

Contratou os melhores jornalistas para criar um jornal limpo, sem sensacionalismo, sem crimes, fixado na elevação espiritual dos leitores. Pretendia vencer as enfermidades e os males do mundo através da educação. Novidade em matéria jornalística, anomalia sob o ponto de vista empresarial, o CSM era editado por uma fundação não-lucrativa onde os princípios deveriam impor-se aos dividendos.

O jornal completará 100 anos no próximo dia 25 de novembro. Um milagre de sobrevivência. O único obtido pela estranha figura de Mary Baker Eddy.

Comentários (10)
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Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 10/11/2008 às 16:17:53
"A besta não é uma pessoa, um líder. É o sistema": ok, entao Obama caminho da besta mais tarde, mas por agora gostaria muito que os bibliofilos tirassem aquele judas do supremo. Depois, o mundo... agora nao.
Diego Polachini Polachini , São José do Rio Preto-SP - Jornalista
Enviado em 9/11/2008 às 22:57:53
Em primeiro lugar, quero dizer que concordo em gênero, número e grau com a colocação do amigo Carlo Germani. Tenho dúzias de materiais que comprovam o que ele afirmou. Se levarmos em consideração a questão profética da Bíblia (coisa que a maioria não lse preocupa), vemos que Obama é perfeito para o cargo de "preparador para o caminho da Besta". A besta não é uma pessoa, um líder. É o sistema. De fato, com todo o cenário econômico mundial, com a união dos países da Europa e a "vinda do messias Obama", tudo caminha para o fim. Quero compartilhar este assunto com quem se interessar. Meu e-maile msn é diego_polacchini@hotmail.com Obrigado!!!
José Ailton Santos , Aracaju-SE - estudante
Enviado em 9/11/2008 às 12:34:41
Simbolicamente o fato de Obama ser eleito presidente dos EUA representa muito,se pensarmos que na decada de 60 martin luther king lutava contra diversos preconceitos e racismos contra os negros americanos. Todavia, pensar que Obama irá resolver os problemas raciais americanos e as divergencias mundiais que envolve este país - como a mídia nacional nos compele a pensar - é no mínimo ingênuo e precipitar-se, pois se deixarmos de lado a simbologia de termos um presidente negro assumindo a nação mais poderosa, ainda, do globo é ignorar que Obama se insere em uma ideologia e um modelo de nação, que conserva todas as características que resultaram na fundação desta nação: pragmatismo, individualismo, darwinismo social, teoria de fronteira, que visa expandir seus limites a todo o globo, inclusive ao espaço; ignorando o que Lenin chamou de Autonomia dos Povos. Logo, concordo plenamente com o comentario de Alfredo Sternheim, a midia nacional contribui com a cegueira de uma parcela da população, ao passo que ignora acontecimentos nacionais de grande relevância para ocupar-se com noticias sensacionalistas e vazias de conteúdo, que engrossam o corolário dos jornais do país. Cabe a nós leitores conscientes fazer uso desses espaços para criticar a modorra que domina uma parcela significativa dos nossos veículos de comunicação.
alfredo  sternheim , são paulo-SP - jornalista-cineasta
Enviado em 8/11/2008 às 12:50:00
A vitória de Obama tornou-se fato mediático porque assim quís a imprensa mundial e brasileira. E o Observatório. Claro que é um fato importante, histórico por conduzir um negro à presidência dos EUA. Mas o destaque dado no Brasil revela a nossa mesmice, a falta (deliberada ou não) de interesse de nossos jornalistas em pautarem outras materias mais relevantes quanto a realidade brasileira. Como a anulação, pelo poder judiciário, da possibilidade de se ouvir criminosos através da videoconferência. Uma solução moderna, economica e preciosa para a segurança pública tão em crise em nosso país, em especial em SP (a greve da polícia civil que também ficou de lado). O Jornal Nacional "torrou" a paciência do espectador com proselitismo pró-Obama através de seus 6 jornalistas nos EUA, mas omitiu outros fatos graves do dia, até mesmo a morte de Michael Chrischton e Yma Sumac, para ficar na área culural. O processo conta Daniel Dantas "morreu", instalou-se uma crise na PF que, para nós, é importante, justificava mais matérias. A sessão de reclamações do Estadão, cuidada com carinho há anos por Cecilia Thompson, não consegue respostas de certos setores como a Telefonica, o Psiu da Prefeitura. É por ai que se vê como o povo é mal atendido. Mas Obama gera mais espaços, facilita a retórica sobre intolerância, enquanto segue a intolerância da mídia aos problemas do nosso dia a dia.
Jackson  Guterres , Porto Alegre - RS-RS - Comitê de Publicação da Ciência Cristã
Enviado em 8/11/2008 às 11:55:34
Uma contribuição aos parceiros da Ciência da Informação: O ano de criação do Monitor foi 1908, o da Ciência Cristã foi 1866. O ano de 1879 foi o da fundação da Igreja de Cristo, Cientista, todos em Boston, MA, EUA. A Sra. Eddy, embora pouco conhecida no Brasil, foi uma mulher de grande notoriedade, tendo recebido 33 reconhecimentos públicos e honrarias, tais como: inclusão no Woman s Hall of Fame (NY 1995), na listas das 100 pessoas que mais influenciaram o pensamento Americano (Revista Atlantic, 2006) e homenagem do Congresso Americano, 2004, no reconhecimento da Biblioteca Mary Baker Eddy para o Progresso da Humanidade. A onda da cura cristã, baseada na espiritualidade e na Ciência Cristã, tem continuado como efeito de círculos concêntricos, há 142 anos - seu amplexo inclui toda humanidade: todos podem acessá-la e usá-la como Jesus prometeu! Tais curas são provas contemporâneas de que Deus existe, é Amor infinito e seu poder não têm limites. A Sra. Eddy também fundou outras 3 revistas de publicação ininterrupta: The Christian Science Journal (1883), The CS Sentinel (1898) e o Arauto da Ciência Cristã (1903) publicado no Brasil. Agradeço a existência deste espaço de desconstrução de paradigmas e ao Observatório da Imprensa por seu olhar crítico,vigilante e científico sobre a imprensa - fundamentais ao aprimoramento e desenvolvimento do jornalismo verdade!
Rogério Ferraz Alencar , Fortaleza-CE - ATRFB
Enviado em 7/11/2008 às 23:36:52
"O Valor Econômico, o mais completo no seu segmento, conscientemente abriu mão de concorrer com os gigantes: não publicou uma linha sequer sobre as eleições." O Valor Econômico é da Folha e da Globo, e não pode concorrer com "os gigantes"? Ele é um nanico? O Estadão ganhou uma corrida que envolvia qualidade e atualidade? A Folha deu uma manchete histórica sobre a vitória de Obama? Que manchete histórica foi essa?
Carlo  Germani , BH-MG - engenheiro
Enviado em 7/11/2008 às 23:24:41
Questiono a conivência da mídia em geral aos seguintes fatos: 1) Quem comanda a mídia em nível mundial? R- Os Illuminati (super maçons) 2) Quem planejou a ascensão de Obama (O Collor deles) ? R- Os Illuminati 3) Qual o objetivo imediato dos Illuminati ? R- A implantação definitiva do satânico projeto da Nova Ordem Mundial. 5) Papel de Obama( maçon grau 32) : fantoche nas mãos dos Illuminati. 6) Qual a segunda meta dos Illuminati para os EUA ? R- Criar o caos interno, aplicar lei marcial e destruir a democracia americana. Após a mundial. 7) E a mídia, questiona a construção de centenas de campos de concentração nos EUA, e a estocagem de milhares de caixões de plástico ? 8) Obama será o "bode expiatório" dos Illuminati, pois não terá qualquer mudança para melhor. Creio que o povo sentindo-se enganado , começará o maior caos social jamais ocorrido. Obama poderá, então, ser assassinado por um extremista islamico, escolhido pelos Illuminati. Qual triunfo para Obama e ao mundo ?
Marcello  Benites , Vargem Grande Paulista-SP - Jornalista
Enviado em 7/11/2008 às 17:31:42
Na cobertura das eleições nos EUA, considerei interessante refletir sobre o posicionamento assumido dos jornais a favor de um ou outro candidato. Uma especialista em estudos de mídia afirmou que esse posicionamento não influencia na cobertura. Será mesmo? Também achei interessante, no caso da cobertura de jornais brasileiros, o destaque dado à manchete de O Globo: "Presidente Barack Hussein Obama". Foi um título sem verbo mas forte. Apenas o nome do presidente eleito já mostra como é histórico o fato de ele ter vencido o pleito
Melchíades  A. Prado , BH-MG-MG - sapateiro
Enviado em 7/11/2008 às 17:02:38
Marcio Soares, menas... menas... Onde existe grande imprensa no Brasil? É melhor chamar de jornalões. Sobre as eleições americanas alguém comentou que os jornais mais reconhecidos lá dos States são partidários (abertamente em seus editoriais) mas dão as notícias com isenção e imparcialidade. Aqui, é quase a mesma coisa, A pequena diferença é que se faz o contrário. Omitem o partidarismo e suas preferências partidárias, mas são inteiramente parciais (e desonestos) nas notícias. Só o Dines e aqueles que não querem, não vêem.
MárcioSoares , Grenoble-IN - Físico
Enviado em 7/11/2008 às 15:08:25

Posts "Obama presidente 1, 2, 3 e 4" - Total de comentários: 4 (com o meu) Post "O florescimento de um monstro" no "luisnassifonline" sobre a operação da PF para investigar a própria PF no caso Satiagraha - Comentários em 5 horas: 84. E o silêncio paira nos sites da grande imprensa...

Nota do OI: Prezado Márcio, a eleição de Barack Obama foi o fato midiático da semana, e o Observatório é um site de crítica de mídia. Sobre a briga de foice na Polícia Federal, veja o post "Satiagraha, a novela longe do fim", publicado na quinta-feira (6/11). (Luiz Egypto)

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