ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 513 - 25/11/2008
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JORNALISMO PARTICIPATIVO
Disfarce para burlar a legislação e a ética

Por Rafael Fortes em 25/11/2008

Uma campanha lançada recentemente por O Globo ocupa dezenas (centenas?) de outdoors e painéis em pontos de ônibus e em bancas de jornal no Rio de Janeiro. A partir de frases como "Carro na calçada? Fotografe"; "Carro indo pelo acostamento? Fotografe"; "Praia suja? Fotografe"; "Trânsito parado? Avise"; "Boa para hoje? Espalhe", incentiva o envio de material para sua versão na internet, num suposto "jornalismo participativo".

Aparentemente, a campanha está surtindo efeito. Em 17/11/2008, quando fortes chuvas atingiram a cidade do Rio durante a tarde, no início da noite o sítio do jornal exibia a chamada principal "Chuvas fazem estragos no Rio e complicam trânsito". Abaixo, um slide em que todas as fotos eram de autoria de leitores.

Uma campanha neste estilo e com tamanha visibilidade obriga à reflexão sobre fundamentos do fazer jornalístico e o papel desempenhado por certa imprensa na sociedade brasileira. Este artigo, de caráter introdutório, busca suscitar o debate. A primeira parte diz respeito à relação entre este modelo de "jornalismo participativo" e o trabalho jornalístico, articulando três eixos: relações de trabalho, ética e direito sobre o conteúdo produzido. A segunda discute a campanha com foco nas instituições do Estado Democrático de Direito.

Cínica e inócua

O primeiro problema que salta aos olhos – e o mais grave – é o do trabalho não-remunerado. A justificativa de que a seção "Eu-Repórter" é "um veículo de jornalismo participativo", e não "um veículo de divulgação de trabalho de jornalistas e/ou fotógrafos profissionais ou free-lancers" serve aos interesses da empresa, significando, na prática, que nenhum trabalho será remunerado – o que é explicitado no Termo de Compromisso e Direitos Autorais e nas Regras de Participação. Em um meio profissional onde os trabalhadores comumente são super-explorados, a transferência de parte do trabalho a voluntários que não recebem pagamento é ameaça grave e pode significar, na prática, demissões e piora das condições dos que mantiverem seus empregos. Isso sem contar seguro de vida, motorista, aposentadoria por invalidez, adicional de risco, hora-extra, adicional noturno, respaldo da empresa em caso de ameaças e agressões – alguns desses itens, entre outras garantias importantes, sequer existem para os repórteres que vão à rua, quanto mais para os leitores.

Imbuídos de um sentido torto de cidadania estimulado pela campanha publicitária e desconhecedores das relações de trabalho selvagens e dos salários aviltantes praticados na maioria das redações, leitores ávidos por usar os dispositivos tecnológicos à disposição contribuem para rebaixar ainda mais as condições de trabalho dos jornalistas. Se parte da empolgação dos leitores pode ser creditada ao desconhecimento das questões envolvidas em tal "participação", é fundamental que as entidades associativas e de classe das profissões envolvidas venham a público denunciar a situação e esclarecer a população.

No plano ético, a não-verificação da autoria e das condições de produção do conteúdo abre espaço para erros e/ou fraudes, cada vez mais facilitados pelo avanço tecnológico. Tomando o exemplo da chuvarada no Rio: como garantir que a foto foi feita na cidade do Rio e na data em questão? Como garantir que o crédito da foto estará correto, considerando a notória facilidade para se assumir identidade de terceiros na internet? Como garantir que a foto é original, e não copiada de outro lugar? Ora, sabemos como podem ser – e muitas vezes são – as coisas na internet... A suposta exigência de que "o conteúdo deve obrigatoriamente ser de autoria que quem o envia", sem que se estabeleça qualquer mecanismo de comprovação (o que demandaria mão-de-obra), é ao mesmo tempo cínica e inócua.

Condições leoninas

Acrescentem-se as múltiplas possibilidades de prejuízo a terceiros. Para não me estender, dou três exemplos: pessoas produziram conteúdos para uso pessoal, acadêmico ou profissional (alguém que teve seu celular furtado ou informações copiadas indevidamente de seu computador) podem ter os mesmos roubados e divulgados à sua revelia; pessoas mencionadas nos conteúdos e/ou que apareçam nas fotos e vídeos; pessoas que possam ter conteúdo falsa ou indevidamente publicado em seu nome etc.

O terceiro conjunto de problemas diz respeito aos direitos autorais e às responsabilidades. Há cláusulas claramente abusivas, como esta: "2.4. Caso o material seja enviado sem a indicação do nome do colaborador e não haja sua posterior identificação, presume-se a renúncia ao direito de crédito como autor." O Termo de Compromisso e Direitos Autorais é, na verdade, um contrato leonino em que a empresa fica com os lucros e o autor, com o trabalho não-remunerado e os eventuais prejuízos. Fora isso, iguala fotos e textos escritos, os quais são regidos por regras diferentes no que diz respeito ao pagamento por venda e/ou reprodução.

O Termo transfere os direitos "a título gratuito e por tempo indeterminado", para quaisquer usos que a empresa queira fazer, inclusive venda e uso em publicidade "em qualquer mídia ou meio físico [...] existentes ou que venham a existir". A gama de usos possíveis é exaustiva. Resumindo, a empresa pode fazer o que quiser com o material, incluindo alterá-lo, armazená-lo e vendê-lo. Como se fosse pouco, ainda pode vender os direitos a terceiros. Quem produziu o material fica chupando o dedo, claro. Achou pouco? Pois bem, o autor do material fica proibido de utilizá-lo "a não ser para fins particulares e de caráter não econômico". E o mais incrível: isto vale mesmo que o conteúdo não venha a ser utilizado pela Infoglobo! Isso são os direitos – todos da Infoglobo.

Leis burladas

Os deveres caem todos sobre o autor, inclusive responder a eventuais ações judiciais e "ressarcir a Infoglobo de todo e qualquer prejuízo advindo da utilização do referido material". Se ela lucrar vendendo uma foto para o mundo inteiro e depois for processada, não ajudará o autor e ainda lhe cobrará o pagamento de advogados, custas e outras despesas.

Ademais, a alegação de que tal "jornalismo participativo" representaria avanço em termos de "democracia" não resiste à mais simples análise, uma vez que vários problemas graves e centrais do jornalismo realmente existente na imprensa corporativa brasileira se mantêm nesse modelo, entre os quais cito quatro: a) reprodução de material produzido pelo jornalista (que recebe um único salário) em diversos veículos e mídias, inclusive através de venda; b) falácia segundo a qual os conteúdos publicados supostamente teriam apenas notícia e nada de opinião; c) sujeição do material a critérios comerciais e políticos das empresas (o que implica derrubada matérias que tratem de certos assuntos, contrariem interesses comerciais etc.); d) limite de tamanho para os textos, impedindo qualquer aprofundamento dos temas.

Nos três planos – relações de trabalho, ética e direitos autorais –, a lógica que rege o funcionamento do "Eu-Repórter" é a da dispensa de mão-de-obra e da transferência de custos e responsabilidades para o leitor-trabalhador em regime de semi-escravidão voluntária. Seria oportuno um pronunciamento de órgãos da esfera do direito, como Ministério Público e instituições de defesa do consumidor, pois trata-se de "contrato" evidentemente abusivo. Outra contribuição relevante seria um estudo sistemático de tal prática à luz da legislação referente a pelo menos quatro temas: meios de comunicação, imprensa, direitos autorais e trabalho.

Centrais sindicais, sindicatos e partidos políticos que defendem os trabalhadores e a democracia também fariam bem em se manifestar. Aos órgãos de classe, por sua vez, fica a sugestão de buscarem prioritariamente defender garantia de trabalho e melhoria salarial para os jornalistas. Como se não bastassem as numerosas formas de burlar as leis trabalhistas praticadas pelas empresas de comunicação, agora a tentativa de dilapidar emprego e salários vem da abertura de espaço não-remunerado para o leitor.

Jogada de marketing

Diversos trabalhos acadêmicos têm analisado e comprovado o desprezo sistemático que os meios de comunicação corporativos (também conhecidos como mídia hegemônica, mídia grande, mídia gorda, mídia do capital etc.) nutrem pela democracia e pelas instituições democráticas, públicas e republicanas. Isto pode igualmente ser verificado através da observação empírica de jornais, televisão, rádio e internet. Sob a alegação de exercício de um quarto poder sem base legal ou eleitoral, vemos, salvo raras exceções, uma cobertura que apresenta as instituições como inoperantes, corruptas, ineficazes e injustas. Essa tomada de posição, nunca assumida como tal, não visa a contribuir para melhoria do funcionamento dos poderes republicanos e aprofundamento de seu caráter legítimo, democrático, ético, legal e garantidor de direitos.

Em outras palavras, não busca contribuir para que sirvam melhor ao público. Muito pelo contrário, a visada hegemônica da mídia gorda tenta esvaziar o político, fragmentar os sentidos (impedindo o estabelecimento dos nexos, relações e associações necessários à compreensão do mundo de forma a atuar nele criticamente) e, sobretudo, defender a privatização (pirataria) do máximo possível de espaços. Em suma, trabalhar a favor do capital.

Tudo isso ajuda a criar, nos corações e mentes das pessoas, a convicção de que as instituições são ineficazes (não funcionam) e irrecuperáveis (não têm jeito). Portanto, nada a reformar. Cria-se a idéia de desordem (palavra adorada pela mídia corporativa) e de um vácuo de poder em que a saída não passa pela discussão pública de soluções políticas. Nesse cenário, emergem, plenos de poder concreto e simbólico, os próprios meios de comunicação.

Proponho pensarmos, a partir deste breve panorama, um segundo sentido para o lema "Muito além do papel de um jornal" – da mesma forma que o de outra empresa ("Nem parece banco") permite, na leitura crítica, uma compreensão mais verdadeira e próxima da realidade do que aquela aparentemente transmitida pela frase. "Muito além do papel de um jornal" é o nome-fantasia da campanha de divulgação da mudança de título de Globo Online para O Globo, que assume, na internet, o mesmo nome do impresso octogenário. Portanto, pura jogada de marketing. Como tal, diz respeito à superfície e à forma.

Apelo à classe média

Porém, ao propor um certo tipo de participação, a campanha nos permite ir mais fundo na interpretação do lema adotado. O Globo pretende funcionar, ao menos simbolicamente – mas com efeitos bastante concretos do ponto de vista social –, como um poder que pune cidadãos supostamente em situação de conflito com a lei. Contudo, não se trata de qualquer transgressão e as "provas" da mesma têm todos os possíveis problemas de legitimidade levantados na primeira parte deste artigo. Ao se investir do poder de polícia e guarda municipal e de julgar – e ao delegá-lo, em parte, a seus leitores –, O Globo, de uma só tacada:

** hipertrofia seu papel, indo "muito além do papel de um jornal";

** contribui para a descrença coletiva nas instituições;

** nega aos cidadãos as informações sobre os canais corretos e institucionais para resolução de conflitos, identificação de situações de transgressão da lei e punição de eventuais culpados/condenados;

** nega o direito constitucional à ampla defesa e à presunção de inocência;

** abre ampla possibilidade para que se cometam crimes contra a honra, mentiras, fraudes e injustiças (como se os espaços editorial, jornalístico e publicitário dos veículos já não fossem suficientes...);

** torna mais precárias as relações de trabalho;

** dissemina valores (como a delação) que não correspondem às práticas culturais predominantes em diversos segmentos da sociedade;

** Numa cidade em que muitas pessoas consideram a "desordem" um problema central, a campanha faz um apelo que cala fundo na classe média moralista – aquela que quer o "seu" Rio de volta, como definiu na recente campanha eleitoral o slogan de uma candidata a vereadora.

Mídia gorda contra-ataca

Para cumprir estes objetivos, convoca o leitor à conivência, sob a alcunha de participação. O Globo se aproveita dos desenvolvimentos tecnológicos para impor-se e estimula uma espécie de justiça com as próprias mãos que poderíamos chamar justiça com as próprias câmeras e celulares. Trata-se de desrespeito pelo Estado Democrático de Direito e pela longa trajetória de civilização em busca de uma sociedade com mecanismos justos, razoáveis e igualitários para lidar com divergências e crimes.

À primeira vista, parece uma iniciativa bastante simpática e democrática: o jornal acolhedor, que respeita e publica as posições dos leitores. Na prática, como os jornais não lucram com suas versões na internet, trata-se de uma tentativa de ampliar a visibilidade e força do jornal dentro da classe média carioca e alta (extremamente conservadoras e moralistas). Chegamos, então, a um objetivo estratégico fundamental da campanha: O Globo quer ser o guarda-chuva a acolher boa parte da produção de qualidade que se faz fora da mídia gorda, por pessoas que não precisam ser jornalistas para produzir textos, fotos, vídeos, entrevistas e outros materiais. Tenta, desta forma, manter seu poder concentrador no ambiente caótico, e em grande medida livre, da internet, onde as corporações de mídia tendem a perder ao menos parte de seu espaço e peso.

Muitos grupos, movimentos sociais e pessoas comuns já perceberam isso e usam a internet para se expressar e se informar sem passar pelos meios de comunicação corporativos. Mais uma vez, a mídia gorda contra-ataca.

Comentários (16)
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Daniel Garcia , São Paulo-SP - Fotógrafo e Jornalista
Enviado em 25/2/2009 às 23:25:01
Muito oportuna essa matéria, Rafael. Parabéns ! Devemos ficar bem atentos e nos unirmos. Tá difícil concorrer com esse esquema de "cidadão plantão". O desemprego e a falta de frilas já é uma realidade. A qualidade está sendo posta à margem, por causas dessas empresas oportunistas e desumanas. O que fazem o Sindicato dos Jornalistas, a Fenaj e as Arfocs ?? Para que existem ?
João Lacerda , São Paulo-SP - Editor de Imagens
Enviado em 1/12/2008 às 11:27:35
O texto é um excelente contra-ponto a fantasia vendida pela publicidade do "jornalismo participativo". Mas certamente mostra o poder das "novas pequenas mídias" a ponto do jornal incentivar seus leitores a serem também mídia. Como profissional não envolvido com o jornalismo diário, tendo a achar lados extremamente positivos na iniciativa do O Globo. É de se esperar que ela primeiro atenda aos interesses particulares da organização. Cada um lutando para "salvar o seu". Comparo com o que fizeram as grandes corporações fonográficas, tentando lutar contra as novas formas de distribuição de conteúdo, ao invés de incorporá-las. As organizações globo incorporaram as novas tecnologias. Nosso papel é garantir que essa incorporação não implique em malefícios para a sociedade.
Gleice Couto , Rio de Janeiro-RJ - Jornalista
Enviado em 30/11/2008 às 17:39:28
Webjornalismo participativo... Participativo... Nos lucros? Não, pois todos são da Infoglobo. Nos prejuizos? Também não, porque se der zebra, é o colaborador quem paga. E nem entrei no mérito de seleção de material , visto que tudo o que vai ao ar passa pelo olhar dos editores da seção (Quais os critérios de seleção? Em que se baseiam?) Interatividade... Onde? As ferramentas estão lá, mas a interatividade na Comunicação é muito mais do que o uso de e-mails e envio de fotos, ela é caracterizada pelo diálogo bi-direcional - e isto não acontece entre o colaborador e o veículo neste caso. Escolher situações pré-establecidas não é interatividade, como vendem por aí. Mas como bem disse André Lemos... "Hoje tudo se vende como interativo; da publicidade aos fornos de microondas." Ótima reflexão, Rafael.
margarida  nepomuceno , são paulo-SP - jornalista
Enviado em 30/11/2008 às 09:43:01
O artigo toca no centro da questão quando mostra o uso da interatividade como ferramenta para flexibilizar padrões jornalisticos e obter a colaboração gratuita da massa novidadeira.Não seria assim tão má idéia se fosse implantada como caráter experimental de extensão de responsabilidades. Afinal, olho vivo e fiscalização não são atributos meramente oficiais. As questões centrais são, em primeiro lugar, o oportunismo das empresas em querer demonstrar que pra fazer jornal não é preciso de jornalista o que implica na defesa do fim das escolas de jornalismo , em em segundo lugar, na ambição da empresa O Globo, sobrepor-se às funções das instituições. Fiscalizar e informar a sociedade sim, agora, substituir o Estado, aí é delírio com consequências funestas.
Carlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 28/11/2008 às 17:06:16
"O Globo quer ser o guarda-chuva a acolher boa parte da produção de qualidade que se faz fora da mídia gorda" É isso mesmo. Adquire-se o trabalho desses amadores antes que seja usado pela concorrência ou caiam na net sem "gerar lucro" a ninguém. Não necessariamente o material deverá ser usado. Esquema semelhante a TV Globo usa com séries de sucesso, como "Lost", que são adquiridas e exibidas em horários impraticáveis ou jamais veiculadas, apenas para que outros canais não os comprem.
Carlos N  Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 28/11/2008 às 16:56:50
"O primeiro problema que salta aos olhos – e o mais grave – é o do trabalho não-remunerado." . Neoliberalismo de cartilha. Quem se lembra da campanha do Voluntariado do governo FHC, aquela que tinha uma música do Skank ? O princípio era simples : com milhares de voluntários fazendo o trabalho de enfermeiras, assistentes sociais, agentes anti-epidemias, fiscais e até mesmo professores e guardas municipais, imagine o quanto o governo economizaria com os funcionários-"você gera um custo"-públicos. Não só ao não contratar, mas se livraria de vínculo empregatício e todas despesas que isso traz, além de usar o trabalho dos voluntários como contraponto durante as negociações de reajuste salarial das categorias. Não se pode negar as inteligência dos tucanos, pena que tenham apertado as mãos erradas.
Carlos Nepomuceno , Rio de Janeiro-RJ - Jornalista
Enviado em 27/11/2008 às 16:10:56
Rafael, não deu o espaço aqui para comentar e postei no meu blog..http://cnepomuceno.wordpress.com/?p=695&preview=true
Fernanda  Santos , Rio de Janeiro-RJ - Jornalista
Enviado em 27/11/2008 às 12:49:48
Excelente artigo Rafael. Experimentamos um processo de expensão das relações comuncacionais sem precedentes, mas infelizmente ainda obedecendo ao velho modelo de estruturas de poder. Muniz Sodré diz que "os indivíduos são solicitados a viver, muito pouco auto-reflexivamente, no interior das tecnomediações, cujo horizonte comunicacional é interatividade absoluta". Admirável mundo velho.
Cristina Charão , São Paulo-SP - Editora Observatório do Direito à Comunicação
Enviado em 26/11/2008 às 18:01:59
Rafael, Muito boas as reflexões. Só não vamos esquecer que o problema não está no jornalismo participativo - ainda por ser criado, afirmado, nascido, porque, afinal, a internet e as tecnologias digitais podem (e deveriam) estar aí pra mudar o status quo das pessoas e das coisas. O problema está na apropriação indébita do termo pela "mídia gorda" e na captura de possibilidades tecnológicas pela lógica do mais velho capitalismo praticado pelas empresas jornalísticas (ou jornada de 14 horas de trabalho é algo defensável nos dias de hoje?). E pra semana que vem, seguindo no tema: dá uma olhada em quantas fotos da tragédia de Santa Catarina feitas pelos "cidadãos comuns" tem circulado por aí. Algumas repetem-se em vários sites, pulam pra TV, pra capa do jornal. É, inclusive, de se investigar como estas empresas estão trocando este material... com que permissão?
David Rodrigues , Porto Alegre do Norte-Mt - Jornalista
Enviado em 26/11/2008 às 17:44:21
Depois de ler o artigo de Fortes, achei que o mundo fosse acabar. Mas 5 segundos depois, percebi que tudo era retórica, e voltei a respirar normalmente... Bem, só posso considerar que, assim como muita gente, o autor deste artigo não esá preparado ou não assimilou parte (ou toda?) das transformações advindas da fusão entre Internet e meios de comunicação tradicionais. Acho que o que Fortes quer mesmo é viver em um mundo encantado, onde jornalistas trabalham 5 horas por dia e passem o resto do dia fumando cigarrilha pelas esquinas de Ipanema...
claudio costa rosa , Rio de Janeiro-RJ - jornalista
Enviado em 26/11/2008 às 12:43:18
Muito pertinente este artigo. Já não é suficiente, na idéia da mídia "gorda", oferecer espaço apenas nas cartas dos leitores. Precisa conquistar corações e mentes através da pura e simples gratificação de, quem sabe, verem suas fotos publicada. Parabéns, ótimo artigo
Renato de la Rocha , Bagé-RS - economista
Enviado em 26/11/2008 às 11:35:34
Inicialmente, desejo cumprimentar ao autor do texto, porém, atrevo-me a discordar no ponto que diz respeito à relevância da rede Globo posto que esta não tem mais credibilidade alguma perante a população em geral e como "prova incontestável" disso cito as eleições presidenciais de 2006, quando a Globo entrou de corpo e alma na campanha pró-"chuchu" e PERDEU. Entendo que apenas os que gostam de ser enganados ainda dão algum tipo de atenção a esta fétida TV. Plim-plim para [ ], pois só estes ainda participam das jogadas deles.
Ivan  Bispo , Cristalina-GO - gestor ambiental
Enviado em 25/11/2008 às 21:28:41
E fazer comentários em blogs, escrever cartas para jornal, serão esses atos éticos?
Silvio de Tarso  de Tarso , Curitiba-PR - Radialista
Enviado em 25/11/2008 às 20:39:27
Sob o manto ilusório do jornalismo participativo e democrático, o Globo oferece, como um fetiche, o seu espaço, ferindo, como bem afirma o articulista, o Estado Democrático e o jornalismo profissional.
Cicero Cavalcante , Maceió-AL - Administrador
Enviado em 25/11/2008 às 15:02:32
Muito interessante o artigo, só discordo quando diz que os jornais não lucram com suas versões on-line, e a publicidade gerada nos sites?
Alessandra  Marques , Fortaleza-CE - jornalista e professora
Enviado em 25/11/2008 às 14:07:12
caro Rafael, belíssimo, instigante e oportuno artigo. irei divulgar entre meus alunos e colegas de jornalismo em Fortaleza. um abraço
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