ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 514 - 9/2/2010
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IMPRESSOS EM CRISE
Tribuna da Imprensa deixa de circular

Por Luiz Antonio Magalhães em 2/12/2008

Um editorial ocupando toda a primeira página, assinado pelo jornalista Hélio Fernandes [ver abaixo], anunciou na segunda-feira (1/12) a suspensão temporária das atividades do jornal Tribuna da Imprensa. Segundo Fernandes, a Tribuna está deixando de circular devido à impossibilidade de pagar dívidas contraídas em função de perseguições sofridas durante a ditadura militar (1964-85). O jornalista também acusa o Supremo Tribunal Federal de morosidade por não julgar o pedido de indenização feito à União, justamente pelas perseguições durante o regime de exceção.

Com a indenização, esclarece Fernandes no texto, seria possível quitar a dívida e manter a Tribuna em funcionamento. Segundo o site Comunique-se, o jornal não deverá demitir ninguém e os funcionários receberão seus compromissos assim que sair a indenização.

Fundada em 1949 por Carlos Lacerda, a Tribuna da Imprensa teve um papel relevante durante o segundo governo de Getúlio Vargas. Ferrenho opositor do então presidente, Lacerda sugeriu, em editorial publicado uma semana após o atentado da Rua Tonelero, em 5 de agosto de 1954, que o presidente renunciasse ao cargo. No atentado, Lacerda foi ferido e o major Rubens Vaz, assassinado. Já no dia seguinte o dono da Tribuna atribuía a Vargas a culpa pelo episódio. Com o suicídio de Vargas, na madrugada de 24 de agosto, o jornal foi invadido por simpatizantes de Getúlio e empastelado.

Censura prévia

Em 1962, dificuldades financeiras levaram Carlos Lacerda a vender o jornal para Manuel Francisco Nascimento Brito, genro da Condessa Pereira Carneiro, dona do Jornal do Brasil. O jornalista Alberto Dines, que chefiava a redação do JB, acompanhou a transição de um dono para outro e, depois, durante o ano, foram realizadas tentativas para "relançar" o jornal – participaram do processo Mário Faustino, Hermano Alves e Maurício Cibulares.

Os jornalistas Carlos Castello Branco e Armando Nogueira, que estavam no Jornal do Brasil, chegaram a ser deslocados para a Tribuna, onde assumiriam duas colunas, uma sobre política, outra sobre esportes. Com o fracasso do projeto, os dois foram reintegrados ao JB, mas a idéia das colunas vingou: nasciam a Coluna do Castello e Na Grande Área. No final do ano de 1962, Nascimento Britto decidiu vender a publicação ao jornalista Hélio Fernandes, detentor do título até hoje.

Durante a ditadura militar, o jornal permaneceu 10 anos sob censura prévia e foi um dos mais prejudicados e perseguidos veículos de mídia do país. Em 1981, a sede do jornal chegou a ser vítima de um atentado a bomba, cujos autores seriam simpatizantes da linha-dura do regime.

A seguir, o editorial de Hélio Fernandes sobre a suspensão das atividades do jornal.

***

A TRIBUNA INTERROMPE MOMENTAMENTE A CIRCULAÇÃO POR CULPA DA JUSTIÇA MOROSA, TENDENCIOSA, DESCUIDADA, DISPLICENTE, VERDADEIRAMENTE INJUSTA E AUSENTE, TÃO DITATORIAL QUANTO A DITADURA

O douto procurador-geral da República, Claudio Fonteles, recusou o AGRAVO da União, identificando-o como PROTELATÓRIO.

O imodesto ministro Joaquim Barbosa recebeu o AGRAVO da União, sabendo que era PROTELATÓRIO. Levou 2 anos e meio para entender.

Com a mente revoltada e o coração sangrando, escrevo serenamente, mas com a certeza de que é um libelo que atinge, vai atingir e quero mesmo que atinja o sistema Judiciário. As palavras que coloquei como título desta comunicação representam a ignomínia judicial, que se considera poderosa e inatingível, mas é apenas covarde e insensível.

Retira-se dessa acusação global apenas a primeira instância. O juiz que em 1979 recebeu a ação desta Tribuna da Imprensa examinou imediatamente a questão e dividiu a ação em duas. Uma chamada de LÍQUIDA, que decidiu imediatamente e que, lógico, foi objeto de recursos indevidos, malévolos e protelatórios, que é a que está na mesa do ministro Joaquim Barbosa.

A outra, denominada de ILÍQUIDA, juntava e junta prejuízos ainda maiores, como desvalorização do título do jornal, lucros cessantes, páginas em branco durante 10 anos, perseguição aos anunciantes, que intimidados pessoalmente pelo então diretor da Receita deixavam de anunciar.

(Esse diretor da Receita Federal, Orlando Travancas, era feroz na perseguição e na intimidação. Não demorou muito, foi flagrado em crime de extorsão e corrupção, não quiseram prendê-lo, seria desmoralização para o regime. Foi aposentado luxuosamente, com proventos financeiros "generosos").

A ação ILÍQUIDA dependia de PERÍCIA, que vem desde 1982, e não foi feita por irresponsabilidade e falta de interesse de dois lados. Acreditamos que agora andará em velocidade para recuperar o tempo perdido. Na ação dita LÍQUIDA, o competente juiz de primeira instância, cumprindo o seu dever, sem temor ou dificuldade, condenava a União ao pagamento da INDENIZAÇÃO devida a esta Tribuna.

Que sabendo dos obstáculos que enfrentaria, dos sacrifícios a que seria submetida, assumiu sem qualquer restrição a resistência ao autoritarismo e à permanente e intransigente defesa do interesse nacional, tão sacrificado. "Combatíamos o bom combate", como disse o Apóstolo Paulo.

De 1982 (primeira e única sentença) até este ano de 2008 (26 anos), a decisão do competente juiz de primeira instância foi naufragando na impunidade, no descuido, na imprudência dos chamados MAGISTRADOS SUPERIORES.

Nesses 26 anos, desembargadores que não tinham nenhum adjetivo, mas lutavam arduamente para ganhar a complementação de DESEMBARGADORES FEDERAIS, nem ligavam para a justiça ou a injustiça. Importantes, se consideravam insubstituíveis e incomparáveis, não queriam que alguém pensasse ou admitisse que eram inferiores. Lógico, cuidando da ambição pessoal, não podiam perder tempo FAZENDO JUSTIÇA. Que era o que o juiz de primeira instância compreendeu e decidiu imediatamente.

Em 26 de março de 1981, a ditadura agonizante mas vingativa explodiu prédios, máquinas e demais dependências desta Tribuna. Podíamos acrescentar isso na própria ação ou começar nova, com mais esse prejuízo colossal. Não quisemos. É fato também facilmente comprovável, não protestamos nem reivindicamos judicialmente em relação a mais esse terrorismo. Financeiro, econômico, irreparável.

Outro fato que também é acusação contra DESEMBARGADORES FEDERAIS facilmente comprovável verificando o andamento, quer dizer, a paralisação do processo: vários DESEMBARGADORES FEDERAIS ficaram 2, 3 e até 4 anos com o processo engavetado. Alguns devolviam o processo pela razão maior de todas: caíam na EXPULSÓRIA. Mas continuavam fazendo parte do esquema e sistema de atrasar a eficácia da prestação jurisdicional. Necessária nova distribuição, isso era feito lentamente, esqueciam inteiramente da importância de fazer justiça.

E o próprio Supremo Tribunal Federal não pode ser considerado INOCENTE ou DESCONHECEDOR do processo. Pois há quase 3 anos ele está na mesa do ministro Joaquim Barbosa, "esperavam um negro subserviente, encontraram um magistrado que veio para fazer justiça". Na prática está desmentindo a teoria. Negro ou branco, não importa a cor e sim a I-N-S-E-N-S-I-B-I-L-I-D-A-D-E como magistrado.

O ministro Joaquim Barbosa, do STF, com extrema boa vontade, recebeu o recurso inócuo da União, verdadeira litigância de má-fé, que sabia ser apenas PROTELATÓRIO. Os autos estão descansando em seu gabinete desde abril de 2006. Postura diferente adotou o douto procurador-geral da República, Cláudio Lemos Fonteles, que há mais de 2 anos já fulminara o teratológico recurso como INADMISSÍVEL, sem razão de ser, vez que almeja REDISCUTIR o que já tinha sido pacificado nas instâncias inferiores, ou seja, o direito líquido e certo desta Tribuna da Imprensa ser indenizada por conta de danos morais e prejuízos materiais de vulto que sofrera, em decorrência de atos truculentos e de censura permanente dos governantes dos anos de chumbo e que quase levaram o jornal à falência.

Inexplicavelmente, repita-se, o bravo (ou bravateiro?) Joaquim Barbosa aceitou o afrontoso apelo da União que nem deveria ser conhecido, por conta quem sabe de um cochilo, displicência ou então não tem a sabedoria jurídica que tanto apregoa.

Não quero ir mais longe, lembrar apenas o seguinte: a Tribuna da Imprensa não será FECHADA pela indolência da Justiça, que, sem perceber, a castiga tanto ou mais do que a ditadura, na medida em que por inaceitável MOROSIDADE está retardando a implementação da execução de sentença condenatória da ré, União Federal, e sua maior devedora.

ASSIM, suspenderemos por alguns meses a circulação deste jornal, que entra, coincidentemente, no ano 60 da sua existência. 14 com Carlos Lacerda, 46 com este repórter. Não transigimos, não conversamos, não negociamos a opinião aberta e franca pela recompensa escondida mas relevante. Poderíamos ter cedido, concedido, concordado, conquistaríamos a riqueza falsa e inconsciente, mas GLORIOSA E DURADOURA.

Vivemos num mundo dominado pela VISIBILIDADE e a RECIPROCIDADE. Como não nos entregamos nunca, como ninguém neste jornal distribui visibilidade para receber reciprocidade, estamos em situação dificílima.

Nesse quadro, já dissemos e reiteramos que essa primeira indenização será toda destinada ao pagamento de DÍVIDAS obrigatórias contraídas por causa da perseguição incessante comprovadamente sofrida.

Em matéria de tempo, uma parte do Judiciário foi mais ditatorial do que a ditadura. Esta perseguiu o jornal das mais variadas formas, por 20 anos. A Justiça quer ver se chega aos 30 anos, por conta de sua repugnante MOROSIDADE, TÃO RUINOSA e imoral quanto a ilimitada violência perpetrada pela ditadura.

Se vivo fosse, o jurista Ruy Barbosa por certo processaria os lenientes julgadores do processo indenizatório ajuizado pela Tribuna contra a União há quase 30 anos e sem pagamento algum até hoje, porque para Ruy, que é tão festejado e citado, mas não imitado, JUSTIÇA ATRASADA NÃO É JUSTIÇA, SENÃO INJUSTIÇA QUALIFICADA E MANIFESTA. Até breve. Muito breve.

PS - "A única coisa que devemos temer é o próprio medo. O medo inominável, injustificável, sem razão de ser. Medo que paralisa os esforços e transforma um avanço vitorioso numa derrota ou numa retirada desastrosa". Franklin Delano Roosevelt, 4 de março de 1933. Um dia antes de tomar posse pela primeira vez como presidente e já pronto para lançar o New Deal.

Comentários (19)
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marco antonio silva , CTBA-PR - ADV
Enviado em 4/2/2010 às 07:39:31
O MIN Joaquim é sim complacente aos reclamos da União, seu patrâo, e desatento à celeridade processual, hoje garantida pela Constituição, que a atitude do próprio, curiosamente, desafia. Vou parafrasear, mutatis mutandis, e com o perdão da má palavra, o Ditador Floriano, sobre HC impetrado pelo Mestre Ruy Barbosa, o qual evidentemente, conforme amiúde, foi rejeitado pela corte suprema omissa desde antanho, e dizer, e qual será a medida adotada pelo CNJ contra a falta de agilidade do STF ??????
Marcel Leal , Itabuna-BA - jornalista
Enviado em 8/12/2008 às 15:23:33
Também me incomoda o silêncio da grande imprensa (mas não me surpreende). O fechamento de um jornal que lutou para garantir a liberdade dos resto da midia merecia pelo menos um editorial de defesa em cada veículo deste país. Não concordava com muita coisa escrita na Tribuna, mas sempre vi nela um farol de liberdade raro hoje em dia. Pelo menos nosso jornal, A Região, de Itabuna (BA), fez seu protesto. É a história da andorinha jogando uma gota de água para apagar o incêndio. O que precisamos é de mais andorinhas.
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 8/12/2008 às 02:06:35
"a comunistada sabe dos dinheiros que trouxeram a Tribuna até aqui": da pra essa veiarada tirar o cavalinho da chuva mais cedo um pouquinho? A "comunistada" brasileira nunca existiu, exceto a que a espionagem criou.
Thomaz Magalhães , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 7/12/2008 às 14:18:27
Tanto a fonte "sindical" da Folha como a que dá 60 mil exemplares de venda diária para a Tribuna da Imprensa são espantosas. Outra curiosidade é o jornal fechar por não pagar dívidas contraídas no período 1964/85. Foram roladas mais de vinte anos após a democrataização, por um jornal que não tem anúncio. Pessoal criativo, o das finanças da Tribuna. Como está comentado aí abaixo, um belo case de gestão. Tenho um palpite: a comunistada sabe dos dinheiros que trouxeram a Tribuna até aqui.
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 7/12/2008 às 08:51:49
A cara de pau é imensa. O povo vítima do governo "ilegítimo" terá que pagar a dívida pela falta de talento do jornal que lutou contra a ilegitimidade do referido governo! É um joguinho que sempre o povo é que perde! Este povo que não pode dizer que foi vítima da ditadura, e agora está sendo vítima da esperteza.
Francisco Azevedo Lobo Chico Lobo , Rio de Janeiro-RJ - ADVOGADO
Enviado em 6/12/2008 às 10:24:44
Lamento o fechamento da Tribuna, que agora não servirá mais nem para limpar o coco do cachorro na rua.
Rogério Ferraz Alencar , Fortaleza-CE - ATRFB
Enviado em 4/12/2008 às 22:55:35
Realmente, José de Souza Castro, entre 60 mil e 800, há uma divergência muito grande. Se eu fosse a Folha, também procuraria tirar isso a limpo, com outras fontes. A venda de 800 exemplares é uma cifra tão mixuruca que a Folha não deveria nem ter publicado. 60 mil pode ser muito, mas 800, convenhamos, é inacreditável. E creio que Hélio Fernandes erra ao culpar só o Estado, pela derrocada da Tribuna.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 4/12/2008 às 17:44:10
A Folha (de S. Paulo, hein!) utilizou-se de uma "fonte" no Sindicato dos Jornalistas?. Por que ela não utilizou uma "fonte" da ANJ-Associação Nacional de Jornais?. Pô, era só perguntar para a doutora Maria Judith de Brito funcionária folhática e presidente (?) da tal ANJ. Não vale dizer que a Tribuna da Imprensa não é associado da tal ANJ!.
José de Souza  Castro , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 4/12/2008 às 16:36:35
Já vi muitos jornais morrendo, e o que mais me doeu foi o Jornal do Brasil, onde comecei em 1972 e trabalhei por 16 anos. Pelo menos, ele teve um epitáfio digno, o que não se vê no caso da Tribuna da Imprensa. A Folha de S. Paulo até que se deu ao trabalho de correr atrás do prejuízo e noticiar o fechamento, mas informou que o jornal vendia apenas 800 exemplares por dia. Um subeditor da Tribunal da Imprensa escreveu para corrigir. Sua carta está publicada hoje, afirmando que o jornal tinha tiragem de 60 mil exemplares. A Folha se justifica. Diz que Tribuna da Imprensa não é auditada pelo IVC e a informação sobre os 800 exemplares havia sido dada - pasmem! - por uma fonte do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro. Esses sindicatos, desde que foram dominados por assessores de imprensa, não são, certamente, uma fonte fidedigna. Entre 60 mil e 800, há uma divergência muito grande. Se eu fosse a Folha, procurava tirar isso a limpo, com outras fontes...
jose neto sobrinho , passo fundo-RS - funcionário público
Enviado em 4/12/2008 às 10:10:51
É incrível o silêncio da grande mídia a respeito da Tribuna. Vai ficar mais fácil agora, pois, não terão ninguém mais a discordar de suas opiniões. Como diria o grande Odorico: os jornalões "estão com o peito em festa e o coração a gargalhar". Quem vai se atrever a defender tão valoroso jornal. Paulo Henrique Amorim diz que o PIG está aí, muito bem, mas não tem adversário? Se a justiça faz isso com um jornal, imaginem o que nao faz com o povo. O povo, ora, o povo... Neto.
Zé da Silva Brasileiro , Belo Horizonte - MG-MG - Bancário
Enviado em 4/12/2008 às 09:37:59
Sem dúvida a "Tribuna da Imprensa" era uma nota destoante na monótona imprensa escrita brasileira, onde os jornalões estão cada vez mais parecidos entre sí. A leitura de um dispensa a leitura dos outros. Não entendí entretanto o fato de o Hélio Fernandes não ter tentado preservar o nome e espaço do jornal através da Internet, a exemplo de vários jornais americanos que também eliminaram suas versões impressas em papel mas preservam seu nome e espaço através de versões on line. Ademais não se justifica amarrar a sobrevivência e futuro de uma empresa brasileira aos tortuosos, duvidosos e complexos caminhos de uma decisão judicial no Brasil. A justiça brasileira só é rápida quando se trata de conceder habeas corpus a banqueiros bilionários. Nos demais casos ela caminha a passos de tartaruga preguiçosa... O Sr. Hélio Fernandes, experiente como é, deveria ter procurado outras alternativas de sobrevivência e não ficar contando com um ovo que a justiça brasileira, supostamente, em futuro incerto, iria botar...
Ricardo Faria , São José dos Campos-SP - Jornalista
Enviado em 3/12/2008 às 22:17:53
Não possuo procuração para defender o jornalista Hélio Fernandes, tenho a obrigação de fazê-lo. Tentam calar o maior jornalista brasileiro, mas apenas conseguiram transformar o irmão do Millôr Fernandes num novo Tiradentes, para dizer o mínimo. A ação [ ] de convencimento dos anunciantes a não ocupar espaço em determinados veículos é prática comum nesse país de muita gente e poucos donos. Paulatinamente, enforcaram o guerreiro Hélio, mas ainda não o mataram. Ele estrebucha na ponta da corda, graças ao pescoço duro. Ao contrário dos capachos nos jornalões e revistonas, Hélio Fernandes jamais se dobrou, atendeu e defendeu somente aos interesses dos leitores. Ele, como pouquíssimos, tem autoridade para contar a História Política e Jornalística desse país, e isso incomoda muita gente. Em particular os falsos profetas instalados na mídia arregalada. Não se trata apenas de uma negra injustiça, mas de um soco na boca do estômago da comunicação nacional. Os tempos são outros, ninguém conseguiu parar a roda do Tempo. Através do Hélio Fernandes e seus companheiros tomaremos conhecimento dos nomes dos bois na boiada dos paus mandados. Quem viver verá.
Alessandro Sa , Fortaleza-CE - Engenheiro
Enviado em 3/12/2008 às 15:03:47
Preocupante tambem é a falta de repercussão na própria mídia do que está acontecendo com a Tribuna. Já tinha ouvido falar em jornal fechar por ordem da justiça, por desordem é a primeira vez.
Zé da Silva Brasileiro , Belo Horizonte - MG-MG - Bancário
Enviado em 3/12/2008 às 10:57:20
O comentarista Dante Caleffi chama a atenção para um aspecto importante: a ausência de anúncios na "Tribuna da Imprensa". De fato, excluindo-se a possibilidade da existência de generosos e abnegados doadores anônimos, aparentemente o jornal era mantido com os recursos oriundos de assinantes e de venda em bancas. Na época do regime militar alguns semanários alternativos foram criados com essa mesma filosofia. Era a chamada "Imprensa do Leitor". Não conseguiram sobreviver. Alguém escreveu aquí mesmo no OI um interessante artigo chamado "Quem paga o flautista dá o tom". Na imprensa tradicional o flautista é pago pelo anunciante que, evidentemente, vai dar o tom. Quem não se enquadra vai tocar em outra freguesia... Agora, através da Internet, vai se tornando viável um novo modelo de comunicação plural, ecológico e democrático. As árvores agradecem, penhoradas. Os anunciantes perdem um pouco do seu poder num universo mais plural mas, certamente, continuam atores importantes. Os leitores, por outro lado, deixam de ser vistos coletivamente como um rebanho passivo.
Luciano  Baía Meneghite , Leopoldina-MG - Desenhista/Chargista
Enviado em 3/12/2008 às 08:12:22
Minha primeira fonte de informação ao acordar(junto com o Conversa afiada e o viomundo) era a tribuna da imprensa.Mesmo discordando de certas opiniões ali publicadas,sempre a vi com mais respeito que os jornalões golpistas. Tomara que volte a circular.É de se lamentar o silêncio de outros orgãos de imprensa sobre o fato.
Carlos Fochesatto , Caxias do Sul-RS - Professor
Enviado em 2/12/2008 às 22:40:06
É lamentável, lia quase todos os dias na internet. Mas os colunistas estão ainda na internet e isto é muito bom, tomara que continue. Quanto a justiça...bem, Gilmar Mendes parece ser a cara.
dante caleffi , rio de janeiro-RJ - publicitário
Enviado em 2/12/2008 às 21:56:05
Sempre estranhei a sobrevivência,arrastada,da"Tribuna",chamava atenção a ausência de publicidade.Não havia uma! Hélio Fernandes, aproveitando esse período de recesso,provavelmente,longo,poderia decifrar esse curioso enigma:como manter um periódico,por décadas,só com o "preço de capa"?Dá um "case", e dos bons.Quem sabe,revelando. um conferencista de sucesso,sobre tão palpitante tema?
José de Souza Castro , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 2/12/2008 às 16:18:24
Leitor muitas vezes de Hélio Fernandes, nem sempre concordei com o que ele escrevia, mas seu grito de indignação contra a morosidade da Justiça revivem minhas lembranças de quando pesquisava os problemas do Judiciário para escrever "Injustiçados - o caso Portilho". Isso que afronta o dono da Tribuna da Imprensa, o combativo irmão de Millôr, é um problema grave que afeta milhões de brasileiros que tiveram algum dia de recorrer ao Judiciário para reparar injustiças. Longa vida para Hélio Fernandes e para seu bravo jornal!
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 2/12/2008 às 12:52:14
Justica brasileira eh uma desgraca a nivel continental.
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