ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 515 - 9/2/2010
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RÁDIO DIGITAL
Custo e informações imprecisas adiam implantação

Por Nair Prata em 9/12/2008

A implantação da TV digital no Brasil completa um ano, alcançando a marca de 470 mil aparelhos vendidos com o conversor embutido, atingindo cerca de 910 mil brasileiros, ou 0,5% da população do país, de 183 milhões. Mas, e o rádio digital? Quando será, finalmente, que os brasileiros conhecerão essa nova modalidade de radiofonia? A data para o início das transmissões do rádio digital no Brasil era, inicialmente, 14 de setembro de 2007. Mas um amplo movimento dos pesquisadores de rádio e mídia sonora de todo o país questionou o Ministério das Comunicações acerca da tecnologia e dos métodos que poderiam ser utilizados na implantação da modalidade digital. O movimento culminou com um encontro em Brasília, em 13 de dezembro, entre uma comissão de três professores e o próprio ministro Hélio Costa.

Na reunião, o ministro informou que o governo queria ser parceiro da empresa norte-americana i-Biquity, detentora da tecnologia HD Radio, no desenvolvimento de um sistema de transmissão e recepção de rádio digital adaptado às particularidades brasileiras. Hélio Costa afirmou também, à época, que o interesse do governo era ser como um sócio da empresa para, inclusive, fabricar equipamentos no Brasil e, no futuro, exportar transmissores e receptores para outros países da América Latina. O ministro condicionou esta aproximação à abertura da tecnologia, hoje sob controle total da empresa. Com a medida, os radiodifusores passariam a ter direito de uso e de adaptação do HD Radio às características do sistema de radiodifusão sonora brasileiro.

Mais cinco anos

O tempo passou e, findo o primeiro semestre deste ano, a população foi brindada com a informação do Ministério das Comunicações de que até o fim de 2008 o Brasil teria o rádio digital. Dezembro começa e a promessa não se concretiza. A digitalização das transmissões radiofônicas no Brasil deve proporcionar mudanças tanto no aspecto técnico, quanto no conteúdo. No campo técnico, a principal transformação é o som de primeira qualidade, isto é, o AM com som de FM e o FM com som de CD. Mas também devem chegar, possivelmente, novidades no campo da linguagem, com novas possibilidades interativas, novos canais de transmissão e, certamente, um novo jornalismo.

Em Minas Gerais, apenas duas emissoras, das 350 existentes, têm dado passos concretos rumo à implantação do rádio digital: a Rádio Globo AM, que iniciou os testes em 2005, e a Rádio Itatiaia FM, que se prepara para as experimentações. Como nos casos das outras emissoras brasileiras autorizadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), as experiências em Minas são com o Iboc (In-Band O Channel). Em entrevista para um estudo apresentado há duas semanas no Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, em São Paulo, a Associação Mineira das Emissoras de Rádio e Televisão (Amirt) informou que o digital em Minas não vai chegar no prazo previsto.

Segundo o diretor Luiz Carlos Gomes, em 2007, os trabalhos não avançaram e isso certamente vai impedir que o rádio digital se torne uma realidade em Belo Horizonte nos próximos cinco anos.

Preços hipotéticos

Na pesquisa apresentada no congresso, Gomes observa que a evolução do processo tem sido impedida em todo o Brasil pelo atraso na escolha do sistema de transmissão e pela limitação de recursos, principalmente por parte das pequenas e médias emissoras. O diretor da Amirt explica que, apesar de o investimento médio mínimo ser de cerca de R$ 300 mil para uma emissora que já conta com base física bem estruturada, há aquelas que já investiram mais de R$ 1 milhão só neste período de testes ainda sem saber oficialmente se o modelo que o Brasil vai adotar será mesmo o Iboc.

Gomes diz que para os radiodifusores está difícil até calcular os custos da empreitada. Segundo ele, a Amirt fez uma tentativa, frustrada, de consultar nas indústrias brasileira e norte-americana os custos para a implantação de transmissores digitais. "Observamos que investir no rádio digital envolve muito dinheiro e apostas no escuro em um projeto cercado de informações imprecisas. Todos os preços passados pelos fornecedores eram hipotéticos, impossibilitando as emissoras de terem, previamente, uma noção do quanto precisariam dispor para a implantação do sistema digital."

Quando o país comemora o primeiro aniversário da implantação da TV digital, pergunta-se: quando o rádio digital chegará ao Brasil?

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Jonas Paulo Negreiros , Jundaí-SP - técnico em eletrônica
Enviado em 10/12/2008 às 19:01:53
Todos os sistemas de rádio digital padecem de um problema comum: alto consumo energético. Isso inviabiliza a recepção com receptores movidos a pilha, principalmente das baratinhas, do tipo "Leclanché". O modelo favorito Ibiquity não contempla o serviço de ondas tropicais e ondas curtas, importantes como um País como o Brasil. Para as ondas curtas há um modelo internacional conhecido como DRM - Digital Rádio Mondiale, adotado pelos EUA, Alemanha, França, China, Japão, entre outros. Parece saudosismo falar em ondas curtas, mas numa situação de emergência extrema, quando os satélites e cabos submarinos podem falhar, as velhas ondas curtas poderão estar no ar, pois elas dependem exclusivamente da reflexão ionosférica, uma espécie de "repetidora natural" de nosso planeta.
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