ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 516 - 16/12/2008
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BERNARD MADOFF
A imprensa e o golpe de mestre

Por Luciano Martins Costa em 16/12/2008

Comentário para o programa radiofônico do OI, 16/12/2008

A fraude comandada pelo ex-presidente da Bolsa Nasdaq, Bernard Madoff, espalha seus estilhaços por todo o mundo e alcança o Brasil. O Estado de S.Paulo informa que investidores brasileiros começam a consultar escritórios de advocacia para recorrer à Justiça internacional e tentar reaver o dinheiro perdido.

As perdas provocadas pelo esquema de pirâmide administrado por Madoff podem chegar a 50 bilhões de dólares e certamente vão afetar a já debilitada credibilidade do sistema financeiro internacional.

O golpe era tão primário que os analistas consultados pelos jornais têm até dificuldade para entender como funcionava. O caso se torna ainda mais grave quando se observa que entre as vítimas encontram-se investidores altamente qualificados e experientes, como bancos especializados em administração de fortunas.

O que Madoff fazia era simplesmente oferecer retorno alto aos investidores, usando dinheiro de novos aplicadores para pagar os rendimentos de seus clientes. O esquema era exatamente igual à velha pirâmide, que de vez em quando saqueia trocados de pessoas crédulas e gananciosas.

O elemento mais assustador da história toda é o fato de que, depois de descoberto, o golpe se revelou absolutamente primário, mas as autoridades financeiras dos Estados Unidos simplesmente não o enxergaram. Segundo os jornais, o órgão encarregado de regulamentar e fiscalizar o mercado de valores mobiliários nunca examinou os livros contábeis da empresa de Madoff desde que ela foi registrada, em 2006.

Os otários

O que a imprensa reproduz nas edições de terça-feira (16/12), quando se revelam detalhes do golpe, é um verdadeiro estado de choque. Investidores, operadores e analistas do mercado financeiro se declaram estupefatos com a falta de segurança do sistema.

Segundo o Globo, os aplicadores brasileiros foram atraídos pela promessa de alto rendimento e pela possibilidade de ganhar um dinheiro que não precisaria ser declarado à Receita Federal. As aplicações eram feitas em valores abaixo de 10 mil dólares de cada vez, para escapar da fiscalização automática.

Os jornais não conseguiram, ou não quiseram, identificar os otários, ou melhor, as vítimas brasileiras do golpe. Pena. Eles poderiam alimentar os programas humorísticos da televisão neste final de ano.

***

Um ano para lembrar

As revistas semanais de informação e os jornais preparam as tradicionais retrospectivas do ano. Será interessante observar como a imprensa brasileira terá enxergado este surpreendente 2008.

Também será bom exercício analisar como a imprensa vai apresentar as perspectivas para 2009.

Vai ser principalmente interessante constatar se os oráculos consultados no final de 2007 vão ganhar o mesmo espaço neste ano. Afinal, eles erraram praticamente todas as suas previsões.

O próximo ano, que deve começar envolto na nuvens da crise financeira global, também vai marcar importantes efemérides que ajudam a refletir sobre a modernidade e a imprensa.

Resta saber se os jornais não vão repetir as omissões deste 2008, quando se esqueceram de rememorar datas importantes, como a própria fundação da imprensa brasileira.

A crise abre uma janela na história para um amplo debate sobre a natureza do sistema econômico internacional, mas é preciso conferir se a imprensa está disposta ou qualificada para conduzir essa reflexão.

Comentários (5)
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fabio  gomes , jaboatão dos guararapes-PE - assistente de transportes
Enviado em 22/12/2008 às 23:52:45
A crise financeira é o reflexo da ganância declarada e exposta pelo homen. A sua cegueira que deixa rastro de destruição e espalha a insensatez no mundo. Bernard Madoff, o mestre, vendeu o que os otários queriam, ele não merece a prisão, está é para marginais, o mestre da enganação financeira deve receber um prêmio, pois ele vendeu a ilusão o que os investidores do mercado do faz de conta precisavam. Boa Noite!!!!
Juca Crispim , São Paulo-SP -
Enviado em 18/12/2008 às 21:53:31
O que mais me deixa curioso é: Como alguém ainda cai nessa coisa de pirâmide? Pelamor...
Carlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 18/12/2008 às 15:55:36
"Os jornais não conseguiram, ou não quiseram, identificar os otários, ou melhor, as vítimas brasileiras do golpe." Vítimas ? Conhece o golpe do bilhete premiado ? A vítima precisa se achar "esperta" para cair no golpe. No que vai tungar um pobre coitado, cúmplice do estelionatário, acaba depenado. Ladrão que rouba ladrão... Só lamento dos pobres trabalhadores que perderam 40 anos de aplicações em fundos de pensão. Esses "bagrinhos" estão realmente na rua da amargura.
José de Souza Castro , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 17/12/2008 às 18:04:07
Vítimas? Tanto quanto as que caem no conto do vigário. A motivação é a mesma, a ganância. Esses golpes são até cansativos, de tão repetidos, mas a memória é fraca. A propósito, a minha foi reavivada agora com a leitura de "Tono Bungay", escrito por HG Wells em 1909. Comprei o livro editado pela Francisco Alves em 1990, a 10 reais, numa queima de estoques da editora. Meu dinheiro foi muito mais bem aplicado do que os que investiram na arapuca do Madoff e, certamente, nos que confiaram, no começo do século 20, no financista britânico Edward Ponderevo, cuja história é uma ficção bolada por um mestre da literatura, mas não o golpe contra os investidores crédulos. Este é real e eterno como o capitalismo e imorredouro como a ganância dos que têm algum dinheiro para aplicar e querem que ele reproduza, numa boa, a custo do trabalho e do suor alheios.
Warner Burchauser , Campinas-SP - Vendas
Enviado em 17/12/2008 às 00:30:41
O governo G.Bush não será marcado pelo triste atentado que levou a queda das torres gemes, mas pela queda dos paradgmas da economia americana. E esta queda não é um reflexo de um governo, mas de uma instituição que não se sustentou. As intituições americanas responsáveis pela fiscalização dos agentes econômicos terão que se reiventar para assegurar novamente o desenvolvimento econõmico. O pior desta história não foram os investidores brasileiros abonados, mas o coitados dos cidadãos americanos que perderam a aposentadoria.
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