ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 519 - 9/2/2010
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TV PÚBLICA
O feito e o por fazer

Por Tereza Cruvinel em 6/1/2009

Reproduzido da Folha de S.Paulo, 2/1/2009; intertítulos do OI

Um ano após o início das transmissões da TV Brasil, em 2 de dezembro de 2007, persistem incompreensões sobre o sentido democrático da comunicação pública, mas o exame intelectualmente honesto do que foi produzido e veiculado já removeu a desconfiança recorrente da fase inicial: a de que a TV pública seria um instrumento de proselitismo e propaganda do governo, a serviço de algum nefasto projeto político. A emissora continua sendo alvo claro e brilhante de seus críticos, mas adjetivos chistosos, como TV do Lula, foram dissipados pelas evidências de isenção, distanciamento e pluralidade do jornalismo e da programação.

Neste primeiro ano, o conselho curador funcionou efetivamente como instrumento de controle social. Fiscalizou a diretoria e os trabalhos e julgou a rumorosa acusação de um funcionário demitido, de suposta ingerência governamental no Repórter Brasil. A comissão de sindicância coordenada pelo conselheiro José Paulo Cavalcanti concluiu que o telejornal é politicamente isento e tecnicamente correto e que a TV Brasil veiculou até mais notícias negativas para o governo do que algumas emissoras comerciais.

O balanço do primeiro ano foi aprovado com louvor pelo conselho curador. Embora o caminho a percorrer seja bem mais longo, nestes 12 meses foram lançadas as bases institucionais, materiais e gerenciais para a implantação de um sistema público de comunicação realizador da vontade democrática da Constituinte, que previu a complementaridade entre canais estatais, privados e públicos.

Cinco pontos

Em dezembro de 2007, a programação fragmentada dos três canais locais controlados pela União (TV Nacional de Brasília, TVE do Rio de Janeiro e TVE do Maranhão) foi unificada para compor a grade inicial da TV Brasil. Desde então foram lançados, além do Repórter Brasil, uma dezena de programas novos. Alguns de debate e reflexão, como De Lá para Cá e Três a Um. Outros destinados à expressão da diversidade cultural, como a faixa musical Sons do Brasil e Amálgama.

A diversidade étnica ganhou espaços em Doc-África e Oriente do Oriente. América Latina Tal como Somos é uma faixa de documentários produzidos em 20 países da região, preocupada em aproximar seus povos e culturas. Desde março, atua em Luanda o primeiro correspondente brasileiro na África, para citar algumas iniciativas diferenciadoras.

Vencido o estigma do chapabranquismo, surgiram questionamentos sobre a audiência.

Em todo o mundo, por sua natureza complementar, a TV pública não é campeã de audiência. Mas é preciso mesmo multiplicar os usuários de um serviço financiado majoritariamente por recursos públicos. No caso da TV Brasil, o exame também honesto mostra que tem havido evolução e que atribuir-lhe traço de audiência é uma hipérbole da má vontade.

Programas infantis de corte nacional, como Um Menino Muito Maluquinho e A Turma do Pererê nunca têm menos de 2,5% de share. O Repórter Brasil, transmitido para 19 Estados, consolidou audiência em torno de 2%, o que para sua tenra idade é muito promissor. O programa diário de Leda Nagle, Sem Censura, raramente não alcança os cinco pontos. A faixa de cinema nacional também bate frequentemente esta marca. Mas ainda há programas de baixa audiência, que puxam a média para baixo. Em 2009, será maior o esforço para qualificar a grade.

Pluralidade maior

Mas uma boa programação será diletante se não for amplamente distribuída. Colocar o canal de São Paulo no ar foi uma vitória, apesar dos transtornos externos que atrasaram a implantação. Ganhou forma a rede pública com as emissoras estaduais educativas, baseada, inicialmente, na transmissão simultânea de dez horas, quatro de origem regional.

O sinal da TV Brasil está disponível na Banda C para os 50 milhões de brasileiros usuários de parabólicas. As operadoras de TV por assinatura têm buscado cumprir a lei que as manda carregar o sinal. Estão requeridos 40 canais analógicos de retransmissão, em todas as regiões. Mas o futuro da TV pública está no sistema digital. É ele que permitirá a construção de uma rede nacional e, através dos recursos de interatividade, uma relação mais direta com a sociedade. Em 2009, serão implantados os canais digitais do Rio e de Brasília.

Numa contribuição para o avanço do sistema, a EBC firmou acordo para compartilhar custos de infraestrutura com as TVs do Judiciário, do Legislativo e do MEC.

Nem tudo pôde ser aqui registrado, e há muito por fazer. Mas o feito até agora aponta para maior pluralidade na radiodifusão, alargando os caminhos da democracia.

Comentários (2)
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José Carlos Nascimento , São Paulo-SP - aposentado
Enviado em 8/1/2009 às 01:17:26
Eu não concordo com o que a diretora da tv diz. eu acho que a programação da TV Cultura é melhor e mais fácil de ver. Esta TV do governo é muito ruim. só passa coisas de outros países. eu não gosto. esta pessoa que escreveu o artigo, quem é?
Carlos Monteiro , Rio de Janeiro-RJ - Funcionário público
Enviado em 7/1/2009 às 21:35:34
Eu costumava ler D. Tereza em O Globo. É triste ler este texto defendendo o indefensável. A TV Lula, ou TV Traço, é o maior fracasso do ano. Não há truque ideológico que sirva para explicar a existência deste empreendimento. Somente o fato de que o governo só gosta de mídia a favor, a começar pelo supremo mandatário e seus blogs de ocasião, não por acaso todos abrigados no site Ig, mantido pelos fundos de pensão.
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