ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 522 - 9/2/2010
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DIPLOMA DE JORNALISMO
Dez argumentos pelo fim da obrigatoriedade

Por Maxwell dos Santos em 27/1/2009

Desde pequeno, eu sempre quis ser jornalista. Sempre tive a habilidade de redigir textos. Para isso, fiz cursinho durante dois anos para tentar a carreira na Universidade Federal do Espírito Santo, não obtendo êxito. Hoje curso História (2º semestre) nesta mesma universidade. Cheguei a cogitar pedir reopção, mas fui informado que teria que esperar até o 3º semestre para pedi-la e que uma vaga de reopção é mais concorrida que o próprio vestibular.

Alguns dias atrás, li uma série de artigos de Alberto Dines, Maurício Tuffani, Ewaldo Oliveira, Luiz Weis e Engel Paschoal a respeito do fim da obrigatoriedade do diploma para a prática do jornalismo em todo o país. Todos contrários à obrigatoriedade.

É importante ressaltar que este ano a lei que disciplina a profissão faz 40 anos e a regulamentação desta completa 30 anos.

Mas, foi um artigo do antropólogo George Zarur que me fez questionar a obrigatoriedade do diploma para profissões que não trabalham diretamente com a vida e a segurança das pessoas. Com base nestas leituras apresento tais argumentos:

1) Resquício do regime militar

O decreto-lei 972/69, que regulamenta a profissão de jornalista, é uma herança do regime militar que, com base em atos institucionais, visava a identificar veículos e profissionais existentes no país e exercer sobre eles a censura; por isso, nos veículos havia censores para aprovar o que poderia ou não ser divulgado. Outro objetivo era afastar e constranger aqueles jornalistas que não tinham diploma e que em sua imensa maioria eram opositores do regime militar. Para isso, os generais trataram de esvaziar os cursos de ciências sociais, antros de marxismo e costumeiros fornecedores de esquerdistas para as fileiras da imprensa.

Ele foi editado no dia 17 de outubro de 1969 pela junta militar que governou o país: Aurélio de Lyra Tavares, ministro do Exército (presidente da junta), Augusto Rademaker, ministro da Marinha e Márcio de Mello e Souza, ministro da Aeronáutica.

Além disso, foi um afago dos militares aos profissionais da comunicação, que passaram a contar com melhorias trabalhistas, como aposentadorias precoces e vantajosas, jornada de trabalho de cinco horas diárias e a reserva de mercado. Em compensação, minou a liberdade de expressão no Brasil.

2) Reserva de mercado, indústria do canudo

A indústria do canudo é a grande beneficiada com a reserva de mercado para diplomados em jornalismo. E fez surgir um mercado de trabalho artificial dos professores de Jornalismo. Com exceção das universidades públicas e aquelas ligadas a entidades confessionais, as universidades privadas põem no mercado um verdadeiro exército de jornalistas que não têm a mínima condição de entrar nesse mercado, que não sabem botar ponto e vírgula numa oração, tampouco redigir meia lauda.

Os chefes de redação e donos de jornais estão desencantados com esse exército muito ruim de jornalistas diplomados que tem saídos nesses últimos 40 anos.

É o reflexo da tradição bacharelesca que impera no país desde os idos coloniais, onde há a substituição do conteúdo pela forma (o conhecimento pelo diploma). O diploma tornou-se uma espécie de autorização, uma "carteira de motorista" para se trafegar no mercado de trabalho, principalmente no jornalístico. Instituições de ensino superior são cartórios que vendem à prestação a licença para trabalhar.

Quem não leva jeito com a língua portuguesa, corre o sério risco de sair do curso de Jornalismo carregando as dificuldades do ensino médio. Não é por causa de um diploma superior de Jornalismo que a qualidade da profissão se elevará, como apregoam os fenajistas, mas em melhorias na qualidade do ensino fundamental e médio e estímulos culturais produzidos pela família, pelo meio ambiente e pela escola secundária. Sem isso, o diploma é apenas um canudo. Na verdade, não existe diploma de jornalista, mas sim, diploma de bacharel em comunicação social com habilitação em jornalismo.

Com o fim da obrigatoriedade do diploma, as faculdades de comunicação teriam que mudar seus currículos para sobreviverem e aqueles que escolherem graduar-se em jornalismo deveriam ter ciência de que apenas o diploma não conferiria o privilégio do registro para disputar vagas. E os jornalistas diplomados, o canudo será o que deveria ter sido: um diferencial para disputa com mais possibilidades uma vaga no mercado aberto.

3) Função intelectual que se escora no dom do espírito

Ao contrário de médicos, advogados e engenheiros, cujas atividades trabalham com a vida e a segurança das pessoas (conseguintemente, precisam de cursos técnicos e diplomas que atestem sua capacidade profissional), o jornalista escora-se no dom do espírito, independente da natureza de sua profissional. O jornalista tem que ter uma formação cultural sólida, que não se adquire somente na faculdade, mas pelo hábito de leitura e exercício da prática profissional.

4) Liberdade de manifestação do pensamento

O decreto-lei 972/69 colide com os princípios constitucionais de liberdade de expressão, conforme expõem os artigos 5º, incisos IV (é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato) e IX (é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença) e 220, parágrafos 1º (determina que nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de expressão) e 6º (que a publicação de veículo impresso de comunicação independe de licença de autoridade).

A lei 9610/98 (lei do direito autoral) qualifica o trabalho jornalístico (matérias, artigos e crônicas) de qualquer natureza, como obra intelectual protegida. Até quando se pretende impedir a transmissão de uma criação pelo fato de seu criador não possuir diploma?

5) Tratados internacionais

O Brasil é signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), da Declaração Americana de Direitos Humanos, conhecida também como Pacto de São José da Costa Rica (1992) e da Declaração Internacional de Chapultepec (1996). Todas elas pregam a liberdade de expressão e a abolição de controles oficiais ou particulares do papel de mídia.

Vale mencionar que, em 1985, a Corte Interamericana de Direitos Humanos esclareceu ao governo da Costa Rica que a obrigatoriedade do diploma para a prática do jornalismo fere a Convenção Americana de Direitos Humanos.

É inadmissível que a Fenaj, os sindicatos afiliados e os professores de Jornalismo façam silêncio desse assunto e continuem escondendo essas informações dos estudantes, que estão sendo utilizados como massa de manobra por estes últimos.

6) Mercado seleciona, independente de diploma

O saudoso jornalista Cláudio Abramo (1923-1987) dizia que a liberdade de imprensa é a liberdade do dono do jornal. Porque acredito que o mercado deveria selecionar os jornalistas para o trabalho nos meios de comunicação, com ou sem diploma. Jornalistas deveriam ser contratados e assim considerados pelo trabalho que desenvolvem, e não pelos títulos que ostentam.

7) Na maioria dos países, não é obrigatório

A formação superior em Jornalismo para a prática da profissão não é necessária, tampouco condição suficiente para o exercício da profissão, nos seguintes países: Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Chile, China, Costa Rica, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos,Finlândia, França, Grécia,Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Japão, Luxemburgo, Peru, Polônia, Reino Unido, Suécia, Suíça e muitos outros. A mentalidade que vigora nestes países é a de que não pode haver impedimentos para qualquer cidadão ingressar no jornalismo, mas até criar e manter o seu próprio jornal.

7) Obrigatoriedade é repudiada por organizações internacionais

Em 1987, a World Press Free Comitee lançou a Charter for a Free Press. Naquele ano, entidades jornalísticas de 34 países reunidos em Londres estabeleceram 10 princípios para garantir a liberdade de imprensa no mundo. O nono diz explicitamente: "As restrições por meio de regulamentação ou de outros procedimentos de certificação ao livre acesso ao campo do jornalismo ou sobre sua prática devem ser eliminados."

O Comitee to Protect Journalists(CPJ) aponta a truculenta exigência de diploma para o exercício profissional de jornalista como uma das formas de agressão à liberdade de imprensa no relatório Overview: The Americas.

9) Ingresso de não diplomados elevaria a qualidade

Com o ingresso de não diplomados em jornalismo nas redações, a qualidade editorial dos veículos de comunicação se elevaria se contasse com profissionais especializados, por exemplo:

a) Geógrafos e analistas de relações internacionais: poderiam ser correspondentes internacionais, pois têm uma visão de mundo bastante ampliada pelo pleno domínio da geopolítica e podem dar uma análise mais profunda da conjuntura internacional.

b) Filósofos, cientistas políticos e historiadores: seriam muito bons para fazer boas matérias na editoria de política, por terem uma bagagem intelectual vastíssima em sistemas de governo, história do Estado, ética política. Os filósofos poderiam, através da lógica, estabelecer a análise do discurso dos políticos. Os historiadores poderiam estabelecer a relação de espaço e tempo para as análises de sistemas políticos.

c) Delegados de polícia e advogados criminalistas: na editoria de polícia, poderiam fazer editoriais na área de segurança pública e orientar os repórteres desta editoria na redação matérias.

d) Físicos, médicos, químicos e astrônomos: na editoria de ciência e tecnologia fariam matérias com mais rigor científico, porém acessíveis ao leitor médio.

e) Biólogos, meteorologistas e oceanógrafos: dentro da editoria de meio ambiente fariam reportagens mais primorosas sobre desequilíbrio ambiental, vida marinha e aquecimento global.

f) Economistas: dentro da editoria de economia fariam matérias mais analíticas, porém com linguagem acessível.

Esses profissionais deveriam ser recrutados e lapidados por meio dos cursos de residência em jornalismo dos veículos, como o da Folha de S.Paulo e da Editora Abril (muito disputados, diga-se de passagem), onde aprenderiam técnicas de jornalismo. Há quem condene por considerar estes cursos que apenas doutrinam o jornalista aos interesses dos veículos. Por outro, os sindicatos de jornalistas também deveriam promover estes cursos de técnicas de jornalismo (gratuitos ou com preço simbólico) aos postulantes à profissão não diplomados, onde quem tivesse bom aproveitamento faria jus a um certificado, o registro de jornalista e a carteira nacional de jornalista.

O medo é o sentimento que impera nos jornalistas diplomados e na cúpula fenajista de ter que disputar mercado com profissionais mais especializados, quiçá mais competentes do que os coleguinhas de canudo. Alegam que somente o jornalista diplomado tem competência para a prática do jornalismo. Pensam que estão acima da lei.

10) Fenaj poderia ampliar base sindical

Negando a emissão das carteiras nacionais de jornalista e a sindicalização aos jornalistas não diplomados, a Fenaj perde uma grande oportunidade em ampliar sua base sindical, o que causaria o aumento das contribuições sindicais e, por conseguinte, teriam mais recursos financeiros para fortalecer a luta da classe por melhores condições de trabalho.

Até quando a Fenaj prosseguirá com esse discurso tacanho, hipócrita e corporativista, por que não bacharelesco, da obrigatoriedade de diploma de jornalista para a prática do jornalismo, quando se sabe que a maioria das faculdades forma uma legião que não sabe o que é lead e acusando todos que são contrários ao diploma de fazer o jogo dos patrões?

Até quando os fenajistas e professores continuarão utilizando estudantes de jornalismo como massa de manobra para fortalecer esta vil reserva de mercado, que só beneficia os próprios jornalistas e as faculdades caça-níqueis?

Até quando playboyzinhos e patricinhas diplomados, que buscam exercer a profissão por pura vaidade, sem o menor dom para o ofício ocuparem as redações dos jornais, revistas e emissoras de rádio e TV?

Que os ministros do Supremo Tribunal Federal, principalmente o ministro Gilmar Mendes, olhem com apreço o Recurso Extraordinário 511961 – que vai definir a situação de milhares de jornalistas provisionados e aqueles que têm o dom para a palavra, mas não têm diploma – e lancem por terra os efeitos do decreto-lei 972/69.

Comentários (22)
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Fábbio Vinicius , Goiânia-GO - Estudante de Jornalismo
Enviado em 30/12/2009 às 17:30:08
Qual o modelo de Jornalismo o autor desse artigo pretende propor? Imagino que o Maxwell dos Santos, não estudou muito bem a história do Jornalismo e tão pouco as teorias que foram propostas para uma reflexão sobre o que realmente é o Jornalismo e o que é a notícia. Talvez ele tenha lido um pouco a respeito, porém não conseguiu entender que jornalismo não é puramente técnica que pode ser aprendida em uma redação sem que antes tenha se passado por uma instituição de ensino. O destino colaborou desastrosamente para que ele formasse essa opinião limitada a respeito de uma profissão que exerce grande importância social. Quem sabe se ele tivesse conseguido entrar para uma faculdade de Jornalismo, enxergaria as coisas de um modo diferente.
Tiago Nunes , Salvador-BA - estudante de jornalismo
Enviado em 29/6/2009 às 17:36:04
O cara que escreveu este texto, a princípio, é um revoltado por ser um derrotado no jornalismo antes mesmo de iniciar a carreira. Pois, após passar dois anos fazendo cursinho – um pouco demais né – e mesmo assim não conseguir passar, nem mesmo, no vestibular para jornalismo é meio complicado. Mas vamos aos fatos. Ele acha que para escrever é necessário, apenas, o tão citado “dom”. Quem vai dizer que fulano, cicrano ou ele mesmo tem dom? Ele está pensando o que? Que Deus vai fazer com ele o que Romário sempre diz que aconteceu com ele: "Deus olhou pra mim e disse: você é o cara". Sinto lhe informar meu querido que não é assim que as coisas funcionam. Vamos para um exemplo prático do problema que será causado com a não obrigatoriedade do diploma: 1º: imagine o tamanho da fila na frente de uma empresa de comunicação, apenas de pessoas que nem você, que acham que têm o "dom" de escrever, isso sem contar os profissionais, pois se basta ter o dom para ser jornalista, como as empresas irão selecionar? Meu caro, não é necessariamente ter profissionais de outras áreas trabalhando nos jornais, pois eles nunca são esquecidos. Se você coloca um profissional de determinada área para escrever sobre determinado assunto, como colocar um geógrafo no jornal, a empresa está direta ou indiretamente dizendo que fulano se não for o melhor da área está entre os melhores você não acha?
Herbert Marcus , Belém-PA - Jornalista
Enviado em 25/6/2009 às 20:31:26
De todas as asneiras que já li sobre a obrigatoriedade do diploma, a do sujeito que escreveu esse artifo é a pior delas. Não é à toa que o sujetio não tenha conseguido passar sequer do vestibular... É um exemplo típico da qualidade do jornalismo neo-liberal, que só precisa do dom natural ou de inspiração divina para escrever um amontoado de bobagens, que não não vai influir diretamente na vida e na segurança das pessoas. É exatamente isso que os barões da imprensa, senhores da vida e da morte, querem.
Ana Carolina Castro , Goiânia-GO - Jornalista
Enviado em 23/6/2009 às 16:31:38
Afirmar que a profissão de jornalista não trabalha com a vida e a segurança das pessoas é um tanto absurdo, na minha opinião. O poder de alcance que uma matéria tem quando veiculada na mídia é milhões de vezes maior do que quando um caso é contado na rua, por exemplo. Casos como o da Escola Base servem de exemplo para a responsabilidade social que o jornalismo exige. Vidas podem ser postas em risco sim por um jornalismo mal feito. Assim como reputações, empresas, pessoas, enfim. Se não há apuração correta dos fatos (o que tem acontecido com frequencia devido à busca desenfreada pelo furo jornalístico), há o risco de erros desmoralizarem e destruirem vidas. Não que um diploma garanta ética. Isso não acontece com o jornalismo nem com nenhuma outra profissão, afinal, não é porque um advogado ou um médico fez o juramento do dever ético no ato de sua formatura que significa que ele realmente o será. Isso é uma decisão subjetiva. Mas o argumento nº 3 é questionável porque a profissão de jornalista trabalha com a vida e a segurança das pessoas sim.
João Drummond , Sete Lagoas-MG - Autonomo
Enviado em 22/6/2009 às 08:19:06
Pela importancia e nobreza desta profissão o diploma passa a ser um mero detalhe. Não que o diploma não ajude, mas tambem que sua falta não prejudique talentos autenticos. Esta defesa do diploma de forma veemente e as vezes raivosa como argumento a favor da liberdade de expressão é uma contradição. Quem acredita na necessidade de diploma que corra atras do seu e busque na competencia a conquista do seu mercado, mas não busquem o caminho facil da exclusão sumaria de quem não teve a oportunidade de estudar numa faculdade, mas que recebeu ao nascer o maior dos diplomas, seus talentos e habilidades.
Aflaudisio dantas , Fortaleza-CE - Estudante de Comunicação social"jornalismo"
Enviado em 19/6/2009 às 15:55:00
é claro que você está redondamente equivocado. você disse em um comentário que toda essa reação é desepero. Voc~e tem razão, é desespero pelo fato de sabermos que até pessoas que não tem nenhuma noção do que é ser um jornalista poderão exercer a profissão. Você disse que profissionais técnicos de outras áreas poderiam falar melhor a respeito de vários assuntos. uma das fuções do jornalista é buscar a informação se fosse pra colocar biólogos,geólogos, cientistas políticos nas redações não se precisaria de jornalistas.
Yuri Abreu , Salvador-BA - jornalista
Enviado em 18/6/2009 às 18:46:19
o que mais me impressiona nesses textos é baixa percepção que as pessoas tem sobre o que é ser jornalista.
Márcio  Basso Gomes , Jacareí-SP - Jornalista
Enviado em 18/6/2009 às 11:21:46
Olá Maxwell. Você disse: "Desde pequeno, eu sempre quis ser jornalista". E deveria haver sido, com ou sem diploma, para compreender que ser jornalista não é apenas ter "habilidade de redigir textos". É ter uma visão crítica das coisas, é enxergar algo maravilhoso onde a maioria não vê nada. Muito mais que possuir o "hábito de leitura e exercício da prática profissional", o jornalismo é investigação, é escutar várias fontes, é conversar com profissionais de todas as áreas, é amar a sociedade. A questão é que você não entende o que é ser jornalista, porque você não é, independente do diploma. Ser jornalista é ser sensível às necessidades da comunidade que servimos. Você faz afirmações com pouco fundamento, como esta: "Ao contrário de médicos, advogados e engenheiros, cujas atividades trabalham com a vida e a segurança das pessoas...". Saiba que uma informação equivocada, tendenciosa, mal comunicada ou maldosa, pode gerar guerras e conflitos, acabar com a vida de millhares de pessoas, dizimar etnias. Suas consequências são muito superiores às de uma cirurgia mal feita, de um prédio mal construído ou de uma aula deficiente. Maxwell, o importante não é o diploma, mas a visão de mundo e o embasamento que a as boas faculdades e professores propocionam. Talvez a discussão deveria a qualidade da educação, não apenas para o jornalismo, mas para todas as profissões.
Maxwell  Santos , Vitória-ES - Estudante de História/UFES
Enviado em 27/4/2009 às 15:24:17
O que eu pude presenciar nos comentários do artigo que postei foi o sentimento de desespero face ao fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista. Reitero que o jornalismo é, sim uma profissão intelectual que se escora no dom do espírito. Esse culto à formação específica só diz respeito aos tubarões do ensino superior particular e suas megauniversidades, que vêem na reserva de mercado uma mina de ouro. O diploma de graduação já não é mais garantia de emprego no mercado de trabalho A Fenaj deveria se unir aos precários, sindicalizá-los e lutar contra o fim da obrigatoriedade do diploma específico para a práxis do jornalismo. As organizações internacionais de proteção à liberdade de imprensa, tais como o Comitee to Protect Journalists e a Repórteres sem Fronteiras condenam a obrigatoriedade do diploma. Além do Brasil , África do Sul, Arábia Saudita, Colômbia, Congo, Costa do Marfim, Croácia, Equador, Honduras, Indonésia, Síria, Tunísia, Turquia e Ucrânia exigem o diploma. Os paises anteriormente expostos, em sua maioria são subdesenvolvidos e/ou tem pouca tradição democrática. Em compensação,Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Chile, China, Costa Rica, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Japão, Luxemburgo, Peru, Polônia, Reino Unido, Suécia, Suíça e em vários outros não exigem o diploma
Ivo  Reis , Campo Grande-MG - Auditor Fiscal
Enviado em 8/4/2009 às 19:46:25
O assunto é muito complexo e as opiniões se dividem. Mas, no geral, e pelo que vi aqui, vou sair em defesa do articulista. Observem que a maioria dos comentários anteriores são de jornalistas, estudantes de jornalismo ou de pessoas ligadas a entidades que defendem esta categoria profissional. Portanto, estão falando em causa própria, sendo seus comentários afetados por essa circunstância, o que é natural e compreensível. Mas as conseqüências de uma revisão não cuidadosa da Lei de Imprensa e da imposição de uma obrigatoriedade de um diploma para se manifestar publicamente na mídia, vão muito além e não podem cercear o direito à livre manifestaçao do pensamento, o que seria inconstitucional. À luz do Direito e sem que se altere a CF "não se pode exigir, como obrigatorieadade, diploma de jornalista para que alguém exerça algumas atividades inerentes a esta profissão, principalmente em matérias de caráter opinativo. Quanto às de caráter noticioso informativo, até seria aceitável a exigência, no que se refere às mídias convencionais (jornais, revistas e televisão), pois existem normas e critérios que devem ser seguidos. Mas as exiogências, quando muito, deveriam ficar restritas a esses veículos e só. Por falta de espaço, não há como se aprofundar mais. Basta lembrar que a matéria é perigosa e poderá abrir precedentes para uma "lei da mordaça", controlada pelo Estado.
Fernando Jorge , Vila Velha-ES - Estudante
Enviado em 2/4/2009 às 15:35:36
O argumento 2 não faz muito sentido. O argumento diz que a universidade cria um profissional preparado (ou seja, o diploma importa), mas só admite essa possibilidade para a federal, o que não é bem verdade. Faculdades particulares conseguem pontuações tão boas quanto ou melhores do que federais, e além do mais, tão importante quanto ou até mais importante do que a instituição é o aluno.
Vicente Aquino , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 2/4/2009 às 14:36:17
Nunca vi tanta bobagem em um únco texto. Dizer que a profissão de advogado mexe com a vida e a segurança das pessoas e a de jornalista não, é dos maiores absurdos que já li em minha vida. É só colocar nas redações, como propõe o autor, delegados para redigirem textos e orientarem repórteres e, quem sabe, descobriremos mais sobre a arte das torturas policiais.
Oséias Freitas  Freitas , Rondonópolis-Mt - Editor
Enviado em 2/4/2009 às 10:33:06
Ora, o simples fato de cobrar o diploma dos profissionais de jornalismo, não significa que a categoria vai estar amordaçando o livre direito dos demais profissionais expressar seus pensamentos. Deixo aqui algumas indagações: Hoje em qualquer categoria se faz nescessário o certificado de reconconhecimento da profissionalização que o mesmo exerce. Desde um padeiro, pedreiro de obras até o médico, porque somente na area do profissional de comunicação (jornalismo) não será obrigatoriedade? Para narrar um fato reportar algum acontecimento o cidadão deve no mínimo ter conhecimentos básicos e principios éticos, o jornalista vai estar sempre trabalhando com fatos alheios, onde sempre terá vidas e comportamentos que poderã ser julgados pela opinião pública.Isso pode causar um grande prejuízo nas vidas das pessoas envolvidas em determinadas reportagens. Todo jornalista deverá sim ter o Diploma isso significa que o mesmo passou quatro anos estudando e analisando casos e mais casos, para levantar os erros e os acertos dos futuros colegas de profissão.Então pra que tirar o rgistro junto a OAB, basta eu ler os livros que trata dos direitos penal, e civil e adquirir um pouco conhecimento na area e começar atuar no mercado será que esta certo ? Afinal todo cidadão tem o direito de fazer sua defeza pra que contratar um advogado ? cada um no seu lugar respeitar uns aos outros é cidadania.
Ariane  Fonseca , Lavrinhas-SP - Estudante de Jornalismo
Enviado em 2/4/2009 às 09:11:49
Eu acho um absurdo esta discussão, pois o jornalismo é uma atividade intelectual que, como qualquer outra, prescinde de obrigação de formação superior. Afirmar que qualquer pessoa razoavelmente bem informada pode ser jornalista é um absurdo. Onde fica a ética da profissão? O compromisso com a objetividade e a imparcialidade? As técnicas para escrever um bom texto jornalístico? Esta é uma visão mesquinha e que põe o jornalista como um profissional sem qualquer valor. Se essa máxima fosse verdadeira, qualquer pessoa com bom nível de formação, de conhecimento, poderia também ser juiz, advogado, arquiteto, professor, médico… Não é preciso muito para se ler e entender de legislação, processos, etc. Muito menos para ministrar aulas e conversar com crianças e adolescentes. Escrevi um post no meu blog sobre esse assunto, veja: http://www.arianefonseca.com/no-dia-da-mentira-a-luta-foi-pela-verdade
Marcelo  Vicente , Porto Alegre-RS - Jornalista
Enviado em 1/4/2009 às 12:36:55
Um dos absurdos deste artigo é considerar como decreto que profissionais de outras áreas conseguem passar uma informação com clareza para uma público maior, ou que saibam escrever bem.
Sergio Ribeiro , são paulo-SP - bancário
Enviado em 1/4/2009 às 10:43:45
O texto tem bons argumentos mas carece de um certo excesso de otimismo e advinhação. O simples fato de tirar o diploma não necessariamente pode traria mudanças em currículos e o uso de profissionais com formações em outras áreas não necessariamente melhoraria a qualidade das pautas. Isso não é uma coisa automática. A não necessidade de diploma daria sim ao empregador a possibilidade de contratar aqueles que bem entenda, fato preocupante no país do pistolão; e as outras profissões sofrem dos mesmo males que o jornalismo: faltam profissionais minimamente qualificados para exercerem cargos da maior responsabilidade, como por exemplo, um concurso de magistratura, se não me engano no Rio, que ofereciam 50 vagas, teve 2.300 candidatos e somente 3 aprovados. A questão como um todo precisa de debate mais amplificado e não pode cair num fácil maniqueísmo.
Jussara  Joanita , Santa Luzia-MG - Estudante de Jornalismo
Enviado em 2/2/2009 às 14:54:11
Discordo do artigo. Com certeza o autor apresenta várias questões que nos faz rever nossos conceitos em relação ao problema mencionado. Mas, imaginemos, uma pessoa qualquer praticando a ciência da medicina ou do direito. Certamente seria um desastre. Por mais que o Jornalismo não trate diretamente com a vida ou com a segurança, é uma profissão que requer muito cuidado, técnica, entre outros itens que qualquer profissional necessita ter para obter um bom resultado. Portando, é uma ciência que, sim, envolve a necessidade de um preparo, que consequentemente é representado por um diploma.
Cecílio Bastos , Juazeiro-BA - Estudante de Jornalismo/UNEB
Enviado em 1/2/2009 às 12:06:55
Imaginem um delegado de polícia publicando um boletim de ocorrência. Pior! Imaginem um "BO" com crianças e adolescentes envolvidos sendo publicado. Jornalismo é construção da realidade. Colocar no lixo todo um processo de aperfeiçoamento da ciência é se demonstrar irresponsável e indiferente à humanidade. O curso de jornalismo não é um curso técnico. Grande parte dos estudantes estão antenados e voltados para o desenvolvimento de uma mídia que eduque, informe e contribua para o enaltecer do humano. Lembre-se que o terrorismo midiático está em evidência. Estamos pagando o preço de permitir que políticos se utilizem da mídia para autopromoção. Pois então Maxwell dos Santos, parece que os políticos estão cuidando muito bem das editorias de política não é mesmo? Sem contar das redes de tevê, rádios, etc... Pense bem e revise a história!
benê silva , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 31/1/2009 às 21:42:59
Santos, pense melhor.Imagine as redações lotadas de médicos, advogados, engenheiros, etc., ou mesmo escrevendo em casa, por exemplo, independentemente da habilidade, como você sugere, somente porque o assunto específico de cada um estivesse em alguma pauta. Jornalista também pode fazer isso, ou seja, embasar suas matérias ouvindo os ténicos. A tal fenaj está no encalço dos não-diplomados que labutam tanto quanto (ou mais) que os diplomados, não colocaram em risco nenhuma vida humana desde sempre ainda que seja esse um dos argumentos (toscos) da tal federação. Imagine adotar sua tese? No mais, como bem disse o lettieri, o assunto está no estertor e o STF resolve a questão baseado em um ou dois artigos. Ou você acredita que o atual mutismo dos defensores da obrigatoriedade é apenas uma estratégia? Não é, meu caro. Falta conteúdo.
Alessandro  Silva , Brasília-DF - Assessor de Imprensa
Enviado em 31/1/2009 às 20:43:46
Qdo o pré-requisito para jornalista for escrever bem, lamentavelmente, estaremos na lama... A questão do diploma é série e não pode ser discutida com simplificações. Com a exigência do diploma já encontramos sérios problemas de apuração, outro lado e de análise de contexto... o bom e velho jornalismo está morrendo diante da preguiça da internet! Há que se pensar em formas para abrir o leque do diploma para outras carreiras que façam mais do que escrever bem.
Maurício Tuffani , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 31/1/2009 às 08:57:35
Discordo do artigo. O autor, assim como o citado antropólogo George Zarur, omitem o fato de que o inciso XIII do artigo 5º de nossa Constituição prevê a possibilidade de serem exigidas por lei qualificações necessárias para o exercício de profissões. Não basta, portanto, uma profissão não envolver risco (se é que não envolve) para não se exigir qualificações específicas. Com base no dispositivo constitucional citado, o argumento essencial contra a obrigatoriedade de diploma específico é que ela só se justifica quando ele é CONDIÇÃO NECESSÁRIA para as qualificações profissionais exigidas. No caso do jornalismo, por exemplo, a exigência cai por terra imediatamente devido à abundância de contra-exemplos em todo o mundo, espelhada inclusive em legislações de outros países. Fora isso, o item 6) distorce absurdamente as palavras de Cláudio Abramo, como se ele tivesse sido um apólogo dos interesses patronais. O item 9) também é problemático: o fato de não ser necessário a formação específica em jornalismo não implica simplesmente que basta a alguém ser graduado em outra área para exercer a profissão. Não é qualquer um que pode ser jornalista, nem as redações devem ser a casa da mãe joana.
eduardo lettieri , São Paulo-SP - free
Enviado em 27/1/2009 às 16:50:49
Pode dormir tranquilo que esse absurdo logo logo será enterrado, malgrado os interesses sindicalistas.
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