ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 523 - 9/2/2010
  Imprensa em Questão
Início > Índice Geral > Imprensa em Questão + A | - A
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
 

LULA, 84%
Mídia perde a chance de explicar

Por Luiz Antonio Magalhães em 5/2/2009

A pauta não era boa, era excelente: como pode um presidente da República conseguir 84% de aprovação em meio ao que a imprensa vem qualificando de "maior crise da história do capitalismo" (os mais prudentes prefere afirmar que é a "pior desde 1929")?

A cobertura dos jornalões sobre o fenômeno, porém, foi pífia. Todos registraram o resultado da pesquisa CNT/Sensus divulgada na segunda-feira (2/2), e até com algum destaque – a Folha de S.Paulo, por exemplo, se rendeu à importância do levantamento e deu chamada na primeira página, coisa incomum quando a pesquisa não é do Datafolha –, mas jornal algum foi capaz de realizar a contento uma pauta óbvia, qual seja a de tentar responder a pergunta que todo cidadão deve ter feito ao receber a notícia dos 84%: como, afinal, o presidente Lula consegue mais apoio em um momento como este?

É preciso um pouco de criatividade para ir além da obrigatória consulta a um ou dois cientistas políticos ou economistas, categorias que ultimamente andam unidas nos erros clamorosos que cometem em suas previsões. Lula é carismático? Muito, sem dúvida, mas o que realmente significa ser carismático? O presidente se comunica melhor do que os demais políticos? Aparentemente sim, então nada melhor do que perguntar a quem entende do riscado quais são os trunfos do ex-líder operário em relação aos seus colegas.

Nem é tão difícil assim. Além dos acadêmicos da área e marqueteiros em geral, por que não ousar e tentar ouvir de um Silvio Santos ou um Fausto Silva alguma explicação sobre a facilidade do presidente em obter empatia com o público? Ou tentar pelo menos explicar aos leitores o conceito de carisma, mostrar exemplos de personalidades que ao longo da história foram consideradas carismáticas. Nada disto é muito complicado.

Em geral, o que os jornalões apresentaram nas matérias sobre a pesquisa CNT/Sensus foi a já velha explicação de que a crise "ainda não bateu" no Brasil, de maneira que quando a turbulência ficar mais forte, inevitavelmente a popularidade do presidente cairá.

Este observador até acha possível que isso de fato aconteça, mas também pode ser que um fenômeno diferente ocorra (ou já esteja ocorrendo neste momento): sim, a crise é grave, gravíssima até, mas o povão teria entendido que a culpa não é do presidente Lula. Como diria Leonel Brizola, essa crise vem de longe, muito longe, do outro lado do Rio Grande, de forma que responsabilidade pelo drama, na avaliação popular, Lula não tem nenhuma.

Ao contrário, a imagem que o presidente passa é a de que está trabalhando justamente para minimizar os efeitos da crise no país com a isenção de impostos, diminuição dos juros, esforços para revitalizar o crédito e aumento do salário mínimo para proteger os mais pobres, entre tantas outras medidas tomadas recentemente. Tudo somado, qualquer que seja a explicação para o fenômeno, apenas uma foi contemplada nos jornalões – a de que a popularidade vai cair quando a crise enfim chegar. E pelo que a própria mídia vem publicando, esta explicação é meio capenga, uma vez que as demissões em massa estão em curso desde dezembro...

Presidente na mídia popular

No fundo, os jornalões, perplexos com a performance presidencial e também aferrados na habitual má vontade que nutrem pelo presidente, minimizaram uma notícia que tinha tudo para render análises interessantes e matérias de muita leitura. A Folha de S.Paulo, especialmente, perdeu uma oportunidade de ouro. A principal nota da coluna "Painel" de quarta-feira (4/2), publicado na mesma página da reportagem sobre a pesquisa, informava que neste ano o governo pretende produzir uma coluna, assinada pelo presidente, para os jornais populares.

Ora, uma das chaves para explicar a popularidade presidencial é a forma com que Lula usa a mídia a seu favor, mesmo tendo boa parte dos veículos em posição bastante crítica ao seu governo. O presidente é capaz de criar fatos políticos como nenhum outro, à exceção talvez de Getúlio Vargas e Jânio Quadros. O presidente fala muito, discursa sempre que pode, conhece o poder da imagem e sabe perfeitamente oferecer "o lide" para os jornalistas. Não é preciso ler jornais para saber fazer isto, basta um pouco de perspicácia e compreensão da atividade jornalística, e isso o ex-metalúrgico certamente vem aprendendo e aperfeiçoando desde os tempos do sindicato.

Do outro lado do balcão, a mídia ora se rende à simpatia e ao jeitão despojado de Lula, ora bate sem dó nem piedade nessas mesmas características do presidente, muitas vezes qualificando este estilo de "populista". Ora, Lula não pode ser populista porque este conceito é datado, remonta aos anos 1930. No máximo, poderia ser um "neopopulista", mas também esta carapuça não lhe cabe muito bem. Mas voltando ao que interessa, o fato é que com essas duas posturas a imprensa brasileira presta um desserviço aos leitores, pois endeusando ou demonizando o presidente, a única coisa que não se faz é explicar, ou pelo menos tentar explicar, este novo fenômeno da política nacional. Pelo jeito, vai ficar para os historiadores, os jornalistas não estão se mostrando capazes de uma tarefa que nem é assim tão complexa...

***

PS em 5/2: O Diretor de Redação do jornal Diário do Comércio, Moisés Rabinovici, enviou pelo Canal do Leitor a seguinte carta, anexando a imagem da capa produzida pelo DC na quarta-feira (4/2), que também segue abaixo.

O companheiro Luiz Antonio Magalhães lamentou o mau aproveitamento da grande imprensa diante da aprovação crescente de Lula num ambiente de crise. Concordo, e tanto concordo que, no Diário do Comércio, fizemos a capa abaixo reproduzida..

Abraços, rabino

Moisés Rabinovici, Diário do Comércio

De fato, a capa do DC é brilhante, não apenas no que diz respeito à manchete, mas também na segunda chamada - Infernópolis -, para os confrontos entre moradores da favela de Paraisópolis e a Polícia Militar de São Paulo.

É uma pena, no entanto, que nas páginas internas o jornal tenha utilizado uma reportagem bem convencional, da Agência Estado, sobre a popularidade do presidente. Com uma capa tão criativa, o leitor certamente estava esperando uma matéria menos quadradinha, mais arrojada.

No fundo, o DC marcou um golaço na capa e engoliu um frango nas páginas internas. Um a um. De qualquer forma, melhor do que os jornalões, que não fizeram gol algum.

Comentários (32)
Comentar
Compartilhe
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade e a pluralidade de idéias e de pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Mensagens que não atendam a essas normas serão deletadas – e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.

ATENÇÃO: Será necessário validar a publicação do seu comentário clicando no link enviado em seguida ao endereço de e-mail que você informou. Só as mensagens autorizadas serão publicadas. Este procedimento será feito apenas uma vez para cada endereço de e-mail utilizado.
         
Nome :   Sobrenome :
E-mail:   Profissão:
Cidade:   Estado:
Comentário:


para o limite de 1400.
 
The CAPTCHA image
Clique aqui para ouvir o
texto soletrado(mp3)
Digite no campo abaixo o texto
que você vê na imagem ao lado.

 
Moacir  Teles Maracci , Presidente Prudente-SP - Professor Ensino Médio
Enviado em 10/2/2009 às 08:50:14
Esse excelente artigo de Luiz Antônio Magalhães analisa o que a mídia chama de "carisma" de Lula, mas que na verdade, como bem afirma o articulista é apenas (e não é pouco) a competência do Presidente em saber explorar as possibilidades da comunicação midiática. Vale a pena reler o grande clássico de Eder Sader, "Quando novos personagens entraram em cena". Lula foi o principal desses "novos personagens" emergindo na esteira de um discurso esteticamente imperfeito, mas que de fato, comunicava aos interessados diretos de então, os trabalhadores metalúrgicos. Esse discurso "imperfeito", mas de extraordinária competência, foi a meu ver o principal fator que permitiu a Lula brigar de igual com Collor de Mello, só perdendo por fatores extras, de todos conhecidos. Mesmo após a inauguração para a mídia nacional do "Lulinha paz e amor", o que sobressai é mesmo o Lula do discurso competente aprimorado nos já distantes acontecimentos trabalhistas dos anos 70. Sempre é oportuno lembrar que o discurso do agora ex-metalúrgico foi literalmente boicotado pela grande imprensa, até pelo menos 1989. É isso.
Carlos Martins , Rio de Janeiro-RJ - Economista
Enviado em 7/2/2009 às 21:07:56
P. S.: Diário do Comércio... Não é onde saem os "artigos" de olavodecarvalho.org? Hmmmm...
Carlos Martins , Rio de Janeiro-RJ - Economista
Enviado em 7/2/2009 às 21:00:39
Também concordo com Henri Fulfaro (de fato, a "grandimprensa" pede um taxidermista...): a capa do notório DC é apenas mais um exemplo da tática [ ] do texto "adversativo". Notícias "positivas", direta ou indiretamente, para Lula e seu governo têm que ser acompanhadas de um "mas", "porém", "contudo", todavia" etc. (o contrário, claro não se aplica). No espírito e no intuito, a manchete do DC em nada difere da do Friâo: "Apesar da crise, Lula atinge popularidade recorde" (notar a ordem). A "mídia" não "perde a chance de explicar"; seu único objetivo é propagandístico.
Carlos  Fochesatto , Caxias do Sul-RS - Professor
Enviado em 7/2/2009 às 15:10:05
Tem uma frase de Winton Churchill que diz "coincidência demais para ser coincidência". Pela primeira vez na história, o Brasil é governado por alguém que não é da "elite". Vindo da região mais pobre do país, retirante em pau-de-arara, pobre e por isso mesmo conhecendo bem a pobreza, levado duas vezes a mais alta magistratura do país recebendo críticas violentas da "elite" pelos seus tambores, fico a pensar como estaria o Brasil se tivesse continuado na miopia PSDB-DEM. Se com FHC nós quebramos três vezes, proporcionalmente estariamos agora entrando numa sétima quebradeira. Lembro de uma frase de Mario Henrique Simonsen que diz assim. "A elite brasileira sofre de uma ignorância econômica oceânica". Pois é, essa "elite" mandou até a chegada desse retirante que com ele, "coincidentemente", as coisas começaram a melhorar.
Carlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 7/2/2009 às 13:30:53
Alguns jornalistas devem ter trincado os dentes quando saiu a pesquisa. Diante do índice de aprovação anterior e o monstro-crise criado e alimentado ao longo do último mês, era IMPOSSÍVEL um resultado desses. Mas não se enganem. Eles sabem que, desse patamar, só dá para descer. O tempo trabalha a favor do oportunista. Esses abutres já tem o roteiro prontinho para queimar o presidente.
Edson Gonçalves , São Paulo-SP - Func. Público
Enviado em 7/2/2009 às 08:09:43
Ao contrário do presidente a imprensa em geral parece que vem acumulando desapreço pelo público brasileiro em geral. Entre outras coisas pelo motivo tão bem apresentado na reportagem acima. Já não estaria na hora de se fazer estatísticas sobre a aprovação do trabalho de nossa imprensa?
Alexandra Garcia , Campinas-SP - estudante
Enviado em 7/2/2009 às 04:14:12
Estou de acordo com o Henri. A associação de idéias que o Diário do comércio fez é desonesta. Melhor teriam feito se dissessem 84 de aprovação, APESAR de uma queda de 12,4 na atividade econômica
Paulo da Mata-Machado Jr. , Brasília-DF -
Enviado em 6/2/2009 às 21:33:04
A palpiteira, Angélica, de São Paulo, tem razão: os palpites ficaram à altura do texto e conseqüentemente (o texto é meu e o hífen, amor antigo, não vai ser abandonado por mim sem mais nem menos!) o enriqueceram: Gersier de Montes Claros, Álvaro do RJ, Walter do Ceará, e David de MG - assim como todos os demais - foram praticamente unânimes em destacar o fenômeno da cegueira da imprensa para com o fato de o Brasil ter mudado tanto. Bem, sempre me lembro daquela espécie de parábola ainda dos tempos de Napoleão Bonaparte: este fugiu da Ilha de Elba e, à medida que se aproximava de Paris e do trono, as manchetes foram passando de "Monstro Sanguinário para "Líder", Imperador, Salvador da Pátria e tal. Faltou chamarem-no de Deus. Outro fenômeno ainda não bem assimilado, mas que está mudando e vai alterar todas as relações humanas é a Internet e principalmente, sua banalização. Além da estimulante (até agora, enquanto ainda é "livre" de regulamentações estatais) auto-regulação. As possíveis infrações de condutas consideradas impróprias ou socialmente inaceitáveis também. O sujeito passa pelo interior, vê um baita castelo, tira uma foto da monstruosidade com o celular e manda pro amigo. Dia seguinte o Mundo comenta, reprova, fica indignado... Agora, o Lula percebeu o óbvio: o povo vive como se vivia em França antes de 1789. populismo não: PÃO E DIGNIDADE é o que é distribuído!
alvaro marins , Rio de Janeiro-RJ - professor
Enviado em 6/2/2009 às 19:15:07
Mais difícil seria o "imprensalão" explicar outros dois dados desta mesma pesquisa: a expressiva queda nas intenções de voto para presidente sofrida pelo governador José Serra; e a igualmente expressiva subida nas mesmas intenções de voto para a ministra Dilms Roussef. Sobre isso, um silêncio constrangedor em toda a mídia. E é uma mudança e tanto: -6 para Serra e +6 para Dilma.
Henri Fulfaro , Sorocaba-SP - Taxidermista
Enviado em 6/2/2009 às 15:45:39
Não concordo que a capa do DC seja brilhante. Ao contrário! Não passa do clichezão de sempre, e como tal invariavelmente mal intencionado. De fato, ao sugerir ao leitor que opte entre os 84% de aprovação que o presidente tem, e os 12,4 de queda na produção industrial, é óbvio que está induzindo o incauto a acreditar que o Lula é o responsável único e direto pela crise econômica mundial ! Agora, como notícia boa não vende jornal, é preciso forçar a barra para que os tontos, ou a oposição sistemática em geral, enxerguem nisso uma derrapada do governo, e comprem, enfim, o jornaleco.
rundfunk hörer , Ponta Grossa-PR - professor
Enviado em 6/2/2009 às 14:45:47
A coisa é tão séria que o Jornal Nacional nem noticiou a pesquisa. Escondeu-a, literalmente. Tampouco foram explorados os outros dados da pesquisa, especialmente os que revelam um crescimento de Dilma e um descenso de Serra. Não é à toa que logo depois da pesquisa surgiu essa onda de ataques ao PAC.
Max Suel , SP-SP - Engº
Enviado em 6/2/2009 às 13:33:03
"...sim, a crise é grave, gravíssima até, mas o povão teria entendido que a culpa não é do presidente Lula. " NÃO, a culpa da crise internacional não é culpa do presidente Lula, assim como não é culpa do presidente Lula a ótima situação mundial de 2003 até a crise, e não é só culpa dele se a situação do Brasil está muito melhor do que nos idos de FHC. É porque o pres Lula está colhendo tudo o que foi plantado pelos antecessores, embora, sejamos justos, ele também manteve a plantação em ordem, regando direitinho as plantinhas econômicas e semeando as novas, tal qual mandava o figurino e as instruções dos antecessores. A macro política econômica do governo Lula em nada difere da anterior (período Itamar / FHC). O grande mérito do pres Lula foi manter as linhas mestras e dar apoio ao pres do Banco Central que manteve a mesma política de juros altos para conter a inflação em patamar razoável. Nunca antes na história deste país, um pres. seguiu tão direitinho a política dos antecessores, mas com uma baita dose de sorte, por pegar a situação econômica mundial em céu de brigadeiro. (Max, só aqui no OI)
Angélica Matos , São Paulo-SP - -
Enviado em 6/2/2009 às 13:26:17
Os comentários tão tão bons quanto a matéria. Valeu dar uma passadinha por aqui. Obrigada a todos.
Fernanda Luporini , Brasília-DF - Analista de Finanças e Controle
Enviado em 6/2/2009 às 09:59:46
En quanto a "Grande"(?) Imprensa não se aprofunda nas causas da popularidade do presidente, também não entrevista ninca o governador de São Paulo sobre o buraco do metrô, a precária situação da segurança pública - greves - a situação do crime organizado - Paraisópolis - enquanto quiseram "colar" à imagem do presidente Lula até a crise provocada pelo incompetente ex-presidente dos EUA. Entendam, de uma vez por todas,a população não é otária,
Otaciel  de Oliveira Melo , Fortaleza-CE - Professor
Enviado em 6/2/2009 às 08:57:52
Olha, minha gente, foram tantas as críticas banais ao presidente que elas acabaram blindando o homem. Do ex-senador ACM: "Lula é um alcóolatra". Do Sr. Joelmir Beting: "Lula é preguiçoso pois não tem hora para pegar no batente", como coisa que o Lula ainda fosse metalúrgico. Da revista Veja: "Lula é ladrão", pois teria dinheiro depositado em paraísos fiscais (a própria PF inocentou o Presidente). "Lula é burro", consenso entre os intelectuais fascistas que nunca chegarão ao Planalto, e por aí vai. Ninguém nunca aventou a hipótese da popularidade do Lula está relacionada ao fato dele falar na liguagem do povo e inspirar, talvez por conta disso, muita confiança. Vi comentários de pessoas que se sentiram envaidecida com o discurso de Lula em rede nacional de televisão em dezembro passado. Existe a percepção, ampliada pelas obras do PAC (atrasadas mas não paradas), de que Lula é um brasileiro que gosta do Brasil. O fato é que a economia vinha funcionando muito bem, obrigado, antes da crise que nasceu nos Estados Unidos. Agora, o governo vem tomando uma série de medidas para arrefecer os efeitos da crise sobre o desemprego no Brasil. Bem, vocês que são jornalistas que divirtam-se procurando uma explicação para este fenômeno de comunicação chamado LULA.
gridania  h. s. brait , s. jose do rio preto-SP - estudante de jornalismo
Enviado em 6/2/2009 às 01:35:22
Muito me aborrece ver que a mídia não exerce seu papel como deveria, é superficial quando o assunto é tão sério. A verdade é que as informações são exploradas de acordo com o interesse político e financeiro dos grandes veículos. Quero acreditar que esta situação não seja reflexo da incompetência dos jornalistas , mas sim da censura de quem os dirige. Assim me sinto menos preocupada com a qualidade dos profissionais que dominam as prestigiadas redações. Mas triste em perceber que não há a verdadeira liberdade de expressão. A propósito por que a mídia não puxa o saco do Lula como bem fazia com Fernando Collor, antes que suas sujeiras fossem descobertas?
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 6/2/2009 às 00:24:36
!! Wow! A capa de fato eh brilhante! Mesmo que a materia nao tenha sido excelente, ponto pra o DC!
ubirajara sousa , slz-MA - psicólogo
Enviado em 5/2/2009 às 23:31:37
"como pode um presidente da República conseguir 84% de aprovação em meio ao que a imprensa vem qualificando de "maior crise da história do capitalismo" Fazia tempo que eu não via uma frase tão... Que artigozinho mais...Será que se o Governo estivesse fazendo tudo errado o Lula obteria essa aprovação? Essa questão de carisma só dá certo se associada a algo bom. O Governo Lula tem acertado. Tem demonstrado competência. Já mostrou que não é só uma questão de sorte, como falava a oposição: a sorte de Lula foi que veio a crise e ele está demonstrando competência para administrá-la. Uma análise efetuada pelo PIG seria um tiro no próprio pé. Por isso, dela desistiram. Isso só serviria para aumentar o índice de aprovação na próxima pesquisa. Xô urubus!
Marcelo Conti , São Paulo-SP - Bibliotecário
Enviado em 5/2/2009 às 22:59:41
Quero deixar bem claro que não morro de amores pelo Lula. Apenas creio piamente que seu governo, mesmo sendo nota 5,5 é infinitamente superior ao de FHC. O que me preocupa, de verdade, é o partidarismo da imprensa. Isso até me fez criar o termo "impren$a". É muito triste ver tantas pessoas despreparadas escrevendo exatamente aquilo que seus patrões e os conglomerados mercantis exigem...
walter walsil , Natal-RN - farmacêutico
Enviado em 5/2/2009 às 19:51:09
Existe uma resposta clara para a popularidade do presidente Lula, a mídia é que não quer enxergar ou reconhecer, mas basta sair as ruas, ir ao sertão nordestino, perguntar ao vizinho como está a sua vida, caminhar, ouvir as rodinhas de bate papos. Vamos perceber que o Brasil melhorou, este é o grande problema de uma imprensa, ainda comandada por uma elite preconceituosa e que não aceita que alguém chamado de ignorante, analfabeto, bebado, sem cultura, ladrão, entre outros mais adjetivos não merecidos, tenha dado certo, esteja mostrando que apesar do poder concentrado nas mãos de poucos, é possível colocar o país no caminho certo e obter o respeito, não só dos brasileiros (84%), mais também do mundo. O Brasil tem hoje, livre acesso a qualquer agenda política, econômica e social no mundo. Com o Lula não somos mais o país do futebol, carnaval e mulheres (prostitutas), somos o país do futuro e para onde está apontado todos os olhares do mundo. A explicação é bastante simples, não ver quem não quer. Prefere buscar explicações midiática para a popularidade, quando a explicação está no dia a dia das pessoas.
Marcos Chaves , BH-MG - Func. público
Enviado em 5/2/2009 às 19:00:26
A mídia não reflete mais a opinão nacional. Isto se comprova com os resultados do presidente, pois se sendo tendenciosamente contrária à pessoa do Lula, ainda 84% da população atesta aprovar o desempenho do atual mandatário, pergunto: O que significa a mídia neste momento? Qual o seu papel no contexto histórico atual? Como o brasileiro aprendeu a distinguir e a procurar informação, a mídia nativa se perdeu. Felizmente podemos deduzir que a sua capacidade de manipulação do povo brasileiro já não funciona mais. É um segmento em descrédito e rumo a crise financeira (colapso), essa sim vai bater forte, pois a existencial, essa já é notória.
Marcos Chaves , BH-MG - Func. público
Enviado em 5/2/2009 às 18:47:22
A mídia não quer entender o sucesso desse "zé do povo" LULA. A mídia quer é mostrar uma outra realidade que as pesquisas não apontam. Se vender um produto de sucesso é fácil, porque a mídia nacional se organiza para fazer o contrário? Quem são esses 84% de brasileiros que aprovam o desempenho pessoal do Presidente? Será que os pesquisadores só entrevistaram p..., p..., p... e os milhões de brasileiros dependentes do do bolsa família? Nós brasileiros só valorizamos o que é bom se for importado. Aquilo que temos de bom por aqui procuramos apenas extirpá-lo. Esses que estão esperando a crise bater mais forte, o que de fato eles querem do Brasil? Com todo esse vento a favor de Lula a mídia poderia sair da mesquinhez e ajudar o país a enfrentar a crise produzida pelos especuladores internacionais e não por ineficiência do governo.
Emanuell Cavalcanti , Natal-RN - Estudante
Enviado em 5/2/2009 às 18:46:16
É, realmente não é difícil explicar. O Presidente Lula conseguiu e consegue produzir um dos melhores Governos da história do Brasil, evidentemente. A questão dos que muitos chamam de "Bolsa-esmola" não cola mais, o Governo Lula, ou melhor, o Lula detém hoje a aprovação em todas as classes em todos os níveis de escolaridade, logo, só tem uma explicação mesmo: inteligência e competência!!!
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 5/2/2009 às 16:45:09
"Mídia perde a chance de explicar": antes que passe em branco nessas paginas, importante anuncio: o Jornal Nacional nao perdeu a chance de explicar nada. Ele nao deu a noticia dos 84. Intencionalmente.
Henri Ful , Sorocaba-SP - Taxidermista
Enviado em 5/2/2009 às 15:41:19
Para mim não causa surpresa o fato da Folha dar destaque à pesquisa, colocando-a na primeira página. O que me surpreende mesmo e que não tenham colocado um "VÊ SE PODE !!!", logo após os 84%
David Pinheiro Neto , Belo Horizonte-MG - Administrador/micro empresário
Enviado em 5/2/2009 às 15:25:43
Parabéns pela sua análise, correta e honesta. O brasileiro em geral, não partilha da mudança de paradígmas. Ao se eleger uma pessoa vinda das classes operárias, presidente do Brasil, quebrou-se o monopólio do poder que sempre esteve na mão dos donos do dinheiro. Nesta relação podemos citar a imprensa, que vive e sobrevive das verbas publicitárias das grandes empresas, que trazem junto, sua "ideologia". O acesso a novas formas de comunicação, maior liberdade para opinar e principalmente um amdurecimento e maior senso crítico da população além da identificação com nosso maior lider, apesar da ainda grande pobreza do nosso povo, podem explicar em parte estes números. O que a imprensa, antiga e desbotada em seus conceitos e sua soberba, apesar das novas tecnologias, não consegue entender, é que o mundo e as pessoas, estão mudando tão rápido quanto essas tecnologias. Quando você se surpreende com o sucesso de uma pessoa com "pouca cultura" (será?), ou com a eleição de um negro como presidente do maior país do planeta, é porque eles já perderam o bonde da história (bonde mesmo), e o fato mais importante, que eles não sabem ainda, é que estão com seus dias contados.
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 5/2/2009 às 15:18:09
Parece que o Magalhães, mesmo detectando essa grave ausência da mídia na análise dos fatores que elevam a cada vez a popularidade do Presidente Lula, ainda assim, procura explicações unicamente na suacapacidade de comunicador, o que realmente é fato. Mas é importante considerar que as classes médias não se contentam apenas com marketing de comunicação. Eles andam atrás de resultados também e, por isso, acho que a explicação do professor álvaro martins faz mais sentido. A mídia está perdida e não consegue compreender como um presidente que não reza pela sua cartilha e submetido a seus constantes bombardeios consegue bater recordes de popularidade. Pior é que a justificativa de que essa popularidade se funda nas realizações de ações paternalistas e populistas (ou neo populistas) do governo já não colam mais, já que sua popularidade contaminou classes A e B. Vamos mídia, ponha a cabeça para funcionar, ou seja humilde e reconheça que Lula é muito melhor presidente do que vocês podem aceitar de um metalúrgico de pouca escolaridade...
Victor Pinto , Conceição do Coité-BA - Estudante Secundarista e Diretor de Jornal
Enviado em 5/2/2009 às 14:54:57
Este é o fato, a população não mais se deixam levar pelas aparências da telinha ou da grande mídia. Hoje há um esclarecimento bem maior das idéias e das notícias, temos um leque de meios de comunicação que não nos deixam mais fazer uma opinião pré-estabelecida por uma ou dois emissoras de rádio ou TV ou jornal. A popularidade do Lula é sim o simple fato que a mídia tenta abafar. Realmente este artigo mostra por A mais B os fatos.
Sidnei Brito , São Paulo-SP - Servidor Público
Enviado em 5/2/2009 às 13:42:56
É melhor nem explicar. Da última vez que a Folha quis fazer isso, chamou o Jacob Pinheiro Goldberg, que disse que o povo aprovava o presidente como forma de negação da dura realidade (clichê pouco é bobagem). Os outros dois convidados foram Boris Fausto e Bolivar Lamounier que, não obstante as suas credenciais intelectuais, não se dão nem ao trabalho de disfarçar as respectivas matrizes tucanas. Se bem que a idéia do Silvio Santos não deixa de ser interessante: grande comunicador, entende do riscado e, ainda por cima, tem seu SBT fazendo propaganda que se apóia na popularidade do presidente. De fato, o velho Abravanel deve já ter enxergado algo que os cientistas políticos e economistas não vêem (ou fingem que não vêem).
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 5/2/2009 às 12:29:00
"como pode um presidente da República conseguir 84% de aprovação em meio ao que a imprensa vem qualificando de "maior crise da história do capitalismo"": uai, Magalhaes, mas que pauta mais chata! Nao tem alguma coisa mais excitante nao? A media brasileira quer "Italia Planeja Invasao Ao Brasil". Ou entao "Morales Planeja Invasao Ao Brasil". Ou entao "Chavez Planeja Invasao Ao Brasil". Ou mesmo "Colombia Nega Planejar Invasao Ao Brasil". Isso sim eh assunto! Presidente que eh exatamente o contrario do que a media mente nao eh assunto decente!
alvaro marins , Rio de Janeiro-RJ - professor
Enviado em 5/2/2009 às 10:55:07
Acho que a explicação pode ser ainda mais simples. O governo Lula, apesar das limitações e dificuldades, está desempenhando muito bem suas funções. Adotou políticas públicas consistentes, melhorando efetivamente a vida das camadas menos favorecidas da população; adotou uma política econômica que fez o país voltar a crescer, beneficiando todos os setores da sociedade, gerando emprego e renda para os todos trabalhadores, inclusive os da classe média: e essa mesma política tem produzido ganhos para todos os agentes econômicos da sociedade, sejam dos setores produtivos, sejam dos financeiros. É ainda um governo que, democraticamente, ouve e dialoga com todos os movimentos, associações e entidades que representam nossa sociedade. Quanto a chamada grande mídia (único setor que está perdendo terreno economicamente ao longo deste governo), o seu problema é que ela não consegue mais esconder sua opção partidária e, conjunturalmente, está atrelada carnalmente ao projeto de transformar o governador José Serra em presidente do Brasil. Será a sua ruína. Mas isso não é ruim para o desenvolvimento do país. Pelo contrário. A sociedade brasileira ganhará muito com a redução em importância de uma mídia coronelista que representa os interesses de apenas 5% da população brasileira. Provocativamente, eu diria que a mídia está perdendo fragorosamente sua batalha com a opinião pública.
Gersier Lima , Montes Claros-MG - Radilaista
Enviado em 5/2/2009 às 10:49:20
Vc esqueceu de acrescentar ao texto que os 84% da população deram um recado, não acreditam no que a imprensa divulga.Um exemplo de como a mídia é dúbia e quer confundir os menos esclarecidos foi a divulgação sobre o fechamento das fábricas da Panasonic.Não vi ou ouvi nenhuma delas dizer que as fábricas que serão fechadas estão fora do Brasil.Outro fato é que a população dispensou de vez os chamados especialistas,que ficou provado,falam muito mas não dizem nada.Outro dia numa loja de departamento um televisor mostrava um deles sendo entrevistado,ao meu lado duas senhoras de meia idade ouviram parte do que ele explicava e depois debochou,"se acham especialistas ou expertos e não acertam uma".Outro fato que tenho percebido nas minhas conversas com as pessoas que alguns tem o feio hábito de chamar “mais humildes”,é que essas pessoas acreditam que parte da imprensa está a serviço de políticos inescrupulosos. Vc disse que a mídia perdeu uma excelente oportunidade de aprofundar o assunto,já eu acredito que foi proposital.Ela descobriu que a máscara está caindo.
Compartilhe este texto
Blig Blig BlinkList BlinkList BlogBlogs BlogBlogs BlogLines BlogLines Delicious del.icio.us
Digg Digg Furl Furl Google Bookmarks Google Bookmarks Linkk Linkk Magnolia ma.gnolia
netscape Netscape netvibes Netvibes newsvine Newsvine reddit reddit Stumble Upon Stumble Upon
Technorati Technorati Twitter Twitter Windows Vista Windows Vista Yahoo! MyWeb Yahoo! MyWeb Facebook
Luiz Antonio Magalhães

Outros artigos desta Seção
LE MONDE
Jornal se renova
em plena crise

Leneide Duarte-Plon, de Paris
3/2/2009
NOTICIÁRIO DA CRISE
Imprensa força a barra
Luciano Martins Costa
3/2/2009
IMPRENSA PARANAENSE
Jornalista demitido
por denunciar mamata

Luiz Domingos Costa
3/2/2009
IMPRENSA PARAENSE
Gratuidade suspeita
Lúcio Flávio Pinto
3/2/2009
ENTREVISTA/ALBERTO DINES
Contra o silêncio e o
marasmo da imprensa

Cristina Charão
3/2/2009
ENTREVISTA /
ALMA GUILLERMOPRIETO
"Sinto que o ofício
está se acabando"

Juan Cruz
3/2/2009
NOTICIÁRIO DA CRISE 2
O terror econômico da grande imprensa
Gilson Caroni Filho
4/2/2009
PAU, PEDRA, FIM DO CAMINHO
A despedida
Mino Carta
4/2/2009
LULA, 84%
Mídia perde a chance de explicar
Luiz Antonio Magalhães
5/2/2009
COBERTURA DO CONGRESSO
As virtudes do vício
Alberto Dines
6/2/2009
NOTICIÁRIO DA CRISE 3
O fantasma do fascismo
Luciano Martins Costa
6/2/2009
MÍDIA & POLÍTICA
Como funciona o coronelismo eletrônico
Luiz Antonio Magalhães
8/2/2009
A oligarquia eletrônica
Alberto Dines
9/2/2009
O poder do "baixo clero"
Luciano Martins Costa
9/2/2009

Últimos 5 artigos de
Luiz Antonio Magalhães
À GUISA DE DESPEDIDA
Reflexões sobre a observação da imprensa
19/1/2010
MILHÕES DE CONTAMINADOS
Folha não se emenda na gripe suína
6/10/2009
LEITURAS DE VEJA
Uma revista megalômana
29/9/2009
LEITURAS DA FOLHA
Uma barriga monumental
22/9/2009
LEITURAS DA FOLHA
Jornal despreza resiliência da popularidade de Lula
18/8/2009
Mais artigos de
Luiz Antonio Magalhães >>