ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 526 - 9/2/2010
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LEITURAS DA FOLHA
Os limites do ombudsman

Por Celso Lungaretti em 23/2/2009

Reproduzido do blog do autor

A criação da figura do ombudsman, ou ouvidor, remonta a uma época em que a Folha de S. Paulo tentava compensar, investindo na imagem de jornal moderninho, a perda dos profissionais talentosos que lhe haviam proporcionado qualidade e credibilidade.

Já houvera uma experiência pioneira e muito mais bem-sucedida nessa direção, por conta da condição de grande jornalista do seu artífice e também por ele estar lidando com um diretor-proprietário que conhecia suas limitações e deixava quem era do ramo convencê-lo a tomar as decisões corretas.

Estou me referindo, claro, à página dominical Jornal dos Jornais, a Alberto Dines e a Octavio Frias, pai.

Quando Ernesto Geisel começava a desmontar a máquina de terrorismo de estado que a ditadura criara para combater a luta armada, o Jornal dos Jornais foi muito mais do que um espaço para se discutir jornalismo.

Seu verdadeiro tema era a abertura democrática: Dines a impulsionava de todas as maneiras, elogiando os jornalistas sintonizados com a causa da liberdade, criticando os serviçais do arbítrio e passando sutilmente a seus leitores informações dos bastidores do poder, num tempo em que, até por motivos de segurança pessoal, era essencial conhecer-se bem a evolução da luta interna na caserna (a linha dura resistia aos ventos liberalizantes e a todo momento tentava, com suas investidas truculentas, fechar os espaços que iam se abrindo).

Eis como Dines relatou, em entrevista, o nascimento do Jornal dos Jornais: "Quando eu acertei com o Frias, salário e essas coisas [para trabalhar na Folha], eu combinei o seguinte ‘eu quero fazer uma coisa no jornal e você não vai me pagar um tostão a mais. Você vai me dar duas colunas de alto a baixo na segunda-feira, no segundo caderno, onde eu quero fazer uma coluna para discutir a imprensa.’ Não se falava em mídia naquela época. Ele me advertiu ‘não se meta nisso, você só vai ganhar inimizades, não faça isso, eu quero te poupar’. E eu falei ‘me deixa fazer, se houver problema eu paro.’ E ele ‘olha, eu te avisei!’. E, qual não foi a minha surpresa quando eu mandei a primeira coluna, o [diretor de redação] Cláudio Abramo convenceu o Frias falando ‘não isso não pode ficar no segundo caderno e na segunda-feira, esse é o pior dia, isso vai ficar no primeiro caderno, na página seis’. E lançou o Jornal dos Jornais. O título eu já tinha na minha cabeça, era algo até mais amplo do que é o ombudsman, que é na mesma página 6 até hoje."

Carta branca da direção

A carta branca que Dines acabou recebendo de Frias tem também muito a ver com um conselho dado por Golbery do Couto e Silva, eminência parda do governo que se iniciava, ao dono da Folha: como Geisel, qual um déspota esclarecido, pretendia flexibilizar aos poucos a censura, até extingui-la, Golbery sugeriu a Frias que a Folha assumisse uma postura mais crítica, não deixando O Estado de S. Paulo ocupar sozinho o espaço de oposição jornalística ao regime.

Assim, foi por orientação do próprio feiticeiro da ditadura que um grupo de imprensa colaboracionista se travestiu de independente. Mas, claro, isto só se tornou conhecido muito tempo depois.

No lançamento do Jornal dos Jornais, em julho de 1975, Dines assim definiu sua proposta: "Cabe à imprensa provar em sua própria carne que abrir-se à critica não é prova de vulnerabilidade, mas de amadurecimento. O que prejudica é o silêncio."

Esse respiradouro foi fechado em setembro de 1977, quando a linha dura militar utilizou uma afirmação descuidada do cronista Lourenço Diaféria (sobre a estátua de Caxias nos Campos Elísios servir para mendigos urinarem) como pretexto para intervir na Folha.

Era o momento decisivo do braço-de-ferro entre os milicos que apoiavam a distensão de Geisel e os que queriam impedi-la a todo custo. Um mês depois, Geisel daria xeque-mate nos opositores da sua abertura, ao demitir o ministro do Exército Sylvio Frota, em torno de quem se agrupava a ala radical do regime.

Eis um balanço que Dines fez do Jornal dos Jornais: "Cometi erros, eventualmente até injustiças, mas eu estava ali cobrando da imprensa o que ela estava deixando de cobrir em um período de autocensura. Fiz cobranças, como quando da morte da Zuzu Angel, que ninguém deu, eu falei ‘escuta, morreu uma mulher famosa e ninguém está noticiando! Por quê? O que é isso?’ E foi assim em todas as edições. Antes do Wladimir Herzog morrer, eu já estava denunciando que ele estava sendo perseguido por um jornaleco de São Paulo, ligado à Polícia. Isso chegou a repercutir, teve uma grande importância. Em 1977, o jornal foi obrigado a retroceder porque o governo militar deu um aperto na Folha. O Frias, provavelmente, aceitou a sugestão das autoridades e acabou com essa seção."

A repetição da História como farsa

Sobreviveu, entretanto, a lenda de uma das grandes trincheiras da resistência jornalística ao despotismo.

Então, por conveniências mercadológicas e também para tentar esvaziar outro dos símbolos do apogeu jornalístico da Folha de S. Paulo (com os quais ele sempre conviveu muito mal), Otávio Frias filho incumbiu em 1989 Caio Túlio Costa de criar a seção do ombudsman, versão bem comportada do Jornal dos Jornais.

Mas tende a ser sempre ruim a convivência entre uma redação dirigida de forma arrogante e o profissional a quem cabe evitar excessos e atender as justas reclamações dos leitores.

Então, se o próprio Caio Túlio ainda ousava divergir, vez por outra, do comando do jornal, os sucessores foram caindo na real: sua função se tornava, cada vez mais, decorativa.

O nono ombudsman, Mario Magalhães (2007/2008), foi o único a deixar a função por não compactuar com sua descaracterização e esvaziamento. Como de hábito, publicava na página do ombudsman os comentários, sugestões e críticas que fazia aos profissionais da redação, mas algum não foi bem digerido pela direção, que condicionou a renovação do seu mandato ao fim da transparência: deveria restringir tais recados aos editores, não os tornando públicos. Preferiu sair.

O décimo, Carlos Eduardo Lins da Silva, faz o que pode, mas pode muito pouco. É óbvio que, após o episódio Magalhães, devem ter-lhe imposto limites ainda mais exíguos.

Vai daí que, sobre as 105 mensagens recebidas pela Folha a respeito do editorial em que qualificou de "ditabranda" o regime totalitário de 1964/85 e da nota da redação acusando Fábio Konder Comparato e Maria Vitória Benevides de cínicos e mentirosos, o ombudsman só pôde escrever o seguinte, na sua coluna dominical de 22/02: "Um editorial com referência ao regime militar brasileiro provocou cartas publicadas no ‘Painel do Leitor’. Resposta da Redação a duas delas na sexta foge do padrão de cordialidade que julgo essencial o jornal manter com seus leitores" (ver aqui).

É pouco, quase nada, face à gravidade do atentado cometido contra a verdade histórica e da agressão covarde que o jornal praticou contra as vítimas do arbítrio e seus entes queridos, ao minimizar a dor que sofreram; e também face ao insulto grosseiro que lançou contra dois de nossos mais destacados defensores dos direitos humanos.

Impunha-se, no primeiro caso, um pedido de desculpas no mesmo espaço em que foi feita a afirmação infame: o editorial.

Quanto a Comparato e Benevides, o que faltou não foi cordialidade, mas sim base para a acusação contra eles assacada: nenhum brasileiro pode ser taxado de cínico e mentiroso por defender os direitos humanos em seu próprio país e não se manifestar a respeito do que acontece em outros países, a menos que participe ou tenha participado de entidades cuja missão seja exercer a vigilância em âmbito internacional.

Então, ao misturar alhos com bugalhos, a Folha não foi apenas descortês, mas cometeu os crimes de difamação e calúnia. É disto que teria de se retratar – além de, provavelmente, responder por sua leviandade nos tribunais.

Comentários (23)
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brum mendes , TERESOPOLIS-RJ - BRASILEIRO
Enviado em 15/12/2009 às 23:09:52
"Luta pelos injustiçados" Cesare Battisti é um injustiçado, Celso Lungaretti cômico como sempre!!!!
Rogério Ferraz Alencar , Fortaleza-CE - ATRFB
Enviado em 2/3/2009 às 23:39:17
Pois bem, iluminador: Fidel Castro, de todos os que citei, ainda tem a desculpa de ter derrubado uma ditadura e implantado outra. Os outros derrubaram democracias para implantarem ditaduras. Ditaduras mesmo. Esse papo furado de ditabranda não vai colar. Iraque não era democracia, nem é. Bush não tem direito de querer implantar democracia. Por que brasileiros vítimas da ditadura não merecem solidariedade? Por que só os cubanos? Pinochet, Jarbas Passarinho, Medici, Videla, Bush não podem estar no mesmo balaio dos direitos humanos.
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 2/3/2009 às 21:05:27
Iraque não era democracia. E os outros exemplos hoje são democrático a não ser onde o socialismo venceu: Cuba. 50 anos de dita dura mesmo. Mas discutir com um cara que acredita na Bíblia é difícil de iluminar!
Rogério Ferraz Alencar , Fortaleza-CE - ATRFB
Enviado em 2/3/2009 às 18:04:23
E Bush, implantando "democracia" à força, no Iraque? E os militares aqui, derrubando uma democracia para imporem democracia? E Pinochet, o precussor da "ditabranda"? E Rafael Videla? Como o povo pode saber e escolher o que deseja se a oposição é silenciada?
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 2/3/2009 às 15:42:20
" Então, é bem capaz que 84% dos cubanos apoiem sinceramente o regime. " Isto não justifica os presos políticos e a impossibilidade de se investigar o fim que se deu dos resistentes, fora os que estão em Miami, e os que foram comidos pelos tubarões. Não há porque vacilar ou tergiversar sobre a ditadura marxista. Na Itália não foi pelo marcartismo, mas pelo terrorismo mesmo que Batistti cometeu seus crimes. Impor o estalinismo, o trotskismo ou o cristianismo a força é terrorismo sem tirar nem por. Mesmo que Batistti lutasse pelo cristianismo na Itália matando ou planejando era um terrorista da mesma forma. Mesmo que o povo apoie o governo de Fidel, os que estão presos são inocentes, vítimas, pessoas com quem devemos nos solidarizar de verdade. Como o povo pode saber e escolher o que deseja se a oposição é silenciada? O que não ocorre na Itália. Que Batistti pague pelos crimes para impor o cristianismo a força de bala.
Celso Lungaretti , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 27/2/2009 às 22:44:02
(final) Quanto ao "macartismo à italiana", foi um fenômeno muito mais transparente para mim, até por causa da minha óbvia ascendência. E que me causou viva repulsa na época. Não assumi a bandeira do Cesare por acaso, tenho tudo a ver com a defesa de injustiçados e também com o repúdio a democracias de fachada, que embutem práticas totalitárias.
Celso  Lungaretti , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 27/2/2009 às 22:42:13
Bandarra, nunca apresente como certezas suas suposições sobre um universo que desconhece. Você sempre errará. Já afirmei claramente que não aprecio o regime cubano. Se você tivesse a mínima familiaridade com as correntes de esquerda, saberia que este é o sentimento dominante entre os que se formaram no trotskismo, repudiando o stalinismo. No entanto, admito, honestamente, que o povo cubano possa sentir de maneira diferente. Um bom jornalista certa vez foi lá e colheu opiniões dos cidadãos comuns. Muitos temiam perder sua posição caso houvesse a volta dos emigrados. Da mesma forma, negros viam com satisfação o afastamento da elite hispânica. E havia aqueles que, por nunca terem tido nada, supervalorizavam o pouco que o regime lhes proporcionava materialmente, além de sentirem-se orgulhosos por seu país não ser mais um bordel para estrangeiros ricos. Se Lula atinge píncaros de popularidade no Brasil, por que não Fidel e Raúl em Cuba? Lá como aqui, o povão nem se dá conta da importância de direitos humanos, equilíbrio de poderes, etc. Então, é bem capaz que 84% dos cubanos apóiem sinceramente o regime. É isto que eu gostaria de verificar pessoalmente. (continua)
Ana Rosa Vidigal , Belo Horizonte-MG - professora
Enviado em 27/2/2009 às 22:08:31
Ainda não li comentários sobre a questão do ombudsman, tratada no artigo, e que tanto me interessa. A Folha é o único jornal no Brasil (além de O Povo, de Fortaleza) que tem um ombudsman? O nome não é um dificultador para o público leitor brasileiro médio? Ombudsman: melhor tê-lo ou não tê-lo?
Rogério Ferraz Alencar , Fortaleza-CE - ATRFB
Enviado em 26/2/2009 às 15:58:19
É hilário ver Paulo Bandarra, fã e defensor feroz de Pinochet, Bush e da ditadura brasileira, querer passar por defensor dos direitos humanos.
Augusto Mello , Rio de Janeiro-RJ - Sem profissão
Enviado em 26/2/2009 às 10:38:54
Concordo que LAM. Caroni e Lungaretti foram decisivos para o recuo do jornalão, que hoje publica cartas de Benevides e Comparato, assim como os vários protestos da sociedade civil. Parabenizo os três e irei posta essa mensagem no artigo de cada um deles como forma de reconhecimento, para desespero dos defensores do regime militar
Felipe Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 26/2/2009 às 10:37:50
Cadê o respeito às vítimas dos movimentos armados que desde antes de 1964 tentavam implementar um regime de exceção (põe excessão nisso) marxista no Brasil? Cadê o respeito aos seus familiares? Ou será que eles não são humanos e não tem direito aos direitos de outros humanos?
gilberto  gonçalves , campinas-SP - jornalista
Enviado em 25/2/2009 às 19:00:04
Por que não queimamos a FSP em fogo brando?
Edmilson Fidelis , BH-MG - Analista de sistemas
Enviado em 25/2/2009 às 16:41:07
Neste país houve ditadura, mas em Cuba foi pior. Este é o argumento que alguns querem nos empurrar goele abaixo. A pobreza é um mal do nosso país. Não tem problema. Na Africa é pior. A violência é outro grande problema do nosso país. Não tem problema. Na Colômbia era pior. Em Gaza é pior. No Haiti é pior. A corrupção tembém é um problema em nosso país. Não tem problema no Uruguai é pior. O analfabetismo em nosso país é um grande problema. Não tem problema, na Nicaragua é bem pior. Então vamos discutir o Haiti, Nicaragua, Africa, Colombia, Gaza... Vou até plagiar o famoso escritor brasileiro contemporaneo: "Fidel é meu álibi!"
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 25/2/2009 às 11:39:11
Caro Celso Lungaretti , você está sempre mordendo na própria língua! Tão previsível. “Sobre o POVO cubano, reservo-me o direito de me manifestar se e quando for a Cuba. As versões sobre o que acontece lá são tão tendenciosas, de lado a lado, que não me servem para nada.” Conveniente. Não? “Eu não defendo terrorista nenhum, apenas um cidadão que sofreu um julgamento de cartas marcadas, durante um período em que o Estado italiano incidiu em excessos policiais e aberrações jurídicas.” O mesmo discurso de dois pesos e duas medidas, seu pensamento crônico. Da Itália e do Cesare Battisti sabe tudo, de Cuba ainda tem que ir lá ver se concorda! Não é do que foi acusado a Comparato e Benevides? A nota da Folha: "Nota da Redação - A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua “indignação” é obviamente cínica e mentirosa. " A mesma posição que mais uma vez você se coloca.
Bernardo Meditsch , Sao Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 25/2/2009 às 00:12:58
Além do absurdo de se relativizar o autoritarismo, o que me parece pior, no "affair ditabranda", é a tentativa da Folha de impor um código de conduta aos debatedores públicos. Não que se trate de novidade: inspirada no corretismo político norte-americano, essa verdadeira patrulha ideológica tornou-se o último refúgio dos setores da direita para tentar relativizar um passado histórico que, com a fim das ditaduras seguido da débacle neoliberal, lhes é francamente desfavorável. Assim, sob o pretexto de se cobrar coerência das personas públicas, engessa-se o debate num maniqueísmo primário, aplicado a uma visão simplista de história e a uma dicotomia esquerda/direita em que não há tons nuançados. Ora, cada caso é um caso. O processo político cubano difere do processo brasileiro, que por sua vez apresenta particularidades que dificultam uma comparação com os demais processos políticos nacionais. Querer impor a obrigação de se posicionar em relação a Cuba a cada vez que se menciona a ditadura brasileira é engessar e manipular o debate, tirando-o de seu contexto histórico; é a expressão cabal do autoritarismo que se apossou da FSP.
Paulo Pereira , S J Campos-SP - .
Enviado em 24/2/2009 às 20:22:29
Estranhei que alguns comentaristas não tenham citado o eminente professor Hariovaldo Almeida Prado.
PEDRO PEREIRA PEREIRA , Palmas-TO - oleiro
Enviado em 24/2/2009 às 18:04:15
¨A Folha só contratava esquerdistas porque eles, sorry, eram os profissionais mais talentosos,¨Sorry tbem pela sua prepotencia em relação aos seus pares ideologicos. Ou vc não sabe que jornalismo tem posturas que variam de acordo com o jogo de poder e com os intereses do Espirito( Hegel) Sempre foi conveniente colocar contestadores em postos chaves do jornalismo, e isso não significa que eles eram ¨Sorry melhores¨.Qual petulante vc, ao definir os melhores. Quanto ao dito cidadão italiano, até as vítimas reconheceram o algoz, inclusive a que está em uma cadeira de rodas. Olha para o ceu frederico.....
Celso Lungaretti , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 24/2/2009 às 13:50:03
(conclusão) Posição política em defesa de crimes contra a humanidade também é crime nas nações civilizadas. Daí a prisão do historiador europeu que ousou negar a existência do Holocausto. Eu não defendo terrorista nenhum, apenas um cidadão que sofreu um julgamento de cartas marcadas, durante um período em que o Estado italiano incidiu em excessos policiais e aberrações jurídicas. Só um julgamento de verdade poderia definir o que Cesare Battisti realmente é. Mas, nem isto lhe-é propiciado num país que insiste em manter latejando as chagas dos anos de chumbo. Jamais defendi o Emir Sader, de onde saiu essa bobagem? Até quando vão me atribuir o que outros articulistas de esquerda escrevem por aí?
Celso Lungaretti , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 24/2/2009 às 13:48:24
Sobre o POVO cubano, reservo-me o direito de me manifestar se e quando for a Cuba. As versões sobre o que acontece lá são tão tendenciosas, de lado a lado, que não me servem para nada. No entanto, desde os 17 anos sou contra o stalinismo, então não tenho afinidade nenhuma com o REGIME cubano. Ninguém é obrigado a externar previamente sua posição sobre o que acontece em outros países para ter o direito de opinar sobre eventos do seu país. Esta tese é falaciosa e indefensável. O conjunto da obra da ditadura militar foi escabroso, pouco importando se eram todas as correntes militares que praticavam as atrocidades ou apenas algumas. O fato é que as pombas ficaram impotentes e foram os falcões que predominaram, principalmente a partir do AI-5. A Folha só contratava esquerdistas porque eles, sorry, eram os profissionais mais talentosos. Ao mesmo tempo, cedia até suas viaturas para uso da repressão. Uma empresa que colaborou com a ditadura não tem moral nenhuma para minimizar seus crimes, já que deles era cúmplice. O "mestre" Olavo de Carvalho se complicou tanto na polêmica comigo que não ousou dizer mais uma palavra sequer contra mim. Nem a minha acusação de que ele estava sofismando o OC foi capaz de retrucar, embora ele passe por ser professor de filosofia e eu seja só um autoditada nessa área. (segue)
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 24/2/2009 às 10:27:38
"responder por sua leviandade nos tribunais." Lungaretti é patético quando luta há meses pela impunidade de um terrorista e quer "punição" por posição política. Só matar é perdoável, para este falso moralista. Claro que mortes, torturas e crimes cometidos apenas pela esquerda . Aquela turma que gritava pela injustiça contra o Emir Sader. Lá estava Lungaretti no frente.
Fernando Jose Saraiva , são paulo-SP - comunicação
Enviado em 24/2/2009 às 09:05:31
Aha-ha-ha...a família Frias passou a vida enchendo a redação de esquerdistas. Os Frias passaram a vida adulando os revolucionários marxistas. Agora que passaram a ser as vítimas de seus ex-ídolos, sentirão o peso da indústria esquerdista de difamação. Ah, mestre Olavo de Carvalho, que falta faz a lógica aristotélica a esses jornalistas brasileiros! Fernando José - SP
Pedro Pereira pereira , Palmas-TO - estudante
Enviado em 23/2/2009 às 23:11:10
Direitos humanos, digo humanos. Estendido a tudo que é humano, em todo e qualquer lugar do mundo, independente de religião orientação politica ou ideologias. Me parece que ambos, comparato e benevides, não se prestaram a denunciar as atrocidades do Companheiro Fidel .Procurei en-passant nas suas bibliografias e vi , inclusive na Benevides , o contrário. Porque ambos se comprazem em defender diretos humanos seletivamente? Porque Lungaretti apos , Surpreendentemente, descrever que o governo militar não era unanime em questão de intolerancia, acha tão cruel o termo ditabranda Pode até não ser adequado o termo ,pois não foi branda,mas criar tempestades defendendo quem não se pronuncia coerentemente sobre o assunto me parece meio.. ¨espirito de corpo¨
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 23/2/2009 às 21:36:06
E o povo cubano Lungaretti? Nem uma palavrinha de solidariedade? Só o teu umbigo e o teu bolso? Sempre se fazendo de vítima!
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