ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 527 - 9/2/2010
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DEMISSÕES NA EMBRAER
Censura privada em céu nebuloso

Por Júlio Ottoboni em 3/3/2009

Enganam-se os que pensam ser a censura um instrumento do aparato repressivo do Estado. Ela se molda conforme o tempo, a situação e a oportunidade, mas não deixa de existir. Apenas muda, transforma-se e, invariavelmente, ataca da maneira mais sorrateira e vil possível.

A atividade jornalística está longe de ser perfeita, como qualquer outra área do conhecimento humano, mas detém seu percentual de acerto e de responsabilidade. E é a sua função de informar que as presas da censura preferem abocanhar e injetar seu veneno.

No dia 11 de dezembro de 2008 produzi a reportagem que deu manchete da Gazeta Mercantil: "Embraer prepara-se para demitir 4 mil funcionários". O texto revelava os planos da empresa para dispensar 20% de seu efetivo e os preparativos que já ocorriam nesse sentido. Foi uma antecipação da informação, que no meio jornalístico chamamos de "furo".

No entanto, a reação da empresa, particularmente de seu presidente Frederico Curado e de alguns de seus vice-presidentes foi de extrema agressividade, chegando o dirigente máximo da companhia dizer em coletiva de imprensa, depois em rede nacional, que as informações publicadas pela Gazeta Mercantil eram "levianas, mentirosas e invenção da cabeça de alguns jornalistas".

Uma única frase

Na maioria dos casos, o público consumidor de notícias desconhece os bastidores das reportagens. Como dizia um ex-professor de meu curso de Jornalismo, no começo dos anos 1980, "jornalista não é notícia" – embora haja momentos em que esse atrás de teclados, microfones e câmeras seja necessário vir a conhecimento geral. Só assim se consegue contextualizar e analisar o caso sob uma ótica completa.

Permitam-me relatar parte deste artigo na primeira pessoa. Entre apuração e rechecagem das informações, avaliação e análise do conteúdo jornalístico, eu e meus editores trabalhamos mais de 20 dias nesse processo. Um tempo imenso para quem conhece a dinâmica de uma redação de jornal diário, mas necessário para publicarmos a matéria com a maior precisão possível.

Todas as minhas fontes eram off, pois a maioria delas trabalhava na Embraer e estava revoltada com o golpe preparado pela companhia junto aos trabalhadores. No dia 10 de dezembro, tive o cuidado de telefonar logo pela manhã, às 9h30, para a assessoria de imprensa da empresa e repassar todas as informações que eu havia apurado, deixando transparente do que se tratava a reportagem. Pedi que houvesse um retorno, já que o assunto era grave e preocupante.

Depois de diversos telefonemas ao longo do dia cobrando uma posição, só fui conseguir o já clássico "a Embraer não comentará sobre esse assunto" às 17h40, devido à insistência. Foram oito horas de espera para obter uma única frase e também começar um verdadeiro inferno em minha vida, como se eu fosse o objeto catártico de toda frustração da direção da empresa.

Cavalaria em campo

No dia da publicação da matéria (11/12/2008) houve uma cerimônia de entrega de dois aviões para Air France e fui escalado para cobrir o evento. Já ao ingressar nas instalações da fábrica, em São José dos Campos (SP), foi recebido pela chefia da assessoria de imprensa, que sem o menor respeito tentou esconder a fúria sob a ironia cínica e vociferou na frente de outros colegas jornalistas: "O que você está fazendo aqui? Ninguém aqui quer te ver. Já não teve seus cinco minutinhos de fama?"

Depois foi grosseria atrás de grosseria, protagonizada não por pégasus alados e mitológicos, mas por executivos despreparados para lidar com a imprensa e com a iminência de uma crise. Extravasaram seus sentimentos mais viscerais, como algo próximo a delicadeza da soldadesca montada da Polícia Militar de São Paulo em dia de clássico no Pacaembu ou nas manifestações públicas nos idos dos anos 1960 e 70. Algo ultrajante e acompanhado por diversos companheiros de profissão, como se os executivos da ex-estatal não tivessem tido informações e tempo suficientes para justificar o conteúdo da reportagem. Mas esse era apenas o prefácio.

Com o passar dos dias fui retirado do mailing list da empresa, proibiram-me de entrar ou cobrir qualquer evento nos limites da companhia, deixei de ser atendido pela assessoria de imprensa tanto por telefone como por e-mail – e, para confirmar isso, eu enviava e-mails e telefonava para todos os jornalistas da assessoria, assim não haveria como me enganar ou a assessoria me desmentir.

Não contentes com as privações a um profissional de imprensa em pleno exercício da profissão, a gerência de comunicação da Embraer e sua direção passaram a exigir minha demissão e a retratação em primeira página "das mentiras publicadas pelo jornal".

Na edição de segunda-feira (2/3/2009) da Gazeta Mercantil, o jornalista e diretor do grupo CBM, do qual a Gazeta faz parte, Augusto Nunes, esclareceu em seu artigo mais um dos deprimentes episódios:

"Os exemplares com a informação incômoda começavam a ser distribuídos quando diretores da Embraer chegaram ao prédio do jornal com um dossiê que, além de desmentir a degola agora efetivada, pretendia transformar o autor da reportagem num inimigo jurado da empresa. A chefia da Gazeta não perdeu tempo com a fantasia".

Além de ter virado o bode expiatório da Embraer, a empresa passou a usar de expedientes visando meu prejuízo profissional e pessoal.

Minha relação com a companhia sempre foi pautada pela boa educação, pelo respeito mútuo e sem a menor rusga durante os três anos em que estou na Gazeta Mercantil, iniciados em fevereiro de 2006. Nesses últimos anos dediquei atenção especial ao pólo aeronáutico, particularmente à Embraer – empresa que cubro há mais de vinte anos como profissional de imprensa, dez deles pelo Estado de S.Paulo.

Entre fevereiro de 2006 e dezembro de 2008, produzi 208 matérias jornalísticas enfocando a Embraer pela Gazeta Mercantil, várias com grande repercussão. Foram 79 primeiras páginas assinadas e diversas manchetes nas editorias de Transportes e Nacional.

O jornal

Apesar de a Embraer lançar sua enorme estrutura contra mim, inclusive me desmentindo e me desqualificando constantemente junto a outros órgãos de imprensa, o dia 19 de fevereiro último foi especial. Ali vivi um misto de tristeza pelas 4.273 demissões – a maior da história da fabricante nacional – e pelo impacto sobre a economia do pólo aeronáutico, mas também um sentimento de alívio e de comprovação da seriedade com que tratei o assunto, desde o início.

A verdade tinha prevalecido, assim como o desafio de enfrentar um poder econômico gigantesco como o da Embraer. A liberdade de imprensa foi resguardada pela direções da Gazeta Mercantil e do grupo CBM, num voto claro de respeito à informação responsável e procedente.

Meus editores, que apostaram nas minhas apurações e partilharam comigo os momentos de agonia, puderam comemorar a vitória sobre a truculência de quem acreditou que submeteria o jornal à censura, desta vez de ordem econômica e sob o jugo do poder do capital privado.

Vários colegas de Redação me telefonaram emocionados, alguns chegaram a chorar, pois partilharam a tensão diária que vivi nesses últimos dois meses. Muitos deles tiveram experiências semelhantes ao longo de suas carreiras. Éramos, ali, todos Quixotes contra as pás do moinho da vaidade, da prepotência e da arrogância.

Pesos e medidas

Meu companheiro Luis Nassif não deixou barato as demissões e mandou em sua coluna, no dia 22 de fevereiro, o artigo " A Embraer e o mito":

"Ainda não estão claros todos os motivos que levaram a Embraer a promover a maior demissão que uma empresa privada já fez no país: 4.270 funcionários, 20% de sua força de trabalho. É um gesto com muitas consequências. Numa ponta, indispõe a empresa com os governos estadual e federal, por quem ele sempre foi apoiada. Rompe com uma relação histórica de respeito com os funcionários e com a comunidade joseense. Junto à opinião pública, quebra uma imagem de respeito e invencibilidade."

Nassif voltou à carga mais duas vezes, a última delas no domingo (1/3), sob o título "A Embraer, segundo seu presidente":

"Recebo do presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, carta sobre os problemas enfrentados pela empresa, que culminaram na demissão de 4.200 trabalhadores".

Pelo visto, a Embraer e seus diretores e assessores são contra a informação, não contra a opinião. Pois em nenhum momento houve qualquer tentativa do exercício da humildade e reconhecimento da verdade, por mais explicita que ela seja e esteja. Eu e a direção da Gazeta Mercantil ainda aguardamos explicações sobre tanta ânsia em censurar a verdade e o exercício do jornalismo.

Termino com algo que escrevi em minha defesa na própria Gazeta Mercantil: "Jornalismo não é feito para agradar ou desagradar ninguém. Sua função é informar e formar a sociedade da melhor maneira possível".

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arnaldo boccato , campinas-SP - jornalista e publicitário
Enviado em 10/3/2009 às 19:22:12
Cidadãos como o "administrador" e o "servidor público" (se é que eles são quem afirmam ser, porque a gente já viu vários "personagens" suspeitos, criados aqui no OI e em outros blogs) têm todo direito de expressar suas opiniões, de colocá-las em público. Mas defendem um estado de coisas que remete aos piores anos de nossa ditadura (sem qualquer abrandamento, claro), com censor postado nas redações e oficinas, cerceando a informação. Aceitar o que eles defendem é querer de volta "dona Solange" e seus acólitos, a corrupção escondida sob o manto da "segurança nacional" - ai de quem dununciasse tudo isso! Quem dizer então que a liberdade de expressão para eles e outros, saudosos dos porões ditatoriais, depende de não mexer com os interesses de quem está no poder ou dos "poderosos de plantão". Até prova em contrário, isso foi e é caldo de cultura para o surgimento e "legitimação" das piores e mais violentas ditaduras que vimos e vemos nos últimos 100 anos. Jornalismo e transparência não combinam com isso. Verdade é um excelente antídoto contra ovos de serpente.
Eduardo Pandeló , SÃO JOSÉ DOS CAMPOS-SP - Jornalista
Enviado em 10/3/2009 às 13:57:50
Paulo Neto,Este não é o espaço ideal para esse tipo de debate, o OI se presta a debater a ética, e o trabalho de profissionais de Jornalismo nos diversos veículos de comunicação,mas como espaço democrático, permite os comentários de qualquer pessoa.Não há corporativismo em defender um colega injustamente perseguido por uma empresa.Muitas vezes é necessário explicar o que queremos dizer, e nem todos possuem discernimento suficiente para entender da 1ª vez. Há distância entre o que Vc quis dizer e o que realmente disse.Mas serei objetivo,Funcinários Públicos têm a "FAMA" de pedir,cobrar ou sugerir benécies a quem os procura em troca de soluções para qualquer problema,pode não ser o seu caso,mas é assim que funciona. Ninguém em nenhuma função (e não foi o caso do Júlio) merece tratamente especial para realizar o seu trabalho, por outro lado o Jornalista não conta com o Benefício da lei, que protege o Servidor Público em caso de DESACATO no exercício de sua função.Não queremos paparicos, nem rapapés, queremos apenas acesso a informação através de quem é contratado p /isso.Até para que a própria empresa no caso tivesse a oportunidade de se manifestar.Mas cercear o livre acesso a informação, atacar a liberdade de imprensa, pedir a cabeça de Jornalistas é coisa que pensávamos extinta.Sua opinião foi respeitada neste espaço,e as respostas foram proporcionais as suas manifestações.
Pietro  Galucci , são paulo-SP - empresário
Enviado em 10/3/2009 às 02:05:39
Li e reli os comentários dos sr Paulo Neto e tenho as seguintes considerações. a) Não encontrei em nenhum momento no texto do artigo os absurdos apontados por sr. Paulo Neto. bO Paulo Neto, alías, se mostrou um sr. muito inteligente e perspicaz o suficiente para saber que os desvios que ele aponta no texto de Ottobboni são apenas delírios encomendados c) Fica claro que o sr. Paulo Neto não é gaúcho (ou pelo menos não mora em PA)e muito menos é funcionário público. Trata-se de um funcionário da Embraer que gostaria muito de ter a coragem de publicar seu verdadeiro nome e cargo mas é impedido pelas normas internas da empresa. d) Se serve de consolo ao sr, moro em SP e mesmo ser jornalista tenho a informação de que em julho a empresa planeja mais um corte de funcionários, tomara que o sr. não esteja entre os próximos. e)Pare de vestir a camisa da empresa com a finalidade de defende-la em sites, principalmente escondendo-se com nomes ficticios, o que vc vai fazer? imprimir dezenas de copias de seus comentários e sair mostrando aos seus superiores na embraer para justificar sua lealdade ou para enfatizar que "deu mais uma lição" no jornalista cruel e maldoso que ousou em "peitar" a empresa que paga seu seguro saúde. Em tempo: parabéns ao OI que mesmo sendo patrocinado pela embraer não deixou de "tocar" no assunto e promover o debate
Paulo Neto , PoA-RS - servidor público
Enviado em 9/3/2009 às 17:40:36
Eduardo Pandeló, que contribuição à racionalidade do debate você e o articulista promovem ao atribuir minhas opiniões à condição de funcionário público? Não vou cair na sua cilada de dizer que você só defende o Julio Ottoboni por ser jornalista como ele. Deixei de me manifestei sobre a afirmação de que a estabilidade no emprego leva a uma “visão torpe do mundo” (mensagem de 08-03-2009, 20h30min), justamente porque esse desvio retórico nada acrescenta ao debate. O debate enriquece-se com a força objetiva dos argumentos, não com especulações rasteiras (psicologia de boteco) sobre a influência que um cargo ou uma profissão podem ter na formação de uma opinião. E argumentos você não os tem. Em nenhum momento eu disse que “jornalista pode ser comprado com tapete vermelho, coquetel e presentinhos”: apenas ressaltei que, embora o articulista se queixasse do corte de certas facilidades na Embraer, a empresa não tinha e não tem o dever de paparicar ninguém. Como essa minha posição demonstraria “a falta de ética comum nas repartições públicas do país” é algo que você, se quiser abrir um novo debate, deveria fundamentar direito.
Eduardo  Pandeló , SÃO JOSÉ DOS CAMPOS-SP - Jornalista
Enviado em 9/3/2009 às 15:40:26
Caro Paulo Neto, Funcionário Público Porto Alegre.Talvez o senhor não defendesse tanto a Embraer se o presidente Lula acabasse com sua estabilidade de emprego e o demitisse juntamente com outros milhares de servidores, só porque a crise bateu em uma marola maior que a esperada. Ternho certeza que o senhor gostaria de ser avisado antes, se um Jornalista competente tivesse acesso a essa informação com a antecedência a publicasse. É impressionante como as pessoas se esquecem facilmente dos serviços prestados por jornalistas como Júlio Ottoboni que não têm medo de denunciar seja o que for. Não fosse o trabalho da Imprensa ninguém saber do castelo do Edmar, da Mansão do Jediel, das falcatruas do Collor, do mensalão, e etc...A função do Jornalista é DENUNCIAR, INFORMAR e ter respeitada essa função seja por que for , essa sua idéia distorcida que Jornalista pode ser comprado com tapete vermelho, coquetel, e presentinhos só demonstra a falta de ética comum nas repartições públicas do país, mas que não é compartilhada nas redações de veículos sérios de comunicação. Jornalista nenhum quer piedade ou publica suas impressões em busca de auto piedade. Este espaço democratico serve como autocrítica da uma imprensa livre que reconhece quando erra ou exagera, mas também é o espaço ideal para denunciar perseguições e crimes contra a liberdade da empresa. E A EMBRAER persegue jornalistas.
Paulo  Neto , Porto Alegre-RS - funcionário público
Enviado em 9/3/2009 às 01:17:06
Interessante: o Júlio Ottoboni pode ter essa opinião da Embraer, mas a empresa não pode ter nenhuma opinião sobre ele, e ainda tem o dever convidá-lo para coquetéis, mantê-lo no mailing list, retornar seus telefonemas... O articulista pode achar injusto que alguns tenham estabilidade no emprego e outros não o tenham, mas o fato é que manter postos ociosos na Embraer não vai fazer ressurgir compradores para os jatos da empresa. A crise mundial parece não estar dando muita bola para suas bravatas contra o modo de produção capitalista. Síndrome de Dom Quixote tem (ou deveria ter) limite.. .
Julio Ottoboni , São José dos Campos-SP - jornalista
Enviado em 8/3/2009 às 20:30:49
Sr. Paulo Neto, creio que por ser funcionário público e protegido por lei pela estabilidade no emprego o faz ter essa visão torpe de mundo. Logicamente nem eu e nem os funcionários da Embraer gozamos desta regalia - que pelo visto o sr desfruta. É neste nosso mundo que empresas com lucros astronômicos mentem para seus empregados, sequer buscam uma maneira de minimizar o impacto de colocar 4,3 mil pessoas na rua ou procuram caminhos para contornar o terrível impacto social deste tipo de ação. A reportagam da Gazeta conseguiu alertar a sociedade, sindicatos e governos sobre o desastre iminente, Aqui não tem beicinho ou chororô, coisa que o sr deve ter feito por ter obtido resposta ao mesmo nível de suas ilações absurdas. O que tem aqui é a denúncia de censura ao direito de informar. O que pretendi mostrar neste Observatório é que o exercicio do jornalismo incomoda, inclusive pessoas como o sr. que prefere defender uma empresa que sequer tentou contornar o problema, mentiu para seus empregados e à sociedade, optou por uma demissão em massa e negou sua responsabilidade social. E foi procurar externar sua fúria diante da indignação pública em um jornalista. Ações típicas da hipocrisia dos que defendem um capitalismo mercantilista que só visa o lucro e descarta pessoas. Então, antes de tecer ou atacar algum profissional de imprensa, vá se informar do que ocorre no mundo real.
Paulo Neto , Porto Alegre-RO - servidor público
Enviado em 8/3/2009 às 19:30:40
Chama a atenção alguém que se diz tão defensor da liberdade de imprensa tratar com tanta agressividade quem critica seu trabalho. Aliás, não critico a sua matéria sobre as demissões, mas o seu beicinho com Embraer e a forma como você tentou se colocar no centro da notícia com o artigo publicado neste site. Você não pode desconsiderar que, embora tivesse o direito de antecipar ao público as demissões, sua matéria tornou ainda mais desgastante a adoção de uma medida dura (mas necessária) por pate da Embraer. Como querer ser recebido de tapete vermelho na empresa na qual você tem informantes que vazam informações sigilosas? Em que mundo você vive? Se você estava fazendo seu trabalho ao vazar a notícia sobre as demissões (isso é liberdade de imprensa), a administração da Embraer também estava fazendo o dela ao negar facilidades de acesso a quem faz uso de informações sigilosas da empresa (isso é liberdade de gestão). Da próxima vez, seja mais profissional: dê a notícia, mas poupe os leitores do OI de seu chororô. Sobre o que você sentiu com a demissão dos funcionários, está muito claro no trecho em que você fala sobre o dia 19-02 (data da confirmação da notícia): "um misto de tristeza pelas 4.273 demissões (...) e pelo impacto sobre a economia do pólo aeronáutico, mas também um sentimento de alívio e de comprovação da seriedade com que tratei o assunto".
Julio Ottoboni , São José dos Campos-SP - jornalista
Enviado em 8/3/2009 às 01:21:25
O sr. Paulo Neto coisa triste não é o jornalista revelar o bastidor da notícia, mas ter ainda ler comentários como o seu. Em que parte do meu artigo digo que fiquei aliviado com as demissões ou deixo isto subentendido? O sr acha que exista dentro da prática responsável do jornalismo alguma satisfação em noticiar esse tipo de acontecimento? Provavelmente, em sua linha de raciocínio, eu devo também ser o responsável pelas 4,3 mil demissões por tê-la noticiado com antecedência. Felizmente tenho a noção clara de minha responsabilidade social e posso dormir tranquilo sim, pois cumpro minhas obrigações como profissional e cidadão, sem covardia e omissão.
Andre  Freire , são paulo-SP - jornalista e diretor do sindicato dos jornalista de SP
Enviado em 8/3/2009 às 00:56:24
A Embraer não economizou. Com pane na sua política de Recursos Humanos, aterrisou sua reputação no pântano da censura ao retaliar o jornalisa Júlio Ottoboni, pela informação, correta e bem apurada da demissão 4 mil funcionários, publicada na Gazeta Mercantil. Esperneou, proibiu o jornalista de entrar na empresa e de obter mais informações, pediu sua cabeça à direção do jornal, humilhou-o profissionalmente, desmentindo a notícia e, por fim, demitiu 4 mil e 300 trabalhadores como havia noticiado o jornalista. Algumas verdades só aparecem em momentos de grande intensidade, de grandes comoções para o bem ou para o mal. Do pretenso golpe programado pela Embraer para demitir em massa e do ataque ao jornalista, pelo fato de estar fazendo o jornalismo que a sociedade precisa, podemos tirar algumas lições. Ficou reiterado que os interesses das empresas não coincidem com os interesses dos seus trabalhadores, meras peças de reposição no sistema produtivo e que a comunicações corporativa e a publicidade são o compromisso máximo que as empresas assumem para se relacionarem com o público. No episódio ganhou a sociedade, por poder rever sua crença na comunicação social, o jornalismo, visto como fator primordial para a formação da consciência pública e os jornalistas que viram sua profissão honrada pelo exercício da boa técnica e da ética profissional.
Andre  Freire , são paulo-SP - jornalista e diretor do sindicato dos jornalista de SP
Enviado em 8/3/2009 às 00:52:25
É incrível, mas é só um jornalista fazer um bom jornalismo e cumprir sua função social para ser ameaçado, por algum interesse, político, econômico, criminoso ou, às vezes, todos de uma só vez. Isso é tão velho quanto o linotipo. Ou mais. Desta vez foi a Embraer, uma das mais conceituadas empresas nacionais, uma das mais importantes empresas do mundo, a mostrar suas garras. Contrariando a aura de modernidade que a envolve, seja pelo produto de alta tecnologia agregada que fabrica, pela internacionalização das suas relações ou pela imagem que vende aos seus stakeholders de empresa socialmente responsável, surpreendeu a todos, agindo, por um lado, com os conceitos de RH de uma tecelagem do século 19 e, por outro, como uma fazenda escravista que ainda não aprendeu a conviver no mundo republicano, no qual deve imperar a liberdade necessária para o exercício, sem constrangimento, da informação pública. Pretender sem escrúpulos, num momento de pânico causado pelo temor do desemprego (leia-se famílias passando necessidades básicas) que mais de 20% de seus funcionários fossem simplesmente surpreendidos pela carta de demissão é, no mínimo, cruel e fora dos padrões civilizatórios do Século 21. Desejar fazer isso na surdina e sem o conhecimento público é, no máximo , um desprezo pela democracia que devemos aperfeiçoar à perfeição. Continua...
saulo fidelis , Pindamonhangaba-SP - administrador de empresas
Enviado em 7/3/2009 às 23:28:37
O calvário vivido pelo jornalista Julio Ottoboni merece ser divulgado à farta, como exemplo de tenacidade , compromisso e profissionalismo. Também merece ampla divulgação a truculência exercida pelo corpo diretivo da Embraer, tremendamente nauseante, em termos administrativo, ético e cidadão. Quanto ao autocognominado "administrador", Helcio Lunes, bem, esse , pela dimensão das bobagens que perpetrou, só merece uma coisa : o limbo.
Paulo Neto , Porto Alegre-RS - Servidor público
Enviado em 7/3/2009 às 12:21:26
Julio Ottoboni, seu antigo professor estava coberto de razão: coisa triste quando um jornalista faz de si mesmo uma notícia. Se a lição do mestre tivesse sido seguida, os leitores seriam poupados da informação sobre o seu alívio com a demissão de 4.200 trabalhadores. Que pelo menos você durma em paz agora.
arnaldo boccato , campinas-SP - jornalista e publicitário
Enviado em 6/3/2009 às 11:10:02
O autodenominado administrador (sic) que postou mais abaixo defende a lei do silêncio e a censura em nome da eficiência de "gênios" do RH. Qualquer apostila de curso médio aponta como fundamental a transparência e a lisura nas relações de uma empresa socialmente responsável com seus funcionários, a comunidade, governo, fornecedores etc. O que o cidadão defende é típico dos tempos em que RH era caixa preta - seria impossível aceitar o termo "administração" aqui, porque isso deleitava os fãs da ditadura: eles podiam fazer na empresa o que generais, burrocratas e políticos faziam nos gabinetes, o poder pelo poder, se possível, absoluto. Claro que a Embraer tem todo direito de demitir 4000, e até o dever, ainda mais se isso ameaça a sobrevivência ou a saúde da empresa, por mais insensível que isso possa soar. Tem direito mas tem que assumir as responsabilidades decorrentes dessa decisão no que se refere à sua imagem e posição empresarial. A partir de agora, o presidente da ex-estatal-mas-nem-tanto abriu a porta para duvidar dos próximos anúncios sobre a venda de aviões. Será que alguém tirou dos armários da empresa um esqueleto da ditadura? Ou ele estava lá, vivinho da silva, o tempo todo e ninguém percebeu porque as coisas andavam bem? Deve ser disso que o tal "administrador" tem saudade.
Eduardo Pandeló , São José dos Campos-SP - Jornalista
Enviado em 5/3/2009 às 12:22:46
Para Sr Hélcio Nunes "Adminitrador"1 Qualquer Jornalista que cubra qualquer empresa deve ser tratado sempre da mesma maneira. Pois quando a Empresa quer "Plantar" uma notícia em veículos de comunicação em geral, suas Assessorias enchem nossas caixas de mensagem com Press Releases coloridos, informando os resultados, os novos negócios e os novos produtos ou serviços da empresa, sempre com objetivo de ganhar a Mída Gratuita. Mas na hora da crise se escondem com medo da Verdade. Se o Insensível admnistrador lêsse a matéria veria que a empresa foi procurada para comentar a notícia e se justificar . Se a EMBRAER não fez nada de ilegal o Jornalista também não.Então porque ao invés de simplesmente negar ou desmentir, preferiu perseguir e pedir a cabeça do profissional. Não estamos em regime de excessão, vivemos liberdade de imprensa e de opinião.Quem faz "beicinho" agora é o Presidente da EMBRAER posando para fotos com cara de triste, quando na verdade não tá nem aí com a "hora do Brasil". Ridículo é tentar desqualificar um profissional que fez o seu trabalho informar doa a quem doer, ao contrário do administrador que apesar da crise anunciada, contratou com irresponsável euforia, para depois demitir sem dó. Lembro que a EMBRAER anunciou com alarde as contratações nos ultimos dois anos, mas tentou esconder as demissões,inclusive escolhendo a véspera do Carnaval para agir, covardes.
José de Souza  Castro , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 5/3/2009 às 12:06:32
"Se tivesse feito isso, saberia que o indicado em situações semelhantes é exatamente o sigilo, e a rapidez com que os cortes sejam feitos! Dói muito menos para a empresa, e também para o empregado". Ah, bom! E quem pensa assim, claro, se vê desimpedido para criticar a ética do repórter. Ainda bem que nem todo administrador pensa assim!
Fábio Gomieiro , Guarulhos-SP - administrador
Enviado em 5/3/2009 às 10:15:34
Sou administrador de empresas, inscrito no Conselho Regional de Administração do Estado de São Paulo, e minha formação profissional se deu em faculdades conceituadas do Município de São Paulo. Fico chocado com as opiniões de colegas administadores que não têm um mínimo de respeito e consideração para com os trabalhadores (seres humanos), considerando-os simples "coisas" facilmente descartáveis.
Roberto Ribeiro , Aracaju-SE - Arqueólogo
Enviado em 5/3/2009 às 09:28:09
"Rechecagem"! Pelo amor de Deus! Nas escolas de jornalismo é proibido uzar a palavra "verificação"? É desconhecida a palavra "confirmação"? Pelos céus! Pobre língua portuguesa!
hélcio Lunes , São Paulo-SP - Administrador
Enviado em 4/3/2009 às 21:04:04
Como deve agir uma empresa quando o jornalista que a cobre, trata um processo legal de demissão como "golpe"? Claro que a Embraer não queria falar com o jornalista!!! Ainda mais que o próprio declara com a maior candura, que as informações vinham de dentro da empresa! Cortar pessoal já é uma coisa suficientemente desagradável para ter que lidar também com comportamento pouco ético, de gente que quer dar sua manchetezinha custe o que custar. O jornalista não cuidou de ouvir especialistas em gestão. Se tivesse feito isso, saberia que o indicado em situações semelhantes é exatamente o sigilo, e a rapidez com que os cortes sejam feitos! Dói muito menos para a empresa, e também para o empregado. A Embraer não fez nada ilegal, e prova disso é que o fundador da CUT, Luis Inácio, fez carnaval, beiçinho, mas no fim não fez absolutamente nada. Mesmo porque não havia nada a se fazer! Esse caso não tem nada a ver com censura! Ou o jornalista não lida com coisas sigilosas? Lamentável que jornalistas adultos, se comportem como...digamos...Jade Barbosa, e abram o bocão! O que é isso? Onde é que estamos? Esse é o equilíbrio e o distanciamento que se espera de "profissionais" da imprensa?
Adhemar Oricchio , são paulo-SP - jornalista
Enviado em 4/3/2009 às 19:48:43
Parabéns pela sua firmeza e seu profissionalismo. É de homens e, principalmente, de jornalistas como você que o Brasil precisa. Velho companheiro conte com a minha solidariedade e meu apoio.
Fábio Gomieiro , Guarulhos-SP - administrador
Enviado em 4/3/2009 às 16:11:07
Hoje pela manhã, no jornal Gente da Rádio Bandeirantes, ouvi a informação de que a Embraer está instalando fábrica em Portugal, criando 500 empregos!!! Será com financiamento do BNDES?
Jose Scarpel , Sao Jose dos Campos-SP - Contabilista
Enviado em 4/3/2009 às 11:56:31
Julio Otttoboni. Xeque Mate.
leandro pereira , brusque-SC - desenvolvedor
Enviado em 4/3/2009 às 11:29:02
Um dos melhores artigos que já li no Observatório. Parabéns pela coragem, responsabilidade e profissionalismo.
Oton Barros , São José do Campos-SP - Cientista
Enviado em 4/3/2009 às 09:44:23
Caro Júlio, Nesse momento em que você sofre essa agressão completamente anti-ética da parte da Assessoria de Imprensa da Embraer, nós aqui do INPE nos solidarizamos com você. Assessoria de Imprensa não é para qualquer um. A atitude dessa pessoa foi um tiro no pé da empresa. Sugiro que o processe junto ao orgão de classe do jornalistas. É na hora da adversidade que o joio é separado do trigo. Abraço, Oton Barros
Júlio Ottoboni , São José dos Campos-SP - jornalista
Enviado em 4/3/2009 às 07:43:57
Indico aos interessados em conhecer maiores detalhes sobre o assunto que entrem na editoria Entre Aspas", neste site, e vejam o item Gazeta Mercantil. Obrigado pelas manifestações de apoio e solidariedade.
Lourdes Rodrigues , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 4/3/2009 às 07:28:58
Como companheira de jornal acompanhei todo o drama vivido por Júlio. Senti revolta por uma empresa, que se acha intocável, agir de tal forma com um jornalista sério e competente, figura que vem sendo tomada em muitas redações por pessoas não tão sérias e mais comprometidas com o próprio bem-estar e regalias do que com a notícia. Parabéns Júlio, pois como dizem: a Justiça tarda e, às vezes, não falha.
Ana Purchio , São Paulo-SP - jornalismo
Enviado em 4/3/2009 às 00:55:18
Julio Ottoboni estou feliz em ler este artigo! Sou profissional da Comunicação como você e me causa frustração em saber que no exercício de nossa profissão temos que nos deparar com a omissão, a mentira deslavada e o jogo de interesses. Vivemos uma crise mundial, que reflete muito no Brasil, pois o mundo globalizou-se e parece que continuamos com a pecha de "este Pais não é sério". Há uma nova ordem mundial: hoje o importante é estar empregado! E muitos dos nossos amigos de profissão se esquecem que no exercício da profissão e da sobrevivência há que colocar na balança dois pesos e duas medidas. Defender o interesse da empresa em que trabalhos é correto desde que não prejudique o outro. Então vale refletirmos se a crise não é só econômica e social, mas também ética, moral e espiritual. Termino o meu comentário com uma frase que pratico sempre e ensino os meus filhos: nunca faça aos outros aquilo que você não quer que façam com você! Esse é o meu recado aos profissionais da diretoria e da Comunicação da Embraer. O mundo precisa de boas atitudes para superarmos qualquer crise! Abraço.
Fernando  Ito , Taubaté-SP - escultor
Enviado em 3/3/2009 às 22:41:53
Julio Conheço há mais de um quarto de século, essa sua capacidade de transgredir dessa sagacidade do caipira, do matuto ,do observador do qual paga o preço e sempre pagou de suas convicções de um homem pleno de suas atividades; ser arrojado e não ser temido tem o seu preço e no final acreditando que as razões de não se prostituir e acreditar profundamente na certeza que a velocidade da informação é atingida e essa mira sempre será acertada. E essa foi um tiro certeiro na mosca, você só transformou um exército em seu favor e é assim que se faz num país democratico. A democracia é burra e precisa de uma liderança, o mais legal de tudo e que os profissionais que formam esse exercito acreditaram piedosamente e num surto e loucura da embraer prevaleceu sua verdade, que não foi um furo e sim um rombo de um profissional comprometido e sério. Valeu Julio por existir e ser meu amigo Fernando Ito
Jose pasquarelli junior , são josé dos campos-SP - jornalista
Enviado em 3/3/2009 às 21:37:30
Com a matéria de dezembro e com este precioso e preciso relato Júlio Ottobonni conseguiu duas grandes proezas: provar que jornalismo sério é um sacerdócio acima de qualquer suspeita e deixar para todos, talvez um dos maiores cases negativos de comunicação corporativa. O cuidado na apuração da matéria, a reação da empresa e o desfecho jornalístico são dignos de ser apresentados em palestras ad infinitum para que não seja jamais esquecido. Parabéns ao Júlio e aos editores da GMercantil é isso mesmo.as vezes é preciso mostrar os dentes e "bancar" os profissionais de verdade.
José de Souza  Castro , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 3/3/2009 às 20:13:37
A diretoria da Embraer acostumou-se tanto a ouvir elogios da imprensa nos últimos anos, que ficou soberba, e à primeira tempestade num céu de brigadeiro entrou em pânico. Jogou pra baixo todas as belas teorias de atenção aos stakeholders e coisa e tal e, antes de demitir mais de 4 mil empregados, tenta até tirar o emprego do repórter que noticiou em primeira mão a chegada do mau tempo. Parabéns a Ottoboni pelo furo. Lamento a pressão que ele sofreu por ter trabalhado bem, e lastimo a situação dos colegas que por quase três meses comeram mosca nessa pauta.
dante caleffi , rio de janeiro-RJ - publicitário
Enviado em 3/3/2009 às 19:32:19
Os executivos da Embraer,serão competentes para administrar a empresa nessa crise,que não poupa amadores? É questionável,considerando a inabilidade de conduzir a informação,vazada, por negligência . A questão de como dirigir nessa turbulência,em que todos cheguem são e salvos ao seu destino,deveria,ser prioridade do conselho de acionistas da empresa.
Lincoln Macário , Brasília-DF - Jornalista
Enviado em 3/3/2009 às 18:23:59
Parabéns pelo furo! Meus pesames pelo drama. Deixo minha solidariedade e minha admiração pelo belo relato e, principalmente, pelo belo trabalho que me reavivou a (pouca) fé que ainda tenho no jornalismo.
Elvis Cley Matos Almeida , Cuiabá-Mt - Estudante Jornalismo
Enviado em 3/3/2009 às 18:18:33
Relato emocionante... Muitos dirigentes possuem uma visão defensiva ao se tratar da imprensa, que como instrumento de informação está disponível para escancarar e mostrar a verdadeira face de quem os encena. Certamente a Embraer têm nestes seus mandantes celebres. Como diria Boris Casoy:" Isto é uma vergonha"[2]
claudio  rocha , São Paulo-SP - Consultor de Viagens
Enviado em 3/3/2009 às 17:09:30
Emocionante o seu relato.Me comovi com a sua narrativa, desde o primeiro paragrafo.E posso imaginar - com um frio na barriga - quão tenso foram esses dois meses. Acredito que a direção da Embraer, preferiria que nesse periodo de turbulencias, sua diretoria fosse mostrada numa Ilha de Caras, ou que mesmo com todas as demissões, vc ficasse elogiando a capacidade deles de gerenciamento e administração. Como diria o nosso ilustre Boris Casoy:"Isso é uma vergonha"!!
kelly aquino , belo horizonte -MG - estudante de jornalismo
Enviado em 3/3/2009 às 15:01:58
Infelizmente neste caso a liberdade de Empresa tenta dilacerar a função do jornalismo de informar, a Embraer se mostrou arrogante e com descaso para enfrentar o problema de frente. Ottoboni, quero parabenizá-lo pela sua coragem e profissionalismo, realmente o jornalista de qualidade deve ser valorizado, vou me inspirar em você.
Sandra Gonçalves , Curitiba-PR - jornalista
Enviado em 3/3/2009 às 14:18:51
Julio: Felizmente todas esses gestos de arbitrariedade não calarão sua voz corajosa. Siga na batalha!
Ibsen Marques , CACAPAVA-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 3/3/2009 às 13:25:47
Eduardo Pandeló, a imprensa valeparaibana precisa dar ampla divulgação a esses fatos que desrespeitam os funcionários da Embraer e a população do Vale. Será essa a contribuição da Embraer diante de uma crise que ainda está por atingi-la? Muitos dirão que em uma empresa privada o lucro é o que importa e, se os tempos difíceis estão a caminho não há outra alternativa que não as demissões. Enganam-se. Os funcionários, a comunidade, as empresas fornecedoras e mesmo a imprensa fazem parte não só do capital social da empresa, mas também contribuem em larga escala para sua saúde financeira. Muitas etapas de negociação foram queimadas pela Embraer. A quebra de confiança em momentos de crise pode ser fatal. Infelizmente muito pouco se pode esperar de executivos e assessores de imprensa capazes das atitudes acima narradas.
Vana Allas , São José dos Campos-SP - Jornalista
Enviado em 3/3/2009 às 13:24:55
Não é de hoje, a força industrial e financeira da Embraer tem cegado alguns de seus funcionários que passaram a se achar acima do mercado (além da instabilidade que, feliz ou infelizmente, é fator comum em todas as áreas da economia e da vida humana). Este posicionamento imaturo (pode ser até desesperado) junto a real importância da empresa, acabam em reações absurdas como em que passou o jornalistas Ottoboni. Se a informação fosse prejudicial à empresa (e às milhares de famílias que dependem dela) e à nação, este assunto deveria ser debatido com seriedade e educação, junto ao jornalista que continha a informação.
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 3/3/2009 às 13:06:48
A direção da Embraer parece estar ainda muito próxima dos anos de ferro da, segundo a Folha, Ditabranda. Não negocia, não cede e não informa: É onipotente; faz e acontece; você sabe com quem está falando?? Fiquei realmente surpreso porque se a Gazeta publicou a matéria dia 11/12 e já há 20 dias o Júlio vinha investigando as denúncias, então a decisão da Embraer tem motivos bem mais profundos do que a crise mundial. Todos sabemos que esses momentos são grandes oportunidades para reestruturação de empresas com problemas ou com muita capacidade ociosa e, como não houve nenhuma negociação prévia com os funcionários, acho que foi bem esse o caso. Aqui no Vale a Embraer é o grande exemplo de quebra de confiança entre empresa, comunidade, trabalhadores e governo. Há outros em menor escala, como a GM por exemplo. Grave também foi o fato de o Lula não ter conseguido absolutamente nada em sua conversa com o presidente da embraer. Parece que ele perdeu o tino sindicalista. Grave também é o fato de que como grande acionista que é, o governo sequer soubesse da trama. Bem [ ] mesmo a atitude de uma empresa que pleiteia vanguarda em tecnologia e administração. É realmente uma pena, pois a Embraer gozava de muito prestígio aqui no Vale do Paraíba.
Eduardo Pandeló , São José dos Campos-SP - Jornalista
Enviado em 3/3/2009 às 12:48:41
Como Jornalista e Apresentador do Jornal Piratininga no rádio acompanhei o drama de nosso colega e companheiro Julio Ottoboni, desde o dia da Notícia em Dezembro de 2008, que fizemos questão de colocá-lo no ar, conhecendo a reputação e competência do Júlio, para que Ele ao vivo desmentisse as declarações (essas sim levianas) do Presidente da Embraer. Revolta, a forma desrespeitosa em que as Assessorias de impresna nos procuram para divulgar grandes feitos de suas empresas, mas ao menor sinal de crise utilizam-se da Tática do Avestruz, se escondendo (como mandam seus patrões) e se furtando do objetivo de informar e administrar a crise, fugindo do "Nada a Declarar" . Pior que isso, é que em pleno século XXI ainda tenhamos que sofrer perseguição ao trabalho e a contribuição inegável que a imprensa dá à sociedade brasileira. Onde estão os "colegas" que se apressaram em defender a Embraer, aceitando a palavra oficial de seu Presidente como verdade absoluta, ignorando , e tentando desqualificar este profissional de reconhecidos serviços prestados inclusive à própria empresa ao longo de mais de 20 anos de Jornalismo ? Ao pessoal do "copia e cola" dos tempos da internet e da informação etérea, preferindo acreditar em um Presidente que apenas pensando em salvar o valor de suas ações na bolsa, MENTE, DescaradaMENTE, incessanteMENTE, irresponsavelMENTE, LEVIANAMENTE. PARABÉNS JÚLIO
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