ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 531 - 9/2/2010
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FORMAÇÃO DO JORNALISTA
Uma decisão histórica sobre o diploma

Por Elias Machado em 31/3/2009

Nesta quarta-feira, dia 1º de abril, o Supremo Tribunal Federal aprecia o parecer do ministro Gilmar Mendes sobre o recurso do Ministério Público Federal contra a decisão do Tribunal Regional Federal de São Paulo, que manteve a exigência da formação superior específica e o registro na Delegacia Regional do Trabalho para o exercício da profissão de jornalista, quando do julgamento da liminar concedida pela juíza substituta Carla Rister, em 2001, que possibilitou a todos o ingresso no jornalismo profissional, sem a necessidade de qualquer formação especializada, superior ou não.

A apelação sustenta, com o apoio da Procuradoria-Geral da República, que os pré-requisitos contidos no Decreto-Lei 972/69 são contrários aos artigos 5º e 220 da Constituição Federal de 1988, que afirmam que é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer e que a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

Qualquer que seja o pronunciamento final do STF, a decisão será histórica e provocará profundas conseqüências na organização da imprensa no país, na consolidação dos jornalistas como uma categoria profissional, no modelo adotado no ensino superior para a formação de jornalistas e, acima de tudo, na qualidade das informações a que terão acesso todos os cidadãos.

Direito inalienável

A tese sustentada pela apelação, da inconstitucionalidade da exigência de formação superior específica e do registro no Ministério do Trabalho, como evidenciado na decisão do Tribunal Regional Federal de São Paulo, que acolheu o recurso da Federação Nacional dos Jornalistas, contraria em parte o conteúdo manifesto na Constituição de 1988, que afirma que "é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, desde que atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer".

Ora, como atividade especializada cujo exercício pressupõe o domínio de conhecimentos conceituais, técnicos e deontológicos, o jornalismo constitui-se como profissão regulamentada desde 1969 e está formalmente integrado ao sistema de ensino universitário há 60 anos, com mais de 380 cursos oferecidos em todas as unidades da federação, existindo, pois, como de resto em todas as demais profissões regulamentadas, exigências legais para a atuação como jornalista profissional.

Como não poderia negar a existência da legislação que determina o cumprimento de pré-requisitos para a prática do jornalismo, uma limitação que como se verificou está prevista no texto constitucional, coube, como última alternativa à apelação, instar o STF a se pronunciar sobre a constitucionalidade ou não do Decreto-Lei 972/69, alegando que representa um dos resquícios vigentes do entulho autoritário imposto durante a ditadura militar de 1964-1985.

A discussão proposta pela apelação sobre a exigência da formação superior vem sendo feita em termos da interpretação da sua constitucionalidade ou não, uma posição que, quando da apreciação do mérito do caso, torna-se muito questionável, uma vez que desconsidera o plano concreto dos benefícios que a medida trouxe para a qualificação da imprensa, para a dignidade da profissão de jornalista, para a consolidação do jornalismo como área científica e acadêmica e para a democratização do acesso às informações na sociedade. Mas, antes de argumentar sobre as conseqüências negativas da prática do jornalismo por qualquer um, independentemente de ter formação superior ou não, creio que seja essencial salientar que a possibilidade da manifestação do pensamento individual, direito inalienável de todo cidadão, jamais deveria ser confundida com o exercício de uma profissão.

Conteúdo menos diversificado

Como se pode comprovar de forma empírica no caso da informação jornalística, em nenhuma sociedade fundada no Estado Democrático de Direito existe a garantia da liberdade do exercício profissional para todos os indivíduos, cabendo a sua produção e disseminação a profissionais especializados, que atuam de acordo com as normas previstas na forma da lei e respondem criminalmente pelos excessos cometidos.

A grande maioria das pessoas, em qualquer que seja o país democrático, como ocorre com o exercício das demais profissões regulamentadas, está alijada do processo de produção de informações jornalísticas, seja porque não reúne as competências necessárias para atuar na função, seja porque a atuação na área pressupõe dedicação plena e o vínculo como contratado ou colaborador com as instituições do ramo.

O que cabe discutir aqui, portanto, é em que medida a formação superior especializada contribui para melhorar a qualidade das informações difundidas, para aumentar a dignidade dos trabalhadores deste setor, para a legitimação desta área acadêmica e científica e para a democratização da sociedade.

A simples consulta às coleções de jornais publicados até meados dos anos 50, no século passado, existentes nas bibliotecas e museus, permite avaliar que, com a exceção dos articulistas ou cronistas, antes da exigência da formação superior específica o conteúdo das informações era menos diversificado, a qualidade do texto das notícias e a exposição gráfica sofríveis, o rigor na apuração quase inexistente e a falta de objetividade aceita como algo normal e inquestionável.

Uma vida de penúria

Até as reformas editoriais desenvolvidas nos anos 1950, por coincidência logo depois da criação dos primeiros cursos de Jornalismo no país, sem o menor constrangimento um jornal de elite, como o Jornal do Brasil, reservava quase toda a primeira página para publicar anúncios, como se fosse natural que o espaço mais nobre do jornal fosse ocupado pela publicidade em detrimento do conteúdo editorial. Uma prática deplorável, por sinal, mais comum hoje do que seria recomendável nas capas dos cadernos das edições dominicais de alguns jornais de referência do Rio de Janeiro ou de São Paulo.

Com todos os defeitos que a imprensa atual possa apresentar – e não se pretende negar aqui as deficiências do nosso jornalismo, como chamamos a atenção na volta da publicidade sem limites, na falta de objetividade em períodos eleitorais ou de erros grosseiros de apuração, como no caso da Escola Base –, dificilmente, se fizermos uma análise objetiva entre a imprensa antes e pós-regulamentação profissional, poderíamos afirmar que existem evidências de que a exigência da formação superior provocou uma queda na qualidade do jornalismo praticado no país em quesitos como: diversidade de conteúdos, rigor na apuração, objetividade no tratamento das fontes, nível do padrão estético adotado e aplicação de normas éticas, apenas para citar alguns aspectos que poderiam ser sistematicamente avaliados.

Aos defensores da volta ao passado, recomendo uma leitura atenta das memórias e biografias de jornalistas da velha guarda, que atuavam antes da exigência da formação superior, para que possam ter uma noção da situação de penúria vivida pelos colegas de então, obrigados a se dividirem entre três e quatro empregos. "A imprensa daquela época", como relembra o célebre repórter gaúcho Carlos Reverbel no livro de memórias Arca de Blau, "costumava estimular o segundo, o terceiro e o quarto emprego, como garantia de que o jornalista, assim, não perturbaria o patrão com os inconvenientes pedidos de aumento de salário."

Padrão que não deixa a desejar

No caso de Reverbel, que dividia o tempo entre a Caldas Júnior (Correio do Povo e Folha da Tarde), a assessoria de imprensa do secretário de educação, Coelho Souza, e as colaborações com a Revista do Globo, as três fontes de renda, reunidas, não eram suficientes para que o padrão de vida do jornalista ultrapassasse o nível das pensões e dos restaurantes baratos. Se alguém pensa que a situação de Reverbel representava uma exceção está enganado. Ocupação desprezível, o jornalismo era considerado um trampolim para a vida política ou para um emprego público. Nem sequer piso salarial existia. Era comum, como relata Carlos Heitor Cony, em Quase memória, o pagamento na forma de vales, serviços ou mercadorias, como acontecia com o pai de Cony, quando trabalhava no Jornal do Brasil.

A falta de dignidade para o exercício da profissão levou jornalistas de renome, como Simões Lopes Neto e Lima Barreto, a passarem por várias dificuldades financeiras. Lima Barreto, como antes fizera Machado de Assis, que trabalhou no Ministério de Obras, dependia do emprego de amanuense no Ministério da Guerra, tendo que colaborar ao mesmo tempo com diversas publicações. Simões Lopes Neto, durante uma boa parte da vida de colaborador, sequer recebia salário e, quando morreu, deixou a família na mais absoluta miséria, sem direito a uma pensão que garantisse o mínimo necessário para a sobrevivência da mulher e da filha adotiva. Consagrado como bico, o jornalismo não era considerado uma profissão e o jornalista, conseqüentemente, tampouco era tido como um profissional que deveria ser retribuído por seu trabalho.

A exigência da formação superior contribuiu para o aumento do nível intelectual dos jornalistas, garantiu um respeito público e dignidade para a profissão, que alcançou status universitário, e, mais importante que todos estes fatores, repercutiu favoravelmente nos salários pagos, através da criação dos pisos salariais mínimos, que agora tinham que ser compatíveis com uma profissão exercida por um bacharel. Com um nível cultural mínimo para o ingresso na profissão, a imprensa brasileira atingiu, nos melhores exemplos, um padrão que nada deixa a desejar aos demais países e, no caso da universalização da formação superior, abriu caminho para um modelo que faz com que o Brasil hoje ostente índices de formação superior na área de jornalismo acima dos alcançados por Estados Unidos, França, Itália e Inglaterra.

Avanços acadêmicos

A obrigatoriedade da formação superior específica ao mesmo tempo em que resultou, em parte, da própria criação dos cursos de Jornalismo no final dos anos 40, atendendo a uma reivindicação histórica dos jornalistas que remontava ao começo do século, com o trabalho do catarinense Gustavo Lacerda, colaborou para a disseminação dos cursos superiores por todas as unidades da federação e estimulou o estudo científico do jornalismo. Em meados dos anos 1950, o total de cursos se resumia a meia dúzia, limitando-se a formação a estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul. Hoje, o número de cursos ultrapassa a marca dos 380, com mais de 10 mil titulados por ano em todos os estados do país.

Como ocorre em todas as áreas do conhecimento, a formação superior levou à constituição de expressiva comunidade de professores de jornalismo, estimada hoje em mais de 4 mil profissionais. A chegada dos jornalistas aos bancos acadêmicos fez com que mudasse por completo o perfil dos cursos de Jornalismo, antes muito desvinculados do mercado de trabalho, uma vez que a maioria dos docentes vinha das Humanidades, tendo pouca ou nenhuma vivência com o cotidiano da profissão. Se antes o ensino do jornalismo era visto como um bico ou a única alternativa para profissionais mal sucedidos, cada vez mais, os cursos de Jornalismo contam em seus quadros com jornalistas renomados, com experiência comprovada na realidade de mercado.

A consolidação do jornalismo como área acadêmica possibilitou que o estudo científico do jornalismo obtivesse legitimidade, transformando o Brasil em um dos países que possui uma das comunidades científicas mais significativas no mundo. Na atualidade, a Associação Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo conta com mais de 380 associados, sendo mais de 160 doutores, vários deles integrantes do quadro de pesquisadores do CNPq, privilégio inimaginável para um jornalista contemporâneo de Machado de Assis ou Carlos Reverbel, que nem ao menos eram merecedores de um piso salarial mínimo como contrapartida ao trabalho realizado nas redações, sendo forçados ao duplo emprego e à mamata nos cargos públicos.

Ofício indigno ou avanço profissional

Como qualquer atividade profissional em uma sociedade complexa como a nossa, o jornalismo pressupõe uma formação superior específica. O grau de especialização do conhecimento nas mais diversas áreas de cobertura exige que o profissional do jornalismo tenha uma formação conceitual, técnica e deontológica que possibilite uma compreensão objetiva da realidade. A rigor, o conhecimento científico existente sobre o jornalismo impede que um leigo possa desempenhar a prática profissional com um mínimo de qualidade, como antes acontecia nos tempos da imprensa artesanal e de uma sociedade infinitamente menos complexa.

Se a exigência da formação superior específica garantiu a dignidade dos profissionais, melhorou a qualidade média do jornalismo, democratizou o acesso aos cursos e legitimou o jornalismo como objeto científico a pergunta que fica é: a quem interessa a volta ao passado, com o fim destas conquistas históricas de toda a sociedade? Certamente não é ao cidadão que necessita de informações de qualidade, apuradas com rigor e objetividade, para se posicionar e participar ativamente na esfera pública, muito menos aos profissionais do jornalismo e às comunidades científica e acadêmica da área.

Cabe agora ao STF julgar o caso e promulgar uma decisão histórica que, dependendo da sentença, pode reconduzir o Brasil aos tempos em que o jornalismo era um ofício indigno, um bico exercido por qualquer um, ou, ao contrário, reconhecer os avanços de mais de 60 anos de ensino universitário de jornalismo no país e de 30 anos de regulamentação profissional e confirmar o acórdão publicado pelo Tribunal Regional Federal de São Paulo, que manteve a constitucionalidade da exigência da formação específica para o exercício do jornalismo.

Comentários (29)
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Amanda  Cotrim , Campinas-SP - atriz
Enviado em 6/4/2009 às 20:30:31
Estive na manifestação, dia 1 de abril, em favor do diploma lá em Brasília. Eu sempre tive dúvidas quanto a questão da obrigatoriedade do diploma, mas de uns tempos para cá estou sustentando a idéia de que para se exercer o jornalismo tem de ser jornalista, e para ser jornalista, simbolicamente, tem de ter o diploma! Qualquer pessoa dotada de capacidade crítica, argumentativa e semântica pode e deve escrever em jornais, sejam elas escritoras, historiadoras, lingüistas, filósofas... Mas desde que assuma a qualidade de COLOBORADORA. O jornalista não se limita a escrever um bom texto opinativo, como muitos acreditam. Jornalista e jornalismo vão muito, mais muito, além disso. È um curso que requer técnica e humanização. Pratica e teoria. Há elementos que só se aprende na faculdade, como por ex, a ética jornalística. Se nós "abrirmos as pernas" para que a profissão seja exercida por qualquer pessoa, onde ficara a credibilidade do jornal? O jornalista é autorizado, simbolicamente, pela sociedade para informar, opinar, instilar consciência, incomodar... Não havendo mais a "classe", a sociedade cobrará de quem? Acho legítimo um sociólogo, por ex, escrever para jornais. Acho legitimo um cidadão menos provido de uma capacidade intelectual escrever para jornal, desde que haja um espaço para isso, não se confundindo, assim, com o papel que o jornalismo exerce: Informar!
Cristiana Castro , Rio de Janeiro-RJ - Advogada
Enviado em 2/4/2009 às 23:13:50
O interesse público do diploma de jornalismo, deve-se tão somente, ameu ver, pelo fato da imprensa ter se transformado em partido político. Nesse sentido, temos que cada jornalista, gostanto ou não, vira um " militante " daquele partido e a obrigação de informar dá lugar a permissão para fazer política livremente, a ano inteiro sem que uma opinião contrária sequer exista. Ao jornal, na figura do diplomado escolhido, é dado o poder para construir ou destruir, de acordo com os interesses do partido. Por força da liberdade de imprensa, esse profissional está resguardado de responder por suas ações, tudo é censura e, como quem dá publicidade a algum erro é o próprio partido, a gente anda em círculos. A imprensa sempre poderá tudo. Que diferença então faz o diploma? A exigência do diploma restringe a diversidade, e, sendo assim, a imprensa forma o jornalista que ela quer, como os partidos formam seus militantes. A liberdade de expressão fica então comprometida, pq só umas poucas vozes, acabam por obrigar um maioria. Liberdade de expressão, não significa cada um falar o que quer, mas todo mundo ter voz e essa voz é pública. Os jornalistas não estão conseguindo ecoar outra voz que não seja a de seu partido, e, nesse caso, não interessam a sociedade, esse é o seu trabalho. As faculdades não ajudaram, então talvez seja mesmo a hora de tentar um novo modelo. Opinião publicada, não!
everton Marques , Alfenas-MG - Jornalista
Enviado em 2/4/2009 às 22:40:22
Não há argumento de que a obrigatoriedade contraria a Constituição. Na carta magna, no Título II – Dos direitos e Garantias fundamentais, Capítulo I – Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, Art. 5º, no inciso IX encontramos que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, cientifica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Pois bem, o fato é que ninguém se atentou para o detalhe da mesma carta magna que no Título VIII – Da Ordem Social, Capítulo V – Da comunicação Social, em seu primeiro parágrafo diz que “nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o dispositivo no Art 5º, IV, V, X, XIII e XIV”. Observem que não é citado o inciso IX, defendido pelos que querem acabar com a obrigatoriedade do diploma. Vamos um pouco mais à frente. No Art 5º, XIII está escrito que “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”. Levando em consideração o fato da profissão de jornalista ser regulamentada, conforme o Ministério do Trabalho, não há inconstitucionalidade na obrigação do Diploma para o exercício da profissão. E o direito de liberdade é sim garantido aos demais cidadãos, que podem se manifestar nos meios de comunicação como articulista.
Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 2/4/2009 às 14:55:36
É justamente isso que tem que ser feito, senhora Nicolle Expósito: cobrar no Ministério da Educação medidas para reverter esse quadro (dos péssimos cursos e faculdades). Esta é a discussão que importa e que interessa à SOCIEDADE. Agora... isso interessa à sua "classe" jornalística (da qual felizmente não fazem parte Dines, Abramo, Carta e outros)? Quem pagou - invariavelmente caro - por um curso tem algum interesse que seja discutida e confrontada a qualidade do ensino ao qual ele teve que se submeter durante quatro (ou mais) anos em nome de um canudo? Para quê, para correr o risco de colocar sob suspeição ampla o seu real talento e predisposição ao exercício da profissão? E os reitores das universidades, têm algum interesse que os cursos oferecidos sejam submetidos a uma avaliação prática (que está longe de ser a avaliação redundante-em-nada do MEC)? Os cursos de jornalismo avaliados pelo MEC já têm recebido péssimas notas, salvo uma ou outra honrosa exceção, o alerta é antigo, mas que mudanças isso tem provocado na postura de reitores, professores e alunos? Não continuam todos subservientes, imediatistas e preocupados unicamente com o próprio umbigo, quer seja, com o canudo que chancela "doutores" (ainda que a maioria não passe de bacharéis)? Por isso que o foco é desviado para uma suposta "preocupação" com o reflexo da atividade jornalística exercida por não-graduados...
Márcio Simões , São Paulo-SP - jornalista bem diplomado
Enviado em 2/4/2009 às 13:28:29
Consigo fácil ensinar as normas do jornalismo a um bom escritor, mas apanho para ensinar um jornalista medíocre (e diplomado) a escrever mais ou menos. Um bom escritor tem a disposição de espírito perfeita para se transformar num bom jornalista. Um jornalista medíocre, e diplomado, e fervoroso defensor da reserva de mercado para diplomados, tem disposição de espírito contrária ao bom jornalismo. No mínimo, porque ele tem medo.
eduardo lettieri , sp-SP - free
Enviado em 2/4/2009 às 12:35:10
O gato subiu no telhado....
Roberto Ribeiro , Aracaju-SE - Arqueólogo
Enviado em 2/4/2009 às 11:33:58
Bem, vê-se que os jornalistas que aqui se manifestam estão preocupados com seus salários. Há muitas profissões que não necessitariam de diplomas e estes são exigidos apenas por interesse econômico, é o caso da arquitetura, espero que esta discussão prossiga.
Rafael Alencar Rodrigues , Goiânia-GO - graduando em jornalismo
Enviado em 2/4/2009 às 10:55:26
José Rosa Garcia, concordo plenamente contigo. O Jornalismo e nós, jornalistas, estamos sendo caçados abertamente por poderes constituídos. A premissa adotada para questionar a obrigatoriedade do diploma é completamente imprópria e questionável. Quem informou aos ministros que no jornalismo há a livre expressão intelectual? Jornalismo é informação! Para opinião existem espaços específicos que todos podem usufruir. Sou estudante de jornalismo, sou um afinco crítico da qualidade e do papel da imprensa e do jornalismo. Contudo, a resolução não é extrair ou reduzir direitos profissionais de uma categoria. Se a lógica for esta, vamos também tirar a obrigatoriedade do diploma do curso de direito. Quem sabe introduzindo todos aos tramites jurídicos a justiça não consiga obter mais eficiência e eficácia e menos lentidão e desigualdades. Se o problema é qualidade, vamos discutir então um meio pelo qual filtrar os que ainda são incapazes de exercer o jornalismo, assim como acontece quando os acadêmicos terminam o curso de direito. Que tal também refletir sobre quem são os donos dos grandes meios de comunicação – utopia demais pender a este ponto. Defendo: uma avaliação ao final da graduação e que os jornais sejam feitos e dirigidos por jornalistas.
Nicolle Expósito , São Luís-MA - Jornalista
Enviado em 2/4/2009 às 10:03:16
Parece que as pessoas realmente não leem jornais. Qualquer um pode escrever, emitir opinião... Para isso existem espaços dedicados aos "escritores" (o que qualquer um também pode ser, basta querer). O que se questiona aqui é o papel fundamental da profissionalização, essencial na apuração, seleção e responsabilidade ao emitir uma informação. Advogados, médicos, ambientalistas... Todos podem se expressar. Os blogs são a maior prova disso. Os artigos de opinião publicados em jornais também. Jornalismo é para jornalista. Faculdades e cursos ruins existem em todas as áreas. Se essa é a questão, então deixemos de lado discutir a obrigatoriedade do diploma e vamos cobrar no Ministério da Educação medidas para reverter esse quadro.
Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 2/4/2009 às 03:08:57
"A pressão antidiploma vem da direita política e econômica. A defesa do diploma vem de intelectuais". O sr. Henrique Carvalho não deve ter acompanhado este Observatório ao longo dos anos, já que este assunto foi pauta de vários debates nas versões online, televisiva e na saudosa versão impressa do OI - que, não canso de lamentar, infelizmente teve vida efêmera e deixou de circular em idos de 2000. Jamais houve um consenso em torno deste tema, e nem poderia, mas no rol das infindáveis manifestações acerca da obrigatoriedade ou não do diploma, destacam-se as opiniões CONTRA esta obrigatoriedade proferidas por profissionais do gabarito de Luiz Weis, Cláudio Abramo, Ricardo Kotscho, Mino Carta, Alberto Dines e outros. Em vez do discurso mesquinho e corporativista, que limita a questão ao protecionismo e à reserva de mercado sob pretexto de garantia de "qualidade" na profissão (como coisa que isso fosse tecnicamente possível com o nível dos cursos e das faculdades que tem por aí!), os verdadeiros observadores da imprensa souberam estender a vista além dos próprios umbigos e conseguiram avaliar que o canudo em si é um debate menor, tolo, utilitarista, que na prática não pressupõe nenhum engajamento ético real e ainda oculta o que deveria ser debatido: a péssima qualidade dos cursos de jornalismo e a proliferação descontrolada - com anuência do Estado - das indústrias de diplomas.
Jorge Eduardo Marques Pereira , São Lourenço-MG - Jornalista
Enviado em 1/4/2009 às 13:37:26
Qualquer um que nasce com o dom de desenhar pode projetar um prédio no lugar de arquiteto? Um mestre de obras substitui um engenheiro civil? Por que, então, deixar de exigir o diploma de Jornalista?!
Henrique  Carvalho , BH-MG - Jornalista
Enviado em 1/4/2009 às 11:51:22
A pressão antidiploma vem da direita política e econômica. A defesa do diploma vem de intelectuais. Confio no STF.
ANA CARLA  VANZELLI , SÃO PAULO-SP - JORNALISTA
Enviado em 1/4/2009 às 09:32:23
Caros colegas de profissão, Vamos nos pronunciar!!!!!!! Até quando permitiremos outros vasculhando o que devemos ou não ter? Uma coisa é certa: os diplomados sabem muito bem o que o curso universitário agregou em seu intelecto. Profissionais ruins há em todas as profissões, inclusive na advocacia, medicina, geografia e etc. É absolutamente ridícula a atitude de não exigir diploma para atuar na área de jornalismo. As empresas precisam investir em estruturação de um bom setor de Recrutamento&Seleção. Dessa maneira, a triagem de candidatos será feita com qualidade e, com certeza, serão aplicados testes e simulações que garantirão a capacidade do futuro coolaborador. A todos aqueles que insistem em menosprezar a profissão de jornalista uma pergunta: Ao adoecer, vocês preferem ir a um médico ou tomar o chá que a Dona Fulana benzedeira - vizinha do seu colega que é tia do cunhado dele -receitou? Ah, por favor....vamos nos respeitar!
Paulo Almeida , Brasilia-DF - Diplomata
Enviado em 1/4/2009 às 02:32:44
Artigo lamentavel em defesa do corporativismo mais explicito, com argumentos capengas e altamente equivocados. O mais patetico é constatar que seu autor acredita que a reserva de mercado concedida à corporacao de oficio medieval garante a qualidade dos egressos das faculdades de jornalismo (como se outros cursos nao pudessem garantir isso tambem) ou que o Brasil está melhor com essa reserva vergonhosa do que outros paises desenvolvidos, como se lê neste trecho: "A exigência da formação superior contribuiu para o aumento do nível intelectual dos jornalistas, ... Com um nível cultural mínimo para o ingresso na profissão, a imprensa brasileira atingiu, nos melhores exemplos, um padrão que nada deixa a desejar aos demais países e, no caso da universalização da formação superior, abriu caminho para um modelo que faz com que o Brasil hoje ostente índices de formação superior na área de jornalismo acima dos alcançados por Estados Unidos, França, Itália e Inglaterra." Inacreditável desfaçatez e cara de pau. A mediocridade intelectual é patente nesses meios. Abaixo a reserva...
Elvis Cley  Matos Almeida , Cuiabá-Mt - Estudante Jornalismo
Enviado em 31/3/2009 às 23:09:02
Concordo que há existam os que podem ser exercer profissões sem formação universitária, e também concordo que há indivíduos mais capacitados que alguns jornalistas formados em Universidades. Neste mesmo sentido concordo que há potenciais advogados, historiadores, dentistas, médicos...sem diplomas. Então vamos abrir mão de todos estes diplomas!?? Não, não podemos arriscar a ir num médico jornalista, nem num advogado dentista. O que realmente se presencia é uma falta de primor pela informação jornalística. Na era da informação onde blogs publicitários julgam ter caráter jornalístico muitos tendem a defender a banalização da informação. Mesmo existindo pessoas que possam exercer o oficio da informação é necessário ater aos mínimos requisitos. E os tantos outros que a partir desta abertura juridica poderão se auto titular jornalista? Valerá a pena abrir espaço para os POUCOS, RAROS, RARISSÍMOS, capacitados sem formação tendo em vista a invasão dos não capacitados? Estes sim, MUITOS, QUALQUER UM QUE SE JULGUE CAPACITADO! A formação acadêmica propicia a base necessária, isto em todas as profissões. É uma base! Sem ela não há construção. Não há o que se discutir, porque nós convencionamos isto. E convencionamos porque cremos que há necessidade de saber para fazer.
Cristiana Castro , Rio de Janeiro-RJ - Advogada
Enviado em 31/3/2009 às 22:38:40
Claro que um bom jornalista, não precisa de diploma, fosse isso e nossa imprensa seria magnífica, não é o que vemos. Sou mais voltar aos " bicos", quem entende e sabe escrever, escreve, quem tem diploma e não entende nada e está obrigado a servir de caneta de patrão,procure outro ofício. Com relação a uma postagem de um jornalista ( deve ter diploma ) aqui. Não é só para os jornalistas a discussão, não. Nós advogados, podemos ter o diploma e não podemos advogar, antes que nossa corporação de ofício nos promova de aprendizes a mestres. É lixo ditatorial sim, pois tira a pena da mão de quem sabe escrever e entrega na mão de quem pode pagar para escrever.
Eduardo  lima , sao josé do rio preto-SP - professor
Enviado em 31/3/2009 às 21:44:24
Assim como aconteceu com muitas disciplinas e ciencias, o oficio de jornalista está sofrendo pressoes. A geografia, a história, por exemplo já sofreram momentos de crise epstemologica, dando espaço a outras ciencias ou mesmo aceitando outras formas de pensamento. Chegou a hora da Comunicacao Social se auto-afirmar enquanto ciencia e assim passar a uma ofensiva direta quanto a sua e independencia academica e cientifica. Os primeiros a se manifestarem tem que ser os agentes desse campo que possuem um capital politico suficiente para influir nesse jogo politico. No limite, isto é uma questao política e quem quiser bancar tem um preço enorme a pagar, resta saber se editores chefes dos principais jornais, catedráticos, setores da imprensa em geral estao dispostos a tal empreitada.
Elton Bittencourt , Vilhena-RO - jornalista
Enviado em 31/3/2009 às 20:57:11
É triste terminar de ler um artigo tão elaborado sobre um tema polêmico e ler comentários tão pobres como estes apresentados a cerca da exigêrncia do diploma. Isto só colabora para a tese apresentada pelo autor, que a não exigência dará abertura para os "açougueiros" da imprensa, e voltarmos a ter os textos de outras épocas. Espero que o STF decida pelo melhor de nossa comunicação que é a exigência do diploma.
José Carlos Campos , Fortaleza-CE - Vendedor
Enviado em 31/3/2009 às 20:14:32
Quando eu era estudante de jornalismo, um professor deu uma opinião esclarecedora sobre a questão do diploma. Disse ele, que estamos numa sociedade cartorial, portanto "vamos defender o nosso diploma. É cartorial, mas é o normal". Não concordo muito com ele, sou mais Stanislaw: acabemos com todas as exigências de diplomas ou mantemos todas. Por que só diploma de jornalista é inútil? Vamos acabar com a exigência de diploma para advogado também, afinal de contas Gilmar Mendes é presidente do STF. Isso só não basta para provar que diploma para ser advogado não quer dizer nada?
Márcio Simões , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 31/3/2009 às 17:52:14
Tomara que o STF cancele esse diploma obrigatório. Isso me permitiria, ao contratar um profissional, publicar o anúncio que eu sempre quis publicar: procuro escritores dos bons. Não importa se o escritor se formou em jornalismo, em física ou em economia doméstica; um escritor dos bons cumpre melhor o papel social do jornalista do que um jornalista medíocre, com diploma das Faculdades Sei-Lá-O-Quê.
Lara  Tavares , Porto Nacional-TO - Jornalista
Enviado em 31/3/2009 às 17:21:39
Por que toda a discussão a cerca do diploma do jornalismo.Ela sequer nem deveria existir. Todas as profissões desde que o mundo é mundo já foram exercidas sem diploma e ainda hoje muitas são.Talvez daí, um viés plausível para a discussão, mas assim sendo todas deveriam ter o mesmo questionamento, não?!Toda a sociedade tem direito a informação, mas cabe ao jornalista formado com principios éticos , teóricos e práticas para instigá-las.Não sendo que todos os formandos assim sejam, tão quanto os que exercem a muito tempo também!!!!Mas vale sim a obrigatoriedade do diploma!
Orestes Ianuzzi , São Paulo-SP - aposentado
Enviado em 31/3/2009 às 16:34:08
Aos recalcitrantes na defesa do indigitado e espúrio canudo, sugiro meditar sobre o seguinte texto legal: 81. De las anteriores consideraciones se desprende que no es compatible con la Convención una ley de colegiación de periodistas que impida el ejercicio del periodismo a quienes no sean miembros del colegio y limite el acceso a éste a los graduados en una determinada carrera universitaria. Una ley semejante contendría restricciones a la libertad de expresión no autorizadas por el artículo 13.2 de la Convención y sería, en consecuencia, violatoria tanto del derecho de toda persona a buscar y difundir informaciones e ideas por cualquier medio de su elección, como del derecho de la colectividad en general a recibir información sin trabas.” (Corte Interamericana de Direitos Humanos, Parecer Consultivo n. 05/85 de 13 de novembro de 1985, Série A n. 5, § 81).
Fábio José de Mello , Descalvado-SP - Jornalista
Enviado em 31/3/2009 às 15:20:29
Amanhã será o dia de jogar esse entulho autoritário, esse decreto-lei baixado pelos milicos, com base no AI-5, na lata do lixo da história. É preciso garantir o livre fluxo da informação, que é um bem precioso demais para ficar apenas nas mãos dos jornalistas.
Ivan Bispo , Cristalina-GO - gestor ambiental
Enviado em 31/3/2009 às 14:53:22
E o rábula de outrora que tão brilhantemente prestou inestimáveis serviços a nossas comunidades? O diploma de jornalista é igual ao diploma de um rábula, tem que ser simplesmente alfabetizado, e nada mais. Poruqe não podemos nos defender perante a justiça e sermos obrigados a contratar advogados que não tem um minimo de vontade e de conhecimentos. Assim também é o diploma de jornalista. Quando folheio um jornal nada abalisado por parte de um jornalista a respeito de mudanças climáticas. E, aí um cientista com todo conhecimento peculiar é proibido de escrever simplesmente porque não possui o "deploma". Total liberdade a expressão.
José Rosa Garcia , Rio Claro-SP - Jornalista
Enviado em 31/3/2009 às 13:13:00
O curioso é que a única profissão que tem sido alvo de questionamentos sobre a exigência de diploma é a de jornalista. Por que ninguém defende o fim do diploma de advogado, uma vez que muitos deles se limitam a preencher lacunas em modelos prontos de petições facilmente encontrados na internet?
Edward Wilson Martins , São Paulo-SP - empresário
Enviado em 31/3/2009 às 12:26:38

O artigo encerra os mesmos argumentos vazios, destituídos de novidades e derrubados pela modernidade. Amanhã certamente será banido mais um entulho autoritário dos tempos da "dita". Os que defendem a manutenção desse vergonhoso "status quo" esgotaram suas alegações imaginárias na defesa do indefensável. Em respeito à democracia do debate, resta agora o OI publicar artigos dos que são contra a continuidade do malfadado diploma. Caso o OI não publique sugiro a leitura dos textos de Maurício Tuffani, em "Laudas Críticas", no endereço http://laudascriticas.wordpress.com/dossie-diploma-de-jornalismo-e-cfj/.

Nota do OI: Prezado leitor, examine os demais artigos da seção Diretório Acadêmico desta edição do OI. Para outros textos aqui publicados sobre o assunto, clique aqui.

Marcio Rocha , Joinville-SC - estagiário
Enviado em 31/3/2009 às 12:21:48
Parabéns pelo texto. Falta corporativismo na classe sim. O problema Elias é que geralmente quem é contra esse direito conquistado pelos jornalistas são profissionais de outras áreas que montam discursos vazios e desculpas infantis. Pergunto ao senhor Roberto Ribeiro: quando o senhor fica doente procura um curandeiro ou um médico com formação universitária?
Edson Ferreira , Londrina-PR - Jornalista e Relações Públicas
Enviado em 31/3/2009 às 12:06:59
O argumento de que "diploma é resquício da ditadura" é vazio. Jornalista precisa ter formação universitária. Mas, infelizmente, nestes mais de 60 anos de formação os cursos de jornalismo não foram suficientes para que nós fomássemos uma classe unida, capaz de levar esta discussão do diploma à sociedade. Tenho a impressão que ninguém mais, além de jornalistas, tem preocupação com o tema tão relevante.
Roberto Ribeiro , Aracaju-SE - Arqueólogo
Enviado em 31/3/2009 às 11:42:47
Parabéns, um texto bem escrito, embora sofístico. Cito dois sofismas. Primeiro : o jornalista deve levar uma vida acima do nível do restaurante popular e da pensão. Certo, mas é só o jornalista que vive assim? E os arqueólogos, os professores, os frentistas, os padeiros? Se os jornalistas viverem bem, que se dane o resto da sociedade? Jornalistas não vivem segundo as condições sociais médias? Segundo: o jornalismo melhorou intelectualmente depois do diploma, mas os citados Lima Barreto e Machado de Assis viveram qdo? Os jornalistas diplomados são superiores a eles? Expremendo todo o texto é uma defesa corporativa de empregos e salários. Bons empregos e gordos salários, bem acima, por exemplo, dos policiais, que têm de ter dois empregos, ou dos médicos que têm de fazer plantões em vários hospitais. Dê dinheiro ao bacharel em jornalismo e ele se calará, é isso que se depreende do texto...
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Elias Machado

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