ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 531 - 9/2/2010
  Diretório Acadêmico
Início > Índice Geral > Diretório Acadêmico + A | - A
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
 

FORMAÇÃO DO JORNALISTA
Diploma é resquício da ditadura

Por Laerte Braga em 31/3/2009

A decisão de regulamentar o exercício da profissão de jornalista através da obrigatoriedade do diploma foi tomada na ditadura militar. Ato Institucional nº 5, como forma de controlar a informação e impedir o acesso de críticos do período da boçalidade militar aos veículos de comunicação.

Uma das grandes preocupações dos ditadores e seus sicários era a presença de escritores, pensadores, lideranças políticas, trabalhadores, enfim, daqueles que não pudessem ser controlados ou regidos pelos patrões, então donos da ditadura. Patrocinadores da ditadura.

Transformou-se o ato de pensar, em termos jornalísticos, seja no buscar a notícia, no avaliar o fato, no interpretar, em uma questão técnica. Fale sobre isso em tantas palavras, o espaço é tal, ou você dispõe de dois minutos para expor esse assunto e, o principal, a ótica é essa, a do dono, do modelo.

Os cursos de comunicação foram sucateados na maioria das universidades públicas e na invasão de faculdades privadas. Hoje o jornalista é técnico, até na formação. Especialista. Aquele que tem o dever de saber um pouco de tudo, de indignar-se, de refletir a liberdade, é factótum do dono.

É a característica do jornalismo brasileiro, com exceções evidente. Mas é o padrão imposto pela mídia como fator de dominação e alienação. Tem jornalista especializado em analisar bundas, outros em falar dos castelos de Caras, outros em transformar porcaria em produtos largamente consumidos e vai por aí afora.

Era o objetivo dos militares, é o objetivo dos que controlam a informação e é a associação com o peleguismo sindical da Fenaj.

Direito e dever

Há cerca de uns três anos um diretor de cinema premiado no exterior foi impedido de dar aulas de cinema numa universidade por não ter diploma. Contrataram um técnico que nunca segurou uma câmera.

A campanha da Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas para a manutenção desse instrumento draconiano originado da ditadura é a típica reserva de mercado de pelegos (os que controlam a Federação), a ditadura da mediocridade, o que não significa que todos os jornalistas diplomados assim o sejam.

O instrumento em si, a obrigatoriedade do diploma, é ditatorial. O jornalismo não é como a atividade médica e mesmo assim em muitos países do mundo é possível exercer a medicina sem diploma bastando o notório saber comprovado. Linus Pauling, por exemplo, que estudou e descobriu os efeitos da vitamina C, o que lhe valeu um prêmio Nobel de Medicina, nunca estudou medicina.

Esse argumento de regulamentação não é cabível no ato de pensar e manifestar-se através do que hoje chamam mídia. E ainda há muito o que romper além da barreira do diploma. Há o caso das rádios comunitárias perseguidas como se seus integrantes fossem bandidos – a Globo os chama literalmente de bandidos. E nem falo da televisão.

Na prática, a Fenaj associou-se aos donos e lixe-se o direito e o dever – repito, direito e dever – de opinar. A capacidade da organização e da formação longe dos bordéis globais, ou dos pastores salvadores de almas e donos de vastas contas bancárias.

Mentira embalada

No Brasil, independente de pontos de vista – e a diversidade é a essência da democracia, nunca a ditadura do pensamento padrão Globo, ou o que seja, Record, PSDB, PT, DEM etc – os grandes nomes do jornalismo não tinham diploma. Millôr Fernandes, por exemplo, sem favor algum, um dos gênios do jornalismo em qualquer lugar do mundo, não o tem e sequer tem formação de terceiro grau.

O jornal e logo o jornalista nasceram com a idéia da indignação – ou, como diz Millôr, "a corrupção começa no cafezinho". O que se pretende com o diploma ou é o jornalista dócil, submisso – William Bonner e aquele monte de gente da Folha, do GLOBO, do Estadão, de Veja, de todos – ou é o relações públicas, o que abre a porta e manda o visitante assentar enquanto vai anotando o que o dono manda que se anote.

Há uma passagem que não se sabe se lenda ou realidade, mas que expressa bem isso, sobre a carreira de Assis Chateaubriand (1892-1968). Dizem que numa sexta-feira santa, no início de sua carreira, ávido de agradar ao patrão, recebeu a incumbência de escrever um artigo sobre Cristo e disparou a pergunta: "Contra ou a favor?"

Não é o diploma que faz o jornalista, como, aliás, não é o diploma que faz o médico, o advogado, o engenheiro, quem quer que seja. É o talento e a capacidade de percepção da vida em seu sentido, sua essência, sua razão de ser e a necessidade da postura crítica e independente.

A luta pela preservação dessa vergonhosa e antidemocrática reserva de mercado para o direito de pensar, de escrever, de se expressar em veículos de comunicação tem esse viés autoritário, é típico de uma sociedade cada vez mais desumanizada e que corre às bancas para comprar Caras e se deliciar com o inatingível, a fantasia, assim submeter-se ao modelo sem contestar, ou que fica plantada diante do diplomado Pedro Bial chamando um grupo de objetos de carne e osso dentro de uma casa de "heróis" e "mártires".

É impressionante como essa gente consegue embalar a mentira e vendê-la em caixas belíssimas desenhadas por desenhistas diplomados, vendidas por pelegos sustentados pela categoria sem perceber o engodo, transformando-a em produto democrático, como se democracia fosse produto desse tipo de procedimento.

Liberdade engessada

Cada vez mais voltamos à condição de sociedade tribal e com características diversas daquelas do canibalismo explícito. Hoje ele é implícito e as tribos dispõem do poder, do controle, se ajustaram e se acomodaram nos castelos dessa ordem autoritária em divisões tipo aqui o dono, aqui nesse catre o objeto diplomado – o que se submete – enquanto do lado de fora os que acreditam e agradecem, os objetos moldados segundo a técnica da alienação, do public relations, ou do especialista em relações humanas.

Tem diplomado hoje especializado em ensinar a montar o currículo certo para arranjar o emprego dos sonhos.

Quem resiste, por indignar-se e ser critico da exigência de diploma, está fora. O problema é que o diploma é um modo de controle e o caminho para submeter. Para melhor guiar a "manada".

A chave para rompermos as barreiras impostas pelo modelo atual, perverso, estamos vendo onde reflete a "crise", onde estão os sonegadores – Fiesp/Daslu – está no romper essa cadeia de transmissão do mundo pela ótica Bonner, diplomado evidente, que considera o resto como Homer Simpson.

Aceitar esse resquício da ditadura, do mais cruel e sórdido instrumento de barbárie política da História, o AI-5, é como cair de quatro e descobrir que não somos bípedes.

E um aspecto final. Procurem no resto do mundo, mesmo nas nações mais desenvolvidas e capitalistas, onde existe esse tipo de regulamentação. Este tipo, ou seja, aquele que engessa a liberdade de expressão, o modelo Fenaj/Globo (e o resto, lógico).

O sindicalismo brasileiro corre o sério risco de inaugurar salão de barbeiro com direito a coquetel em sua sede e divulgar tudo num release feito por um diplomado. Já indignar-se, criar, ser livre, isso precisa de "diploma". O do fica quieto e faça o que eu mando. É como querem o jornalista, guiando a "manada".

Comentários (14)
Comentar
Compartilhe
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade e a pluralidade de idéias e de pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Mensagens que não atendam a essas normas serão deletadas – e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.

ATENÇÃO: Será necessário validar a publicação do seu comentário clicando no link enviado em seguida ao endereço de e-mail que você informou. Só as mensagens autorizadas serão publicadas. Este procedimento será feito apenas uma vez para cada endereço de e-mail utilizado.
         
Nome :   Sobrenome :
E-mail:   Profissão:
Cidade:   Estado:
Comentário:


para o limite de 1400.
 
The CAPTCHA image
Clique aqui para ouvir o
texto soletrado(mp3)
Digite no campo abaixo o texto
que você vê na imagem ao lado.

 
Ricardo Cerqueira , Rio de Janeiro-RJ - Jornalista
Enviado em 5/11/2009 às 06:49:44
Quanta vontade de desinformar, quanto viés indisfarçado. Veja-se a pérola: "Linus Pauling, por exemplo, que estudou e descobriu os efeitos da vitamina C, o que lhe valeu um prêmio Nobel de Medicina, nunca estudou medicina". No dia a dia, diploma de Medicina está associado a consultas, exames e cirurgias. Como não dá para advogar em defesa de uma neurocirurgia feita por leigo, o autor apela para a covardia do sofisma, escondendo-se atrás do feito de um laureado com o Nobel. Aliás, a pesquisa nem teria sido aceita caso envolvesse procedimentos e cirurgias diretamente realizados pelo teórico Pauling. Mais sofisma, "diploma sufoca liberdade de opinião". Ou se mude o disco, ou me seja permitido emitir opinião sobre crimes, prolatando sentença em tribunal, sem eu ter estudado Direito. Braga procura um entulho do autoritarismo para criticar, mas erra o alvo, pois nem há alvo aqui. O autor cita nomes famosos e merecedores de crédito, que não concluiram curso superior. Esqueceu-se de mencionar Noblat e o desastre que ele patrocinou no caso da brasileira que se disse atacada na Suiça. Deu no que deu, um papelão do jornalista Noblat. Para cada exemplo haverá um contra-exemplo. Logo, guerra de nomes simplesmente não funciona. Este autor me lembra a senadora Ideli Salvati: um berreiro a serviço (ou em busca) de uma causa.
Débora  Motta de Oliveira , Rio de Janeiro-RJ - jornalista
Enviado em 24/6/2009 às 15:53:27
No trecho "O jornalismo não é como a atividade médica e mesmo assim em muitos países do mundo é possível exercer a medicina sem diploma bastando o notório saber comprovado". E como o senhor Laerte Braga acha que seria possível provar esse "notório saber" na área médica? Qual seria o critério? Então ninguém mais precisa ir para a faculdade??? Quando o senhor ficar doente, não procure mais um médico formado, não...O senhor teria a coragem de levar uma mãe ou um filho doente para ser operado por alguém sem curso superior de medicina??? Duvido! E que outros países permitem isso? Nossa realidade de mercado é bem diferente daquela do exterior e nem tudo o que vem de fora é melhor. Do mesmo modo que é necessário respeitar os médicos, é necessário respeitar aqueles que estudaram jornalismo! A ditadura já acabou! A arbitrariedade atual é o que estão fazendo contra aqueles que fazem o sacrifício pessoal de estudar, passar num vestibular e cursar uma faculdade. Isso é um elogio à preguiça de estudar. Não estamos falando de arte, existe toda uma técnica. Como alguém sem diploma saberá o que é um release ou um endomarketing?? Os exemplos de pessoas talentosas sem graduação citados são exceção. Agora, o mercado vai ficar exclusivamente nas mãos do patronato, repleto de pessoas incompetentes e indicadas!
José Antonio Meira da Rocha , Frederico Westphalen-RS - Jornalista que estuda
Enviado em 19/6/2009 às 11:30:46
Eu ficaria muito preocupado se tivesse a mesma opinião de Gilmar Dantas e de entidades patronais...
tiago jucá , poa-RS - traficante de idéias
Enviado em 17/6/2009 às 08:46:55
é inacreditavel que ainda haja defensores do diploma, uma obrigação criada pela ditadura logo após o AI-5.
Maurício Antunes Ariede , Rio Negro-PR - Eletrotécnico
Enviado em 5/4/2009 às 16:05:17
Concordo com alguns colegas: a exigência de diploma para jornalistas é um assunto meramente econômico, de interesse classista e não qualitativo. Sou Técnico em Eletrotécnica com muito orgulho, mas vejo ótimos eletricistas veteranos, com muito mais conhecimento e experiência que eu, que não podem ser registrados como "Técnicos" simplesmente por não terem um mero pedaço de papel chamado diploma. Parece que várias pessoas continuam acreditando (ingenuamente) que ter diploma é sinônimo de qualidade; pra mim é sinônimo de controle profissional, lucro de faculdades e lóbi de jornalistas que se acham importantes por terem o diploma. Nossa história registra muitos jornalistas que não tinham diploma algum e se tornaram referência na profissão; repito: as pessoas acreditam piamente que o diploma é o atestado de qualidade do jornalista. Cursei História por 3 anos e larguei o curso por desilusão e por perceber que aprendia mais em casa, estudando por conta própria, do que indo a Faculdade; não posso ministrar aulas e não sou considerado um historiador, mas auxiliei muitos colegas na redação de seus TCC`s e monografias. Mas pelo fato de não ter diploma, não tenho habilitação para ensinar. Óbvio que não concordo com isto, mas percebam como o diploma equivale a toda uma legitimidade, inclusive para os que pagam por teses e trabalhos e se formam de maneira medíocre: o diploma apaga tudo.
Hernandes Beckhiman , São Paulo-SP - Autônomo
Enviado em 3/4/2009 às 22:43:03
"Bonner, diplomado evidente" - ele é formado em Publicidade pela USP e não em jornalismo, logo ele não é um "diplomado evidente", pelo menos, no tema desta discussão que é o jornalismo. "Modelo Fenaj/Globo" (?!) - Se analisarmos só um pouquinho melhor, só um pouquinho mesmo, vamos perceber cristalinamente que a Fenaj está de um lado da questão (defende o diploma) e a Globo já manifestou publicamente estar do outro lado (condena o diploma). "Procurem no resto do mundo, mesmo nas nações mais desenvolvidas e capitalistas, onde existe esse tipo de regulamentação" - Nos EUA, o acesso ao exercício só não se dá pela exigência exclusiva do diploma em Jornalismo como no Brasil, mas lá há regulamentação indicando que o profissional deve ter um mínimo de qualificação formal em alguma área. E que eu saiba, mesmo com a crise, os EUA ainda são uma nação desenvolvida e ainda muito, mas muito capitalista. Por essas e outras imprecisões, o artigo se torna confuso, uma colcha de retalhos. Aliás, o que o autor quis dizer com "Fenaj associou-se aos donos" ?? Os donos querem ver o belzebu bufando fogo pelo nariz e enxofre pela boca, mas não querem ver a federação por perto. Eu hein, que rolo !
Clayton Sales , Campo Grande-MS - Jornalista e professor
Enviado em 3/4/2009 às 22:18:12
Acho que acusar o diploma de jornalismo de ser parte de um estratagema das universidades privadas para ganhar muito dinheiro apenas indica que há uma desconexão com a realidade do ensino superior no Brasil. Não são os cursos de Jornalismo que trazem lucros para as reitorias e sim, faculdades que cobram mensalidades que batem a casa dos 3000 reais, como medicina, odontologia e outras bem, mas bem mais caras que um curso de Jornalismo, cuja média, oscila na casa dos 600 a 900 reais, e tem cada vez menos alunos. Aliás, se isso interessa tanto aos donos de universidades, por que as suas entidades representativas não engrossaram o coro da Fenaj e outras diversas instituições apoiadoras do diploma? Associar um curso de Jornalismo a uma máquina de fazer rios de dinheiro é, no mínimo, uma grande falta de sintonia com o que está acontecendo no âmbito das universidades. Trata-se um curso, quando sério, relativamente pesado de se sustentar, pois há necessidade de investimentos em laboratórios e tudo mais, e isso não costuma ser barato. Botando na ponta do lápis, a relação mensalidades/investimentos não me parece indicar um lucro gigantesco como deram a entender aqui. Até poderia ser uma boa sugestão de pauta: investigar se os cursos de Jornalismo são aquelas galinhas dos ovos de ouro dos donos de faculdades como alardeiam muitos dos detratores da formação superior.
Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 3/4/2009 às 02:39:12
Sem ir muito longe, aqui mesmo neste Observatório há várias opiniões CONTRÁRIAS à obrigatoriedade do famigerado diploma. E não são opiniões de qualquer pessoa. Por exemplo: Alberto Dines: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/da071120011.htm Mino Carta: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/asp071120011.htm Luiz Weiss: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/da071120013.htm Carlos Brickmann: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=408CIR001 Ou seja, talvez o autor em questão não tenha fundamentado adequadamente seu artigo, mas o fim-em-si está certíssimo. Antes um Cláudio Abramo, um Ricardo Kotscho, um Millôr Fernandes, um Reali Jr., um Joelmir Beting e um Carlos Brickmann sem diplomas do que esta manada expelida - sob critérios altamente questionáveis - por certas faculdades caça-níqueis e que só servem para bucha de canhão, quando muito. Sabem o que é mais irônico? O maior prêmio do jornalismo brasileiro leva o nome de alguém que não era formado em Jornalismo, mas sim em Filosofia: Vladimir Herzog. Prêmio aliás outorgado pelo Sindicato dos Jornalistas, o mesmo que trava esta batalha mesquinha - e estúpida - para instituir a reserva de mercado. Será que alguém ousa dizer que Vlado não era um "jornalista"!? No caso específico do jornalismo, o diploma é - sim - um instrumento que tem finalidade essencialmente mercantil.
ALBERTO RAMOS DE OLIVEIRA , são paulo-SP - jornalista aposentado
Enviado em 3/4/2009 às 00:16:22
A regulamentação da profissão foi feita com o objetivo de controlar os jornalistas - aqueles que eram comunistas e aqueles que eram adesista dos golpistas de abril de 1964. Eu, quando fui tirar meu registro pelo decreto lei 972/69, tive de apresentar atestado de antecedentes ideológicos. Uma declaração fornecida por delegado do Deops dizendo que eu não representava um perigo ao país. Uma grande bobagem. Eu sou contra essa regulamentação, porque ela tem sido útil apenas aos donos de faculdades particulares que formam milhares de jovens comunicólogos todos os anos, que não têm emprego, que sonham em ser estrelas do jornalismo brasileiro, mas saem das universidades com uma formação capenga e muita vontade de seguir uma carreira que não existe mais. Os salários pagos aos profissionais do jornalismo são uma vergonha; a precariedade está à solta aí; os sindicatos representam uma minoria. Em vez de brigar pelo diploma ou pela regulamentação mantida, deveríamos, isto sim, lutar pelo fim da lei de imprensa, igualmente draconiana, lixo autoritário.
Alberto Simplício , Campina Grande-PB - jornalista
Enviado em 2/4/2009 às 10:41:57
Se o diploma de jornalista não é importante, então que fechem as faculdades. É o que sustenta esse artigo, que prefere menosprezar, ignorar, esquecer o talento e a competências de muitos jornalistas diplomados para buscar a vanglória de quem, sem diploma, conseguiu se destacar. Bons e maus profissionais podemos encontrar em todas as áreas, sem exceções. Para mim, o mais sensato seria que os “intelectuais” que se acham competentes e talentosos para serem jornalistas se submetessem à formação profissional. Seria mais descente e não lhes arrancaria nenhum pedaço. Ou o autor acredita que os cursos de jornalismo alienam, tiram a capacidade crítica e nada ensinam? Será medo dos “intelectuais” de caírem no “ridículo” e se igualarem a meros estudantes ou perder tempo estudando para uma profissão que, na maioria das vezes, não rende financeiramente como medicina e direito, por exemplo? Em síntese, a obrigatoriedade do diploma é uma questão de respeito e moralidade a qualquer profissão.
Andhressa Barboza , Cuiabá-Mt - Estudante de Jornalismo e de Ciencias Sociais (UFMT)
Enviado em 1/4/2009 às 12:07:04
Vou começar apenas apontando algumas falhas do ponto de vista teórico neste artigo. 1° - Quando o autor fala: "Não é o diploma que faz o jornalista, como,[...] é o talento e a capacidade de percepção da vida em seu sentido [...]". Será mesmo que existe uma NATUREZA para cada profissão? Alguns nascem fatalmente para serem jornalistas ou médicos? 2° - Neste outro trecho: "Cada vez mais voltamos à condição de sociedade tribal". O autor se mostra completamente preconceituoso e etnocêntrico. O que as sociedades tribais têm de inferior em relação as ditas sociedades "civilizadas"? 3° - Ao falar das restrições à liberdade de expressão quanto à opinião, não há obrigatoriedade de diploma para publicar um texto opinativo, No entanto, o fazer jornalístico prescinde do fato de "deixar de lado" o máximo possível suas opiniões pessoais em benefício de um comprometimento em informar. Portanto, a não obrigatoriedade do diploma em jornalismo NÃO É UMA DEFESA DA LIBERDADE. Para finalizar, o autor usa conceitos complicados para as Ciências Sociais são eles: liberdade, democracia e direito. Mas não é nítida uma conceituação que o autor defenda. Portanto, além de argumentos confusos, imbuídos de preconceitos o autor se contradiz quando fala dos sindicatos tentando deslegitimá-los e ainda dizer que defende a liberdade. Termino de ler o texto e me pergunto: QUE LIBERDADE?
Lívia  Lima , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 1/4/2009 às 01:09:45
Concordo quando menciona que o trabalho do jornalismo deve ser reflexivo e não meramente técnico e especialista, mas por experiência própria afirmo que a Universidade pode sim ser um espaço para valorizar essa atividade, sobretudo a pessoas sem acesso e com escolarização fraca e que não constituiram amplo conhecimento anteriormente. A não exigência do diploma, além de fragilizar os cursos, vai ainda perpetuar uma classificação elitista para o exercício do jornalismo, o que também não é nem um pouco democrático, é uma ditadura mascarada.
Eduardo Andrade , Porto Alegre-RS - Jornalista
Enviado em 31/3/2009 às 20:35:33
É inacreditável que haja pessoas que não acham importante a obrigatoriedade do diploma. Imagine, caro articulista, se os médicos não precisassem de diploma para operar um cidadão. Não é por ter sido implantada em plena ditadura, que a obrigatoriedade do diploma deve ser abolida. Mas entendo o porquê de toda essa imbecilidade. Em um país que não é exigido um diploma qualquer para governar a nação, para que um jornalista ter diploma, não é?
josé anderson freire sandes Sandes , Fortaleza-CE - Jornalista
Enviado em 31/3/2009 às 14:28:24
São 200 anos de imprensa. 60 de curso de jornalismo. A universidade é de suma importancia para uma profissão que mexe com uma matéria tão importante para a comunidade: a informação. Resquícios da ditadura? Por ter sido implantado no regime ditatorial, o diploma para o exercício da profissão de jornalistas não pode ser escamoteado. A quem interessa a sua extinção? A formação do jornalista é complexa, humanista. A palavra sempre foi perseguida neste País, desde o Brasil colônia. Sem o diploma, a sociedade ficará sem o importante escudo de defesa. Informação é poder.
Compartilhe este texto
Blig Blig BlinkList BlinkList BlogBlogs BlogBlogs BlogLines BlogLines Delicious del.icio.us
Digg Digg Furl Furl Google Bookmarks Google Bookmarks Linkk Linkk Magnolia ma.gnolia
netscape Netscape netvibes Netvibes newsvine Newsvine reddit reddit Stumble Upon Stumble Upon
Technorati Technorati Twitter Twitter Windows Vista Windows Vista Yahoo! MyWeb Yahoo! MyWeb Facebook
Laerte Braga

Outros artigos desta Seção
FORMAÇÃO DO JORNALISTA
Uma decisão
histórica sobre o diploma

Elias Machado
31/3/2009
Jornalista, só com diploma
Sérgio Murillo de Andrade
31/3/2009
Diploma, uma exigência legal
Roberto Ramalho
31/3/2009
Diploma é
resquício da ditadura

Laerte Braga
31/3/2009
DIRETRIZES CURRICULARES
Mais que diplomas,
cursos indispensáveis

Rafael Motta
31/3/2009
JORNALISMO EM DEBATE
O fim das ilusões
Emanuelle Najjar
31/3/2009
TRIBUNA DA BAHIA
Análise da cobertura jornalística das eleições
de 2008

Arthur Guimarães Neto
31/3/2009
FORMAÇÃO DO JORNALISTA
Supremo deve julgar hoje 
obrigatoriedade do diploma

1/4/2009

Últimos 5 artigos de
Laerte Braga
Mais artigos de
Laerte Braga >>