ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 531 - 9/2/2010
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OI NA TV: 1964 
Os efeitos do golpe na imprensa brasileira

Por Lilia Diniz em 1/4/2009

No dia em que o golpe militar de 1964 completou 45 anos, o Observatório da Imprensa exibido pela TVBrasil na terça-feira (31/03) discutiu os reflexos do período de exceção para a imprensa brasileira. A censura aos meios de comunicação e o cerceamento das liberdades individuais marcaram a ditadura militar instalada na madrugada daquela terça-feira, 31 de março de 64. O golpe deflagrado contra o presidente legalmente constituído João Goulart tinha como objetivo restaurar a disciplina nas Forças Armadas e conter o suposto avanço comunista que ameaçaria a ordem e a segurança do país.

O historiador Marco Antonio Villa participou do debate pelo estúdio em São Paulo. Professor do Departamento de Ciências Sociais e do programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), em São Paulo, Villa é autor de Jango, um perfil (1945-1964). Em Brasília, o convidado foi Ronaldo Costa Couto. Doutor em História pela Universidade de Paris-Sorbonne (Paris IV), Costa Couto é também economista, jornalista, pesquisador e professor universitário. Acompanhou a transição para a democracia e ocupou diversos cargos no primeiro governo após a ditadura militar.

No Rio de Janeiro participou Daniel Aarão Reis Filho, doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e professor titular de História Contemporânea do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), que atualmente pesquisa a História das Esquerdas no Brasil. Em 1964, fazia parte da diretoria do centro estudantil do colégio onde estudava e já iniciava sua participação na política.

A Mídia na Semana

Alberto Dines comentou as notícias de destaque nos últimos dias na coluna "A Mídia na Semana". O primeiro assunto da seção foi a publicação de um mesmo artigo - tradução de um texto do colunista Nicholas D. Kristof, do New York Times - pelos jornais O Estado de S.Paulo (23/03) e Folha de S.Paulo (29/03). Para Dines, o inusitado fato parece piada. "O engraçado é que o texto foi muito comentado no site do Observatório da Imprensa e tratava das vantagens da mídia impressa sobre a digital. Parece que aqueles que fazem jornal não lêem jornal", observou.

Motivado pela proximidade do dia da mentira, 1° de abril, o jornalista relembrou a edição da revista Veja de 27/04/1983, em que saiu a matéria "Fruto da Carne". Veja inspirou-se em um artigo da revista britânica New Science de semanas antes que, em uma brincadeira de primeiro de abril, inventou um texto sobre a fusão de células animais e vegetais. A editoria de Ciência da revista brasileira não entendeu a piada e publicou a matéria sobre a produção do "boimate", que misturava células de boi com de tomate. Dines comentou que a revista "levou a sério" e ouviu especialistas brasileiros sobre o assunto, mas só desculpou-se com os leitores meses depois, em 06 de julho de 83.

A proximidade do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da Lei de Imprensa e da exigência do diploma para jornalistas foi o último assunto da coluna. "Entram em pauta dois assuntos da maior relevância e ambos relacionados com a liberdade de expressão. Nossa Suprema Corte vai discutir o fim da Lei de Imprensa e também a regulamentação da profissão de jornalista com a obrigatoriedade do diploma. Os dois estatutos foram produzidos pelo regime militar e ambos com defensores nos mais respeitáveis ambientes", disse.

"Ditabranda" vs. ditadura

A Folha de S.Paulo, em editorial publicado no dia 17 de fevereiro deste ano, reacendeu a discussão sobre a ditadura no Brasil ao usar a expressão "ditabranda" para caracterizar o regime militar que vigorou por cerca de vinte anos no país. Os leitores do jornal reagiram imediatamente, enviando cartas e até promovendo uma manifestação em frente à sede do jornal. A comunidade acadêmica também discutiu a polêmica. Os professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides criticaram o editorial em artigos publicados pelo diário paulista.

A Folha respondeu à polêmica em uma "Nota da Redação" que explicava que a expressão fora utilizada porque "na comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional". Para o jornalista Wilson Figueiredo, que foi entrevistado pelo Observatório, o uso do termo não foi "uma coisa séria", mas sim "um jogo de palavras". Segundo ele, a ditadura é "inaceitável" porque ao censurar a imprensa, cercear as liberdades individuais e inibir a atividade política, traz conseqüências imprevisíveis para a sociedade.

O programa também entrevistou o jornalista Marco Antônio Tavares Coelho, que em 1964 era deputado federal. O jornalista relembrou que estava na Câmara dos Deputados na noite de 31 de março, quando foi chamado ao Palácio do Planalto por Darcy Ribeiro, então Chefe do Gabinete Civil. Ao chegar lá, ouviu o político e antropólogo descrever um "quadro terrível" ao narrar os primeiro movimentos do golpe que já estava em curso. Marco Antônio Tavares Coelho disse que Darcy Ribeiro considerava imprescindível uma reação por parte daqueles que resistiam ao golpe: as lideranças sindicais e os comunistas sediados em Brasília. Estes deveriam receber armas do Chefe da Polícia Federal e prender deputados e até ministros do STF. O jornalista recusou-se a participar porque não concordava com "nenhuma ação terrorista" e queria lutar dentro da legalidade. O ex-deputado acredita que o plano de Darcy Ribeiro foi uma ação de desespero para impedir a tomada de poder.

A participação da sociedade civil no golpe

No debate ao vivo, Dines perguntou a Marco Antonio Villa se a tomada de poder foi um golpe ou um contragolpe. O historiador explicou que a conjuntura política entre 1961 e 1964 era complexa, com tendência ao radicalismo e marcada por uma concepção de política de "assalto ao poder". Naquela época, não havia diálogo. Pensava-se: "você não convive com opositores, você tem inimigos e inimigos você os elimina", disse Villa. Foi um período de intensas lutas políticas no Brasil e o historiador destacou momentos como a Campanha da Legalidade, a adoção do Parlamentarismo e, posteriormente, a do Presidencialismo.

A Revolução Cubana de 1959 estava presente e havia uma forte tendência nas elites políticas brasileiras de desprezar a democracia. Este viés estava claro nos setores conservadores que liderariam o golpe, mas também estava presente na esquerda, que desde 1961 trabalhava com uma "perspectiva de golpe". Villa destacou que o golpe foi "civil-militar" e lembrou que quando o ex-presidente João Goulart deixou o poder e rumou para Porto Alegre, a presidência foi declarada vaga pelo presidente da Câmara. Duas semanas depois, o Congresso Nacional elegeu o então general e futuro marechal Castelo Branco. Uma particularidade brasileira.

A disposição intervencionista das Forças Armadas brasileiras é marcada desde o Movimento Tenentista de 1922, segundo Ronaldo Costa Couto. O escritor comentou que a tendência atravessou todo o período e manifestou-se de forma contundente na deposição do ex-presidente Getúlio Vargas, em 1945. Reapareceu após a morte do político, em 1954 e também após a eleição de Juscelino Kubitschek, em 1955. A política "salvacionista" das Forças Armadas "vem de longe" e tornou-se mais forte com a eclosão da Guerra Fria com a disputa ideológica entre socialistas e capitalistas e a polarização entre Estados Unidos e URSS. "Eu acredito que 1964 é o ano de 1954 adiado", disse o escritor.

Diferentes matizes dentro da esquerda

"As esquerdas, como as direitas, são sempre plurais", avaliou Daniel Aarão. No conturbado período entre 1961 e 1964 havia dentro das esquerdas brasileiras tendências comprometidas com projetos revolucionários que queriam transformar o país "de uma sociedade capitalista em uma sociedade comunista". Havia diferentes nuances dentro dos grupos de esquerda, mas este era o espírito. Agrupações políticas estavam "desencantadas" com a possibilidade de realizar as reformas por meio pacífico.

Havia a esquerda "mais radical", mas também grupos mais moderados, como a "esquerda positiva", conforme classificou Santiago Dantas, ministro da Fazenda de João Goulart. Para Marco Antonio Villa, a democracia foi a grande derrotada do período. "Poderíamos ter buscado uma grande aliança que incorporasse o centro e setores da direita em uma aposta democrática que aprovasse as reformas buscando uma ampla articulação no Congresso Nacional", avaliou.

O historiador concorda que o golpe foi civil-militar. "Não foi uma quartelada típica da América Latina", explicou, foi um golpe que afetou as instituições, mas apoiado por movimentos sociais de grandes proporções, como as marchas da Família com Deus pela Liberdade. Para refletir sobre a ditadura, disse Villa, é preciso observar a participação dos movimentos socais mais conservadores. A gênese do período de exceção obteve apoio "bastante considerável" da sociedade brasileira, mas com o tempo perdeu o prestígio inicial.

Ronaldo Costa Couto concordou que o movimento militar teve um importante apoio civil. Parte da imprensa, "tecnocratas" e a classe média estavam de acordo com a tomada de poder. O escritor relembrou uma entrevista que fez com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na década de 1980, na qual o então líder sindical comentou que à época dos fatos "recebeu o movimento como uma coisa boa para o Brasil".

Dois pesos, duas medidas?

Um telespectador perguntou aos participantes se a mídia brasileira "é mais condescendente com ditaduras de esquerda do que com regimes de direita". Ronaldo Costa Couto considera que "há de tudo" na imprensa. A partir da promulgação do AI-5, em dezembro de 1968, até a retomada da liberdade de imprensa, em janeiro de 1975, com a suspensão da censura prévia imposta ao jornal O Estado de S.Paulo, a posição da imprensa foi diversificada – da "imprensa nanica", que atuou com coragem e formou opinião, à grande mídia, que inicialmente apoiou o regime militar. "A história da imprensa no período é de heroísmo e de enfrentamento, mas também de adesão", explicou.

Marco Antonio Villa destacou que o único jornal que não apoiou o golpe foi a Última Hora, de Samuel Wainer. Jornais que no final da década de 1960 teriam um importante papel de denúncia e luta para o restabelecimento da democracia, como o Correio da Manhã, Jornal do Brasil, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo apoiaram a queda do presidente João Goulart. Para o historiador, é preciso lembrar que o Estado Novo (1937-1945) também reprimiu a atividade da imprensa de forma severa, mas que o governo "foi muito hábil" na cooptação de intelectuais por intermédio do ministro da Educação, Gustavo Capanema. Daniel Aarão ponderou que a ditadura militar teve uma postura similar de adesão de intelectuais e articulou com meios de comunicação, como a TV Globo.

 

***

Golpe, contragolpe ou revolução?

Alberto Dines # editorial do programa Observatório da Imprensa na TV nº 496, no ar em 31/03/2009

Quarenta e cinco anos depois, falta esclarecer quase tudo: foi um contragolpe, golpe de Estado, golpe militar, revolução? A própria data é discutível: o presidente legítimo, João Goulart, deixou a capital no dia 1º de abril, mas aqueles que o derrubaram não queriam que o episódio parecesse uma piada e anteciparam a comemoração para o dia 31 de março.

Mas existem algumas certezas: em 1964 foi instalada uma ditadura e esta ditadura desdobrou-se em várias fases que se estenderam ao longo de 21 anos.

Se a ditadura foi branda comparada com as outras dos países vizinhos, não importa. Foi uma inequívoca quebra da ordem constitucional em que foram anulados os direitos políticos e humanos.

Os argentinos, mais dramáticos do que nós, denominam a década de 30 do século vinte como "década infame". Em nosso caso, as duas décadas dolorosas e humilhantes entre 64 e 85 são classificadas eufemisticamente como "anos de chumbo".

Parece que os brasileiros não gostam da sua história: os 200 anos da imprensa que deveriam ser comemorados no ano passado foram engavetados porque ainda há gente que não quer reconhecer que a inquisição operou no Brasil ao longo de quase três séculos.

A ditadura militar teve o aval da imprensa e quando a imprensa percebeu a enrascada em que se meteu já era tarde. Não foi a primeira vez: o golpe que implantou o Estado Novo em 1937 também foi recebido sem oposição, tal como as violentas medidas de exceção depois da Intentona Comunista de 1935.

A revisão da história não se faz por decreto. A sociedade é quem deve convocá-la. Uma coisa é certa, enquanto não conhecermos os detalhes do nosso passado, estaremos sempre sujeitos a repeti-lo.

Comentários (16)
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José de Souza Castro , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 6/4/2009 às 10:16:58
Cerca de dois meses antes de "Folha de S. Paulo" chamar a ditadura de ditabranda, uma repórter do jornal, Fernanda Odila, começava a pesquisar processos envolvendo torturados, como a ministra Dilma Rousseff. A reportagem foi publicada neste domingo, e precisa ser lida. Na Folha Online é possível ler a entrevista completa, de uma hora, por telefone, feita com a possível candidata petista à sucessão de Lula. O pano de fundo da reportagem é um plano para o sequestro do então poderoso ministro Delfim Netto, que Dilma nega veementemente ter conhecido. Curiosamente, afirma ter sabido disso agora, pela repórter da Folha, jornal que a ministra não desculpa: "Por isso que, minha filha, esse seu jornal não pode chamar a ditadura de ditabranda, viu? Não pode não. Você não sabe o que é a quantidade de secreção que sai de um ser humano quando ele apanha e é torturado. Você não imagina. Porque essa quantidade de líquidos que nós temos, que vai do sangue, a urina e as fezes aparecem na sua forma mais humana. Então, não dá para chamar isso de ditabranda não." Fernanda Odila formou-se em jornalismo pela PUC Minas, trabalhou no "Hoje em Dia" e no "Estado de Minas" antes de ir trabalhar em Brasília para a Folha, onde se destaca como grande repórter. Sua trajetória confirma que a imprensa mineira, por incompetência, não consegue reter os grandes repórteres, fato que se repete há mais de 60 anos.
Maurício Antunes Ariede , Rio Negro-PR - Eletrotécnico
Enviado em 4/4/2009 às 19:10:42
Gostaria de parabelizar Alberto Dinnes por debater este assunto; é essencial manter os temas "ditadura militar" e "golpe de 1964" sempre na mídia e no dia a dia das pessoas, pois não podemos permitir que as novas gerações crescam tendo a impressão que a tal ditadura foi há séculos atrás ou coisa ocorrida do dia pra noite. É necessário que as pessoas entendam os antecedentes do golpe, os personagens, seus interesses e sua história, senão a impressão que fica é esta: um belo dia certo general acordou de mal humor, deu o golpe e 21 anos depois os militares o devolveram ao Sarney. Por fim, gostaria também de demonstrar minha admiração ao Sr. Dinnes pelo seu mea culpa de 2004, quando publicou, neste observatório, trechos do livro "Os idos de março e a quada em abril", edição rara (que consegui a muito custo em sebos) e editada pelo jornalista Alberto Dinnes poucas semanas depois de golpe. O citado livro é um apanhado de artigos, escritos por grandes jornalistas da época, descendo a lenha em Jango e apoiando o golpe e os golpistas (o trecho em que Lacerda é entrevistado realmente é de comover). Ali fica nítido todo o apoio da mída ao golpe, a mesma mídia que anos depois penaria com o AI-5, que pediria a redemocratização e que hoje posa de vítima e arauto da democracia. Parabéns Dinnes, pela sua humildade e por manter este debate sempre aceso.
Miguel Álvares Cardoso "Cardoso" , Rio Verde-GO - Professor aposentado
Enviado em 3/4/2009 às 23:58:26
Eu assisti a derrubada de Getúlio em 1945 para que o Dutra o substituisse na data certa da eleição marcada. Pode-se dizer: um golpe de cavalheiros como os que se veem em jogos de cartas; quer dizer "civilizadamente". Isso porque temiam que Getulio revogasse a sua intenção, em última hora. Agora, o golpe contra Jango, foi uma canalhice sem similar na hisória politica do país. Esse negocio de disciplina de hierarquia militar é conversa mola; isso foi apenas pretexto para o que já estava fermentando entre os que queriam o poder a qualquer custo desde a queda do Jânio. As traições eram sorrateiras, tanto assim, que afloraram de inopino, tão logo se delineou a insídia consumada. Em militar não se confia e jango foi muito amador politicamente nas minudências dos que o cercavam apesar das advertências do seu cunhado Brizola.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 3/4/2009 às 16:50:30
Sim!. É verdade que as ditaduras "ibéricas" (No século 20 na Europa houve muitas ditaduras. As do Leste Europeu eram de esquerda) dos tais Salazar e Franco (que nojo, hein!) duraram muito!. E prejudicaram demasiadamente tanto Portugal quanto a Espanha. Tanto que tiveram de receber esmolas da então "Comunidade Econômica Europeia" para se reerguerem. A Espanha deu-se melhor politicamente, pois, nela houve uma ruptura. Portugal deu-se pior, politicamente, porque não houve a ruptura. O Brasil -talvez por atavismo (lusitânico)- optou por reproduizir Portugal e não fez a ruptura. Assim, temos Sarney e Collor na "base aliada lulática". Quando disse que as ditaduras de direita duram menos do que as ditaduras de esquerda eu estava pensando na tal Cuba e no tal Fidel que são os paradigmas da democracia dos intelequítuais de esquerda brasileiros. Mas, não importa se as ditaduras de direita duram menos ou mais do que as ditaduras de esquerda ou vice-versa. Ambas são deletérias independentemente do "prazo de validade" delas. Quanto a um projeto para um país "democrático" ele não deve ser nem da elite nem do "povo". Mesmo porque não existe democracia elitizada nem democracia "popular" (querem, atualmente, fazer crer -lulaticamente- que a "atual" democracia é "popular"). Democracia, sem favor!. E sem adjetivos!. Tomara que não se repita o 31 de março (direita) nem o 1º de abril (esquerda)!.
Carlos Diniz , Rio de Janeiro-RJ - estudante
Enviado em 3/4/2009 às 10:56:44
"Sem contar que uma "ditadura civil de esquerda" prolonga-se muito mais do que uma "ditadura militar de direita Depende,os regimes de direita de Franco e Salazar ficaram quase 40 anos no poder. Sobre a Escola Superior de Guerra vc está certo,mas a citação dos ex-tenentistas no golpe foi mais pra frisar que os militares já tinham interesses bem diferentes de alguns setores "das elites",sobre um projeto de Brasil.
Julio Valerio Neto , Andradas-MG - Produtor de TV
Enviado em 3/4/2009 às 00:59:17
Me lembro em 1994, quando Paulo Francis lançou "30 anos esta Noite" e o debate sobre a ditadura e suas feridas nos jornais e na TV. O silencio nesse aniversario de 45 anos do golpe foi algo impressionante. Vivemos o apagamento historico.
Pedro pereira pereira , Palmas-TO - Oleiro e decoupagista
Enviado em 3/4/2009 às 00:01:11
¨Goularth presidia um Governo legal, eleito, e pretendia realizar reformas para alterar nossa ordem social dentro da Lei ¨ Qual lei? as que ele queria implantar pra adaptar seu esquema trienal? Ou a reforma constitucional para adaptar a ideia Getulista de governo? As que decretavam o fim das escolas particulares de ensino ? Ou das mudanças politicas pra coonestar a oligarquia riograndense que tinha perdido força com a morte de getulio. Se jango continuasse no poder mesmo depois de findo o parlamentarismo, talvez o destino estivesse mais proximo do fascismo que do tão esperado comunismo que tantos alardeiam Essa torpe imprensa que adula os ricos e odeia os pobres ou os torpes ricos que odeiam os pobres e adulam a imprensa, ou os torpes pobres que odeiam os pobres e adoram os ricos.
Carlos Henrique Simões da Costa , Recife/PE-PE -
Enviado em 2/4/2009 às 22:01:51
Ontem, 31/03, o programa dedicou-se a uma análise de Golpe Militar de 64, tanto no que concerne à participação midiática, como às causas do mesmo : Embora tenha reconhecido o inegável apôio dos barões da mídia ao golpe, o que é provado pelos artigos dos jornais da época, o programa não deixou de citar, em defesa da mídia, que ela posteriormente "mudou de lado", ao perceber em que se metera. Comete aí a primeira mentira, uma vez que os meios de comunicação conservadores sabiam muito bem o que seria o golpe militar e só passaram a criticá-lo quando esse já agonizava, nos anos finais da ditadura, por uma questão de oportunismo, tendo mantido um apôio irrestrito aos milicos durante todo o período ditatorial, difundido o arcabouço ideológico de mentiras, que pretendia justificar o golpe. mas o pior ainda estava por vir, cercado por um trio de "historiadores" conservadores,sem primar pelo contraditório,o Observatório difundiu a ABSURDA tese, cocorroborada imediatamente pelo trio convidado, de que o golpe militar ocorrera como reação a um "golpe de esquerda" que estaria por vir. Ilação; ou melhor, má fé mesmo; que só existe nas cabeças daqueles que desejavam justificar o injustificado: um golpe criminoso. Não há qualquer documento que posa corroborar essa teses:Goularth presidia um Governo legal, eleito, e pretendia realizar reformas para alterar nossa ordem social dentro da Lei
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 2/4/2009 às 19:01:46
Sim. Geisel e Costa e Silva foram tenentes. E participaram do tenentismo. E foram favoráveis a Getúlio. Mas, os "principais" militares do "golpe" (sic) de 1964 não eram oriundos do tenentismo. Os "principais" militares do golpe de 1964 são oriundos da Escola Superior de Guerra. Uma "geração" pós-tenentismo. Sim, é verdade. Todos (os que têm poder político) tiram do caminho aqueles que são contra (inclusive os "ex" aliados). Isso ocorre tanto na ditadura quanto na democracia!. (vide a companheirada). Prestes era tenente e do tenentismo. Mas, tentou um golpe em 1935 (desde Mouscou, hein!) contra Getúlio. Mas, o mais risível foi Prestes ter apoiado Getúlio para presidente (1949-1950), pois, Getúlio havia "deportado" a esposa comunista de Prestes à Alemanha nazista!. Acho que a companheirada dá graças a Deus (exceto os ateus) da última ditadura ter sido uma "ditadura militar de direita". Pois, se tivesse sido uma "ditadura civil de esquerda" a companheirada não teria de quem reclamar nem de quem pedir indenização. Sem contar que uma "ditadura civil de esquerda" prolonga-se muito mais do que uma "ditadura militar de direita". Assim, os militares são os algozes e os companheiros são os "heróis". No golpe e na ditadura de 1964 havia um direitista (o eterno udenista -hoje no PMDB-). É o tal Sarney. Aproveitou-se da ditadura até a última gota de sangue. Hoje é um companheiro lulático!.
Carlos Diniz , Rio de Janeiro-RJ - estudante
Enviado em 2/4/2009 às 10:34:43
"Não mesmo!. O tal "golpe" de 1964 nada tem a ver com o tal "tenentismo"!. O tal "tenentismo" tem a ver é com o "golpe" (revolução?, rarará!) de 1930 perpretado pelo tal Getúlio" Engana-se,entre os principais miliatares envolvidos no golpe de 64, estavam ex-paticipantes do tenentismo como Geisel e Costa e Silva . Também foi ali que os setores militares começaram e expressar ambições políticas próprias,em 64 os militares não se limitaram a falácia da "operação cirúrgica para resgatar a democracia".A linha dura tinha sim seu prórprio projeto de país (tirando do caminho e perseguindo quem fosse contra,mesmo ex-aliados)
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 1/4/2009 às 20:24:57
Não mesmo!. O tal "golpe" de 1964 nada tem a ver com o tal "tenentismo"!. O tal "tenentismo" tem a ver é com o "golpe" (revolução?, rarará!) de 1930 perpretado pelo tal Getúlio. Aliás, o tal Prestes também foi filhote do tal tenentismo. Aliás, se não houvesse o tal tenentismo nem sequer haveria o tal Getúlio!. Sim, a tal "proclamação desta República (ainda com R maiúsculo) foi o primeiro "golpe" militar. O qual se deu em 15 de novembro de 1889. Acho a monarquia algo ridículo. Mas, convenhamos, esta nossa República, hein!. Mas, por falar em monarquia acho que foi até (um pouco) bom o Brasil ter sido Império. Já imaginamos se permanecêssemos "colônia" por mais tempo?. Ih!. aí o atraso seria bem maior e bem pior. E, possivelmente haveria muito mais "golpes". E a tal democracia seria -certamente- bem mais frágil. Vide a hermandade!.
marina chaves , marilia-SP - bancaria
Enviado em 1/4/2009 às 19:24:26
ontem eu assiti ao observatorio ... não sou historiadora.... mas eu vou arriscar um palpite: não creio que a influencia dos militares tenha vindo de 1922, como o tenentismo.... acho que ela é anterior, vem justamente com a virada para a republica... quem não se lembra que o nosso primeiro presidente da republica foi deodoro da fonseca, um integrante das forças armadas, um marechal, mas que tinha uma queda pelo imperio?? o fato é que o militares sao os pais da republica brasileira, isso é fato... e pelo o que eu sei tambem, o exercito do brasil se tornou poderoso com a guerra do paraguai...
Marcos Tavars , Vitoria-ES - Auditor Fiscal de Ributos Estaduais
Enviado em 1/4/2009 às 18:40:03
mpeerdivel o programa da ultima terça-fweira(21 de Março) ,que abordou o movimento militar-civil que derrubou Jango . Embora asunto controverso, os entrevistados ,com didatica e profundidade, bem articulados,souberam expor seus ponto-de-vista. Ao final,quem ganhou conhecimento foi o espectador. erece ser reprisado. E ser vistopor todos os professores de hstoria. Tlvez ,assim,ministrem aulas sem a tradicionais paixoes ideologico-partidarias,sejam de direita,sejam de equerda.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 1/4/2009 às 18:12:54
E se em vez da tal "Redentora" viesse a tal "Revolucionadora -a autêntica revolução" o ministro da Agricultura certamente seria o tal companheiro Francisco Julião. Aí teríamos tido o "Programa Fome Mil"!.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 1/4/2009 às 18:07:28
Não aguento (agora sem o trema!) mais ouvir falar na tal "Revolução Cubana de 1959". Na vigência do tal Fulgêncio Batista aquilo era a "Fazenda Particular Batista Corporation S.A." Na vigência do tal Fidel aquilo é a "Fazendola Açucareira Irmãos Castro Limitadíssima". Qual a contribuição "civilizatória" (em quaisquer aspectos da atividade humana) da tal "Revolução (ou Opressão) Cubana de 1959"?. Acho que só há uma "contribuição": A de "enfrentar" o tal "imperialismo ianque". Os cínicos dirão: "E isso é pouco?". Ora, além de ser pouquíssimo, não serviu para absolutamente nada. Enfrentou o tal "imperialismo americano", mas, sucumbiu ao "imperialismo soviético". Além do que o tal Fidel nem era comunista. Foi cooptado na Cidade do México por um agente soviético. E para não morrer teve de esmolar assistência médica do inimigo colonizador. E o tal Fidel ainda faz merchandising gratuito para a Adidas toda vez que se deixa fotografar com aquele puído pijama. Mas, o pior mesmo foi trocar um ditadura pela outra. No Brasil a tal "Revolução de 31 de Março" foi um golpe militar de Estado para evitar a tal "ditadura do proletariado, rarará" ou o tal "comunismo, rarará também". Mas, tornou-se uma ditadura. Repito, di-ta-du-ra. A única vantagem da ditadura à direita sobre a ditadura à esquerda (que certamente viria) foi não ter de depender de Cuba. Mas, já imaginaram depender de Cuba?.
Pedro Pereira Pereira , Palmas-TO - Oleiro
Enviado em 1/4/2009 às 17:52:12
A história brasileira lentamente, e para desepero de alguns, sendo passada a limpo. Os motivos sendo discutidos e as posiçoes sendo esclarecidas. Quem foi quem no CONTRA GOLPE de 64? Onde estava a democracia e quem a tinha como fundamentos? Sei não, mas a postura libertadora de alguns vai sendo desmitificada e muita gente vai ter que calar sua enorme bocarra.
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