ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 533 - 9/2/2010
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MALHAÇÃO
Lavagem cerebral nos jovens, sim, mas sem exageros

Por Emanuelle Najjar em 14/4/2009

Li neste Observatório um artigo que me deixou no mínimo intrigada. Escrito por Adriano Degra, estudante de Jornalismo, o texto "A lavagem cerebral nos jovens" falava em alienação de telespectadores do programa, em imposições da sociedade e outros fatores que justificam tal argumento.

Como alguém que assistiu o programa desde muito cedo, desde sua primeira versão, quando era ainda um experimento, e que vez ou outra ainda dá uma olhada na TV para ver o que se aproveita, achei por bem escrever algo sobre o assunto.

Malhação foi uma tentativa de experimentação de um novo formato de dramaturgia, semelhante às soap operas americanas, em que não há uma data de término. Em função disso, elenco e cenários são constantemente renovados, seguindo números de audiência e anseios de público-alvo, também servindo como porta de entrada para novos atores.

O programa, que já reinou absoluto durante as tardes, agora passa por uma crise nos números, impulsionada pela concorrência de outras emissoras e mesmo devido à repetitividade dos enredos escolhidos, também sofrendo pela crise das mídias. E, como a TV em geral, sofre acusações relacionadas à alienação de seu público etc.

Gravidez precoce e o "ficar"

Não vou negar o fato de o programa apresentar problemas em suas histórias, mas não seria certo falar que ele só retrata as classes sociais mais abastadas. Muito já foi falado em termos de valores e crises financeiras e famílias mais pobres, até em núcleos principais.

Também não é simplesmente uma novelinha com assuntos e tramas fúteis. Durante anos foi o programa que mais teve inserção de merchandising social e dos mais diversos temas, desde alcoolismo, uso de drogas, doping, bullying, Aids, gravidez precoce e até invisibilidade social, servindo como veículo de conscientização.

Talvez seja irreal usar o argumento de que eles refletem imagens erradas sobre os adolescentes falando em gravidez precoce. O fenômeno existe muito antes do nascimento do programa, assim como o "ficar" dos adolescentes.

Argumentos vazios

Malhação não era pior que o fenômeno Rebeldes. O programa não é somente feito de maus exemplos e nem de coisas cuja concordância, existência e origem sejam duvidosas. No máximo pode ser considerado algo repetitivo, e que precisa de reformulações no que diz respeito aos núcleos principais.

Polêmicas de nível anti-Globo minimizam a discussão, fornecendo argumentos vazios. Discussões sérias ocorreriam caso as razões fugissem daquilo que parece ser algo pessoal contra a emissora. Para falar do assunto, é preciso sair do âmbito teimoso de anti-fã e procurar pontos individuais de questionamento, caso contrário todo texto e toda crítica será vazia.

Comentários (3)
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Marcelo Batista , Ipatinga-MG - Estud Jornalismo
Enviado em 16/4/2009 às 16:49:33
Há de se concordar com uma linha argumentativa da autora Emanuelle. Realmente um comentário mais ácido precisa ser esmiuçado para que se torne verossímel e lógico. Sobre o texto do estudante Adriano Degra, parece-me aquele ser mais contundente do que esse. Não pode-se jogar a culpa num possível radicalismo anti qualquer coisa se os argumentos que baseiam o raciocínio forem (como são) incontestáveis. Já os de Emanuelle parecem-me mais passionais e saudosistas. Fica a minha impressão de que, ao assistir alguns episódios desta "soap opera" há muitos anos, já no auge da vida adulta, precisaria preocupar-me mais com a formação cultural de nossos jovens. O que se consome é uma libertinagem travestida de lierdade e entretenimento. Valores familiares são não só desprezados como aviltados. Conceitos de uma psicologia juvenil contestável e de resultados desastrosos são transmitidos como novas leis e paradigmas. O sexo entre adolescentes é quase uma obrigação! Recordo-me de lamentável episódio onde uma garota de 15 anos ridicularizava a colega de 13 ou 14: "O quê? É virgem ainda? Caraca, mané!". Em suma, ao se colocar as malhações na mesa, haveremos de proceder uma contemplação das regras, não das exceções. E, numa paráfrase irônica anti-Globo, "a regra é clara". Marcelo Batista, estudante de Jornalismo
Fernando Schweitzer. , Buenos Aires-IN - Estudante ( Sempre )
Enviado em 15/4/2009 às 01:49:07
Este programa é um asco. Serve para trampolim de novos testes do sofá, jamais novos talentes... É o produto onde mais o quem deita com quem define elenco dentro da Rede Globo
Renata  Noiar , Brasília-DF - Critica
Enviado em 14/4/2009 às 12:04:37
Excelente texto! Realmente, a causa da falta de interesse do publico por malhação e pela grande parte do que está no ar é a mesma: a mesmice... Fui estagiaria da Agência de Notícias dos Direitos da Infância - ANDI - em um tempo em que Malhação abria grande espaço para pautas relevantes para seu público alvo. O programa recebia uma atenção diferenciada por parte da emissora e isso podia ser mensurado e qualificado. Mas, infelizmente, isto se perdeu... Hoje, virou trampolim, uma espécie de vitrine interna para novos "talentos"... Sem o compromisso que costuma ter...
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