ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 534 - 9/2/2010
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“ERRAMOS” ENVERGONHADO
Folha publicou ficha falsa de Dilma

Por Luiz Antonio Magalhães em 25/4/2009

A Folha de S. Paulo reconheceu neste sábado (25/4) que publicou, na edição de 5 de abril, junto com reportagem que tratava de um suposto plano para sequestrar o então ministro Delfim Netto, um documento falso sobre a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O reconhecimento do jornal é boa notícia, mas poderia ter sido mais elegante. "Autenticidade de ficha de Dilma não é provada", diz o título da matéria reproduzida abaixo.

Ora, o jornal informa que a ficha publicada foi recebida por e-mail, está no site ultradireitista Ternuma e não existe no Arquivo Público do Estado de São Paulo, onde estariam guardados os documentos do Dops. O correto, portanto, seria dizer que a ficha é falsa, pura e simplesmente. O reconhecimento envergonhado do erro só piora as coisas para a Folha, que por sinal não deu o mesmo espaço para desfazer o equívoco do que ele mereceu na edição de 5 de abril, quando teve chamada na primeira página do jornal. Errar é humano, reconhecer o erro é obrigação de quem erra. Com igual espaço e destaque, de preferência.

Além da questão do espaço e destaque, cabe notar que a Folha marotamente publicou, abaixo da matéria sobre o erro da ficha, uma reportagem sobre a "volta" de Delúbio Soares ao PT. Cabia ali, claro, Dilma também é petista, mas é impossível não perceber a mão leve da editorialização do noticiário. É quase como se o jornal confessasse: "errei, mas este PT não presta mesmo...".

***

Autenticidade de ficha de Dilma não é provada

Reproduzido da Folha de S. Paulo, 25/4/20009

"Folha tratou como autêntico documento, recebido por e-mail, com lista de ações armadas atribuídas à ministra da Casa Civil

Reportagem reconstituiu participação de Dilma em atos do grupo terrorista VAR-Palmares, que lutou contra a ditadura militar

DA SUCURSAL DO RIO

A Folha cometeu dois erros na edição do dia 5 de abril, ao publicar a reprodução de uma ficha criminal relatando a participação da hoje ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no planejamento ou na execução de ações armadas contra a ditadura militar (1964-85).

O primeiro erro foi afirmar na Primeira Página que a origem da ficha era o ‘arquivo [do] Dops’. Na verdade, o jornal recebeu a imagem por e-mail. O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada -bem como não pode ser descartada.

A ficha datilografada em papel em tom amarelo foi publicada na íntegra na página A10 e em parte na Primeira Página, acompanhada de texto intitulado ‘Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto’.

Internamente, foi editada junto com entrevista da ministra sobre sua militância na juventude. Sob a imagem, uma legenda ressaltou a incorreção dos crimes relacionados: ‘Ficha de Dilma após ser presa com crimes atribuídos a ela, mas que ela não cometeu’.

O foco da reportagem não era a ficha, mas o plano de sequestro em 1969 do então ministro Delfim Netto (Fazenda) pela organização guerrilheira à qual a ministra pertencia, a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Ela afirma que desconhecia o plano.

Em carta enviada ao ombudsman da Folha anteontem, Dilma escreve: ‘Apesar da minha negativa durante a entrevista telefônica de 30 de março (...) a matéria publicada tinha como título de capa ‘Grupo de Dilma planejou sequestro do Delfim’. O título, que não levou em consideração a minha veemente negativa, tem características de ‘factóide’, uma vez que o fato, que teria se dado há 40 anos, simplesmente não ocorreu. Tal procedimento não parece ser o padrão da Folha.’

A reportagem da Folha se baseou em entrevista gravada de Antonio Roberto Espinosa, ex-dirigente da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e da VAR-Palmares, que assumiu ter coordenado o plano do sequestro do ex-ministro e dito que a direção da organização tinha conhecimento dele.

Três dias depois da publicação da reportagem, Dilma telefonou à Folha pedindo detalhes da ficha. Dizia desconfiar de que os arquivos oficiais da ditadura poderiam estar sendo manipulados ou falsificados.

O jornal imediatamente destacou repórteres para esclarecer o caso. A reportagem voltou ao Arquivo Público do Estado de São Paulo, que guarda os documentos do Dops. O acervo, porém, foi fechado para consulta porque a Casa Civil havia encomendado uma varredura nas pastas. A Folha só teve acesso de novo aos papéis cinco dias depois.

No dia 17, a ministra afirmou à rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, que a ficha é uma ‘manipulação recente’.

Na carta que enviou ao ombudsman, Dilma escreveu: ‘Solicitei formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem respeito a minha pessoa e, em especial, cópia da referida ficha. Na pesquisa, não foi encontrada qualquer ficha com o rol de ações como a publicada na edição de 5.abr.2009. Cabe destacar que os assaltos e ações armadas que constam da ficha veiculada pela Folha de S. Paulo foram de responsabilidade de organizações revolucionárias nas quais não militei. Além disso, elas ocorreram em São Paulo em datas em que eu morava em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Ressalte-se que todas essas ações foram objeto de processos judiciais nos quais não fui indiciada e, portanto, não sofri qualquer condenação. Repito, sequer fui interrogada, sob tortura ou não, sobre aqueles fatos.’

A ministra escreveu ainda: ‘O mais grave é que o jornal Folha de S.Paulo estampou na página A10, acompanhando o texto da reportagem, uma ficha policial falsa sobre mim. Essa falsificação circula pelo menos desde 30 de novembro do ano passado na internet, postada no site www.ternuma.com.br (‘terrorismo nunca mais’), atribuindo-me diversas ações que não cometi e pelas quais nunca respondi, nem nos constantes interrogatórios, nem nas sessões de tortura a que fui submetida quando fui presa pela ditadura. Registre-se também que nunca fui denunciada ou processada pelos atos mencionados na ficha falsa.’

Fontes

Dilma integrou organizações de oposição aos governos militares, entre as quais a VAR-Palmares, um dos principais grupos da luta armada. A ministra não participou, no entanto, das ações descritas na ficha. ‘Nunca fiz uma ação armada’, disse na entrevista à Folha de 5 de abril. Devido à militância, foi presa e torturada.

Na apuração da reportagem do dia 5, o jornal obteve centenas de documentos com fontes diversas: Superior Tribunal Militar, Arquivo Público do Estado de São Paulo, Arquivo Público Mineiro, ex-militantes da luta armada e ex-funcionários de órgãos de segurança que combateram a guerrilha.

Ao classificar a origem de cada documento, o jornal cometeu um erro técnico: incluiu a reprodução digital da ficha em papel amarelo em uma pasta de nome ‘Arquivo de SP’, quando era originária de e-mail enviado à repórter por uma fonte.

No arquivo paulista está o acervo do antigo Dops, sigla que teve vários significados, dos quais o mais marcante foi Departamento de Ordem Política e Social. Na ditadura, era a polícia política estadual.

Entre as imagens reproduzidas pelo arquivo, a pedido da Folha, não estava a ficha. ‘Essa ficha não existe no acervo’, diz o coordenador do arquivo, Carlos de Almeida Prado Bacellar. ‘Nem essa ficha nem nenhuma outra ficha de outra pessoa com esse modelo. Esse modelo de ficha a gente não conhece.’

Pelo menos desde novembro a ficha está na internet, destacadamente em sites que se opõem à provável candidatura presidencial de Dilma.

O Grupo Inconfidência, de Minas Gerais, mantém no ar uma reprodução da ficha. A entidade reúne militares e civis que defendem o regime instaurado em 1964. Seu criador, o tenente-coronel reformado do Exército Carlos Claudio Miguez, afirma que a ficha ‘está circulando na internet há mais de ano’. Sobre a autenticidade, comentou: ‘Não posso garantir. Não fomos nós que a botamos na internet’.

Pesquisadores acadêmicos, opositores da ditadura e ex-agentes de segurança, se dividem. Há quem identifique indícios de fraude e quem aponte sinais de autenticidade da ficha. Apenas parte dos acervos dos velhos Dops está nos arquivos públicos. Muitos documentos foram desviados por funcionários e hoje constituem arquivos privados."

Comentários (37)
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Valquiria Casagrande , São Paulo-SP - Bibliotecária
Enviado em 10/12/2009 às 19:07:09
Esta na hora de virar a mesa. O tempo urge!
Claudio Cruz Podadera , São Paulo-SP - Engº Agrônomo
Enviado em 14/11/2009 às 23:51:28
Tudo bem que nada foi provado, ainda. Gostaria de pedir às autoridades sérias, que investigassem à fundo este caso da ministra pois, ser presidente de um país é incumbência de pessoa idonea, sem manchas ou dúvidas sobre sua conduta moral. Como dizia a minha mãe : "Onde há fumaça, há fogo". Obrigado.
Pedro pereira Pereira , Palmas-TO - oleiro
Enviado em 4/5/2009 às 19:41:46
Nova ficha da companheira EStela aparecendo por ai< aquela que não participou de nada que nunca fez nada e só estava no lugar errada na hora errada.Me parece que nesta ficha falsa seus companheiros de infortunio não levavam seu posicionamento muito a sério!! Parece tbem que não fazima muita questão que ela fosse parte das trocas, SErá porquê? Mas acho que dever ser falsa tbem. Até as eleiçoes, qualquer noticia sobre a companheira Dilma serão Falsas, menos as que forem benéficas a sua campanha. O masqueteiro do Lula Já está em açao pra transformar em trunfo o que a vida transforma em trajedia, e ainda vai culpar a oposição.
Cassiano  Scherner , Porto Alegre-RS - Jornalista
Enviado em 28/4/2009 às 18:53:19
Isto é só a ponta do "iceberg"...em breve o passado da "Companheira Estela" vai começar a ser levado ao público...Aliás, já começou..é só ver a matéria do jornalista Luiz Maklouf Carvalho na revista Piauí deste mês.
Carlina Ribeiro , Riberão Preto-SP - Pesquisadora
Enviado em 27/4/2009 às 11:28:20
cade o EUGENIO BUCCI pra comentar isso? rsrsrs
Sergio Ribeiro , São Paulo-SP - bancário
Enviado em 27/4/2009 às 10:26:06
Mais uma prova de que a extrema direita, tipo Ternuma, Olavo de Carvalho e outras figurinhas, sempre recorrem a mentiras, manipulações grosseiras, fraudes e boatos. [ ].
antonio carlos ramos de oliveira , uberaba-MG - jornalista
Enviado em 27/4/2009 às 00:14:04
O que aconteceu com a jornalista que fez essa barbaridade? Foi demitida? E o editor do caderno, sofreu alguma sanção por deixar ir para o público tamanha irresponsabilidade? E o secretário de redação, sofreu alguma sanção? A Folha não explicita isso.
Fabio Passos , Curitiba-PR - Engenheiro
Enviado em 27/4/2009 às 00:01:46
Frias está mesmo desesperado para tentar eleger zé serra. Que pouca vergonha.
sylvia moretzsohn , rio de janeiro-RJ - professora
Enviado em 26/4/2009 às 19:36:29
De fato, Samuel! A novíssima teoria do jornalismo, elaborada por esse especialista em islamismo, judaísmo, cristianismo, terrorismo, multiculturalismo, racismo e urbanismo - nunca é demais lembrar de um de seus mais recentes artigos: as favelas estão em lugares inabitáveis... deve ser por isso que a encosta do Joá, na entrada da Barra da Tijuca, está repleta de mansões! Como esquecer a grande teoria do jornalismo baseada no teste de hipóteses? Primeira hipótese (da publicação original): a principal fonte implicada, uma ministra de Estado, não vai correr atrás da informação. Segunda hipótese (do tal "erramos" deste sábado): o público é idiota.
sonia  avino , santos-SP - psicanalista
Enviado em 26/4/2009 às 18:40:51
a folha ja era...
Samuel Lima , Joinville-SC - Jornalista e professor universitário
Enviado em 26/4/2009 às 12:58:14
Caríssima profa. Sylvia Moretzsohn, concordo integralmente com sua análise. A única explicação pláusível para o "erro" grosseiro talvez esteja na moderna teoria do jornalismo, cujo pai é o Ali Kamel: a "folha" testou hipóteses...
jairo  arco e flexa , sampa-SP - autor teatral
Enviado em 26/4/2009 às 02:27:03
"Autenticidade de ficha de Dilma não é provada" é de um cinismo atroz. Lembra uma cena do ótimo filme sobre o macartismo em Hollywood , "Culpado por Suspeita", com Robert De Niro, em que se vê em ação o diretor de uma das muitas firmas picaretas que arrancavam dinheiro dos estúdios para provar que determinados artistas não eram comunistas. Ao cabo de uma dessas custosas "investigações", o chefão do estúdio pergunta ao dono da firma picareta se descobrira, afinal, se determinado artista era ou não comunista. "Não podemos dizer que ele é comunista", responde o pilantra. "Mas também não podemos garantir que ele não seja comunista"
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 26/4/2009 às 00:39:35
Rogerio aas 6:33: IDEM!!!!!!
Ivo A. Auerbach , Florianópolis-SC - Aposentado
Enviado em 25/4/2009 às 23:18:54
Quem diria, hem? A Veja está fazendo escola! Seu pupilo mais recente é o jornal a Folha de São Paulo! Se continuar neste rumo, terá o mesmo destino dessa imprensa chinfrim.
Bruno Santos , Rio de Janeiro-RJ - Professor
Enviado em 25/4/2009 às 22:17:32
Decepcionante a análise. Pauta não é notícia, ponto final. Se a autenticidade do documento não pudesse ser comprovada não se poderia publicar. O que a Folha fez - e quem vem redistribuindo essa "ficha" também fez - é crime: chama-se DIFAMAÇÃO. Que esteja circulando na internet ou em boca de Matilde não faz diferença nenhuma: pauta não é notícia e ponto final.
Jose de Almeida Bispo , Itabaiana-SE - Publicitario e radialista
Enviado em 25/4/2009 às 20:20:39
Vai chegar o momento em que Otavinho (Frias) vai ter que escolher: ou mantém sua voraz oposição ao lulo-petismo a qualquer custo, inclusive com idiotices como essa que acaba de protagonizar, e afunda de vez o jornal; ou volta a fazer jornalismo como há muito não se faz por ali, para purgar o longo calvário até readquirir credibilidade pra defender seu candidato Serra. Do jeito que está, é apenas um macro panfleto que vai se esvair a cada dia até a consumação final. Possivelmente antes de janeiro de 2011. Quando o feitiço é demais, vira bicho e come o próprio dono.
ubirajara sousa , slz-MA - psicólogo
Enviado em 25/4/2009 às 19:57:52
O articulista utiliza-se de um método sórdido, no meu entender, para garantir a dúvida sobre a autenticidade ou não da ficha. Começa "malhando" a Folha mas, aos poucos, vai pondo a pulga atrás da orelha de quem lê o seu artigo. Prezado Senhor, já estou vacinado contra esse tipo de subterfúgio. Assuma: o Senhor acha que a ficha é verdadeira?
Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 25/4/2009 às 19:56:27
Quem dá como fato um panfleto apócrifo que circula pela internet há bastante tempo como sendo algo autêntico, verdadeiro age dolosamente, de má fé. Não se trata de erro, portanto. Ninguém em sã consciência pode chamar isso de jornalismo. É esgoto mesmo, dos mais fétidos. É um desaforo entregue em casa. Depois, vêm alguns “jornalistas” acusar os leitores e internautas de mal educados.
Marcelo Conti , São Paulo-SP - Bibliotecário
Enviado em 25/4/2009 às 19:45:52
A folha (minúscula mesmo) há muito é um jornal presunçoso, partidário e sem credibilidade; Por falar em falta de credibilidade, buscar informações com o Ustra é o cúmulo. Se não fosse tão grotesco, seria risível. Ela está afundando na lama muito rapidamente. Logo, logo chegará ao fundo e chafurdará com a "revista" veja. Falta bem pouquinho!
Paulo Pereira , S J Campos-SP - .
Enviado em 25/4/2009 às 19:38:56
No blog do Pedro Doria tem uma entrevista com o tenente-coronel norte-americano Steven Kleinman falando sobre métodos de tortura. Destaco este trecho: “é que o objetivo primário deste tipo de interrogatório não é obter a verdade. É produzir fatos políticos”. A “ficha” da Dilma, mesmo que fosse do DOPS, não passa de uma “ficha” de acusações . Portanto, não tem validade histórica e nem jurídica. A Folha envergonhou os repórteres e jornalistas divulgando coisas colhidas a esmo na Internet. Definitivamente, ela jogou a sua credibilidade no lixo.
Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 25/4/2009 às 18:56:44
A Folha perdeu o pudor e os parâmetros há muito tempo, basta lembrar o comportamento do jornal à época do forjado "Dossiê Cayman", do grampo no BNDES...
walter ferreira , Natal-RN - Farmacêutico
Enviado em 25/4/2009 às 18:37:42
A Folha não errou ao publicar a ficha da Ministra Dilma, ela sabia exatamente o que estava publicando, qualquer jornalzinho de escola, procuraria saber da veracidade da ficha. O que foi feito não só neste caso, como em outros, foi o jornalismo mal caráter. Este tipo de jornalismo não se sustentará por muito tempo. Espero.
Rogério Ferraz Alencar , Fortaleza-CE - ATRFB
Enviado em 25/4/2009 às 18:33:09
"Não é um "erramos" envergonhado: é um "erramos" vergonhoso." Concordo com Sylvia Moretzsohn. E acho mais: o próprio título do erramos vergonhoso, "Autenticidade de ficha de Dilma não é provada", é uma vergonha à parte. Quem não soube sobre a vergonha anterior e leu agora esse título, "Autenticidade de ficha de Dilma não é provada" pode imaginar mil coisas. Até que Dilma Roussef falsificou alguma ficha em benefício próprio. O Ternuma, não custa lembrar, é encabeçado por ninguém menos que Carlos Alberto Brilhante Ustra, sobre quem pesam várias denúncias de ter sido torturador a serviço da ditadura. Dizer que a Folha cometeu "erro técnico"ao classificar a origem do documento como "Arquivo de SP" é outra vergonha. Não dizer a fonte do e-mail é mais uma vergonha. Enfim, esse episódio é uma vergonha completa para a Folha.
Paulo Francisco Ramos , são paulo-SP - jornalista
Enviado em 25/4/2009 às 18:18:32
O texto publicado pela edição deste sábado da Folha de S. Paulo não conta tudo o que precisava ser contado para esclarecer essa história da reportagem sobre a ministra Dilma Roussef. Mostrou-se o engano, o erro lamentável, porém não se dá o bastidor de toda essa história. Cita-se novamente o professor que deu entrevista e depois nega parte das declarações. Da-se nessa matéria como ele seria o autor das informações, mas não se diz em nenhuma linha que ele mandou uma carta renegando o contexto da matéria. Espero que esse tema tenha um longo debate, para que possamos discutir colmo o jornalismo é praticado nos porões das redaçõles. Em tempo: o que aconteceu com a repórter que fez essa barbaridade?
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 25/4/2009 às 17:56:14
A tal "Casa Civil" (ministério da Política Federal) "pediu [e conseguiu!] uma varredura" nas tais "pastas do DOPS" no Arquivo Público do Estado de São Paulo?. E por isso o "Arquivo Público do Estado de São Paulo" ficou "fechado" por 5 (cinco) dias?. Então a tal Dilma "falsificou o seu nome e os seus documentos" e a tal "direita" falsificou sua "ficha difamatória"?. E a tal Folha (de S. Paulo, hein!) publicou a tal "ficha difamatória" acreditando que a tal "ficha difamatória" era uma "cópia (oficial?)"?. Pô, eu já estava achando que a tal ministra passaria ao rol dos "heróis e heroínas" que lutaram contra a ditadura -principalmente por ter participado do plano para sequestrar o então inimigo -mas, atual neocompanheiro- o tal Delfim!. Estava pensando também que a repórter Fernanda Odilla ganharia o "Prêmio Esso e Shell e Ipiranga e Petrobrás e Texaco" pela "melhor reportagem folháctica de 2009"!. Talvez em desagravo "os premiadores folhácticos" darão à repórter um "prêmio interno de consolação"!. Alô, seu Octavinho Frias de Oliveira (o Filho) e senhores sinecuristas e abstratos conselheiros acácios, porém alcândores, pois folhácticos da Folha (de S. Paulo, hein!): Então os seus repórteres e seus editores e seus editores-mores não sabem distinguir um documento "há um ano na internet" de um documento oficial?.Afinal, esse tal erramos só saiu porque foi "exigido" pelo atual "pudê"?.
mano nuno , belém-PA - fpúblico
Enviado em 25/4/2009 às 17:42:38
...quando se começa uma campanha ao um processo eleitoral fora de época, ilegal, claramente disafiadora das leis eleitorais deste país, daí os bate-bocas de hoje. Começam também a aparecer esses tipos de reportagens, questionáveis, daí a grande imprensa falida. No entanto, há coisas nessas histórias que por ter lutado contra e ditadura quer ter hálibi eterno.
antonio barbosa filho , taubaté-SP - jornalista
Enviado em 25/4/2009 às 17:39:25
Quer dizer que se a Folha receber por e-mail uma hipotética ficha do Zé Serra, do tempo em que militava na AP (organização terrorista?), ela publica na primeira página? Depois de 15 dias retifica? Fico pensando no que valeria uma retificação, digamos, no dia 15 de outubro de 2010, sobre uma notícia falsa publicada na véspera da eleição, em manchete, caluniando algum dos candidatos. Faz-se o estrago, valendo-se até de documentos forjados (como neste caso), e depois pede-se desculpas. É esse o manual da FSP.
Thomaz Magalhães , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 25/4/2009 às 17:02:53
Tem um erro, aí no desmentido. Diz a Folha que a "Reportagem reconstituiu participação de Dilma em atos do grupo terrorista VAR-Palmares, que lutou contra a ditadura militar" Não lutaram, nem Dilma nem o grupo, contra a ditadura militar coisa nenhuma. Foi a favor da mundaça, no Brasil, do regime capitalista para o comunista.
Fátima Luna Luna , Campina Grande-PB - Professora
Enviado em 25/4/2009 às 16:35:50
Será que um jornal de circulação nacional ao suscitar participações em movimentos estudantis de pessoas como a Ministra Dilma Russef, a opinião pública resolverá por aclamar o regime militar instaurado no país na década de 60? Isso é que é mentalidade provinciana.
Carlos  Fochesatto , Caxias do Sul-RS - Professor
Enviado em 25/4/2009 às 15:55:01
A grande mídia impressa faz questão de se desmoralizar. Essa é apenas uma das grandes inverdades que acompanha jornalões e revistas semanais. Parece que estão em desespero por não conseguirem atingir o governo federal e vão publicando coisas como se os leitores não tivessem censo crítico. O reflexo é a queda nas vendas. É um suicídio.
José Antonio Meira da Rocha , Frederico Westphalen-RS - Professor de Jornalismo
Enviado em 25/4/2009 às 15:23:22
AUTENTICIDADE NA FICHA? É uma piada? Uma FRAUDE GROSSEIRA, sem confirmação de fonte, feita com as fontes tipográficas digitais MS Sans e Courier News! Uma impressão digital fotoxopada! Isso é o mais baixo que um jornal brasileiro jamais desceu! E a FSP se desculpa ainda sugerindo que a ficha é verdadeira! Deem uma olhada: http://mznnews.files.wordpress.com/2009/01/mzn-ficha-dilma-deops.jpg
Vivian Stipp , São Paulo-SP - autônoma
Enviado em 25/4/2009 às 14:23:56
Que esse episódio somado ao da "ditabranda" prove, de uma vez por todas, aos ainda incrédulos, que a Folha transformou-se em panfleto político, e perdeu toda a insenção e credibilidade.
Jose  Leitao Neto , Fortaleza-CE - Aposentado
Enviado em 25/4/2009 às 14:05:18
Quem disse que a imprensa não forma opinião ? Voto na Ministra Dilma. Antes tinha minhas dúvidas, agora com esse esforço desse tablóide de sujar seu nome, já vi que merece meu voto. Usando o paradigma de que eles apóiam a pior espécie de brasileiro, tipo banqueiro criminoso.
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 25/4/2009 às 13:35:31
"E ainda dizem que a autorregulação é a saída para a Lei de Imprensa. Pois sim": cara Sylvia, eh evidente que autoregulacao nao funciona. O que queriam nao era isso, era uma infiltracao do coronelato dentro das leis de media. Vide o que aconteceu com a nova "lei" anti-cricrime internauta de Minas, e o que aconteceu poucas horas depois com o novojornal.com: imperdoavel. A "regulacao" necessaria, primeiramente, eh a do coronelato primeiro. Voluntaria eh que nao vai ser porque autoregulacao nao funciona e pro coronelato eh preferivel nao haver lei a passar lei aas quais eles teem que se submeter: impensavel.
sylvia moretzsohn , rio de janeiro-RJ - professora
Enviado em 25/4/2009 às 12:23:22
E tem mais: publicam esse "erramos" sem qualquer referência na capa, depois do estardalhaço que fizeram com a "notícia" do sequestro que não houve. E ainda dizem que a autorregulação é a saída para a Lei de Imprensa. Pois sim.
sylvia  moretzsohn , rio de janeiro-RJ - professora
Enviado em 25/4/2009 às 12:19:00
(Concluindo) O que causa espanto - e nem estou falando da ética elementar que deveria orientar o trabalho jornalístico, que jamais deveria vender gato por lebre, mas dos cálculos básicos que qualquer comerciante faz sobre riscos, custo/benefício e sobre a necessidade de preservar o valor de seus bens (no caso, a credibilidade) -, o que causa espanto é que os responsáveis pela matéria, sobretudo pela edição, não tenham levado em conta o risco que corriam ao optar pela divulgação de um documento assim. A rigor, nem era risco, era certeza. Porque era óbvio que os interessados iriam correr atrás da informação e era inevitável o surgimento dessa dúvida. Só ela já seria suficiente para demonstrar a irresponsabilidade do jornal. Não há desculpa possível, não é possível desculpar o indesculpável.
sylvia moretzsohn , rio de janeiro-RJ - professora
Enviado em 25/4/2009 às 12:14:05
Não é um "erramos" envergonhado: é um "erramos" vergonhoso. Principalmente porque não é "erramos": não houve erro algum. Erro é algo involuntário e é impossível que o jornal não soubesse da dúvida (dou aqui o benefício da dúvida, considerando a parte final da matéria, sobre a incerteza quanto ao paradeiro desse material de arquivo), é impossível que o jornal não soubesse da dúvida quanto à autenticidade do documento. Porque, como o próprio jornal informou em resposta às críticas iniciais do Espinoza, a reportagem exigiu quatro meses de pesquisa. Não foi, portanto, algo feito às pressas, muito menos editado às pressas. O jornal desejava provocar impacto ao publicar aquela ficha na capa. (Como o ombudsman comentou à época, a ficha não poderia ser da Dilma, mas do Espinoza...). Não haveria impacto algum caso explicitassem a dúvida quanto à fidedignidade do material. É o mesmo que dizer: não poderiam ter publicado nada. Fotos, reproduções, documentos desse tipo só são exibidos como comprovação de autenticidade. Impossível publicá-los com a ressalva: "provável" ficha "supostamente" verdadeira... Impossível. (continua)
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