ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 535 - 28/4/2009
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POLÍTICA BRASILEIRA
Ética e indignação

Por Erick da Silva Cerqueira em 28/4/2009

A palavra "ética" vem do grego ethos e tem seu correlato no latim morale, com o mesmo significado: conduta. Podemos concluir que etimologicamente ética e moral são palavras sinônimas. Porém, apesar de sinônimas, são completamente desconhecidas em um longínquo local chamado Brasília. Obviamente, não me refiro ao povo de Brasília, e sim, aos ilustres moradores da Praça dos Três Poderes. Talvez, agora, com o apoio da reforma ortográfica, essa palavra passe a figurar entre os verbetes do dicionário desses nobres brasilienses honorários.

Depois de tantas denúncias, escândalos, mensalões, castelos, cuecas, anões do orçamento, pasta rosa, aquilo roxo e operações glamourosas da Polícia Federal, os nossos ilustres representantes estão indo buscar know-how internacional. Para tanto, os pobres deputados, tão ligados às suas famílias, estão levando-as junto consigo para ajudar a vencer a triste solidão sentida por aqueles que acabam deixando sua pátria em nome dos interesses públicos. Pena que todo esse amor familiar seja sustentado por nós, pobres contribuintes e eleitores brasileiros.

Mas até quando irá esse mau-caratismo sem tamanho? Esse caradurismo desassombrado e impunemente executado a cada dia?

Até sempre. No Brasil, as coisas funcionam de forma contrária. É comum ver vereadores desfilando com pose de celebridades nas capitais e, principalmente, no interior do nosso país, com ar de empáfia e desdém pelas pessoas mais humildes. Justo eles, eleitos pelo povo para representar o povo, acabam por se esconder atrás de gravatas e mesas luxuosas para legislarem, quase sempre, em causa própria.

Ainda há tempo

A farra das passagens aéreas, tão divulgadas, é hoje apenas um futuro ex-assunto. Daqui a alguns meses estará morno e assunto morno não vende jornal. A imprensa, atual inimiga pública número um dos políticos, acaba fazendo o papel da Polícia Federal e investigando os nossos representantes eleitos. Mas esse não é o papel da imprensa e, por isso, acabamos deixando no esquecimento os erros dos nossos legisladores quando a matéria "esfria".

O pior é ter que admitir a "uníssona imagem" dos políticos na mente do povo brasileiro. São todos canalhas, corruptos, ladrões, traficantes de influência, praticantes de licitações ilícitas e acabam sempre se beneficiando do dinheiro público. Entre passagens aéreas, subornos, lobbies ilegais, aumento dos próprios salários, auxílio-paletó, ausências nas plenárias sem mídia e presenças mudas no Congresso vão se passando os dias, meses, anos e junto com eles a indignação do povo, que passa a ver como "normal" a prática de tantos atos ilegais dentro do âmbito público dos três poderes.

Por isso, proponho um ato de repúdio aos nossos governantes. Vamos mandar e-mails sobre moral, ética, bons costumes e powerpoints bonitinhos aos nossos governantes a fim de sensibilizá-los. Enviaremos matérias sobre a violência das cidades grandes, o descaso da educação, o abandono da saúde pública, a imoralidade da falta de saneamento básico e os desvios de verbas federais dos programas de assistencialismo. Vamos mostrar a eles que ainda existe tempo de mudar a história, de mostrar ao Brasil que Brasília tem jeito. Vamos tirar o Congresso do CQC e do Casseta e levá-lo ao Jornal da Record e ao Band News. Chega de palhaçada e brincadeiras onde projetos deveriam salvar vidas. Não percamos o nosso poder de nos indignar ante tanta patifaria parlamentar e descaso com a situação do outro.

Mas antes de tudo isso, é necessário a inserção de uma simples palavra no dicionário dos nossos governantes: ética.

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Carlos André , Salvador-BA - Pastor Batista
Enviado em 29/4/2009 às 10:10:47
Concordo. Contudo, infelizmente, creio que o problema da ética não está somente na Praça dos Três Poderes. Ele tem sido parte integrante da vida dos brasileiros em geral. É a velha "Lei do Gerson": "Leve vantagem em tudo." Para se falar de ética é preciso ter ética, senão será apenas mais um demagogo no pedaço. Certa vez estava numa fila, pra variar, e vi dois homens criticando políticos. Achei sua crítica bastante apropriada, mas, para minha surpresa, no final um disse para o outro: - Se fosse você que estivesse lá também não se aproveitaria? Claro! Não sou otário. Concordaram os dois.
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