ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 535 - 28/4/2009
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LEITURAS DA FOLHA
Quando o "erramos" pretende encobrir a fraude

Por Sylvia Moretzsohn em 28/4/2009

A controvérsia iniciada pela Folha de S.Paulo em 5 de abril, com a extensa matéria que vinculava a atual ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao planejamento do sequestro do então ministro Delfim Netto, em 1969, atingiu um novo patamar com o texto publicado sábado (25/4). O título, oblíquo, dissimula: "Autenticidade de ficha de Dilma não é provada". Ali o jornal – em matéria enviada pela sucursal do Rio, e não produzida na sede – reconhece dois "erros": o crédito, como "Arquivo [do] Dops", dado à reprodução de um documento que, na verdade, fora enviado por e-mail à repórter, e o fato de haver tratado como autêntica uma ficha cuja origem não podia comprovar.

Este Observatório reagiu com agilidade à matéria, acusando no dia seguinte o "erramos envergonhado" e afirmando: "Folha publicou ficha falsa de Dilma". No entanto, errou, também, duplamente: primeiro, ao dizer que o jornal havia reconhecido ser "falsa" a tal ficha; segundo, e mais importante, ao tratar como "erro" algo que é evidentemente uma fraude. Delimitar com clareza a distinção entre uma coisa e outra é fundamental para uma crítica justa, dadas as implicações – jurídicas, inclusive – que cada uma dessas práticas importa.

As diferenças entre erro e fraude

Erro, como se sabe, é algo casual, involuntário, que "acontece". Pode ser banal e irrelevante, pode ser grave, gravíssimo e produzir consequências catastróficas, pode resultar de incompetência ou de informações insuficientes, mas será sempre um acidente. É, como se costuma dizer, uma característica da espécie humana. No caso do jornalismo, o ritmo sempre acelerado de produção, aliado ao irracionalismo que domina a competitividade na era do "tempo real", costumam ser a principal justificativa – quando não a desculpa – para os erros que se multiplicam no noticiário cotidiano. Foi um erro, por exemplo, o anúncio da queda do avião da Pantanal em São Paulo, em maio do ano passado; foi um erro assumir como verdadeira a denúncia da brasileira que teria sido torturada por skinheads na Suíça.

Não é o caso dessa história sobre a ficha da ministra: desde sempre, a Folha sabia da origem do documento e também sabia que não havia confirmado sua autenticidade. No entanto, vendeu-o como fidedigno e falseou a fonte. Não apenas no minúsculo "Arquivo Dops" que aparece como crédito, mas no escancarado FICHA DE DILMA ROUSSEFF NO DOPS, menor apenas que o título da chamada de capa da edição de 5 de abril.

Obrigada a recuar, diante das investigações realizadas por iniciativa da própria Casa Civil, que demonstraram a inexistência daquele modelo de ficha no Arquivo Público de São Paulo, e da carta que a ministra escreveu ao ombudsman, a Folha optou pelo contorcionismo verbal – para não dizer ético – e acusou um singelo "erro técnico" na classificação dos documentos utilizados para a reportagem, que teria originado a identificação equivocada da fonte.

É verossímil que uma reportagem que custou quatro meses de pesquisa – segundo artigo neste mesmo Observatório ["Uma releitura da Folha e da fonte", em 8/4] – possa descurar de algo tão elementar como a catalogação correta daquela ficha?

Pérola de cinismo

Já muito se especulou sobre as intenções dessa reportagem. É muito óbvio que, se o jornal estivesse comprometido com o nobre propósito de zelar pela "memória da ditadura", não teria qualquer motivo para explorar a figura da ministra: afinal, todas as informações sobre o planejamento do sequestro-que-não-houve foram dadas por Antonio Espinosa, o comandante militar da organização guerrilheira. Como argumentou o ombudsman em sua primeira crítica sobre a matéria, o correto seria utilizar como ilustração a ficha de Espinosa.

Mas quem conhece Espinosa?

Por outro lado, quem desconhece Dilma?

Então é muito óbvio: a título de "memória da ditadura", o jornal alardeia, jogando com o tamanho das letras: "Grupo de DILMA planejou sequestro de DELFIM NETTO". E "ilustra" a chamada com a reprodução da tal ficha policial.

É óbvio demais: a publicação de fotos ou cópias de documentos só se justifica como comprovação de fatos. Por isso, precisam ser fidedignos. Porém a Folha decidiu publicar um documento cuja origem desconhece e que "está circulando há mais de um ano pela internet". Entretanto, só nos diz isso agora, desculpando-se pelo "erro", que nem foi tão grave assim: afinal, a autenticidade "não pode ser assegurada – bem como não pode ser descartada".

Esta pérola de cinismo – esse cinismo que campeia nas redações e que exige de todos os que vivem ou passaram por essa experiência um estômago de avestruz para discutir a sério tais argumentos –, esta pérola de cinismo tem, no entanto, efeito oposto ao pretendido: só ajuda a escancarar a fraude, que induz o público a erro e o leva a duvidar do jornal que lê.

Testando hipóteses

Todo mundo sabe que o principal capital de um jornal é a sua credibilidade. Todo mundo sabe que vender gato por lebre é fraude. Nem se fale do ponto de vista ético, mas dos interesses mais comezinhos de sobrevivência, que orientam qualquer comerciante em seus cálculos. Por isso, o espanto: sabendo que seria inevitável a descoberta da fraude, como foi possível tamanha irresponsabilidade?

Talvez a resposta esteja na já famosa teoria do teste de hipóteses, como observaram aqui mesmo, em comentário, o professor Samuel Lima e, em seu blog, o jornalista Luiz Carlos Azenha: a Folha estaria apenas testando a hipótese da autenticidade do documento – bem de acordo, aliás, com outra hipótese, tão cara ao "jornalismo colaborativo", de publicar primeiro e confirmar depois. De minha parte, sugiro outras duas. A primeira (da matéria original): a principal fonte implicada, uma ministra de Estado, não iria correr atrás da informação; a segunda (do atual "erramos"): o público é idiota.

Tão idiota que nem deve ter notado a ausência de um mísero registro desse "erramos" na capa, como seria compatível com um mínimo critério de proporcionalidade. Tão idiota que pode, por isso mesmo, ser convencido de que a autorregulação é mesmo o melhor caminho para a garantia de uma imprensa livre, democrática e responsável. Tão idiota que não deve achar necessário o esclarecimento cabal desse escândalo.

Comentários (39)
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AGRI moreira , são paulo-GO - servidor
Enviado em 7/5/2009 às 17:08:21
Outro coisa fora do aspecto gráfico que se pode notar a fraude é a terminologia "terrorista", naquela época ainda não se usava este tipo de terminologia comumente. O terrorismo veio a crescer a partir da década de 80, foi a partir daí que a imprensa começou a usar o termo massificadamente. A pessoa que fraudou o documento, claro, queria colar em Dilma o conceito de terrorista.
Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 4/5/2009 às 01:04:29
Acho que a Folha utiliza-se equivocadamente da estratégia de calar-se (não explicar) para não produzir prova (novas provas) contra ela própria. Fato é que houve crime. Incumbe à própria imprensa saber se houve culpa ou dolo. Para o público consciente não há dúvidas; houve dolo sim. A pergunta é: a imprensa e os “jornalistas” querem a verdade? É possível chegar-se a ela?
marcia benetti , porto alegre-RS - jornalista e professora
Enviado em 3/5/2009 às 22:57:52
é isso aí, Sylvia. e fico imaginando o que está por vir, nestes dois anos...
sylvia moretzsohn , rio de janeiro-RJ - professora
Enviado em 3/5/2009 às 12:44:48
A coluna do ombudsman deste domingo, 3 de maio, sobre o "caso Dilma", é notável. 1. Informa que, no mesmo dia em que a matéria foi publicada, um leitor escreveu denunciando a fraude na ficha. Só agora sabemos disso, porque a carta não foi publicada. 2. Informa que ninguém na redação sabia que a tal ficha falsa circulava na internet há tanto tempo, e deplora a "incrível desinformação" (quem sabe, a santa ingenuidade) de jornalistas especializados. 3. Pior: informa que a Folha considera o caso encerrado. Que nome dar a essa atitude? É um escândalo? É um acinte? É um tapa na cara do público, ou pelo menos na cara desta parcela de público minimamente consciente do papel de um jornal e do respeito que deveria merecer de qualquer órgão de imprensa? Este é seguramente um dos casos mais aberrantes e vergonhosos da história do nosso jornalismo. E não pode - simplesmente não pode - ficar por isso mesmo.
Rogério Ferraz Alencar , fortaleza-CE - ATRFB
Enviado em 2/5/2009 às 19:37:25
Comentário que enviei, em 07/03/2006: Destaco este trecho de “O silêncio suspeito da grande mídia”: “A primeira foi colocar em dúvida os resultados, através da desqualificação profissional dos institutos de pesquisa. Esse foi o mote inicial de importantes líderes da oposição política no Congresso Nacional. Teve vida curta.” Esse não foi só o mote da oposição: esse mote desmoralizou Janio de Freitas, um dos astros da Folha de S. Paulo. No dia 16/2, Janio de Freitas escreveu “O método do Milagre”, em que ele afirmava que a pesquisa da CNT/Sensus havia sido forjada, encomendada pelo PT para, inclusive, ser publicada no dia do aniversário do partido. Usou de toda ironia e sarcasmo possíveis para desqualificar a pesquisa. Depois, na coluna do dia 22/2, com o Datafolha já “confirmando” os números da Sensus, Janio de Freitas reconheceu o crecimento de Lula, mas, para explicá-lo, veio com novas acusações (sem provas, é claro, pois acusações contra Lula e o PT não precisam dessas formalidades). A mídia não deu a mínima para o fato de um dos seus maiores nomes ter feito uma acusação sem fundamento, desmentida poucos dias depois. Poupou o jornalistão. Da mesma forma o ombudsman da Folha e o Painel do Leitor do jornal. Escrevi a ambos, mas parece que eles são proibidos de criticar ou publicar críticas contra
Rogério Ferraz Alencar , Fortaleza-CE - ATRFB
Enviado em 2/5/2009 às 19:36:14
Cara Sylvia Moretzsohn, mesmo Jânio de Freitas, infelizmente, tem que ser visto com reservas, depois da ascensão de Lula e da oposição que a Folha passou a fazer a ele. Se puder, leia colunas dele, em 16 e 22/02/2006. Fiz comentário sobre elas, aqui no OI, em matério de Venício A. de Lima, de 07/03/2006. Fiquei surpreso com a inconseqüência de Janio de Freitas e, mais ainda, com a falta de ética demonstrada por ele, ao não se desculpar, no dia 22, do havia dito no dia 16. Permiti-me republicar meu comentário, no post seguinte.
Rodrigo  O. Fonseca , Porto Alegre-RS - educador
Enviado em 2/5/2009 às 19:17:29
Sylvia, esse artigo é mais uma das excelentes aulas que os alunos da UFF tivemos contigo. Errar é algo tão fundamental para a nossa formação que não pode ser banalizado.Eles não erraram, e isso não pode ficar por isso mesmo. O lamentável é que esse "Partido da Imprensa Golpista" acaba vitimizando um governo que não está à altura de ser associado com a memória dos heróis que deramsuas vidas a favor de um Brasil com democraciae justiça social.
Malú Matos , Cuiabá-Mt - Autônoma
Enviado em 1/5/2009 às 22:24:06
Alguém sabe o que a Folha fez com o desmentido do Espinosa? Lembro de ter lido no Nassif, mas não lembro de alguma referência à carta do Espinosa pela Folha.
Marcelo Conti , São Paulo-SP - Bibliotecário
Enviado em 1/5/2009 às 18:53:30
Sylvia. Parabéns pelo texto. A Folha está em vertiginosa decadência. E o pior: também decadência ética...
Luiz Fernando  Mendes de Santana , Rio de Janeiro-RJ - Eng. Mecânico
Enviado em 1/5/2009 às 13:50:39
O que incomoda a muitos leitores deste Observatório é o silêncio do Dines. Fez um artigo tímido elogiando a Folha pela admissão de "erro" e nada mais. Não o incomoda o fato de um meio de comunicação fraudar notícias e singelamente dizer que foi erro? Para o "mensalão o Sr. Dines destinou vários artigos. Para este episódio grotesco silêncio?
sylvia moretzsohn , rio de janeiro-RJ - professora
Enviado em 30/4/2009 às 19:06:35
A propósito, esqueci de dizer que, embora este e outros casos protagonizados pela Folha sejam gravíssimo e, a na minha opinião e na de tantos outros, exijam providências judiciais, não vejo como considerar a Folha uma fraude. A Folha é tão fraude como qualquer outro grande jornal, porque para todos eles seria providencial (e impossível, por motivos óbvios) uma seção "fraudamos". Todos fraudam descaradamente. Ao mesmo tempo, todos - uns mais que outros - publicam matérias de extrema relevância. No caso da Folha, dou apenas dois exemplos, entre outros possíveis: o Janio, em sua coluna, e a Elvira Lobato. Por favor não me confundam: não estou com isto tentanto contemporizar (à maneira de outros articulistas que consideram a imprensa (ainda mais esta imprensa com tais interesses empresariais) a "melhor forma de controle social"), estou apenas tentando dizer que, efetivamente, as coisas são mais complexas. O que não nos demite da ação, pelo contrário - e o que mais me espanta e me deixa indignada é ver que as entidades ligadas ao jornalismo, como ABI, Fenaj e as diversas associações de pesquisadores, são absolutamente omissas em casos como este que estamos discutindo aqui.
sylvia moretzsohn , rio de janeiro-RJ - professora
Enviado em 30/4/2009 às 18:31:27
Caro Luciano, novamente agradeço pelo comentário - e aproveito para agradecer aos demais -, mas novamente preciso fazer uma reparação. Ou algumas. Primeiro: vários textos, como o meu, nesta e nas outras edições, são extremamente críticos. Por isso, não destoam. Vários textos dos membros da equipe do Observatório também são extremamente críticos. E ainda que não fossem, isso não desmereceria este espaço, justamente porque este espaço acolhe textos de várias tendências. Não todas - não tem nada parecido com Mainardi, Reinaldo Azevedo ou congêneres. Muito menos com ternumas e coturnos noturnos. Eu poderia dizer que não tenho procuração pra falar em nome do Observatório, mas isso seria uma impropriedade, porque de fato este espaço não tem hierarquias. Tem responsáveis, evidentemente, mas não hierarquias. Não funciona como uma redação de jornal. Por isso, é claro que o Observatório não é movido pela força do Espírito Santo, mas efetivamente ele não discrimina. E esta é uma qualidade rara que deveríamos preservar, porque é preciso preservar o espaço de debate para além do sectarismo que prevalece em outros lugares. Aliás, talvez por isso eu possa fazer uma crítica como esta - contundente, mas fundamentada, portanto sem sectarismos - que mereceu o seu elogio, do qual eu tanto me orgulho.
Fábio Gomieiro , Guarulhos-SP - administrador
Enviado em 30/4/2009 às 17:24:00
Impossível criar a seção "Fraudamos" na Folha de São Paulo. O próprio jornal é uma fraude.
Fábio  Gomieiro , Guarulhos-SP - administrador
Enviado em 30/4/2009 às 17:19:05
Prezado Wellington Rodrigues. A Editora Confiança Ltda., que edita a "CartaCapital", publica duas revistas destinadas aos professores e alunos do ensino de primeiro e segundo grau: "Carta na Escola" e "Carta Fundamental". Pessoas do meu círculo de relacionamento, que atuam na área, dizem que as mesmas são de ótima qualidade. Certamente não são bem vistas e aceitas pelas autoridades pois estimulam os alunos a pensar e a questionar (um perigo! uma ameaça!).
Rogério Ferraz Alencar , Fortaleza-CE - ATRFB
Enviado em 30/4/2009 às 16:53:25
Jedeão Carneiro, gostei muito. Podemos estimular um movimento para que a Folha crie a seção Fraudamos.
Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 30/4/2009 às 15:09:20
Lembram da frase: “prá cá com esse negócio...”. Meu caro Egypto perdão, não sabia que o Observatório era movido pela força do Espírito Santo.
Luiz César Coutinho , São Luiz-MA - Professor
Enviado em 30/4/2009 às 10:52:08
Excepcional este artigo. Concordo com a renata em npumero grau e gênero, pois infelizmente, nós somos uma parcela da população privilegiada que se informa.. tem mta gte que poderia, mas não faz... sendo facilmente manipulada.. lido com pessoas assim o dia inteiro.... e não são somente os miseráveis não. Mas também concordo que hoje muita gente já consegue ver muito além do que há pouco tempo atrás... mas ainda falta... falta muito!!! Que outro jornalistas desse observatório tomem este texto como referência para construírem suas próximas críticas.... Parabéns!
Jorge Yahoo , Florianópolis-SC - Campesino
Enviado em 30/4/2009 às 08:05:30
Parábens, nobre jornalista, poucos desta profissão merecem este título nos dias de hoje, por procurar a verdade em meio à mentira. É óbvio que tudo foi uma fraude. É óbvio que a campanha de 2010 já começou. É óbvio que esta será uma das mais sujas que este país já presenciou. É óbvio que a grande mídia aposta na grande preguiça mental da maioria da população. Afinal, não foi por causa dessa preguiça que eles chegaram onde chegaram?? Por que desprezar agora o pote de ouro??
sylvia moretzsohn , rio de janeiro-RJ - professora
Enviado em 30/4/2009 às 01:32:42
Li há pouco a carta que a Dilma enviou ao ombudsman, num dos muitos blogs de política que a reproduzem nesta quarta. Entre tantas outras coisas, me chamou a atenção este trecho: "Após a publicação [da reportagem], questionei por inúmeras vezes a Folha de São Paulo sobre a origem de tal ficha, especificamente o Sr. Melchiades Filho, diretor da sucursal de Brasília. Ele me informou que a jornalista Fernanda Odilla havia obtido a cópia da ficha em processo arquivado no DEOPS – Arquivo Público de São Paulo. Ficou de enviar-me a prova". A matéria que a Folha publicou a título de "erramos" não menciona isso. Pelo contrário, diz que, diante da manifestação da ministra, destacou repórteres para averiguar. Parece bem claro que o jornal não pode esclarecer esse caso, porque tem muito a esconder. Porém, quando mais esconde, mais suspeitas levanta. Por isso mesmo, o esclarecimento é tão necessário.
Fernando Nogueira , Niteroi-RJ - Professor
Enviado em 30/4/2009 às 01:27:00
Impressionante a baixeza e a idiotice de alguns veiculos de imprensa no Brasil. A cada tentativa vil de derrubar a ministra, mas ela cresce politicamente. Nao podemos nos esquecer que sua candidatura foi lançada no falso escandalo do dossie que nao foi, com auxilio luxuoso do senador Agripino Maia e sua pergunta brilhante. Nao acertam huma.
Jedeão Carneiro , Aracaju-SE - Arquiteto
Enviado em 30/4/2009 às 00:16:33
Depois de ler no Nassif a carta da Ministra, que a Folha escondeu de seus leitores, só abrindo uma seção "Fraudamos" para tentar remendar os cacos do rabo solto da Folha.
Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 30/4/2009 às 00:13:29

A propósito da reparação da Sylvia - que a recebo com humildade e reflexão -, quero frisar sobre a necessidade dos jornalistas colocarem um pouco de lado o corporativismo e a complacência em relação a seus pares, para o bem da própria imprensa e da sociedade que dela se “alimenta”. Para um espaço que pretende observar, e supõe-se criticar a própria imprensa, o Observatório pode fazer mais, bem mais. Basta reparar para a receptividade do texto da Sylvia. Parece destoar do ambiente, de tão enfático, preciso e eficiente. Há quanto tempo não víamos um texto tão destemido, tão direto e de esplêndida simplicidade? Dirão: “mas o texto foi publicado aqui no OI”. Mas não é da lavra do Observatório. O Observatório da Imprensa precisa ser mais incisivo, destemido e dizer enfaticamente o quê precisa ser dito sobre o quê tem feito o descrédito da imprensa brasileira.

Nota do OI: O prezado leitor ainda não entendeu que o Observatório é um veículo jornalístico que discute a mídia, mas, sobretudo, um fórum de discussão aberto à cidadania. Não tem donos, tem editores. Nossa história está aqui. (Luiz Egypto)  

Felix  Miglioranza , Francisco Beltrão-PR - Servidor Público
Enviado em 29/4/2009 às 22:25:45
Só estou escrevendo para dar o meu apoio e dizer que vou repassar este artigo para o maior número de pessoas possível. Nota mil. Um artigo autêntico, muito bem elaborado e acima de tudo, com visão jornalística. Parabéns Sylvia.
Marcelo Ramos , São Paulo-SP - Publicitario
Enviado em 29/4/2009 às 18:23:31
Renata, desde a época do mensalão produziu-se uma cisão na relação público/formadores de opinião. O hoje governador do Rio, Eduardo Paes, na época do suposto mensalão, pontuou com percepção muito aguçada que "... o Lula estava blindado"... e diminuiu a carga que estava fazendo contra o Lula e o PT. A meu ver a Folha caminha a passos largos para competir com a Veja mas não para desbancá-la: ambas estão escrevendo para um público definido, pois o grande público já não compra mais suas hipóteses. Inclusive, creio que a reação de Dilma e governo estão devagar poque sabem isso muito bem: estão no "deixa pra lá, a Folha não tem mais capital moral nem credibilidade para mudar nada". Quanto ao público, nessa época de inteenet, cada um acredita no que preferir. Informação não falta.
Renata Mendes , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 29/4/2009 às 14:49:24
Sim, mas o Luciano tem razão sim. O observatório há tempos deixou de ser um verdadeiro observatório.. parecem que tem medo de cutucar a ferida... Bom, enfim. quero parabenizar o texto, de excelente precisão e visão. E acrescento uma hipótese: a Folha sabia do risco, sabia que ia ser desmascarada, porém, ela é o jornal mais lido, e grande parte da população que lê suas páginas não frequenta sites de internet que discutem o seu conteúdo. Ela sabia que, talvez, tivesse que publicar um "erramos", porém, sabia que o efeito desse erramos na população, NEM DE LONGE seria tão impactante quanto foi a manchete que acusava Dilma de planejar o sequestro... nem de longe. Tanto que basta sair às ruas e colher algumas opiniões: muita gente acha, hoje, que a Ministra é uma terrorsta, sequestradora, entre outros... Portanto , a Folha conseguiu o que queria. Mais uma vez.
Wellington Rodrigues , Caxias do Sul-RS - jornalista
Enviado em 29/4/2009 às 14:44:45
A Folha descobriu que não pode imaginar um país governado por José Serra e ter como seu escudeiro-mor a VEJA dos Civitas. Tinha, então, que lutar para tomar o lugar sórdido que vem sendo amealhado por Veja. Ô revistinha pernóstica, [ ]. Pois bem, José Serra fez nada menos de 220.000 assinaturas da revista Nova Escola, editada pelo grupo Abril, com dinheiro do erário paulista... tudo sem licitação pois não existe no Brasil concorrente (ao baixíssimo nível de Veja) e temos ouvido notinhas dando conta que o mesmo indigitado governador teria contratado cerca de 100.000 assinaturas da Folha, imagine o que não fará como presidente. Tudo isso poderia motivar Sylvia Moretzsohn ou Washington Araujo ou Ricardo Kotscho a persgeuyir a meta de desvendar o buraco negro em que se meteu a Folha de S.Paulo onde credibilidade e embrulhar peixe são tratados na mesma seção: o corpo editorial.
sylvia moretzsohn , rio de janeiro-RJ - professora
Enviado em 29/4/2009 às 13:28:58
Caro Luciano, agradeço o seu elogio mas acho injusto o seu comentário sobre o Observatório. Mesmo porque, se frequentamos este espaço, é porque consideramos que vale a pena. E penso que se trata de um espaço plural, contraditório, que por isso mesmo é capaz de suscitar o debate. Por isso, não vejo mesmice. (Há mesmice, sim, em certos articulistas, mas isso é outra história). A crítica que fiz a dois aspectos da nota que destaca o "erramos envergonhado" não invalida o texto, que, aliás, foi muito oportuno e estimulou várias manifestações a respeito do episódio.
Erick  Cerqueira , Salvador-BA - Estudante de Marketing
Enviado em 29/4/2009 às 12:39:52
Concordo com o artigo mas discordo de Rita Boccato. Acredito que esse mundo de acusações falsas e principalmente esses escândalos que estão tentando incutir na Ministra, no final será um enorme tiro pela colatra. Sou do marketing e acredito que com essas acusações todas pesando sobre a Ministra Dilma irá resolver um dos grandes problemas dela. O desconhecimento. A população está passando a ouvir e ler mais o nome da Sra Ministra. Saber quem ela é ou quem ela foi. Se a imagem dela será a "guerrilheira marginal" ou "a resistência contra os desmandos da ditadura militar no Brasil", isso será trabalhado a partir de junho do ano que vem. Até lá, o falem mal de mim, mas falem, servirá de catapulta para lançar a imagem da desconhecida Dilma (que o povo ainda chama de Vilma) em âmbito nacional.
Darlan Feitosa , Açailândia-MA - Administrador
Enviado em 29/4/2009 às 11:38:36
Não seria o caso de promulgar leis para punir esse tipo de crime? Até quando Folha, Veja e outros vão continuir utilizando os meios de informação para disseminar hipóteses? Até quando pessoas terão de continuar sendo caluniadas por não concordar com o posicionamento político dos editores? Agora quem CANSOU fui eu. Reage Brasil!
Silvério  Cardoso Corrêa , Juiz de Fora-MG - Advogado
Enviado em 29/4/2009 às 11:09:31
Já fui assinate da "Folha". Deixei de se-lo. É lamentável no que se transformou este jornal.
Vivian Stipp , São Paulo-SP - autônoma
Enviado em 29/4/2009 às 00:34:31
Não há como negar que a vinculação e subordinação a um certo candidato destruiu completamente a FSP, vulgo Falha de S. Paulo ou FSPAm, para os íntimos. Não uso nem para embrulhar peixe.
Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 29/4/2009 às 00:30:57
Sylvia Moretzsohn você precisa frequentar mais este Observatório. Vai tirá-lo da mesmice.
Fábio Gomieiro , Guarulhos-SP - administrador
Enviado em 28/4/2009 às 18:58:34
Parabéns à Profa. Sylvia pelo texto. Sugiro a leitura do livro "Os Donos do Poder", de autoria do jurista Raymundo Faoro. Nele é encontrada a explicação para o comportamento dos proprietários das empresas que editam jornais e revistas. Não há compromisso com a verdade ou com a Nação. São parceiros (palavra da moda) dos que se julgam donos do País e pretendem perpetuar privilégios e dominação. Democracia, república, estado de direito são palavras lembradas apenas quando se trata de defender interesses próprios ou da "turma".
Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 28/4/2009 às 15:59:04
Atento para o seguinte parágrafo da jornalista, em que ela observa que este OI, de fato, só observa e não vai além, mas ao amém. Uma pérola. "Este Observatório reagiu com agilidade à matéria, acusando no dia seguinte o "erramos envergonhado" e afirmando: "Folha publicou ficha falsa de Dilma". No entanto, errou, também, duplamente: primeiro, ao dizer que o jornal havia reconhecido ser "falsa" a tal ficha; segundo, e mais importante, ao tratar como "erro" algo que é evidentemente uma fraude. Delimitar com clareza a distinção entre uma coisa e outra é fundamental para uma crítica justa, dadas as implicações – jurídicas, inclusive – que cada uma dessas práticas importa."
Rogério Ferraz Alencar , Fortaleza-CE - ATRFB
Enviado em 28/4/2009 às 14:10:17
Achei o artigo muito bom. E acrescento mais uma hipótese: a Folha apostou tanto no idiotismo dos leitores que por certo achou que o jornal ganharia elogios pela "coragem" e "decência" de reconhecer o "erro" cometido.///"...Bem mais importante do que discutir a falácia que é a exigência de diploma de jornalista para todos os casos seria buscar entendimento sobre os reais motivos que movem nossa imprensa e nosso jornalismo para o abismo." Bem, Ibsen Marques, como estamos na era de testar hipóteses, testarei mais uma: à Folha pouco importa ir para o abismo, se José Serra for eleito presidente, principalmente, pois o que interessa mesmo é derrotar Lula, pela derrota do candidato que ele lançar. Com José Serra ou alguém do grupo demo-tucano na presidência, o jornal, certamente, receberá vultosas somas em dinheiro, que garantirão vida nababesca para os Frias. Se, como governandor, José Serra já fez, salvo engano, 100 mil assinaturas da Folha, imagine o que não fará como presidente. E, ao que parece, os Frias só estão interessados nisso: "recuperar" o poder que foi tomado das elites, e dinheiro.
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 28/4/2009 às 13:04:38
Respondendo à Rita Boccato: Sim, fica tudo por isso mesmo. Esse é o preço da auto regulação, sinônimo novo de impunidade e irresponsabilidade na imprensa. E, garanto que a matéria foi redigida por um jornalista diplomado. Bem mais importante do que discutir a falácia que é a exigência de diploma de jornalista para todos os casos seria buscar entendimento sobre os reais motivos que movem nossa imprensa e nosso jornalismo para o abismo.
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 28/4/2009 às 12:59:59
Pois é, como vai ficar essa atitude "[ ]" da FSP? A autoregulação já se mostrou ineficiente tanto no âmbito da mídia, em todas as mídias, bem como no da propaganda e marketing. Mas sempre que se busca um diálogo amplo para discutir o tema, o monstro da censura paira sobre todos nós. Então ficamos assim, trocamos o seis pelo meia dúzia, mas esse meia dúzia agora é controlado pelo quarto poder. Para ambas as situações, o informar e ser informado está prejudicado e o leitor continua manipulado, porém, agora a gravidade é maior porque nem todos se apercebem já que essa manipulação não é tão explícita quanto a censura.
Alexandre Othero , São Paulo-SP - Consultor de Telecom
Enviado em 28/4/2009 às 12:14:58
Quero parabenizar a jornalista Sylvia Moretzsohn pela brilhante, objetiva e esclarecedora abordagem dada ao assunto. A exposição sobre erro X fraude deveria ser exposta em letras garrafais em muitas redações(a Folha obviamente incluída) e inclusive em muitos instituições públicas, que insistem em apresentar fraudes como meros equívocos . Mais uma vez parabéns pelo didatismo.
Rita Boccato , sao paulo-SP - produtora cultural
Enviado em 28/4/2009 às 12:08:32
Parabenizo a Sylvia Moretzsohn pelo brilhante artigo. Concordo com ela em tudo, principalmente no cinismode certos órgão de imprensa. Já fui vítima do cinismo irônico de uma jornalista da Folha. Mandei uma carta para a aredação e num cantinho, eles publicaram o "erramos". Os prejuízos são irreparáveis. Mas, voltando à fraude na matéria do sequestro que não houve, pergunto: e fica por isso mesmo? não acontece nada com a Folha? Abraços, Rita Boccato
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