ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 535 - 9/2/2010
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OPERAÇÃO SATIAGRAHA
Silêncio, estranho silêncio

Por Luciano Martins Costa em 30/4/2009

Comentário para o programa radiofônico do OI, 30/4/2009

A chamada Operação Satiagraha, que mereceu tantas páginas de jornais e revistas, foi oficialmente concluída. O inquérito segue para a Justiça, sob um estranho silêncio da imprensa.

Na quinta-feira (30/4), apenas o Estado de S.Paulo registra que a Polícia Federal indiciou o executivo Roberto Amaral, mais um colaborador do dono do Banco Opportunity. Agora são treze, oficialmente, os acusados de envolvimento em crimes de evasão de divisas, formação de quadrilha e outras falcatruas.

O personagem do dia, Roberto Amaral, é velho conhecido de jornalistas que cobrem a confluência da política com a área de negócios. Ele costumava circular com desenvoltura pelos gabinetes de Brasília desde os anos 1970, sendo apontado como lobista da construtora Andrade Gutierrez.

Durante o governo Fernando Collor, era dos personagens que entravam e saíam do gabinete presidencial a qualquer hora, mesmo sem ter seu nome anotado na agenda de audiências. Foi grande amigo do notório tesoureiro de campanha do ex-presidente Collor, Paulo César Farias, lembra a reportagem do Estadão.

Primeira instância

Se fosse do tipo falastrão, Roberto Amaral teria muitas histórias para contar. Mas, ao que parece, não há muitas pessoas dispostas a ouvi-lo. Nem mesmo na imprensa.

Pois nada justifica os outros jornais terem ignorado o fato de que, com o indiciamento de Amaral, conclui-se o inquérito que a Polícia Federal batizou de Satiagraha.

O observador atento, que de tão atento pode até ser tido como chato, perguntaria: por que razão, depois de tanto escândalo sobre as práticas do delegado Protógenes Queiroz, que deu início e estruturou o inquérito, os jornais ignoram seu desfecho?

O indiciamento de Roberto Amaral foi feito há uma semana. A publicação da notícia e da conclusão do inquérito parece ter sido resultado do interesse exclusivo do repórter, já que não há nem mesmo uma palavra de referência na primeira página do jornal.

O caso agora está na Justiça. Daniel Dantas vai responder por cinco crimes: gestão fraudulenta, formação de quadrilha, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e operação irregular de crédito. Terá a companhia de doze sócios e colaboradores. Ele já foi condenado a dez anos de prisão, em primeira instância, por corrupção ativa. E, de repente, a imprensa perdeu o interesse por ele.

Comentários (18)
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Luciano Martins Costa , Sao Paulo-SP - Jornalista (Profissional diplomado há mais de trinta anos)
Enviado em 4/5/2009 às 16:05:05
Caro sr. Padua Neto. De fato, fui diretor de Assuntos Corporativos da Burson-Marsteller há cerca de cinco anos. Na epoca ainda nao era responsavel pelo Observatorio da Imprensa no Radio. Tambem fui diretor de uma industria, de uma empresa de educacao de executivos, editor executivo do Estado de S.Paulo, responsavel pelo projeto Estadao Multimidia, editor de Opiniao, editor de Política, colunista de Politica, trabalhei na Folha de S. Paulo, Veja e Abril Cultural, fui reporter especial, reporter especializado na investigacao do crime organizado e um dos primeiros jornalistas brasileiros especializado na investigacao do crime corporativo, colaborador do Pasquim e do Movimento, publisher da revista Adiante, ajudante de montagem de blocos de concreto, vendedor e cobrador de enciclopedias, redator de enciclopedias, redator de publicidade, auxiliar de contabilidade. Sou autor de quatro livros, um deles premiado pela Uniao Brasileira de Escritores no Rio de Janeiro e adotado em alguns cursos superiores, tambem sou co-autor de um roteiro de cinema premiado, autor de uma peca de teatro, faco trabalho voluntario, sou corinthiano, nunca me filiei a partido politico, nunca atuei em campanhas eleitorais. Acho que nao esqueci nada relevante. Por favor, se encontrar algum conflito de interesses com minha atuacao no Observatorio, me informe.
Antonio Pádua Neto , são paulo-SP - assessor
Enviado em 3/5/2009 às 12:49:51
O articulista ainda é assessor da Burston and Masteller?
Otaciel  de Oliveira Melo , Fortaleza-CE - Professor
Enviado em 2/5/2009 às 08:53:34
Se o desfecho da operação fosse favorável ao banqueiro Daniel Dantas, a tese de que vivemos num Estado policialesco seria retomada em grande estilo. E aí o Delegado Protógenes Queiroz voltaria a ser a Geni da vez, mais uma vez. Tudo o que a mídia diz ou comenta, até mesmo quando dá um bom dia, Brasil, está inserido nesta guerra suja com desfecho previsto para 2010. O sensacionalismo em torno da gripe suina (a gripe do PIG) está inserido na estratégia de uma das partes. Com esta gripe, a mídia conseguiu politizar até o espirro. A história sobre o "confisco" da poupança (no horário destinado ao PPS na televisão), é outro exemplo do que vem pela frente, mesmo sabendo que, no caso, a elaboração do programa foi de inteira irresponsabilidade daquele partido. São muitas siglas (PIG, PPS, PSDB, DEM, etc), com todos os seus membros trabalhando neste projeto de retomada de poder a qualquer custo, de qualquer maneira. Todas contra o Ministro Joaquim Barbosa e a favor do Gilmar Mendes. Portanto, nada mais me surpreende. Nem mesmo a história do sequestro, que não houve, do Delfim. E a coisa está só começando.
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 1/5/2009 às 12:08:43
Cheque de 1.3 reais autografado por mim por primeiro que responder: qual foi o grande silencio, o mais novo silencio, isso eh, que a media elegeu seu favorito aa tarde de ontem, dia 30 de abril?
edson  sanches , são paulo-SP - téc. adm.
Enviado em 1/5/2009 às 11:26:29
Silêncio, estranho silêncio... Como diria o Abumjara, soa como uma provocação o título acima do texto. Na verdade, genericamente, a Imprensa de todo modo é pautada a defender os seus interesses de classes, o famoso bordão fábrica da notícias escondem o que de fato faz, manipulação à torta e a direito. Com a dinamitação da notícia, cada vez mais a Imprensa (será i minúsculo) cae em descrédito, vide o blog do Josias de Souza. Aliás, o Josias de Souza é um grande manipulador e essa arte ele faz como ninguém, chega até elogiar o delegado Protógenes para em seguida dinamitá-lo, que cumpre a função do viés claro que ele procura objetivar: a visão da Direita, de classe mesmo e não o embróglio mentiroso que esteja de rabo preso com o leitor (consumidor, esteja claro). Outros jornais procuram manipular com pequenas nuances de modo que emerja o fato, que por si é uma construção, mas aqui está enviezada - não clarificado com as várias vozes e nem objetiva os anseios da sociedade de justiça. Mas as máscaras caem e cada vez mais o público sente-se vilipediado do direito de ser informado. Vivemos a era do Sinismo da Informação. Acho que o povo tem que ir para as ruas, como mostra em pistas o Ilustrissimo sr. Joaquim Barbosa.
Luiz  Miranda , Confins-MG - Bacharel em Direito Aposentado
Enviado em 1/5/2009 às 08:56:18
Há algum tempo um delegado da Polícia Federal levantou em Nova York uma lista de depositantes do Brasil. Na época foi levantada a indagação de quantos juízes constavam da lista. Não se sabe como o STF avocou (?) o processo ... até hoje. A imprensa nunca mais se ocupou do caso... será que aí tem???????? Obrigado pela oportunidade.
janes pretto , canoas-RS - farmácia
Enviado em 30/4/2009 às 22:26:43
O motivo do silêncio: eles perderam, novamente. Mais uma vitória do país e para o país. A grande mídia oligárquica, hoje, é um produto totalmente dispensável.
Henri Fulfaro , Sorocaba-SP - taxidermista
Enviado em 30/4/2009 às 19:33:13
Depois do trabalho impecável do Protógenes e do De Sanctis, e na sequência os brochantes habeas-corpus concedidos ao Dantas pelo Gilmar Mendes (aquele que segundo o Joaquim Barbosa teria capangas), o que poderia se esperar da Imprensa e/ou do povo, senão a mais humilhante e acachapante enfiada de viola no saco?! A verdade é uma só: Nós, cidadãos comuns, perdemos. Ganharam, como sempre, os poderosos, de modo que é melhor a imprensa nem tocar no assunto, pois cada vez que isso acontece o desenrolar dos acontecimentos só nos humilha um pouco mais...
ubirajara sousa , slz-MA - psicólogo
Enviado em 30/4/2009 às 19:19:05
Quanta ingenuidade. Ser´que há aina alguuém neste País que espere coisa boa da mídia? Talvez algum estudante do primeiro semestre da escola de jornalismo.
carlos caetano , brasília-DF - servidor
Enviado em 30/4/2009 às 16:56:15
Esse antro comunista aí já leu este artigo? Inventando certezas: Brasil-Mentira V Olavo de Carvalho Diário do Comércio, 30 de abril de 2009 No mesmo Observatório, Luciano Martins Costa pontifica: “Ditaduras são ditaduras... Fazer a conta da ditadura pelo número de mortos nas masmorras oficiais é vilipendiar a história. É coisa de alienados.” Contestando as comparações usuais que contrastam as trezentas e poucas vítimas da polícia política brasileira com as cem mil da ditadura cubana, o Sr. Costa lança à conta do nosso regime militar dois delitos extras que, segundo ele, deveriam entrar no cálculo. De um lado, “a corrupção que se consolidou durante os vinte e poucos anos da ditadura militar”. De outro, “a violência policial não diretamente política” porque, diz ele, “a polícia brasileira, em todos os estados, foi transformada durante a ditadura militar num perverso e incontrolável instrumento de controle social, que foi treinado para ‘identificar’ e punir preventivamente os supostos objetores do regime e acabou produzindo uma lógica toda especial segundo a qual todo jovem de pele relativamente escura é um inimigo potencial da ordem pública”. Textos como esse ou os dois de Alberto Dines já citados são até difíceis de analisar, tal a mixórdia psicótica de erros, confusões e impropriedades lógicas que neles se compacta. Normalmente serviriam apenas de amostras de com
mano nuno , belém-PA - fpúblico
Enviado em 30/4/2009 às 15:59:30
....VAMOS VER SE PUBLICAM ! é mais ou menos a aposta deste fechamento do caso. Silencio velado, realmente é esquisito, será!...., por alguns reaiszinho tudo é possível ou não é, ou +ou-.
Cláudio Dias , Brasília -DF - servidor público
Enviado em 30/4/2009 às 15:19:04
Perdeu o interesse, como sempre perde, não só neste caso como em tantos outros: Anaconda, Navalha (Gautama), Mensalão, Themis, Toque de Midas, Coiote, Castelo de Areia, Athena e tantas, tantas outras. Estão todas em andamento. Todos crimes de colarinho branco. Com banqueiros, empresários, servidores públicos e políticos de todas as tendências. A imprensa noticia, faz o sensacionalismo e depois abandona. Simples assim. Claro, há outro tipo de silêncio também: o Luciano só se lembra da satiagraha. E só se lembra no que interessa: não faz a menor menção ao fato de o Protógenes denunciar o Lula como estando inserto na caderneta do Daniel Dantas. Nem um pio sobre isso. Então, há esquecimento da imprensa e dos articulistas do OI. E há outro esquecimento também: o do distinto público, inclusive o público leitor: se escandaliza, pede punição, empacota a complexidade em um simplório esquema mental de luta de classes e depois esquece. E ultimamente, é de se notar algo curioso: a revolta seletiva. Muitos malham, COM RAZÃO, os envolvidos na investigação satiagraha, mas se esquecem que também é colarinho branco o caso da Gautama (que envolveu um monte de "progressistas") e o Mensalão (que o herói Joaquim Barbosa considerou suficientemente farto de indícios, tanto que recebeu a denúncia no STF). Há algum figurão envolvido no Mensalão preso? Não? Cadê a revolta? Brasil, il, il, il, il, il...
Andrea Costa , Brasília-DF - Jornalista
Enviado em 30/4/2009 às 14:28:54
Não vejo nada de estranho nesse silêncio. O que a grande imprensa fez o tempo todo? Tentou desqualificar a operação. Não conseguiu. A investigação foi concluída com sucesso. O banqueiro já condenado e sua trupe foram indiciados. O silêncio é estratégico. A imprensa não vai acompanhar o caso, deixando a banda podre do judiciário à vontade para absolver todo mundo, sem ninguém ver. Elementar, meu caro Luciano!
Wladimir Belisario , Sorocaba-SP - advogado
Enviado em 30/4/2009 às 14:15:34
A chamada "grande imprensa", a imprensa oligárquica e golpista que sempre andou de mãos dadas com os governos de "direita", na verdade não perdeu o seu interesse sobre o assunto, apenas foi derrotada no seu intento, graças aos meios de comunicação mais rápidos e interativos da internet, de desacreditar a Operação Satiagraha, o Delegado Protógenes, o Juiz De Sanctis, tentando transformar esses heróis em bandidos e os bandidos (Daniel Dantas e sua quadrilha) em heróis. O povo já não acredita mais em tudo aquilo que os jornalões e os revistões semanais tentam lhe enfiar goela abaixo (ou, reto acima) sem questionar ou buscar a verdade. Foi o que ocorreu.
carlos  anselmo , fortaleza-CE - engenheiro
Enviado em 30/4/2009 às 13:28:10
meus caros, o silêncio constrangedor da grande imprensa com o final da operação satiagraha, pelo menos pra mim, não é falta de credibilidade. ela, a credibilidade, anda de mãos dadas com a honestidade, artigo raro na cobertura ideologisada da operaçaõ. aí sim, destaque-se a importancia da blogosfera como contraponto da grande mídia. será que eles aprenderam a lição? ou vão esperar o resultado de 2010? abçs
Daniel B Novais Novais , Osasco-SP - Economista
Enviado em 30/4/2009 às 12:34:04
O silencio da Grande Midia será talvez porque os objetivos já foram alcançados? Ou será porque a fonte secou? De fato o papel da imprenssa e trazer a verdade dos fatos, os quais todos estamos anciosos em saber e ou descobrir. O nosso grande problema é que a maioria dos seguimentos da nossa mídia não leva isso em conta e ao invéz de informar a verdade e dizer claramente sobre os interesses envolvidos ao povo brasileiro, acaba se confundindo/envolvendo-se com alguns PIZZAIOLOS desse Pais, é uma pena que isso ocorra. Portanto, conclamo a todos que ensinem os nossos adolecentes e nossos alunos em geral, a pesquisar a noticia, a checar os fatos e verificar o que existe por tráz de uma notícia para que depois tirem suas conclusões e definam suas posições.
Rodrigo Saraceno , Salvador-BA - Advogado
Enviado em 30/4/2009 às 11:33:28
Pois é, Luciano, o problema é que a exposição da Satiagraha pela grande mídia (FSP, Veja, Estado, GLOBO e todos os jornais estaduais que não produziam uma única linha, só repercutindo o que vinha do alto ) e de todos que a promoveram (Protogénes, De Sanctis e De Grande) só teve um único objetivo: anular a operação. Por isso, agora, só o silêncio. O problema dos jornais não é a concorrência com a Internet como mídia, mas a perda de credibilidade causada pela internet, que permite cruzar informações e, principalmente, perda do controle sobre o fluxo de informações.
Paulo Trindade Trindade , São Paulio-SP - Repres. Comercial
Enviado em 30/4/2009 às 11:05:56
A imprensa é a única que não pode se calar, casos como este devem ser buscados e rebuscados e divulgados para que se mude toda esta impunidade no PAÍS DA PIZZA.
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