ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 536 - 5/5/2009
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IMPRENSA EM CRISE
Por que precisamos de jornais

Por Eugênio Bucci em 8/5/2009

Reproduzido do Estado de S.Paulo, 7/5/2009; título original “Por que precisamos de jornais?”; intertítulos do OI

No domingo (3/5), o suplemento "Cultura" do Estado de S.Paulo publicou a entrevista que o jornalista americano Gay Talese concedeu a Lúcia Guimarães (ver aqui). Lá pelas tantas, a entrevistadora perguntou: "Por que nós precisamos de jornais?"

Nessa interrogação quase cândida se concentra uma silenciosa aflição. Para muitos observadores, os jornais vêm-se distanciando de sua missão essencial. Dedicam-se a variedades, a frugalidades, até mesmo ao entretenimento, mas fraquejam quando se trata daquilo que só eles, por serem jornais independentes, podem fazer: fiscalizar o poder, explicar os fatos, debater as ideias que fazem diferença, de modo atraente, agressivo e esclarecedor. Se não cuidam do essencial, para que, então, servem os jornais?

Pense você mesmo, leitor. A maior parte dos cadernos que os assinantes recebem diariamente não os ajuda em nada. Basta nos lembrarmos do modo como iniciamos a leitura do nosso diário preferido, logo pela manhã. Começamos por descartar o que não interessa. Descartamos calhamaços e mais calhamaços. Parece um contrassenso, mas a primeira atividade que um diário exige de seu público não é a leitura propriamente dita – é o exercício físico de jogar papel fora.

O exercício físico do leitor, sua ginástica matinal, é uma triste metáfora da situação da imprensa: ilustra com crueldade a irrelevância que lhe pesa nas mãos. Essa metáfora deveria fazer-nos pensar um pouco mais. A crise dos jornais é, de fato, muito grave: é uma crise de identidade, de padrão tecnológico, de mercado – e é uma crise mundial. Com poucas exceções, como o americano USA Today, eles declinam.

Nos casos "menos piores", perdem leitores para si mesmos, ou seja, perdem leitores na versão em papel, mas os mantêm em suas versões eletrônicas, na internet. Tanto é assim que alguns dos maiores, como o The New York Times, já falam abertamente em acabar com suas edições impressas e investir todas as fichas na internet. Mas, aí, surge outro problema: como essas versões eletrônicas vão repor as receitas que vinham do papel? No ambiente da rede, como todos sabem, o conteúdo dos jornais é oferecido de graça, ou praticamente de graça. Será que o jornalismo independente poderá sobreviver se as notícias circulam de graça? Ele sobreviverá apenas com os recursos de anunciantes?

Relação espontânea

A instituição da imprensa depende do apoio direto dos cidadãos para se manter independente. Os principais jornais do mundo só prosperaram, nos séculos 19 e 20, porque tinham, na base de sua independência editorial, um negócio também independente, baseado na sustentação que recebiam dos leitores, que sempre pagaram pelas assinaturas e pelos exemplares avulsos.

O jornalismo impresso de qualidade não buscou alicerce na publicidade, mas no financiamento direto do público. Agora, se os sites jornalísticos passarem a depender só de anunciantes, o que acontecerá com a independência editorial?

Tudo bem: é verdade que as emissoras de rádio e televisão vivem exclusivamente de anúncios e nem por isso precisam abrir mão da independência. Mas elas sempre existiram num ambiente em que os jornais independentes, ao menos até aqui, ajudavam a fiscalizá-las, a elas também, e essa fiscalização as pressionava para que não traíssem seus compromissos com o público. Desse modo, a instituição da imprensa encontrou um ponto de equilíbrio quando soube manter, ao lado do modelo de negócio das emissoras (cujas receitas vêm exclusivamente da publicidade), o modelo de negócio dos jornais e revistas independentes.

O ponto de equilíbrio agora está em risco. Se a publicidade passar a ser a única financiadora do jornalismo – na internet e nas emissoras –, a instituição da imprensa ingressará num novo desequilíbrio, cujas consequências são, no mínimo, incertas. Não nos esqueçamos de que, quando paga pelo que lê, o público ajuda a bancar a independência da informação.

Há um significado político na relação econômica direta e espontânea – que não passa pelo Estado nem pelo mercado anunciante – entre o público e os veículos informativos. Se deixar de pagar pela informação, como a sociedade poderá sustentar sua imprensa livre?

"Erros involutários"

Walter Isaacson, ex-diretor de redação da revista Time, defendeu recentemente uma fórmula para a venda de conteúdos jornalísticos pela internet. "Estabelecer um sistema de micropagamento (...) que permita, por meio de um clique, as aquisições de jornais, revistas, artigos, acesso a blogs ou vídeos, ao preço de US$ 0,05, US$ 0,10, US$ 0,50 ou seja quanto for que o seu autor deseje cobrar" (ver "Como salvar seu jornal").

A sugestão de Isaacson talvez não seja a melhor, mas o impasse que ela busca resolver é mortal. Teremos de enfrentá-lo, de um modo ou de outro. Se a sociedade não remunerar sua própria imprensa, diretamente, não terá imprensa independente. E sem imprensa independente não terá como fiscalizar o poder. Aliás, não era justamente para isso que nós precisávamos de jornais, estejam eles sobre uma folha de papel ou numa tela de computador?

Voltemos agora à pergunta de Lúcia Guimarães. Por que precisamos de jornais?

Eis a resposta de Gay Talese:

"Porque no prédio de qualquer redação de um jornal respeitável, a qualquer momento, há menos mentirosos por metro quadrado do que em qualquer outro prédio. Há mentirosos nos jornais também, mas em menor número. Nos prédios do governo, nas escolas, nas instituições científicas, nos estádios de esporte, nas fábricas, a mentira circula num grau mais alto. Os jornais estão mais interessados na verdade, mesmo se cometem erros, às vezes, erros involuntários."

Nesta hora crítica, só o compromisso com a liberdade e com a verdade pode reconduzir o jornalismo à sua essência – e só isso poderá despertar a sociedade para o valor da imprensa livre.

Comentários (19)
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CARLOS SANTOS , Rio de Janeiro-RJ - ARTISTA PLASTICO
Enviado em 10/5/2009 às 22:58:14
Este espaço é de grande importância. Que seja eterno. Qual tem sido a nossa colaboração para a evolução da consciência crítica e analítica da grande e desinformada massa? Nenhuma. Do que adianta deixarmos comentários em todos os itens? Qual a nossa verdadeira intenção? Palavras...houve o tempo em que acreditava em palavras...
Felipe Izar Xavier , Belo Horizonte-MG - estudante de jornalismo
Enviado em 10/5/2009 às 13:11:36
É perceptível que os jornais perderam qualidade, como muitos ressaltaram. E assusta ver os editores com a tática de desqualificar ainda mais esse meio de comunicação para combater a queda de vendas e o desinteresse dos leitores. As notícias estão cada vez mais “espetaculares”, forçadas, repetitivas, reproduzidas. Erros grotescos aparecem devido à incessante busca pela salvação dos impressos. A conseqüência, certamente, é a perda de credibilidade. E é claro que os jornais não tem condições de competir com a internet. A notícia seca , o furo, e até mesmo assuntos “espetaculares” não tem mais graça em uma folha de papel. Esse tipo de informação é encontrado a qualquer hora e em várias possibilidades na internet. Fora o atrativo que os leitores tem de colaborar com as notícias na Web. Chega de informação. Os impressos, se quiserem sobreviver, tem de resgatar o velho e bom centro de conhecimento. Voltar a ser um meio desejado por escolas, universidades e outros órgãos que buscam a educação e o debate. Consequentemente, educadores incentivariam pais, mães e estudantes a comprarem jornais por estes serem importantes para o desenvolvimento da família. E um jornal bem feito instigaria os leitores tradicionais a recuperarem o prazer de ler uma reportagem bem elaborada, menos rápida e relevante.
Nilson Moura Messias , Natal-RN - Eletricitário
Enviado em 9/5/2009 às 22:20:39
Sr. Eugênio, nas redações dos jornais e revistas do Brasil, hoje é on de mais existem mentirosos, canalhas e farsantes. A folha, estadão, globo, veja, época e outros, faz parte de projeto de partido de oposi ção que defende o privilégio de uma minoria. E, as emissoras de rádio e televisão segue a mesma linha editorial dos jornais e revistas: men tirosa e, ao ponto de editar e inventar invasões e tiroteios. Sr. Bucci, continue no papel de lobbysta desta porcaria chamada imprensa brasilera, pelo menos neste papel, o Sr. vai bem.
janes salete , canoas-RS - farmácia
Enviado em 9/5/2009 às 22:02:30
Tinha a assinatura de vários jornais.Quando deixaram de ser informativos, cancelei.Cinismo jornalístico, eu não perdoo.
Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 8/5/2009 às 22:23:48
A resposta de Gay Talese muito provavelmente não se refere ao tempo atual. Ou talvez se refira a um deteminado jornal. Esse tipo de explicação não leva a nada. Simplesmente porque não ecoa como verdadeiro. “Os jornais vêm-se distanciando de sua missão essencial”. Verdade, verdadeira. E a passos largos. Ao mesmo tempo que se distanciam dos leitores se aproximam de interesses diametralmente opostos ao do interesse público. Ou vice-versa. E a matemática do Gay Talese vai ficando igual a da canção do Roberto Carlos: “tudo certo como dois e dois são cinco”. Mais: “Se deixar de pagar pela informação, como a sociedade poderá sustentar sua imprensa livre?”. A pergunta adquada deve ser a seguinte: “se a imprensa não for livre como a sociedade poderá sustentá-la?
Marcelo Ramos , São Paulo-SP - Publicitario
Enviado em 8/5/2009 às 20:07:40
De fato, os jornais não sobrevivem mais de seus leitores faz tempo. Mas há uma grande diferença entre captar anuncios de publicidade e ser financiado por grupos com interesses definidos. Aliás, se eles fossem coerentes, deveriam escrever a verdadeira tiragem no expediente. Quantos será que acham que, diante do marketing da independência e da imparcialidade, há um conflito ético no fato de um jornal receber financiamentos que não advenham de suas prórpias rendas? Da mesma forma que um político tem que declarar quem contribuiu para sua campanha? Uma outra questão é que a migração de leitores para a internet não é somente por causa da facilidade de acesso mas principalmente, pela perda de credibilidade decorrente, entre outros motivos, desses financiamentos estranhos, dinheiros inexplicados. Se eu tenho um negócio e gerencio mal, sou obrigado a fechá-lo. Pedir doações para amigos, principalmente políticos, é um sinal de que a independência desapareceu, juntamente com a verdade.
Ibsen  Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 8/5/2009 às 18:01:18
Não acredito que os jornais sobrevivam dos leitores. A publicidade é tão extensa e intensa que isso já ficou prá trás há muitos e muitos anos. Não acredito que o jornalismo seja um bastião da verdade. No frigir dos ovos o caráter, bom ou mau, está distribuído democraticamente pelo todo da população e profissões. Duvido também que a migração dos leitores da mídia escrita vá em sua totalidade para a Net. Acho que o universo desses leitores é totalmente diferente. Acho mais, acho que os idosos estão morrendo e, com eles, o hábito da leitura dos impressos (e quem sabe também os não impressos). É uma impropriedade dizer que os jornais e, portanto, os jornalistas, estão se distanciando de sua missão principal. Eles já fizeram isso há muitos anos, porém, só agora, com o surgimento de uma nova tecnologia midiática e a morte dos dinossauros é que estamos nos dando conta.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 8/5/2009 às 17:55:04
Esse tal Gay Talese é corporativista que só lá em Nova Iorque, hein!. Acho que ele precisa vir a São Paulo fazer um doutoramento lá na Alameda Barão de Limeira. No número 425.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 8/5/2009 às 17:46:06
Por que precisamos de jornais?. Ora, para servirem de privada aos caninos urbanos. Aliás, os jornais saberão lidar com a futura "gripe canina"?. Em parte provocada pelas tais "revistas" as quais transformaram uma "ação mercadológica" numa "necessidade psicológica". Vide a tal "revista da Folha". Que cachorrada, hein!.
Sandro  Machado , Santo Ângelo-RS - advogado
Enviado em 8/5/2009 às 17:19:35
Caro jornalista: No episódio da ditabranda, lembro que o senhor escreveu artigo neste observatório, afirmando entre outras coisas, a tese, a meu ver, sureal, sem fundamento algum, que a Folha não era neoliberal, parcial, e sim ética, independente e outros absurdos neste sentido. Em relação a fraude da ficha da Ministra Dilma, pensei comigo mesmo: Será que o Bucci vai escrever dizendo que errou, a FSP é realmente um panfleto político partidário, e pior, repercute fraudes de sites de extrema direita. Ou, pensei eu, vai dizer que foi um erro da folha, e se recontorcer até não poder mais para explicar o inexplicável, igual o caso da ditabranda. Nem um, nem outro, o silêncio. Sempre quando diariamente vejo as manipulações da FSP, penso no senhor, porque lhe acho honesto e inteligente. Como pode o Bucci não ver o que está mais do que na cara? Em relação ao seu brilhante texto, os jornais estão perdendo cada vez mais leitores porque são na sua maioria iguais, sensacionalistas, qualidade sofrível, e para mim, nos útimos anos, entrou um outro componente que foi fatal: a total falta de credibilidade. Lembra do anterior obudsman da Folha Mário Magalhães, todo santo dia mostrando as manipulações do seu jornal, que eu leitor já vinha vendo a horas, como fica a credibilidade perante o leitor. Vai ser difícil, vou citar os três maiores, Folha, Estadão eo Globo, recuperarem o seu prestígio.
Marcelo Ramos , São Paulo-SP - Publicitario
Enviado em 8/5/2009 às 15:23:22
Precisar de jornais, não precisamos. Se é pra ver fantasias, prefiro ir ao cinema e ao teatro. A grande, principal, diferença é o mesmo fator que gerou a revolução francesa: o povo. Os intelectuais passavam o tempo "testando hipóteses" mas foi só quando acabou o pão que o povo foi pra rua. Hoje, os jornais não mais "fazem a cabeça"do povo. E uma boa parte desse povo começa a se aperceber disso. Dos grandes jornais, alguns recebem doações indecorosas (e inconfessáveis) à título de verba de publicidade para compensar que a tiragem continua a mesma..;. mas não é mais comprada. Esse governo não está fazendo oposição direta aos coronéis da mídia, mas os está matando devagar, através da inclusão digital. É por isso que o único caminho desses jornais é gritar, gritar, gritar... sobre qualquer coisa eles vão gritar, que nem afogado... que depois afunda. A geração dos donos do poder está morrendo. A internet, com todos os seus defeitos e virtudes, está crescendo.
Patrícia Nogueira , Rio de Janeiro-RJ - artesã
Enviado em 8/5/2009 às 13:31:14
Gay Talese não se referia aos principais jornais brasileiros. Diz ele : " Porque no prédio de qualquer redação de um JORNAL RESPEITÁVEL..." A imprensa brasileira vem trocando jornalistas respeitáveis por capangas (muito bem pagos) da notícia há muito tempo.
Mayara Lopes , Caçapava-SP - estudante de jornalismo
Enviado em 8/5/2009 às 13:29:32
Ou muda-se o jeito de fazer jornal ou vamos ser arrastados por essa maré de maus agouros. Concordo com o professor Eugenio Bucci em gênero, número e grau! As outras mídias são importantes, mas o jornal tem muito mais responsabilidades com o leitor, sobretudo por sua história atrelada ao desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária. Se não mudarmos nosso "jeito de fazer jornal" estaremos perigosamente expostos a uma comunicação subversiva, e cada vez menos confiável.
Rafael Alencar Rodrigues , Goiânia-GO - estudante de jornalismo
Enviado em 8/5/2009 às 12:49:46
Há mentirosos no jornalismo, com também há no direito, medicina, nas ciências biológicas, agrárias etc. Contudo, o dizer a mentira não é descrito no fazer dessas ciências. Aonde quero chegar? Bem, ao longo do meu curso de graduação, as teorias e os professores sempre instigaram em nós, alunos, a dizer a verdade. Particularmente, a exemplo do citado no livro de Lourival Sant’ana, sou jornalista enquanto puder trazer a verdade ou o máximo que conseguir dela, ao contrário não há publico de forma alguma. Muito mais do que técnicas o jornalista tem de entender a importância e o caráter social e democrático do jornalismo. Não basta repetir os modismos em voga, tem de se saber os motivos que o levaram a fazer assim e não de outra forma. A sociedade também precisa entender o papel do jornalismo e conceder apoio total. Não adianta prestar um serviço público, descrito em teoria, se o leitor não o lhe creditar valor. A publicidade no jornalismo é importantíssima, porque viabiliza o acesso ao jornal, mas o leitor deve também arcar com margem do custo. Por que, afinal, não arcamos com o custeio dos três poderes? Então, por que não contribuir com o agente que em hipótese deveria fiscalizar. Eu vejo que o problema da imprensa é um alongamento de um complexo problema social. Uma situação a qual nada ou pouca coisa tem valor, uma situação a qual a coletividade foi posta à margem.
Miguel Álvares  Cardoso , Rio Verde-GO - Professor aposentado
Enviado em 8/5/2009 às 11:39:11
O problema é que o compromisso com a verdade e a liberdade por parte daa chamadas principais mídias do país, está ainda longe de de constatarmos. Quando o governo equivoca ou eles acham que equivoca, descem o pau; quando o governo acerta nas coisas que representam grande importância, ou não comentam nada ou timidamente dão alguma informação sem nenhuma ênfase, sem nenhum entusiasmo. O leitor observa isso e passa a acreditar na imprensa politicada e nãp politizada.
dante caleffi , rio de janeiro-RJ - publicitário
Enviado em 8/5/2009 às 11:35:58
Como os pássaros engaiolados poderiam viver sem jornais? E as prateleiras?O peixe das sextas-feiras?O desafortunados da higiene na sua intimidade e penúria? Os "marinho",nas suas invectivas por terem seus interesses contrariados desde 2003,como poderiam viver sem o seu jornal?Os "frias",com nebuloso passado a preservar,e mante-lo no esquecimento, nada poderiam,sem o jornal. Sim precisamos de jornais.Até para lê-los.
Zé da Silva Brasileiro , Belo Horizonte-MG - Bancário Aposentado
Enviado em 8/5/2009 às 11:30:39
"Porque no prédio de qualquer redação de um jornal respeitável, a qualquer momento, há menos mentirosos por metro quadrado do que em qualquer outro prédio. Há mentirosos nos jornais também, mas em menor número." Interessante. Aquí em Minas nós costumamos dizer que a única informação em que se pode confiar cegamente nos jornais é o preço estampado na capa...E claro que esse não deve ser um comportamento generalizado mas, sim, uma particularidade dos habitantes das montanhas e, assim, pode ser que o famoso Sr. Gay esteja com a razão.
Rodrigo Dias , Manaus-AM - Biólogo
Enviado em 8/5/2009 às 10:06:15
Jornais têm mais pessoas interessadas na verdade do que as instituições científicas? Espero não estar sendo ingênuo, mas a ciência funciona a partir das críticas de terceiros a experimentos controlados, que podem ser repetidos em seus mínimos detalhes. Não sei de onde é esse Gay Talese, mas aqui no Brasil qual jornal investiga à exaustão todos os pontos de vista sobre qualquer assunto? Qual jornal insiste num escândalo depois de passados os meses regulamentares pró-esquecimento? Qual jornal investiga sempre as fontes, não chama suspeito de culpado, etc etc? A crise dos jornais está relacionada à internet sim, mas não porque as pessoas preferem ler notícia de graça, e sim porque agora há canais que mostram opiniões mais plurais e próximas da realidade. Ninguém aguentava mais tantas mentiras!
Rodrigo Saraceno , Salvador-BA - Advogado
Enviado em 8/5/2009 às 09:58:04
Admitindo-se, por mero amor do debate, que pode até ser que no prédio de um jornal existam menos mentirosos, é preciso reconhecer que por lá só basta ter um: o dono/editor/quem-quer-que-controle-o-que-vai-impresso. Aí, meu amigo, não tem busca pela verdade que dê jeito. Jornais não têm credibilidade, e hoje nem ao menos têm qualidade. Matérias mal feitas, meras reproduções de notas de agências, notícias superficiais, parciais, descontextualizadas, quando não deliberadamente falsas (FSP com a ficha do DOPS, estou falando de você!). A prática do jornalismo, na grande mídia, é viciada. Parte do pressuposto que a notícia não pode ser checada em sua veracidade, feito o contraponto e desmascarada em menos de 24 horas. Ou seja, parte do pressuposto que o leitor não é um interlocutor válido, mas um cretino, cuja a única função é servir de massa de manobra. A mídia jornal é lenta, fisicamente limitada e não permite a interação com os leitores, que hoje não são mais meros leitores, mas querem adicionar ou contestar a matéria jornalística. O problema da internet não é que impossibilida manter o jornalismo. O problema é que permite um contraponto que acaba com o pouco (e ilusório) verniz de credibilidade que a carcaça podre da grande mídia (FSP, Veja, Globo, Estadão) ainda insiste exibe.
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Eugênio Bucci

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