ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 540 - 9/2/2010
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LEITURAS DA FOLHA
A propaganda oficial e a voz do dono

Por Luiz Antonio Magalhães em 2/6/2009

A Folha de S. Paulo publicou no domingo (31/05) uma matéria muito interessante do repórter e colunista Fernando Rodrigues sobre os gastos da propaganda do governo Lula. O que a Folha vê como ponto negativo na política do atual governo este observador avalia ser a melhor novidade dos últimos anos no setor.

A questão é simples: segundo a Folha, com praticamente o mesmo recurso utilizado na gestão anterior, considerando a correção monetária, o governo Lula anunciou em mais de 5 mil veículos de comunicação. Durante o governo de Fernando Henrique, eram apenas 500 os beneficiados.

A matéria da Folha sustenta que essa prática não é condizente com as regras de mercado e cita exemplos da Fiat e Itaú, que publicam anúncios de alcance nacional em menos de 200 veículos. De fato, o governo Lula não obedece às regras de mercado e esta é a melhor notícia que se pode ter na área da distribuição das verbas públicas para publicidade em veículos privados de comunicação.

Sim, porque com a maior distribuição dos recursos de propaganda, na prática o governo fomenta a democratização dos meios de comunicação. Antes, só os grandões levavam o meu, o seu, o nosso dinheirinho, impedindo o crescimento de outras publicações. Agora, jornais regionais e pequenos também levam e podem se tornar competitivos, o que é ótimo para a sociedade de várias formas: dinamiza o mercado de trabalho do setor, possibilita que diferentes vozes tenham meios de expressar suas ideias, enfim, é tudo de bom.

A voz do dono

Dois excelentes colunistas da Folha de S. Paulo – um dos quais o próprio autor da matéria publicada domingo – perderam na segunda-feira (1/6) a chance de ficarem calados. Defenderam a destinação dos recursos oficiais para propaganda apenas aos grandes veículos de comunicação.

O texto de Fernando de Barros Silva, em especial, cairia perfeitamente bem na assinatura do patrão Otavio Frias Filho. Já o de autoria de Fernando Rodrigues é uma análise interessante, mas derrapa nas últimas linhas. Ambos vão reproduzidos ao final desta nota.

A questão, como já se viu acima, é muito simples – simplíssima, aliás –, mas vale repeti-la. Se Lula gasta a mesma verba que FHC gastava com publicidade, poderia fazer duas coisas: manter o padrão de gastos do governo anterior, que privilegiava os grandes meios de comunicação, ou diminuir o quinhão dos grandes e distribuir a verba entre os pequenos.

O governo optou pela segunda forma de distribuir verba e é acusado pelos colunistas da Folha de estar comprando a simpatia dos proprietários de pequenas rádios, jornais e revistas. Ora, se o governo não pode distribuir a verba, resta então a outra hipótese: manter o padrão de distribuição da gestão anterior, na qual praticamente só os grandes veículos tinham acesso aos recursos da publicidade oficial.

Ou seja, os dois Fernandos – mais o Barros e Silva e menos Rodrigues – no fundo defendem mais um capilé para a Folha de S.Paulo e nada para o Diário de Cabrobó do Mato Dentro. Justo? Talvez, mas a verdade é que seria muito mais elegante se o próprio Otavio Frias Filho defendesse a tese, em artigo assinado ou em editorial. Quando jornalistas decidem ser mais realistas que o rei, em geral o vexame é grande.

Propaganda de Lula chega a 5.297 veículos

Com PT no Planalto, o número de meios de comunicação que recebem verbas de publicidade federal aumentou 961%

Ao tomar posse, comerciais do petista atingiam 21 TVs e 270 rádios; no fim de 2008 já havia 297 TVs e 2.597 rádios veiculando anúncios oficiais

Fernando Rodrigues, da Sucursal de Brasília

Os comerciais do Palácio do Planalto atingiram no ano passado 5.297 veículos de comunicação no país. O número representa uma alta de 961% sobre os 499 meios que recebiam dinheiro para divulgar propaganda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, quando o petista tomou posse.

Esse padrão de pulverização na publicidade é incomum na iniciativa privada. Segundo dados do Ibope Monitor, a Fiat anunciou em 206 meios de comunicação diferentes no ano passado. O banco Itaú, em 176. Trata-se de uma pesquisa por amostragem, mas mesmo com um desvio de 1.000% o número de veículos nos quais essas duas empresas anunciam não se aproximaria dos 5.297 escolhidos pelo governo federal.

A regionalização da propaganda federal é parte de uma estratégia de marketing do governo. Presidente mais bem avaliado no atual ciclo democrático, Lula viu sua alta popularidade se consolidar numa curva quase paralela ao avanço da distribuição de seus comerciais pelo interior do país.

"O fato de ter ampliado a presença do presidente na mídia regional pode ter ajudado [a elevar a popularidade do governo]", admite Ottoni Fernandes, subchefe-executivo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que está sob o comando do ministro-chefe da Secom, Franklin Martins.

Mudança de estratégia

Diferentemente dos antecessores, Lula regionalizou radicalmente a distribuição de verbas de publicidade. Não houve um aumento expressivo no valor gasto, mas uma mudança de estratégia. Grandes veículos de alcance nacional passaram a receber um pouco menos. A diferença foi para pequenas rádios e jornais no interior.

O orçamento total consumido em mídia por Lula e pelo tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), seu antecessor, oscilou sempre na faixa de R$ 900 milhões a R$ 1,2 bilhão por ano -sem contar patrocínios e outros custos relacionados à produção de comerciais.

No caso das verbas apenas para a Presidência, só há dados disponíveis a partir de 2003. Antes a propaganda presidencial era feita de maneira dispersa pelos vários organismos da estrutura federal. Lula gasta anualmente um pouco acima de R$ 100 milhões com comerciais idealizados pelas agências que servem ao Planalto.

A diferença em relação ao governo anterior é a distribuição das propagandas por muitos meios de comunicação de pequeno porte. Logo depois de tomar posse, os comerciais do petista atingiam, por exemplo, apenas 270 rádios e 21 TVs. No final do ano passado, já eram 2.597 emissoras de rádio e 297 TVs recebendo dinheiro do Planalto para divulgar mensagens da administração federal.

Não se trata de publicidade de utilidade pública. Campanhas de vacinação ou sobre matrículas escolares continuam sendo executadas pelos ministérios. A propaganda produzida pelo Planalto é sobre ações de interesse político-administrativo -como divulgar a lista de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) ou o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

Às vezes o governo também atua como animador da população. No final do ano passado, uma campanha nacional foi veiculada para que os brasileiros não interrompessem o consumo por receio dos efeitos da crise econômica internacional.

"O presidente Lula, se eu pudesse escolher, deveria ser o profissional de comunicação do ano. Ele reduziu, no gogó, a tensão da população, da classe C ascendente. O presidente é ótimo em comunicação integrada. A regionalização da mídia é uma parte. Já existia antes de a crise chegar e ajudou", diz Mauro Montorin, publicitário da agência 141, uma das responsáveis pela conta da Presidência da República.

A capilaridade dos comerciais de Lula pode ser também mensurada pelo número de cidades brasileiras nas quais há propaganda do Palácio do Planalto. Em 2003, eram 182 municípios atingidos. Agora, são 1.149 -uma alta de 531%.

"A mídia regional é mais ligada às comunidades e tem mais credibilidade localmente (...) Partimos para uma política de atender a mídia regional, com mais entrevistas do presidente. Há uma mania no Brasil de achar que a mídia é só em São Paulo e no Rio", diz Ottoni Fernandes, subchefe da Secom.

A diretriz geral é dada pelo ministro Franklin Martins: "A imprensa regional está crescendo no Brasil. O objetivo do governo é se comunicar com a população e esses veículos do interior atingem uma parcela relevante da população".

Rádios e jornais

Em 2003, havia 5.772 rádios no Brasil, de acordo com o Ministério das Comunicações. Hoje, são 8.307 emissoras, incluindo as 3.685 chamadas "rádios comunitárias", cujo alcance do sinal é limitado.

No meio jornal, quando Lula tomou posse, existiam 2.684 títulos no país, segundo a Associação Nacional de Jornais; em 2006, último dado disponível, já eram 3.076 veículos.

Uma das razões para a iniciativa privada não anunciar na maioria desses veículos é a falta de mecanismos para auditar a penetração da mensagem e aferir a eficácia do comercial. Poucos jornais no país têm tiragem comprovada pelo IVC (Instituto Verificador de Circulação). Essa entidade só inspeciona 118 dos mais de 3.000 títulos.

O governo afirma exigir comprovação de impressão por parte dos pequenos jornais antes de fazer o pagamento. No caso das rádios, diz Ottoni Fernandes, "há cadastro com todas as emissoras em cidades com mais de 50 mil habitantes", que precisam emitir faturas e dar alguma prova de veiculação do comercial. Essa é uma exigência do TCU (Tribunal de Contas da União), que foi consultado ao longo do processo de regionalização para aprovar os métodos do Planalto.

***

Fernando de Barros e Silva

O Bolsa-Mídia de Lula

SÃO PAULO - O jornalista Fernando Rodrigues deu uma grande contribuição ao conhecimento da máquina de propaganda do lulismo. A reportagem que publicou ontem na Folha mostra como, na atual gestão, o Planalto adotou uma política radical e sistemática de pulverização da verba publicitária destinada a promover o governo.

Em 2003, a Presidência anunciava em 499 veículos; em 2009, foram 2.597 os contemplados -um aumento de 961%. Discriminada por tipo de mídia, essa explosão capilarizada da propaganda oficial irrigou primeiro as rádios (270 em 2003, 2.597 em 2008), depois os jornais (de 179 para 1.273) e a seguir o que é catalogado como "outras mídias", entre elas a internet, com 1.046 beneficiadas em 2008.

O que isso quer dizer? A língua oficial chama de regionalização da publicidade estatal e a vende como sinal de "democratização". Na prática, significa que o governo promove um arrastão e vai comprando a mídia de segundo e terceiro escalões como nunca antes neste país.

Exagero? Eis o que diz Ricardo Barros (PP-PR), vice-líder do governo e membro da Frente Parlamentar de Mídia Regional: "Cerca de 50% das rádios e dos jornais do interior pertencem ao comunicador. O dono faz o jornal ou o programa de rádio. Se recebe dinheiro, passa a ter mais simpatia e faz uma comunicação mais adequada ao governo. Há uma reciprocidade".

Enquanto, na superfície, Lula trata de fazer a sua guerra retórica contra a "imprensa burguesa", que lhe dá azia, no subsolo do poder a engrenagem montada pelo ministro Franklin Martins se encarrega de alimentar a rede chapa-branca na base de verbas publicitárias. É o Bolsa-Mídia do governo Lula.

Essa mídia de cabresto que se consolidou no segundo mandato ajuda a entender e a difundir a popularidade do presidente. E talvez explique, no novo mundo virtual, o governismo subalterno de certos blogs que o lulismo pariu por aí.

***

Fernando Rodrigues

Lula, certeza única

BRASÍLIA - Quando a popularidade de Lula caiu cinco pontos percentuais, há dois meses, frequentou os céus de Brasília a hipótese do "ponto de inflexão" para o petista. Pela análise propagada, legítima, estaria em curso a inexorável trajetória crepuscular na taxa de aprovação de todo o presidente rumo ao fim do seu mandato.

A julgar pela pesquisa Datafolha publicada ontem, a inflexão, se é que houve, foi só um soluço. Por ora, está abortada. A popularidade de Lula segue como uma das únicas certezas sobre o cenário sucessório de 2010. Há dúvidas sobre quem serão os candidatos do PT e do PSDB e se a tese do terceiro mandato tem ainda alguma chance remota de prosperar. Mas inexistem pontos de interrogação sobre o poder de influência do atual presidente no processo de escolha do próximo ocupante do Planalto.

Certeza em política, manda a prudência, é algo a ser tomado com muito cuidado ou desdém. Um fator extra campo, para emprestar uma metáfora futebolística ao gosto de Lula, poderia muito bem ceifar a popularidade presidencial. Mas é necessário reconhecer que a gordura acumulada pelo petista confere a ele resistência para atravessar um eventual deserto. O momento, como se sabe, era outro, mas não custa recordar que nesta mesma época, em 2001, Fernando Henrique Cardoso tinha 19% de "ótimo" e "bom" no Datafolha. Lula está com 69%.

A resiliência inaudita do petista não surge por geração espontânea. Tampouco é fruto apenas da capacidade de comunicação do ex-sindicalista. Tudo é resultado de uma complexa estratégia de marketing. O governo brasileiro pré-PT sempre foi o maior anunciante do país. Agora, sob Lula, elevou essa condição ao paroxismo. Chega sozinho a 5.297 veículos de mídia impressa e eletrônica. O sabão em pó Omo ou políticos de oposição, por enquanto, não são páreo para Lula.

Comentários (23)
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henrique rodrigues , americana-SP - estudante
Enviado em 8/6/2009 às 12:29:47
porque os jornalões não passam a recusar verbas com a publicidade estatal para se manterem independentes do Estado? Taí uma questão no mínimo interessantes.
Renato Francisquini , Belo Horizonte-MG - Cientista Político
Enviado em 8/6/2009 às 11:56:55
Creio que faltaram três coisas nos comentários e também nos textos em questão: (1) os grandes veículos, ao receberem verba publicitária, serão cooptados pelo governo? Tudo bem que eles recebem recursos de outros anunciantes, mas todos sabem que a parcela referente aos diversos níveis de governo é bastante significativa. Portanto, assim como os pequenos que passaram a receber, os grandes também correm o risco de serem cooptados ao serem escolhidos como espaço para anúncios governamentais; (2) se é desejável, e eu considero que o seja, que se distribuam mais e mais os recursos publicitários do governo federal, é também fundamental que se verifiquem como se dá essa distribuição e se não há, de fato, favorecimento daqueles "amigos do rei"; e (3) não se discutiu até agora, exceto em um pequeno comentário abaixo, sobre o valor gasto em publicidade. O Eugênio Bucci já chamou a atenção em vários de seus artigos aqui no OI para essa "política de comunicação governamental" e para os problemas da aplicação da linguagem publicitária na comunicação política. Ficam aí três pontos para reflexão.
Sidnei Brito , São Paulo-SP - Servidor Público
Enviado em 7/6/2009 às 22:44:36
Na entrevista à revista piauí (que, aliás, foi reproduzida neste OI), o presidente Lula já cantara essa bola. A certa altura, ele disse que o Franklin Martins havia mudado a distribuição da publicidade e que isso, é claro, desagradava muita gente que vinha mamando no esquema antigo. Certamente o presidente não o disse à toa; sabia muito bem que tinha magnata da grande imprensa chorando pelos cantos. E os "fernandinhos" (bonita camisa, a deles, não?) nada mais fazem do que prestar um servicinho para os patrões. Parece haver uma insinuação de que eles estão sendo teleguiados, ou seja, na verdade estão "assinando" textos que foram escritos pelo Otávio. Talvez seja leviandade. Mas, pensando bem, até que seria melhor para a moral deles, pois é realmente vergonhoso que sejam tão servis, assim, do nada, e que todas essas baboseiras realmente tenham saído da cabeça deles.
Carlos Fochesatto , Caxias do Sul-RS - Professor
Enviado em 5/6/2009 às 17:41:03
Ora, ora... Acontece que que o anterior e aqueles que os defendem querem a concentração de renda, típico de um Brasil arcaico e atrasado. Tem uma frase que deve ser do filme Hello Dolly que diz que "dinheiro é como esterco, tem que ser espalhado para que produza riquezas".
alexandre alberto  bernardes moreira , são paulo-SP - arquiteto
Enviado em 4/6/2009 às 12:09:18
O que lula faz qualquer empresa privada pode fazer e a oposição a ele tb. O que ele fez no bolsa família o FHC podia ter feito.Alguém ainda vai colocar visão estratégica para o futuro do Brasil coisa que o Lula não consegue fazer. a massificação das oportunidades que lula está proporcionando já vem tarde, mas é bem vinda.
Elcio Machado , Assis-SP - Cidadão
Enviado em 4/6/2009 às 07:38:41
Errata: onde digo digo não digo digo, digo Diogo, diz antiga piada sobre autos judiciais. Então, no comentário anterior, onde citei Sandro, a referência, na verdade, é a Rodrigo. Peço desculpas.
Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - Jornalista
Enviado em 3/6/2009 às 22:09:49
Max Suel, em primeiro lugar "O orçamento total consumido em mídia por Lula e pelo tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), seu antecessor, oscilou sempre na faixa de R$ 900 milhões a R$ 1,2 bilhão por ano". Revisar argumento, ok?
Jose  de Almeida Bispo , Itabaiana-SE - Publicitario e radialista
Enviado em 3/6/2009 às 21:53:41
Definitivamente o Otavinho não consegue ouvir a advertência de Aécio Neves (junho de 2005) "Lula não é Collor". Ele ainda acha que é possível armar o esquemão que tirou Collor do poder em 92. Especialmente porque ele sempre odiou o Lula e acredita que "a nobreza" tem algum poder sem apoio nenhum do povo. Quem manda não conseguir entender Maquiavel!
José  Ximenes , Brasilia-DF - Advogado
Enviado em 3/6/2009 às 19:39:09
Os recursos destinados a propaganda oficial sao ilegitimos quando dirigidos à tentativa de cooptaçao. O autor da reportagem da folha manifesta sua indignaçao porque a fatia do bolo que caberia ao patrao encolheu. É certo que abusos ocorrem e sao facilmente identificaveis. Propaganda da sapesb veiculada para Brasília via tv globo, 4 milhoes para grupo abril gentilmente cedidos, sem licitaçao, pelo governo serra e revistas ditas de esquerda abastecidas com dinheiro publico sao exemplos.
Elcio Cidadão , Assis-SP - Cidadão
Enviado em 3/6/2009 às 17:53:35
Não resisti à provocação. O publicitário Sandro abespinhou-se com a citação de sua profissão, e indaga: "É errado ser publicitário?" Respondo. Não. O problema é que publicitários há muito poucos. A imensa maioria dos profissionais saídos das faculdades da área é propagandista -- e essa identificação, essa sim, parece ser errada, porque os que a exercem clamam por ser chamados de publicitários. Quanto à distribuição das fatias do bolo pelo governo, cabe ressaltar que o atual foi eleito e reeleito, teve portanto maioria de votos, com base em plataforma que não era de extrema direita e, nem mesmo, de direita (ainda que alguns ministérios trilhem perigosamente esse caminho, especialmente o das Comunicações). Mas o achincalhe feito nos comentários à Carta Capital precisa considerar que a revista nunca teve alinhamentos automáticos. E bom exemplo disso é a posição fortemente defendida, de que Cesare Battisti deve ser devolvido à Itália, nas páginas e editoriais da revista.
Max Suel , SP-SP - Engº
Enviado em 3/6/2009 às 16:18:29
Em primeiro lugar: este (des)governo está gastando em publicidade muito mais que qualquer governo passado. Em segundo lugar: é um tremendo absurdo gastar tanto dinheiro (bilhões) em propaganda. Em terceiro lugar: como tem microcéfalos comentando na blogsfera. Em quarto lugar: como tem Luiz Magalhães parciais no OI.
Fábio Gomieiro , Guarulhos-SP - administrador
Enviado em 3/6/2009 às 11:48:59
Que perda de tempo com as marionetes do dono da FSP!
Ferreira de  Oliveira , Rio de Janeiro-RJ - Engenheiro
Enviado em 3/6/2009 às 11:45:55
O Brasil convive placidamente com essa anomalia jurídica que permite três famílias concentrarem a maioria esmagadora das atividades de comunicação, da audiência, da cobertura nacional e do faturamento com publicidade e propaganda em todo o pais. Os grupos Marinho, Frias e Civita controlam também a informação que é divulgada, tentam formar (ou deformar) a opinião pública e manobram segundo seus interesses políticos as emoções e os melhores (e piores) sentimentos da população. A atuação desses grupos, portanto, deforma e distorce o papel da imprensa em um regime democrático. Monopólio não rima com liberdade de imprensa. A decisão do governo de pulverizar as verbas oficiais por todos os meios de comunicação, por mais distantes e pequenos que sejam, é justa, elogiável e oportuna. Custa a crer que alguém tenha a desfaçatez de reclamar de tal medida. Quem o fez, por certo perdeu o juízo ou algo de mais valioso que aqui, por delicadeza, não quero nominar.
J C , Barra Mansa-RJ - Empresário
Enviado em 2/6/2009 às 23:19:15
Este artigo da Folha é o escancarar da nossa cultura: "se a farinha é pouca, meu pirão primeiro". Ficou mais (vergonhosamente) evidente, mas no meu entender é a mesma (falta de) argumentação usada para (contra) os programas sociais do governo: - compra de votos; - assistencialismo a quem não merece; - populismo. Em complemento, permito-me reproduzir aqui parte conclusiva e irretocável do comentário do Sr. Paulo Allmeida ao texto do jornalista Luiz Weis, sobre o alcance (ou falta de) da mídia: "A platéia vive no mundo do mito no seu subconsciente, e este mundo näo tem nada a ver com o mundo intelectual da mídia, que vive em sua abstracäo factual. Existe um abismo entre estes dois mundos, e ele se chama realidade".
Marcio Batista Martins , Jaraguá do Sul-SC - Redator
Enviado em 2/6/2009 às 21:26:22
Bom, eles acabam de admitir que o governo Lula é um case de marketing. Obrigado por me informar. Até pouco tempo atrás a causa de sua popularidade era o bolsa-família e os nordestinos. Agora é o marketing. Lula deve ser assunto nas universidades de Marketing então, se sua popularidade deve-se a isso. Por que eles não contratam o Lula parao marketing da Folha, que está precisando?
Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - Jornalista
Enviado em 2/6/2009 às 21:13:15
Rodrigo Leme, reportagem e artigos mencionam publicidade em jornais, rádios, TVs e internet. É dever da imprensa defender a pluralidade, que deve defender a si mesma. Há um precedente contra o Diário de Cabroró do qual me lembrei. Em 2004, o jornalista Renan Antunes de Oliveira ganhou o Prêmio Esso de melhor reportagem pela matéria sobre a tragédia do jovem Felipe Klein, que se suicidou. Primeiro, ele ofereceu o texto à revista Época, que o recusou. A reportagem foi publicada no Jornal Já, pequeno veículo de Porto Alegre, à época mensal e com tiragem de dois mil exemplares. Quando do anúncio na cerimônia do Prêmio Esso, Renan foi vaiado. Discursou recebendo as vaias com humildade e aproveitou para falar de sua carreira de 30 anos. Foi aplaudido de pé. Os diretores de grandes veículos decidiram, então, questionar os critérios de jurados do Prêmio Esso. Renan disse que iria devolver o diploma (mas não a premiação em dinheiro, de 10 mil reais, da qual se sentia merecedor). Sua mãe decidiu pendurar o diploma na parede. Ele desistiu de devolvê-lo. Se os jornalistas da grande imprensa o quisessem, que fossem pegá-lo na casa de sua mãe. "Disse aquilo [que iria devolver o diploma] em protesto contra as declarações de diretores da FSP, OESP, Veja e Época, que tentaram desqualificar a premiação, e pelo silêncio da RBS e da Gazeta do Povo". O Jornal Já, hoje, só existe na internet.
Cristian Korny , São José dos Campos-SP - Músico
Enviado em 2/6/2009 às 18:47:57
Ainda tem gente que diz não existir a grande mídia...
dante caleffi , rio de janeiro-RJ - publicitário
Enviado em 2/6/2009 às 18:19:05
Concentrar publicidade governamental, nos veículos das "quattro famiglie",seria o paraíso do PIG... Era mais ou menos,oque FHC,fazia , e com isso ,obteve apoio maciço para se manter , sem que suas estripulias fossem questionadas e convertidas em CPIs,que diga-se, não vingou nenhuma. Mídia ajuda ? E, como!!!!
Rodrigo Leme , São Paulo-SP - Publicitário
Enviado em 2/6/2009 às 17:17:50
Caro Sandro, advogado (faz diferença ressaltar a profissão? É errado ser publicitário?), não nego o direito da Carta Maior ao acesso de verbas do governo. Imagina se eu iria achar que verba tem orientação ideológica. A pergunta é: o governo pensa igual a mim? Seria interessante ver a composição destes valores distribuídos à blogosfera, especialmente no quesito alinhamento ideológico. Será que blogs de qualidade, porém de direita, têm direito a essa fatia do bolo? Que tal o governo, tão afeto à transparência, abrir este custo classificado como "outros" para satisfazer nossa curiosidade? Aí a discussão sai do plano da opinião para o fato. E sim, a Carta Maior é reduto de pseudointelectuais, que sobrevivem alimentando e sendo alimentados pela esquerda. O site só está no ar até hoje porque o governo deu uma mãozinha. Afinal, site tão servil tem que ter suas benesses...
Sandro Machado Machado , Santo Ângelo-RS - advogado
Enviado em 2/6/2009 às 16:20:07
Caro jornalista ótima análise. Em relação ao primeiro comentário do publicitário que afirma que a Carta Maior recebe verba de publicidade do governo eu pergunto: Qual é o problema? Não é um site jornalístico? os intelectuais que escrevem ali, não pseudo, são muito lidos, não tendo problema algum de divulgar qualquer coisa que seja naquele belo espaço de reflexão. Na opinião deste cidadão, por ser a Carta Maior de esquerda não tem direito à verbas de publicidade. É por isso que estes jornalões tipo folha enriqueceram e as publicações menores e independentes faliram no decorrer da história. Por esta visão preconceituosa de quem pensa diferente, e diante disso, não tem direito a verbas publicitárias. Em relação aos textos destes jornalistas, os cara defendem o indefensável. E mais, acusam blogueiros que defenden Lula de receberem dinheiro. Eu particularmente, não tenho blog algum, mas se tivesse,pois defendo Lula e o PT, processaria este cidadão e faria ele provar em juízo a mentira que está falando. Então quer dizer que todos que atacam o Lula e o PT, exemplo: Os dois jornalistas citados, Clóvis Rossi, Gaspari, Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Merval Pereira, enfim toda grande mídia sem exceção, recebem dinheiro do PSDB? Eu não vou dizer que recebem, porque não sou leviano que nem esse editor de política da folha. Se recebem tudo bem, mas não difamem sem provas.
Rodrigo Leme , São Paulo-SP - Publicitário
Enviado em 2/6/2009 às 15:34:02
O mero sinal dado por sites de esquerda que estavam às portas de fechar e foram ressucitados com verba oficial já mostra a "democratização" das verbas de mídia do governo. A Carta Maior (da tropa de choque de falsos intelectuais de esquerda) é um exemplo claríssimo. A dissimulação do sr. Magalhães ao tirar só o que lhe interessa do texto da Folha é louvável, dando a entender que a Folha só fala de veículos pequenos, e não dos sites que fazem propaganda petista na blogosfera. Tamanha dedicação de fugir da ferida tão bem aberta pela Folha (que mostrou que não é porque errou com a ditabranda que vai cair de 4 pro petismo) talvez até merecesse um pouco da "democrática" (democraticamente de esquerda) verba federal pelo esforço.
Haroldo M. Cunha , São Gonçalo-RJ - Gestor Social
Enviado em 2/6/2009 às 14:19:31
Sem novidades no front. Caro LAM, não gaste muito de seu tempo que esse tipo de "jornalismo", isso já tá antiquado, você terá uma semana, ou mês, para destrinchar os diversos "especialistas" da mídia no caso do voo da Air France. É macabro, no entanto, bom divertimento.
carlos anselmo , fortaleza-CE - engenheiro
Enviado em 2/6/2009 às 11:33:34
caro luiz antonio, esses rapazes da folha, ao escreverem esses artigos, se tornaram deselegantes, mal-educados e puxa-sacos. mesmo que nada nos surpreenda mais na folha, eles conseguem piorar sua linha editorial já cada vez mais ranzinza. que coisa! parabéns pelo bom humor e elegância do texto. abçs
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Luiz Antonio Magalhães

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