ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 541 - 9/2/2010
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FUTEBOL & VIOLÊNCIA
Matou um igual e foi assistir ao jogo

Por Walter Falceta Jr. em 9/6/2009

Na virada fria de quarta para quinta-feira (4/6), o repórter Fábio Lucas Neves, da TV Bandeirantes, produzia a típica "matéria de ambiente", depois do empate sem gols que classificara o Corinthians para a final da Copa do Brasil, em São Paulo. Nas arquibancadas do estádio do Pacaembu, ao buscar os personagens para sua reportagem, percebeu que vários vascaínos estavam feridos e que alguns tinham as roupas tingidas de sangue.

Nesse momento, descobriu que algo grave ocorrera cerca de três horas antes. Segundo os torcedores, violento embate fora travado com corintianos nas proximidades da Ponte das Bandeiras, na Marginal Tietê. Os brigões recusaram-se a aparecer diante das câmeras, mas apresentaram alguns troféus da batalha, como bonés, gorros e camisas tomados dos rivais paulistas.

Logo, com orgulho selvagem, exibiram ao jornalista uma carteira de associado da Gaviões da Fiel, cuja imagem foi gravada pelo cinegrafista Alexandre Ribeiro, o "Cabeção". Pertencia a um certo Clayton Ferreira de Souza, que segundo a data de nascimento deveria contar 27 anos de idade.

– Batemos muito, acabamos com ele – jactava-se um fanático cruzmaltino.

Em seguida, Neves e o cinegrafista puseram-se a documentar o incêndio que consumia um dos ônibus alugados pelos visitantes. Nesse momento, ignoravam que o corintiano Clayton, um promotor de vendas de supermercado, morador da Vila Industrial, na periferia da Zona Leste paulistana, já estivesse morto.

A causa? Traumatismo cranioencefálico provocado por agente contundente. O rapaz fora espancado até a morte. Tinha o rosto desfigurado e lhe haviam subtraído os documentos, o celular, o cartão de crédito e até as vestes.

Status de verdade

Neves teria seu esforço de reportagem valorizado na tarde de quinta-feira (4), quando o corpo do jovem foi identificado pela família. "De repente, eu vi que o nome era o mesmo", relata. "Embora eu já cogitasse dessa hipótese, foi um choque."

Esta é apenas uma das inúmeras pontas de uma história de horror cuja coerência escapou à polícia, à promotoria e à grande imprensa. Inúmeras versões chegaram prontamente às páginas dos jornais, às telinhas e telonas, muitas delas tolas ou inverossímeis.

Na madrugada de quinta-feira, a Gazeta Esportiva Net decretava:

"Um ônibus da torcida do Corinthians sofreu uma emboscada. Palmeirenses e vascaínos, que possuem relação amistosa, atacaram os rivais. O tumulto culminou com a morte de um corintiano."

Em matéria levada ao ar às 12h52, a Agência Estado, apresentava outro enredo para a tragédia, baseado em declarações à TV Globo do major Alfredo Donizete Rodrigues de Souza, subcomandante do 2º Batalhão de Choque da PM paulista:

"O confronto começou por acaso, porque um ônibus de corintianos cruzou com o comboio de vascaínos e eles começaram a se provocar – declarou."

Nesse momento, entretanto, uma terceira versão já fora apresentada à imprensa. Às 13h19, por exemplo, o G1 trazia matéria em que o promotor Paulo Castilho, encarregado de combater a violência nos estádios, acusava os corintianos de terem armado a emboscada. Segundo ele, cerca de 50 torcedores da facção Rua São Jorge, uma dissidência da Gaviões da Fiel, distribuídos em um ônibus e quatro carros de passeio, esperaram pelos vascaínos com barras de ferro e armas de fogo. Os cariocas eram cerca de 650, distribuídos em 15 ônibus.

"Eles vieram em paz, mas tiveram que revidar", declarou o promotor ao diário Lance!. Ao Observatório, afirmou que as outras versões eram fantasiosas. "Esse grupo da Rua São Jorge já havia provocado problemas na Baixada Santista", disse.

A partir desse momento, a narrativa adquiriu status de verdade para a grande imprensa, em São Paulo e no Rio de Janeiro. A cobertura limitou-se a reproduzir a história do promotor e da delegada encarregada do caso. Por horas, não se encontrou nos canais de informação qualquer testemunho dos torcedores envolvidos no conflito.

Pautas e fios

O promotor Castilho adiantou-se em pedir a "torcida única" nos estádios de futebol. A solicitação foi imediatamente endossada pela Polícia Militar e divulgada nos principais portais de notícias na internet.

Parecia findo o rito sumário de construção da notícia. A polícia fizera o possível. A exclusão da presença de adversários restituiria a tranquilidade ao mundo do futebol.

À noite, no entanto, a jornalista Leonor Macedo, 26 anos, que hospeda seu blog no site da revista TPM, resolveu expor os resultados de sua investigação jornalística. Depois de ouvir vários torcedores, apresentou outra versão para a ocorrência (ver aqui; outros post sobre o caso no blog eneaotil).

Retidos numa blitz da polícia, nas proximidades do Clube Espéria, os corintianos teriam sido alcançados pelo comboio vascaíno. Em ampla maioria, de dez para um, os cariocas teriam iniciado o massacre.

"Não quero dizer que os paulistas sejam santinhos, mas não me parece razoável que mobilizassem apenas 50 pessoas para enfrentar 500", diz Leonor. "Também é difícil acreditar que os policiais supostamente presentes não tenham sido capazes de impedir o conflito e evitar os linchamentos."

Segundo a jornalista, é estarrecedor saber que a força policial tenha facultado aos assassinos assistir ao jogo, levando ainda como prêmio os pertences de Clayton. "Também vale questionar a razão pela qual a PM se recusou a realizar a escolta do grupo Rua São Jorge e se essa omissão não os levou a constituir a própria defesa", afirma. "Tudo isso é vital à compreensão do caso, mas o que se vê é uma cobertura jornalística chapa-branca, de viés conservador e que despreza a informação divergente."

O trabalho pessoal da repórter reacendeu o debate sobre o caso e também sobre a conduta da imprensa ao noticiar o episódio. Na sexta-feira (5/6), pela manhã, o jornalista Luciano Martins tratou do tema no programa radiofônico deste Observatório, na Rádio Cultura, considerando a hipótese de um gravíssimo erro tático da polícia. "A versão oficial, defendida pelo promotor encarregado do caso, é quase inverossímil, mas a imprensa compra a história sem ouvir testemunhas", afirmou.

Na tarde desse mesmo dia, em matéria de destaque, o portal UOL reproduzia sem dissonância a tese da emboscada corintiana e do "potencial violento" da dissidência da Gaviões da Fiel, repetindo informações da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

A redação paulista do diário Lance!, ao contrário, agitava-se no exercício da dúvida e preparava uma matéria especial sobre os enigmas da "batalha da Marginal". "Essa história é um quebra-cabeças em que as peças definitivamente não se encaixam", disse Marcel Merguizo, um dos editores do jornal. "Se queremos fazer bom jornalismo, não podemos aceitar simplesmente a versão oficial."

O repórter Rodrigo Vessoni, enroscado em pautas e fios de telefone, buscava escrever sobre o futebol corintiano e, simultaneamente, obter mais informações sobre o conflito. "A história tecida não confere com os fatos", dizia. "Como é possível que a polícia tenha levado os assassinos até o estádio para assistir ao jogo?".

Cultura subterrânea

De fato, logo após o conflito, a polícia deteve dezenas de corintianos. Um palmeirense e dois vascaínos prestaram esclarecimentos, na qualidade de testemunhas. Quarenta e oito horas depois da trágica ocorrência, não havia qualquer pista concreta do assassino de Clayton.

À hipótese do erro tático somou-se a da negligência. Segundo o promotor Castilho, 22 homens da PM escoltavam o comboio dos cariocas. Nos depoimentos colhidos pelo repórter Fabio Lucas Neves, porém, os vascaínos afirmavam ter chegado ao local do conflito sem qualquer proteção policial. "Acredito na hipótese da emboscada corintiana, mas é fundamental verificar se faz sentido a história contada pelos torcedores do Vasco", afirmava Neves, no fim da tarde de sexta-feira (5). Até aquele momento, a polícia desprezara seu auxílio nas investigações.

Naquele momento, em casa, Neves se preparava para participar de uma festa junina com a família, mas ainda não havia tirado do pensamento a imagem da carteirinha transformada em troféu. Simultaneamente, na Vila Industrial, a família de Clayton Souza cogitava de processar o Corinthians e o estado de São Paulo. Nos portais de internet, o tema já desaparecera das páginas principais.

Matar e espairecer pode constituir-se em evento escandaloso, ainda que menos raro do que se imagina. Entre nós, o entretenimento sucede, com frequência, a infração grave. Não é à toa que se enxerga com certa paralisia complacente a saga do protagonista de Matou a família e foi ao cinema, de Julio Bressane, de 1969, filme cujo apelo temático rendeu um remake, em 1991, dirigido por Neville de Almeida.

Na ficção, como na realidade, nossa cultura subterrânea admite silenciosamente algum crime tido como privado, em que a vítima é o outro distante, e concede ao autor até mesmo o refresco da diversão. Alguém matou um igual e foi ao futebol. Somente isso. Resta saber se esta trama tem fim.

***

Em Tempo

1. Na segunda-feira (8/6) à tarde, o repórter Fabio Lucas Neves (que gravou as imagens da carteira de Clayton nas mãos dos vascaínos) ainda não tinha sido contatado pelos responsáveis pelo inquérito.

2. Nas edições de sexta, sábado e domingo, os repórteres do diário Lance! publicaram várias reportagens que exibiam as incongruências na versão oficial. Seguiam um caminho de investigação desprezado pela grande imprensa.

3. Segundo o promotor Paulo Castilho, não teria ocorrido a visita dos vascaínos à sede dos aliados da torcida Mancha Alviverde. Em sua edição de segunda-feira (8), entretanto, o diário Lance! apresenta links para uma série de vídeos no Youtube que provam esse encontro antes do jogo.

4. Fotos do conflito, publicadas em páginas de vascaínos em sites de relacionamento, comprovavam que esses também portavam artefatos explosivos. Essas imagens também mostravam que o comboio carioca havia, sim, ultrapassado o local onde estariam os corintianos.

5. Na segunda-feira, ainda não havia qualquer pista dos assassinos de Clayton Souza.

Comentários (25)
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Rogério Barreto Brsiliense , Santos-SP - vendedor
Enviado em 12/6/2009 às 18:18:34
Não dá para levar a sério uma imprensa em que um repórter especializado em futebol durante uma entrevista coletiva pergunta a um jogador se ele se considera mais bonito que outro. Não dá para levar a sério uma imprensa onde o programa esportivo de maior audiência da televisão brasileira gasta preciosos minutos para repercutir uma foto de um jogador usando um botão de rosa na orelha e sua justificativa de que tal foto não abala sua masculinidade. Não dá para levar a sério uma imprensa quando este mesmo programa esportivo de maior audiência da televisão brasileira gasta gasta preciosos minutos repercutindo as bravatas do goleiro corintiano contra o time do Goiás. A visão da imprensa que cobre futebol não vai além das quatro linhas, ela só se preocupa com as futilidades do futebol, nada mais. É mais fácil fazer perguntas imbecis nas coletivas do que correr atrás da notícia.
valdir  teodoro , são paulo-SP - agente de segurança
Enviado em 12/6/2009 às 09:33:23
Na verdade a imprensa só publica o que lhe interessa, se lembrarmos poucos tempos atras, as cameras da Record no programa do MN, mostraram um jovem que acabara de sefrer agressões e cambaleava pelas ruas sem qualquer tipo de ajuda, até ai só passaram as imagens, mais no outro dia o rapaz morreu por falta de socorro, se aproveitaram das imagens e não prestaram socorro a vitíma, agora para dar mais enfase colocaram que a torcida de outro clube participou desta selvageria, nada mais enganoso, da imprensa que gosta de publicar coisas boas do timão, mais até quando a Justiça e a imprensa vai colocar todas as torcidas no mesmo nível, é muito triste vê tanta violencia banalizada com o apoio de torcedores pseudos jornalistas é só ler o Lance, programa gazeta esportiva que ponto chegamos.
Ricardo Valim , sao paulo-SP - advogado
Enviado em 11/6/2009 às 23:55:19
Não é surpresa alguma que os jornalões tenham comprado a versão oficial dessa história. Em São Paulo, a versão oficial é a única, como nunca antes na história dessestado.
Beto Ventur , Piracicaba-SP - Biólogo
Enviado em 10/6/2009 às 17:55:03
Sou da Mancha do interior e sei bem o que acontece nas torcidas.Não adianta,a violência faz parte hj da realidade do futebol.Infelizmente um time grande tem q ter uma parte da torcida violenta e pronta para os combates, pois se não for assim, passa vergonha e apanha.Emboscadas são comuns com torcidas rivais de outros estados.A Mancha é aliada da Força Jovem do Vasco,pois a Mancha é inimiga mortal da Jovem Fla e Raça Rubro-Negra do Flamengo.A Força Jovem sempre foi inimiga mortal da Gaviões e por ai vai as alianças entre as organizadas.Há dois anos a torcida do Flamengo matou um palmeirense com um tiro disparado de uma ponte onde o onibus da torcida passava embaixo.A Gaviões matou a tiros um da mancha no metrô em SP.Há outras inúmeras emboscadas e brigas q acontecem e não saem na imprensa.Mas as emboscadas são preparadas pelas torcidas locais onde o jogo será, pois eles conhecem bem a cidade e a torcidade visitante não.Nesse caso, com certeza, foi a torcida corintiana q quis armar a emboscada, pois eles estavam armados e geralmente as torcidas locais não precisam de policiamento.Quem conhece as torcidas, sabe q eles não temem,mesmo em menor número.Não tem como manejar 13 ônibus em uma cidade que não se conhece direito para emboscar um ônibus.Os gambás q estavam esperando e acharam q iriam depredar alguns onibus e sairem fora. Se deram mal, pois eles fariam o mesmo com os vascaín
eduardo salina , são paulo-SP - engenheiro
Enviado em 10/6/2009 às 16:59:30
É inacreditável o que a estupidez política faz com a inteligência das pessoas.A professora aí de baixo conseguiu misturar USP,Petrobrás e Corintians para comentar um simples -ainda que tenebroso- caso de delinquência de hooligans esportivos.É o fim do mundo.Marx, por favor, acorde e venha ver o que você fez...
Julia Curvelo , São Paulo-SP - Professora
Enviado em 10/6/2009 às 16:05:38
O artigo é ótimo como haviam me falado. Mas lembro de um artigo do professor Mauro Carrara, publicado hoje no blog do Azenha. Isso não é um fato isolado. USP, Corinthians e Petrobrás estão na linha de tiro dos sabotadores do Brasil. Sempre que algo é valioso ou vai bem, sempre que há algo legitimamente popular, logo aparecem os serristas, demistas e outros elementos desse tipo com seus olhares invejosos de cobiça. O Corinthians vai bem, e logo o time do povo fica na mira das elites retrógradas. O mesmo acontece com a USP, onde estudei, que agora está dominada pela polícia. E a imprensa, por que não questiona nada?
Cleverson Bravo , Curitiba-PR - estudante - estagiário
Enviado em 10/6/2009 às 11:57:45
Pelo amor de Deus, precisamos nos preocupar com o que realmente importa: está chegando a nossa Copa do Mundo, ainda temos que captar os recursos do erário público para amenizar os pontos-cegos do estádio do Morumbi... se bem que os piores pontos-cegos não estão nas arquibancadas do estádio tricolor
Simas  Silva dos santos , São Paulo-SP - professor
Enviado em 10/6/2009 às 11:38:27
Os torcedores de uniformizada que brigam,na maioria são pessoas que trabalham,estudam,têm familia,mas cometem o crime de brigar na pista.(não são bandidos que vivem do crime como muita gente pensa).Para muitos a briga é até parte da diversão. Enquanto não haver punição pra esse tipo de delito,não vejo solução para o problema da violencia no futebol. Num país em que não ha punição pro traficante,pro politico corrupto,pro sequestrador,pro pedofilo, tambem não haverá punição pra quem briga no estadio.A violencia continuará existindo. Para não correr risco resta ao torcedor que vai pro estadio em paz tomar cuidado como:evitar aglomerações no trajeto pro estadio,esconder ou ir sem a camisa de seu time,chegar com certa antecedencia,etc,etc,etc.
Lucas  Nery , Salvador-BA - Assesor Jurídico
Enviado em 10/6/2009 às 10:53:01
Lamentável o acompanhamento de mais um triste episódio de violência em nosso País, tendo o futebol como pano de fundo e fonte de comportamentos agressivos e selvahens de torcidas. O que me deixa estarrecido é o fato de que há mais de 15 aos vemos cenas de vandalismo dentro e fora dos estádios e nenhuma providência séria é tomada. Só medidas cosméticas, que fingem resolver o problema, e são endossadas pela imprensa. Por que existe conturbação social no futebol brasileiro? Devido à violência que grassa Brasil afora, com sua desigualdades e miséria. O futebol é um reflexo desse enredo de impunidade e conformismo de nossas autoridades. Por que existem torcidas organizadas? Claro, está evidente que os dirigentes dos grandes clubes delas necessitam, pois as utiliza como massa de manobra, para conseguirem apoio nas eleições priódicas e encherem os estádios, mesmo liberando pra elas não pagarem. Não adianta o promotor Castillo querer posar de vestal e atacar de "o novo Fernando Capez". Essa tese de limitar e até retirar por completo a carga de ingresso para a torcida visitante é a velha via hipócrita de mudar muito, sem mexer em absolutamente nada. É hora de profissionalizar o futebol brasileiro extra campo até porque em 2014 teremos uma Copa e esses maus exemplos eguem ocorrendo.
Marisa  Flores , São Paulo-SP - Arquiteta
Enviado em 9/6/2009 às 23:41:39
E assim seguimos, onde a vida de alguém é tratada com tanto descaso. Como sempre, o poder público trata de forma banal, tendo em vista que hoje o foco está na explicação que temos que dar aos jornais franceses sobre o sumiço do avião. Então porque se incomodar? Conclui-se como mais um caso entre briga de torcidas, apurando de forma superficial. Parabéns aos jornalistas.
Daniel Damasio , Aracaju-SE - Professor Universitário
Enviado em 9/6/2009 às 22:52:53
Obrigado pela aula de jornalismo sério dado por este artigo. Há mais de quinze anos que posturas ousadas de ir contra o relincho oficial dos que se acham "homens de bem" são esperados pelo torcedor de verdade: não o que nunca pisou na arquibancada e se acomoda por esporte, mas o que sabe do seu papel de apoiar, cantar, participar, lutar por uma paz despida de hipocrisia. Aliás, 99% da imprensa esportiva é hipócrita e faz coro com o relincho oficial que elege Capezes, Castilhos, Prados, Paulinhos, Marinhos e outros incompetentes retratos de uma sociedade omissa e falida que marginaliza o torcedor-cidadão. Assim como o Caso Nilton de Jesus, da Dragões da Real, as câmeras da Record deram o flagrante; o relincho oficial debochou da vítima porque era de facção . E eis o Ovo-de-Colombo: os de bem da imprensa e dos camarotes de limpeza imunda afastam mais famílias e espalham mais terror do que os vagabundos organizados que tiveram a audácia de se dedicar ao clube que amam. Quem é marginal? O torcedor ou o homem de bem ?
Thais Kusuki , SBC-SP - Estudante
Enviado em 9/6/2009 às 18:48:13
Walter, Parabéns pelo artigo esclarecedor e limpo. Ainda bem que ainda contamos com jornalistas sérios, éticos, que zelam pela verdade e não caem nas desculpas de um promotor que só quer tirar o seu da reta. Acabar com as organizadas, promover jogos de uma única torcida e outros movimentos nesse sentido só mascaram o quanto a segurança pública é despreparada (e me arrisco a dizer que pouco se importa) com o torcedor em geral. A imprensa sensacionalista tratou logo de nos tachar de bandidos e não é necessário ser um gênio para saber que toda a história contada e divulgada nos veículos de comunicação não tinha o menor sentido. Não demorou muito para que a PM, a polícia civil e o promotor irresponsável caíssem em contradição nas suas declarações. Há provas na internet (fotos e vídeos divulgados pelos próprios vascaínos) que provam tais contradições. Os fatos estão aí, basta a boa vontade do promotor na investigação e a busca pela verdade. E agora, sr. Castilho? Querer fugir da responsabilidade do ocorrido, proferindo e inventando fatos não pareceu uma boa estratégia..
Marcio Navarro , São Caetano do Sul-SP - Cinegrafista
Enviado em 9/6/2009 às 17:45:25
Até agora eu não tinha entendido bulhufas dessa história toda. Como é que 50 pessoas vão fazer emboscada para 800? Eles podem não ser santos mas não são burros. As fotografias dos vascainos mostram que o onibus deles furou o bloqueio da policia, isso se havia alguma policia no local. Bem mas aí fica a pergunta - como é que os caras matam o moleque e ainda a policia deixa os bandidos irem para o Pacaembu? Caramba isso me deixa totalmente sem confiança nem para sair de casa. Porque essa aí é a polícia que o Estado de São Paulo tem e esses são os promotores pagos para proteger os direitos da gente. Lamentável. Tenho acompanhado o Lance e gostei da cobertura. O resto é tudo rabo preso e eu não esperava mais nada mesmo. Gostei do Observatorio e vou visitar mais vezes. Corinthians minha história, minha vida, meu amor. O Timão que participou da luta pela anistia, pelas diretas já com o Socrates e o Wlad, tem que participar da luta por uma imprensa limpa. E eu sei que vamos conseguir dar a nossa contribuição. Leonor: você representou a Nação. Abraço ao Cabeção da Band.
Flavia Takahashi , São Paulo-SP - Lojista
Enviado em 9/6/2009 às 17:24:19
A pessoa que escreveu este texto não deve se lembrar de mim. Mas eu me lembro muito bem dele. Nós estudamos juntos na Vila Formosa, na Zona Leste de SP, no colegial. Nessa época ele já era um defensor de causas perdidas, defendendo sempre os mais fracos, as pessoas que sofriam alguma injustiça. Meio louco no bom sentido. Por isso estava sempre se ferrando também. Eu confesso que não conhecia este site aqui e o achei muito bom e muito esclarecedor. Acessei porque um amigo me passou, dizendo que tinha uma reportagem que explicava o caso da briga de torcidas. Tenho um conhecido preso por causa disso e a família jura que ele não fez nada. Pelo que sei ele nunca iria fazer nada para machucar alguma pessoa. Esquisito é que os torcedores do Vasco sairam livres, na maior, mesmo depois de matar um rapaz trabalhador. A gente não pode cair no conto dos jornais que só divulgam o que é favorável ao senhor governador, como foi no caso da menina Heloá e na briga das polícias no Morumbi. Não gosto do Milton Neves, mas o filho dele fez jornalismo de verdade. Um abraço carinhoso para o meu velho colega Walter, sempre idealista, meio Dom Quixote. Mas aqui de longe eu torço por ele e quero que continue assim. Força para o nosso Coringão, maloqueiro e sofredor.
Felipe Lessa , Curitiba-PR - jornalista
Enviado em 9/6/2009 às 17:12:00
A polícia e a segurança pública estão trabalhando muito bem para omitir sua culpa no processo. Já que são torcedores organizados, o povo pensa: UM A MENOS. ESSES MARGINAIS. Porém, quando se fala em jogos de futebol....existe muita coisa a se combater.....caso se queira combater a violência. Quem deveria causar a paz,muitas vezes está diretamente ligado ao crime. Postei sobre o assunto. E coloquei algumas questões que precisam ser respondidas. http://www.interney.net/blogs/deprimeira/2009/06/05/quantos_mais_terao_que_morrer/
Antero Maiorana , Porto Alegre-RS - Empresário
Enviado em 9/6/2009 às 16:46:17
Nota 10: para o autor do artigo, para a Sra. Leonor, para o jornal Lance, para o Luciano Martins, para o Fabio Lucas Neves, para o Observatorio da Imprensa. Nota Zero para as autoridades incompetentes e que absorvem o nosso dinheiro pago em impostos. O que ocorre aí neste caso é uma jogada política clara e por isso distorcem os fatos, fazendo o povo de otário. Essa história de torcida única é mascarar o problema. Então que façam jogos sem torcida alguma. Não vamos mais ter qualquer conflito. Sou torcedor do Inter, campeão de tudo, e quero ir a São Paulo ver meu time vencer o Corinthians. Mas tudo na maior civilidade. Afinal nós somos todos brsileiros e irmãos. E a imprensa precisa assumir a sua responsabilidade nisso ao exigir honestidade das autoridades.
Tulio  Rosseto , Campinas-SP - Professor
Enviado em 9/6/2009 às 16:24:24
Li o artigo por recomendação de minha esposa corinthiana. Sou palestrino com muito orgulho mas achei um absurdo o que aconteceu com os corintianos. Um deles foi morto e nenhum vascaíno foi preso. A imprensa podia prestar atenção nisso, né não? Verdão campeão da Libertadores e bandidos na cadeia. E paz entre nós torcedores.
Nina Rosseto , Campinas-SP - Biblioteconomista
Enviado em 9/6/2009 às 16:20:06
Finalmente um artigo jornalistico decente que explica todo esse imbróglio. Não sei como os poderosos não censuraram. O povo que se organiza é sempre tratado como gado e vira joguete nas mõos de pessoas de poder, que só querem os holofotes. Estou envergonhada sinceramente de viver num país que permite esse tipo de manipulação grosseira dos fatos. Faz tempo que não vou a estádios, mas já fui acompanhar o meu Corinthians e sei que muitos meninos ali são boa gente e não são bandidos. O observatorio da imprensa acertou a derrubar o mito e mostrar que os jornalões estão contra o povo e compram a versão dos reacionários do poder público. Um abraço para o Fabio Neves, para a Leonor, para o jornalista Walter e para as pessoas que ainda têm moral.
Jorio Galhardo , Santo André-SP - Ilustrador
Enviado em 9/6/2009 às 15:23:35
Sou sampaulino e não simpatizo com torcidas organizadas. Mas não é por isso que o Estado tem que tratar esse pessoal à margem da lei. O que ocorreu nesse jogo me envergonha como cidadão que paga impostos. Como é que eles levam os canalhas para ver o jogo de futebol depois de matarem um rapaz de 27 anos? O artigo é longo mas mostra bem como a imprensa brasileira deixa passar barato esses absurdos, sem nunca questionar a "otoridade". Capachos de promotor, de policia e de governantes. Parabés ao Observatório da Imprensa pelo material que é bem esclarecedor.
Fausto José de Macedo  de macedo , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 9/6/2009 às 15:20:14
Minha filha e o filho do Milton Neves fizeram bom jornalismo. Não é caso para orgulho próprio mas eu conheço bem minha filha. É também excelente cronista veja o seu blog na revista Trip.
Leonor Macedo , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 9/6/2009 às 15:20:04
Obrigada por essa matéria, Walter. Continuaremos na luta por um futebol sem violência, de todas as partes. Um abraço.
Ana Maria M. Oliveira , Osasco-SP - Aposentada
Enviado em 9/6/2009 às 14:59:13
Essa reportagem esclarece muuuuuuuita coisa. A imprensa caiu na onda desse promotor. A polícia levou os santinhos assassinos para passear no Pacaembu... Que beleeeeeza. E a nossa imprensa nem questionou isso? E o Fabio Neves? Por que não chamaram ele para que ajudasse a identificar os criminosos? E por que a Folha de S. Paulo, o Estadão e o Globo não questionaram a polícia? Será que é porque é a polícia do José Serra, que manda em todos eles? Vergoooonha. Depois de anos trabalhando nas franjas do judiciário, ainda me escandalizo com essas coisas. E temo pelo filho que estuda jornalismo e está cheio de idealismos de fazer um mundo melhor. O negócio desses elementos é criminalizar tudo que for popular, e aí meteram os corinthianos na cadeia. Pois corinthiano é povo, e povo não tem direito a nada, especialmente no governo serrista. Bom, pelo menos tem um jornal de esportes que fez o serviço certo e honesto, né? Congratulações ao autor do artigo pela paciência em explicar tudo direitinho.
Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 9/6/2009 às 14:16:58
A primeira pergunta que é feita é a seguinte: "Quem morreu?". Aí sim toma-se a decisão de investigar o caso ou não. Assim é o Brasil.
Larissa  Beppler , São Paulo-SP - Psicóloga
Enviado em 9/6/2009 às 14:15:47
Parabéns por esta excelente e fidedigna matéria, Walter. A melhor já escrita sobre o lamentável fato que expõe ainda mais as deficiências das nossas administração e segurança pública. O fato de ignorarem as provas, sim, provas do repórter Fabio Lucas Neves já evidencia com o que estamos lidando. Espero que muitos leiam este texto sabendo que há vários, neste caso, inocentes presos e que amanhã ou depois qualquer um de nós poderá ser a próxima vítima desta falha de sistema. Obrigada pela preocupação em divulgar a realidade dos fatos e contestar estas até então verdades. É de jornalistas assim que precisamos. Parabéns! Abraços, Larissa.
Helton  Millar , Osasco-SP - Estudante
Enviado em 9/6/2009 às 14:15:45
É estupendo este artigo. Eu tinha lido e relido as reportagens sobre esse caso e não havia entendido nada. Por que é que os jornalistas não fazem como o senhor Walter Falceta e não escrevem tudo de modo claro, limpo, com sentido? Como estudante de jornalismo, fiquei com vergonha da imprensa do meu país, pois ela ocultou os fatos importantes e não fez seu papel de questionar as autoridades. Bom, seria bom parabenizar o jornal Lance, que está fazendo um trabalho bem decente nesse caso. Espero ver mais matérias investigativas como essa aqui no Observatório da Imprensa. Obrigado pela aula de jornalismo.
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Walter Falceta Jr.

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