ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 543 - 23/6/2009
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COMUNICAÇÃO & MORALISMO
Quando Maísa chorou...

Por Erick da Silva Cerqueira em 23/6/2009

Tive a felicidade de ter grandes professores na faculdade. Um deles, Eduardo Rocha, teve o grande mérito de me apresentar a uma das personalidades que mais mudaria a minha formação: Friedrich Wilhelm Nietzsche. Em um dos seus livros, Muito além do bem e do mal, esse louco e genial alemão questionava: quem define o que é bom ou mal para alguém? A partir disso, passei a entender as 6 bilhões de "verdades" que existem no mundo. Um dos grandes problemas de quem expõe e defende aquilo que pensa, no mundo como de hoje, é parecer arrogante e intransigente. Mas, em contrapartida, essas mesmas pessoas acabam por ganhar o respeito das outras. Parece paradoxal, mas o que seria do mundo sem os questionadores?

No dia 09 de junho, um artigo publicado no Observatório da Imprensa surpreendeu-me pela franqueza, correção, inteligência e boa argumentação. O artigo em questão é "Comunicação ou mero moralismo?", do dr. Paulo Bento Bandarra. Bandarra critica duramente uma das terríveis tendências dos novos (e velhos) jornalistas nacionais. A síndrome anticapitalista dos estudantes de jornalismo. Talvez, essa ação subversiva seja somente um reflexo dos tempos onde a repressão à imprensa foi muito dura, na época da ditadura (ou ditabranda, segundo a Folha). Mas a imprensa já não é mais marginal. Não se colocam bombas em bancas de revista. Não se fecham jornais e revistas em represálias as suas reportagens e, principalmente, nossos impressos vão muito além dos panfletos anarquistas ítalo-brasileiros do início do século XX.

A exposição da "pobre menina rica"

O dr. Paulo Bento critica duramente o moralismo que impera, não somente no âmbito jornalístico-midiático, mas em todas as instâncias da nossa sociedade moralista católica cristã. Se bem que os novos cristãos e sua teologia da prosperidade começam a evidenciar a necessidade das bênçãos ainda em vida, algo que parece ter sido esquecido pelos católicos, na terrível vitória da Judéia contra Roma, como diria Nietzsche.

Em pleno século XXI ainda possuímos costumes medievais. O próprio fato de usar o 21 em algarismo romano, na frase anterior, é prova disso. O latim utilizado pelos advogados em seus textos complicadíssimos é outro sinal dos tempos remotos, onde o latim era utilizado pelos aristocratas e eclesiásticos como forma de se manterem distantes das ralés. Na imprensa e na mídia, em geral, o que perdura é a guerra entre ideologia e o capitalismo. Os ideólogos, arrasadora maioria dos profissionais, criticam os vendidos que fizeram e fazem sucesso nos meios de comunicação. Luciano Huck foi duramente criticado ao sair da Band e ir para a Globo. Vendido, mercenário, dentre outras denominações, o então jovem apresentador do "H" deu uma declaração bombástica. "Não vestirei a camisa da Globo, irei tatuar a marca no meu peito." Essa polêmica declaração gerou muitas críticas entre os "não-vendáveis" profissionais anti-Globo, mas não passaram de críticas esquecidas, que não moveram e nem moverão moinho algum.

Agora a questão principal é sempre dar ou não importância ao dinheiro, esse vilão moderno que move o mundo, mas não traz felicidade (talvez mande entregar via delivery). Quando Maísa chorou um monte de críticos ferrenhos e opositores a exploração do trabalho infantil surgiu em todos os blogs e portais jornalísticos da nação. Nem as lágrimas de Nietzsche tiveram tanta repercussão (Quando Nietzsche Chorou, do autor Irvin D. Yalom). As lágrimas da pequena Maísa parecem ter manchado a maquiagem que escondia a verdadeira face dos observadores da imprensa daqui. A imprensa urubu, que tanto critiquei no caso do seqüestro de Santo André, parece ter pousado no Observatório. Por que só agora a superexposição da menina prodígio do tio Sílvio Santos está incomodando o Ministério Público? Será que o Ministério Público não está apenas pegando uma carona na exposição da "pobre menina rica"? E nós, do Observatório, também não estamos nessa carona?

Opção mais "confortável"

Penso muito próximo do dr. Bandarra. Acredito que seja só mais um caso da imensa hipocrisia nacional se manifestando e se concentrando em um episódio, até certo ponto, pequeno, ante tantas mazelas sofridas no dia-a-dia da nossa sociedade por milhões de crianças em estado de miséria e desamparo, Brasil a fora. Precisamos acabar com essa ideologia de ter o capitalismo como vilão da nossa sociedade. Ele está aí, e bem e ou mal, com crise ou sem crise, é a Lei. Dura Lex, Sede Lex (só para usar um pouco de latim, como os advogados e os padres exorcistas do cinema).

Vamos acabar com essa hipocrisia, senhores. Maísa e sua família precisam da caixa registradora, como critica Washington Araújo em seu artigo, "A menina-prodígio e a caixa registradora". Ou será que a mini-petiz, apelido de Marcelo Taz à apresentadora da emissora concorrente, preferiria estar cortando cana no nordeste, vendendo chicletes em semáforos, pedindo esmola nas ruas ou sendo mais uma malabarista do sinal vermelho? Como será que o Ministério Público prefere: Maísa sendo usada pelo SBT ou sexualmente explorada pelas ruas, caro Ministério? Acredito ser a primeira opção mais "confortável" para todos, enquanto as crianças nas outras situações, sim, deveriam ser apoiadas e ajudadas pelo MP. Mas aí, que Ibope teria?

Comentários (37)
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Ricardo Costa , Recife-PE - funcionário público
Enviado em 1/7/2009 às 18:25:35
Considero equivocados tanto o objetivo deste texto como os argumentos utilizados para alcançá-lo. Para mim o objetivo do texto é criticar o MPF. Acredito que a atuação exemplar do MPF, assim como da Polícia Federal e dos outros órgãos responsáveis pela fiscalização e controle são o elemento que estava faltando para garantir a evolução da sociedade brasileira. Evolução no sentido de deixarmos de ser uma sociedade patrimonialista e viciada em práticas nocivas à concretização da democracia. Brada-se aos quatro cantos do mundo sobre o exibicionismo da PF e do MPF. Acredito que a discrição ou a exibição na mídia devem ser pautados de um lado pela importância do papel a eles atribuído pela Constituição Federal e do outro pela importância dos cidadãos tomarem conhecimento da sua atuação. Quanto aos argumentos utilizados no texto, estou longe de achar o episódio da menina Maísa pequeno como afirma o autor, nem mesmo ante as “tantas mazelas sofridas no dia-a-dia da nossa sociedade por milhões de crianças”. Os motivos eu já expliquei num comentário anterior, acredito que o número 25)
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 29/6/2009 às 18:09:07
Caro rafael palomino , a sua fé é elogiável. Há cinqüenta anos homossexualidade era doença mental, hoje doente mental é quem não é. Escreviam-se livros e livros dizendo que era proibido proibir. Hoje culpam os pais por não darem limites para as crianças e dizerem não. Antes a figura paterna e materna faziam parte de um educação essencial para ensinar os papeis sexuais corretamente. Distúrbios mentais eram resultados desta falha em criar esta referência no inconsciente das crianças em formação. Quantos filmes Hollywood fez por esta “descoberta” da psicologia? Hoje pregam a inocuidade de um casal de travestis criarem uma criança como a coisa mais natural e como se tivéssemos milhares de anos desta experiência para proibirmos casais normais dando preferência para estes. O conselho de psicologia proibiu seus profissionais de tratar um homossexual que quiser ficar normal. Apenas homens e mulheres podem ser tratadas para ficar homossexual. Os únicos que podem nascer doentes e desejar outra coisa na vida. Você pode acreditar no que quiser só não nos peça para fazermos o mesmo. Há 150 anos a tuberculose continua sendo causado pelo bacilo de Koch!
Sílvio  Miguel Gomes , Olímpia-SP - Func. Publico Estadual
Enviado em 29/6/2009 às 15:21:50
Há um excelente artigo escrito pelo Jornalista Cultural Sergio Augusto quando trabalhava na revista BRAVO! , sobre crianças e adolescentes . Tentei achar na internet, mas não conseqgui. Com o passar dos Séculos, ensina o Jornalista, a humanidade implantou leis, sistemas, para proteger os menores. No mundo moderno, com o advento da televisão, internet, etc, voltamos à idade média. Não há mais controle nenhum. O comentarista Tostão, o antigo centroavante, também ensina que os jogadores não são máquinas e que precisam de apoio psicológico. Todos os adultos, principalmente, as tais celebridades. Ora, se até marmanjões precisam deste apoio, muito mais as crianças. E os que são totalmente favoráveis dão exemplos de menores que deram certo, mas se esquecem dos que foram excluídos e terminram de forma miserável.
Mônica França , Salvador-BA - Jornalista
Enviado em 29/6/2009 às 03:47:19
O “caso Maisa” virou novela na mídia e, concordando com o autor, o Ministério Público pegou carona nessa exposição... A promotora que solicitou a cassação da autorização "salvo conduto" (que permite a participação de Maisa no programa), disse que a exibição constante da menina no programa fere o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). E quantas crianças anônimas estão por aí pelas ruas, sendo verdadeiramente exploradas, e garanto que os doutores e magistrados apenas fecham os vidros automáticos das janelas de seus carros para fingirem que não estão vendo? O choro da menina em nada mudou a atividade que ela já desempenhava na emissora do Sr. Silvio Santos. Essa exposição é fruto da necessidade de ibope de um órgão, tanto quanto dos veículos de comunicação sedentos de polêmica.
rafael palomino , araraquara-SP - professor
Enviado em 28/6/2009 às 19:51:19
Um pouco de lógica nessa conversa, por favor. O Ministério Público tem o dever de olhar pelas crianças que cortam cana, são abusadas sexualmente, etc. Mas, por isso, o MP deveria fechar os olhos para o que acontece com Maísa? Óbvio que não. Uma conclusão não leva à outra. E nada disso tem bulhufas a ver com ideologia anticapitalista. A questão é puramente ética: não pega bem expor uma criança ao ridículo em rede nacional, seja isso por dinheiro ou pelo que for. Pelo menos é o que afirmam todos os psicólogos. A não ser, claro, que devamos jogar no lixo a pretensa verdade defendida pelos psicólogos, sob alegação de que, para além do bem e do mal, não podemos afirmar o que é bom para Maísa, porque estaríamos submetendo-a à nossa verdade, e ignorando que há mais seis bilhões de verdades por aí. Desculpe, mas todas essas citações, todo esse blablabla, para terminar no senso-comum de que "só falam da Maísa porque ela é famosa, deixa a menina que ela está ganhando dinheiro, prestem atenção às crianças cortadoras de cana"... é de doer.
Sílvio  Miguel Gomes , Olímpia-SP - Func. Publico Estadual
Enviado em 27/6/2009 às 19:45:27
O dr. Delfin Neto sempre fala na força, criatividade do Capitalismo e que é um erro dizer que os EUA estão arruinados, porque é de lá quem a criatividade. Eu considero que ele está certo, mas não tem nada a ver com vencer na vida, caixa registradora, e muito menos usar crianças. Tenham a santa paciencia!
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 27/6/2009 às 18:55:24
Na semana que vem eu volto.
Carlos André , Salvador-BA - Teólogo
Enviado em 27/6/2009 às 11:15:40
Se você não entendeu, é exatamente isso que estou criticando: O FOCO DA DISCUSSÃO se perdeu completamente por causa dessa chatice de religião x ciência. Voltemos aoproblema das crianças.
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 26/6/2009 às 22:00:45
Caro Carlos André, a questão é paralela de outra discussão. Não tem nada a ver com o caso da Maísa com religião ou ciência.
Carlos André , Salvador-BA - Teólogo
Enviado em 26/6/2009 às 20:24:48
Retificando o e-mail anterior: onde se lê "Paulo e Bandara", leia-se "Paulo e Júlio".
Carlos André , Salvador-BA - Teólogo
Enviado em 26/6/2009 às 20:22:25
Paulo e Bandarra, parece que vocês esqueceram a real discussão aqui desenvolvida e caíram nesse papo chato de religião x ciência. Se a nossa religiosidade ou academicismo não atingirem problemas do cotidiano, como o de Maísa e tantas outras centenas de crianças, não passaremos de demagogos numa orgia intelectual. Voltemos à realidade...
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 26/6/2009 às 15:09:15
O que você acha então das crianças criadas por terem sido descobertas serem a reencarnação do Buda. Não é um abuso com elas? E os pequenos Budas? Já ouviu falar de alguma mulher que virou Buda ou Lama? Não creio que Maísa ou Sílvio Santos estão esticando muito a corda. Interessante que Sidarta Gautama (563-483 a.C.), é contemporâneo de Confúcio, K ung Fu-Tzu (551 - 479 a. C) desenvolveram a mesma filosofia do caminho do meio, mas Confúcio não precisou passar miséria para isto. Nenhum pregou igualdade financeira. E o budismo considera o sofrimento parte da natureza e que ele é necessário para o desenvolvimento da alma que reencarna e ou transmigra. Tanto no Budismo Chinês, no Nepal ou no Japonês houve pregação da igualdade de bens. Todos pregaram o esforço pessoal para superar as dificuldades. Foram países com servidão humana e diferença social muito grande. A igualdade, fraternidade e liberdade foi a bandeira da revolução francesa. Não de religiões.
Ricardo Costa , Recife-PE - funcionário público
Enviado em 26/6/2009 às 15:06:38
A atitude de Sílvio Santos em relação à menina Maísa é algo condenável sim. A condição psicológica e intelectual da criança estão em fase inicial de desenvolvimento, privando-a dos subsídios psíquicos para elaborar situações de humilhação e constrangimento de uma forma adequada. Sílvio Santos submeteu sim a garota Maísa a situações de extremo constrangimento e de sofrimento psíquico. Não podemos nos deixar levar por argumentos falsos que tentam encobrir uma prática que nada mais é do que um gozo sádico com o sofrimento de uma criança. O fato de concordar que a situação de crianças submetidas à exploração sexual pode ser mais deprimente do que a situação da menina Maísa não diminui em nada a repugnância que senti ao ver uma criança sendo maltratada por um apresentador sádico a quem não deveria ser dado o direito de expor para a sociedade comportamentos deploráveis como este. Acho sim, que o Ministério Público Federal deve combater com todos os intrumentos que possui situações como a da menina Maísa. De outra forma, teremos que concordar com o assalto a nossas casas uma vez que existem assaltos a hospitais ou creches. Teremos que concordar com a prostituição infantil uma vez que existem crianças violentadas pelos próprios pais. Teremos que concordar até mesmo com o assassinato por arma de fogo uma vez que existem pessoas que são mortas por meio da tortura.
Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 26/6/2009 às 14:00:39
Fala Bandarra... A aproximação da ciência e da religião não foi citada por mim referenciando o budismo, e sim citei autores e cientistas que deixaram de "demonizar" a religião, passando a extrair conhecimento dela, conhecimento antropológico e até mesmo conhecimento científico - já que nem toda teoria científica saiu de uma observação empírica direta. E quando falo de religião não estou me reportando apenas ao "dogma-católico-cristão", estou considerando até mesmo filósofos pré-socráticos que tinham a transcendência dentro da sua filosofia. Outra coisa Bandarra, Buda não pregou a vida na miséria, ele pregou o desapego, ser desapegado não significa viver de esmolas. Por exemplo Bandarra, quando você atende a um pobre de graça no seu consultório você está exercendo o "desapego", entendeu? (aliás, Adous Huxley cita isso em Ends and Means) Procure saber mais sobre o budismo antes de citá-lo, pois a iluminação do Buda só foi possível quando ele entendeu que o caminho possível era o "Caminho do Meio" - ele percebeu que anos de ascetismo não foram de ajuda - daí nasceu a metáfora da corda da cítara - muito esticada ela estoura, muito frouxa ela não soa!
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 26/6/2009 às 11:38:18
Caro Julio Prático Souza, quem trouxe o budismo como pedra de moralidade unindo ciência e religião foi o amigo. Você me criticou justamente por opinar sobre religiões alheias. No entanto quer determinar a moral que os outros devem assumir obrigatoriamente. Buda renunciou a vida rica porque o certo era a vida pobre e sofrida. Qual o princípio budista de que todos devem ser iguais você acredita? O que aconteceria com a sua família se a sua avó tivesse abandonado tudo e passasse a viver de esmolas e meditação para abreviar o seu Karma? O infortúnio dos seus descendente que você agradece a ela o sucesso, teria sido dos outros ou dela mesmo?
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 26/6/2009 às 10:39:58
Não esqueça também de Michael Jackson, Erick, que na tenra idade descobriu-se um excelente filão de mídia.
Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 26/6/2009 às 10:19:52
Bandarra, referente ao caso Maísa, concordo que houve exagero de indignação, existem problemas muito mais graves envolvendo crianças no Brasil e isso é óbvio. Só que não posso justificar essa minha opinião relativisando o senso-moral, pois é também o senso-moral que me move a querer ver melhoria de vida para as crianças pobres do país. Não precisa ser gênio também para saber que a miséria brasileira é oriunda da ganância de sucessivos governos corruptos, e nada melhor que uma sociedade que super-valoriza o dinheiro para gerar corruptos, não é mesmo? Bom, Buda era rico? então fique com Cristo, caro Bandarra, ele era um mero carpinteiro.
Erick  Cerqueira , Salvador-BA - Estudante de Marketing
Enviado em 26/6/2009 às 09:42:10
Ah, esqueci mais um na lista. O maior gênio da música (na minha prerconceituosa visão), Wolfgang Amadeus Mozart. Esse também foi explorado pelo seu pai carrasco, desde os 5 anos de idade para fazer apresentações ao piano por toda a Europa. É preciso encarar que cortar sisal e apresentar programas de TV são coisas completamente diferentes, apesar de ser trabalho infantil também. A arte não é só trabalho, é diversão. Assista mais vídeos de Maísa no yutube e verá isso. Obrigado Paulo, pela defesa. Algumas vezes vemos um texto e o nosso "pré-conceito", acaba atrapalhando a interpretação do mesmo. Sejamos Práticos, Júlio. Ao menos concordamos com a exploração de crianças de rua e a omissão do MP frente a isso...
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 26/6/2009 às 09:05:32
Queira ou não estamos falando de civilização e de seus atributos, de suas características. Está lá nos dicionários, não fui eu quem inventou: "Processo pelo qual os elementos culturais concretos ou abstratos de uma sociedade (conhecimentos, técnicas, bens e realizações materiais, valores, costumes, gostos, etc.) são coletiva e/ou individualmente elaborados, desenvolvidos e aprimorados." E para que estas características se desenvolvam e não haja conflitos são necessárias regras de conduta, a Moral. Expor-se como virtuose, ter um talento qualquer e usar tais condições para conseguir benefícios de toda a ordem está nos alicerces da civilização. Foi assim que a humanidade obteve seu share. A Moral, valendo-se de seus correspondentes, como a Justiça, julga o quanto isso é pernicioso e necessite de controles. Caso não, que se ganhe dinheiro com isso, muito dinheiro.
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 25/6/2009 às 20:29:15
Caro Julio Prático Souza, você está entrando até o pescoço no preconceito barato. O Dono do bem e todos que estão bem são o mal a ser eliminado. Se tivesse lido o meu texto, e o texto acima, justamente ele critica a preocupação da mídia com quem está bem, e duvido você provar que a menina está fazendo o que não quer e não se divertindo, enquanto estes exemplos seus não encontram preocupação nos comentaristas, na mídia e nos “comunicadores” que deu ensejo ao meu e a este artigo. Se a Maísa for proibida e crianças forem proibidas de aproveitarem o seu talento precoce, nada vai mudar para as outras esquecidas pela mídia e pelo MP e a justiça. Maísa está bem, a joguemos na rua e na miséria também. Meu próximo artigo próxima semana. Até lá. (Buda foi um príncipe criado na riqueza e no luxo).
Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 25/6/2009 às 17:41:40
Bandarra, de onde vem meu preconceito? Aliás, sou eu mesmo o preconceituoso ou quem anda taxando a todos de "Moralistas" em sentido pejorativo? Ora, quem defende aqui uma literatura de qualidade para os jovens é taxado de "Moralista", quem preconiza que dinheiro NÃO traz felicidadei é taxado por vocês de "Moralista", quem crê no despojamento humano em relação aos valores materiais é taxado por vocês de "Moralista", quem defende uma sociedade menos competitiva e mais justa é taxado por vocês de "Moralista" - e o preconceituoso na história toda sou eu agora? Abomino esse pensamento relativista que lemos nas linhas e entre-linhas deste artigo. A miséria que corrói nossa sociedade não vem só da inépcia do nosso governo vem também da crise moral e da corrupção de valores que está em moda. Eu não estou nem aí pra Maísa, menininhas graciosas e famosas são protegidas pelo MP quando algo parece errado, minha preocupação é com as meninas pobres que já estão tendo filhos e se drogando aos 13 anos, alguns já estão batendo nos pais, outros jogam os filhos recém-nascidos no lixo... e aí, como o relativismo moral apregoado no texto ajuda realmente essas pessoas? Ao final a lógica agora é essa - "Feche o vidro do carro e não estimule a exploração infantil!"
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 25/6/2009 às 16:42:43
“A RAPOSA E AS UVAS” -- ”Certa raposa esfaimada encontrou uma parreira carregadinha de lindos cachos maduros, coisas de fazer vir água na boca. Mas tão altos, que nem pulando. O matreiro bicho torceu o focinho: - Estão verdes - murmurou. - Uvas verdes, só para cachorros. E foi-se. Nisto, deu o vento e uma folha caiu. A raposa, ouvindo o barulhinho, voltou depressa, e pôs-se a farejar. “---- ““Sirvo-me dos animais para instruir os homens””, Fábula de La Fontaine inspiradas em Esopo, mais antigo ainda. Como é velha a hipocrisia.
Carlos André , Salvador-BA - Teólogo
Enviado em 25/6/2009 às 15:50:22
"Somos seres condicionados, mas não determinados." (Paulo Freire) Acredito que seu desejo, Erick, é lutar por uma sociedade menos elitista. Por essa razão é que a mobilização social não deve se limitar a um caso isolado, independente do status social, mas combater tal exploração em todas as camadas sociais com o mesmo ímpeto e indignação. Qualquer tipo de exploração é absurda, especialmente a infantil; mesmo que favoreça economicamente o explorado e sua família, continuará sendo exploração. Toda exploração é efeito colateral de uma sociedade incompetente. Nossa sociedade tem sido conformista diante da realidade, talvêz porque seja mais trabalhoso lutar por ideais que criem uma realidade mais humana. Aliás, a realidade de hoje nada mais é do que o produto dos ideais de outrora.
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 25/6/2009 às 14:21:11
Agora deu para entender de onde vem o seu preconceito, Julio Prático Souza. Pior quem teve a avó escrava, estuprada e ainda asim os filhos continuaram escravos. Mas nada disto nega o direito das crianças o direito de sonharem em vencer na vida.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 25/6/2009 às 14:16:02
A grande questão é que vivemos tempos imorais ou amorais, numa sociedade frívola, fútil, cujos valores estão associados ao ter, ao parecer, antes do ser. Não me venham dizer que os pais e mães existentes por aí, se houver uma Maisa dessas em casa, não faria o mesmo que os verdadeiros pais daquela. Ora, por favor! O reino dos discursos bonitinhos e empolados é lá no Congresso e sabemos bem como aquilo está. As poças de lama após uma enchente são mais limpinhas. Mas por que estou escrevendo/dizendo isso? Ninguém mais nos lê ou ouve. Exacerbar virtudes é motivo de piada.
Sílvio  Miguel Gomes , Olímpia-SP - Func. Publico Estadual
Enviado em 25/6/2009 às 11:40:49
Porque textos tão longos? resume essa canalhice com a seguinte frase: pagando bem, que mal tem?
Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 25/6/2009 às 11:35:53
"Mas se houvessem mais Julios, o que seria da vida desses pobre meninos ricos da lista que segue? Shirley Temple, Glória Pires, Bruna Marquezine, Carla Diaz, Cristina Ricci, Sandy, Kirsten Dunst, Angélica, Déborah Secco, Letícia Spiller, Bárbara Borges, Fernanda Rodrigues, Kayky Brito, Fernanda Souza, Isabela Garcia, Natália Lage, Sthefany Brito". Caro Erick, meu modelo de sucesso como ser-humano não são essas pessoas que você citou, e sim gente anônima do povo que dá um duro danado pra viver honestamente. Meu símbolo de sucesso é uma roceira, nascida em 1903 que começou a trabalhar na lavoura com 05 anos de idade e que ao fim da vida, aos 96 anos viu seus netos todos formados - esse é meu modelo, não a Sandy! E textos como o seu demonstram um descolamento gigantesco da realidade, sua realidade é de mídia, de faz de conta. O pensamento relativista ao extremo - como é sua tendência - não se encaixa para quem vive realmente na crise, pra quem vive o sufoco do dia-a-dia, nestes casos ou você dá valor a "Moral" ou você debanda para o crime, prostituição, corrupção e tudo que vemos por aí. Para quem acha que minha interpretação é a de um analfabeto funcional, tudo bem, minha avé morreu analfabeta.
Emerson  Leandro Silva , camaçari-CE - Estudante de Comunicação Social e Antropologia
Enviado em 25/6/2009 às 04:16:07
Eu, sinceramente, devo ter algum problema... Não consigo entender o modo como as pessoas conseguem distorcer a linha interpretativa de um texto. É preciso que sejamos TODOS escritores pra entender que todo texto tem uma limitação "física" que impedirá abranger a totalidade de uma problematica? Acredito que o texto/autor deva tentar causar REFLEXÃO e não uma pseudo-indignação que se apresenta sobre as cores de uma lógica que parece ser sustentada, pela tentativa de provar que o autor é tolo, incapaz, etc Para mim gritam no texto alguns problemas: A EXPLORAÇÃO INFANTIL, O INQUIETANTE QUESTIONAMENTO... SERÁ QUE O (mp) NÃO ESTÁ UTILIZANDO CASOS COMO ESTE PARA "MOSTRAR" SERVIÇO e por fim A SÚTIL HIPOCRISIA DO ESTADO QUE SE MANTEM QUASE CONIVENTE COM AS ASCRIANÇAS EM SITUAÇÕES DE RISCO. Por favor... Antes de comentar, vamos refletir. Afinal prefiro não acreditar que todos analfabetos funcionais( aqueles que não sabem interpretar) que comentaram negativamente sobre texto seguem a lógica contida na frase de Oscar Wilde... "A IGNORÂNCIA É UMA BENÇÃO"
Erick  Cerqueira , Salvador-BA - Estudante
Enviado em 24/6/2009 às 23:57:02
Caríssimo Censor Julio Prático Souza. Primeiro, acredito que o mundo seria melhor se existissem mais Ericks de plantão. A indignação e a vontade de mudar as injustiças estariam sempre em alta e a hipocrisia sempre em baixa. Mas se houvessem mais Julios, o que seria da vida desses pobre meninos ricos da lista que segue? Shirley Temple, Glória Pires, Bruna Marquezine, Carla Diaz, Cristina Ricci, Sandy, Kirsten Dunst, Angélica, Déborah Secco, Letícia Spiller, Bárbara Borges, Fernanda Rodrigues, Kayky Brito, Fernanda Souza, Isabela Garcia, Natália Lage, Sthefany Brito, além de 90% dos atuais jogadores de futebol dos dias de hoje, são apenas algumas das crianças que começaram a trabalhar muito cedo e por mais impressionante que seja, não tornaram-se nenhuma ameaça a sociedade. Sejamos mais práticos e menos demagogos, por favor.
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 24/6/2009 às 18:03:49
Na idade média foi proibido a presença de mulheres nos palcos por ser considerado pela igreja uma indecência. Os homens então passaram a fazer o papel feminino no palco. Uma característica marcante do teatro Kabuki, a inexistência de atrizes (mas permitido crianças masculinas). Parece que nossos moralistas modernos e marxistas estão pregando que os papeis infantis na mídia sejam agora interpretados por adultos para que se elimine a presença das crianças na mídia. Eu acho uma tese ridícula ao extremo como foi o banimento das atrizes feminina nos palcos. Só peço ao Bom Deus que seja justo e nunca una aqueles que detestam o capital com o mesmo e lhes dê uma vida longa e virtuosa. Espero que não peçam que as verbas públicas sustente as suas fantasias midiáticas que ninguém deseja ver. Sejam coerentes.
carlos azevedo , joão pessoa-PB - jornalista
Enviado em 24/6/2009 às 14:10:57
-“Quem quer dinheirooooo?! Quem quer dinheirooooo?!”
Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 24/6/2009 às 11:43:20
Aí é que está Nilbberth Silva, nossos colegas "anti-moralismo" não consideram o caminho do meio racional, eles o consideram moralista. "Caminho - do - Meio ", para eles, lembra Buda, Buda lembra budismo, budismo lembra religião e religião os lembra matança e tirania. Portanto, caro Nilbberth Silva, na "lógica" dos Ericks de plantão "Caminho do Meio" = Matança e Tirania.
nilbberth  silva , sp -SP - estudante
Enviado em 24/6/2009 às 11:05:48
Ué, não existe uma possibilidade no mei^? Não existe a possibilidade de Maísa viver como uma criança normal e sem fana? Não existe a possibilidade dele ser bem tratada pelo patrão, não precisar se expor extremamamente como algumas crianças da TV Não é hipocrisia se preocupar só com Maísa. É que os problemas de Maísa viraram espetáculo, e isso toma mais a mente de muitos ocnsumidores da imprensa do que problemas sociais sem nenhuma graça.
Carlos Eduardo Spadin , Leme-SP - Contador
Enviado em 24/6/2009 às 10:44:49
Vou um pouco além do texto: É preferível NENHUM tipo de exploração infantil. Criança é criança e deve ser tratada como tal. Se Sílvio Santos e Cia não tem competência para criar uma programação decente e de qualidade, procurem outra coisa para fazer, não explorar crianças, seja cortando cana, seja fazendo papel de idiota na televisão.
Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 24/6/2009 às 10:39:35
Ao ver crianças na rua pedindo esmolas, sendo exploradas até sexualmente, outras vivendo empilhadas em barracos minúsculos - a minoria de cidadãos que se sentem indignados está sendo movida por um ato racional ou pelo senso moral? Será que nosso "moralismo" é tão irracional assim? Vejamos a frase: "Agora a questão principal é sempre dar ou não importância ao dinheiro, esse vilão moderno que move o mundo, mas não traz felicidade (talvez mande entregar via delivery)". Bom, quem formulou essa frase está sendo movido pela razão? ralativismo? ignorância? Longe de ser moralista, devemos pensar - daonde sai o dinheiro? é só fabricar na casa da moeda e pronto? E quem não tem dinheiro ou educação para obtê-lo, mas vive em uma sociedade que supor valoriza o dinheiro? o que ele faz? se mata? Ora, pensar nessas questóes não é ser moralista, é não ser burro!
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 24/6/2009 às 10:37:43
Quando ouço e leio falarem da infância brasileira, que deve ser preservada e tal, e sei que existe em nosso país uma excrescência chamada ECA (cujo verdadeiro significado representa a interjeição e não a sua necessidade educacional), que prioriza infantes criminosos e não os educa ou impõe responsabilidades, mas adia seus problemas, é que vejo o quanto de hipocrisia há na pátria das chuteiras, das modelos e de menores virtuoses. Pais e mães de todo o país querem seus filhos brilhando em campos verdejantes rodeados por arquibancadas, e nas passarelas fashion sei-lá-o-quê, de prefêrencia ainda no berço, que é para ter muitos anos de cofres cheios. Essa Maisa é só mais uma no show da vida, do Silvio ou do Raul querendo seu dindin.
denis  carvalho , teresina-PI - psicólogo - professor universitário
Enviado em 24/6/2009 às 08:54:03
É absurdo ter achar que vivemos em uma situação dicotômica em que só nos reste a alternativa da exploração(seja qual for, televisiva ou tradicional) da infância. Que tal achar que a Maísa possa ser uma criança sem exposição midiática?Hipocrisia dos Bandurras da vida é achar que devemos nos calar quando a classe média explora seus filhos para defender os direitos da infância brasileira.Sem dualismo simplistas por favor!
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