ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 544 - 9/2/2010
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MÍDIA & GRIPE SUÍNA
O perigo mora ao lado

Por Alberto Dines em 6/7/2009

Comentário para o programa radiofônico do OI, 6/7/2009

"A gripe A espalha-se pela Argentina com 100 mil possíveis afetados" – foi esta a manchete no sábado (4/6) da edição sul-americana do diário El País. Subtítulos: "A pandemia avança sem controle e soma 44 mortes". Outro: "O governo [dos Kirchner] ocultou a realidade até o fim da eleição".

Na mesma edição do jornal espanhol (pág. 34) uma notícia sobre a reunião de emergência da OMS (Organização Mundial da Saúde) em Cancun, México, onde se informa que o hemisfério norte está acompanhando com enorme preocupação o que acontece no hemisfério sul, no caso representado pelo Chile e a Argentina.

O ministro da Saúde da Argentina não compareceu, mandou um sub-sub, o vice-secretário. Mas a vice-ministra da Saúde do Chile foi categórica: "Preparem-se!", avisou.

Mídia insensível

Apesar da dramática situação sanitária argentina, nossa imprensa não reproduziu nenhuma das duas informações no fim de semana. O noticiário do fim de semana foi pequeno, sem destaque, como se a Argentina fosse um país distante, desligado territorialmente do Brasil.

Os jornalistas de plantão esqueceram de que uma das duas vítimas fatais da gripe suína [A (H1N1)] no Brasil foi um caminhoneiro gaúcho que esteve na Argentina. Ignoram talvez que a extensa fronteira entre os dois países estende-se pelos três estados do Sul e que o transporte rodoviário e aéreo é muito intenso – sobretudo agora, durante as férias escolares.

A OMS acompanhou a evolução da pandemia desde a sua origem mexicana com rara competência – e a mídia internacional esteve sempre alerta. A irresponsabilidade do governo argentino só encontra paralelo na insensibilidade da mídia brasileira que esquece sua condição de serviço público e continua encarando a Argentina apenas como rival no futebol.

Comentários (4)
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Jose de Almeida Bispo , Itabaiana-SE - Publicitaario e radialista
Enviado em 6/7/2009 às 23:31:21
"Apesar da dramática situação sanitária argentina..." Que mané dramática? Uma gripezinha de nada, potencializada pelos interesses escusos de laboratórios querendo vender porcaria e mídia ganhando dinheiro pra espalhar o terror, e aí, o governo da Argentina vai se comportar como se estivesse enfrentando a peste negra? Que tal esminhuçar como anda o comportamento do serviço de saúde americano (já que é tido por parâmetro por tanta gente)? "A OMS acompanhou a evolução da pandemia desde a sua origem mexicana com rara competência..." Teria sido a OMS, ou são os laboratórios que estão aproveitando que os serviços de saúde não podem nem devem reagir a esse tipo de coisa estapafurdiamente, magicamente, num piscar de olhos, e aproveitando pra empurrar goela abaixo essa idéia absurda buscando a chancela da organização mundial? De novo: o que estão fazendo os Estados Unidos? PARECE A "CRISE" DA AFTOSA. Lembram? Agora que parece que, veladamente, o governo Obama está a apoiar essa molecagem em Honduras, as vivandeiras golpistas se assanham ainda mais tecendo o diabo pra desestabilizar os governos mais democráticos que a América Latina já teve. E serve tudo. Até doenças potencializadas. O El país é da Opus Dei, o braço imperial espanhol camuflado na religião. E isso já diz tudo.
Ricardo Dias , Rio de Janeiro-RJ - Sem profissão
Enviado em 6/7/2009 às 20:17:28
Considerando tais fatos e o tão conhecido "zelo" das nossas autoridades no que se refere à saúde pública, pandemias nunca grassarão por aqui, pois sempre tivemos, em contrapartida, barreiras de anticorpos da nossa "suinopolítica".
Simone Diniz , Brasília-DF - Jornalista
Enviado em 6/7/2009 às 14:21:44
Conheço jornalistas diplomados mediocres e outros sem diploma idem. Vergonhosa com toda a certeza a superficialidade que a imprensa está dando ao caso,porém, mais vergonhoso ainda foi o pronunciamento do Sr. Ministro da Saúde, haja óleo de peroba para passar no rosto ao dizer que nossos hospitais estão preparados para receber pacientes com suspeita da gripe suína.O carissímo ministro ainda pediu as pessoas que adiassem viagens para locais com grande contaminação.Esqueceu o ministro que no periodo de julho nossas praias são "invadidas" por estrangeiros e na sua maioria argentinos?Esqueceu o senhor ministro que grande é o tráfico de caminhões de carga entre Argentina e Brasil?
Ibsen  Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 6/7/2009 às 12:56:41
O problema é o seguinte: Aqui no Brasil afrouxaram a fiscalização e tratamento (governo, imprensa e sistema de saúde), isso porque, como na Inglaterra, já se deram conta da impossibilidade de qualquer controle sobre essa pandemia. Como disse o ministro, o número de óbitos é aproximadamente igual ao da gripe comum, portanto, não precisamos nos preocupar. Claro, ele se importa mais em fazer propaganda vanguardista como no caso do aborto, operações em transexuais (não sei se é esse o termo correto) e outras tantas polêmicas do que míseros 04% de um universo que não se sabe exatamente qual é.Afinal, 0,4 não são pessoas, é apenas uma estatística e, como tal, não vale o investimento. Nada contra colocar em pauta esses outros problemas, mas acho que o atendimento às maiorias é prioritário, ou não? Então podemos concluir que todos os gastos iniciais em estrutura, infra-estrutura e reuniões não valeram prá nada. Agora ficamos nas mãos dos médicos da rede pública que irão decidir se nosso caso é grave ou não. Isso para um tipo de atendimento prá lá de precário. A imprensa, essa não tem massa crítica para fazer qualquer tipo de avaliação e caminha no vai da valsa. Tudo coberto por jornalistas diplomados.
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