ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 547 - 9/2/2010
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DIPLOMA DE JORNALISMO
A história jogada no lixo

Por Alberto Dines em 21/7/2009

O Estado brasileiro judicializou-se, transferiu-se para os tribunais. A inoperância e desqualificação do Legislativo somada ao caráter circunstancial e casuísta das ações do Executivo levam o Judiciário a assumir uma série de atribuições indevidas.

Atrás desta grave disfunção estrutural está o velho mandonismo e a incapacidade dos agentes políticos para buscar algum tipo de consenso e conciliação. Preferem os impasses logo encaminhados às diferentes instâncias judiciais mesmo quando as divergências são de ordem conceitual, não envolvendo ilícitos ou ameaças.

O STF tem sido a instituição mais procurada para dirimir controvérsias, digamos impertinentes, porque a Constituição de 1988, apesar da fama progressista e cidadã, apresenta enormes lacunas e imprecisões. A pressa em promulgá-la permitiu a sobrevivência de estatutos produzidos durante o regime militar designados aleatoriamente como "entulho autoritário".

Nem a Lei de Imprensa nem a discussão sobre a obrigatoriedade do diploma específico para o exercício de jornalismo deveriam ter sido encaminhadas à suprema corte. Foi um equívoco – ou leviandade – submetê-las à apreciação de um ministro-relator, e em seguida aos seus dez pares, nenhum deles disposto a e suficientemente preparado para mergulhar numa questão complexa e multifacetada.

Tanto o ministro-relator Gilmar Mendes como aqueles que o acompanharam na decisão não conseguiram convencer a sociedade de que haviam entendido a chamada Questão do Diploma de Jornalismo. Deixaram-se iludir pelos autores da representação. É incrível, mas é imperioso e penoso registrar que Suas Excelências, Meritíssimos e Meritíssimas, foram ingênuos. Ao invés de convocar peritos, contentaram-se com constatações simplistas, produzidas pelo senso comum e lugares-comuns.

Reconhecimento da profissão

As entidades patronais que direta ou indiretamente patrocinaram a causa fixaram-se na questão do certificado e menosprezaram o ponto crucial: a existência de uma profissão multi-secular, na verdade bi-milenar, reconhecida em todo Ocidente.

Era mais fácil e mais conveniente eliminar a obrigatoriedade do certificado sob o pífio pretexto de universalizar o acesso à informação do que reconhecer que os precursores dos jornalistas contemporâneos foram os funcionários romanos chamados de diurnarii (daí giornalisti e journalistes). Também chamados de actuarii porque se encarregavam de preparar as atas ou Actas informativas que circulavam na capital do império a partir do século II a.C.

A profissão de jornalista, reconhecida e legalizada, começou com a produção das Actae Diurnae (Atas Diurnas), também conhecidas como Atas Públicas, Atas Urbanas ou ainda Diurnálias. Mas também circulava uma Acta Populi e, para comprovar que nada se cria, tudo se copia, havia até uma Acta Senatus, secreta, que certamente inspirou o senador José Sarney a produzir seus boletins confidenciais.

Os proto-jornalistas foram estudados pelo historiador-jornalista Carlos Rizzini em O Jornalismo antes da Tipografia (Cia. Editora Nacional, S. Paulo, 1968, pp. 4-10). Mais recentemente, o historiador português Jorge Pedro Souza ofereceu preciosas informações sobre uma atividade exercida há dois milênios que o espirituoso presidente do STF, Gilmar Mendes, considera equivalente à dos mestres-cuca (Uma Breve Historia do Jornalismo no Ocidente in Jornalismo: Historia, Teoria e Metodologia, pp 34-44, Edições Universidade Fernando Pessoa, Porto, 2008).

Hipólito e os redactores

Na apresentação da primeira edição do Correio Braziliense, o primeiro periódico a circular sem censura no Brasil e em Portugal, seu autor, o gaúcho Hipólito da Costa, escreveu com data de 1º de Junho de 1808 uma profissão de fé sobre a nobre missão dos jornalistas aos quais designa como redactores das folhas públicas.

Hipólito delineava de forma inequívoca uma função social e um ofício. Sua convocação dirigia-se primeiramente aos que vivem em sociedade e, em seguida, àqueles que deveriam servi-la. O patriarca do jornalismo estabelecia uma clara diferenciação entre o cidadão e aqueles que devem informá-lo. Não regulamentou a profissão, concedeu-lhe um status especial. Distinguiu-a com a missão de levar a colônia a superar os 308 anos de trevas e silêncio e preparar a sua emancipação.

Dois séculos depois, a conjugação de um Estado capenga e uma corte desnorteada – ou mal informada – jogam nossa história no lixo.

Comentários (43)
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Ibsen  Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 27/7/2009 às 14:08:51
Benê, muito boa dica. O texto é bem claro e expõe exatamente o que penso a respeito, mas, por não ser jornalista (com ou sem diploma) não fui capaz de sintetizar dessa maneira simples e direta. Dines, "Tanto o ministro-relator Gilmar Mendes como aqueles que o acompanharam na decisão não conseguiram convencer a sociedade de que haviam entendido a chamada Questão do Diploma de Jornalismo". A qual sociedade você se refere Dines, a sociedade dos jornalistas com diploma específico ou a sociedade constituída por todos os cidadãos brasileiros? Fla´vio Quirino, eu devolvo a sua pergunta da seguinte forma: Você confia plenamente nos médicos do SUS (e muitos outros médicos particulares)? É capaz de entregar sua vida irrestritamente a um deles? A medicina é uma matéria que exige uma especificidade técnica absolutamente diversa do Jornalismo e, um cidadão com sólida formação cultural e intelectual com veia para o jornalismo pode exercê-lo de forma muito competente, tenho certeza. Indo atrás, como autodidata, do saber técnico que lhe falta. Já o incopetente sem diploma específico terá muita dificuldade em se colocar nesse mercado, muito mais do que uim diplomado incompetente, como bem podemos observar em nossa grande mídia!!
Ana Lucia Amaral , São Paulo-SP - Procuradora Regional da República
Enviado em 25/7/2009 às 18:44:18
Pois é, Dines, os ministros do STF se comportam como se tudo pudesse ser resolvido só pelas normas jurídicas. Esta questão mereceria uma audiência pública, tal qual aconteceu em relação às pesquisas com células embrionárias. A parte da sociedade que conhece bem cada tema muito pode contribuir para esclarecer os ministros. No entanto, parece que o STF se acredita com domícinio sobre todo o conhecimento humano.
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 25/7/2009 às 13:34:37
"inoperância e desqualificação do Legislativo somada ao caráter circunstancial e casuísta das ações do Executivo levam o Judiciário a assumir uma série de atribuições indevidas": o Brasil nao tem judiciario.
Flávio Quirino , mogi das cruzes-SP - atendente
Enviado em 25/7/2009 às 11:33:45
Quem de vocês se trataria com um médico sem diploma? Que importância tem um diploma?
Mario Antonio de Carvalho , BELEM-PA - Operador dePregão
Enviado em 24/7/2009 às 15:45:39
ENTREVISTA PUBLICADA EM 02.07 NO SITE DA GLOBO SOBRE O MERCADO DE TRABALHO JORNALISTICO. Gay Talese – Não é difícil para aqueles que têm uma abordagem, um jeito de trabalhar que é diferenciado. O desafio é ser distinto do fluxo de informações que existe hoje em dia. Neste momento nós não sabemos quem é o jornalista, porque a tecnologia nivelou essa condição. Veja, uma pessoa que tem uma câmera fotográfica pode fazer bem um trabalho de jornalismo testemunhal, algo que aconteceu de forma preponderante no 11 de Setembro. Hoje em dia uma pessoa que tem um blog pode ser vista como um jornalista. Um diploma não torna você um jornalista. Fiquei sabendo da decisão do Supremo Tribunal Federal brasileiro e é uma decisão provavelmente certa. O que faz alguém um jornalista e, mais do que isso, um profissional necessário, é ter posse de informações que vão influenciar as escolhas dos cidadãos de um país. E isso é conseguido através de informação precisa, que ouça todos os lados e seja objetiva. Quando se vai além da informação óbvia. Algo que dê profundidade, que dê perspectiva. Se o jornalismo deixa de lado a tarefa de fazer um trabalho realmente notável então ele se torna dispensável. Neste momento, o jornalismo precisa definir o que fará para se diferenciar de qualquer um que tenha tecnologia à disposição. SDS Mário
Rildo Polycarpo Oliveira , João Pessoa-PB - Consultor de Projetos
Enviado em 24/7/2009 às 06:24:17
Mas estas últimas linhas parecem nos desviar da questão (?) Talvez. Se o discurso (que podemos pensar como o uso da palavra na disseminação de opiniões) é uma potência que em todos deveria ser possível atualizar e até mesmo ser estimulada, pelo bem da diversidade e de uma possivelmente conseqüente maior riqueza de recursos para o enfrentamento de questões que a todos dizem respeito, devemos nos perguntamos se e em que medida a exigência de diploma em jornalismo se constituiria como fator de restrição a essa liberdade da voz? Não estou certo disso e pretendo mesmo alcançar uma visão mais segura acerca da questão. Penso que o debate aqui estimulado, nesse precioso sítio que é o Observatório da Imprensa - lugar de muitas vozes -, pode nos ser muito rentável se algum aclaramento perseguimos. Saudações.
Rildo Polycarpo Oliveira , João Pessoa-PB - Consultor de Projetos
Enviado em 24/7/2009 às 06:17:16
Caro Alberto Dines, Quero primeiramente dizer da elevada qualidade dos textos e debates que encontro no OI e do prazer que tenho em visitar este sítio e - o que lamento não mais ter feito já há algum tempo - em assistir ao programa televisivo. Quanto à questão, "Diploma de J", penso que uma discussão muito ampla e aberta deveria ter sido feita antes de que se chegasse à tomada de uma decisão que é, no mínimo, polêmica. A questão me interessa e devo dizer que não estou suficientemente informado sobre o seu mérito. Não sou jornalista e sou favorável, como muitos jornalistas e pessoas de outros ramos profissionais, a que o jornalismo se aproxime daquele ideal de isenção, tão falsa, hipócrita e até mesmo sinicamente muitas vezes afirmado. Estou convencido que lá não se pode chegar, a esse ideal, até mesmo por que é desejável que o discurso, sem necessariamente se submeter a rótulos de orientação política, étnica, religiosa, sempre se dê como conseqüência de nossas convicções. Mas que estas sejam patentes no texto e - quando for o caso - no editorial, isso é muito importante. (CONTINUO)
Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 23/7/2009 às 04:55:32
Excelente contribuição, Benê. Permita-me repassar os links de ambos artigos, porque poucas vezes li algo tão honesto de alguém que em princípio poderia ter "razões" para versar em contrário (estudou, formou-se, atua e leciona Jornalismo). "Carta aos jornalistas sem-diploma" (26/06/2009): http://portalimprensa.uol.com.br/colunistas/colunas/2009/06/26/imprensa451.shtml "Carta aos jornalistas com diploma" (03/07/2009): http://portalimprensa.uol.com.br/colunistas/colunas/2009/07/03/imprensa458.shtml
Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 23/7/2009 às 04:45:24
Não se trata de "procurar" incoerências no discurso de Alberto Dines, que é minha maior referência em termos de Jornalismo (por isso mesmo coleciono razoável material dele ou sobre ele), mas observe-se o que nosso timoneiro argumentou para os jornalistas Eduardo Ribeiro, Wilson Baroncelli e Ricardo Kotscho na edição nº 12 do Protagonistas da Imprensa Brasileira , de 19/02/2008: «[...] o problema da formação é seríssimo, porque ele não se resolve com a questão do diploma, ele não se esgota na questão do diploma. Outro dia me fizeram duas horas de entrevista pelo Skype sobre a questão do diploma e eu disse: "Isso para mim é irrelevante". Eu já escrevi a favor do diploma. Mudei, digamos, o enfoque da quarta edição do meu livro, O Papel do Jornal, para tratar da questão do diploma. Isso foi antes da Constituinte. Eu era a favor e sempre defendi, mas o que acontece? As escolas de Jornalismo não melhoraram, só pioraram. Não há contrapartida de qualidade». Em suma: Dines já escreveu dezenas de vezes sobre a precariedade dos cursos de Jornalismo, no Observatório e fora dele, por isso soa estranho que ele se concentre - agora - em outros aspectos e releve essa mecânica perversa da produção de diplomas em escala industrial.
benê silva , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 22/7/2009 às 22:05:25
Caros comentaristas. Vale a pena ler Rodrigo Manzano em dois de seus artigos sobre o tema, no Portal Imprensa : "Carta aos jornalistas com diploma" e "Carta aos jornalistas sem-diploma". São duas obras que não veremos por aqui. São de uma lucidez inigualável.
Victor Barone , Campo Grande-MS - Jornalista
Enviado em 22/7/2009 às 15:30:56
Boa pergunta do Eduardo.
eduardo lettieri , sp-SP - free
Enviado em 22/7/2009 às 11:13:01
Se o diploma é imprescindível, por que o Dines não estudou jornalismo? Ainda há tempo!
Leo  Nogueira , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 22/7/2009 às 10:51:02
Não acredito que seja necessário ter diploma para exercer a profissão. Sou jornalista e tenho diploma, mas conheci alguns colegas sem o canudo que exerciam muito bem as suas funções. O que eu acho necessário é que haja algum tipo de exame para que a pessoa possa exercer a profissão regularmente (não falo aqui das pessoas que escrevem eventualmente para um jornal ou revista). Seria uma espécie de exame da Ordem para os jornalistas. Mas a verdade é que nada muda com a medida do STF. A maioria de nós continuará desempregada e os poucos com emprego, ganhando mal, muito mal.
Walter José , Santos-SP - Arquiteto
Enviado em 22/7/2009 às 09:07:34
Depois de fazer meu comentário ontem à noite me ocorreu também o seguinte. Já pensaram se o Jaguar tivesse ido a uma faculdade de jornalismo antes de fundar o Pasquim ? Um de seus professores por certo iria dizer : “ Meu rapaz, isso está errado. Não é assim que se faz ! “. E Jaguar responderia : “ Mas professor ... Por que eu não posso publicar uma entrevista com o texto exatamente fiel ao que o entrevistado falou ? Palavra por palavra ? “. E o professor : “ Porque está errado, meu rapaz ! Você tem que editar o texto “. E Jaguar não teria revolucionado o jornalismo nos anos setenta ...
Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 22/7/2009 às 01:04:04
Respeito Dines e até compreendo seu empenho para que o assunto não esfrie, mas também acho demasiado a relação de Hipólito da Costa com a obrigatoriedade do diploma. Enquanto o debate prossegue, não vi nenhuma movimentação das faculdades no sentido de repensar os cursos de Jornalismo. Tampouco preocupação de algum observador com esta questão - que é a mais primordial. Ou seja: se ressussitarem o diploma, por força de um canetaço pisoteando a Constituição, tudo voltará a ser exatamente como antes - péssimos cursos que vão redundar em péssimos profissionais que vão redundar justamente nisso aí que já se vê todos os dias de norte a sul do país, seja em mídia impressa, televisiva, radiofônica ou eletrônica. Um motocontínuo lastimável que rende a este país este jornalismo de Terceiro Mundo, cheio de gabolices e presunções baseadas num papel que pouquíssimos têm condições efetivas de portar, mas que portam porque literalmente pagaram por ele - o que é diferente de merecer. A Zero Hora deste domingo publicou um suplemento especial sobre cursos de mestrado e doutorado... de 36 páginas! Detalhe: somente do Rio Grande do Sul! É essa indústria que muitos querem sustentar (e se beneficiar dela), por isso inventam essas querelas de "ética", "idoneidade", "boas práticas profissionais" e não sei mais o quê. Tudo entrada requintada para disfarçar uma buchada de bode. E que bode... Francamente.
Walter José , Santos-SP - Arquiteto
Enviado em 21/7/2009 às 23:42:38
O jornalismo não é uma ciência exata. Quem quiser se formar na faculdade que o faça. Porém para ser um grande e competente jornalista não é necessário um diploma. Um jornalista não é como um médico, um dentista ou um engenheiro. Ele na verdade é como um arquiteto, por exemplo. Sei muito bem disso por que sou arquiteto. Formado e diplomado. Porém meu talento não chega aos pés do grande arquiteto Zanine Caldas, por exemplo. Um dos maiores arquitetos do Brasil. O homem que fazia casas como poetas fazem textos. E que jamais pisou em uma faculdade de arquitetura. Nos anos 80 foi processado pelo CREA, o que fez o arquiteto Lucio Costa escrever uma carta para o Conselho : “ Na qualidade de arquiteto, faço um apelo à direção do Crea no sentido de admitir que o arquiteto José Zanine Caldas continue a construir sob a responsabilidade profissional de um colega regularmente registrado, e neste caso gostaria que, antes de qualquer outro, a honra me coubesse ”... Em 1986 Zanine recebeu o título de arquiteto honoris causa do IAB.
Antonio  Vieira , Brasilia-DF - Jornalista
Enviado em 21/7/2009 às 22:33:09
O principio democratico que contempla a possibilidade de ação de um dos poderes na falta do outro, é o que ainda sustenta este sstema. Por falta do congreso legislar é que faz com que cada vez mais o judiciario tenha que decidir e o executivo ser intervencionista. Menos mal do que a paralisia total. No caso do diploma como em qualquer outro que for submetido ao judiciario, ele deve ser julgado com base na interpretação da constituição, o que cabe ao STF fazê-lo, não devendo convencer ninguém, nem muito menos acompanhar a opinião publica. O poder que tem que fazer isto e deve fazer para ser reeleito são todos os parlamentares ou seja o legislativo. O executivo por concordancia do congresso é quem tem legislado através de MPs ou seja uma inversão de papeis concentida. Dois novos questionamentos ao STF no caso de exigencia de diploma para oficial de justiça e o pedido do MPF para a desregulamentação da profissão de musico vai criar um novo quadro na questão do entendimento juridico a respeito das profissões de maneira geral. A cada nova decisão nesta area vai criar gradativamente um novo e necessario entendimento o que pode ou não ser exigido e ou desregulamentado.
wilson silva , sao vicente-SP - aposentado
Enviado em 21/7/2009 às 22:30:05
Aqueles que perderam $$ e tempo fica a frustação, mas alguém teria que acordar, os milicos fizeram uma jabuticaba igual a exigencia do estojo de primeiros socorros, com toda a diplomancia os formados até agora não entendem ou não querem entender que o STF foi arguido por uma ADIN e deliberou tecnicamente sem paixão, sem ideologia,como tem que ser para os juizes do STF, e não pode ser outra atitude, os da direta acham que os juizes são de esquerda,os de esquerda já acham que são de direita, é rito estrito da lei magna sem voluntarismos, odio, ou amor até. Como sindicalistas podem aí sim negociar um protocolo de exigências como 3/4 com diploma conta mínima e com programa de incentivo aos demais para grau.
José de Miro Mazzaro , Alvares machado-SP - advogado
Enviado em 21/7/2009 às 22:22:52
Hipolito foi um precursor do jornalismo. mas não se deve esquecer que exilado, combatia o reinado, mas recebia subsidios do próprio. Afinal, como dizia Monteiro Lobato, quando a corte portuguesa aqui desembarcou, já veio acompanhada da burocracia e corrupção. Sarney, morituri te salutam... (ou pode ser o inverso ?) Me contem o resto, que estou ouvindo e o som não é bom. Jornalismo não é questão de diploma: é de coerencia e independencia. Sem uma nem outra, é o fim. Basta que se olhe para os jornalistas do interior: presos à municipalidade pelas verbas de anuncios e total incapacidade de se libertar. Os grandes jornais, que decepção, se vendem ao sensacionalismo. Como diria meu pai, que neste ano completa 93, bem vividos e lucido, comentando quando eu ainda era menino: "que jornal besta: recebe verba verba subsidiada do governo para comprar papel e fica falando mal do governo". Tempo bom talvez: retratatava alguma independencia de opinião. Hoje.nem se sabe. Miro
Vander Resende , São Joao del Rei-MG - estudante
Enviado em 21/7/2009 às 21:31:27
O texto de Laurindo Leal Filho, no site da Carta maior, me parece uma bem elaborada defesa, com uma reflexão histórica consistente, da necessidade da existência do curso de jornalismo. Em: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4391
Carlos Donizete  Lima , sp-SP - jornalista e professor
Enviado em 21/7/2009 às 21:30:39
Neste caso poderei entrar com um mandato para solicitar meu dinheiro que gastei com a faculdade durante os quatro anos que estudei?
Vander Resende , São joao del rei-MG - Estudante
Enviado em 21/7/2009 às 20:38:41
Gostaria de compreender qual a relação entre esta história do jornalismo apresentada por Dinez e o mérito da questão, o fim da obrigatoriedade do diploma. Ao que me parece, os romanos que atuavam como jornalistas não tinham diploma e Hipolito da Costa formado em Leis, Filosofia e Matemática (1798). Neste caso, a nao ser que minhas informações estejam incorretas, o exemplo de Dines invalida a sua argumentação da necessidade do diploma para o exercício do jornalismo. Não discordo de Dines quanto a necessidade do STF recorrer a especialistas e, também, que as justificativas para julgar o mérito da questão foi capenga, e que o estado brasileiro, tanto no legislativo quanto no executivo, estão em plena decadência. Contudo, a argumentação de Dines deixou a desejar, em um tema que merecia uma articulação melhor e uma discussão mais elaborada.
Liz Mendes , Rio de Janeiro-RJ - Autônomo
Enviado em 21/7/2009 às 19:22:44
Fica apenas uma pergunta: Para que serve faculdade de jornalismo? É verdade que o diploma não garante competência. Temos aí péssimos profissionais de medicina, odontologia, etc. Eles também não precisarão de diploma?
gilberto Aprigio de Oliveira , Araras-SP - técnico industrial
Enviado em 21/7/2009 às 18:19:32
E como nosso judiciário também não é grande coisa,fica tudo nessa modorra que estamos nos acostumando a ver e conviver,está sobrando politicos e politiqueiros onde deveriam estar estadistas...sim estadistas,aqueles homens honrados que pensam grande em prol do país,infelizmente eles não existem mais,e o que nos sobra hoje em dia são esses politiqueiros e outros indesejáveis ocupando cargos de chefia no executivo,judiciário e legislativo.
João Batista Perles , Pereira Barreto-SP - Jornalista
Enviado em 21/7/2009 às 18:11:07
Tem muita gente confundindo as coisas: o advento da internet e de outras tecnologias, apenas demonstram que as sociedades estão se tornando mais complexas e, como tal, exigindo mais e mais capacitação científica. A rigor, é pertinente acreditar que a academia é o lugar da ciência por excelência. Já escrevi sobre isso mais ampliadamente aqui no OI. Os interessados podem acessá-lo "Senhores da soberba, não nos achincalhem". Parabéns Dines pela brilhante reflexão.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 21/7/2009 às 18:10:08
Se os argumentos do autor do artigo não se sustentam, por que não os derrubem?. Com contra-argumentos?!. E não é só a "conjugação de um Estado capenguíssimo e uma Corte desnorteadíssima", não!. Há o interessíssimo empresarial da publisharada!.
benê  silva , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 21/7/2009 às 17:48:36
É, Dines, essa pauta caiu.
Bruno Zamte , Toledo-PR - Estudante
Enviado em 21/7/2009 às 17:05:26
Excelente posicionamento. Resgate e contextualização histórica perfeita
Washington Ferreira , Ubá-MG - Jornalista
Enviado em 21/7/2009 às 16:53:17
Não dá para saber quem é mais pretensioso, se o extinto Observador ou se o Frederico. Duvido que qualquer um dos dois tenha assistido a sessão da TV JUSTIÇA e tenha escutado a argumentação de todos os ministros do Supremo. Eu assisti, e considerei particularmente a do ministro Ricardo Lewandowski. Segundo ele, “o jornalismo prescinde de diploma”. Só requer desses profissionais “uma sólida cultura, domínio do idioma, formação ética e fidelidade aos fatos”. Já o ministro Carlos Ayres Britto afirmou que “a exigência de diploma não salvaguarda a sociedade (de informações essencialmente incorretas ou eticamente condenáveis) para justificar restrições desproporcionais ao exercício da liberdade jornalística”. O ministro Cezar Peluso observou que, se para o exercício do jornalismo fossem necessárias qualificações como garantia contra danos e riscos à coletividade, o diploma se justificaria. Entretanto, segundo ele, “não há, no jornalismo, nenhuma dessas verdades indispensáveis à segurança informacional e comunicacional da sociedade brasileira”, pois o curso de Comunicação Social não é uma garantia contra o mau exercício da profissão. “Há riscos no jornalismo?”, questionou. “Sim, mas nenhum é atribuível ao desconhecimento de verdade científica que devesse governar a profissão”, respondeu, ele mesmo. Bons argumentos, e muito bem fundamentados, concordam, caros gênios?
Fabiane Maia , Campinas-SP - Antropóloga
Enviado em 21/7/2009 às 16:33:40
Com todo o respeito a Alberto Dines e sua trajetória, mas os argumentos não se sustentam. Não pensei encontrar esse tipo de artigo aqui no O.I.
lopes luz , cubatao-SP - analista
Enviado em 21/7/2009 às 16:16:47
Infelizmente , este não é um pais serio, nunca se respeitou nenhum profissional, basta ver que quardador de carros , tem profissão regulamentada enquanto que outras profissões , como informatica e outras , não tem regulamentação , isto é resultado de pessoas chegando a politica e outros cargos sem inteligencia para administrar o pais. Vamos de petroleo (1952 - Petrobras) o resto não tem importancia.
Ricardo Santos , Brasília-DF - Militar
Enviado em 21/7/2009 às 16:00:06
Louvo a excelente abordagem acerca do tema, a qual merece uma reflexão muito profunda em todos os níveis sociais, haja vista que o papel da imprensa hoje destaca-se como o único setor que se encarrega de elevar a voz diante do cenário caótico em que vivemos no Brasil "neo-democrático". Denúncias de corrupção nos três poderes, caos na saúde e na educação, o que cria um país mal educado e doente no futuro e a sanha sem limites de fazer do bem público a fonte de enriquecimento privado. Esse quadro será perpetuado sem uma revolução levada a cabo pelo povo brasileiro, que apesar de alertado pela imprensa, nada faz. A solução foi simples então: vamos tirar o poder de síntese, análise e crítica que o estudo produz e no futuro os "jornalistas" semi-analfa não irão incomodar, culminando na alienação total do povo. Parabéns!
Dum  De Lucca , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 21/7/2009 às 15:32:02
Dines também acho que o STF não tem escopo para julgar o mérito. Porém, ao mesmo tempo, como jornalista devo reconhecer que o diploma não serve de nada. Tenho 29 anos de profissão e ele (o diploma) nunca foi o fator que me garantiu o emprego. Aliás, poucas vezes o pediram. E olha que já passei pelo SBT, TV Cultura, site Terra, JT e outros veículos importantes. Também não entendi o link com a raiz e os primórdios da nossa profissão!! Não podemos deixar de concordar que a internet e a velocidade dos blogs e twitters mudou o jornalismo. abraço
Rodrigo Meira , sao paulo-SP - administrador de empresas
Enviado em 21/7/2009 às 14:41:10
Faltou explicar o que tem a ver a existência de uma profissão com a exigência de diploma. Pergunto, seguindo a logica desse e dos últimos artigos sobre o tema: todos os gestores do OI tem diploma de administração?
Simone  Diniz , Brasília-DF - Jornalista
Enviado em 21/7/2009 às 14:22:51
Chega de chorar,vamos trabalhar para a melhoria das informações! Apesar de ser contra o diploma, sou a favor de diploma! Não acredito que, para ser um bom jornalista, seja fundamental cursar jornalismo. Tendo a defender o modelo adotado com sucesso em outros países, que consiste em exigir de administradores, engenheiros, economistas ou quaisquer outros profissionais uma especialização em jornalismo - seja ela mestrado, pós-graduação ou complementação de curso. Acho também que o fato de não serem mais imprescindíveis fará das escolas de Jornalismo terreno mais produtivo, mais criativo, mais interessante para a formação do cidadão jornalista. O fundamental é acreditar na profissão e na sua importância para as democracias. Boa sorte a todos nós, jornalistas!
otavio barros da silva barros , PALMAS-TO - jornalista
Enviado em 21/7/2009 às 13:38:12
Quem deste OI assistiu ao ex-Roda Viva, da ex-TV Cultura, ontem? Depois de dar uma rasteira no time de preguiçosos da mida paulistana – que usa e abusa da internet para finalizar suas matérias – o consagrado Gay Talese aconselhou aos veteranos que lugar de jornalista é na rua e foi contrário a esse “negócio” de fabricar jornalista em escola. Lamentável que os donos de faculdades caças níqueis e os “deplomados” do Senhor Dines não formulem aqui o contraditório de Talese. No mais concordo com o jornalista Luciano Prado, no blog do Nassif: “O jornalista e escritor norte-americano, Gay Talese foi o entrevistado do Roda Viva de ontem da TV Cultura. Talese não deve ter agradado a grande mídia. Abordou temas em extinção no jornalismo brasileiro como pesquisa, entrevista e fato. Criticou a promiscuidade entre imprensa e poder (público e privado), o distanciamento da imprensa do cidadão comum, e relativizou a importância do furo jornalismo. Criticou ainda o imediatismo que tomou conta das redações. No Brasil, estaria desempregado.” Otávio Barros Palmas – Tocantins
Gustavo Tavares , Brasília-DF - Administrador
Enviado em 21/7/2009 às 13:17:18
Deixa eu ver se eu entendi: Você quer dizer que Suas Excelências, Meritíssimos e Meritíssimas erraram ao julgar o caso porque desconsideraram que a profissão de jornalista foi criada na Roma Antiga?? É este o seu argumento para defender o diploma de jornalista? Sem querer ser grosseiro e nem mesmo fazer qualquer comparação, existem profissões que de acordo com o conhecimento popular são mais antigas e mesmo assim não exigem diploma. Dines, você acredita mesmo na necessidade do diploma de jornalista? Olha só, sou administrador formado. A profissão de administração exige muito mais conhecimentos técnicos e comportamentais que o jornalismo. Mas isto não faz dela uma profissão que deveria exigir formação superior para ser exercida. Se eu defendesse a exigência do diploma de administrador para exercer a profissão eu faria isso exclusivamente por corporativismo. É por isso que eu espero que o próximo a cair seja justamente este.
Eliel Moreira da Silva , Estância Velha-RS - Jornalista e Funcionário Público Municipal
Enviado em 21/7/2009 às 13:16:25
Parabéns. São sabedorias como estas que devemos empenhar, nos unir e exigir dignidade. Se a maior instituição jurídica, o STF e seus ministros, com seus profundos"saberes jurídicos", não sabem o que fazem e o que julgam, é certo então, que lhes falta conhecimento e informação, e deduzimos, por tanto, que todos os meretíssimos deveriam ilustrar seus currículos com uma faculdade de jornalismo, e com isso, aumentar suas capacidades intelectuais, incluindo saberes históricos, de comunicação e outras nuanças sociais. Jornalista com muito orgulho, Eliel Moreira da Silva. Estância Velha/RS.
otavio barros da silva barros , PALMAS-TO - jornalista
Enviado em 21/7/2009 às 13:02:27
Senhor Alberto Dines, Cada dia que passa o Senhor continua mais ilustrativo com sua cultura de almanaque. Como “dono” do OI, o Senhor sempre escorrega quando o assunto é história de imprensa no Brasil. Quando de sua “ociosidade” em Lisboa, o senhor perdeu uma excelente oportunidade de ler Oliveira Lima e vasculhar a vida do primeiro jornalista chapa branca do Brasil: o gaúcho Hipólito da Costa, com seu Correio Braziliense que, a cada final de mês recebia das mãos do embaixador em Londres, a mesada despachada pela monarquia brasileira para nada escrever sobre os republicanos brasileiros. O “Correio” não deu uma linha sobre os movimentos republicanos de Pernambuco (em 1817, e 1824). Segundo Oliveira Lima, quem sustentava os funcionários, sediados na Corte (Rio de Janeiro) e os investimentos públicos da monarquia brasileira, era a exportação de açúcar de Pernambuco e Bahia. Procuremos estudar a história pátria. E, quando o assunto for história do jornalismo, não esqueçamos de dois nomes: Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, mas popularmente conhecido apenas como Frei Caneca (Recife, 20 de agosto de 1779/Recife, 13 de janeiro de 1825) e Cipriano José Barata de Almeida (Salvador, 26 de setembro de 1762/Natal, 7 de junho de 1838). Otávio Barros Palmas – Tocantins
sergio costa , rio de janeiro-RJ - jornalista
Enviado em 21/7/2009 às 12:27:54
ARGH!
Claudio Souza , são paulo-SP - jornalista
Enviado em 21/7/2009 às 12:18:09
Ainda esse assunto? E esse trecho merece destaque: "Tanto o ministro-relator Gilmar Mendes como aqueles que o acompanharam na decisão não conseguiram convencer a sociedade de que haviam entendido a chamada Questão do Diploma de Jornalismo." Que sociedade, meu caro? A Fenaj? A Internacional dos Estudantes de Jornalismo? Poupe-nos do tema, ele já é velho e a queda do diploma é irreversível. Dê uma olhadela nas outras profissões da área de comunicação que não têm regulamentação (publicidade e cinema, por exemplo), e constate qual possui, hoje, no Brasil, um padrão de excelência maior ou menor que o do jornalismo local...
Frederico  Müller , Belo Horizonte-MG - Estudante de jornalismo
Enviado em 21/7/2009 às 11:30:02
O fato é que os arguentos apresentados pelo STF para retirar a exigência do diploma da profissão de jornalista, são derrubados em qualquer "conversa de buteco" , ou o famoso "papo de cozinha". Lamentável....
Roberto Ribeiro , Aracaju-SE - Arqueólogo
Enviado em 21/7/2009 às 11:16:18
Bem, em primeiro lugar, vamos parar com essa choradeira infernal. Chorar não adianta. Jornalista é mais murrinha que torcedor argentino! Tirando isso. O problema da "judialização", como diz o autor é explicada por Gramsci. Uma característica da democracia representativa, segundo o autor, é a mobilidade do centro do poder real. A divisão teórica dos poderes não tem respaldo empírico e o poder real se desloca constantemente conforme as condições sociológicas. Assim, durante o governo Itamar, o poder real estava no Congresso e no governo FHC estava no executivo. Agora observa-se um deslocamento do poder para o judiciário. Isso não é nada de novo, em termos de sociologia. Em terceiro lugar, concordo que assuntos como estes não deveriam ficar nas mãos do judiciário e nem do legislativo! Eles deveriam ser decididos por consulta popular, por plebiscito ou referendo. Acontece que a elite brasileira desconfia da "plebe ignara" e não quer deixar nas mãos do povo descidir sobre temas polêmicos como aborto, transgênicos, usinas nucleares. Preferem decidir entre seus pares iluminados e depois, se perdem, ficar chorando pitangas.
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