ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 548 - 9/2/2010
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MÍDIA IMPRESSA
Qual a relevância dos jornalões?

Por Venício A. de Lima em 28/7/2009

A atual conjuntura política, marcada pela crise no Senado Federal e pelas suspeitas em relação à administração da Petrobras, recoloca em pauta uma velha questão sobre o alcance e a influência dos jornalões da grande mídia: a Folha de S.Paulo, o Estado de S.Paulo e O Globo: merecem eles a importância que a elite política e os "intelectuais" lhes atribuem na formação da opinião pública brasileira, vis à vis, por exemplo, a televisão e/ou a internet?

Há alguns anos, muito antes da expansão da internet, venho insistindo que não (ver, por exemplo, "Jornal ou TV: qual mídia é mais importante na formação da opinião pública brasileira?" in Comunicação, Mídia e Consumo, vol. 2, nº 3, março de 2005). Não merecer a importância que se atribui a eles não significa que devam ser ignorados. Absolutamente. Significa, ao contrário, não se atribuir a eles uma relevância nacional que, se algum dia tiveram, não têm mais.

A apresentação deste argumento, todavia, mesmo diante de várias evidências, inclusive sobre a penetração da internet e a relativa democratização do seu acesso, é frequentemente rechaçada por diferentes interlocutores que acreditam ser ainda os jornalões e seus colunistas os principais responsáveis pela definição da agenda pública nacional.

O tema é complexo e, claro, não se pretende esgotá-lo e, muito menos, resolvê-lo. Apenas aceitar o desafio de continuar o debate.

Dois aspectos do argumento

Não vou retomar aqui todos os aspectos do argumento. Os dados relativos à queda de circulação dos jornalões são por demais conhecidos. Da mesma forma, já se discutiu muito sobre o "aproveitamento", por emissoras de rádio e televisão, via agências de notícias, das matérias produzidas pelos jornalões. Creio que não há dúvida também sobre as importantes questões que surgiram recentemente quanto à credibilidade dos jornalões. Não pretendo, portanto, retomar esses pontos. Quero apenas lembrar dois aspectos.

Primeiro, o caráter regional dos jornalões. O Globo é, sobretudo, um jornal carioca, da mesma forma que a Folha e o Estadão são jornais paulistas. Eles não são jornais que circulam e/ou são lidos nacionalmente.

O segundo aspecto é, na verdade, um desdobramento do primeiro e merece ser explorado um pouco mais. Para quem exatamente os jornalões estão falando?

Uma das linhas de pesquisa sobre "a produção das notícias" (newsmaking) que se consolidou dentro do campo de estudo da Comunicação, nos últimos anos, busca relacionar a imagem da realidade social construída na e pela mídia aos valores partilhados e interiorizados pelos jornalistas acerca de como devem exercer sua profissão.

Há evidencias de que, na seleção das matérias a serem noticiadas, predominam as referências implícitas ao grupo de colegas e às fontes em relação às referências implícitas ao próprio público, isto é, às audiências e/ou aos leitores. Isto significa que, enquanto o público em geral é pouco conhecido pelos jornalistas, o contexto profissional-organizativo-burocrático imediato exerce uma influência decisiva na seleção do que vai ser noticiado. Vale dizer, a origem principal das expectativas, orientações e valores profissionais dos jornalistas não é o "público" para o qual eles e elas deveriam escrever, mas o "grupo de referência" constituído, sobretudo, por colegas e fontes.

Na verdade, as fontes com as quais os jornalistas "conversam" regularmente constituem um público fundamental para suas próprias notícias. Jornalistas recebem muito mais "reações" sobre suas matérias, coberturas, reportagens e análises de suas próprias fontes do que de qualquer outro grupo social. Eles estão permanentemente em contato com suas fontes e delas recebem cumprimentos, correções, reclamações, afrontas, negativas de acesso, cassação de credenciais etc.

Verifica-se, portanto, que, como afirmou Bernardo Kucinski, "a elite dominante é, ao mesmo tempo, a fonte, a protagonista e a leitora das notícias; uma circularidade que exclui a massa da população da dimensão escrita do espaço público". Ora, essa constatação é verdadeira para todo o território nacional. Desta forma, além de não ser nacional, os jornalões são excludentes porque lidos, sobretudo, apenas pela elite brasileira – seja ela nacional, regional ou local.

E as conseqüências?

A prática profissional do jornalismo, não só nos jornalões, cria uma relação circular entre jornalista-fonte-jornalista que se auto-alimenta permanentemente. E essa relação circular jornalista-fonte-jornalista tende a se tornar assimétrica, enfraquecendo a fonte e fortalecendo os jornalistas. Enfraquece a fonte na medida em que, para tornar públicas as informações de seu interesse, ela fica "cativa" de um pequeno grupo de jornalistas. Por outro lado, fortalece os jornalistas (a) por eles terem o privilégio do acesso contínuo a fontes "autorizadas" e "acreditadas"; (b) por terem a opção de selecionar, omitir, enfatizar e distorcer informações; e, ainda, (c) por "operarem" protegidos e no interesse dos grupos de mídia no qual trabalham.

Parece correto afirmar, portanto, que os jornalões e seus jornalistas funcionam dentro de uma circularidade restrita a camadas específicas da elite política e "intelectual" brasileira. Nada mais do que isso.

Registre-se que a supervalorização indevida do poder dos jornalões, muitas vezes, provoca uma avaliação equivocada de qual realmente é a "opinião pública" majoritária no país e, consequentemente, pode conduzir a equívocos importantes, inclusive na formulação de políticas públicas por parte de setores do poder público.

Resta saber qual o poder concreto que esta elite política e "intelectual" exerce na vida política nacional. Nos processos eleitorais, se a eleição presidencial de 2006 servir como exemplo, as diversas "esferas públicas" que coexistem e funcionam na sociedade brasileira, fora do alcance dos jornalões, revelaram uma relativa autonomia.

Será que funciona também assim nos outros inúmeros aspectos da vida cotidiana? Essa é a questão.

Comentários (23)
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Hélio Amaral , SP-SP - Músico
Enviado em 3/8/2009 às 19:30:04
Tenho um amigo que sempre me diz quando fico irritado com os jornalões: "você não deveria ligar, eles escrevem para o público deles - eles dizem o que seus seletos leitores querem ouvir".
Max Suel , SP-SP - Engº
Enviado em 3/8/2009 às 10:55:35
É muito engraçado .... o autor do artigo (petista juramentado) não acha que merecem eles (os jornalões) a importância que a elite política e os "intelectuais" lhes atribuem na formação da opinião pública brasileira. Não vê o autor que os ditos jornalões repercutem em todos os demais matutinos nacionais, e também nos noticiários de rádio e TV. A visão ideológica míope do autor do artigo não quer ver isto. Não existissem os jornalões não haveria este OI, que vive diariamente às custas de criticar a grande imprensa brasileira (Veja, Estadão, Folha, Globo). Vejam o caso do sen Sarney: quem levantou as práticas nada republicanas praticadas pelo clã Sarney foram os jornalões; prontamente repercutidos em todo o território nacional pelos demais meios de comunicação. Sabemos nós que a vontade de camada expressiva petista quer o amordaçamento da imprensa (tal qual na Venezuela chavista, virando uma ditadura), mas o Brasil saberá resistir (como tem resistido) a estas tentativas golpistas, alimentadas pelo verdadeiro PIO (partido da imprensa oficial).
Arlindo  Almeida Jr. , SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP - cinegrafista
Enviado em 31/7/2009 às 22:35:03
Ao exemplo da eleição de 2006, ofereço mais dois: o plebiscito sobre a proibição de armas de fogo em 2005 e o recente golpe de Honduras. No plebiscito, a mídia estava majoritariamente a favor da proibição, exceção da Veja (incrivelmente a que mais se identifica com a classe AB), seguindo orientação de intelectuais desta circularidade. No caso de Honduras, basta passear pelos comentários de internautas para ver que a maioria apoia o afastamento do Presidente deposto (Zelaya), contra a opinião do governo e da mídia. A circularidade das fontes e das notícias e opiniões que interessam às fontes é muito evidente, mas mesmo a classe AB deste país demonstra opiniões independentes desta tomada de decisões, podendo concordar (caso Sarney e diversos escândalos de corrupção) ou discordar (Honduras, restrição de armas de fogo) da mesma. O poder da elite política e intelectual é cada vez mais abstrato, mas os cidadãos ressentem-se ou conformam-se em não ter poder e pouca iniciativa para mudar os fatos. A internet convergiu numa explosão desse ressentimento.
Rogério  Barreto Brasiliense , Santos-SP - vendedor
Enviado em 30/7/2009 às 21:04:38
Os jornais brasileiros são porta-vozes das classes A e B. Classes que possuem um padrão de vida europeu ocidental. São pessoas que vivem em uma bolha, como num folhetim de Manoel Carlos. A extenção geográfica de sua influência é específica. No caso do jornal carioca, o lado de cá do tunel. Dos paulistanos, o centro expandido. Fora isto, o Plano Piloto em Brasilia basta. Os senhores feudais da imprensa estão se lixando com sua falta de influência no restante do Brasil. Seu público alvo influencia todo o país. A sociedade gira em torno de seus interesses. Verdadeiramente existem dois Brasis, o Brasil e o Brazil. Como bem diz a música de Milton Nascimento: o Brasil não é só litoral, é muito mais que qualquer zona sul. Ou como bem cantava Elis Regina: O Brazil está matando o Brasil
Alaércio Flor Flor , Fortaleza-CE - professor
Enviado em 30/7/2009 às 20:29:36
Os jornalões pautam os jornalzinhos,se é que podemos falar assim...mas os ditos garndes jornais não dominam todo o cenário nacional e nem tem uma tiragem tão destacada como tem os jornais tablóides,na Iglaterra por exemplo ,ou nos Estados Unidos onde as pessoas lêem mesmo os jornais e participam intensa e ostensivamente.Aqui,no Ceará ,na Capital há três jornais O POVO,O DIÁRIO do Nordeste e O Estado e, no século passado havia até mais peródicos.Nenhum deles é um jornalão...Todos medianos e quase as mesmas matérias do sul maravilha...
Guilherme Silveira , São Paulo-SP - Protético
Enviado em 30/7/2009 às 18:06:31
Num país de semi-letrados como o nosso, o jornalão perdeu há muito sua função de formador de opinião. O mass media ocupa o lugar do grande irmão e a informação dita com conteúdo é vendida como Mc. Donalds por jornalistas de egos inflados, e sem nenhum comprometimento com a relevância dos fatos. Parece que todos lutam para nos convencer que esta verdade é melhor que aquela, em uma luta continua de estratégias de marketing , até que aquilo que era deixa de ser, e então, só nos resta recolher os cacos das meia-verdades.
Angela Gama , r janeiro-RJ - aposentada
Enviado em 30/7/2009 às 09:21:01
Srs, se prestarmos bem atenção ao OGLOBO de uns dois anos para cá, descobriremos que ele não é mais carioca e sim PAULISTA. Voce jornalistas, poderiam promover um debate sobre : O que faz os jornalistas imaginarem que "FORMAM OPINIÃO " .
Renato  Gianuca , Porto Alegre-RS - Jornalista
Enviado em 29/7/2009 às 17:12:19
Esta "circularidade" a que se refere o texto do colega Venício de Lima existe. E é facilmente explicável. Os que comandam os meios de produção e os sistemas financeiros também comandam, direta ou indiretamente, todos os meios de comunicação. E este comando se dá em todos os níveis: desde os chamados "jornalões" até rádios, TVs aberta e por cabo ou satélite. impondo o chamado "pensamento único". Este "pensamento único" privilegia forçosamente os interesses desses barões da mídia, sejam eles nacionais ou internacionais. Então, tudo parece muito igual: manchetes, matérias, análises, comentários. No presente momento, enquanto o planeta encara sua mais séria crise econômica, social, ambiental, tudo vale para procurar encobrir essas "verdades inconvenientes". Verdadeiras "cortinas de fumaça" são lançadas, não só aqui, no Brasil, mas em todo o mundo, pelos "jornalões" e seus anexos audiovisuais. São as "notícias" de "impacto": a morte de um ídolo da música Pop, a pandemia da gripe suína ou a crise no Senado brasileiro. Tudo isso serve, e muito bem, para distrair as populações informadas basicamente no Brasil pela TV. São motivo de conversas até acaloradas e de sérias divergências pessoais sobre coisas, no fundo, sem lá muita importância. Enquanto isso, correm soltas as crises verdadeiras: a econômica, a social, a ambiental. E sem solução à vista, o que é de fato muito pior.
Odracir Silva , Sao Paulo-SP - pesq. cientifico/n.c.
Enviado em 29/7/2009 às 17:06:31
Acabei de ler o artigo do Carlos Castilho (no blog "codigo aberto" do OI). Eu acho q o artigo do Carlos ee bem mais elaborado e plausivel q a tese do Venicio. A tese de q os blogs "reverberam" o q os jornaloes escrevem (principalmente os editoriais e artigos de colunistas) parece estar provado no OI, e em outro blogs.
Odracir Silva , Sao Paulo-SP - pesq. cientifico/n.c.
Enviado em 29/7/2009 às 15:52:58
Alias, se o artigo ee correto, entao todos q publicam artigo neste espaco sao nefelibatas... comecando pelo autor deste artigo. E dentro do artigo mostra como incoerente ee o artigo, se o tal prof. jornalista foca no tal newsmaking, e diz q haa certas praticas incestuosas, mas tb escreve q: "A prática profissional do jornalismo, não só nos jornalões, cria uma relação circular entre jornalista-fonte-jornalista que se auto-alimenta permanentemente", entao pq colocar soo no titulo os "jornaloes"? Quero dizer, segundo o caro Venicio, nao ee soo os jornaloes q fazem isso, entao se ee uma pratica generalizada isto nao tem nada a ver c/ a perda da relevancia dos jornaloes, ee uma perda de relevancia de toda a midia, inclusive do autor do artigo.
Odracir Silva , Sao Paulo-SP - pesq. cientifico/n.c.
Enviado em 29/7/2009 às 15:34:06
Fala serio... e vamos depender de quem? Dos blogs "independentes" como o do Nassif ou o "OI"???? O q deveria ser um observatorio da midia, fica sendo uma coisa meio torta. Tem-se o Dines, q realmente parece ter luz propia, mas tb parece um portal da midia chapa-branca, com artigos do "carta maior", as "criticas" do tal Luciano Martins, e artigos de um comunitario do Nassif, o Mauricio Caleiro . Fala serio... como disse ou dizia um ilustre brasileiro... "menas" caro Venicio, "menas", caro Venicio.
Mauricio Silva , Campinas-SP - Contabilista
Enviado em 29/7/2009 às 10:26:45
Não só os jornalões vem perdendo influência mas a TV também enfrenta a mesma falta de penetração na formação dos costumes e opinião na sociedade brasileira. Fato é a moda... exemplo: as novelas sempre pretenderam impor determinadas modas, por mais bizarras que pareceram, a atual novelona da Globo, tenta formar nova moda ao introduzir uma personagem que usa o sutiã praticamente fora do vestido... pois é, há 10 anos atrás ou menos, seriam uma febre nas ruas, mas para alegria minha até hoje só observei uma mulher trajando tal ridícula moda, apenas uma entre milhares de pessoas que circulam pela cidade todos os dias. A Globo está deixando de fazer a cabeça das brasileiras, e a grande conquistadora é a internet. Hoje as mulheres tem acesso irrestrito e ilimitado ao que interessa, seja em saúde, comportamento, moda... A tendência é que a TV em geral perca mais ainda sua influência nas próximas gerações que já nasceram nesta era da informação.
Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 28/7/2009 às 23:49:19
Como boa parte das pessoas, tenho amigos de diferentes classes sociais com os quais me relaciono com certa frequência. E posso afirmar sem medo de errar – levando em conta esse universo – que os argumentos do Venício são perfeitamente comprováveis. Assusta, entretanto, constatar que aqueles que se identificam ou de certa forma representam essa elite dominante (levando em conta sempre esse universo representativo), e de quem se espera razoável conhecimento dos fatos sociais, argumentam a partir do que absorvem dos jornalões e revistas semanais. É muita pobreza intelectual. Não raro, nas saldáveis discussões que inevitavelmente surgem entre um chope e outro, é comum a citação de jornalões e revistas como fonte de conhecimento, e sem qualquer reflexão. Aceitam como fato consumado e verdade absoluta tudo que lêem. É muito pouco. A vaca é mais eficiência, pelo menos rumina o que engole sem mastigar. O que, então, essa elite teria a nos acrescentar? As conclusões do Venício e a indagação final são sugestivas: "Será que funciona também assim nos outros inúmeros aspectos da vida cotidiana?" Essa é a questão."
Denilson Botelho , Teresina-PI - Professor
Enviado em 28/7/2009 às 22:23:59
Há cerca de dois meses deixei o Rio de Janeiro para viver em Teresina. Percebo que o caráter regional dos jornalões é um fator decisivo. Se no sudeste esses jornais já "falam" para poucos, no nordeste "falam" para ninguém. Em Teresina o Globo nem circula e a edição dominical da Folha, por exemplo, custa R$ 7,50 nas bancas. Quem desembolsa tanto dinheiro para ler um jornal?
rubens aguiar padial , são paulo-SP - médico
Enviado em 28/7/2009 às 22:16:09
cancelei minha assinatura de um jornalão de são paulo depois que ele "matou" várias vezes uma das muitas crianças atiradas ou deixadas cair dos andares dos prédios. esta foi a gota d água. o copo d água foi perceber, na minha visão de peixe no aquário, que o que eu lia era a versão e não o fato. tenho desligado frequentemente os meus meios eletrônicos quando exposto à propaganda que eu não solicitei e pela qual não recebo nem um "muito obrigado por me assistir". comecei a fazer o mesmo com o jornalismo-versão. os jornalistas já perderam o diploma. se continuarem assim, vão perder o emprego.
William  Santos , Piracicaba-SP - Admistrador
Enviado em 28/7/2009 às 20:02:35
"Suspeitas em relação a administração da Petrobrás"...fala sério, Venício!!
otavio barros da silva Barros , palmas -TO - jornalista
Enviado em 28/7/2009 às 18:56:01
Não são só os jornalões. Depois de meio milenio, finalmente o sistema escravocrata e de casta que foi implantado no Brasil por europeus brancos & católicos para explorar o trabalho de índios & africanos vem desmoronando. Tanto por rachaduras internas, dos que saltaram fora para crticar/ propor alternativas, como por pressão da caldeira dos que se cansaram de só levar lenha nos couros, seja dos patrões, da policia ou de brilhantes analistas. Amen!
Julio Cesar Montenegro , Fortaleza-CE - aposentado
Enviado em 28/7/2009 às 15:05:24
Não são só os jornalões. Depois de meio milenio, finalmente o sistema escravocrata e de casta que foi implantado no Brasil por europeus brancos & católicos para explorar o trabalho de índios & africanos vem desmoronando. Tanto por rachaduras internas, dos que saltaram fora para crticar/ propor alternativas, como por pressão da caldeira dos que se cansaram de só levar lenha nos couros, seja dos patrões, da policia ou de brilhantes analistas. Amen!
RonaldoLenoir , Belo Horizonte-MS - Jornalista
Enviado em 28/7/2009 às 14:52:33

Artigo excelente, mas, a título de contribuição, relato um pequeno erro de concorddância no primeiro parágrafo, em "lhes atribui".

Nota do OI: Agradecemos o alerta. O equívoco foi corrigido.

Anselmo NF , Sorriso-Mt - ADM
Enviado em 28/7/2009 às 11:59:20
Concordo com o teor do texto e apenas para confirmar o que foi dito, se nos atermos ao caso do senador Sarney, a primeira função dos jornais seria esclarecer a forma e os meios utilizados pelo presidente da República para influir no Congresso Nacional... Está passando da hora de nos rebelarmos contra a ingerência do Executivo sobre o Legislativo. A casa que deveria representar a sociedade brasileira, já deixou de fazê-lo faz muito tempo. Não podemos achar normal manchetes do tipo "Presidente Lula mantém apoio a Sarney e o segura no cargo", porque passa a falsa idéia da existência de um organograma hierárquico que não existe na Constituição, mas que existe na prática. Enfim, é necessário que a sociedade saiba quais são os instrumentos de persuassão utilizados pelo Executivo Federal para manter o controle e o domínio sobre o Congresso Nacional. Entendo ser absurdo o presidente da República ter mecanismos para decidir quem será o presidente das Casas, que matéria irá à votação no plenário, quem será o presidente das comissões e CPIs, ou seja, o representante de um Poder Constitucional determinando o funcionamento de outro. O princípio democrático de Montesquiau fala sobre TRIPARTIÇÃO de poderes... Dito tudo isso, verifica-se que o papel da oposição é ridícula, para não falar que é inexistente, nula, incipiente e complacente.
Zé da Silva Brasileiro , Belo Horizonte-MG - Bancário Aposentado
Enviado em 28/7/2009 às 11:57:12
"Parece correto afirmar, portanto, que os jornalões e seus jornalistas funcionam dentro de uma circularidade restrita a camadas específicas da elite política e "intelectual" brasileira". Permito-me, respeitosamente, discordar do mestre Venício. É fato que a tiragem dos jornalões está caindo em termos absolutos e, ainda mais acentuadamente, em termos relativos, levando-se em consideração o crescimento demográfico; todavia não podemos nos esquecer do poder de pauta da imprensa tradicional que potencializa o seu alcance. A campanha liderada pelo "Estadão" contra José Sarney vem sendo repercutida por centenas de blogs, emissoras de rádio e TV. Eu mesmo, que não leio nenhum desses jornais, tomo conhecimento das suas campanhas através da sua repercussão mesmo nos chamados blogs oposicionistas (no sentido midiático). Mesmo quando nós criticamos, a nossa crítica está enquadrada dentro da pauta estabelecida pela própria mídia. Ontem falávamos de Renan Calheiros, hoje falamos de José Sarney, amanhã falaremos do próximo escândalo que eles colocarão na vitrine. O atestado de óbito desses jornalões somente será assinado quando a blogosfera brasileira conseguir destruir esse sobrevivente e resistente poder de pauta dos jornalões assumindo a sua própria pauta. No momento em que os jornalões forem simplesmente ignorados eles morrerão lentamente, por inanição.
Marcelo Ramos , São Paulo-SP - Publicitario
Enviado em 28/7/2009 às 11:43:23
Ótimo artigo do Prof. Venício Lima. A meu ver, um raio X preciso do COMO, do PORQUÊ e do PRA QUEM funciona a engrenagem do jornal. E parece que existe mais um aspeto, que eu gostaria de deixar à meditação do prof. Venício. Mais de um dos grandes jornais (vide matérias recentes) tem recebido apoio financeiro indireto, não publicitários. Aqui em São Paulo, e, segundo reportagem do Luis Nassif, a Veja. Tudo bem que a Veja não é um jornal, mas serve de exemplo para ilustrar. Qual o futuro dos jornais? Desde há algum tempo, menciono que os jornais no Brasil atuam como se "vivessem" e "funcionassem" na década de 30 do século XX. Usando uma imagem conhecida, dá pra entender muita coisa.
Jaime Collier Coeli , Itanhaem-SP - Aposentado
Enviado em 28/7/2009 às 10:54:27
Ora bolas, Venicio! Esse é papo de jornalista, como é papo de politicos, de empresarios, de "intelectuais". É conversa de comadres que so olham o proprio umbigo. Jornal é apemas apologia do status quo, mesmo quando se diz "popular", ou seja, mostra a miséria para os miseraveis assumirem que estão muito felizes porque a noticia não ocorreu com eles. Todo jornal é "in", tem horror ao "out", veja a discussão sobre "etica" nos negocios publicos. Escreve-se contra, mas se pratica o usual. É por esse somples motivo que se lê o jornalismo "em pirulas", o noticiario esquematico da TV ou da internet. Lê-se apenas o obrigatorio para não ficar fora dos "assuntos correntes", isto é, da baboseira que temos obrigação social de praticar. Como a chamada "organização social" precisa do contraditorio para não estagnar, procura-se o "out" fora do discurso consensual.
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Venício A. de Lima

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