ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 548 - 9/2/2010
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SOM & FÚRIA
Sobre TV, qualidade e alienação

Por Emanuelle Najjar em 28/7/2009

Na sexta-feira (24/7), acessei a Folha Ilustrada e deparei com um comentário muito interessante a respeito da série Som e Fúria, que teve nesse mesmo dia o seu fim. O texto "Som & Fúria é sucesso de crítica, mas fracasso em matemática". De James Cimino é um dos melhores textos que já li. Inteligente e direto, expondo um ponto de vista que usa de argumentos plausíveis. Ele fala sobre qualidade e ibope. O primeiro sobrava e o outro faltava. Nesse período, Som e Fúria não tinha grande audiência, perdendo até para os filmes da Record.

É importante lembrar do seu tema:

Uma adaptação da série canadense Slings and Arrows, que mostra os desafios de um grupo de teatro shakespeariano para manter a qualidade artística de seu trabalho em contraste com as exigências comerciais e de público. Com ironia e bom humor, questões pessoais e profissionais entram em conflito, criando tramas e dramas entre atores, diretores e patrocinadores (Poltrona TV, texto na íntegra aqui).

O plano era de 12 episódios. Claro que poderia ser prolongado, afinal tudo se prolonga, mas em função dos números baixos, a idéia parece ter ficado para trás. Afinal, menos de dez pontos: nada de público massivo. Aliás, de acordo com seu texto, o público não entendia a proposta da série. Não entendia a linguagem, ou simplesmente não entendia nada. Muitos abandonaram no primeiro capítulo. Uma experiência que diz ter comprovado ao usar o twitter, logo depois de assistir à estréia da série e ver o que estavam comentando.

Receita rápida para o sucesso

Mas o questionamento de James Cimino é:

"As TVs têm apenas que buscar produzir e reproduzir aquilo que o público maciço supostamente espera ver?"

Sim. Por que somente o maciço?

Não pode haver segmentação? Isso soa estranho, afinal não é somente uma classe social que assiste TV. E, por mais que citem a TV a cabo como ambiente certo para segmentação, nem todo mundo pode ter acesso a ela.

As pessoas que não podem pagar por esse serviço não merecem um pouco de qualidade?

Todos os bons programas têm que ser segregados para a madrugada?

Muita gente já deve ter percebido que os melhores programas e filmes são sempre jogados nesses horários. Parece complô. Quem busca qualidade parece ser obrigado a ter insônia.

Por que tudo tem se seguir o mesmo padrão, como se fosse uma receita rápida e prática para o sucesso?

Forma de salvação

No caso da TV, ter a maioria é sinônimo de dinheiro. Mas maioria é sinônimo de qualidade?

Para as emissoras brasileiras, sim. Talvez para elas seja caro demais arriscar, embora certamente um pouco de qualidade faça falta. Então, azar o nosso.

Que venham os reality shows, os programas de humor pasteurizados e tudo o mais que seja a moda. Todos eles recheados de potrancas e popuzudas, pancadão, duplas sertanejas, e bandas de axé.

Hora de usar a famosa tecla on/off e congestionar a internet como forma de salvação. Talvez porque lá simplesmente não somos a maioria. Perfeito? Não, mas certamente melhor do que a alienação institucionalizada.

Comentários (2)
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Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 30/7/2009 às 14:51:06
A coisa mais sul-real é a emissora copiar uma série (o BBB também é copiado), essa série mostra um grupo de artistas que luta pela arte, não pelo ibope. Aí essa mesma emissora se mostra preocupada justamente no ibope !?!?! Meu Deus é muita incompetência! Será que a própria diretoria da Globo entendeu a série? Será que ela soube ADAPTAR a série para que o público brasileiro pudesse compreender? Será que o senso de humor apresentado combina com o nosso? É muito fácil culpar o público ... e ai de mim se falar mal do Funk Carioca...
Luiz Gustavo Vilela , curitiba-PR - jornalista
Enviado em 29/7/2009 às 14:42:01
Eu baixei Som e Fúria, assim como baixei Capitu. Sinceramente? Minha consciência não pesa.
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