ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 550 - 9/2/2010
  Feitos & Desfeitas
Início > Índice Geral > Feitos & Desfeitas + A | - A
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
 

SENADO À DERIVA
Reality show e o sal de frutas

Por Emanuelle Najjar em 11/8/2009

Associar o atual momento da política brasileira à vergonha é apenas uma redundância. A comparação do Senado a um circo de horrores é a mais realista possível, em vários aspectos. Claro, não sejamos apenas espectadores chocados com a pouca vergonha. Afinal, em algum momento nosso choque diminui e o estômago fica um pouco mais forte para acompanhar os acontecimentos.

A partir daí, ficamos perplexos com o senso de humor e a cara de pau daqueles que têm o poder. Requisitos inerentes aos cargos políticos de todas as camadas.

O espírito circense dos nossos senadores parece ter ocorrido na última semana com o bate boca entre Pedro Simon (PMDB-RS) e Fernando Collor (PTB-AL). E depois deles, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).

A coisa foi bem divertida. Um duelo de luvas de pelica modalidade peso-pesado, e por que não dizer, da língua mais afiada? Sem esquecer dos olhares 43 de ira e palavras gentis entre os nobres colegas: coisas que variaram entre aulas de biologia (engula, digira...) e pequenos palavrões fora do alcance dos microfones.

Circo de horrores

Não dá para negar que, apesar da sujeira mais que visível na política brasileira, acompanhar o noticiário de Brasília é uma experiência edificante para quem busca entendimento sobre a capacidade humana de persuasão ou, traduzindo, o jeitinho vaselina de ser.

Muito mais edificante do que os reality shows. Encontramos o senso de humor, a mesma arena na luta pela própria sobrevivência na cena política. Um show da vida real que exige senso de oportunidade e muita inteligência. E o prêmio, diferente do um milhão de reais, é simplesmente o poder sobre o seu público, geralmente alienado e indiferente aos seus jogos e desmandos.

Aliás, o reality show da crise faz sucesso e já está sendo comentado pela imprensa no exterior. Seu enredo mostra-se tão complexo que jornalistas mal conseguem traduzir o que se passa.

E, se conseguirem, duvido muito que acreditem. Vão achar que deve ser uma lenda urbana: algo tão folclórico que sua realidade será questionada. Algo que sequer caberia na imaginação popular.

Garçom! Mais uma dose... de sal de frutas. Diferente da tradicional cervejinha de cada happy hour, acompanhar esse circo de horrores exige sobriedade e muito estômago também.

Comentários (0)
Comentar
Compartilhe
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade e a pluralidade de idéias e de pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Mensagens que não atendam a essas normas serão deletadas – e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.

ATENÇÃO: Será necessário validar a publicação do seu comentário clicando no link enviado em seguida ao endereço de e-mail que você informou. Só as mensagens autorizadas serão publicadas. Este procedimento será feito apenas uma vez para cada endereço de e-mail utilizado.
         
Nome :   Sobrenome :
E-mail:   Profissão:
Cidade:   Estado:
Comentário:


para o limite de 1400.
 
The CAPTCHA image
Clique aqui para ouvir o
texto soletrado(mp3)
Digite no campo abaixo o texto
que você vê na imagem ao lado.

 
Compartilhe este texto
Blig Blig BlinkList BlinkList BlogBlogs BlogBlogs BlogLines BlogLines Delicious del.icio.us
Digg Digg Furl Furl Google Bookmarks Google Bookmarks Linkk Linkk Magnolia ma.gnolia
netscape Netscape netvibes Netvibes newsvine Newsvine reddit reddit Stumble Upon Stumble Upon
Technorati Technorati Twitter Twitter Windows Vista Windows Vista Yahoo! MyWeb Yahoo! MyWeb Facebook
Emanuelle Najjar

Outros artigos desta Seção
LEITURAS DE ÉPOCA
Um elefante
incomoda muita gente

José de Souza Castro
11/8/2009
SENADO À DERIVA
Imprensa sem poder,
sem moral, sem nada

Rafael Motta
11/8/2009
Uma conjuntura
confusa e nebulosa

José Valmir Dantas de Andrade
11/8/2009
O dilema da indecisão
Leonardo Passos
11/8/2009
Reality show e o sal de frutas
Emanuelle Najjar
11/8/2009
Triste espetáculo!
Oh quão dessemelhante...

Luiz Carlos Santos Lopes
11/8/2009
A lição de Sarney
Valacir Marques Gonçalves
11/8/2009
PARÓDIA POLÍTICA
Os riscos da crise no Senado
Jorge Fernando dos Santos
11/8/2009
COBERTURA DA GRIPE
Confundindo pandemia
com pandemônio

Michel Arbache
11/8/2009
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Salvem a imprensa
Luís Olímpio Ferraz Melo
11/8/2009
ESPORTE ESPETACULAR
As bolas do Paquistão
Gabriel de Barcelos
11/8/2009
DIÁRIO CATARINENSE
Deputados pela "metade"?
Felipe Barth
11/8/2009
QUINO & FONTANARROSA
Dois deuses dos
cartuns argentinos

Ariel Palacios
11/8/2009
COBERTURA INTERNACIONAL
Os novos consensos da imprensa brasileira
João Humberto Venturini
11/8/2009
ARTIGOS EM JORNAIS
Profanos escrevem
"de ouvido"

João Serralvo
11/8/2009
CRISE & SUSTENTABILIDADE
A quem cabe o desafio?
Lisa Elkaim
11/8/2009
OBSERVAÇÃO DO LEITOR
A censura e a lei
Flávio Rodrigues

11/8/2009

Últimos 5 artigos de
Emanuelle Najjar
CUSTE O QUE CUSTAR
Há diferença entre liberdade e libertinagem, ok?
15/12/2009
APAGÃO MENTAL
Ser alienado ou ignorante significa ser normal?
1/12/2009
CELEBRIDADES
A personagem e a fama nos dias de hoje
27/10/2009
CREDIBILIDADE
Não acredite em tudo o que vê ou lê
19/10/2009
VENEZUELA
A escola e a lavagem cerebral institucionalizada
18/8/2009
Mais artigos de
Emanuelle Najjar >>