ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 551 - 18/8/2009
  Monitor da Imprensa
Início > Índice Geral > Monitor da Imprensa + A | - A
 
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]

JORNALISMO ONLINE
Financial Times ensina a lucrar na rede

Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 18/8/2009

Quando executivos de mídia acreditavam que a única maneira de ter sucesso na internet era oferecer seu conteúdo de graça, o jornal Financial Times remou contra a corrente e anunciou, em 2002, que cobraria aos leitores pelo acesso a seu site. Alguns anos depois, quando se discute cada vez mais novos modelos de gerar dinheiro na rede e chega-se à conclusão de que a receita com publicidade online não é suficiente para a sobrevivência, o Financial Times abandona a posição de "excêntrico" e ocupa lugar de destaque na transição. "Ficamos sozinhos na ‘terra paga’ por um bom tempo", brinca John Ridding, executivo-chefe do jornal. "Mas tornou-se cada vez mais claro que os anúncios, sozinhos, não iriam sustentar os modelos de negócios online. É preciso que se cobre por jornalismo de qualidade", defende.

Enquanto empresários como Rupert Murdoch anunciam que deverão cobrar pelo conteúdo de todos os seus sites em breve e jornais como o New York Times debatem a melhor maneira de aumentar os lucros sem assustar os leitores, o Financial Times inova mais uma vez. O jornal internacional com sede em Londres decidiu ampliar a estratégia de cobrança na rede com um plano alternativo de micro pagamentos por artigos individuais, em vez de obrigar o leitor a fazer a assinatura completa.

Economia em crise

A recessão econômica atingiu companhias de luxo, bancos e outros grandes anunciantes, que cortaram custos com publicidade e prejudicaram a receita de veículos de comunicação. A Pearson, editora que publica o Financial Times, não divulga números, mas analistas estimam que sua receita publicitária tenha caído 20% em comparação a 2008. A circulação impressa também caiu. De acordo com dados do Audit Bureau of Circulations, as vendas em junho ficaram 7% abaixo do mesmo período do ano passado, com 412 mil exemplares.

A audiência do site FT.com, de 117 mil assinantes, também não é tão grande quando comparada ao do Wall Street Journal, outro jornal financeiro que cobra pelo acesso online e se tornou o maior caso de sucesso na rede, com um milhão de assinantes. Ainda assim, o site é lucrativo porque cobra caro pelo "acesso premium", com todo o conteúdo disponível a 300 dólares anuais nos EUA. Para receber a versão impressa é preciso pagar mais 100 dólares. A receita de assinaturas, com o aumento do preço, cresceu 30% no último ano.

Projetos

O jornal também lançou mão de outros esforços para gerar mais renda digital. No ano passado, restringiu o acesso a seu banco de dados a sites especializados como o Factiva. Quem quisesse ler artigos arquivados teria que comprar uma licença especial. Mais de 600 empresas clientes do jornal, o equivalente a 50 mil usuários, compraram a licença. Também em 2008, o jornal adquiriu o Money-Media, site que fornece notícias especializadas para gestores de fundos e cobra por assinatura. Na semana passada, comprou o MandateWire, especializado em fundos de pensão. Recentemente, o Financial Times criou uma newsletter online para investidores na China, batizada de China Confidential, que custa 4.138 dólares por ano.

Segundo Tim Luckhurst, professor de jornalismo na Universidade de Kent, no Reino Unido, a experiência do Financial Times mostra que o jornal "estava certo em cobrar pelo conteúdo enquanto outras empresas de mídia seguiam o mantra de informação livre do Vale do Silício". "Isso provou que, pelo menos neste nicho, o trabalho jornalístico gera valor", afirma.

Fatalismo

Para outras editoras, no entanto, a principal dúvida é se os leitores estariam dispostos a pagar por notícias em geral – em comparação às notícias financeiras especializadas do Financial Times. Luckhurst acredita que há muito fatalismo nas previsões de que os internautas se recusariam a desembolsar dinheiro por conteúdo jornalístico na rede. "Eu acho que é possível e necessário que se cobre [pelo conteúdo]", diz.

O plano do Financial Times para cobrar por artigos individuais faz parte de um esforço para gerar ainda mais receita – desta vez, mirando nos internautas casuais. Hoje, o jornal oferece 10 artigos gratuitos por mês antes de cobrar pelo acesso. Executivos do Wall Street Journal dizem também considerar os micro pagamentos, dando liberdade para que os leitores leiam textos específicos sem a obrigação da assinatura. O objetivo final é aumentar a audiência ao mesmo tempo em que se amplia o lucro. Informações de Eric Pfanner [The New York Times, 17/8/09].

Leia também

Sítio do FT comemora boa audiência – Monitor da Imprensa

Comentários (2)
Comentar
Compartilhe
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade e a pluralidade de idéias e de pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Mensagens que não atendam a essas normas serão deletadas – e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.

ATENÇÃO: Será necessário validar a publicação do seu comentário clicando no link enviado em seguida ao endereço de e-mail que você informou. Só as mensagens autorizadas serão publicadas. Este procedimento será feito apenas uma vez para cada endereço de e-mail utilizado.
         
Nome :   Sobrenome :
E-mail:   Profissão:
Cidade:   Estado:
Comentário:


para o limite de 1400.
 
The CAPTCHA image
Clique aqui para ouvir o
texto soletrado(mp3)
Digite no campo abaixo o texto
que você vê na imagem ao lado.

 
Anderson Porto , Niterói-RJ - Analista de Sistemas
Enviado em 24/8/2009 às 14:50:51
Eis que vem à tona a notícia: http://idgnow.uol.com.br/internet/2009/08/24/news-corp-discute-sobre-a-criacao-de-um-consorcio-de-noticias-pagas/
Anderson Porto , Niterói-RJ - Analista de Sistemas
Enviado em 19/8/2009 às 11:49:48
Micropagamentos aind anão funcionam como modelo, por não serem facilmente utilizados nem existe segurança suficiente para isso. O que pode funcionar é todos os jornais fecharem seu acesso para o público visitante e criarem uma assinatura básica a preços módicos: R$ 5,00 por mês, por exemplo. Multiplique por 100 mil assinates e terá uma receita razoável (fora as de patrocinadores).
Compartilhe este texto
Blig Blig BlinkList BlinkList BlogBlogs BlogBlogs BlogLines BlogLines Delicious del.icio.us
Digg Digg Furl Furl Google Bookmarks Google Bookmarks Linkk Linkk Magnolia ma.gnolia
netscape Netscape netvibes Netvibes newsvine Newsvine reddit reddit Stumble Upon Stumble Upon
Technorati Technorati Twitter Twitter Windows Vista Windows Vista Yahoo! MyWeb Yahoo! MyWeb Facebook
Outros artigos desta Seção
JORNALISMO ONLINE
Financial Times ensina
a lucrar na rede

18/8/2009
Projeto de assinaturas aposta na parceria com jornais
18/8/2009
ÉTICA JORNALÍSTICA
Órgão fiscalizador do Reino
Unido passa por revisão

18/8/2009
IRAQUE
Jornalistas protestam
contra pressão política

18/8/2009
MÍDIA NOS EUA
Jornal serve de registro
histórico da cultura Amish

18/8/2009
CHINA
Governo promete mais
abertura à mídia estrangeira

18/8/2009
TELETIPO
Repórteres libertadas na Coréia
do Norte divulgam vídeo

18/8/2009
Presidente do Afeganistão
participa de debate na TV

18/8/2009
ROBERT NOVAK (1931-2009)
Colunista foi pivô
do caso Valerie Plame

19/8/2009
DON HEWITT (1922-2009)
Produtor criou o
programa 60 Minutes

19/8/2009
VENEZUELA
Preso homem suspeito
de agredir jornalistas

19/8/2009
ELEIÇÕES
Governo afegão tenta
impedir relatos de violência

19/8/2009
HONDURAS
Violência contra a mídia
após golpe de Estado

20/8/2009
FACEBOOK
Rede social processada
por invasão de privacidade

20/8/2009
NOVAS TECNOLOGIAS
Rede de TV põe anúncio
em vídeo no papel

21/8/2009
DEMOCRACIA
Imprensa regional
comenta pleito afegão

21/8/2009
CRISE DOS JORNAIS
Murdoch anuncia fim
de gratuito londrino

21/8/2009

Últimos 5 artigos de
Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler
VENEZUELA
Juiz suspende proibição de fotos sangrentas
24/8/2010
CASAMENTO GAY
As diferentes coberturas de um tema polêmico
10/8/2010
SAKINEH ASHTIANI
O apedrejamento como "propaganda"
13/7/2010
11 DE SETEMBRO
Estudo sugere submissão de jornais ao governo Bush
6/7/2010
EUA
Político envolvido em escândalo brilha na TV
29/6/2010
Mais artigos de
Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler >>