ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 557 - 9/2/2010
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THE NEW YORKER
Um gringo na selva carioca

Por Sylvia Moretzsohn em 1/10/2009

Às vésperas da decisão sobre a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, a publicação da reportagem de Jon Lee Anderson, na revista New Yorker, pintando um Rio de Janeiro dominado por bandos de traficantes sanguinários, foi inevitavelmente associada a uma campanha contra as pretensões da cidade e ao lobby em favor da candidatura de Chicago para esse evento. É uma acusação mais do que plausível; entretanto, o mais importante não é isso, mesmo porque é sempre muito difícil aferir, com algum grau de precisão, a influência de uma notícia, reportagem ou série de reportagens sobre decisões políticas, especialmente quando não dependem tanto da pressão popular. Porém é muito relevante, para uma crítica do jornalismo, averiguar como um repórter tão laureado e uma revista tão conceituada resolvem atribuir ao Rio de hoje as características da Chicago de quase um século atrás – e aqui a coincidência entre as cidades envolvidas na disputa pela sede dos Jogos é mesmo apenas uma coincidência. Mais ainda, importa discutir qual é, afinal de contas, o papel do jornalista "investigativo", diante de uma realidade que ele desconhece e que pretende mostrar a um público estrangeiro.

Ao atribuir à sua reportagem o título "Terra de gangue – quem controla as ruas do Rio?", Jon Lee Anderson não foi nada menos que irresponsável: generalizou para toda a cidade a situação dramática em que vive uma parcela da população moradora em favelas, a partir do relato de sua experiência limitada a duas comunidades na Ilha do Governador. A ponto de escrever o seguinte: "Num modelo que se reproduz por todo o Rio, os moradores da Ilha vivem sob a autoridade de facto de um gângster e seu exército particular" (destaque meu).

Logo, para o leitor desavisado, é como se a cidade inteira estivesse dominada por facções criminosas a intimidar os moradores em cada esquina.

Igualmente irresponsável, e ainda mais chocante, é a afirmação de que o Rio de Janeiro é líder mundial de homicídios dolosos ("violent intentional deaths", assim mesmo, entre aspas, embora sem remissão a qualquer fonte). Conviria indagar de onde o repórter tirou essa informação, que seria manchete inevitável nos jornais brasileiros e seguramente mereceria destaque em alguns dos principais jornais estrangeiros. Se fosse verdadeira.

O repórter como protagonista

Repórteres famosos correm o risco permanente de se tornarem protagonistas da história que pretendem contar e por isso tendem a supervalorizar a própria experiência vivida, descartando o recurso a fontes de pesquisa sistemática, capazes de lhes oferecer os fundamentos para uma apuração adequada, longe de estereótipos e das armadilhas do imediatamente visível. Porém é mesmo assim, como um incauto explorador entre nativos, que Jon Lee Anderson constrói sua narrativa. Por isso se espanta com o que por aqui – e mesmo lá fora – já foi noticiado inúmeras vezes; mais ainda, por isso elabora teorias que já foram confirmadas – ou contestadas – por trabalhos acadêmicos de excelente qualidade ao longo das últimas décadas.

Assim, por exemplo, "descobre", vinte e cinco anos depois de Alba Zaluar em A máquina e a revolta, que o tráfico se estrutura de acordo com a mesma hierarquia de uma empresa, com seus gerentes e demais funcionários. Por outro lado, valendo-se de fontes duvidosas mas com bom espaço na mídia, apresenta a esdrúxula – mas impressionante... – versão de que o recrutamento e o comportamento dos nossos jovens traficantes se compara aos dos membros da Al Qaeda; que o espaço das "guerrilhas marxistas" dos anos 1960 é hoje ocupado pelo tráfico armado; que as favelas são um lugar onde o Estado não entra – quando obviamente entra sistematicamente através de violentas ações policiais – e que, consequentemente, são dominadas por organizações criminosas, como se os traficantes pudessem controlar esses territórios sem estabelecer acordos convenientes.

Por isso, talvez, não se indague por que a polícia, afinal, não consegue prender o chefe do tráfico na Ilha, o sujeito bárbaro que "tem o Diabo nos olhos" e Jesus tatuado no braço, que ele próprio, simples jornalista, consegue localizar e entrevistar, com foto e tudo. O apelo ao espetacular é inescapável: nosso homem na selva infestada de malfeitores chega até onde a polícia não conseguiu. E sai ileso para contar a história.

Jon Lee Anderson declarou que costuma levar três meses na apuração de suas reportagens. Pesquisadores da área de ciências humanas levam bem mais tempo para elaborar teses e artigos. É claro que um trabalho acadêmico é diferente de uma reportagem, mas seria o caso de perguntar por que as reportagens – inclusive e sobretudo as grandes reportagens – ignoram sistematicamente os trabalhos acadêmicos como fonte de informação.

Perspectiva abrangente

Seria ocioso detalhar os argumentos que expus num artigo apresentado no congresso da Intercom do ano passado (ver aqui). Mas vale a pena reiterar alguns pontos: primeiro, a atitude arrogante de considerar que a própria experiência basta, de modo que o jornalista não apenas descarta como pretende substituir o pesquisador e seus estudos sistemáticos que poderiam orientar a pauta, lançando-se à "aventura" da reportagem para descobrir, por ele próprio, o que o pesquisador já sabe há tanto tempo – o pesquisador, mas não o grande público, porque o grande público não lê trabalhos acadêmicos e os jornais em geral os ignoram. Segundo, e coerentemente, a valorização do testemunho como revelação da "verdade", como se a experiência "vivida" do jornalista valesse mais que qualquer elaboração teórica sobre aquela realidade, ainda que essa elaboração teórica esteja ancorada em exaustivos trabalhos de campo.

A reportagem de Jon Lee Anderson para a New Yorker é, de fato, o relato de sua experiência em duas favelas da Ilha do Governador. Por que tão destacado repórter resolveu estender, ao conjunto da cidade, o tipo de conflito e opressão circunscrito às áreas onde os traficantes atuam e se abrigam, só ele poderia responder. Da mesma forma, só ele poderia responder por que decidiu fazer sua "observação participante" numa região absolutamente singular na geografia da cidade, e não em outras onde se localizam favelas muito mais presentes na mídia brasileira e estrangeira, como as do Alemão – palco de uma violenta intervenção policial às vésperas dos Jogos Pan-Americanos de 2007 –, a da Maré – bem à beira da Linha Vermelha, caminho do aeroporto internacional, onde o repórter relata a ocorrência de tantos tiroteios – ou a da Rocinha, no cenário encantador que atrai levas de gringos em jipes camuflados, próprios para embrenhar-se na selva e estabelecer um prudente e curioso contato com os "nativos".

A reportagem foi editada na seção "Reporter at large". Para fazer jus a esse título, conviria adotar uma perspectiva igualmente abrangente no relato jornalístico. Do contrário, ficamos com mais uma história para americano ver.

Comentários (22)
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sergio ribeiro , são paulo-SP - bancário
Enviado em 20/10/2009 às 12:11:05
Muitos jornalistas indicaram o artigo e o classificaram de excelente, independente de algumas falhas e até imprecisões de termos, normais para estrangeiros que não interados. Anderson é um jornalista conceituado, falível como qualquer ser humano, mas que merece crédito. Mais importante que discutir seu texto é discutir o problema da violência que se arrasta há muitos anos no país inteiro e bastante visível no Rio. As questões de bairrismo ou patriotismo nada acrescentam ao tema. Mesmo que não haja o tal domínio das máfias na cidade inteira, é bastante preocupante que haja algo como uma guerra civil e um helicóptero seja derrubado. Há muitos anos, na mídia, no cinema, na Academia, o assunto vem sendo repisado e nada de concreto se faz. Passou da hora.
Samuel Lima , Joinvills-SC - Jornalista
Enviado em 5/10/2009 às 14:12:18
Profa. Sylvia, seu artigo incomoda quem está acostumado a ver o mundo pelas lentes da mídia, de forma acritica, engolindo o "prato feito" como se fora axiomático... Ao ler seu texto, fiquei pensando em duas grandes reportagens que se transforaram em livros e foram frutos de alguns anos de vivência, conhecimento, apuração - "Rota 66" e "Abusado", ambos do grande repórter Caco Barcelos. Seu texto é claríssimo: "A reportagem de Jon Lee Anderson para a New Yorker é, de fato, o relato de sua experiência em duas favelas da Ilha do Governador". Ou seja, jornalismo não é ciência e quando universaliza um dado específico é embuste, pura e simplesmente. O sr. Wilson Vieira parece ter lido a metarreportagem de Jon Lee Anderson com aquele viés ultrapassado do "complexo de vira-latas". O jornalismo e o público só têm a ganhar quando os repórteres passarem a usar, com mais frequência, as fontes e dados ligados ao mundo da ciência, à produção de conhecimento. Para tanto, basta saber procurar as fontes, com pluralidade e espírito democrático, deixando de lado os "medalhões" que sempre são chamados pela elite da mídia para confirmar as "hipóteses testadas" pelo demiurgo do Jardim Botânico ou em supostos programas de entrevistas, como o fez a Band com péssimas fontes nas duas últimas semanas (temas "Honduras" a "questão das cotas", ontem).
Rafaella Barros , Niterói-RJ - Estudante de jornalismo
Enviado em 4/10/2009 às 14:33:57
Vamos partir da situação hipotética que um dos componentes do casal 20 da Globo abrisse o JN (é mais fácil para os "não acadêmicos entenderem) divulgando: "O RJ é líder mundial de homicídios dolosos". Imediatamente o telespectador - aquele que não se baseia apenas em uma relação de confiança com o jornalista, claro - esperará a divulgação da fonte da informação. ok, mas QUEM divulgou?? Qual é a fonte? O IBGE? Algum órgão de pesquisa internacional? Não. Mas, que importa? Bonner ou Bernardes são gente boa, confiamos neles!... Obs1: é impressionante a capacidade de percepção sobre a situação do RJ de alguém que mora em Belém, que certamente - adivinhe só - recebe as informações do RJ à distância e - adivinhe novamente - através da mídia - em comparação com a de uma professora que mora na cidade e vê a situação in loco (diga-se de passagem, durante muito mais do que alguns meses), além de possuir embasamento teórico pra escrever o artigo ...isso me espanta. Obs2: Não somente em Jornalismo, mas em diversos cursos de graduação, professores - mestres e doutores - não exercem mais a profissão, o que não os impede e nem os desqualifica de analisar e escrever sobre os assuntos relacionados a esses cursos...
Ana Carolina Mascarenhas , Rio -RJ - Estudante de Jornalismo
Enviado em 4/10/2009 às 00:45:50
A autora do texto não nega que o Rio seja uma cidade violenta, mas também não pode acreditar que seja a mais violenta do mundo SEM FONTES e no atual contexto internacional. É óbvio que para uma pessoa que visita duas favelas, a imagem que ela terá é de um lugar miserável e violento, mas por que não falar de como é a vida fora das favelas? Fazer uma comparação? Parece que como foi Jon Lee Anderson, respeitado jornalista americano, temos que aceitar a opinião passivamente, e mais uma vez nos curvar ao que turistas internacionais dizem. Por favor né?! Eu faria uma pequena correção na frase do Vinícius "O que os jornais não publicam, o coração não sente". Porque pode ter certeza,Vinícius, que eles veem.
Wilson Vieira , Rio de Janeiro-RJ - Servidor Público
Enviado em 3/10/2009 às 05:24:57
Não me parece que a sra. Sylvia tenha lido integralmente o texto do New Yorker; ela cita um ou outro ponto e não escapa da análise clichê recheada de um patriotismo pueril. Eu a li e. ainda que o texto do jornalista americano cometa uma ou outra imprecisão, é uma bela reportagem e retrata o que nós cariocas sabemos muito bem: aqui nós vivemos com a permanente sensação de insegurança e o poder público está ausente em diversas áreas. Sinto uma ligeira sensação de melhora com o atual governo (que não obteve meu voto), mas ainda falta muito. O Poder Paralelo, e aqui falo de tráfico e de milícias, preenche os espaçoes vazios. Vi isso muito de perto quando trabalhei em uma penitenciária dominada por uma facção. Criticar o texto da New Yorker é ufanismo bobo de quem não reconhece nossos defeitos.
sylvia moretzsohn , rio de janeiro-RJ - professora
Enviado em 2/10/2009 às 14:24:39
Eu não ia responder às barbaridades que muitos escreveram aqui porque já me conformei com uma constatação: as pessoas que têm opiniao formada são incapazes de refletir, só leem o que querem e concluem sempre a mesma coisa, independentemente dos argumentos apresentados. Mas tudo tem um limite. Por isso, não posso ficar indiferente ao comentário recém-postado, como se meu texto tratasse de alguma campanha midiática contra a candidatura do Rio aos Jogos. Pelo contrário, está absolutamente explícito logo no início que meu objetivo é outro: demonstrar a irresponsabilidade do repórter e da revista ao afirmar esse absurdo sobre o Rio como "terra de gangues" e, mais ainda, demonstrar como o jornalismo pode ser mistificador, ao privilegiar a "experiência vivida", a "sensibilidade" e as impressões passageiras e pessoais do repórter, em detrimento de pesquisas metódicas que fornecem um quadro muito mais complexo da realidade, com o qual todo jornalista deveria trabalhar. Impressionante como um leitor pode distorcer o sentido do texto a esse ponto.
eduardo lettieri , sp-SP - free
Enviado em 2/10/2009 às 13:00:32
Esperei Chicago ser eliminado para fazer a constatação: o texto nada mais é do que a velha teoria da conspiração. Com o manto da ciência a autora briga com os fatos. Fico imaginando na reunião de pauta da NY os jornalistas confabulando para derrubar o Rio de Janeiro e escolhendo a melhor alternativa para alcançar o objetivo. Depois imagino o esforço que fizeram para colocar um exemplar da revista no caminho dos jurados. Claro, se os jurados lerem de cara desclassificarão o Rio. Por outro lado a autora não levou em consideração o fato que grande parte da população de Chicago era contra o evento na cidade. Para eles esse evento seria prejudicial. Quanta paranóia revestida de ciência
Vinícius Moraes , Rio de Janeiro-RJ - Estudante
Enviado em 2/10/2009 às 11:40:51
Como eu indiquei antes, as pessoas preferem recorrer a hipérboles retóricas e clichés do senso comum em vez de refletir profundamente sobre o que realmente acontece no Rio de Janeiro. O colega pegou pesado quando disse que tudo que existe de ruim no Brasil surgiu no Rio e é somente culpa do Rio de Janeiro. Oh sim, o Rio de Janeiro que inventou a imoralidade do carnaval, a dança na boca da garrafa, assim como fabricou a própria cocaína e materializou os fuzis com uma varinha mágica! Outro indagou se eu me atreveria a negar que "O rio é dominado por traficantes". Me atrevo sim, pois até onde eu sei os traficantes dominam as suas próprias comunidades, não a cidade inteira. E digo que já houve tempos piores, quando os traficantes mandavam fechar as lojas nos bairros, e as lojas fechavam. Hoje em dia não acontece mais isso. Nos ultimos meses temos sofrido com uma onda de violência nas ruas devido à uma certa eficácia no combate ao tráfico. A represália às açoes da polícia tem nos assombrado ultimamente. Eu prefiro acreditar que isso será superado, em uma década talvez?
Ana Leticia  Ribeiro , Niterói-RJ - Estudante de Jornalismo
Enviado em 2/10/2009 às 10:47:09
Deprimente foi o comentário do senhor Marcus, lá embaixo. É aquela historinha contada aí pelo colega jornalista: há certa preguiça por parte da imprensa em ler trabalhos acadêmicos. Ou seria meramente consequencia do "jornalismo em tempo real" ou o "fetiche da velocidade", que dilui o tempo hábil do repórter numa pesquisa profunda? Ou então, uma terceira: não decodificar a linguagem do especialista, por falta de boa formação profissional? O que as pessoas se esquecem é o intuito principal do Jornalismo; informação e educação são intrinsecamente relacionados. Ambos os trabalhos (jornalístico e científico) são intelectuais e tem por objetivo desvendar os mistérios da realidade humana, dando subsídios para modificá-la. O nome já diz: "mediação" (senso comum X ciência). Senão, qualquer um poderia ir lá, despojado de preocupações com eventuais etnocentrismos, preconceitos etc, relatava o acontecimento e pronto. Para quê diploma? O Rio de Janeiro é violento, fato. Por que? Como a violência se desenrola? Jornalista para me contar sobre a violência do Rio eu não quero e nem é isso que a população precisa. Necessitamos de gente qualificada para encontrar o X da questão, da raiz, contribuindo para a resolução do problema. Que tipo de instituição oferece os instrumentos para tal intento? Pode até ser ingenuidade, mas, convenhamos, é uma conclusão lógica.
Humberto Campos , Salvador-BA - Estudante
Enviado em 2/10/2009 às 08:01:46
Na verdade todo mal do Brasil vem do Rio de Janeiro. As drogas, as doenças como a febre amarela, a AIDS, a dengue vieram do Rio de janeiro e se espalharam pelo Brasil; por que não se falar nos arrastões, nos ratos de praia, nas chacinas, nos massacres, na guerra urbana, tudo isso o Brasil aprendeu com o Rio de Janeiro; a mulher brasileira foi estereotipada [ ] por causa das mulheres nuas das Escolas de Samba do Rio e São Paulo, as espanholas tem ojeriza a carioca,; a notícia mais rcente, uma Escola de Samba foi impedida de se aprensentar no Líbano porque disseram que não gostavam de imoralidade, mulher nua no meio da rua balançando os peitos e a bunda; mas tudo isso são probleams internos do Brasil; esse jornalista americano deveria ser impedido de entrar outra vez no Brasil por estar fazendo propaganda contra os interesses nacionais para que o Rio não ganhe a disputa para as olimpíadas.
Reginaldo Gadelha Gadelha , Lexonn-IN - Func Independente
Enviado em 2/10/2009 às 07:29:46
Ah, quer dizer que o Rio não é uma cidade dominada por criminosos ? Então tá certo......Acredito........
Vinícius Moraes , Rio de Janeiro-RJ - estudante
Enviado em 2/10/2009 às 02:34:53
Foi mal sucedida a tentativa de tirar o crédito do John Lee Anderson argumentando que ele mal conhece a cidade. Uma breve pesquisa no google me mostrou que o repórter em questão já esteve no Rio diversas vezes e, como vi em uma entrevista, avalia a situação do Rio (e do Brasil) melhor do que muitos brasileiros, inclusive brasileiros jornalistas. Acho que nossos companheiros de outros estados tem que parar com a ingenuidade e má fé. Primeiro, é muito mais fácil demonizar o rio de janeiro, chamar de selva ou guerrilha, do que admitir que o problema do tráfico é um problema brasileiro. O rio de janeiro não é um filho que nasceu defeituoso e deve ser desprezado e jogado na lixeira. Me deixa muito triste a atitude de paulistas, nordestinos e sulistas em relação ao rio. Em segundo lugar, me impressiona que logo aqui, no observatório, haja pessoas que parecem desconhecer o fato de que a imprensa noticia o que ela quer e quando quer. É bem conhecido que os próprios cidadãos passam a achar que a cidade está mais violenta simplesmente devido ao maior número de notícias sobre o assunto. Tem mesmo gente pensando que o rio é a cidade mais violenta porque é a que mais tem notícias ruins no jornal! E enquanto isso, as pequenas e médias cidades que não tem espaço no jornal, logicamente, são pacíficas. Ora, isso deve ser algo parecido como "o que o jornal não vê, o coração não sente"
Cristiana Castro , Rio de Janeiro-RJ - Advogada
Enviado em 2/10/2009 às 01:47:05
Não, o Rio não é UMA cidade violenta,é só mais uma cidade onde situações de violência são proporcionais ao número de habitantes e agravadas por uma desigualdade social evidenciada, a maior, pelo dimunuto território e, portanto, convivência íntima, entre o super primeiro mundo e o mega último. A desgraça do Rio de Janeiro, chama-se TV Globo. Que outra cidade do Brasil ou do mundo tem uma rede de TV que cobre meio mundo empenhada na destruição da sua imagem? Convivemos com isso há anos e ainda estamos aqui e, muito embora não goste nem um pouco desse povo do COB e do COI e, tenha certeza absoluta que façam coro com a TV Globo, vou torcer junto com meu pessoal amanhã, pq tenho convicção que essa aqui é a melhor cidade do mundo para abrigar qq evento, qq povo ou qq pessoa. O que mata o Rio não é a violência é a Globo, acreditei que nos livraríamos dela nesse governo, não deu, esperemos pelo próximo... Um dia vai dar.
Rodrigo  Braz , Brasília-DF - Jornalista
Enviado em 2/10/2009 às 01:30:59
O texto é instigante. Primeiro, cabe a pergunta textos jornalísticos generalistas são o comum ou a novidade? Claro, não se pode deixar de defender o bom jornalismo. Os jornalistas estão sempre defendo um posicionamento ou são isentos? Existe um jornalismo objetivo e imparcial? Ainda, o jornalista infiltrado não pode falar senão daqulio que viu, ouviu ou sentiu, mas o jornalismo oficialista fala as várias versões? Pergunta primária, o que é jornalismo? Por último, gostaria de tratar do comentário do colega acima que afirmour que academia nunca colabou com a prática. Isso me cheira a um desses jornalistas generalistas que não gostam de estudar, muito menos apurar. Ler faz bem.
Heliete  Vaitsman , Rio de Janeiro-RJ - jornalista
Enviado em 1/10/2009 às 21:44:40
Quem viu a articulista "enrolada" na bandeira nacional não entendeu o artigo. Leia novamente! Lá como cá, o que todo leitor mereceria seriam relatos de repórteres capazes de, entre outros aspectos, não tomar a parte pelo todo... Mas os americanos fazem exatamente isso desde a cobertura do Vietnam, no mínimo.... Com grande ordem no texto, o que nos dá a impressão de lógica e racionalidade. Na editoria Internacional do JB, desconfiávamos de boa parte do que os americanos "viam" no Sudeste da Ásia, pois eles eram testemunhas oculares previsíveis e maniqueístas (até quando escolhiam historinhas "emocionantes" e aparentemente sem ideologia), ao contrário dos politizados franceses... Agora, pergunto: é possível, nesse momento, um jornalismo feito por jornalistas que se julguem menos umbigos do mundo e tenham mais distanciamento crítico?
Roberto Menks , São Luís-MA - Consultor
Enviado em 1/10/2009 às 19:12:34
Essa tentiva explícita de tentar esconder o sol com a peneira é coisa de quem não quer aceitar críticas. O Rio de Janeiro é sim uma cidade violenta. É só acompanhar a imprensa local.
André Egg , Curitiba-PR - historiador
Enviado em 1/10/2009 às 16:28:54
O colega sugere aí acima que o Rio é a cidade mais violenta do mundo. Não sei em qual tipo de violência se baseia, mas não é sequer a mais violenta do Brasil. As críticas à reportagem são bastante pertinentes, mas são estensivas também à imprensa brasileira, que realiza sua sempiterna cobertura parcial, justamente por motivações políticas escusas - tal qual o repórter norte-americano.
Carlos Souza , Rio de Janeiro-RJ - Engenheiro
Enviado em 1/10/2009 às 15:54:53
Independentemente de ser a favor ou contra a realização da Olimpíada no Rio, o fato é que a cidade é uma selva, em guerrilha permanente. Nos 7 anos da guerra no Iraque morreram menos pessoas devido à guerra do que pessoas mortas no Rio devidoà violência de bandidos e policiais. Concordo com o comentário abaixo em que destaca o fato de que a violência passau a ser considerada uma coisa normal. Ou seja, tivemos tiroteio ontem e hoje vamos à festa, "sem problemas", "fato normal".
Grazielle de Marco , Macaé-RJ - Jornalista
Enviado em 1/10/2009 às 13:42:58
Na verdade, essa confiança que o leitor tem com o texto jornalistico não está baseada na capacidade do mesmo de vivenciar, mas de buscar fontes confiáveis para que as informações sejam passadas da forma mais fidedigna possível (não colocarei imparcial, porque sabemos que a imparcialidade é um mito). E nesse ponto concordo com a professora. Porque não considerar como fontes os acadêmicos? O papel do jornalista não é, também, colocar em linguagem mais simples a informação? Não fazemos isso constantemente com economistas e juristas? Porque então não considerar os cientistas sociais? Independente de concordarmos ou não com a visão do Rio do colega, precisamos questionar porque não tentar aprofundar a questão social com fontes acadêmicas. Ao colega que tentou desmerecer Silvia por ser acadêmica e estar distante das redações, é preciso lembrar que distancia nos permite ver coisas que passam despercebidas para os que estão envolvidos em nas situações.
Raul  Dickman , Belo Horizonte-MG - jornalista
Enviado em 1/10/2009 às 12:33:16
O comentário anterior ilustra bem a coisa: a verdade é que os brasileiros e principalmente os cariocas se acostumaram tanto com tiroteios, traficantes e assaltos, que ficam chocados quando alguém escreve a verdade sobre a selva em que se transformou o Rio de Janeiro...
Gabriel  Villalonga , Rio de Janeiro-RJ - Fotógrafo
Enviado em 1/10/2009 às 12:20:13
Boa tarde. Parabéns pelo texto. Só achei benevolente você chamar o jornalista de irresponsável. É muito pior que isso. Estou acostumado a visitar amigos em favelas e nunca tive dificuldades em entrar e sair delas. Fui convidado para um aniversário de uma amiga que mora no Morro da Providência no próximo domingo- hoje houve um tiroteio de madrugada, fato comum-. Estarei lá assim mesmo, como o faço há 25 anos.
Marcus Pessoa , Belém-PA - Servidor público
Enviado em 1/10/2009 às 11:33:56
A reportagem do grande repórter John Lee Anderson é ótima, e esse texto de crítica da profa. Moretzsohn é deprimente. Só faltou ela se enrolar na bandeira nacional e cantar o Virunduns. Parece que a exposição crua das mazelas do Rio a incomodou. Professores de comunicação há décadas afastados das redações não têm qualquer contribuição relevante a dar à crítica da imprensa. Essa afirmação pode parecer radical, mas é isso que está matando o prazer de ler o Observatório. O Rio não é a cidade mais violenta do mundo? Hehehe. Não é porque o repórter não citou a fonte que a informação é falsa. Reportagens não são trabalhos acadêmicos, e a relação do repórter com o leitor se baseia na CONFIANÇA que o segundo tem no primeiro. Talvez por isso a gente leia grandes reportagens como essa e não aguente ler os papers chatos que são cuspidos pela academia o tempo todo.
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