ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 559 - 9/2/2010
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RIO OLÍMPICO, 2016
A celebração da diversidade

Por Washington Araújo em 12/10/2009

E de repente chegaram os primeiros comentários. Alguns identifiquei logo de cara como pessoas amigas, assíduas em manifestar generosidade, apreço e outras coisas boas ante meu texto sempre inacabado. As primeiras duas dúzias seguiram nesse ritmo. Mas, então, como contraponto aquela tendência de unanimidade (sempre marcada pela falta de luzes no intelecto) começaram a aparecer alguns poucos comentários tímidos, respeitosos porém discordantes da tese que levantava de que, como filhos de Deus, também merecemos um pouco de celebração já que a vida é curta para ser pequena.

Três dias depois de disponibilizado nesteObservatório, o volume de amigos que fizeram comentários ao texto ultrapassava já a centena [ver "Indiferença em vez de otimismo"]. Havia despertado paixões. Em poucos dias o autor esteve às portas de ganhar o Nobel de Literatura e frequentou também a ante-sala dos infectados com nacionalismo piegas, essa doença de nossa infância política.

Leitores encontraram motivações que me eram inteiramente despercebidas. Para dois ou três mais afoitos o que me movia o pensamento era o desejo de viver em um país dos sonhos, sem criminalidade, sem corrupção, sem sofrimento de qualquer espécie. Já outros me emocionaram com declarações de que ficaram com olhos marejados varados pela emoção. Meia dúzia encontrou no texto razões para se sentir melhor brasileiros, gente otimista e de bem com a vida enquanto outro tanto reclamou da ausência do presidente Lula em uma moldura estilística que lhe caberia à medida.

Experiência instigante

Nesse vai-e-vem de percepções encontrei leitores repercutindo o texto a torto e a direito quase como peça publicitária de uma campanha presidencial ainda incipiente nestes meses finais de 2009. Dezenas de sites e blogues criaram uma rede de proteção ao texto e não deixaram nem mesmo de adorná-lo com logomarcas, charges, lideranças políticas.

A verdade é que os leitores me ajudaram a me entender – se é que me entendem. Entendi que cada um vê no texto o quer ver e ponto final. Compreendi que há uma distância imensa entre intenção e gesto. Percebi que ficamos muito sofisticados na apreensão da linguagem escrita: qualquer afirmação traz consigo sua negação e o desejo de interagir com o autor é tão intenso que não dispensa arroubos de viva aceitação e sinais veementes de repúdio.

Não se aceitam mais livres pensadores, essa gente que ainda se atreve a cometer o pecado de pensar. Os leitores exercem com acentuado prazer o ofício do entomologista. E o que faz o entomologista? Estuda os insetos, analisa sua morfologia, fisiologia, comportamento e genética. É nesse sentido que vejo o leitores catalogar minha posição ideológica, classificar meu pensamento como animal político, estabelecer para que serve meu pensamento, que "usos" esses podem ter se "olhados" por quem os usa.

Creio que a vasta maioria dos que escrevem nesteObservatório o fazem movidos pelo desejo de comunicar algo e fazem a conspiração que reúne pensamento, linguagem e experiência de vida. Ocorre que, quando estou escrevendo, não consigo me imaginar tramando um texto para potencializar esta ou aquela tendência político-partidária. O próprio verbo tramar me deixa desconfortável, creiam-me.

As palavras, por mais esticadas que sejam, não conseguem trair o pensamento do autor. Este as escolhe como faria um apreciador de pedras pequenas à beira-mar: pega uma, deixa-lhe correr na palma da mão e então emite seu veredicto: esta fica comigo e entra em minha coleção enquanto aquela outra é logo descartada, escapa da mão e regressa ao ambiente que a gerou. O mundo está mais afeito às classificações ou nós é que não resistimos ao trabalho fácil e reducionista de classificar de coisas a pensamentos, de insetos a pessoas?

Seguindo esse livre-pensar, logo estaremos portando nas mãos, no lugar de aparelhos celulares, pequenas fichas na forma de etiquetas. No lugar de ligar o celular para conversar preencheremos etiquetas e vamos etiquetando o mundo e seus habitantes. Passaremos a usar uma planilha de cores vibrantes e agradáveis aos donos de pensamentos que têm mais afinidade com nosso modo de ver o mundo e colocaremos as cores frias e muito fortes, osdegradées de cinza, nos que pensam muito diferente da gente.

Pronto, temos diante de nós o desafio da alteridade, da percepção do outro e com isso a percepção da rica diversidade que constitui o patrimônio maior de espécie humana. Se somos gentis, amáveis apenas com aqueles que pensam de maneira similar à nossa, estamos traindo todo o jogo da vida pois optamos por encontrar nosso pensamento refletido no outro. O contrário, infelizmente, é a mais pura verdade. Rejeitamos o que não encontra eco na gente e nos privamos da mais instigante experiência na vida, a que leva ao encontro das diferenças e à celebração da diversidade.

Ser feliz

O texto "Indiferença no lugar de otimismo" é assertivo da primeira à última palavra e representa meu pensamento da forma mais clara que consegui expressá-lo quanto à escolha do Rio de Janeiro pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Usei apenas pedrinhas escolhidas, pedras que catei à beira-mar do pensamento, pedras que uma vez rolando na palma da mão não voltaram a seu lugar de origem, ficaram comigo e foram usadas de forma generosa ao longo do texto.

Embora sinta que o mesmo pareceu possuir os efeitos terapêuticos de óleo de fígado de baleia, aquele bálsamo milagroso que curava, nas feiras de Natal e de Caruaru, de unha encravada a infarto do miocárdio, entendo ser justo declarar que:

** expressar meu amor pelo Brasil não me alinha automática e irrestritamente ao governo do momento, seja ele qual for;

** decretar uma ou duas semanas de celebração particular pela vitória em Copenhague dos 190 milhões de habitantes do Rio de Janeiro não significa que a taxa de homicídios no país baixa a zero, como também não baixa a menos zero a existência dessa que é a pior enfermidade do caráter humano: a corrupção, sem adjetivos, substantivo mesmo;

** sentir emoção depois de ouvir o nome Rio de Janeiro, pronunciado com sotaque mexicano ou colombiano, pelo presidente do COI Jacques Rogge no dia 2/10/2009, não é o mesmo que fazer solene profissão de fé nesta ou naquela plataforma política;

** detectar que nossa imprensa parece sofrer de um pessimismo crônico (e sempre com viés de baixa) em sua cobertura regular sobre Brasil de hoje e aquele do futuro não é o mesmo que desfraldar bandeiras contra ou a favor desse ou daquele veículo de comunicação;

** destacar tanta coisa boa que vem acontecendo no Brasil, nos últimos anos, em esferas até bem pouco inimaginadas não me empurra para a toca do Coelho, aquele instigante ponto de partida do surrealAlice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll;

** pensar a conquista das Olimpíadas no Brasil em 2016 sob um ângulo mais condizente com meu estado de espírito – o da mais lúcida celebração – não é excludente às análises de outros jornalistas e, ao contrário, poderiam todas se somar sem que uma tenha que diminuir a força argumentativa de outra.

Chegará o dia em que um simples brasileiro poderá declarar sua felicidade sem ter que... se explicar.

Comentários (27)
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Paulo  de Allmeida , --IN - jornaleiro
Enviado em 21/10/2009 às 07:47:53
Cada um vê o mesmo mundo do seu ângulo diferente, e isto geraria a diversidade se um tipo de vício näo fizesse a gente pensar automaticamente, e logo em seguida julgar, antes de perceber a realidade, que no fundo é a somatória de várias percepcöes diferentes. A isenta e livre percep§äo é a base do conhecimento, mas a gente carrega uma hipótese pronta... e vira um ponto isolado, morto, sem vínculo com a realidade, Unidade ou qualquer coisa que vá além de mero pré conceito.
Ronaldo Tancredi , Rio-RJ - jornalista
Enviado em 20/10/2009 às 10:44:58
Diferente do leitor José Albino, engenheiro paulista, agora é que fiquei ainda mais seu leitor pois esse texto aqui me fidelizou. Seu argumento é coerente com um pensador livre das amarras de um sufocante freio partidário e é muito bom termos profissionais que exerçam o direito de fazer a crítica pura e simples sem ter que fazer mesuras a este ou aquele partido e nem atanazar a vida desse ou daquele outro. Não havia ainda feito comentário porque achava que o texto INDIFERENÇA NO LUGAR DE OTIMISMO TINHA UMA QUEDINHA para incensar o já muito celebrado Presidente Lula e não sou um partidário do PT (nem mesmo do PSDB), em cada eleilção escolho a pessoa e não o partido em que está filiado. Assim posso lhe dizer que temos aqui uma verdadeira declaração de princípios para qualquwer aspirante a fazer crítica da mídia. Não tem que ter o rabo preso e isso não quer dizer nunca colocar o dedo na ferida. Precisamos de gente que recorra aos princípios (causas) e não tão somente às consequências (efeitos imediados). E isto o senhor faz com excelência.
Paulo  de Allmeida , --IN - jornaleiro
Enviado em 19/10/2009 às 06:53:35
Existe mesmo uma Unidade no mundo, e o que diferencia mesmo as pessoas é que umas vivem (dentro dela) completamente alheias, e outros conseguem se relacionar com ela se livrando dos adestramentos, preservando algo que vai além desta sobrecarga classificatória... E sem medo de estar vendo uma realidade e interpretando outra, afirmo que seus textos tocam parte desta tal Unidade, e se destacam desta filosofia de macarräo que infesta o mundo e a mídia.
Jose  Albino , Sao Paulo-SP - Engo.
Enviado em 19/10/2009 às 00:41:49
Caro Washington, eu me incluo naqueles que interpretou talvez de forma errada seu artigo "Indiferença em vez de otimismo". Dada a quantidade de "eu não quis dizer bem isso" neste seu novo texto, eu retiro todos os elogios que fiz àquele texto, embora continue com a sensação que voce quis dizer muito bem aquilo, que por si era muito elogioso, ou digno de elogio. Não sendo aquilo, não há por que elogiar. Ficou parecendo agora uma "Caetanada" acerca do tema Olimpiadas, desculpe.
Paulo Henrique Cunha , Belém-PA - apresentador de TV
Enviado em 16/10/2009 às 08:58:50
Brilhante texto. É isso que chamo a liberdade editorial e mais, o ato de refletir sobre a criação intelectual. O senhor se superou meu caro. Parabéns.
Sérgio Silva Cardozo , São Paulo-SP - Engenheiro
Enviado em 15/10/2009 às 22:27:22
Como paulistano, me rendo ao Rio. Sempre me rendi. Namorei uma carioca e bebíamos, amávamos, e pensávamos como o Rio seria melhor se os franceses não tivessem sido expulsos da Guanabara. A cidade seria muito melhor que Mônaco e eu, um paulistano típico, seria um estrangeiro em Ipanema. Como me sinto estrangeiro no Rio! Como me sinto em casa! Como São Paulo tem a aprender com a cidade. E como o Brasil deve ao Rio. Que venham as Olimpíadas e que o Rio seja maravilhoso como sempre. Para alegria de nós, paulistas e brasileiros, que temos uma cidade como aquela. Mas sempre de olho nos ladrões, que chegaram depois de 500 anos de espera. Atenção, cariocas: os novos piratas (ou serão [ ]) chegaram.
Pedro Affonso Camargo , Campinas-SP - UNICAMP
Enviado em 15/10/2009 às 11:05:35
quero ver agora os mesmos que tanto replicaram seu texto anterior terem a ombridade moral replicar esse seu aqui. Os dois formam como já apontou a professora Zelia as faces da mesma moeda. Estive pensando com meu professor Martino Lisboa se já não era hora de o senhor publicar seus artigos/colunas/textos saídos aqui no Observatorio da Imprensa na forma d elivro. Os temas são sempre instigantes, cultos, marcados por um estilo leve e cativante de se ler, agrega conhecimentos vários e carrega na crítica contundente (jornalismo insano, descaminhos das Índias, a malfeita entrevista de Época, ídolos do Pedro Bial, o excelente correspondencia de comadres et cetera) um certa dosagem de lirismo ou profissao de fé na vocação do jornalista. ATENÇÃO LUIZ EGITO: o senhor poderia falar com a Fundação Ford para patrocinar livros dos colaboradores regulares do Observatorio e já começaria com o do senhor pois os temas não prescrevem rápido já que não aborda apenas coisas muito factuais, fatos perecíveis e sim instiga nossa imaginação como leitores. Sei que é fácil sugerir, fazer é que são elas.
RICARDO Martucci , Santa Maria-RS - sociólogo
Enviado em 15/10/2009 às 10:57:58
Totalmente de acordo com a feliz ideia do leitor José Cristovão Vilarim, de Campinas-SP. Realmente desse seu texto poderia se extrair um hino brasileiro mais fácuil de se guardar na memoria e contendo os pilares da identidade bgrasileira: liberdade, humanismo, pensamento todo inclusivo. Parabens seu Washington
Francenildo Aguiar Junior , Maceio-AL - assessor de imprensa
Enviado em 15/10/2009 às 09:02:49
Muito bom. O sr tem razão mao afirmar que ^É nesse sentido que vejo o leitores catalogar minha posição ideológica, classificar meu pensamento como animal político, estabelecer para que serve meu pensamento, que "usos" esses podem ter se "olhados" por quem os usa."
Solange Aurora , Cuiabá-Mt - Aposentada
Enviado em 14/10/2009 às 13:36:41
Temos muita gente caindo na toca do Coelho, ponto de partida do surrealAlice no País das Maravilhas
Jonas Azevedo , Belem-PA - Professor UFPA
Enviado em 14/10/2009 às 13:35:03
Sua palestra aqui em Belém na última semana foi o ponto alto da Conferencia de Direitos Humanos da OAB. Volte mais vezes. Parabéns por mais essa aula sobre liberdade de opinião. E a Veja e Época com sua publicidade mal disfarçada do Kindle? Quanto devem estar levando para esse estrondoso marketing de um aparelho que só tem serventia para leitores de língua inglesa? Nenhuma das reportagens destaca o fato que é praticamente zero o estoque de livros para o Kindle na língua de Drummond... tem coisa aí. Que tal tratar disso professor?
Renan Ribeiro , Natal-RN - Jornalista
Enviado em 14/10/2009 às 13:30:28
Muito bom. O sr prova que pode existir texto culto sem ser pedante. Encontrei seu texto em muitos blogues inclusive Blog da Dilma, Blog do Paulo Henrique Amorim, Blog Vermelho, Balaio do Kotscho, Blog do Nassif. Sinal que sua coluna reverberou na blogosfera mais engajada hehehersrsrs
André Luis Pereira , Rio-RJ - coord núcleo Letras
Enviado em 14/10/2009 às 12:13:58
Leitura indispensável. Texto excelente e com gosto de pão que sai direto do forno, sem referencias batidas, clichês etc. Você está certo quando diz que o leitor vê o quer ver quando lê um texto. Sempre foi assim. Achamos o que buscamos. O problema é que atualmente se pega o texto dos outros para dar uma força em ideias nossas, geralmente reducionistas quando não de viés politiqueiro no velho uso da palavra. Parabéns.
Paulo Souza , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 14/10/2009 às 09:53:29
Muito bom. Em tempo, faço minhas as palvras de outro autor dessa semana no Observatório. O meu amigo, Erick; "Infelizmente, para Mr. Mainardi, o Brasil é hoje, sim, o centro das atenções. E o pior, companheiro, será ainda daqui a quatro e seis anos. Parabéns ao Comitê Olímpico Brasileiro. Parabéns ao Brasil. Só lamento pela "velha imprensa ranzinza e amargurada" que tem que presenciar a gigantesca popularidade do nosso presidente, aqui no Brasil, e em Manhattan, ser obrigada a ouvir, no bom e velho inglês do Mr. President: Lula is the man!" http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=559FDS010
jose carlos lima lima , goiania-GO - estudante
Enviado em 14/10/2009 às 00:59:22

Caro dirigentes da TV Brasil, decepção total o programa que assisti agora, produzido pela TV Cultura de Zé Serra e reproduzido pela TV Brasil. O Alberto Dines chamou Kfouri e mais dois repórteres esportivos, um da Globo e outro parece que da Folha. Tenho notado que a TV Cultura em seus debates só chamas para formar as mesas de debates pessoas afinadas com Zé Serra, não permitem o contraditório. Ontem isso aconteceu na Roda Viva, que entrevistou a governador Ana Júlia Carepa que, por sinal, botou a [ ] no chinelo. Hoje nem isso pode ocorrer, pois era o Dines e mais 3 tucanos debatendo sobre as Olímpiadas. Um dos comentaristas demonstrou-se com medo inclusive de atentados terroristas. É cada uma. Se os programas da TV continuarem assim tão direcionados a TV Brasil deveria parar de exibi-los. Que obrigação tem a TV Brasil de exibir a TV Cultura, um planfleto tucano-demo?

Nota do OI: O programa televisivo do Observatório da Imprensa é uma produção da TV Brasil. Desde fevereiro de 2009 não é exibido pela TV Cultura de São Paulo, que unilateralmente o retirou de sua grade. (Luiz Egypto)

Neyde Helena Castro , Brasília-DF - estudante doutorado UnB
Enviado em 13/10/2009 às 21:46:15
Ridiculo... É sempre assim tem uns patrulheiros querendo torcer o pensamento dos outros! "Meia dúzia encontrou no texto razões para se sentir melhor brasileiros, gente otimista e de bem com a vida enquanto outro tanto reclamou da ausência do presidente Lula" Parabéns por suas palavras. É o direito à livre expressão. Bravo!
Carlos Fortunato , Goiania-GO - publicitário
Enviado em 13/10/2009 às 21:38:18
muito bom colocar os pingos em todos os milhares de iiiiiiii. 100% de acordo com essa afirmativa: detectar que nossa imprensa parece sofrer de um pessimismo crônico (e sempre com viés de baixa) em sua cobertura regular sobre Brasil de hoje e aquele do futuro não é o mesmo que desfraldar bandeiras contra ou a favor desse ou daquele veículo de comunicação.
Jandir Cerqueira , Fortaleza-CE - professor de linguística/comunicação
Enviado em 13/10/2009 às 21:35:21
Elevou o nivel de nossos debates aqui no Osservatorio Romano-Brasileiro: É nesse sentido que vejo o leitores catalogar minha posição ideológica, classificar meu pensamento como animal político, estabelecer para que serve meu pensamento, que "usos" esses podem ter se "olhados" por quem os usa.
Sandro Ataliba Soares , SP-SP - jornalista / publicitário
Enviado em 13/10/2009 às 21:33:05
Uma peça jornalística/literária, texto a ser emoldurado pela verdade que contem. Li os comentários mais de cem feitos em cima de seu último (e instigante) artigo e só posso dizer que há um patrulhamento no Brasil pensante e o senhor foi vítima disso querendo lhe "etiquetar"/classificar disso e daquilo quando no fundo o senhor pensa por si mesmo e não se arvora em pensar pelos outros ou pior, em seguir o pensamento dos outros. Bem acontece que jah espero a segunda feira para ler seu artigo. Ler bon s textos, desses que fazem pensar, refletir e tendo como gancho algo da atualidade nao é facil de encontrar nessa grande teia que é a Web. Parabens Sr. Araujo.
José Paulo Badaró , São Paulo-SP - desempregado
Enviado em 13/10/2009 às 14:10:44
Para tudo há um tempo nesta vida. Agüentar o derrotismo e o chororô de quem estava torcendo contra; sofrer por antecipação e desacreditar em tudo e em todos, realmente não é comigo. Baixada a poeira da comemoração, de agora em diante começa o tempo de planejar, de “curtir os problemas”, de fiscalizar cada centavo que se pretende gastar com a festança. Sofrer por antecipação (ou no tempo de comemoração), repita-se, é coisa de derrotista, masoquista e hipocondriaco. To out! << 1.Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: 2.tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado; 3.tempo para matar, e tempo para sarar; tempo para demolir, e tempo para construir; 4.tempo para chorar, e tempo para rir; tempo para gemer, e tempo para dançar; 5.tempo para atirar pedras, e tempo para ajuntá-las; tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se. 6.Tempo para procurar, e tempo para perder; tempo para guardar, e tempo para jogar fora; 7.tempo para rasgar, e tempo para costurar; tempo para calar, e tempo para falar; 8.tempo para amar, e tempo para odiar; tempo para a guerra, e tempo para a paz. - ECLESIASTES, 3 >>
João Carlos Andrade  Motta , Uberlandia-MG - história
Enviado em 13/10/2009 às 12:56:13
Washington as pessoas não sabem separar que "expressar meu amor pelo Brasil não me alinha automática e irrestritamente ao governo do momento, seja ele qual for";, tudo ficou muito partidarizado porque a imprensa, a mídia, o diabo a quatro dos meios de comunicacao colocam politicagem em tudo o que divulgam. É bom saber que ainda temos gente pensante por si mesmo e que não se deixam levar como massa de manobra de oportunistas que vendem espaço em suas revistas e tempo em seus telejornais em troca do vil metal. Estou com você na espera do dia em "que um simples brasileiro poderá declarar sua felicidade sem ter que... se explicar"
Reivaldo Augusto  Vinas , Rio-RJ - publicitário
Enviado em 13/10/2009 às 12:51:57
Totalemnte de acordo com o Sr. José Cristovão Vilarim, de Campinas-SP. Coluna indispensável, conteúdo humanista, ético. Parabéns ao senhor por saber dizer o que pensa sem ter que pedir permissão a ninguém. Éo tipo de texto que gostaria de um dia ter escrito.
Dante Caleffi , Rio de Janeiro-RJ - Publicitário
Enviado em 13/10/2009 às 12:49:02
Resumindo: cético e pessimista de acordo com o barômetro ideológico. Quanto aos demais,cultores do Brasil,o sentem como jamais "em tempo algum":vira-latas,porém sem complexos,altaneiros e com elevada auto-estima. Presidente que orgulha seu concidadãos e impressiona por onde passa com seu discurso e atitudes.Lula é o desejado presidente dos argentinos e mexicanos, em votação levada pelo "El País",prestigiado periódico espanhol.E, um dos mais conhecidos e admirados chefes-de-estado. É pouco?
José Cristovão  Vilarim , Campinas-SP - aposentado
Enviado em 13/10/2009 às 10:01:40
Washington Araújo, também é o "cara"! Pela minha mente fervilham palavras, idéias, sentimentos que lembram obras como essa sua, meu amigo, mas que não consigo organizá-las como você faz tão bem. Desse seu texto poderíamos extrair idéias para mais um hino brasileirol, um mais simples de ser guardado, cantado, contextualizado com o nosso momento, na minha humilde opinião, como o mais auspicioso de nossa história. E não me refiro apenas ao olímpico, como também todos aqueles que nos colocam atualmente como uma das nações mais respeitadas do mundo. Aliás, como gostaria que o povo brasileiro recebesse periodicamente uma síntese do que o mundo fala de bom acerca de nós. E por um passe de mágica, que nos fizesse esquecer tudo que pensa de nós a emprensa local e uma classe de intelectuais metidos a besta. Parabéns! Como gostaria
Thereza capristrano , SP-SP - Sociologia
Enviado em 12/10/2009 às 21:07:15
Elegante como sempre. Criativo e mestre no artesanato de ideias. O senhor oxigena nossa discussão eterna que é encontrar erros da mídia e mostra que também se pode acertar outros alvos como as atitudes dos leitores. Recomendei sua coluna anterior ao alunos da Unisinos e farie o mesmo com esse aqui --- são faces da mesma moeda.
Raquel Irani , Campinas-DF - Professora Unicamp/Pós-graduação
Enviado em 12/10/2009 às 21:03:30
brilhante da primeira à última palavra. Obrigado por nos brindar com inspiração em estado alfa.
Rejane Moreira , Campo Grande-MS - Jornalista
Enviado em 12/10/2009 às 20:54:11
Que belo texto e lição de vida. Nào é sempre que encontramos vida inteligente na web mas você prova o contrário. Poderia destacar várias passagens mas fico com essa aqui: "Pronto, temos diante de nós o desafio da alteridade, da percepção do outro e com isso a percepção da rica diversidade que constitui o patrimônio maior de espécie humana. Se somos gentis, amáveis apenas com aqueles que pensam de maneira similar à nossa, estamos traindo todo o jogo da vida pois optamos por encontrar nosso pensamento refletido no outro." SHOW.
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