ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 560 - 19/10/2009
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GLOBO & UNIVERSIDADE
O fosso entre academia e mercado

Por Rogério Christofoletti em 23/10/2009

Reproduzido do blog do autor, 22/10/2009; título original "William Bonner e o fosso entre academia e mercado"

Tempos atrás, a visita de um profissional a uma universidade seria um episódio restrito apenas a quem o presenciasse. Por mais ruidosa que fosse a passagem, alunos e professores discutiriam nos corredores, e o fato seria armazenado na memória de quem o testemunhasse. Bem, eu disse "tempos atrás". Hoje é diferente, e as muitas possibilidades tecnológicas de compartilhamento de informação, conhecimento e experiência soterram qualquer tentativa de esquecimento voluntário.

Acontecimento recente ajuda a ilustrar essa nossa obsessão por lembrar: no início do mês, o apresentador e editor-chefe do Jornal Nacional William Bonner palestrou na Universidade de Brasília e causou ranger de dentes com as críticas que fez aos cursos de Jornalismo brasileiros. Segundo relatou a professora Zélia Adghirni, Bonner disse que as escolas de Jornalismo "não servem para formar jornalistas" e que elas "deveriam se preocupar mais com o ensino de Português e História. Para o resto, a universidade serve apenas como experiência de vida". Conforme conta a professora, o editor-chefe foi categórico em afirmar que "jornalismo se aprende no mercado", e que nem mesmo técnicas de redação e ética profissional seriam bem oferecidas nesses momentos de formação.

Bonner, contextualiza a professora Zélia, disse tudo isso após a já esperada pergunta de estudantes acerca do fim da obrigatoriedade do diploma para a área. O auditório da UnB estava lotado, e fora dele um telão retransmitia a palestra do jornalista. Ainda segundo o relato da professora, Bonner teria dito que "em seis meses, eu pego um estudante e faço dele um editor na Globo", transformação que poderia fazer de um taxista em jornalista.

Como disse, a passagem de Bonner pela UnB – por ocasião da turnê de lançamento de seu livro Jornal Nacional – Modo de Fazer – provocou ranger de dentes, que não ficaram apenas nos longos corredores da Universidade de Brasília, mas se espalharam feito rastilho de pólvora na blogosfera e em listas eletrônicas de professores e alunos.

O fosso

Não, eu não estava na palestra de Bonner. Mas confio no relato da professora Zélia, a quem conheço e respeito. E a julgar pelo teor do que foi dito, a passagem foi desastrosa. Não porque eu não concorde com o jornalista, afinal isso pouco interessa. Mas porque declarações como aquelas só fazem aprofundar e alargar um abismo entre academia e mercado, entre universidade e empresas. Aliás, é histórica a existência desse fosso separando duas instâncias que poderiam muito bem dialogar mais. Há muito tempo, assisto a demonstrações mútuas de ojeriza. Há anos, vejo gente na academia torcendo o nariz para o mercado, e gente do mercado bufando diante de professores da área. Não é, portanto, meramente ilustrativo o que digo sobre um fosso. Ele existe, e perdura e, ciclicamente, se expande.

Por contraste geológico, o desprezo manifesto por Bonner pela formação oferecida nas escolas é só a ponta do iceberg de uma relação de estranhamento que não contribui para o avanço do jornalismo profissional nem para os processos formativos de repórteres, editores e redatores. Isto é, ninguém ganha com isso. O mercado não se beneficia com os debates, as pesquisas, as soluções encontradas na academia, e esta se alija do que acontece no mundo competitivo, cruel, real e complexo a que as empresas estão habituadas.

O setor produtivo não dialoga com o mundo da reflexão. A massa pensante tapa os ouvidos para a gente que faz. Claro que estou me apegando aos rótulos que se impuseram a esses lados da equação, mas não estou muito longe do que influentes e importantes setores pensam acerca de si e de outrem.

O fato é que temos uma zona de atrito entre academia e mercado que – de forma muito prática – interessa a poucos. Interessa a quem se imagina como o centro do mundo, como quem está indisposto ao diálogo e à construção de caminhos.

Saídas?

Não defendo um pacto artificial entre as partes, nem ao menos a capitulação de suas posições. A academia não precisa pensar como o mercado, mas não pode ignorá-lo. Também não é prudente ou recomendável que as empresas, por sua vez, dêem de ombros para o que se pensa e se produz nas escolas. Se os cursos de Jornalismo estão ruins, é preciso encontrar maneiras de aperfeiçoá-los; se os produtos jornalísticos têm qualidade duvidosa, deve-se perseguir parâmetros melhores, refletindo sobre a prática, sobre rotinas produtivas, fluxos informativos, procedimentos operacionais, adoção de novas tecnologias...

São bem-vindas iniciativas como o da Globo Universidade, de aproximar seus quadros profissionais e empresas das escolas. Bem como é oportuna a criação de cátedras específicas, como a Cátedra RBS da Universidade Federal de Santa Catarina. Repórteres, redatores, produtores, editores precisam transitar pelas universidades, palestrando ou fazendo cursos. Professores e alunos devem fazer visitas técnicas às empresas, onde se pode colher dados para estudos de caso. Isto é, as saídas para a redução do fosso entre academia e mercado passam incontornavelmente pelo diálogo e pela disposição. Em outros países, a tensão empresas-universidade é menor, e o encaminhamento dos recém-formados aos postos de trabalho é um processo natural, não-traumático.

O manual e Homer

A academia se gaba de querer pensar criticamente as práticas do mercado. Que continue a fazê-lo, mas que também ofereça exemplos práticos de como aperfeiçoar processos e produtos jornalísticos. Ou seja, que as práticas laboratoriais sirvam não apenas para reproduzir comodamente o que vem dando certo por aí, mas também simulem os desafios para a busca da experimentação e inovação, e contribuam para habituar os alunos a um ritmo profissional de produção.

O mercado alardeia que recebe jovens profissionais despreparados e que os "salva" na correria do dia-a-dia. Isso não é totalmente verdadeiro, e nos casos em que é, as empresas podem contribuir para que os cursos sejam melhores. Alguns grupos empresariais oferecem cursos internos de formação que muito se assemelham a períodos de treinamento e adestramento. Na ânsia de preparar seus quadros, as empresas formatam, engessam, restringem. Ultimamente, na mesma direção, têm sido lançados livros que atuam como suporte a esses cursos. Jornalismo Diário, de Ana Estela de Sousa, é um exemplo disso. O livro – que tem suas qualidades – segue a mesma receita já empregada pela Folha de S.Paulo em seu Manual de Redação: sabemos fazer jornalismo e só nós sabemos. Por isso, sigam as nossas regras e você estará fazendo jornalismo.

Isso não é dito literalmente, mas a leitura do volume permite entrever o quanto se despreza a academia e as linhas que guiam os cursos acadêmicos. Articulado ao programa interno de formação, do qual a autora é responsável, o livro é outra forma do monólogo que aprofunda a fissura entre academia e mercado.

O livro de William Bonner não é endereçado a estudantes de Jornalismo ou a professores. O timbre didático que ele assume do começo ao fim sinaliza que seu público é maior, na direção da audiência do telejornal mesmo. A preocupação com explicações técnicas é tão grande que o leitor pode se constranger pela rasura de alguns trechos. Como se o leitor fosse Homer Simpson. A comparação é minha, mas não é gratuita. Em 2005, Bonner se viu envolvido num incidente que ajudou a macular sua imagem, pois teria comparado o telespectador médio do JN ao personagem do desenho animado. A aproximação foi "denunciada" pelo professor Laurindo Lalo Leal e causou ressentimentos de parte a parte. Bonner alegou ter sido mal interpretado.

No final de Jornal Nacional – Modo de Fazer, o autor vai à forra e desenterra o assunto para um acerto de contas com Lalo Leal. Sob o pretexto de tratar da clareza como um valor a ser perseguido no telejornal, Bonner conta a sua versão do incidente e contrapõe, inclusive, declarações de colegas do professor para contestá-lo. Bonner não segura o rancor, e mesmo em poucas páginas – e como na UnB – alarga ainda mais o fosso entre academia e mercado.

Comentários (16)
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Samuel Lima , Brasília-DF - Jornalista e professor universitário
Enviado em 27/10/2009 às 11:00:42
Rogério, pelo que soube, esta não foi a única frase infeliz do apresentador William Bonner. Com o devido respeito, não concordo que este mix de empáfia ("formo um jornalista em seis meses") com estupidez ("jornalismo se aprende no mercado") seja sinônimo do fosso entre o mundo acadêmico e o mercado. Há mais coisa entre o céu e a terra, senão vejamos: (a) No final do ano passado, as maiores empresas de jornalismo nos EUA pediram "help" às escolas daquele país, no sentido de formar seus profissionais - um reconhecimento explícito do valor da formação acadêmica, no maior "mercado" mundial; (b) Nenhum curso do planeta, de nenhuma área de conhecimento, consegue formar plenamente o/a aluno/a, mas lhe dá base e "asas" epistemológicas para voar e crescer em sua profissão - há escolas e "escolas", em todas as áreas; (c) As iniciativas do tipo "Cátedra RBS" na UFSC são inoportunas, política e pedagógicamente inócuas - na minha opinião, serviu apenas de "palanque" para os executivos da RBS detonarem, sem o sagrado direito do contraditório, os sindicatos, a luta da FENAJ etc.; (d) O fosso entre a produção teórica e o mundo do trabalho, no jornalismo, só será superado quando a gente passar a pesquisar as rotinas produtivas e seus impasses, com a finalidade de qualificar a práxis jornalística (o ensino, a produção teórica) - como propôs o prof. Eduardo Meditsch (UFSC), em artigo recente.
Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 26/10/2009 às 01:36:49
Eis outra briga para se ficar de sangue doce, apenas assistindo os galos se furarem ambos os olhos. De um lado o cyborg William Bonner e a indústria da lobotomia nacional, que atende pelo singelo pseudônimo de Rede Globo de Televisão; do outro, os péssimos cursos de Jornalismo do país e seus diplomados biônicos, empenhados não em conferir importância ao ensino acadêmico (até porque, se fosse assim, estava-se engajado em promover mudanças nas diretrizes e - especialmente - no conteúdo curricular), mas sim em dar suporte aos cinco anos (ou mais, em alguns casos) de "investimento" pessoal. A favor destes últimos estão, notadamente, boa parcela dos professores universitários, porque a relação também é de vínculo e fonte de proventos. Bonner é um [ ] completo, mas acho que neste caso ele expressou uma opinião particular e não fez uso do alcance global para tornar verdade absoluta. Até porque convém lembrar que no mesmo dia em que o STF derrubou a exigência de diploma para o exercício da atividade jornalística, o mesmo Bonner-Homer declamou um comunicado da Rede Globo onde a mesma reiterava a sua política de preferir profissionais diplomados na hora de contratar. Deste modo o que Bonner pensa ou deixa de pensar não faz muita diferença. Só serve mesmo para deixar a rinha mais emocionante.
Talita Barros , Duque de Caxias-RJ - Jornalista
Enviado em 25/10/2009 às 14:25:22
Rogério, concordo inteiramente com você. Parabéns pelo texto!
Paulo  Silva , Florianópolis-SC - universitário
Enviado em 25/10/2009 às 14:16:08
Nos centros de estudos Brasilianos o efeito dessa segregação cultural estimula o clitóris midiático. Pois desse intervalo surgem as interações de poder entre os indivíduos do sertão médio. Seguindo a crise acadêmica, poderemos constatar o isolamento periódico, nessa tentativa secular de redigir a sua própria biblia, ainda como resposta ao afronte imposto indexado por antigos patrões dogmáticos. Academia que também é habitada por prisioneiros,condenados ao eterno mundo das citações de funcionários dos reis à ilusionistas,num ajuntamento de conhecimentos que jazem nos nichos desperdiçantes. Fonte de renda pra maioria. Lugar de manipulação aos psicopatas. Cartório de registros de patentes a alguns empreendedores. O mundo dito superior simula a quase tudo. O mundo dito superior é apenas uma das tantas linguagens. O mundo dito superior quer ser o porvir do neo profissionalismo.
Reginaldo Gadelha , Tegucigalpa-RN - Assessor do Zé Laya
Enviado em 25/10/2009 às 12:24:07
Pontos de vista diferentes, embora as duas partes se achem com a razão. Os cursos de Jornalismo Brasileiros deixam a desejar, as empresas contrapõem oferecendo formação específica a seus funcionários. O livro Jornlismo Diário da Ana Estela é claro, mas não acho que ela dê o recado de "faça assim". Pessoalmente acho que o Bonner tenha sido prepotente, mais que isso, foi descriminatório. A saida vai ser as Escolas de Jornalismo melhor prepararem seus formandos, e as empresas investirem junto a essas Escolas para que recebam fornadas de melhores profissionais.
Gridânia  Brait , São José do Rio Preto-SP - Jornalista
Enviado em 25/10/2009 às 02:55:54
Quanta petulância...Bonner e seus comentários infelizes!Ele ignora a importância acadêmica, mas será que na hora de contratar um profissional a Globo não exige um diploma?Na bancada do JN ele se esquece que um dia também foi universitário e que certamente muito do que aprendeu foi útil para sua carreira...O jornalismo como qualquer outra profissão é uma combinação entre teoria - o que se aprende na universidade e prática - o que se vivencia no mercado de trabalho. Será que ele diria o mesmo sobre os cursos de direito, medicina ou qualquer outro...??Servem apenas como experiência de vida???Ele só endossa o absurdo sobre o fim da obrigatoriedade do diploma para a área...Lamentável...
Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 24/10/2009 às 21:32:38
..."jornalismo se aprende no mercado"..., "em seis meses, eu pego um estudante e faço dele um editor na Globo". Tudo na vida se aprende na prática. Mas é na formação universitária que se aperfeiçoam os valores, os conhecimentos elementares, a ética, a visão de mundo... Nada de estranho nas declarações do moço. As Organizações Globo há anos tentam “fazer” a cabeça das pessoas. William Bonner é apenas um instrumento da lavagem cerebral. Quando diz que “pego um estudante e faço dele um editor...” ele não precisa provar. Basta observar os “jornalistas” “criados” pela Empresa Global. Entretanto, seria interessante saber o percentual que se submeteria voluntariamente a essa lavagem cerebral. Há jornalistas que já passaram pelas Organizações Globo e caíram fora por não concordar com os “ensinamentos” e métodos de Bonner, Ali Kamel e Cia. As palestras de Bonner nada mais são do que uma tentativa de implantar, já nas Universidades, esse método” rudimentar de “arregimentar” incautos.
Alexandre Pastre Gonçalves , Andradas-MG - contabilista
Enviado em 24/10/2009 às 16:39:42
Uma discente que estava na mesma palestra refutou, por meio de um comentário, o mesmo artigo da professora e, em outra ocasião, em entrevista para o Dines, assunto semelhante foi abordado e não foi essa a observação do Bonner a respeito da "inutilidade" da universidade. Não vejo razões, portanto, para costurar mais pano ainda sobre o mesmo assunto. É compreensível a indisposição com a Globo, mas a tal palestra não serve de exemplo. Outro detalhe é que frequentemente os docentes costumam ver a aplicação e o sucesso com desconfiança e oportunismo. Acho que mesmo quem tem motivos para desconfiar da qualificação de um conhecimento acadêmico deve ser considerado, mesmo que isso incomode até mesmo o corporativismo.
Márcia Pimentel , Rio de Janeiro-RJ - Jornalista
Enviado em 24/10/2009 às 04:37:52
Tenho vivido esse fosso entre academia e mercado no meu trabalho. Acho que trata-se de uma questão cultural e de crenças. Muitas vezes me percebo irritada com o fato de ter que reproduzir sempre uma mesma abordagem simplista em relação às pautas. Não estou querendo, aqui, dizer que ninguém tenha que escrever difícil. Mas certas questões colocadas no mundo de hoje exiigem uma pauta mais bem elaborada e analítica, que requer uma compreensão mais complexa das coisas. Por exemplo: as famílias hoje estão se esfacelando, as mídias têm cada vez maior papel na educação das crianças. As escolas, por sua vez, são afetadas com essas mudanças. Cobram das famílias a mesma coisa que cobravam há 50 anos atrás, mas nada cobram das mídias... Enfim, o fato é que esse tipo de jornalismo do William Bonner não dá conta dessas transformações. A crença de que o público é burro a priori e de que a simplificação extrema de tudo é o que dá audiência impede que tratem de assuntos de extremo interesse da sociedade. A imprensa mercadológica é cega a vários fenômenos pelos quais passa a sociedade, pois suas crenças impedem-na de enxergar certas coisas que só a academia tem visto. Então, provavelmente, o jeito é esperar que a sociedade e o jornalismo mercadológico caiam de podres pra ver se alguma coisa muda depois.
Alexandre Guimarães , Nepomuceno-MG - Empresário
Enviado em 23/10/2009 às 22:32:52
O Bonner não falou nada demais, apenas demonstrou o que a Grobu precisa, de macacos adestráveis capazes de escrever o que ela manda. Até nisto o Bonner é brilhante, é o sujeito mais capacitado a passar credibilidade nas opiniões esdrúxulas e parciais que emite. O que esperar de um ""jornalista"" que conduz e manipula entrevistas com candidatos? Provavelmente ele seja o taxista transformado em jornalista.
Remindo Sauim , Canoas-RS - Aposentado
Enviado em 23/10/2009 às 21:35:33
Entre o mercado de jornalismo atual, tipo Tv Globo, Folha de São Paulo e Veja, e a formação nas faculdades de jornalismo, fico com o segundo. Este tal Bonner desmerece a formação jornalistica porque não a cursou, me parece que é publicitário, e, o tipo de jornalismo que faz em seu canal não é de informação, é um show onde o telespectador mais se diverte que se informa e educa. Isto quando não defendem idéias como se partido político fosse. É o que se dá quando se tem gente não formada na profissão. Um ator, um showman, mas nunca um jornalista.
Welington Silva , Salvador-BA - Professor
Enviado em 23/10/2009 às 20:09:27
Caro Ibsen. Perfeito o seu raciocínio. Vou descordar apenas no que tange a questão do marxismo-leninismo. Se olharmos bem, o neoliberalismo não o derrotou, ao contráio, o fortaleceu na medida em que demonstrou, na prática do próprio neoliberalismo, a sua força. Basta olhar o que o próprio Marx falou sobre o socialismo em um só país. A experiência do leste europeu deveria ser seguida por outros países do ocidente, essa era uma das crenças. Fazemos a revolução e os outros nos seguem. Só que não seguiram e ai eles ficaram com uma batata quente na mão. Retorna ao capitalismo ou seguimos com a experiência socialista? Decidiram seguir. Deu no que deu, um socialismo burocrático, fascista até. Desculpa a simplificação deste fato histórico, mas o espaço nos limita. No mais, é dizer que não existe saída no capitalismo. Até aceito reformas, mas com um olhar teleologicamente apontado para um outro projeto histórico. Leiam Mészáros e o seu livro PARA ALÉM DO CAPITAL. A tese dele é que vivemos uma crise estrutural do sistema metabólico do capital. E este é incontrolável, incorrigível.
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica.
Enviado em 23/10/2009 às 18:26:43
Concordo com o professor Welington, acho que o desenho político-econômico-social e educacional está saturado. O fato de o neo-liberalismo ter "vencido" a guerra contra o marxismo-leninista não aplaca em nada suas mazelas e não consegue esconder o ciclo vicioso em que nos metemos. Há que se pensar num novo sistema que dê conta das necessidades do indivíduo sob uma ótica pública, como inserido em uma sociedade e que passe a ter com ela uma relação menos individualista. Eu li o artigo da profa. Zélia e os vários comentários a ele. Acho que ela não soube avaliar corretamente a palestra. A academia anda sim desprestigiada porque vem proporcionando um ensino medíocre, fora de contexto e que se soma a péssima formação fundamental e média de seus alunos!!! Os jornalistas estão dando muita trela ao ensino superior. Não se contói o terceiro andar de um prédio sobre o ar!!
Welington Silva , Salvador-BA - Professor
Enviado em 23/10/2009 às 15:05:11
Qual a melhoria que o mercado pode dá à formação humana? Há tempos o capitalismo (vivemos em um outro sistema?) se debate com um processo que tem justamente a ver com a formação humana. Não pode educar muito o sujeito, pois o mesmo, bem educado, bem formado, contestaria o próprio sistema nem, tampouco, pode educar pouco, pois este sujeito, pouco educado, não serviria para a sua própria reprodução. Como resolver essa equação aparentemente contraditória (e só aparente)? O mercado educa o suficiente. O suficiente para a reprodução da força de trabalho cumprir o seu papel nas engrenagens do sistema. Não quero com isso que imaginem que estou dizendo que não devemos pensar no mercado no processo de formação do sujeito. Não é isso. Devemos, concomitante, pensar em um outro projeto histórico de sociedade que não precise de sujeitos educados para determinados campos profissional, pois isso também é um engodo. Vejam vocês o que está acontecendo no Rio de janeiro. Um concurso para gari, que exige a quarta série concluída, tem 22 mestres e 45 doutores escritos. É essa sociedade que vive da contradição (os faminstos aumentam no mundo inteiro, apesar da implementação sempre mais intensiva e extensiva da ciência e da tecnologia no processo de produção de grãos) que precisamos derrubar, e para isso, dentre outras coisas, precisamos formar para além do mercado, para além do capital.
Nikolai  Streisky , Londrina-PR - jornalista
Enviado em 23/10/2009 às 14:05:44
É por isso que nossa academia é do jeito que é... e nossas empresas são do jeito que são... Enquanto não valorizarmos o aprendizado teórico, não entenderemos que ele é fundamental para uma boa prática... exceto se vc quiser criar macacos de repetição, como o Bonner propõe... aliás, duvido que ele transforme um estudante ou um taxista em editor da globo em seis meses... é piada de mau gosto... aliás, aqueles que passam pela academia e não souberem aproveitar no cotidiano o conhecimento teórico aprendido, então essas pessoas não entenderam a lição principal... patético
Marcelo  Guimaraes , Rio de Janeiro-RJ - Universitário Administração UFRJ
Enviado em 23/10/2009 às 12:18:04
As universidades, principalmente, as públicas tem que buscar um diálogo mais próximo com as empresas. Empresa e universidade são orgãos da sociedade, que se influenciam reciprocamente, refletindo direta e indiretamente os anseios e necessidades da sociedade civil. A partir do momento que perceberem que não se trata de buscar o certo ou errado, mas sim, pontos de vista/ paradigmas diferentes, e se abrirem para um entrar no "mundo" do outro, todos ganham: a universidade, que incorporará uma visão mais ampla de variáveis, dos problemas concretos da sociedade, antes ignorada em seus modelos de análise; a empresa, que contará com pesquisas de fronteira e reflexão avançada para pensar seus próprios problemas cotidianos; e o universitário, que desde o inicio da formação ao ser educado para entender esses dois mundos, reduz/ elimina esse trauma entre reflexão e ação, permitindo uma integração teoria x prática, tão demandada, mas muito pouco realizada. Mais que mudanças formais como: alteração curricular, novas leis de estágios, entre outros, são necessárias mudanças comportamentais dos principais atores sociais envolvidos: professores universitários, empresários e estudante. O diálogo é mais que necessário.
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