ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 561 - 27/10/2009
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LEITURAS DA FOLHA
A ditadura do ombudsman

Por Urariano Mota em 27/10/2009

Reproduzido do Direto da Redação, 21/10/2009

Qualquer pesquisa na internet informará que ombudsman é uma palavra sueca que significa representante do cidadão. E que a Folha de S.Paulo foi o primeiro jornal brasileiro a ter algo semelhante, o seu próprio ombudsman, que deveria ser um profissional dedicado a receber, investigar e encaminhar as queixas dos leitores; realizar a crítica interna do jornal e, uma vez por semana, aos domingos, etc. etc. Vamos ao ponto e ao fato, agora.

Em 29 de julho de 2009, lancei o livro Soledad no Recife em São Paulo. O livro narra os últimos dias de Soledad Barrett, a militante socialista que teve a infinita infelicidade de ser mulher do Cabo Anselmo, pois grávida foi entregue por ele ao assassino Fleury. Que a executou sob torturas, a ela e a mais cinco militantes, em 1973. Isso é histórico. O livro, uma recriação literária em cima de pessoas, depoimentos e papéis, expõe o caráter da traição de Anselmo, em um momento que não poderia ser mais inconveniente para ele.

De fato, na manhã seguinte ao lançamento, em 30 de julho, o Cabo Anselmo foi à Justiça Federal de São Paulo tirar impressões digitais para comparar com as registradas em seus documentos na Marinha. No outro dia, a Folha de S.Paulo noticiou em caráter de exclusividade:

"Cabo Anselmo reaparece em São Paulo e quer anistia"

A resposta

Em pouco mais de 40 minutos, Anselmo tirou suas impressões digitais. A conclusão – que vai dizer se a pessoa que fez a perícia é o cabo Anselmo – será apresentada em 30 dias. Só depois ele poderá retirar novamente carteira de identidade, CPF e título de eleitor, e passará a ser o último dos beneficiados pela Lei de Anistia...

"`Estou tomando porrada há muito tempo´, (Anselmo) reclamou à Folha. `Esse pessoal da esquerda ainda inventa muita mentira´, diz. `Há muita resistência no governo. Estão me enrolando já faz um bom tempo.´"

Então enviei esta mensagem ao ombudsman do jornal:

"Sou Urariano Mota, escritor e jornalista, autor do livro Soledad no Recife, lançado há menos de uma semana. Nesse livro há uma recriação dos crimes conhecidos como a `Chacina de São Bento´, e. mais particularmente, da traição de que foi vítima Soledad Barrett Viedma, mulher do Cabo Anselmo, entregue por ele a Fleury. 

Gostaria de chamar sua atenção para: 

a) dois dias depois do lançamento do livro, o Cabo Anselmo reapareceu como notícia na Folha – a denúncia que faço do seu trabalho em janeiro de 1973 vai contra as suas pretensões de anistia;

b) não tive acesso à Folha de S.Paulo, apesar do contato da editora com o repórter Lucas Ferraz.

Em nome da imparcialidade, ou pelo menos em nome do tradicional `ouvir o outro lado´, gostaria de ser ouvido, pois escrevi a outra versão, expressa em Soledad no Recife."

A isso respondeu o ombudsman:

"Caro Senhor,

a resposta da Redação está abaixo.

`A reportagem a que o leitor se refere era sobre o tutor do Cabo Anselmo, acusado de tortura.

No texto é citado o episódio conhecido como massacre de São Bento, quando foram assassinados seis militantes da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). O episódio consta em várias obras que retrataram o período. A Folha citou na reportagem o livro A Ditadura Escancarada, do jornalista Elio Gaspari, que descreveu a ação como uma `das maiores e mais cruéis chacinas da ditadura´."

Caixa online

O que me fez retornar:

"A resposta não satisfaz, porque:

1. Aqui, mais uma vez, repete-se o erro comum na imprensa – bem sei, sou também jornalista: em lugar de analisar e aprender, justifica-se.

2. O meu livro era o fato mais imediato e relevante às ações do Cabo Anselmo: lançado em 29/07, véspera de sua ida à Justiça em São Paulo, e todo narrado e construído em cima da ex-mulher do `cabo´, a brava Soledad Barrett Viedma.

3. Se o ilustre repórter houvesse parado para ler ou me ouvir antes de se justificar, aprenderia que jamais houve qualquer massacre na chácara. Então veria que o meu livro desmonta, peça por peça, o massacre da chácara. Jamais houve qualquer ou quaisquer assassinatos na chácara São Bento."

E assim ficamos, até hoje. Nem a Folha me ouviu nem resenhou o livro (que merece alguma crítica, acreditem, pois sobre ele já falaram O Estado de S.Paulo e O Globo).

Somente agora, três meses depois, revelo este caso da democracia na Folha de S.Paulo. O seu ombudsman pode até receber e encaminhar as queixas dos leitores. Mas poderia ser substituído por uma caixa online, que a cada reclamação respondesse automático: "caro senhor, muito obrigado, senhor, atenciosamente".

Comentários (4)
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Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 3/11/2009 às 16:28:27
Um então ombudsman "reclamou" desse tal "colunista" (proprietário de ONG). O tal "colunista" é o também sinecurista e abstrato conselheiro acácio, porém alcândor, pois folháctico Gilberto Dimenstein. O atual ombudsman (octavioman) ex-lobista de uma tal Patri Políticas Públicas e Relações Governamentais jamais "reclamará" da "incoerência" (ou promiscuidade) do tal Gilberto Dimenstein que é "colunista" e "conselheiro" da tal Folha de Notícias Populares de S. Paulo (de S. Paulo, hein!) e... proprietário de ONG!.
ariosto barros , são paulo-SP - jornalista
Enviado em 1/11/2009 às 01:35:06
Está na hora de a Folha investigar sua equipe, que tem além de marqueteiros, gente que possui coluna e anda atuando no terceiro setor, pegando polpudas verbas públicas tucanas e demoníacas. cadê o ombusdman?
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 29/10/2009 às 20:48:28
Caderno folháctico 2 da tal Folha de Notícias Populares de S. Paulo (de S. Paulo, hein!) de sábado, 24 de outubro de 2009 página B15 de "autoria" do redator marquetingueiro da editora Publifolha Vinicius Torres Freire: Diz do folháctico coleguinha Fernando Canzian: Tem sólida experiência. Como ótimo repórter. O autor se sai bem. Canzian termina seu relato "completo e didático". Antes disso o tal "redator" marquetingueiro da editora Publifolha diz: Canzian foi repórter de finanças e já fora correspondente da Folha nos EUA, em Nova York e Washington. Pô, se o tal folháctico Fernando Canzian "já fora" tudo isso, então, por que tanta bajulação e tanta louvação e tanta superlativação?!. É que na Folha de Notícias Populares de S. Paulo (de S. Paulo, hein!) é assim mesmo: Quem são folhácticos são alcândores e impolutos e quem não são folhácticos são ridículos e medíocres!. Nessa tal Folha de Notícias Populares de S. Paulo (de S. Paulo, hein!) até mesmo os tais sinecuristas e abstratos conselheiros acácios, porém alcândores, pois folhácticos (aqueles anciãos -todos machos) bajulam e louvam e superlativam os tais coleguinhas folhácticos!. E abaixo o tal folhetismo!. Que é o "nepotismo" folháctico da tal Folha de Notícias Populares de S. Paulo (de S. Paulo, hein!). PS. Ao leitorado folháctico, arrogância!. Aos folhácticos, bajulância!. Proscrição ombudsmática, já!. Octaviomanática, né!!.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 28/10/2009 às 17:38:47
Pô, o tal "ombudsman" -octavioman- Carlos Eduardo Lins da Silva disse que não seria um mero "intermediário" de leitores com a tal Folha de Notícias Populares de S. Paulo (de S. Paulo, hein!)!. Mas, nem mesmo "intermediando" o tal octavioman está!. Observação: E se o tal "custo" do departamento do ombudsman (quem mandou "contratar" figurão"?) é alto, então, imaginemos o "alto custo" do tal "Conselho Editorial de Anciãos"?. PS. Se o "reclamante" tivesse escrito o tal livro no tal PubliFolha ou se fosse um "colunista" tal qual Elio Gaspari o é esse tal octavioman teria "intermediado" muito bem sua reclamação. Aliás, nem haveria reclamação, né!, pois, os folhácticos têm sempre a prioridade na tal Folha de Notícias Populares de S. Paulo (de S. Paulo, hein!). E quem diria, hein!, depois de 20 "gloriosos" anos de ombudsmans "democráticos", tem-se um ombudsman (octavioman) ditatorial!. Ditatorial, segundo o reclamante e autor deste "post"!. Nota: E o reclamante pode-se dar por satisfeito, pois, ainda bem que a tal "Redação" respondeu!. E respondeu (contrariando o costumeiro) sem a folháctica arrogância!.
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Urariano Mota

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